domingo, 31 de julho de 2011

O CRISTO NEGRO DA MARACHA





 Venho aqui escrever sobre um pária que, há cerca de um mês, dorme dia e noite, aos olhos de quem passa, no Largo da Maracha. O estranho é que este pária, apesar de descalço, andrajoso e muito sujo, barba hirsuta e emporcalhada, se parece com gente. E agora, surpresa: Então não é que também tem nome? É verdade: chama-se Anildo Monteiro. Bom, dá para ver que é um apelido rasco, de pobre, está de ver. Sei lá, se ao menos se chamasse Aníbal, António, José… agora Anildo?! E ainda por cima –da pele, está de ver- é preto! Quer dizer, é negro, como negra é a vida para alguns. Como negra é a fome. Como negra é a solidão e o abandono. Talvez por isso, sem que ninguém me encomendasse tal sacramento, baptizei-o de "Cristo Negro da Maracha".
E porquê “Cristo”? Interrogará o leitor. Não sei. Se calhar, transcendo-me para dois mil anos atrás, imagino todos os cidadãos a fixar o filho de Deus pregado na cruz pelos romanos. O seu olhar divide-se entre a acusação, a apatia e o símbolo.
Ora, voltando à actualidade, curiosamente, apercebo-me de que o olhar do povo é o mesmo. Atentam para este “Cristo Negro” com olhar de “acusação”. Indo bem fundo nos seus olhos, parece que o incriminam por ele se ter abandonado, abandalhado, nos braços de uma inércia e desleixo que ele próprio não sentirá. Especulando, é como se, em olhar fulminante, lhe dissessem que todos nesta vida têm de seguir à risca os cânones da convivência. Mais grave ainda -e esta então é imperdoável?!-, então não é que o Anildo sorri? Pois é? Isto é grave! Muito grave! Então a dormir na rua, coberto com papelões, muitas vezes com fome, a sede a ser mitigada com água cheia de bactérias, colhida no Largo do Poço, e o bicho, com aspecto de homem ri? Ri de quê, ou de quem? Às tantas está a gozar connosco. Só pode! E isto irrita, mas logo a seguir a gente acalma, porque pensa assim: “bem feito! Tens o que mereces!” 
E continuamos a andar em frente, porque o tempo urge e não se pode perder com inutilidades… com este… como é que eu disse que se chamava? Bom, esqueci-me, mas também não interessa nada. Continuemos.
Outros há que olham para este animal -que por acaso se parece com um homem… negro, está de ver- com “apatia”. Assim, tipo varrer a área sem se prender em nada. É paisagem. Simples paisagem e nada mais.
Depois ainda há outros transeuntes que miram este… homem -mas ele será mesmo homem? Mas homem, que se diz por aí, ser filho de Deus, não se mostra assim- com um olhar de “símbolo”. Afinal, ao longo da história sempre houve pobres e miseráveis. E não há dúvida que são necessários. Fazem uma falta tão grande que às vezes até os esquecemos. Ou lembramos, sei lá! Nem que seja para provocar a catarse. O que seria este viver de excessos sem estas figuras emblemáticas? Alguém imagina uma cidade cheia de felicidade, luz e cor, onde a abastança impera, sem estes “ex-libris”?
É certo que este homem com aparência pré-histórica não bate bem da tola. Quer dizer, presumo eu, não sei, porque não sou psiquiatra –e se o fosse, para poupar na consulta, tratava de mim. Mas, aqui para esta “estória”, sem história, não interessa nada. Até porque um dia destes iremos encontrá-lo esticadinho. E pronto! Estará resolvido o problema.

A GERAÇÃO À RASCA DE 1950



Da autoria de uma jovem  de 61 anos (isso mesmo!)...

«Geração à rasca foi a minha. Foi uma geração que viveu num país vazio de gente por causa da emigração e da guerra colonial, onde era proibido ser diferente ou pensar que todos deveriam ter acesso à saúde, ao ensino e à segurança social.

Uma Geração de opiniões censuradas a lápis azul. De mulheres com poucos direitos, mas de homens cheios deles. De grávidas sem assistência e de crianças analfabetas. A mortalidade infantil era de 44,9%. Hoje é de 3,6%.

Que viveu numa terra em que o casamento era para toda a vida, o divórcio proibido, as uniões de facto eram pecado e filhos sem casar uma desonra.

