sexta-feira, 30 de novembro de 2012

LEIA O DESPERTAR


LEIA AQUI O DESPERTAR DESTA SEMANA 

Para além  do texto "REFÉNS DO PROGRESSO", deixo também as crónicas "DEUS ILUMINE A CÂMARA MUNICIPAL"; "ROSTOS NOSSOS (DES)CONHECIDOS: "O ATOR" e ainda "A BURLA DO TELEFONE"


(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)


REFÉNS DO PROGRESSO

 Por volta de meados do século XX, final de 1950 e começo de 1960, dentro dos meios disponíveis, o princípio era poupar para sobreviver. Tudo era aproveitado e reaproveitado para novas funções. Em muitas casas portuguesas, sobretudo nas aldeias, não havia água canalizada e a energia elétrica, excetuando na mercearia e taberna onde havia uma televisão e um aparelho de rádio, só imperavam em alguns lares. A água para consumo era apanhada na fonte natural de mina e para os usos comuns recorria-se à das chuvas. Era normal ver muitos bidons de folha junto aos beirais a recuperarem as goteiras de inverno. A iluminação era com recurso a um único lampião a petróleo.
A alimentação diária era incipiente. Em cardápio repetido, reinavam o carapau, o “chicharro” como vulgarmente era conhecido, e o bacalhau, que eram vendidos pelo sardinheiro envolvido em sal e em caixas de madeira, um dia por semana, numa carrinha de caixa-aberta. A carne, para além de uma rês que se matava no dia da festa anual da padroeira, só marcava presença enquanto durasse o “porquito” de matança e estendido ao longo do ano à custa do sal conservante na arca salgadeira e implantada na adega. O pão, de “bico”, raramente entrava num lar humilde. Predominavam a broa e o pão de centeio, cozidos no forno e depois de amassados na masseira acompanhados por umas rezas para a sua boa levedura pela matriarca da casa. Mas a rainha pantagruélica de todas as famílias era a frugal sopa de feijão, batata e couve. A única refeição completa do dia era a ceia, saboreada junto à lareira com fogo a crepitar, que se alongava na noite e muito além do sol-posto. A roupa que se vestia era esticada no tempo e passada a ferro na vontade. Havia um único fato domingueiro e um par de sapatos, que duravam décadas e, muitas vezes, eram as farpelas de envolvimento da última viagem. O próprio funeral era do mais singelo possível. O único “luxo” necessário era um caixão sem grandes atributos decorativos e que numa “carreta” de quatro rodas, empurrada à força de braços, percorria a distância entre o lugarejo e o cemitério.
Depois do ensino primário, hoje básico, só tinha direito a prosseguir os estudos quem, com o seu rendimento, não fosse fundamental, ou pelo menos dispensável, para o sustento da prole. Não havia Serviço nacional de Saúde. Normalmente, o que valia às populações era terem sempre na sede de concelho um “pai dos pobres”, que, a troco de nada e por bondade, distribuía consultas e remédios gratuitamente. Não havia reformas. Trabalhava-se até se aguentar fisicamente e poder corresponder para as despesas familiares. Os velhos, para além de serem o esteio, nasciam e morriam no teatro de guerra onde sempre viveram e lutaram. Do ponto de vista do bem-estar e da dignidade humana, eram bons tempos que hoje possamos recordar com saudade? Com certeza que não.
E veio o 25 de Abril de 1974. Depois da Constituinte, nasceu a nova Constituição assente nos Direitos Humanos, com génese na Revolução Francesa, de 1789, com base nos primados Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e Bolchevique, de 1917, doutrinada no princípio de que, perante o Estado, todos somos pessoas iguais independentemente do que produzimos. E nasceu um novo homem, reivindicativo e interventivo, em corte total com o “espécime” passivo e subjugado do anterior regime. Revolucionou-se tudo, desde os costumes aos valores, que, por inerência e na sua dinâmica, andam sempre de braço dado. O bem-estar, na comparação com o período antecedente, para bem de todos, alterou-se profundamente. Abraçámos o progresso e substituímos os velhos candeeiros a petróleo por modernos lustres, elétricos, de meia-dúzia de lâmpadas. De 1974 até meados da década seguinte, com grandes atropelos constitucionais em completo desrespeito pelo cidadão, recorrendo a saneamentos políticos, e pela propriedade pública e privada, assistiu-se a nacionalizações sem regra e a expropriações selvagens. Aparentemente, tudo em nome do abolir de assimetrias entre ricos e pobres. Nesta década recebemos o FMI e vimos os juros bancários subirem a 38 por cento com juros postecipados, descontados à cabeça.
Veio a assinatura do contrato de adesão à então CEE, Comunidade Económica Europeia, em 1986, e passaram a entrar milhões em subsídios. Aumentou o rendimento disponível das famílias. Resultado do acordo com a Europa, e também numa falsa ideia de desenvolvimento, fomos abandonando a agricultura, as pescas, a pecuária, a caça, enquanto meio alimentar e necessário às populações, e a mineração. Impávidos e serenos, assistimos ao êxodo das aldeias para as vilas e cidades. Os que teimaram em ficar foram aposentados compulsivamente. Numa década, de 1986 a 1996, devido a esta deslocalização, a oferta no comércio e na indústria hoteleira quadruplicou. O imobiliário, por causa da procura exacerbada e em crescendo, devido ao grande afluxo de dinheiro em circulação, hipervalorizou três vezes mais em relação ao seu preço real. O crédito bancário barato concorreu para a facilidade de acesso a todos os bens e todos nos transformamos em falsos ricos. Se a indústria pesada foi desmantelada imediatamente, a fábrica, desde a serração de madeiras, à telha e até aos têxteis, continuou a laborar. Largámos os cursos técnicos, de saber fazer, e apostámos na licenciatura em linha, sem ter o cuidado de avisar os jovens de que ter o canudo não é sinónimo de emprego.
Em abril de 1994 Portugal subscreveu o acordo com a Organização Mundial de Comércio e progressivamente abriu completamente as fronteiras às importações mundiais. Aos poucos, desde essa data e até hoje, por força da impossibilidade de concorrer com produtos baratos, foram encerrando todas as unidades produtivas nacionais. No presente estamos com quase 20 por cento de desempregados. Por consequência, baixaram os rendimentos familiares, caiu a procura para níveis nunca vistos e há um reajustamento na oferta e no valor real de todos os bens, essencialmente no edificado. Estamos todos perante um novo paradigma: temos casa própria apetrechada com todas as comodidades, desde aquecimento central até 200 canais de televisão por cabo, temos vários carros parados na garagem e não temos meios para os manter. Mesmo querendo livrar-nos deles não há quem os compre. Estamos todos amarrados a este progresso.


