terça-feira, 29 de novembro de 2016

VERDADES QUE DOEM

(Imagem da Web)


"PORTUGAL ESTÁ FALIDO, AVISAM ECONOMISTAS ALEMÃES"

"Da Alemanha chegam sérios avisos a Portugal e críticas ao governo de António Costa pela voz de dois reputados economistas. Um defende mesmo que o país está “falido” e que a saída do Euro pode ser a única alternativa de salvação."

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A BAIXA VISTA DA MINHA JANELA





POR MÁRCIO RAMOS

A Baixa de Coimbra é constituída por duas zonas, uma que muitos chamam a baixinha, um bairro típico como se fosse um de Lisboa, com ruas estreitas, janelas com roupa a secar, e onde os comerciantes se conhecem. A outra, a das ruas largas, é constituída pela Visconde da Luz e Ferreira Borges. Engloba-se também Largo da Portagem. A Rua da Sofia, apesar de ser uma via larga, não conta para este campeonato.
Entre ruas largas e estreitas pressinto que há  uma “rivalidade” permanente e já desde há décadas. Os da baixinha queixam-se que todas as iniciativas são feitas nas ruas largas, não cabendo para eles nenhuma animação, e que estes comerciantes das artérias de cima cativam mais clientes que nas vias afuniladas e onde passam poucas pessoas.
Em parte é verdade, mas, pensemos, como podem ser desenvolvidas actividades como, por exemplo, a Feira de Artesanato em ruas tão estreitas? Temos que nos render a evidência, a parte dos becos e recantos encantados tem ruelas demasiado pequenas para eventos. No máximo, poderia ser nas praças e pracetas.
Mas, apesar do que escrevi, não quero dizer que não se possa e deva fazer eventos nesta zona da cidade. Muito pelo contrario, desde ranchos típicos, tunas académicas, teatro de rua, até outros festejos elaborados podem acontecer nesta porção deste centro comercial a céu aberto. Basta olhar para a programação deste Natal da Câmara Municipal.
Mas não venho falar disto. Quero contar um caso que, a meu ver, mostra que os comerciantes da Baixa mesmo com mais animação não acrescentam mais valor económico aos seus negócios como, alegadamente, se deixa entender em relação às ruas largas.
Nos anos de 1980, considerando o apogeu, a Baixa fervilhava de gente. Um comerciante tinha um estabelecimento numa destas ruas largas onde vendia os seus artigos com sucesso. De tal forma havia movimento que tinha também outra loja na baixinha. O negócio corria bem. No fim da década de 1980 e inicio dos anos 90 como o prédio ao lado estava à venda decidiu adquiri-lo e da loja pequena que tinha expandiu pelos dois edifícios. Chegou, inclusive, a ter uma loja num centro comercial. Da minha janela, via, todos os dias, chegarem encomendas enormes com o produto que vendia. O seu comércio corria bem.
Nessa altura, este comerciante tinha a seu cargo mais de 10 funcionários. Dois deles formavam um casal. Era uma loja-âncora neste centro histórico. Era (e ainda é) um comerciante bastante reconhecido e muito respeitado por todos. A sua palavra sempre foi equiparada a escritura.
Por motivos vários, com maior nota, a Baixa iniciou o seu declínio a partir do ano 2000. Quando a crise começou a apertar ainda mais, a partir de 2004, a zona começou a piorar drasticamente, mostrando a falta de clientes e projectando a sua desertificação de gentes. Com menos povo, e os que por cá andavam pouco dinheiro tinham para comprar, o nosso comerciante de que falamos começou a vender cada vez menos e a perder poder de compra. Cada mês que passava, assustadoramente rápido, só com os custos com pessoal, era um rombo sofrido no pecúlio amealhado em anos anteriores.
Para tentar manter o barco à tona, encerrou a loja do centro comercial. Continuou, e foi resistindo mal. A sua loja principal fazia 50 anos. Um marco histórico e importante a que poucos, deste presente e para o futuro, se poderão gabar. Há pouco mais de um ano fechou a outra venda que tinha nesta zona velha. Apesar da sua vetusta idade e estar cansado, mas sempre mantendo a esperança num horizonte mais risonho. Afinal, os governos semeiam crescimento económico com a mesma certeza da vinda das ondas no mar. O problema é que os custos fixos, impostos, taxas e outros, são garantidos e as vendas uma mera probabilidade.
A machadada final, soube eu e perpassou rapidamente pela zona histórica. Foi há cerca de duas semanas. Este comerciante, há mais de meio século instalado na Baixa, considerado, e que tanto contribuiu para o desenvolvimento desta zona, despediu quase todos seus empregados. Resta agora apenas uma empregada. E o dono, obviamente. Receber encomendas é muito raro. Muito raro é também ver entrar clientes -e não é por falta de oferta de produtos. Aquele estabelecimento, com as suas lindas montras, como obra-de-arte, sempre harmonizadas e coloridas, são um espelho do modelo que se pode designar por comércio tradicional.
Em amostra de solidão, num rosto carcomido pela preocupação, hoje, vejo um homem desalentado, como se fosse uma pessoa com uma doença terminal a espera do seu inevitável fim. Da minha janela, vejo-o muitas vezes à porta, pasmado e com o olhar preso em coisa nenhumasem aquela animação de outros tempos, vazio de alegria que contagiava quem passava na rua. 
Consta-se à boca cheia que depois deste Natal poderá fechar. Se assim for, mais um marco comercial que se vai. Um ícone mítico representativo de uma actividade que, como sempre a conhecemos, está a desaparecer perante os nossos olhos. Uma luz, um símbolo, que se apaga em Coimbra.
Nenhum comerciante, depois de tanto dar à cidade, deveria merecer “morrer “ desta maneira. Uma pena! Deveria poder sair pela porta grande. Nunca pela pequena, como se de um criminoso se tratasse.
Espero sinceramente, desejo arduamente, que melhores dias venham para esta Baixa, que tanto amo e tão bem conheço, e para este comerciante que tanto contribuiu para a sua prosperidade e que tantos ajudou. Está ai à porta o Natal. Acredito que milagres humanos acontecem. Basta acreditar?

UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...




Lídia Faria deixou um novo comentário na sua mensagem "UMA ESCANDALOSA VISÃO DESFOCADA E DISTORCIDA DA CI...":


Boa tarde.Espero não ofender ninguém com a minha humilde opinião, no meio de gentes tão academicamente bem formadas e por estatísticas mais tiradas que a prova dos nove, mas cá vai.
Caros doutores e doutoras e afins, Coimbra não vive só de turismo, Universidade, hospitais e galos de Barcelos. Não que tenha nada contra os bichos, antes pelo contrário, que também tenho na minha cozinha.
Se as senhoras não se vestem na Baixa de Coimbra, nem os seus maridos, a culpa é inteiramente vossa pois deixaram sair de cá grandes comércios e continuam a brincar ao turismo de uma só rua, ignorando por completo todo um património existente na NOSSA cidade.
Façam o vosso trabalho e tragam comércio que "encha o olho" a quem vem comprar, porque de "pão e circo" nós não vivemos!
(Aos proprietários) Reabilitem prédios e peçam rendas decentes e não de shopping!
Jovens empreendedores só de nome, e já nem jovens somos considerados, pois com quase 40 anos já acham que sou velha... O TANAS!!! Estou cá para ver e vencer, assim me ajudem, e se precisarem da minha ajuda é só dizerem.

Não me venham é cá com tretas do turismo, por que BAIXA é muito mais que turismo. Baixa é sinónimo de COMÉRCIO, ganha pão de muita gente...
Caros senhores, tragam comércio, novas lojas, novas marcas, roupa, calçado, negócios, empresas de renome... ACORDEM!!!! PORRA!!!! 