Hoje, o conceito de família mudou. Há casados, recasados, em união de facto, casais homossexuais, monoparentais, sem filhos por opção, mães solteiras porque sim, pais biológicos, etc.

A mulher era, perante a lei, inferior. A sociedade subjugava-a ao marido, o chefe de família, que tinha o direito de não autorizar a sua saída do país e que podia, sem permissão, ler-lhe a correspondência.

Os televisores daquele tempo eram a preto e branco, uns autênticos caixotes, em que se colocava um filtro colorido, no sentido de obter melhores imagens, mas apenas se conseguia transformar os locutores em "Zombies" desfocados. 


Hoje, existem plasmas, LCD ou Tv com LEDs, que custam uma pipa de massa.

Na rádio ouviam-se apenas 3 estações,  a oficial Emissora Nacional, a católica Rádio Renascença e o inovador Rádio Clube Português. Não tínhamos os Gato Fedorento, só ouvíamos Os Parodiantes de Lisboa, os humoristas da época.

Havia serões para trabalhadores todos os sábados, na Emissora Nacional, agora há o Toni Carreira e o filho que enchem pavilhões quase todos os meses. A Lady Gaga vem cantar a Portugal e o Pavilhão Atlântico fica a abarrotar. Os U2, deram um concerto em Coimbra em 2010, e UM ANO antes os bilhetes esgotaram.

As Docas eram para estivadores, e o Cais do Sodré para marujos. Hoje são para o JET 7, que consome diariamente grandes quantidades de bebidas, e não só...


O Bairro Alto, era para a malta ir às meninas, e para os boémios. Éramos a geração das tascas, do vinho tinto, das casas do fado e das boites de fama duvidosa. Discotecas eram lojas que vendiam discos, como a Valentim de Carvalho, a Vadeca ou a Sasseti.

As Redes Sociais chamavam-se Aerogramas, cartas que na nossa juventude enviávamos lá da guerra aos pais, noivas, namoradas, madrinhas de guerra, ou amigos que estavam por cá.


Agora vivem na Internet, da socialização do Facebook, de SMS e E-Mails cheios de "k" e vazios de conteúdo.

As viagens Low-Cost na nossa Geração eram feitas em Fiat 600, ou então nas viagens para as antigas colónias para combater o "inimigo".


Quem não se lembra dos celebres Niassa, do Timor, do Quanza, do Índia entre outros, tenebrosos navios em que, quando embarcávamos, só tínhamos uma certeza...
 ...a viagem de ida.

Quer a viagem fosse para Angola, Moçambique ou Guiné, esses eram os nossos cruzeiros.
Ginásios? Só nas coletividades. Os SPAS chamavam-se Termas e só serviam doentes.

Coca-Cola e Pepsi, eram proibidas, o "Botas", como era conhecido o Salazar, não nos deixava beber esses líquidos. Bebíamos, laranjada, gasosa e pirolito. 

Recordo que na minha geração o País, tal como as fotografias, era a preto e branco.

A minha geração sim, viveu à rasca. Quantas vezes o meu almoço era uma peça de fruta (quando havia), e a sopa que davam na escola. E, ao jantar, uma lata de conserva com umas batatas cozidas, dava para 5 pessoas. 

Na escola, quando terminei o 7ºano do Liceu, recebi um beijo dos meus pais, o que me agradou imenso, pois não tinham mais nada para me dar. Hoje vão comemorar os fins dos cursos, para fora do país, em grupos organizados, para comemorar, tudo pago pelos paizinhos..

Têm brutos carros, Ipad's, Iphones, PC's, .... E tudo em quantidade. Pago pela geração que hoje tem a culpa de tudo!!!
Tiram cursos só para ter diploma. Só querem trabalhar começando por cima. 

Afinal qual é a geração à rasca...???

(RECEBIDO POR E-MAIL)

sábado, 30 de julho de 2011

UMA IMAGEM...POR ACASO...