DEUS ILUMINE A CÂMARA MUNICIPAL

 Com o inverno a bater-nos à porta, mais que certo, todos já nos apercebemos de que às 17h30 é noite cerrada. Os candeeiros de iluminação pública, na Baixa, estão a acender por volta das 17h00. Certamente por desregulação do relógio da zona e da responsabilidade da EDP, todo o triângulo formado pelas Ruas Eduardo Coelho, Padeiras e Almoxarife, todos os dias, durante mais de meia hora fica às escuras. Se durante os dias de semana o problema está parcialmente resolvido com a luz emanada das montras, ao sábado e ao domingo o breu invade estas vias estreitas. Seria bom que, com urgência, os serviços de apoio à empresa Electricidade de Portugal resolvessem este problema.
Embora, por várias vezes, já se tenha chamado a atenção da edilidade para o estado miserável de sujidade dos lampiões da via pública de toda a Baixa, que, pelas manchas negras e teias de aranha, contribuem para uma deficiente distribuição de claridade à noite, parece que, em metáfora, os seus ouvidos também estarão igualmente entupidos e a precisarem de limpeza. Ou seja, ninguém liga a esta vergonha. Por aqui, já que os homens não resolvem esta dificuldade, os comerciantes já pensam em virarem os seus apelos para o transcendente e fazerem uma promessa em duplicado a Nossa Senhora de Fátima e à Rainha Santa.




ROSTOS NOSSOS (DES)CONHECIDOS

“O ATOR”

 Quem passa na Rua de Montarroio e, através do vidro, vislumbra o Rui Damasceno na tipografia com o seu apelido a saltitar por entre máquinas do princípio do século passado, a primeira impressão que se tem é que está na presença de um cientista. Os cabelos brancos encaracolados, meios desgrenhados, óculos de armação grossa e barba de dois dias conferem-lhe um certo ar “naif”, de alguém que é diferente e vive desligado deste tempo, ou viveu noutra época remota. Numa segunda apreciação verifica que este homem tem um espírito de menino projetado nos seus olhos e que vem de dentro da sua alma. Quem o vê de avental cinzento e a mexer nas tintas, se não o reconhecer, não imagina que está perante um dos maiores atores de teatro em Portugal. O Rui, sem favor, é um talentoso artista na cidade e a trabalhar atualmente na companhia Bonifrates. Tivesse o Damasceno nascido em Inglaterra e hoje seria um dos residentes da Broadway, o célebre teatro londrino. Mas, não sendo assim, até poderemos pensar que sujeito que descrevo, e que tanto orgulho “imprime” a toda a Baixa, é um indivíduo ressabiado com a vida. Será? Nada disso. O Rui é um homem feliz, um amor de pessoa, e em paz com o mundo. Dêem-lhe um palco para atuar, não o desliguem da sua tipografia onde ainda de cueiros começou a aprender a arte de composição e estão todas as suas reminiscências e memórias, e ele está no seu paraíso terrestre. Claro que para se falar na Tipografia Damasceno, que não esqueçamos o seu pai, o João Damasceno, homem de H grande e senhor do “antes quebrar que torcer”, infelizmente já falecido, e da sua querida mãe, Odete Paixão Silva, a única compositora em tipografia, no país, na década de 1950, e, felizmente de boa saúde.

(Imagem da Web)

A BURLA DO TELEFONE

 Maria Ferreira mora do outro lado do rio onde, segundo a lenda, a Rainha Santa teria percorrido veredas e sendas para fugir aos olhares perscrutadores de Dom Dinis e assim poder alimentar os muitos pobres que lhe bateriam à porta do seu abastado convento. Maria tem 77 anos. Sobre a presença omnipotente do telefone fixo, que serve para comunicar com algumas amigas e é um instrumento fundamental na sua ligação com o exterior, a televisão marca também o seu espaço na sua casa de aconchego. Como quase todas as pessoas da sua vetusta idade, o percurso dos dias é passado entre as várias telenovelas, que lhe fazem companhia e alimentam a alma, e um croché que, como vício empedernido e apesar da vista já não ser o que era, teima em não a largar.
Há cerca de um mês recebeu uma ligação telefónica: “boa tarde! Como a senhora é nossa cliente fiel há mais de vinte anos no telefone, temos o prazer de a informar de que foi contemplada com um Vale Postal de 200 euros. Se, por acaso, a chamada cair faça o favor de ligar para o seguinte número… Tem aí uma esferográfica? Então aponte, se faz favor. Telefone à vontade que a chamada é grátis”. Entretanto a ligação caiu. Maria fez o que lhe foi recomendado pela voz masculina, mas teve o cuidado de interrogar: “diga-me, senhor, eu não vou pagar mesmo nada? De certeza? Posso confiar?”. E a voz adocicada respondeu: “ó dona Maria, por favor! Claro que não vai pagar nada. Pelo contrário, por ser uma cliente fiel, vai receber um prémio de 200 euros dentro de duas a três semanas”. E Maria Ferreira confiou. Confrontada com perguntas fúteis e de cacaracá foi descarregando o espírito. Afinal o homem era tão simpático! Quando estava prestes a desligar a voz de assédio falava-lhe da vida complicada dos reformados e o quanto este Governo está a tornar a sua existência difícil. E lá foi prolongando a conversa, e assim se manteve, durante cerca de vinte minutos.
As semanas foram passando, e, do referido prémio anunciado, nada. Até que veio a fatura mensal da Portugal Telecom e Maria apanhou um grande susto: “chamada de valor acrescentado, 20 minutos, 35 euros.”
Valeu-lhe ter desabafado com a Madalena Martins, a “Lena do Quiosque Espírito Santo”, junto ao Café Santa Cruz. Como já alertou tantas velhinhas para este tipo de burlas que até já lhe perdeu a conta, mais uma vez, encaminhou Maria Ferreira para a Portugal Telecom, na Loja do Cidadão. Aqui, perante a reclamação, os serviços desta empresa barraram o número indicado e descontaram a chamada de valor acrescentado.



