sábado, 23 de julho de 2011

A BARBÁRIE NORUEGUESA

Corpos nas margens da ilha de Utoeya
(FOTO DO PÚBLICO)




  Segundo o jornal Público, “pelo menos 92 pessoas morreram na sequência do ataque à bomba e Oslo e num ataque a tiro num encontro de jovens (…).”
Mais uma vez estamos perante um atentado à bomba em que morreu quase uma centena de pessoas se não mais. Há poucos dias foi no Iraque, em que morreram cerca de uma vintena de pessoas e mais de uma centena de feridos. Uns dias antes foi na Índia, a um comboio de passageiros. Mais de cem pessoas feridas. Em Junho foi na Nigéria, mais de 25 mortes. Andando para trás, recordemos o ataque à bomba ao metro de Londres, em 2005, com mais de 50 mortos e 700 feridos.
Recuando mais ainda, em 2004, lembramos a estação de comboios espanhola da Atocha, em que morreram cerca de 200 pessoas e quase 2000 ficaram feridas.
E muito mais para trás, vamos cair no ataque terrorista às Torres Gémeas, de 11 de Setembro de 2001, e em que morreram quase 3000 pessoas.
Ora, perante tudo isto, sobretudo, é preciso pensar para onde caminha a humanidade. Dá a impressão que, na actualidade, as grandes guerras, envolvendo várias nações aliadas contra um ou vários países, deram lugar ao terror localizado e perpetrado através de uma guerrilha urbana. É como se as grandes invasões históricas dessem lugar ao jogo de computador, planeado e pensado cirurgicamente para provocar medo e terror colectivo por tudo o que signifique progresso. É como se, especulando, houvesse uma guerra entre dois mundos: o desenvolvido e o pré-desenvolvido.
Os entendidos na matéria têm por costume levar estes atentados em ressabiamento pela invasão do Afeganistão, Kwait e o Iraque pelos Estados Unidos. Embora estas incursões viessem acelerar o desejo de vingança pelos povos nativos, nomeadamente os árabes, a génese do problema pode não residir aí apenas. Ou seja, senão existissem invasões não continuaria a haver atentados terroristas? Estou convencido que haveria de igual modo. Provavelmente em menor número, mas haveria sempre.
No acto de morrer pela causa –no caso de ataques suicidas em países do terceiro-mundo- está uma heroicidade pessoal imanente ao acto. Neste de atentar contra cidades desenvolvidas, creio, está o desencadear de uma acção colectiva –um povo, uma forma de pensar, uma religião que não se religa com nenhuma outra que contrarie a sua- contra uma filosofia de vida que, no ver destes mentores de atentados radicais, sendo imparável na conquista de todos os povos do globo, ofende o seu modo de entender as coisas. Isto é, se para nós, cidadãos do mundo moderno, nos custa compreender a não-aceitação do desenvolvimento, por outro lado, estou em crer que, da mesma forma, quem está do outro lado radicaliza as suas posições e nos olha com desconfiança.
Vamos ainda tentar ver as coisas de outra forma. Quem está no mar e nunca viveu fora dele o que vê à sua volta? Água e todos os seus habitantes marinhos. Como não conhece outro, provavelmente, não trocaria aquele “habitatus” por nenhum outro. Está convencido que é o melhor. Por outro lado, quem está fora verifica facilmente que, afinal, o mar não é tão perfeito assim. O que quero dizer é que para nós, cidadãos do mundo moderno, não nos apercebemos do que paralelamente se vai criando nesta nossa sociedade: mais crime, mais desigualdades, obsessão pelo materialismo, mais dependências várias, para piorar na droga como pandemia, mais desassossego, mais violência contra a pessoa, desrespeito pelos velhos, etc. Tudo isto, para quem está do outro lado deste nosso mundo, é apercebido e causa preocupação e, se calhar, será um dos motivos destes atentados tresloucados e mortíferos.

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