Um homem dorme na rua,

estendido no meio do lixo,

parece que lá no alto a Lua

brilha pensando ser bicho,

estará triste nesta verdade crua,

talvez pense ser capricho

de humano que perpetua

o sofrimento em carrapicho,

nesta alma que se mostra nua,

como Cristo crucificado em nicho,

há uma necessidade que desagua

no interior de nós em cochicho,

um prazer sádico como charrua

a lavrar a terra seca, árida de mijo,

preto sem eira nem beira que evacua,

sem preocupação de parecer rijo,

demónio, em vagueio, que flutua,

espírito errante, vida em esguicho,

nesta ambiguidade promiscua,

modelo de sociedade rabicho,

que encaba quem nele se habitua.


DIVULGAÇÃO DE ACTIVIDADES DO CERVAS

(IMAGEM DA WEB)


CERVAS
Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens
http://cervas-aldeia.blogspot.com


Devolução à natureza de 10 aves selvagens recuperadas no CERVAS no concelhos de Águeda, Anadia, Coimbra, Oliveira do Bairro e Sta. Comba Dão

 

O CERVAS - Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens de Gouveia, vem por este meio convida-lo para estar presente nas devoluções à natureza de seis milhafres-pretos (Milvus migrans),três mochos-galegos (Athene noctua) e uma galinha-d'água (Gallinula chloropus), e que se vão realizar emcinco concelhos diferentes.

Ver o programa da actividade mais abaixo.

As devoluções destes animais aos seus habitats vão ser em locais adequados aos requisitos ecológicos destas espécies.

Estas acções estão abertas ao público em geral e para além da devolução destes animais aos seus habitats, têm o objectivo de sensibilizar as populações para a importância destes animais e para o trabalho realizado pelos centros de recuperação de fauna selvagem.

Também pedimos, se possível, a divulgação destas acções de forma a estarem presentes o maior número de pessoas neste momento que representa o culminar do trabalho de diversas instituições e pessoas que estiveram envolvidas na recuperação destes animais. 


Programa de actividade:

Dia 02 de Agosto, Terça-feira
09:30h - Devolução à natureza de um milhafre-preto (Milvus migrans) -  Freguesia de S. Joaninho, Sta. Comba Dão
Ponto de Encontro: Junto ao cemitério de São Joaninho
Esta ave ingressou no CERVAS ainda cria, vítima de queda do ninho. Foi encontrada por um particular, recolhida pelo SEPNA-GNR de Sta. Comba Dão e encaminhada para o CERVAS através dos Vigilantes da Natureza da RNPA - Reserva Natural do Paúl de Arzila. No momento do seu ingresso não apresentava qualquer lesão e a sua recuperação, além de uma alimentação adequada, passou  pela diminuição, ao mínimo indispensável, do contacto com humanos. Também esteve em contacto com animais da mesma espécie, de forma a adquirir alguns dos comportamentos específicos da espécie. Posteriormente realizou treinos de voo e caça.
 
11:30h - Devolução à natureza de três milhafres-pretos (Milvus migrans) - Mata Nacional do Choupal, Coimbra
Ponto de Encontro: Mata Nacional do Choupal, junto à sede do ICNB - Reserva Natural Paúl de Arzila
As primeiras duas aves foram vítimas de uma queda do ninho e foram encontradas por particulares, recolhidas pelo SEPNA-GNR de Coimbra e encaminhada para o CERVAS pelos Vigilantes da Natureza da RNPA - Reserva Natural do Paúl de Arzila. Quando ingressaram no centro não apresentavam qualquer lesão e a sua recuperação passou por uma alimentação adequada, pelo contacto com animais da mesma espécie e realizaram treinos de voo e de caça. Durante este processo foi essencial diminuir ao mínimo indispensável o contacto com humanos, de forma a evitar a domesticação.
A outra ave foi encontrada por um particular e recolhida e encaminhada para o CERVAS pelos Vigilantes da Natureza da RNPA - Reserva Natural do Paúl de Arzila. No momento do seu ingresso apresentava-se debilitada e desnutrida, tendo a sua recuperação passado pela administração de fluídos e por uma alimentação adequada, de forma a recuperar a boa condição corporal. Posteriormente esteve em contacto com animais da mesma espécie e realizou treinos de voo e de caça.
 