UM CONVITE IRRECUSÁVEL

(Imagem da Web)

 Vou começar por dizer que este convite do senhor director da revista C, Adão Mendes, sobre o lema "se eu mandasse", veio mesmo a propósito. Ainda ninguém sabe, mas tenho andado a matutar em apresentar a minha candidatura independente à Câmara Municipal de Coimbra. Vamos lá ver, não é que tenha qualquer dificuldade em divulgar o programa, o problema maior será escolher os meus apoiantes de peso. Até estou a ver, quando anunciar o meu propósito, vão atropelar-se para serem os primeiros. Como eu os entendo! Não é todos os dias que aparece um aspirante ao trono assim como eu. Modéstia à parte, com pouca e naturalmente, sou bem-apessoado; bom falador, que só utiliza palavras nossas, portuguesas e não alinha em estrangeirismos de importação; bom vendedor, vendo qualquer ideia, mesmo até que seja péssima. E quanto à honestidade? Ai Nosso Senhor dos Aflitos nos valha, não há ninguém assim. Já se vê, portanto, que a minha concorrência vai abalar a super-estrutura da cidade. Sim, porque eu vou revolucionar tudo. Não brinco em serviço. Vou mostrar a todos que este pessoal da política partidária, ao pé de mim, utilizando analogia animal, é uma pulga, entendendo que serei um elefante, está de ver!
Bem sei que o leitor está a arder de curiosidade para saber o que vou mudar. Peço-lhe alguma contenção nessa ansiedade, que estas coisas de planos futuristas exigem ponderação. Sempre vou adiantando que, aqui na Baixa, tendo em conta a situação do comércio e sobretudo o desânimo que atravessam os becos e vielas, irei tomar uma série de medidas. A primeira, e imediatamente após tomar posse, ordenarei a revitalização das fachadas de todos os edifícios que se encontram decrépitos. O coração da urbe não pode continuar a conviver com estes fantasmas. A seguir vou desonerar os licenciamentos de toldos e publicidade nas lojas comerciais. Estão completamente descaracterizadas sem estes adereços privados, e ambos são essenciais à sua regeneração. Os primeiros, os toldos, protegem os transeuntes das condições climatéricas adversas e os segundos são a identidade e o espírito tradicional. Tenho muito mais ideias para agitar as águas do Mondego, mas vamos com calma, sim?

O REGRESSO DO ARDINA DA SAUDADE



 Hoje, durante a tarde, a título experimental, as ruas da Baixa foram invadidas pelo saudoso grito do ardina: “OLHOOOOÓ… DESPERTAR! É P’RÓ MENINO E P’RÁ MENINA! TRAZ A NOTÍCIA DO MACHADO QUE VAI RACHAR A CÂMARA AO MEIO! … OLHOOOOÓ DESPERTAR!”
Quem assim gritava a plenos pulmões era o Victor Manuel Lucas. E quem é o Victor Lucas? Calma, eu vou contar tudo. Faça o favor de não me pressionar. É que em stresse não funciono. Não dou uma “p’ra caixa”. Não sei se me entende. Vou então continuar. Recomeço por dizer que o Victor, para além de ser uma pessoa humilde e a quem o trabalho não mete medo, é um “self made man”. Um homem dos sete ofícios. Foi pintor de construção civil. Actualmente é vendedor nas diversas feiras de velharias da zona centro, é pintor de belas artes, autodidata, é restaurador de arte na Lousã, onde reside, e tanta coisa que nem sei. Mas vamos lá contar como é que o Victor é “arrastado” para uma nova função: a de ardina. Como muitos leitores saberão, o jornal O Despertar é o mais antigo semanário de Coimbra. Do alto dos seus 95 anos, tal como outros irmãos mais novos na imprensa, vive com dificuldades. Desde o actual proprietário Lino Vinhal, que adquiriu o título à família Fausto Correia com a promessa de não o deixar morrer, até à directora, Zilda Monteiro, que é uma espécie de “faz tudo”, e passando pelo abnegado esforço do  Carlos Dinis, na paginação. De uma forma altruísta e desinteressada, na vanguarda do jornal está uma vasta equipa que corre por amor à camisola. Como colaboradores escrevem a Alda Belo, a Alda Constança, a Clara Luxo Correia, o Eduardo Proença Mamede, o João baptista, o Joaquim Belizário Borges, o Joaquim Vieira, o José Andrade, a Lucinda Ferreira, o Manuel Bontempo, a Paula Alexandra Almeida, o Sansão Coelho, o António Piedade e a mais recente aquisição, transferido de um grande jornal nacional, e que agora nem recordo o nome, o Luís Fernandes, que, por acaso, sou eu. Gostaria de referir também o José Soares, desaparecido do nosso meio dos vivos há pouco tempo, e que durante muitos anos deu o seu melhor para que este semanário continuasse a aparecer nas bancas semanalmente.
Continuando, nas calmas, vou agora então contar como é que surgiu esta ideia de voltarmos novamente a ouvir o grito do jornaleiro, e que tanta nostalgia nos transmite, nas ruas da cidade. Aconteceu por acaso. Conversámos todos sobre este assunto e decidiu-se fazer a experiência. Por parte da administração apenas se pretende a divulgação deste meio de informação. Não está em causa o custo da edição. Como tal, e sendo assim, o que interessa mesmo é que você adquira e leia O Despertar. Se não puder pagar os 75 cêntimos de capa fale com o Victor, o “novo ardina da saudade”, que, tenho a certeza, ele não deixará de lho entregar. Fale é com ele. Não lhe atire um olhar de distanciamento.
Hoje e no futuro o tempo vai andar para trás na Baixa. Como o ensaio preliminar correu muito bem, ficam os leitores a saber que todas as sextas-feiras o Victor vai encantar-nos com o seu pregão: “OLHOOOÓ DESPERTAR!”. Gostaria só de chamar a atenção de que a permanência deste novo e respeitado ardina passará sempre por si. Dê-lhe um sorriso de consideração e, sobretudo, se puder, adquira-lhe o jornal mesmo muito abaixo do seu custo anunciado.

BOM DIA, GENTE DE ESPERANÇA...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ATENÇÃO: CONSULTA PÚBLICA




Segundo o blogue Gestão Participada do Gabinete para o Centro Histórico, "A Câmara Municipal deliberou submeter a discussão pública os Projetos de Delimitação das Áreas de Reabilitação Urbana – Coimbra Baixa e Coimbra Rio e respetivos Projetos de Operações de Reabilitação Urbana através de instrumento próprio."

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

UMA MUDANÇA NA ESEC TV




"Por razões técnicas relacionadas com a emissão prevista para hoje, somos forçados a repetir uma emissão da ESECTV.

A emissão prevista para esta data será transmitida no dia 5 de Dezembro.  