MARCELO, O ABRE-TE TUMBA

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(Imagem da Web)




Conta o nosso correspondente no Reino Unido, Almerindo Abrolhos, que a Rainha Isabel II está preocupadíssima com a sua saúde e esperança de vida. É de tal modo o seu receio de perecer dentro dos próximos dias que, por ordem oficial ditada ao embaixador Inglês em Portugal, já contactou o professor Mambo para, através de gurus africanos, afastar o seu fim presumivelmente anunciado.
Conta ainda o nosso correspondente Abrolhos, “no Palácio Buckingham vive-se já uma atmosfera de pré-luto e o choro já invade corredores e outras dependências nobres."
O caso não é para menos, depois de Marcelo Rebelo de Sousa, o nosso Presidente da República, ter visitado há um mês, em Cuba, “El Comandante”, Fidel Castro, este veio a falecer repentinamente sem que nada o fizesse prever. Segundo ventos provindos do Mar das Caraíbas, Raul Castro, chefe de Estado e irmão do revolucionário finado, já entrou em negociação com advogados ingleses para ser intentada uma acção de ressentimento e ressarcimento a Portugal.
Para sorte dos portugueses que vão ver diminuídas as visitas presidenciais pelo mundo, ao que parece, o caso é demasiado sério para ser encarado com ligeireza. Os próprios Reis de Espanha, Filipe VI e Letizia, que foram hoje recebidos por Marcelo na Câmara Municipal do Porto, ainda ponderaram cancelar a viagem a Portugal. Só não o fizeram por, depois de aconselhamento régio, carregarem mais de um vintena de amuletos e para quando cumprimentarem o nosso chefe da Nação fazerem figas e rezarem dez Avé-Marias.
Por cá, fonte anónima ligada ao Governo, em surdina, sempre foi dizendo: “Bom, não se perde tudo, vamos tentar convencer o senhor Presidente da República a fazer mais incursões em lares de terceira idade.”

O FIM DE UM CARREIRA NUMA LONGA CARREIRA

(Imagem furtada ao Campeão das Províncias)



José Dias Carreiro, que foi presidente da antiga Associação Comercial e Industrial de Coimbra (ACIC), faleceu, ontem (27), e o corpo estará, a partir das 11h30 de hoje, no Centro Funerário de Nossa Senhora de Lourdes (Montes Claros).
Celebrada a missa de corpo presente, pelas 10h00 de terça-feira (29), o cortejo fúnebre realizar-se-á para o Crematório Municipal de Coimbra.” -In Campeão das Províncias. Continue a ler, clicando em cima.

Em nome dos comerciantes da Baixa -se posso escrever assim- à Teresa Carreiro, minha amiga, e restante família os nossos sentidos pêsames.

sábado, 26 de novembro de 2016

A BAIXA VISTA DA MINHA JANELA





TEXTO ESCRITO A QUATRO MÃOS.
POR MÁRCIO RAMOS E LUÍS FERNANDES


Há natal... Sim, já sei que está a pensar que ainda falta quase um mês.
Para não falar da massiva campanha do “Black Friday”, que intoxicou ontem o país e mostra que, enquanto consumidores, estamos obsessivamente cada vez mais dependentes do presumível barato, já estamos a ser invadidos pelo espírito comercial, ligamos a televisão já há anúncios desta quadra, até o Ronaldo ficou sozinho em casa, como no filme que vi há uns anos.
Estabelecimentos aqui na zona histórica também já estão com produtos alusivos a esta altura mágica do ano. Caminhando pela Baixa já vemos algumas lojas decoradas para a época. Inclusive, já há muitas cidades enfeitadas e prontas para receber esta quadra com a dignidade que merece.
Hoje, durante a manhã, o Pai Natal, símbolo de paz transformado em Deus da desaparecida esperança comercial, chegou em cima de um carro dos bombeiros. Apesar deste movimento que germina nas ruas, Coimbra começa sempre tarde no embelezamento citadino. Vamos por partes:
Por alto, li o programa sobre o enfeite das luzes da Baixa e vou enunciar alguns reparos. Antes de mais, acho que é uma aposta ganha, a passagem de Fim-de-Ano ser nesta área da cidade. É nesta zona que está o núcleo do comércio tradicional; faz todo sentido ser aqui, por entre o casario de antanho, até porque temos óptimas condições para a sua realização.
Nos últimos anos o Largo da Portagem virava uma rave com a apoteose no fogo de artificio. Os artistas contratados atuavam na Praça do Comércio, local com espaço suficiente para albergar um palco e a numerosa assistência. Este ano mudaram. Ao que parece, os artistas apresentam-se na Portagem e a rave passa para a antiga praça velha. O antigo largo Príncipe Dom Carlos, junto à Ponte de Santa Clara, sim, é muito mais espaçoso e com maior visibilidade, mas tem cabos suspensos, jardim, postes, e não tem condições para montar um grande palco, dai as raves dos anos anteriores serem feitas num palco pequeno. O mais provável é o transito ser cortado durante os dia 31 e 1 para montagem e desmontagem das estruturas. A ser assim, se no dia 1 não fará mossa, pois ainda vivemos a ressaca da Passagem-de-Ano, acredito que no dia 31 possa causar problemas.
Depois da intervenção melhorada no Terreiro da Erva é de louvar que alguns festejos passem para este renovado espaço. Assim a Rua da Sofia e a zona envolvente não ficam despidas de pessoas nesta noite divisória de mais um ano de vida.
Digno de registo é a Câmara Municipal não se esquecer do Natal na Baixa, nas ruas estreitas onde, segundo o programa, vai haver desde musica a teatro, acho uma boa iniciativa, pois leva-se alegria a uma zona imensamente triste e que, sem que nada se faça, continua a cair vertiginosamente. Por este andar, só importam mesmo as duas largas, Ferreira Borges e Visconde da Luz e o resto é paisagem desertificada e decrépita.
Li também que vai haver uma árvore junto a Câmara onde haverá atuações. Gostava, e é só um gosto, que fosse uma árvore grande de luz, não um pinheiro com meia dúzia de lâmpadas ou uns ramos iluminados. Algo que fosse um fator elevado, que trouxesse visitantes pois isso ajudava de alguma forma a revitalizar.
É daqui que vem minha crítica, vamos a um centro comercial de Coimbra, vemos iluminações vistosas e um ambiente místico, quase que nos apetece ficar lá todo o dia a ver aquele espectáculo de luz e cor. Na Baixa poucas ruas são iluminadas com a categoria que a cidade deveria merecer. Nas que têm nota alta, mesmo nestas, tudo é feito a poupar num miserabilismo incomodativo. Coimbra, com ornamentações assim assim, só tem três ruas: a Sofia , a Visconde da Luz e a Ferreira Borges.
Pressentindo nos seus rostos fechados, vendo os comerciantes tristes, cheios de dificuldades, e a edilidade a cobrar taxas por tudo e por nada, não podia a autarquia gastar mais a iluminar as artérias comerciais da baixinha? É triste, faz sangrar o coração, ver uma Baixa de Coimbra sem cor, sem luz, com ruas vazias, e sem espírito natalício. Quando é que se começa a entender que, se queremos salvar o comércio da cidade, é necessário uma outra forma de encarar o problema?
Se a câmara não quer fazer mais e melhor, ou não pode, por que não delega na APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, que, diga-se a propósito, dentro dos poucos meios que dispõe, tem feito um bom trabalho para revitalizar a Baixa?
Com os rendimentos das famílias em queda, e com campanhas agressivas do tipo “Black Friday” por parte das grandes superfícies, é de prever que neste Natal -cujas vendas vêm a descer há muitos anos- não haja muito poder de compra e os comerciantes de rua, que são a face visível de uma crise que continua a fazer vítimas, não façam muito negócio -está de ver que vamos continuar a assistir ao desaparecimento de grandes e antigos estabelecimentos durante os próximos meses. É uma dor de alma olharmos para tudo o que foi e representa a nossa memória de criança quando percorria as artérias estreitas e largas e era envolvido pela magia do Natal.
Tudo mudou para pior. Por muito que esta minha apreciação seja catalogada como pessimista, a Baixa é uma sombra do que era no tempo desses anos de 1980. Fosse lá o que fosse, a crise, a oferta desmesurada que há-de enterrar todo o comércio em vala comum, grosso e a retalho, pouco vai restar de um país que abandonou a indústria e se alavancou e apostou tudo nos serviços e comércio, cuja riqueza nacional, maioritariamente está dependente. Black year, ano negro. Paz à sua alma!
Há culpados? Ou a culpa, como sempre acontece, morre solteira? É o sistema! Off course, yes! Vamos mudar de assunto. Que a saúde, enquanto bem maior, não falte e alguma coisinha em cima da mesa a todos quantos nos lêem. Feliz quadra de Natal.

UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...

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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "PUBLICIDADE INSTITUCIONAL: BLACK FRIDAY":

I
nfelizmente, tive de me deslocar ao Fórum Coimbra. O assunto que me lá levou demorou cerca de 5 a 6 minutos a resolver. Mas entrar no estacionamento, estacionar o carro (não consegui, ficou em cima passeio na rua que segue em direcção ao Centro de Saúde de Santa Clara) e regressar a casa, custou-me cerca de 1h30! Incrível, o trânsito compacto nos acessos ao Fórum! Parecia véspera de Natal. Puta que pariu a Black Friday! Eu só queria levantar o meu tablet, que foi reparar o mau uso a que é sujeito, e vir descansar depois de 10 horas de trabalho. Está a começar bem o fim-de- semana. Do mal o menos, ainda cheguei a tempo de ver o meu amigo Luís a avaliar uma peça de madeira trabalhada, do séc. XVI, lindíssima, por sinal.
Abraço, Luís.

BOM DIA, PESSOAL...

MAIS UM ENGANA-TOLOS NA CAÇA AO VOTO?




"Governo assume reposição do Ramal da Lousã com apoio europeu"

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/cm-ao-minuto/detalhe/governo-assume-reposicao-do-ramal-da-lousa-com-apoio-europeu

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PUBLICIDADE INSTITUCIONAL: BLACK FRIDAY

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Aderindo à nova moda de tudo promover a venda nesta sexta-feira, o blogue Questões Nacionais, hoje, está com 50 por cento de desconto em todas as crónicas. Qualquer texto, mesmo mais antigo, pode ser lido com uma desvalorização para metade do que se escreve.

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Efigénia, senhora de grandes virtudes, prestadora de serviços à comunidade, prostituta, com showroom na Avenida Fernão de Magalhães e laboratório de gemidos simulados na área circundante, informa os seus estimados clientes que hoje, sexta-feira negra, os seus preços terão 50 por cento de desconto.

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César, simpático arrumador, com poiso certo do outro lado do Mondego, junto à Ponte de Santa Clara, vem por este meio informar os seus prestimosos clientes e amigos que hoje, ao abrigo da filosofia do negro de sexta-feira, cobra apenas metade pelo seu serviço de “estacioneiro” privado com interesse público.

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Alexandru, pedinte aparentemente turco mas que é romeno, com banca na Rua Eduardo Coelho, informa os seus caridosos clientes -que Deus os proteja e lhes abra os bolsos e os torne generosos- que hoje, embarcando na moda da promoção, aceita o óbulo com um desconto de 50 por cento.

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Geraldo, o maior tenor de todos os tempos que calcou as pedras milenares da Baixa de Coimbra, recentemente regressado de uma turnée pela Europa, informa os seus queridos espectadores que hoje, sexta-feira negra, no espírito da grande promoção mundial, cobra apenas uma simples moeda por cada actuação ao vivo e a cores.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

UM NOVO OLHAR SOBRE A PROBLEMÁTICA DO SEM-ABRIGO: PRECISA-SE






1 -Tendo em conta que, com mais ou menos pobres, ao longo da história universal sempre existiram desigualdades, se quiséssemos ser parciais na análise sociológica diríamos que a Revolução Industrial, século XVIII/XIX, com o nascimento da técnica associada à indústria, foi a “fábrica” que criou o moderno sem-abrigo. Até aí com a mão-de-obra indiferenciada, sobretudo com a criação da produção em série, e a linha de montagem associando o salário à alta eficiência, em finais de XIX e começos de XX, se, por um lado, foi criado um operário especializado apenas numa fase parcelar do produto e os custos de produção, incluindo o soldo de fome, baixaram substancialmente para cerca de metade, por outro, esta convulsão social, numa espécie de triagem aceite comunitariamente, seleccionando os mais ágeis, passou a gerar, como nunca, os chamados inadaptados do sistema -os excedentes de um processo que não tem contemplação pelos assistémicos, aqueles que ou não detêm capacidades ou recusam entrar na formatação da regulação social. Embora a pobreza já fosse reconhecida e mais notada com o desenvolvimento dos centros urbanos em finais da Idade Média, século XV, a verdade é que a Revolução Industrial, presumivelmente, teria gerado, acima de tudo nos primórdios do século passado, grandes camadas de desnutridos e miseráveis sem qualquer apoio social.
Sem grandes tiradas históricas, mas para melhor se compreender, poderíamos dizer que o marxismo, pensado por Marx por volta de 1850 -que defendia que a mudança social só era possível em corte horizontal, com uma revolução- visava, por um lado, combater o Liberalismo revolucionário eclodido na Revolução Francesa, em 1789, mas também, por outro, defender os abusos da dominante classe industrial progressivamente a aumentar na nova sociedade mecanizada. Em face da radicalização de Marx, foi assim também que, para combater a ortodoxia marxista, nasceu a Social Democracia -embora sendo de esquerda, este conceito preconizava que, através do reformismo, era possível a transição para o Socialismo gradualmente, tornando a sociedade mais igualitária, sem golpes transversais. É assim, depois da Primeira Grande Guerra, 1914-1918, e a crise de 1929, que esta linhagem ideológica se apercebe da indispensabilidade de ser criado o Estado de bem-estar Social para proteger e defender a população de grandes cataclismos naturais, sociais, e económicos garantindo o mínimo de dignidade social, desde o nascimento até à sua morte. Com o sucesso da Social-Democracia nos países do Norte da Europa logo a seguir ao final da 2ª Guerra Mundial, após a queda dos regimes ditatoriais e autoritários, os países do Sul, incluindo Portugal, por alturas de 1970, adoptando a Democracia e transformando-se em estados de Direito, aplicaram a mesma fórmula de Estados Providência dos países nórdicos.  Porém, com enormes diferenças. Lá, nas nações escandinavas, retirando os pilares estruturantes como educação, saúde e justiça, só é distribuído pelo Estado o que cada um, proporcionalmente, contribui ao longo da sua vida. No Sul da Europa, mais propriamente em Portugal, fez-se o contrário. Num igualitarismo exacerbado, entendeu-se que, pelo simples facto de ser cidadão, qualquer um tinha direito a receber, mesmo sem contra-prestação. Para piorar, os directores-gerais, outros e políticos de carreira, com as suas subvenções e reformas milionárias e outras benesses, apelando para si e para as suas famílias, para além de erros crassos na administração, hipotecando o futuro da Segurança Social e elevando até ao infinito a dívida pública, fizeram com que, em consequência, o que resta hoje da matriz social-democrata seja um esqueleto.
No final da década de 1960 a Revolução Digital começa a dar os primeiros passos e, de certa maneira, a destruir o que, mesmo com erros de percurso, começava a a ser um bom plano para a dignificação da humanidade. Com avanço da transformação, de sociedade maquinal para informática, constata-se que, em comparação com a Revolução Industrial, esta mudança, sendo demolidora do emprego, procria novos disfuncionais como nunca se vira até aqui.
Os governos nacionais europeus, envolvidos numa filosofia de esquerda, tendo noção que têm responsabilidade no envio de activos para o desemprego desagregador, e consequentemente pobreza, e são compartes na discriminação, tornam-se paternalistas por decreto -é assim que, por cá, os socialistas António Guterres, em 1995, implementou o Rendimento Garantido e José Sócrates o Complemento Social para Idosos.