14:30h - Devolução à natureza de um milhafre-preto (Milvus migrans) -  Couvelha, Freguesia de São Lourenço do Bairro, Anadia
Ponto de Encontro: Campo Futebol de Couvelha
Esta ave foi vítima de uma queda do ninho e encontrada por um particular. Posteriormente foi recolhida pelo SEPNA-GNR de Anadia e encaminhada para o CERVAS pelos Vigilantes da Natureza da RNPA - Reserva Natural do Paúl de Arzila. No momento do seu ingresso não apresentava nenhuma lesão, mas estava ligeiramente desidratada, pelo que a sua recuperação passou por uma alimentação adequada e pela administração de fluídos. Esteve em contacto com animais da mesma espécie e realizou treinos de voo e caça.
16:30h - Devolução à natureza de um milhafre-preto (Milvus migrans) e de uma galinha-d'água (Gallinula chloropus) - Freguesia de Fermentelos, Águeda
Ponto de Encontro: Pateira de Fermentelos, no Hotel In Portugal - Estalagem da Pateira
A galinha-d'água é um animal juvenil, vítima de uma queda do ninho, e foi encontrada por um particular, recolhida pelo SEPNA-GNR de Anadia e encaminhada para o CERVAS através de um particular. No momento do seu ingresso não apresentava nenhuma lesão, mas aparentava alguma dificuldade em manter-se de pé, pelo que devia estar desnutrida. O seu processo de recuperação passou por uma alimentação adequada, e por treinos de voo.
O milhafre-preto é um animal adulto que terá sofrido um trauma de origem desconhecida. Foi encontrado e encaminhado até ao CERVAS por um particular. No momento do seu ingresso apresentava uma fractura da asa esquerda já em processo de ossificação, pelo que a sua recuperação passou por deixar finalizar este processo de ossificação, e posteriormente foi feita fisioterapia à asa. Foi fornecida uma alimentação adequada, e numa fase final esteve em contacto com animais da mesma espécie e realizou treinos de voo e caça. 
 

18:00h - Devolução à natureza de um mocho-galego (Athene noctua) -  Freguesia de Sangalhos, Anadia
Ponto de Encontro: Jardim de Infância da Fogueira
Esta ave foi vítima de queda do ninho e foi encontrada por um particular, recolhida pelo SEPNA-GNR Anadia e encaminhada para o CERVAS pelos Vigilantes da Natureza da RNPA - Reserva Natural do Paúl de Arzila. No momento do seu ingresso não apresentava lesões e o seu processo de recuperação passou por uma alimentação adequada, pelo contacto com animais da mesma espécie de forma a adquirir comportamentos específicos da espécie. Também realizou treinos de voo e caça.

 
19:30h - Devolução à natureza de dois mochos-galegos (Athene noctua) - Oliveira do Bairro
Ponto de Encontro: Em frente ao Campo de Futebol de Oliveira do Bairro
Esta duas aves caíram do ninho e foram encontradas por particulares e encaminhada para o CERVAS por intermédio dos Vigilantes da Natureza do RNPA - Reserva Natural do Paúl de Arzila. No momento do seu ingresso não apresentavam lesões, pelo que a sua recuperação demonstrou-se fácil, tendo sido essencial a diminuição ao mínimo indispensável da sua manipulação, de forma a evitar a domesticação. Foi-lhes fornecida uma alimentação adequada e estiveram em contacto com animais da mesma espécie. Realizou treinos de voo e caça e estão agora prontos para serem devolvidos à natureza.

Para qualquer informação e/ou para confirmação de presença nestas acções, agradecemos contacto através do e-mail cervas.pnse@gmail.com ou do telefone 962714492 (CERVAS).
Poderá também auxiliar na divulgação destas acções encaminhando este e-mail.
 
Agradecendo toda a atenção e disponibilidade,
Os melhores cumprimentos,

Pela equipa do CERVAS,
José Pereira


-- 
CERVAS - Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens
Apartado 126
6290-909 - Gouveia
Telm: 962714492 / E-mail: cervas.pnse@gmail.com
http://cervas-aldeia.blogspot.com

O CERVAS é uma estrutura que pertence ao Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) / Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) e que se encontra actualmente sob a gestão da Associação ALDEIA (www.aldeia.org) com o apoio da ANA - Aeroportos de Portugal e outros parceiros. O centro tem como objectivos detectar e solucionar diversos problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens e dos seus habitates. As linhas de acção do CERVAS são a recuperação de animais selvagens feridos ou debilitados, o apoio e/ou a realização de trabalhos de monitorização ecológica e sanitária das populações de animais selvagens, o apoio e fomento à aplicação do Programa Antídoto - Portugalwww.antidoto-portugal.org, a promoção da sensibilização ambiental em matéria de conservação e gestão dos animais selvagens e o funcionamento como unidade intermédia de gestão e transferência de informação e amostras tratadas através de parcerias científicas.