Quarta-feira, 28 de novembro na RTP2:

Festa do Cinema Francês: ESECTV faz o balanço da 13ª edição em Coimbra, que começou com o filme de Cécilia Rouaud "Je me suis fait tout petite". 
"O Essencial sobre a Imprensa Portuguesa (1974 - 2010)": um livro da autoria de João Figueira, apresentado na Livraria Almedina Estádio Cidade de Coimbra.
25 anos do Programa ERASMUS: o Instituto Politécnico de Coimbra celebrou a data com várias iniciativas que passaram pelo cinema, documentário, fotografia e algumas visitas pelas repúblicas de estudantes.
"Reconstruindo Europa": título de um vídeo produzido por Liliana Pereira, aluna de Arte e Design na ESEC. Este trabalho alcançou o 3º lugar no concurso criatividade "Geração 1992", promovido pela União Europeia.
David J apresentou-se a solo num conjunto de concertos acústicos e intimistas em Portugal. A tour contou com uma data em Coimbra e a ESECTV teve oportunidade de conversar com o músico, antigo membro da histórica banda Bauhaus.


hoje à noite, 23h57 na RTP2"

(RECEBIDO POR E-MAIL)

A NOITE VOLTOU A SER NEGRA

(Imagem da Web)




Caro colega,

 Lamentamos informar que a APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, decidiu cancelar a realização desta edição da Noite Branca de 1 de dezembro, tendo em conta a falta de disponibilidade dos grupos corais. No entanto temos indicação de que a iniciativa do Mercado Municipal D. Pedro V se mantém, estando este local de portas abertas até às 24h00.
Mais informamos que neste sábado de 1 de dezembro assinalamos o início da Campanha de Natal com a inauguração da sonorização das ruas da Baixa de Coimbra e a colocação da estrutura do Pai Natal na Praça 8 de Maio.
Apresentamos desde já as nossas desculpas, atenciosamente,
O Presidente da Direção
Armindo Gaspar

APBC - Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra
Rua João de Ruão, 12 Arnado Business Center, piso 1, sala 3
3 000-229 Coimbra
Tel. 239 842 164  Fax. 239 840 242 Tel. 914872418
apbcoimbra@gmail.com
www.baixadecoimbra.com

BOM DIA, GENTE DE ESPERANÇA

DEMITAM OS EXEJECTAS E SALVEM O PAÍS

(Imagem do jornal Público)


"Vinho Memórias de Salazar chumbado para não pôr em causa a ordem pública"



É óbvio que cada um terá sua opinião. Porém, penso para mim, que o interesse do país deve prevalecer acima das guerras ideológicas. É assim que penso. Está errado? É provável, mas não me importa nada. No que penso e afirmo só a mim me responsabiliza.
No entanto, e admitindo que estou a ser intolerante, perante comentários que ilustro mais abaixo não posso deixar de me considerar insultado. Ora comece por ler a opinião de alguém, que nem sequer vou identificar:

 "Deve ser chumbado é por ser uma ofensa a todos os sofreram e sofrem por 48 anos de ditadura!

Um par de estalos era justo para quem teve ideia tão ofensiva! Por tanto a desordem era por demais justa!"


Então leia a minha resposta:

Não tenho por hábito responder a comentários insultuosos, mas este do senhor (...) passa das marcas.
Primeiro, o senhor (…) confunde tudo. Ou seja, mistura ditadura com história e valor acrescentado para o país. Acredito que na sua cabeça, porque é muito novo e sabe muito pouco da vida, apenas tem lá o que lhe inculcaram e, naturalmente, dentro de umas vistas, que presumo curtíssimas, não vê mais do que isso. É pena, meu caro senhor. Tenho mesmo muita pena por si. É por pessoas como o senhor que, mesmo licenciadas não apreenderam nada e quando apregoam a universalidade dos direitos do homem apenas estão a pensar em pessoas da sua ideologia. Se a história pudesse ser reescrita só lá teriam lugar os seus correlegionários. É por pessoas da sua mentalidade que este país, de que também faço parte, teima em não sair do sítio. É por pessoas como senhor e essa dita comissão de análise, que deveria ser imediatamente demitida no mínimo, que se travam sonhos, que se encravam projectos e se condenam pessoas ao eterno ostracismo.
Fique a saber o meu caro de que não tenho a mínima de simpatia por Salazar. O que não admito é que pessoas como o senhor (…), armados em puristas e exejectas, e donos de uma verdade que nem se deram ao trabalho de descobrir, tentem apagar da história uma personagem que, para o bem e para o mal, marcou todo o século XX. Lamento por si.

P.S. -Já agora uma pergunta parva: o célebre Licor de Merda, de Cantanhede, não ofende a moral e os bons costumes?



UM CONVITE DOS BOMBEIROS




Caros Sócios e Amigos,

Há atitudes que nos marcam profundamente, que compensam muitas desilusões e nos dão força para continuar a realizar as nossas funções.

A persistente mensagem de apelo ao apoio e ajuda aos Bombeiros Voluntários de Coimbra, que temos vindo a lançar, perante as dificuldades financeiras que vivemos, não tem tido, infelizmente, a resposta esperada, particularmente dos cidadãos de Coimbra.

Contudo, surpreendentemente, essa mensagem chegou a um conjunto de jovens que estão, em regime fechado, no Centro Educativo dos Olivais e que decidiram, com os seus professores, fazer um trabalho sobre os Bombeiros Voluntários de Coimbra de que resultaram: um dossier com textos e documentação sobre os BVC, a construção de um carro de bombeiros feito com materiais reciclados e movido a energia eléctrica e, ainda, o RAP Fardas Vermelhas.

Na passada terça-feira, dia 26, num momento de grande simbolismo, fomos receber estas inesquecíveis prendas e ouvir da voz daqueles jovens as palavras de apoio e de incentivo que infelizmente não conseguimos ouvir da generalidade dos cidadãos de Coimbra, que em segurança e em liberdade, permanentemente, se cruzam connosco.

Entre outras coisas, disseram-nos que o carro seria para vendermos para arranjar dinheiro para a Associação e para o seu corpo de Bombeiros. Deixaram-nos sem palavras!

Face à situação em que se encontram, não foi possível que esta cerimónia fosse pública, mas entendemos não poder deixar de não só dela dar público testemunho mas também de apresentar os referidos trabalhos que ficarão a fazer parte, em lugar de honra, do nosso espólio histórico.

Assim, vimos convidar todos os nossos sócios e amigos para amanhã, quinta-feira, dia 29 de Novembro de 2012, pelas 15 horas, assistirem, no nosso Quartel, na Av. Fernão de Magalhães, 179 – Coimbra, à recepção dos referidos trabalhos, contando com a presença dos responsáveis do Centro Educativo dos Olivais, a quem é justo agradecer a amizade e o apoio votado a este projecto.