2- Se, sem dúvida, se verifica que estas medidas governamentais foram almofadas que atenuaram a queda, que sem elas teria sido catastrófico para a população portuguesa, é também verdade que foram somente prerrogativas políticas. Ou seja, não sendo o antibiótico para expurgar a doença, estas providências foram simplesmente analgésicos para atenuar a dor. Isto é, a mostrar o resultado, facilmente se apreende que, quando no século passado, sem subsídios de inserção, a sociedade se dividia em três classes, Rica, Média e Pobre, actualmente, com imensos apoios sociais, é divisível pelo radicalismo de dois polos: muitos mais ricos e muitos mais pobres. Portanto, sem estrutura social mediadora, desapareceu a Classe Média.
Por outro prisma, os excedentários sem integração para o trabalho são cada vez em maior número. A consequência directa é, referindo a Baixa de Coimbra, constatar um aparente aumento de sem-abrigo a vaguear durante o dia, como autómatos e sem nada fazer, pelas ruas e dormir, à noite, em entradas de portas e prédios devolutos. A situação entrou de tal modo na visão costumeira do citadino que já nem liga.
Qual é a resposta do Estado para esta calamidade? É subsidiar IPSS, Instituições Particulares de Solidariedade Social, para, distribuindo gratuitamente alimentos, roupas, agasalhos para o frio e tentando fazer o acompanhamento personalizado do sem-tecto. É assim que, diariamente, num espectáculo discriminador, decadente e depressivo, se assiste junto à Loja do Cidadão a filas intermináveis de pessoas à espera de um pão. Não quero ser injusto, já o escrevi aqui, o problema não é de substância mas de forma. Quero dizer que, linearmente, pela substância, não se pode estar contra a ajuda prestada aos desabrigados da sorte. A forma está errada -tem de estar pelos resultados obtidos nos últimos vinte anos. Não se pode continuar a dar sem exigir algo em troca. Se persistirmos neste caminho, para além de estar a alimentar a depravação da ordem moral, estamos a contribuir para a não integração de muitas pessoas válidas, com muito saber, cujo destino é o alcoolismo e a toxico-dependência.
Vendo o problema pela solução, de cima para baixo, sem mais nem menos, também não se pode exigir o cumprimento imediato de regras a pessoas cujo modo de vida é, há muito tempo, o desapego à disciplina. Exigindo devagarinho, é preciso dar-lhes tempo para a ressocialização.

3 – Sendo justo, em caso de denúncia localizada, não se pode afirmar que as autoridades responsáveis não actuem. Pode até não ser no imediato, mas a resposta surge logo que possível. Então, o que fazem os técnicos de serviço social ligados à autarquia ou a outras associações? Com muita calma e gentileza, convencem o desprovido da sorte, normalmente já muito doente e num estado decrépito, a ser internado para se tratar. Depois de muito tempo desperdiçado, porque não é fácil lidar com estas pessoas, transportam o necessitado para o hospital. Quem denuncia bate palmas à acção e fica em paz com a sua consciência. Passados uns dias, normalmente pouco mais de um mês, no mesmo banco da praça, no mesmo sítio da cidade, aquele que foi aconselhado a ser internado, lá está com roupa lavada e, de aspecto, sãozinho como um pêro. E, até se repetir o procedimento -veja-se aqui o caso do Cadaxo, que aparece na foto em cima tirada hoje-, lá vai continuar, porque lá, naquele banco, naquela esquina, como atracção fatal, estão as suas raízes comunitárias. Aqui é o seu pequeno universo triste de sozinho e alegre por ver os transeuntes passarem. Ali está tudo quanto aquele indivíduo detém.
Portanto, vê-se bem que, mais uma vez, se estão a desperdiçar recursos: em vez do antibiótico dá-se uma aspirina. Excepto o sem-abrigo, que fica na mesma, desde o denunciante (estou a incluir-me) aos serviços, ficam todos bem na fotografia. Na totalidade, todos concorremos para um Estado Social Falhado.

O QUE FAZER?

Há cerca de três anos falei com um jovem ligado a estas questões de tasfega societário. De nome Daniel Simões, mestre em psicologia comunitária, apresentou-me um plano que poderia dar resposta a todas as formulações apresentadas. Segundo o Daniel, há uns anos, numa conferência em Lisboa, apresentou o projecto e foi muito bem recebido. Porém não lhe deram provimento -imagino que iria tocar em muitos interesses instalados e, naturalmente, não dá jeito a muita gente que vive disto. Vale mais continuar tudo igual, alimentando um sistema viciado, e o Estado continuar a gastar rios de dinheiro para nada.
Então, em que consistia o seu plano? (como já passou algum tempo, admito falhar em alguns pormenores)

O PROJECTO DOS TRÊS PASSOS

É necessário um espaço razoável, de dimensões médias. Seria constituído por três salas -daí chamar-se três passos- umas a seguir a outras. Poderia ser, ou não, gerido por entidades ligadas à problemática dos desenraizados.

Esta sala primeira, de paredes completamente brancas ou até com pinturas em grafite, teria apenas plantas e sem qualquer móvel de madeira. No limite teria um banco de pedra para colocar alimentos em cima e que seriam tomados pela mão de cada um e em pé. O vazio, com ruídos sonoros a imitar a rua, seria o tangível. No caso de ser inverno, o frio seria um elemento natural e objectivado. Deve haver um ou mais técnicos de Serviço Social.
(Em vez de, tal como agora se faz em que são as instituições a ir ao encontro do sem-abrigo e a dar sem nada pedir) Aqui é o necessitado que vai procurar ajuda, que pode ser simplesmente alimentação. Entra, dirige-se ao técnico, que sem grande regulamentação lhe pergunta o nome próprio, e diz ao que vai. Imaginemos que quer comer. O responsável diz: "antes de concretizar o seu desejo, temos uma regra, apenas uma: tomar banho. Toma primeiro duche, damos-lhe uma roupa lavada, e em seguida vem comer."

É possível que este comportamento se repita durante algum tempo. Cabe ao técnico, através de apreciação e persuasão, convidar este utente a passar à segunda sala -que apenas ocupará quando estiver capaz e depois de percorrer a primeira.

A segunda sala de paredes pintadas com cores suaves, embora simples, já tem um ou outro móvel em madeira. Há uma grande mesa onde, juntamente com outros, se come sentado. Esta sala está aquecida. Ouve-se uma música suave de fundo e uma televisão transmite imagens sem som. Continua-se a empregar a mesma regra obrigacional de só comer depois de tomar banho e vestir roupa lavada.

(Mais uma vez cabe ao técnico aferir a possibilidade do utente já estar mais adaptado e passar à terceira sala)

A terceira sala também com aquecimento, com sofás de cores vivas e vários móveis, tem as paredes pintadas de cores berrantes. Uma estante, com muitos livros, preenche uma parede e está à disposição do utente. Um LCD transmite imagens e sons para quem se acomodar neste compartimento. Para frequentar esta sala é obrigatório fazer formação profissional e frequentar aulas de integração social.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

10 MEDIDAS PARA DESENVOLVER O PAÍS - PELA CPPME

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A CPPME, CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DAS MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS PROPÕE:


10 MEDIDAS PARA UMA POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL


Os novos desafios de Desenvolvimento Regional e Ordenamento do Território exigem propostas articuladas e sustentáveis que aproveitem os recursos disponíveis e garantam os valores sociais, culturais e ambientais.
A CPPME, Confederação considera fundamental a promoção da coesão económica, social, territorial e da igualdade de oportunidades em todo o território nacional, dando cumprimento ao desígnio constitucional de – Unidade e Coesão Nacional (Unidade do Estado).
O desprezo com que sucessivos governos têm tratado o vasto interior do País levou a que, de forma alarmante, uma muito significativa extensão do território nacional, se tenha vindo a despovoar, onde, o desinvestimento, o encerramento de serviços públicos e a consequente desertificação humana, têm tido consequências dramáticas na estrutura das Micro, Pequenas e Médias Empresas – MPME.
No interior do País a estrutura empresarial e produtiva está moribunda, como resultado da ausência, quase absoluta, de adequadas estratégias de desenvolvimento, colocando já, Portugal, como o País da U. E. com mais assimetrias regionais.
Veja-se a situação da esmagadora maioria das vilas e cidades do interior, onde, o comércio, a restauração, os serviços e as indústrias em geral, enfrentam imensas dificuldades ou vão encerrando mesmo, em grande número, como o demonstram os dados publicados sobre insolvências, relativos ao segundo trimestres de 2016.
Conscientes de que apenas a promoção do investimento (público e privado) e da produção nacional com a aposta no mercado interno e externo, na elevação do poder aquisitivo dos portugueses e na criação de emprego, permitirão inverter o progressivo empobrecimento, o desinvestimento, o desemprego galopante e a falência e encerramento de MPME - a CPPME considera que as medidas que a seguir elenca são um contributo para a manutenção e instalação de novas MPME e a criação de postos de trabalho no interior do País.
Assim propõe:
  1. Que o Orçamento de Estado para 2017 contemple, desde já, medidas concretas e precisas que vão ao encontro da urgente necessidade de dar resposta à grave situação que vive o sector empresarial e produtivo do interior do País.
  2. Que o Quadro Estratégico Europeu – QEC 2014/2020 defina uma verdadeira Estratégia de Desenvolvimento Regional e disponibilize meios humanos, técnicos e financeiros suficientes para a sua concretização. Nesta matéria devem ser abandonadas todas as políticas centralistas, até agora praticadas, porque atrofiadoras do Desenvolvimento Regional.
  3. Que na definição e aplicação do Programa de Desenvolvimento Regional, a definir, tenham participação directa, todos os agentes do Desenvolvimento Regional, designadamente os representantes das MPME.
  4. Que o Programa de Desenvolvimento Regional, no âmbito do Quadro de Fundos 2014/2020, contemple para o interior, no mínimo, 50% do volume de fundos destinados a investimento das micro, pequenas e médias empresas, fundos esses que a CPPME, face à clara hegemonia destas empresas (mais de 99%), vem reclamando que representem bastante mais que 50% da dotação nacional ao investimento empresarial.
  5. Que sejam aprovados benefícios fiscais para micro, pequenas e médias empresas em regime de interioridade - definidas nos termos do Decreto-Lei nº 372/2007, de 6 de Novembro – que exerçam, directamente e a título principal, uma actividade económica de natureza agrícola, industrial, comercial ou de prestação de serviços nas áreas do interior, designadamente:
  1. As Micro, Pequenas e Médias Empresas que se instalarem no interior do país deverão beneficiar de uma redução da taxa de IRC para 12,5% nos primeiros 15.000€ de matéria coletável, pelo período de 3 anos, cuja actividade principal se situe nas áreas do interior.

  1. Às empresas já instaladas deverá aplicar-se a taxa de 15% para o referido montante de matéria coletável. A umas e outras será aplicada a taxa normal de IRC a partir da verba em referência.

  1. Permitindo reintegrações e amortizações relativas a despesas de investimento até 500 mil euros, dos sujeitos passivos de IRC que exerçam a sua actividade principal no interior, podendo ser deduzidas, para efeitos de determinação do lucro tributável, com a majoração de 30%, com exclusão das respeitantes à aquisição de terrenos e de veículos ligeiros de passageiros;
  2. Possibilitando que encargos sociais obrigatórios suportados pela entidade empregadora relativos à criação líquida de postos de trabalho, por tempo indeterminado, nas áreas do interior sejam deduzidos, para efeitos de determinação do lucro tributável, com uma majoração de 50% uma única vez por trabalhador admitido nessa entidade, nos termos do artigo 58º do Código do IRC;
  3. Admitindo que os prejuízos fiscais apurados em determinado exercício nos termos do Código do IRC sejam deduzidos aos lucros tributáveis, havendo-os, de um ou mais dos exercícios posteriores;
  4. Dando a possibilidade aos sujeitos passivo de usufruir dos benefícios fiscais previstos no número anterior desde que cumpram cumulativamente as seguintes condições:
- Tenham a situação tributária (segurança social e finanças) regularizada no todo ou por acordos de regularização estabelecidos;

- Não resultem de cisão efectuada nos últimos dois anos anteriores ao usufruto dos benefícios.

  1. Delimitando as áreas do interior de acordo com critérios que atendam, preferencialmente, à baixa densidade populacional, ao índice de compensação ou carência fiscal e à desigualdade de oportunidades sociais, económicas e culturais;
  2. Definindo critérios e a delimitação das áreas territoriais beneficiárias, nos termos do número anterior, bem como todas as normas regulamentares necessárias à boa execução do presente artigo, são estabelecidas por Portaria do Ministério das Finanças;
  3. Determinando que os benefícios fiscais previstos não sejam cumulativos com outros benefícios de idêntica natureza, sem prejuízo de possibilidade de opção por regime mais favorável que seja aplicável.
  1. Que as entidades empregadoras fiquem isentas, durante o período de três (3) anos de contrato, do pagamento das respectivas contribuições para a segurança social relativas à criação líquida de postos de trabalho, sem termo, nas áreas beneficiárias.
  1. Que a isenção, do ponto anterior, seja alargada aos primeiros cinco (5) anos para as empresas criadas por jovens empresários.
  2. Que fiquem isentas do IMI por cinco (5) anos na aquisição de imobiliário para funcionamento próprio da empresa.
  3. Que fiquem isentas do pagamento de imposto municipal IMT as aquisições:
  1. Por jovens com idade compreendida entre os 18 e os 35 anos de idade, de prédio ou fracção autónoma de prédio urbano situado nas áreas beneficiárias, destinado exclusivamente a primeira habitação própria permanente, desde que o valor sobre o qual incidira o imposto não ultrapasse os valores máximos de habitação a custos controlados acrescidos de 50%;
  2. De prédios ou fracções autónomas de prédios urbanos, desde que situados nas áreas beneficiárias e afectos à actividade das empresas;
  3. As aquisições previstas nas alíneas a) e b) só se verificam se as aquisições forem devidamente participadas à repartição de finanças da área onde estiverem situados os imóveis a adquirir, mediante declaração de que conste não ter o declarante aproveitado anteriormente de idêntico benefício.
  1. Que seja criada uma linha de crédito especial (a juros e condições adequadas) para a instalação de micro, pequenas e médias empresas nas áreas beneficiárias do interior do País. Que o crédito, sob a forma de empréstimo reembolsável, seja concedido pelas instituições autorizadas a conceder crédito, até ao limite a estabelecer. Que o Estado suporte uma bonificação de 50% sobre os juros devidos, à taxa legal de referência para o cálculo de bonificações. Que os empréstimos beneficiem de um período de carência até dois (2) anos e o seu prazo total seja de dez (10) anos.

Seixal, 9 de Novembro de 2016

O Executivo da Direcção da CPPME

terça-feira, 22 de novembro de 2016

O LEGALISMO TRITURADOR DA MÁQUINA ADMINISTRATIVA

(Foto de Eugénia Sousa)




Caso 1 - Como muitos outros no comércio a retalho, há três anos um reconhecido comerciante da Baixa de Coimbra, em dificuldade para cumprir com as suas obrigações, pediu para aderir ao PER, Processo Especial de Revitalização. O PER tem como finalidade permitir ao devedor que esteja numa situação economicamente difícil ou em situação de insolvência iminente, mas que ainda seja passível de ser recuperado, negociar com os credores com vista a um acordo que leve à sua revitalização.
Tinha pouco mais de 60 anos de idade. Para além de sentir ainda cheio de força, uma falência na vida de um qualquer comerciante que sempre levou a vida comercial a sério é uma espécie de bomba-atómica que, para além de destruir tudo à volta, desde família até amigos, rebenta com a auto-estima do mais forte. Para além disso tinha um empregado com mais de trinta anos de fidelidade à sua causa. Era fácil chutá-lo? Era, se aquele pequeno universo familiar fosse uma multinacional com patronato sem rosto. Então, presumivelmente, depois de muitas conversas à mesa de jantar com os mais chegados, teria optado por, antes morrer no caminho da salvação do que render-se e desistir de lutar contra uma sorte adversa.