O SEGUNDO VOO DO MILHAFRE

(IMAGEM DA WEB)


          

Caro Sr. Luis Fernandes.

 
Conhecendo eu a grandiosidade do seu blogue, bem como o número de conimbricenses que como eu não passam sem o ler diariamente, e sabendo também  do seu interesse na divulgação das causas nobres, venho mais uma vez solicitar a sua ajuda na divulgação do "site" do  CERVAS  (estrutura pertencente ao Instituto de Conservação da Natureza), mais própriamente no plano de actividades da próxima semana, uma vez que também sou um dos intervenientes.
   Há cerca de um mês, quando fazia a minha habitual manutenção na mata do choupal, vi uma ave de grande porte aos trambulhões entre a vala de irrigação dos campos do mondego e a estrada que liga ao hipódromo. voltei atrás, peguei na minha viatura e desloquei-me ao local. Era um milhafre preto ainda muito jovem. Levei-o ao CCN do Choupal e após o preenchimento da ocorrência informaram-me que logo após a sua recuperação eu seria informado para participar na sua libertação. 
Chegou o grande dia: 02 /08 / 2011 às 11.30, em frente ao bar do choupal. Logicamente que seria abuso da minha parte solicitar a presença do "OLHO de LINCE"  a fim de registar tão nobre tarefa, mas pelo menos se for possível a divulgação do respectivo programa de actividades eu assim como a CERVAS ficaremos gratos ao amigo Luis.

Cordialmente:
António Fernandes Madeira.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

SALÁRIOS NESTE PORTUGAL QUE É UMA AMÉRICA PARA ALGUNS

(IMAGEM DA WEB)


"Folha salarial (da responsabilidade da Câmara Municipal) dos administradores e de outros figurões, da Fundação Cidade de Guimarães, criada para a Capital da Cultura 2012:

- Jorge Sampaio - Presidente do Conselho de Administração:14.300 € (2 860 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 500 € por reunião

- Carla Morais - Administradora Executiva: 12.500 € (2 500 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião

- João B. Serra - Administrador Executivo: 12.500 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião

- Manuel Alves Monteiro - Vogal Executivo: 2.000 €mensais + 300 € por reunião

Todos os 15 componentes do Conselho Geral, de entre os quais se destacam Jorge Sampaio, Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral e Eduardo Lourenço, recebem 300 € por reunião, à excepção do Presidente (Jorge Sampaio, com aquele ar de Calimero que não faz mal a uma mosca...) que recebe 500 €.

Em resumo: 1,3 milhões de Euros por ano (dinheiro injectado pelo Estado Português) em salários. Como a Fundação vai manter-se em funções até finais de 2015, as despesas com pessoal deverão ser de quase 8 milhões de Euros ! Administradores ganham mais do que o PR e o PM !

Esta obscenidade acontece numa região, como a do Vale do Ave, onde o desemprego ronda os 15 % !".

(Retirado, com a devida vénia, do Facebook, da página de Ana Maria Ramalheira)


O TEMPO DA FUTILIDADE

(IMAGEM DA WEB)