Nota: não temos coragem de vender o carro, ele vai ficar como um símbolo de generosidade e de apoio que jovens, num momento particularmente difícil das suas vidas, quiseram dar à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Coimbra.

Com os melhores cumprimentos,

João Silva
Presidente da Direcção


MAIS SÓCIOS, MAIS FUTURO!

O PRIMEIRO ENSAIO

(Fotos de Emília Martins)



 Ontem foi o primeiro ensaio da “Orquestra de Músicos de rua de Coimbra”. Embora ainda não pudessem comparecer todos –na próxima quinta-feira estarão presentes muitos mais-, ontem, a marcar o compasso estiveram o Faissal, na percussão, o Adão Mendes, no ritmo, o Paolo no acordeão, o Luís, no órgão, o Lourenço, no acompanhamento à viola, o Armando, no solo, eu, na viola e a desafinar nos temas, e o Emanuel, a tentar corrigir as minhas falhas vocais.
Obrigado a todos pela disponibilidade. Bem-haja à Dr.ª Emília Martins, presidente da Orquestra Clássica do Centro, por acreditar em nós.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

OS MILAGRES ACONTECEM



"Um grupo de músicos de rua de Coimbra juntou-se num projeto apadrinhado pela Associação Orquestra Clássica do Centro (OCC) e a coordenação de Luís Quintans." 
Veja aqui notícia no Diário as Beiras


 A ideia já andava há muito tempo na minha cabeça. Quando, diariamente, me cruzava com um músico a tocar sozinho numa das ruas da Baixa pensava para comigo que se fosse possível juntar todos num só grupo poder-se-ia fazer uma orquestra fantástica. Na rua há todo o género de instrumentistas. Há bons executantes de guitarra clássica; de acordeão; de violino; de percussão; de saxofone; de clarinete. Eu mesmo, há muitas décadas que, no meu canto solitário, componho, musico e gravo as minhas composições. Por vários motivos, a vida nunca me permitiu mostrar o que faço. Aquando das manifestações a favor da reposição da Linha da Lousã, e construção do Metro Ligeiro de Superfície, compus duas canções. Foi uma forma de me solidarizar com esta injustiça que os cidadãos da linha da Lousã estão a sofrer. Como sou um “ganda maluco”, enchi-me de coragem e fui mostrar ao Movimento Cívico de Lousã e Miranda. Graças à boa vontade de Jaime Ramos, uma delas foi mesmo gravada nas várias povoações onde passava o comboio. A outra foi tocada na Praça 8 de Maio. Sou também autor de uma composição a favor da preservação da Mata Nacional do Choupal, aquando da intenção de a fazer atravessar com uma nova ponte.
Saliento a boa ajuda e sempre disponível do nosso “camara man”, Luís Filipe Perdigão, outro talentoso que também em tempo útil não lhe foram proporcionados meios para desenvolver a sua aptidão.
A idade tem estas manifestações interessantes: chegamos a uma fase da nossa existência que não podemos manter mais tempo dentro de nós o que não mostrámos e fizemos na altura devida. Foi assim que, nos últimos tempos, aqui na Baixa, comecei a tocar com alguns músicos de rua. No último feriado do 1º de Novembro li uma notícia de que o professor Norberto Pires iria contribuir com a sua presença e disponibilidade para o peditório da Liga Nacional contra o Cancro nas ruas da calçada. E, cá com os meus botões, interroguei: olha lá, Toino, porque não convidas alguns músicos e vais tocar a favor da liga? Seria uma boa forma de participares. Afinal, nem te custa nada e dá-te um prazer danado?! Entrei em contacto com o homem que, tal como eu, sonha e também tem ideias para mudar o mundo, e, mesmo sem saber na alhada em que se ia meter, ele aceitou logo. E no "Dia de todos os Santos" lá estivemos, dentro das nossas possibilidades a fazer ruído e a assustar a passarada, na Rua Ferreira Borges, junto ao Museu do Chiado. Como toda a acção gera reacção, vim a conhecer Emília Martins, presidente da Orquestra Clássica do Centro, e falei-lhe desta minha palermice de juntar os músicos numa banda. Para minha surpresa, ficou entusiasmadíssima. E, é claro, perante a sua confiança, deixei-me ir. Só espero poder corresponder às expectativas criadas. Mas a seu tempo se verá.
Se não ficou bem claro, a ideia base é, através do talento de cada um, juntar todos e fazer algo que possa contribuir como mais-valia, valor acrescentado, para a cidade. Há tantas pessoas por aqui que, se forem bem aproveitadas, podem constituir, através do seu desempenho, uma base de entretenimento para a Baixa. Não está em causa se são excelentes ou médios. O que interessa é usufruir dos seus escondidos talentos. E há tantos, que nem lembro! Sei lá, como por exemplo no teatro e fazer um grupo de rua, malabaristas, mágicos, palhaços, etc. Está tudo à mão de semear. O que é preciso é falar com as pessoas, mostrar-lhes o quanto são importantes, fazê-los acreditar no seu engenho que têm dentro da sua alma, e, sobretudo nesta crise, em solidariedade, o quanto podem contribuir para animar a cidade.
Só para esclarecer, claro que, se do meu lado há interesse nesta ideia -acredite-se, é apenas o de mostrar o que se faz sem o lado interesseiro, monetário, porque tenho outra actividade que, por enquanto, me permite viver, para já, penso, poder dispensar-, no entanto, não podemos esquecer a prestação destes músicos que me acompanham. Isto é, no futuro e se as coisas correrem bem, eles terão de ter uma natural e legítima compensação. É assim que me coloco neste plano.
Bem-haja à Emília Martins por ter acreditado neste projecto inovador e, creio, único em Portugal.