Caso 2 – Há cerca de três anos, por ter encerrado a loja onde trabalhava como empregado há mais de vinte anos, um balconista lançou-se numa antiga aspiração: entrar no negócio. Afinal era um sonho por realizar e, aparentemente, o destino estava a abrir-lhe o caminho. Por ser ainda novo, à volta de meio-século, não se via sem trabalhar e a entrar no desemprego. Candidatou-se a um projecto do Instituto de Emprego e Formação Profissional e, recebendo o subsídio por inteiro, abriu uma loja na Baixa. Apesar da sua enorme força de vencer, mareando num oceano cheio de ondas alterosas, as dificuldades, sobretudo pela queda acentuada da procura, foram sempre mais do que muitas. Porque não há corpo que aguente tanto stress e preocupação, sem dormir em noites brancas repetidas, naturalmente tinha de estourar. Há cerca de um ano atrás foi acometido de um AVC, Acidente Vascular Cerebral. Esteve internado nos HUC cerca de dois meses. Neste tempo de internamento, cheia de stock no estabelecimento, a loja funcionou a meio-gás graças a amigos e familiares. Combalido, aspecto magro e frágil, com voz enrouquecida, teve alta para convalescença e com baixa médica na sua residência. Teoricamente deveria ter permanecido em casa a descansar e recuperar. Mas, se fosse, quem vendia as centenas largas de artigos para assegurar os compromissos aos fornecedores? E, como predestinado que tem obrigatoriamente de percorrer um caminho mesmo que seja errado à luz das convenções, esquecendo a doença e a sua notada debilidade, foi trabalhar para a loja.

Focando o caso 1, depois de uma negociação difícil entre todos os credores, incluindo o Estado através da Segurança Social e a Autoridade Tributária -estes, que lhe atribuíram mensalidades fixas-, tentando convencê-los de que tinha ânimo suficiente para continuar a lutar e pagar a quem devia, reabriu a sua loja à cerca de um ano, como é óbvio, cheio de dificuldades mas disposto a cumprir.
Uns meses mais tarde veio o custo administrativo das negociações entre as partes: 4000 euros. Repito, por extenso, quatro mil euros de custas de processo. Não é preciso ser contabilista para ver que esta importância para um empresário falido é uma fortuna. Dividiu em parcelas mensais e continuou a remar em direcção ao cais da esperança.
A semana passada recebeu uma comunicação do fisco a informar que havia ainda coimas, por atraso no pagamento de impostos anteriores, por acertar.
Lamentando profundamente ter escolhido o caminho de tentar acertar a vida, de lágrimas nos olhos, interrogava-me: “que Estado é este, que castiga desta maneira quem trabalhou a vida inteira e, levando um tropeção, teima em limpar a face? Será que há uma intenção premeditada de empurrar quem arrisca para o abismo?

Incidindo no caso 2, há cerca de três semanas a fiscalização da Segurança Social varreu quase a eito todas as lojas da Baixa. Porque o destino por vezes é maldito, como é de supor, apanhou o nosso amigo comerciante, que devia estar em casa de baixa médica mas não podia porque os credores não querem saber de doenças, com a loja aberta e atrás do balcão à espera de um cliente que não prometeu ir. De pouco importou o seu ar cansado, vulnerável e de voz enrouquecida. O que se viu ali, como matéria indiciária, era que foi apanhado com o pé em ramo verde. Atenuantes para uma declarada ilicitude deste género não estão previstas. Consequência? Não se teve em conta o seu estado de enfermo e foi-lhe retirada a baixa. Se economicamente mal estava, adivinha-se, muito pior ficou.
Hoje, com os olhos a lutar para não serem alagados por lágrimas de dor, dizia-me: “estou farto desta vida! Já não aguento muito mais! Um dia destes, sem querer saber das consequências, fecho a porta!

Pode até parecer que estou a defender a ilegalidade. Não é isso. Bem sei que não é fácil fazer de advogado do diabo. Mas alguém tem de gritar, BEM ALTO, que a administração -com todo respeito pelo seu trabalho- está demasiadamente focada no legalismo e insensível aos problemas humanos.

ALOJAMENTO LOCAL EM FRANCA EXPANSÃO NA BAIXA




Para quem anda por cá mais atento, mais que certo, terá visto que nos últimos tempos o alojamento local na Baixa está em crescimento. Passe-se à noite na Rua Ferreira Borges e, no patim da antiga sapataria Romeu, ver-se-á um ou dois estrangeiros a dormir em cima de um colchão. Também na Rua Eduardo Coelho, no prédio das antigas Galerias Coimbra, paredes-meias com uma frutaria, um aposento simples, com um cobertor a fazer de cortina e que dá guarida a duas pessoas desabrigadas, mostra-se a quem passa.
O tempo de hoje nesta zona histórica, apesar do Governo tentar mostrar o contrário, pelo elevado número de indivíduos que permanecem à noite junto à Loja do Cidadão à espera das carrinhas, das associações Integrar e João Paulo II, que distribuem comida, parece ter voltado uns anos trás, para 2010/2013, num contrato social falhado. Tal como nessa altura, constata-se também diariamente um aumento exponencial de pessoas a tentarem vender qualquer coisa, apenas para fazer algum dinheiro.
Seja lá por que for, por vergonha ou empenho, parece que não se fala da miséria recorrente e que, aparentemente, voltou a conviver com as famílias portuguesas. Será que, ao não tocarmos neste assunto, estamos todos a tentar auto-convencer-nos de que estamos melhor? Será que, colectivamente, estamos a sofrer a síndrome de Estocolmo, estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor?

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

COIMBRA: ESTA OPOSIÇÃO ME MATA






Através do Jornal Público, de anteontem, ficámos a saber que “O Bloco de Esquerda (BE) não apresenta candidatura à Câmara de Coimbra nas eleições autárquicas de 2017, apoiando o movimento Cidadãos por Coimbra (CpC), anunciou hoje a Coordenadora Concelhia do partido.
Os eleitos e militantes do BE “continuarão a procurar constituir-se como fortes esteios da ação política, no âmbito da candidatura alargada de cidadã(o)s, contribuindo de forma ativa para a construção e implementação do seu programa de ação” nas próximas autárquicas, afirma o BE em Coimbra, num comunicado hoje divulgado, a propósito da eleição da sua nova Coordenadora Concelhia”.
Antes de prosseguir, num solilóquio, em monólogo, interrogo a razão de esta informação apenas vir noticiada na imprensa nacional e, pelo menos até agora, não ter lugar na imprensa escrita local. Porque será? Serão os diários de fora mais lestos do que os os regionais, os que estão implantados na cidade? Ou será que o Bloco de Esquerda privilegia mais os “estrangeiros” por considerar os da terra conotados “por uma direita ressabiada que domina a comunicação social e, sobretudo, pela pressão do grande capital financeiro”? Ficam as perguntas no ar. Responda quem souber.
Continuando, tudo indica que as organizações partidárias estão a começar a retirar as coberturas empoeiradas das máquinas armazenadas no celeiro e a começar a afinar os motores para a grande prova eleitoral que se realiza dentro de cerca de dez meses.
No tocante ao CpC, com esta divulgação, constata-se o cair da máscara desta agremiação política que, embora se adivinhasse, claramente, nunca foi mostrado o seu ADN ao eleitorado. É certo que, muitos como eu, numa esperança mirabolante, esperavam que houvesse uma evolução para cidadãos independentes e sem correlaccão directa com os partidos tradicionais. Que fosse um projecto verdadeiramente independente onde harmoniosamente convivessem ideologias diferenciadas, homens e mulheres de direita, de centro e de esquerda -pelo menos foi assim que apoiei esta ideia, em finais de 2012, e nas reuniões preliminares, junto à Escola Secundária José Falcão, perante os fundadores, e enquanto convidado, defendi que só assim, onde coubesse qualquer linha de pensamento, faria sentido denominar um movimento de cidadãos independentes. Para quem lá esteve deve lembrar-se que afirmei textualmente que se era um movimento exclusivamente de esquerda, sendo eu liberal, não fazia ali nada. Foi dito que, sim senhor, era um projecto novo, que pretendia romper com o situacionismo partidário incomodativo, onde cabiam todos os livres pensadores e todas as tendências.
Vieram as eleições de 29 de Setembro de 2013 e o CPC elegeu um vereador e vários deputados na Assembleia Municipal.
Durante estes três anos de legislatura, numa espécie de relação pouco clara e se calculasse o seu vínculo, embora cirandasse numa ambiguidade perceptível, até agora, nunca tinha sido afirmado, preto no branco, que o CpC era uma extensão satélite do partido fundado por Francisco Louçã.
Como eleitor no último sufrágio, de 2013, sinto-me traído -ou talvez não, no mínimo, só frustrado. Confesso, já há muito tempo que, por algumas tomadas de posição em relação à Baixa, e até alguma distância e insensibilidade para os problemas prementes do comércio, me afastei dos princípios norteados pelo CpC. Mesmo reconhecendo um bom desempenho, na generalidade, ao vereador eleito, Ferreira da Silva, enquanto cidadão anónimo com opinião que pouco conta, depois de um mandato quase concluído, para mim, o CpC foi apenas mais um grupo político, elitizado na cidade, que pouco se diferencia dos outros partidos contextualizados e com representação na autarquia.