 Futilidade, “qualidade do que tem pouco ou nenhum valor; carácter de quem dá muita importância ao que é insignificante ou inútil; frivolidade, superficialidade”, assim explica o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.
Antes de prosseguir, como ressalva de interesses, tenho de me confessar fútil. Ao fotografar isto e aquilo, que não interessam ao menino Jesus, ao escrever sobre assuntos que não têm qualquer utilidade o que estou eu senão a mostrar completamente o meu lado frívolo? O que quis dizer com esta salvaguarda, e antes de alguém me atirar às trombas, é que, inevitavelmente, todos somos um pouco superficiais. É evidente que uns mais do que outros.
No entanto, apesar do que escrevi atrás –se calhar a tentar mostrar que sou melhor do que pareço-, creio que estamos todos a entrar num ponto sem retorno. Ou seja, em vez de apenas lavar a cara de manhã na bacia da ninharia, sem nos apercebermos, estamos todos a tomar banho no oceano da insignificância.
Os exemplos são demais. Começo por este, que foi o que me chamou a atenção: “Dispensa de gravata no Ministério da Agricultura entra hoje em vigor”. Continuando a ler o artigo no Económico ficamos a saber que por esta tão importante alteração de usos e costumes até foi promulgado no Diário da República um despacho e assinado pela ministra da tutela Assunção Cristas –que, para que não se tome uma coisa por outra, declaro já que gosto mais da cara desta ministra do que da de Ferreira Leite. Valha-nos isto.
Vou então continuar a procurar mais futilidades que é para ver se me saio bem neste exercício que ninguém me encomendou. Assim, à pressão, lembro-me logo da legislação sobre o tabaco, e nesta nova forma de, utilizando a lei como instrumento e prenha de argumentos salvíficos, padronizar a sociedade.
Não é a primeira que escrevo sobre este mesmo assunto, e, por isso mesmo, estou a repetir-me, “uma sociedade que legisla sobre a relação entre pais e filhos, dando a estes a possibilidade de se queixarem dos seus progenitores; uma lei que consigna o crime público como a violência doméstica nas relações familiares; uma presumível lei de proibição de piercings”, escrevi isto em 2008, é a continuada construção de uma colectividade vazia e que aceita de ânimo leve ser manipulada na sua vontade, sobretudo no que lhe é intrínseco e deveria ser do seu foro privado e exclusivo.
Este deixar ao legislador o controlar de assuntos que são da nossa estrita decisão individual é muito mais do que ridículo. É o continuar a construir com o nosso beneplácito uma sociedade irresponsável e amorfa que, individualmente, não se conduz sem que outros, no poder, imponham a sua vontade. É como se à nossa volta cada um de nós, sem cérebro e amoral, perdesse a capacidade de reivindicar e separar o bem do mal. É o de, passo a passo, passarmos de seres pensantes a autómatos.
Sabemos todos que vivemos num sistema padronizado, e estas manifestações risíveis, em princípio, mais não buscam do que, para além de outros instrumentos como os “mass media”, tornar-nos ainda mais iguais e mais insignificantes.
Hoje vivemos na era “light”. Tudo é leve, inodoro, incolor e de usar e deitar fora. Se atentarmos bem começa logo por cima. Repare-se nos actuais dois secretários-gerais dos dois maiores partidos políticos. Quem são eles? Líderes que fizeram o seu percurso político na juventude dos seus partidos, nas Jotas.
Ainda agora, há pouco, aquando de eleições internas nos partidos PSD e PS, quer Passos, quer Seguro, em pleito com outros dirigentes mais pragmáticos e com mais experiência de vida, bateram facilmente os seus opositores. É lógico que “ligth” mais ligth” dará uma solução ainda mais leve e o resultado a médio prazo, inevitavelmente é a substituição… por outro mais “light”, claro!
Porque agora no tocante aos partidos de governo e oposição, como alguém já disse, a intenção não é refundar o país, mas antes mostrar que se faz, numa espécie de baralhar, substituir os jogadores que dão cartas, e ficar tudo na mesma.
Bem se sabe que não é fácil de mexer com interesses. A pressão é colossal –utilizando este adjectivo agora tão em voga. Mas alguma coisa terá de se fazer. Em vez de se mostrarem medidas de encher o olho, que na prática não têm qualquer resultado a não ser entreter as hostes, o que era preciso era atacar os problemas de fundo. E há tantos, mas tantos. Agora, ao correr da pena, lembrei-me, por exemplo, fará sentido ser a Polícia Judiciária a investigar os incêndios? Há dias ouvi na rádio, havia no país, nesse momento 53. Ora, sabendo nós que a maioria é de índole criminosa, haverá meios que aguentem esta proliferação? É certo que o que será preciso é acabar com a sua deflagração, mas, ao que tudo indica, vamos continuar assim até não haver mais nada para arder e, pelos vistos, antes disso ainda se acaba é com a Polícia Judiciária –como se sabe, sempre que haja suspeita de fogo-posto, quer seja em 10 metros quadrados, quer seja em 50 hectares, esta polícia é sempre chamada a investigar. Não era mais fácil dar formação à Autoridade Nacional da Protecção Civil ou à Guarda Nacional Republicana, polícia esta que está muito mais perto das populações?
Acabei por me dispersar no contexto do título que me deu azo a escrever, mas penso que está tudo ligado a esta forma de aceitarmos tudo sem nos interrogarmos e sem perdermos um minuto a pensar seja lá no que for. Mas afinal é esta a intenção de quem sempre nos governou e governa. Não será?