sábado, 24 de novembro de 2012

REFÉNS DO PROGRESSO

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



 Por volta de meados do século XX, final de 1950 e começo de 1960, dentro dos meios disponíveis, o princípio era poupar para sobreviver. Tudo era aproveitado e reaproveitado para novas funções. Em muitas casas portuguesas, sobretudo nas aldeias, não havia água canalizada e a energia eléctrica, exceptuando na mercearia e taberna onde havia uma televisão e um aparelho de rádio, só imperavam em alguns lares. A água para consumo era apanhada na fonte natural de mina e para os usos comuns recorria-se à das chuvas. Era normal ver muitos bidons de folha junto aos beirais a recuperarem as goteiras de inverno. A iluminação era com recurso a um único lampião a petróleo.
A alimentação diária era incipiente. Em cardápio repetido, reinavam o carapau, o “chicharro” como vulgarmente era conhecido, e o bacalhau, que eram vendidos pelo sardinheiro envolvido em sal e em caixas de madeira, um dia por semana, numa carrinha de caixa-aberta. A carne, para além de uma rês que se matava no dia da festa anual da padroeira, só marcava presença enquanto durasse o “porquito” de matança e estendido ao longo do ano à custa do sal conservante na arca salgadeira e implantada na adega. O pão, de “bico”, raramente entrava num lar humilde. Predominavam a broa e o pão de centeio, cozidos no forno e depois de amassados na masseira acompanhados por umas rezas para a sua boa levedura pela matriarca da casa. Mas a rainha pantagruélica de todas as famílias era a frugal sopa de feijão, batata e couve. A única refeição completa do dia era a ceia, saboreada junto à lareira com fogo a crepitar, que se alongava na noite e muito para além do sol-posto. A roupa que se vestia era esticada no tempo e passada a ferro na vontade. Havia um único fato domingueiro e um par de sapatos, que duravam décadas e, muitas vezes, eram as farpelas de envolvimento na última viagem. O próprio funeral era do mais singelo possível. O único “luxo” necessário era um caixão sem grandes atributos decorativos e que numa “carreta” de quatro rodas, empurrada à força de braços, percorria a distância entre o lugarejo e o cemitério.
Depois do ensino primário, hoje básico, só tinha direito a prosseguir os estudos quem, com o seu rendimento, não fosse fundamental, ou pelo menos dispensável, para o sustento da prole. Não havia Serviço Nacional de Saúde. Normalmente, o que valia às populações era terem sempre na sede de concelho um “pai dos pobres”, que, a troco de nada e por bondade, distribuía consultas e remédios gratuitamente. Não havia reformas. Trabalhava-se até se aguentar fisicamente e poder corresponder para as despesas familiares. Os velhos, para além de serem o esteio, nasciam e morriam no teatro de guerra onde sempre viveram e lutaram. Do ponto de vista do bem-estar e da dignidade humana, eram bons tempos que hoje possamos recordar com saudade? Com certeza que não.
E veio o 25 de Abril de 1974. Depois da Constituinte, nasceu a nova Constituição assente nos Direitos Humanos, com génese na Revolução Francesa, de 1789, com base nos primados Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e Bolchevique, de 1917, doutrinada no princípio de que, perante o Estado, todos somos pessoas iguais independentemente do que produzimos. E nasceu um novo homem, reivindicativo e interventivo, em corte total com o “espécime” passivo e subjugado do anterior regime. Revolucionou-se tudo, desde os costumes aos valores, que, por inerência e na sua dinâmica, andam sempre de braço dado. O bem-estar, na comparação com o período antecedente, para bem de todos, alterou-se profundamente. Abraçámos o progresso e substituímos os velhos candeeiros a petróleo por modernos lustres, eléctricos, de meia-dúzia de lâmpadas. De 1974 até meados da década seguinte, com grandes atropelos constitucionais, em completo desrespeito pelo cidadão, recorrendo a saneamentos políticos, e pela propriedade pública e privada, assistiu-se a nacionalizações sem regra e a expropriações selvagens. Aparentemente, tudo em nome do abolir de assimetrias entre ricos e pobres. Nesta década recebemos o FMI e vimos os juros bancários subirem a 38 por cento e a serem postecipados, descontados à cabeça.
Veio a assinatura do contrato de adesão à então CEE, Comunidade Económica Europeia, em 1986, e passaram a entrar milhões em subsídios. Aumentou o rendimento disponível das famílias. Resultado do acordo com a Europa, e também numa falsa ideia de desenvolvimento, fomos abandonando a agricultura, as pescas, a pecuária, a caça, enquanto meio alimentar e necessário às populações, e a mineração. Impávidos e serenos, assistimos ao êxodo das aldeias para as vilas e cidades. Os que teimaram em ficar foram aposentados compulsivamente. Numa década, de 1986 a 1996, devido a esta deslocalização, a oferta no comércio e na indústria hoteleira quadruplicou. O imobiliário, por causa da procura exacerbada e em crescendo, devido ao grande afluxo de dinheiro em circulação, hipervalorizou três vezes mais em relação ao seu preço real. O crédito bancário barato concorreu para a facilidade de acesso a todos os bens e todos nos transformamos em falsos ricos. Se a indústria pesada foi desmantelada imediatamente, a fábrica, desde a serração de madeiras, à telha e até aos têxteis, continuou a laborar. Largámos os cursos técnicos, de saber fazer, e apostámos na licenciatura em linha, sem ter o cuidado de avisar os jovens de que ter o canudo não é sinónimo de emprego.
Em Abril de 1994 Portugal subscreveu o acordo com a Organização Mundial de Comércio e progressivamente abriu completamente as fronteiras às importações mundiais. Aos poucos, desde essa data e até hoje, por força da impossibilidade de concorrer com produtos baratos, foram encerrando todas as unidades produtivas nacionais. No presente estamos com quase 20 por cento de desempregados. Por consequência, baixaram os rendimentos familiares, caiu a procura para níveis nunca vistos e há um reajustamento na oferta e no valor real de todos os bens, essencialmente no edificado. Estamos todos perante um novo paradigma: temos casa própria apetrechada com todas as comodidades, desde aquecimento central até 200 canais de televisão por cabo, temos vários carros parados na garagem e não temos meios para os manter. Mesmo querendo livrar-nos deles não há quem os compre. Estamos todos amarrados a este progresso.

BOM DIA, GENTE DE ESPERANÇA...

ANOS 13 DE PERDIÇÃO...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A BURLA DO TELEFONE

(Imagem da Web)