E O QUE É QUE VEM AÍ, POR PARTE DO CpC?

Pelas movimentações por entre pingos de chuva, tudo indica que o próximo cabeça de lista do CpC para o pleito eleitoral que se aproxima não será Ferreira da Silva, actual vereador eleito.
Pelas manchas de sombra que se estendem aos becos e ruelas da Baixa, tudo parece indicar que, se as negociações chegarem a bom porto, vai haver uma grande surpresa pelo rosto do próximo candidato. Muita gente vai deixar cair o queixo.

E OS OUTROS? PORQUE DÃO TIROS NOS PÉS?

O que aconteceu na Assembleia Municipal de Coimbra, na última quarta-feira, não se entende muito bem. Estava em causa uma proposta de votação apresentada pela Coligação por Coimbra PSD/PPM/MPT para baixar o IMI para 0,30 e, com votos contra dos deputados do CpC, da CDU e a maioria socialista, ficou nos 0,34. Que os comunistas, aliados naturais dos socialistas, furem o esquema da razoabilidade, já estamos todos habituados. Agora, com o CpC a votar contra uma medida que era importante para as famílias, quem entende?
Assim como, no mesmo hemiciclo e na mesma sessão, Cristina Agreira, em representação do PSD, foi à bancada questionar Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal, “querendo saber em que ponto está o processo de instalação de uma loja IKEA em Coimbra” -in Diário de Coimbra.
Saberá esta deputada social-democrata o quanto vai ser prejudicial a instalação da marca sueca no Planalto de Santa Clara para o comércio que resta na Baixa? É óbvio que não sabe, porque não estuda, não vê, não sabe, não conhece a realidade comercial da zona em que está inserido o município.
Infelizmente estamos entregues a eleitos, como esta senhora, que, sem terem em conta o interesse maior da cidade, dos munícipes e a recuperação comercial do seu centro histórico, só vêem o seu lado egoísta: serem eleitos a qualquer custo, mesmo a escorregarem na casca da banana. Tristeza! Se estiverem à espera do meu voto, é melhor acomodarem-se num sofá.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O BAILE -É JÁ AMANHÃ



É já amanhã o baile solidário a favor do Centro Cultural e Social 25de Abril, com sede na Rua da Sofia, em Coimbra.
Encontramo-nos lá, no Pavilhão da Palmeira, na Rua Simões de Castro?
Leia aqui uma crónica antecipada sobre este evento. Era giro. Muito giro que os políticos cá da aldeia, pregando uma partida aos cépticos, estivessem mesmo presentes. Você acredita em milagres? Eu cá, no meu cantinho, tenho dias. Ou melhor, tenho uma enorme esperança que a humanidade, com o sentimento do bem-fazer que transporta dentro de si, caminha em direcção ao aperfeiçoamento.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

EDITORIAL: BATE A GOTA COM A PERDIGOTA (MAS É PRECISO CHEGAR LÁ)






Ontem, o INE, Instituto Nacional de Estatística, fez anunciar que, face ao trimestre anterior, o PIB, Produto Interno Bruto, cresceu 0,8% no terceiro trimestre deste ano. Em comparação com o período homólogo de 2015, a riqueza produzida no país cresceu 1,6. Afirma ainda o INE que uma das razões é o aumento das exportações -em detrimento das importações. “O consumo privado também deu uma ‘perninha’, mas em menor dimensão, graças a um aumento das compras de bens não duradouros e serviços, enquanto que a venda de bens duradouros desacelerou, o que ajuda a manter as importações a crescer menos que as exportações neste período.
Pelo que se interpreta, aumentou o consumo privado de bens não-duradouros (que são destruídos após a utilização, como o pão, a comida e as bebidas) e diminuiu o consumo dos duradouros, como exemplo, electrodomésticos e automóveis e, embora não se faça a divisão, presupõem-se, que neste grupo estão incluídos os semi-duradouros, como sapatos e roupas.
Ouvindo ou lendo as notícias a frio, parece que a economia, no seu todo, está a crescer. Acontece que não é assim. O que se entende é que, de facto, apenas aumentaram as exportações e, internamente, o consumo da "paparoca" -o que pode significar que as pessoas passaram a comer mais e talvez melhor.
Ora, em balanço, num país cuja economia assenta essencialmente no consumo interno, estas notícias não são assim tão positivas quanto parecem ser.
E comecei com esta introdução para ver se as contas batiam certas. Como quem diz, conseguir explicar as dificuldades do comércio tradicional, sobretudo na Baixa de Coimbra.
Nos últimos três meses encerraram 7 lojas -quatro este mês- e abriram 3.
Pressente-se no ar uma ambiência de tragédia. Falar com alguns comerciantes -com aqueles que, com elevada coragem, mostram a verdade- toma-se pulso ao desespero que, como nuvem negra, se abate sobre o comércio de rua. Escrever que, quer a nível local, camarário, quer sobre o âmbito governamental, alguma coisa deve ser feito, por já estar cansado de malhar em ferro frio, quase não vale a pena. Seja o executivo da Câmara Municipal de Coimbra seja o Governo nacional, ambas instituições decisórias de poder, continuam a assobiar para o lado e a fazer de conta que não se passa nada.
Como ilustração, publicadas ontem no Facebook, vou transcrever uma carta de uma senhora lojista e outra de uma senhora proprietária de um café, ambas a trabalhar na Baixa da cidade:

Em menos de uma semana encerraram 3 lojas a poucos metros de distância da minha. Falarei da primeira, que tive conhecimento deste triste desfecho e que de alguma forma me tocou quando numa das minhas passagens me deparo com surpresa com o papel na montra a informar que a loja encerraria no fim do mês. Admito, fiquei um pouco transtornada pois este casal de comerciantes abriram o estabelecimento com diferença de uma semana do meu, mas recordo as nossas conversas, as nossas aspirações, projectos. Enfim, algumas vezes tirávamos dúvidas e é com pena que de cada vez que passo na rua (...) me deparo com uma loja que apesar de ter estado aberta apenas 3 anos houve muita luta deste casal. Aquelas paredes, com certeza, terão vida e muitas dores, muitas e longas histórias de acertos e desacertos. A este casal só posso mesmo desejar que a vida lhes sorria melhor do que tem sido.
Logo ali perto de mim encerrou uma outra loja com roupa de baptizados. De repente, apareceu tudo tapado com papéis, e a funcionária, que lá estava a trabalhar, nem sequer teve conhecimento do facto. Só depois de consumado soube que o patrão tinha aberto insolvência.
Hoje passei na Rua Adelino Veiga e deparei-me com mais duas lojas encerradas a juntar às demais daquela rua, que parece uma rua fantasma
(esta artéria passa a deter o record de 16 lojas fechadas). A Valise de carteiras e a outra loja Valise de sapatos também encerraram.
Só na Rua Eduardo Coelho, antiga rua dos Sapateiros -assim denominada porque outrora eram só sapatarias- estão 3 encerradas e a viabilidade de reabrirem é quase nula. Depois temos ainda mais duas na mesma rua que brevemente, se não encerrarem, mudarão de gerência. E depois ainda, a poucos metros, sem que tenha dons, prevejo para tal o fecho eminente de uma outra loja.