TEXTOS RELACIONADOS:


VOU MAS É DAR UMA VOLTA...

HOJE, SER EMPRESÁRIO É PROFISSÃO DE ELEVADO RISCO




"Hoje, ser empresário é profissão de elevado risco", quem o diz é Henrique Neto, que, ao que parece, nem terá razões de queixa para se lamentar.
Ao lermos hoje no Diário de Coimbra este infeliz caso do suicídio no Rio Mondego de um empresário da Mealhada, com apenas 47 anos, que teve o mundo nas mãos e acabou os seus últimos dias numa instituição para sem-abrigo, na Rua da Sofia, em Coimbra, deve, a todos, mas a todos mesmo, fazer-nos reflectir. E não vou escrever mais nada...

IMPORTA-SE DE REPETIR? (2)

(IMAGEM DA WEB)



"(...) Outra prova é a preferência que a comunicação social tem por noticiar o quer aqui acontece (na Baixa). Mas normalmente realça mais, muito mais, o negativo do que o positivo. O comércio de rua, o comércio da Baixa passa por uma grande crise de clientes e mais grave, uma grande crise no acreditar. (...) Um artigo recente do Diário de Coimbra veio, mais uma vez, focar o negativo. Não me recordo de a comunicação social noticiar, de forma relevante, a abertura de um estabelecimento comercial na Baixa.
(...) Voltando ao artigo do Diário de Coimbra, que volta demonstrar o que se passa, sofre de um pecado (...)"

Paulo Mendes, empresário, tesoureiro da ACIC, Associação Comercial e Industrial de Coimbra, entre 1998 e 2007 e nos anos subsequentes presidente da direcção-geral desta associação, hoje no Diário de Coimbra.

IMPORTA-SE DE REPETIR? (1)

(IMAGEM DA WEB)


"(...) Assistimos à agonia da ACIC -Associação Comercial e Industrial de Coimbra- sem um devido esclarecimento da situação catastrófica a que chegou fruto de uma gestão danosa nos últimos cinco anos especialmente através de operações bancárias realizadas com cobertura de bancos e jogos políticos perigosos que convirá esclarecer ao pormenor."

Horácio Pina Prata, empresário, ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, ex-presidente da ACIC entre 1998 e 2005, hoje no Diário de Coimbra.



UMA JUSTIÇA DE FICÇÃO...

Apesar de a arma lhe ter sido apreendida, o arguido foi absolvido
(IMAGEM DO JORNAL i)

Ser ou não ser, ou a transcendência da realidade para ficção. Leia aqui o jornal i...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)

[Imagem+4556.jpg]


Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "EMPRESÁRIOS: CUIDADO! MUITO CUIDADO! LEIAM ANTES D...": 

 Faz-me pena que com tantos avisos e com tanto acesso a informação, ainda haja gente que vá neste conto do vigário. Paciência, é o que temos. . .
Vou responder áqueles Srs. devolvendo o RSF com 1/2 duzia de folhas de papel higiénico dentro, talvez lhes dê algum jeito. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

UMA COZINHA DE TALENTOS





 Ontem, durante um repasto no Restaurante “A Cozinha”, na Rua das Azeiteiras, pela Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC) foram distribuídos os prémios aos vencedores da última “noite branca”, em 17 de Junho, nesta parte da cidade.
Perante cerca de três dezenas de pessoas que estiveram envolvidas nos diversos concursos propostos pela APBC, a abrir a cerimónia, Armindo Gaspar disse o seguinte:
“Esta última “noite branca” foi um sucesso reconhecido por todos. De evento a evento estamos a constatar uma cada vez maior adesão de comerciantes. E só assim será possível continuar a fazermos cada vez melhor. Se em futuras iniciativas o comércio não aderir não é possível fazer melhor. Se não dermos as mãos, se não comungarmos dos mesmos interesses, não será possível obter mais sucesso. Era bom que todos déssemos as mãos e nos envolvêssemos neste caminho difícil que todos estamos a viver.
Gostaria de sublinhar que a direcção da agência trabalha gratuitamente em prol da Baixa… gratuitamente, volto a dizer. Ainda ontem, em reunião que tivemos para dar opiniões sobre o que se passa nesta zona comercial, nos foi transmitido por um grupo de arquitectos e uma socióloga que estão a fazer um estudo a sua profunda admiração sobre a razão de todo o comércio não aderir completamente às iniciativas que propomos. Transmitiram-nos, através do seu contacto com outras zonas históricas do país, que não há nenhuma outra baixa com a nossa. Talvez por isso –gostaria de vos dizer- que na última reunião que tivemos com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro vimos todos os nossos projectos aprovados sem qualquer corte.”