 Maria Ferreira mora do outro lado do rio onde, segundo a lenda, a Rainha Santa teria percorrido veredas e sendas para fugir aos olhares perscrutadores de Dom Dinis e assim poder alimentar os muitos pobres que lhe bateriam à porta do seu abastado convento. Maria tem 77 anos. Sobre a presença omnipotente do telefone fixo, que serve para comunicar com algumas amigas e é um instrumento fundamental na sua ligação com o exterior, a televisão marca também o seu espaço na sua casa de aconchego. Como quase todas as pessoas da sua vetusta idade, o percurso dos dias é passado entre as várias telenovelas, que lhe fazem companhia e alimentam a alma, e um croché que, como vício empedernido e apesar da vista já não ser o que era, teima em não a largar.
Há cerca de um mês recebeu uma ligação telefónica: “boa tarde! Como a senhora é nossa cliente fiel há mais de vinte anos no telefone, temos o prazer de a informar de que foi contemplada com um Vale Postal de 200 euros. Se, por acaso, a chamada cair faça o favor de ligar para o seguinte número… Tem aí uma esferográfica? Então aponte, se faz favor. Telefone à vontade que a chamada é grátis”. Entretanto a ligação caiu. Maria fez o que lhe foi recomendado pela voz masculina, mas teve o cuidado de interrogar: “diga-me, senhor, eu não vou pagar mesmo nada? De certeza? Posso confiar?”. E a voz adocicada respondeu: “ó dona Maria, por favor! Claro que não vai pagar nada. Pelo contrário, por ser uma cliente fiel, vai receber um prémio de 200 euros dentro de duas a três semanas”. E Maria Ferreira confiou. Confrontada com perguntas fúteis e de cacaracá foi descarregando o espírito. Afinal o homem era tão simpático! Quando estava prestes a desligar a voz de assédio falava-lhe da vida complicada dos reformados e o quanto este Governo está a tornar a sua existência difícil. E lá foi prolongando a conversa, e assim se manteve, durante cerca de vinte minutos.
As semanas foram passando, e, do referido prémio anunciado, nada. Até que veio a factura mensal da Portugal Telecom e Maria apanhou um grande susto: “chamada de valor acrescentado, 20 minutos, 35 euros.”
Valeu-lhe ter desabafado com a Madalena Martins, a “Lena do Quiosque Espírito Santo”, junto ao Café Santa Cruz. Como já alertou tantas velhinhas para este tipo de burlas que até já lhe perdeu a conta, mais uma vez, encaminhou Maria Ferreira para a Portugal Telecom, na Loja do Cidadão. Aqui, perante a reclamação, os serviços desta empresa barraram o número indicado e descontaram a chamada de valor acrescentado.

BOM DIA, GENTE DE ESPERANÇA...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE... E UM CONVITE




Coimbra na Bagagem Coimbra deixou um novo comentário na sua mensagem ""COIMBRA NA BAGAGEM"":

Boa tarde,

A loja “Coimbra na Bagagem” está a completar um ano de existência e não podíamos deixar de convidar o Sr. Luís Fernandes para festejar connosco a feliz situação. Ajudou-nos a impulsionar o "nascer" deste espaço com a publicação de um comentário no seu blogue. Queremos agradecer-lhe o apoio, carinho, trabalho e dedicação pela Baixa de Coimbra!
Muito Obrigado pela sua atenção!!!
Isabel


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NOTA DO EDITOR

 Muito obrigada pelas suas generosas palavras e pelo convite, Isabel. O melhor abraço que posso receber é saber que, mesmo dentro deste furacão que nos arrasa a todos, felizmente a "Coimbra na Bagagem" continua de pedra e cal e a enviar para todo o mundo lembranças da nossa cidade. Bem-haja e muitas felicidades.

A NOTÍCIA AQUI TÃO PERTO





A NOTÍCIA DO DESASSOSSEGO

 Não é a primeira vez que escrevo que gosto muito do Diário de Coimbra (DC). Tenho várias razões que não irei aqui dissecar. No entanto, tal como já tenho feito em vezes anteriores, essa ternura, essa aproximação, por uma questão de seriedade comigo e com quem faz o favor de ler o que escrevo, não impede que deixe de sublinhar alguns erros cometidos. Claro que se pode sempre interrogar: "e quem és tu para fazeres reparos ao segundo mais antigo jornal da cidade?". A isso respondo que do ponto de vista profissional, de jornalismo, e social sou insignificante, mas já do alcance antropológico, como ente, como cidadão, como assinante, que vive na cidade, sou significante. Por isso, sobretudo por ser pessoa, tenho opinião.
Isto tudo para dizer que não se pode conceber que o DC, uma escola de jornalismo, uma instituição, durante dois dias seguidos faça título com o mesmo assunto. Sobretudo quando versa a violência, o crime, o assassínio. É certo que do ponto de vista comercial está certo. Afinal a capa do jornal é a sua montra. Mas um periódico não é exactamente uma loja comercial. A sua responsabilidade colectiva e social vai muito mais além. Acima de tudo porque é um instrumento de influência para o cosmos, que é a cidade e o seu meio envolvente. Ora o jornal ao usar o mesmo assunto em título de "caixa alta", durante dois dias seguidos, está a promover a inquietação, o desassossego. Quanto ao primeiro dia nada há a dizer. Aconteceu e o diário noticiou. Bem sei que é apenas um critério, mas o facto de a idosa ter sido assassinada com 14 tiros será motivo para anúncio repetido? Este título poderia ter sido apenas a escolha possível entre outros menos apelativos, porém, a meu ver, o jornal prestou um mau serviço à comunidade. Estou a exagerar? Por que é uma pertinência possível. Pode ser, mas ouvi hoje, aqui na Baixa, várias pessoas, sobretudo idosas, a comentarem o elevado índice de criminalidade na cidade. Ou seja, esta informação em duplicado na primeira página vai contribuir para as tornar mais inseguras e menos felizes. E um jornal, mesmo respeitando o seu primado, que é informar, deve também formar e contribuir para a felicidade da sociedade. Estarei certo ou estarei errado?

PLANO DE ACTIVIDADES PARA OS BOMBEIROS



CAROS SÓCIOS,

 Os actuais corpos sociais desta Associação Humanitária acabam de concluir dois dos três anos de mandato para que, nos termos estatutários, foram eleitos e cujo programa de acção, se relembra, considerou três eixos fundamentais de actuação: I - Sustentabilidade Institucional; II - Garantia de Operacionalidade do Corpo de bombeiros; III – Envolvimento e
Participação na Vida da Cidade.

Não sendo, obviamente, ainda o tempo da avaliação do mandato - o que faremos clara e circunstancialmente quando o concluirmos, para que a equipa dirigente que vier a seguir conheça e se prepare devidamente para os desafios a que terá de responder -, entendo, no momento em que estamos a elaborar o Plano de Actividades para 2013, último ano do nosso exercício, solicitar aos Sócios um momento de reflexão e, consequentemente, sugestões e propostas que considerem importantes virem a ser realizadas no próximo ano.

Há, como se compreende, questões de natureza legal e de contexto interno que condicionarão, porventura, algumas dessas propostas mas é bom, é salutar, ouvir a opinião livre dos sócios e tentar perceber a visão que têm duma instituição secular de que são associados e, sobretudo, daquilo que pensam ela deveria ser e como deveria ser em 2013, à luz dos seus objectivos e no contexto económico e social que vivemos.

Igualmente importante é perceber o que ainda esperam da actual Direcção, daquilo que ela deverá fazer de diferente e, sobretudo, daquilo que deverá fazer melhor neste último ano de mandato.