Hoje pensei: vou fazer as montras de Natal. Mas... fiquei-me pelo pensamento e nada fiz. As ruas estão desertas e nós comerciantes estamos desgastados. Agora sim , acredito, a Baixa acabou e, sem querer ferir susceptibilidades, houve quem contribuísse para que tal acontecesse. Agora já é tarde, e realmente foi uma pena. Coimbra tinha tanto potencial. E houve uma altura em que surgiram novos investidores que viram na Baixa de Coimbra uma oportunidade para brilhar. Tal como acontece noutras cidades em que a câmara local investe no comércio tradicional. Em Coimbra pedem-nos dinheiro para fazerem algo alusivo ao Natal (dinheiro que não dou pois estou falida). Se não quiserem pôr um pinheiro à minha porta já pouco me importa.”

Outro desabafo de uma  senhora proprietária de um café:

(...) É triste para quem passa e para quem queria e não pode. ..É triste ver a Baixa escura, triste, vazia. Nós tentamos economizar de todas as maneiras e proporcionar o que temos aos clientes e a quem passa. Quando a Câmara Municipal nos faz pagar 22 euros por ter um vaso à entrada, mais 22 para o menu. Já não falo dos toldos, esplanada, reclames. ...Como poderemos contar com ela para nos ajudar?
(…) Neste momento, muitos comerciantes quase não ganham para pagar a luz que precisam para o dia quanto mais para ter as luzes acesas toda a noite. Eu falo por mim. Infelizmente tenho que andar sempre a pagar a luz às prestações.
(…) Chego à Baixa às 06h45 da manhã. Eu não vejo nada. Muitas vezes já apagaram as luzes. Eu tenho medo de passar pelas ruinhas, mas não posso evitar. ...Tenho que trabalhar. Muitas vezes o rapaz do jornal fica à porta até eu entrar no meu estabelecimento. Muitas vezes com o meu filho de 5 anos. Não me sinto nada segura às sete da manhã na minha rua.”

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O BAILE

O BAILE (UMA CRÓNICA ANTECIPADA)







É sexta-feira, 18 deste mês corrente. O relógio da torre sineira da igreja de São Bartolomeu, seguindo o tempo determinado pelo meridiano de Greenwich -contrariando o da torre da Universidade de Coimbra, que estancou nas 07h45 e só está certo duas vezes ao dia- marca 21h15. Na Rua Simões de Castro, junto ao Pavilhão da Palmeira, tendo em conta o hábito em horas e dias iguais, o movimento de pessoas é extraordinariamente anormal. Até dá para pensar que vai haver inauguração de uma qualquer obra pública recentemente realizada, como, por exemplo, o Terreiro da Erva, ali a dois passos. Mas não. Àquela hora da noite, pelo costume, não se cortam fitas. A haver corte, só se for na casaca de alguém.
Pelas roupas esmeradas e intenso cheiro a brilhantina, há no ar cinzento de Outono uma certa atmosfera de festa. Nos homens, embora menos formais com uma ganga aqui e acolá, nota-se uma certa ansiedade festivaleira e nas mulheres, algumas de saia comprida e echarpes cintilantes, pressente-se um glamour de beleza existencial. Como formigas em carreiro, todos se encaminham para o interior do centro de desportos da Baixa.
Transpondo o portão de entrada em forma de túnel, estamos agora no recinto dedicado ao desporto de bola em tabela alta. Na lateral, num palco construído para o efeito, os membros do conjunto musical “Casting” afinam os instrumentos. Tudo indica que, dentro de poucos minutos, o grande baile solidário a favor do Centro Cultural e Social 25 de Abril (CCS25A), com sede na Rua da Sofia, vai começar.
O Travolta, o maior dançarino da Baixa e arredores, acompanhado da Felisberta, dama de muitas virtudes, em movimento curto de pés, ensaia um passo doble.
Perante uma moldura humana já saliente apesar da noite ainda ser uma criança para o espectáculo, Sandra Campos, a directora técnica da instituição que dá apoio a mais de 120 crianças entre os três e os 12 anos, parece o mestre-obras a encaixar pessoas nos lugares-chave para que nada falhe e ofusque o sucesso da festa.
Junto ao guarda-mão em ferro, a um passo da bancada, está o José Cruz, o presidente da direcção do CCS25A. Todo esticado como um fuso, a começar pela barriga -que encolheu substancialmente graças uma dieta de emagrecimento dirigida sobre as ordens da herbalife, na Rua Martins de Carvalho-, o “”, todo engravatado, com um sorriso de orelha-a-orelha, como anfitrião oficial, estende a mão às personalidades mais badaladas da urbe que vão chegando.
Num instantâneo, agora, perante quem se aproxima, o Cruz não consegue disfarçar a estupefacção que lhe inunda o rosto. Abre os braços em leque e a titubear, balbucia um agradecimento: “muito... obrigado, doutor, por ter vindo. Obrigado, mesmo”. E deu um enorme aperto-de-mão a Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, que, pelo movimento abrupto e desengonçado, até pareceu ter deslocado o ombro ao chefe da edilidade. Fosse por isso ou não, a verdade é que Marta Brinca, esposa de Machado e médica, tratou de suavizar a omoplata do marido com uma pequena massagem.
Atrás do homem do leme da cidade, em fila indiana, está Carlos Cidade, de braço-dado com a mulher Ana Rosa, e Carlos Clemente, adjunto de Machado, e que nunca mais dançou na Baixa desde que saiu do comando da Junta de Freguesia de São Bartolomeu. A seguir, Francisco Queirós, da CDU e a sua senhora, creio. Na mesma linha de direcção vai Luís Marinho, presidente da Assembleia Municipal. Avista-se também o ex-presidente Barbosa de Melo, do PSD, agora no contra. E como se fossem beijar a mão ao Papa, muitos vereadores e deputados, da cor do executivo e da oposição, esperavam a sua vez. Ferreira da Silva, vereador eleito pelo movimento Cidadãos por Coimbra, com o seu inconfundível chapéu de abas largas, dando provimento a um sorriso rasgado, mostrava que ali, naquele evento solidário, o que contava mais era a presença de todos e menos “guerras” políticas fratricidas. Pouco importava se estávamos a menos de um ano de eleições autárquicas ou não. Interessa ainda menos se em relação à abertura da Avenida Central, ali próxima e cuja discussão está em cima da mesa, cada partido político tem a sua opinião.
Ali, no Pavilhão da Palmeira, comissários políticos em representação das suas agremiações, embora estivessem a fazer política-partidária, o que os movia era algo mais profundo do que a egoísta captação de votos. Com este seu gesto a favor da filantropia, mostravam aos conimbricenses que estavam atentos ao que se passa na cidade e tanto se sentam numa cadeira do Convento de São Francisco a ouvir a Marisa como numa bancada fria, simples e sem veludo de honrarias.
E o agrupamento musical “Casting” atirou a primeira nota para a primeira dança. José Cruz dirigiu-se ao casal Machado, presidente da Câmara Municipal e esposa, e convidou-o a abrir o baile. Com o rodopiar do representante eleito na Praça 8 de Maio, ouviu-se uma enorme salva de palmas. O povo gostou da generosidade do “Manel da pêra”. Atrás de mim, o Almerindo Abrolhos, um reconhecido observador e comentador de tudo o que mexe na Baixa, atirou: “Ó Luís, já viste que o gajo está mais humilde? Estou a gostar. Sim, senhor! Ainda dizem que as pessoas não mudam...!