E OS VENCEDORES SÃO?

 Por parte da restauração o primeiro prémio foi atribuído ao restaurante “A Cozinha”, o mesmo onde ontem todos os convivas puderam degustar os excelentes menus pantagruélicos.
O segundo prémio coube ao Restaurante 007, na Rua Sargento-mor, e o terceiro ao restaurante “Cova Funda”, o Espanhol, na Rua da Sofia e também com entrada pelo Terreiro da Erva.

E QUEM FEZ A MELHOR MONTRA?

 O prémio de melhor montra coube à peixaria Pinguim, na Rua das Padeiras; o segundo à loja da Lena, na Rua Sargento-mor, e o terceiro ao estabelecimento Brancal, na Rua Visconde da Luz, ex-aequo com a Loja das Meias, na Rua Ferreira Borges.

E QUEM MARCHOU MELHOR?

 A marcha vencedora foi a Ribeira de Frades, conjuntamente com a Marcha da Amizade de Vila Nova de Anços. Em segundo lugar ficou a Marcha de Lorvão e em terceiro as marchas de Santa Clara, Brasfemes e da Frago.

E A RUA MAIS BONITA… É?

 No concurso “A minha rua é linda” ganhou o prémio a Rua Sargento-mor, seguida da Rua da Louça e em terceiro a Rua das Padeiras.


TEXTOS RELACIONADOS:


"APBC COMUNICA OS RESULTADOS..."
"Em rua de ferreiro... (1)"
"Amanhã há marchas populares..."
"Se esta rua fosse minha"
"Em rua de ferreiro... (2)
"E o vencedor é...?"

UMA IMAGEM...POR ACASO...


O URBANO ENGAXADOR





Senhor Urbano é polidor,
escova sapatos com uma mão,
chamam-lhe engraxador,
mas ele não é só isso não!
Puxa o brilho a uma vida
que foi sempre apagada,
mesmo assim foi combatida
com sua vontade de espada;
O Urbano está descontente
com este rumo da Nação,
nada é como antigamente,
político não tem perdão;
Trabalhou a vida inteira
para reforma de miséria,
prefere uma bebedeira
a este tempo de galdéria;
Às vezes põe-se a sonhar,
julga-se outra vez criança,
no tempo em que o abraçar
era o caminho da esperança;
A troco de uma moeda,
transforma velho em novo,
como broa que leveda
à espera de forno do povo;
Mas Urbano vai vivendo,
neste urbano mundo louco,
em que uns vão corrompendo
e outros ganham tão pouco;
É a sina, talvez o seu destino,
de quem nasceu na pobreza,
por muito que tenha tino,
de pouco lhe vale a esperteza;
Quem o quiser conhecer,
basta ir ao Café Santa Cruz
dê os sapatos para ele benzer,
e deles fará candeeiro de luz;
Mas vá lá enquanto dura
este último engraxador,
virão tempos de amargura,
sem um único polidor;
Então você irá ao museu
ver a foto do senhor Urbano,
relembrará que ele feneceu,
sendo discriminado como cigano.


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"O Urbano Engraxador de Santa Cruz"

UMA IMAGEM...POR ACASO...



 Encontrei-o ontem à hora do almoço na Rua Ferreira Borges. Chama-se Pibe e vem de terras de Asteríx. Viaja em auto-caravana e veio conhecer Portugal. Para fazer face aos custos, nas terras por onde passa, vai vendendo isqueiros ecológicos. Trata-se de um sistema muito simples em que se insere o cigarro, vira-se para o Sol e, como milagre, faz-se chama na ponta do cigarro. Interessante. Muito interessante...