Peço, por isso, a todos os Sócios que façam chegar pelo e-mail joao.silva@bvcoimbra.org as suas sugestões, propostas, criticas e comentários, até ao próximo dia 1 de Dezembro, como contributo para o Plano de Actividades de 2013 da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Coimbra.

A todos, desde já, o muito obrigado pela atenção e colaboração. 
João Silva
Presidente da Direcção

MAIS SÓCIOS, MAIS FUTURO!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

LEIA O DESPERTAR...



LEIA AQUI O DESPERTAR DESTA SEMANA 

Para além  do texto "O VIÚVO QUE QUEBROU A REGRA", deixo também as crónicas "ATO DE CONTRIÇÃO"; e "REFLEXÃO: A IMPORTÂNCIA DAS  PALAVRAS"



O VIÚVO QUE QUEBROU A REGRA

 Aquele homem alto, garboso e de personalidade bem vincada nem parece o mesmo. Apesar dos seus oitenta anos, até há um ano atrás parecia um pinheiro ereto e pronto a enfrentar todas as ameaças possíveis e impossíveis que invadissem a mata de pináceos. Agora, na sua loja, numa rua estreita da cidade, arrasta-se de ombros caídos, como se crescessem ombreiras e faltasse corpo, olheiras negras e olhos vermelhos, como se o chorar copiosamente passasse da exceção à regra, e face macilenta cor de defunto.
A sua esposa morreu há cerca de um ano atrás. Foi o fim de uma relação de seis décadas a dois. Foi o epílogo de uma história de amor muito feliz. Nada a substitui, tudo a faz lembrar, nada a traz de volta. O tempo, no seu correr de rotineira loucura, é implacável e, perseguindo sabe-se lá o quê, não olha a meios, à dor e ao sofrimento, para atingir os fins, derradeiro e último dia do calendário existencial de cada um que vai tombando.
Quando lhe pergunto como vai andando, as lágrimas, como se estivessem presas por fios invisíveis e prontos a ceder pelo cansaço, irrompem pelo rosto abaixo, como chuva repentina de verão em terra sequiosa. “Vou mal. Muito mal! Foram sessenta anos de vida em comum. Entende? Durante o dia, como estou ocupado, até vou aguentando. O pior é à noite. O vazio do silêncio ser quebrado pelo barulho impercetível de um móvel, na madeira a ceder em “traque” de estalido, e olhar, ansiosamente, pensando que ela está ali. Mas não está. O espaço visual continua desabitado. Só eu e os objetos em redor teimamos em lembrar a sua memória. Levanto os olhos para a fotografia que me enche o coração e ela, fixamente, olha para mim, como se a interrogar da razão deste quebrar de regra. Porque não fui eu primeiro? Porque fiquei eu a penar neste padecimento indescritível? E quando vou para a cama e dou por mim a estender o braço, num abraço esvaziado, e o recolho lentamente tomando consciência do meu hábito repetido de décadas? Ali está o cheiro dela, o odor materializado que tenho sempre presente nas minhas narinas e que nunca esqueço. Só quem passa por esta amargura sabe e sente a tristeza que me envolve o coração. Tanto trabalhei, noite e dia, desalmadamente em busca de um futuro melhor. Hoje, de bom grado, daria tudo, toda a minha riqueza e até a minha vida, para a ter de volta. Estranho esta forma de viver. Não acha?
Tal como você diz, bem sei que me deveria afastar de todas as recordações que me transportam ao reavivar do sofrimento. Mas, e conseguir? Como posso eu deixar de a visitar duas vezes por semana no cemitério? Talvez você não entenda, mas ali, envolvida pela terra, eu sei que ela está lá fisicamente… ou o que resta dela. Da minha querida. Do meu amor! Você consegue imaginar a mágoa que sinto aqui no peito? Não consegue! Este pesar há-de ir comigo para a cova, qualquer dia, em que finalmente nos iremos reencontrar. Acredita que chego a pensar nisso e desejar a morte? Só agora sei que ela era o sustentáculo da minha vida, o vento que tocava as velas do frémito da minha existência. Se calhar é tarde para o reconhecer, o que lhe parece? Sempre me tive na conta de homem insensível à dor e que não chorava. Veja bem no que me transformei: numa criança que lacrimeja por tudo e por nada. Nada me satisfaz. Já nada me dá prazer viver. Não precisa de me dizer que estou deprimido eu sei… aliás, o psicólogo que me acompanha diz exatamente isso mesmo. Mas que quer? Eu perdi uma parte de mim. A minha segunda alma!”


REFLEXÃO: A IMPORTÂNCIA DAS PALAVRAS

 Há largos meses que colaboro com este mais antigo semanário da cidade, “O Despertar”. Para quem não for leitor habitual, trata-se de uma folha semanal com o título “Página da Baixa”. Está a ser uma experiência fantástica e que, salvo pequenos percalços de caminho, me dá um gozo extraordinário. Escrevo há mais de 30 anos gratuitamente para jornais e não é a primeira colaboração que exerço. Simplesmente na cooperação que tive com outros periódicos nunca me senti acarinhado, antes pelo contrário. A sensação que tive sempre é que parecia que me estavam a fazer um favor ao publicarem os meus escritos. Por exemplo, durante cerca de três anos, escrevi para um jornal da Mealhada, de onde sou natural, uma série de crónicas intituladas “Histórias da minha aldeia”, que retratavam toda a ambiência dos anos de 1950 para a frente no meu lugarejo recôndito. Nunca recebi um telefonema a manifestar contentamento ou aconselhar outra forma de apresentar o trabalho. Passaram Natais e Fins de ano e nem um postal de boas festas me alegrou na volta do correio. Este apoio terminou quando enviei uma crónica dividida em três partes; foi publicada a primeira e, com o tempo de dois meses a correr, as seguintes não viram mais a luz. Quando interpelei o diretor do periódico em causa respondeu que se esquecera e pensou que eu não enviara os textos. Ora, estava de ver, que, perante este desleixo, falta de comunicação e estima, tinha de terminar ali mesmo. Curiosamente, esta relação já finalizou há mais de um ano e ainda hoje, quando vou à minha zona, as pessoas que me conhecem vêm ter comigo a dar-me os parabéns pelas histórias de vidas que lá contava e muitos se identificavam totalmente. Alguns, que nem conhecia, chegaram a vir ter comigo a Coimbra para me cumprimentarem. Estranho, mas é verdade.
No caso de O Despertar é completamente antagónico. Sinto-me completamente apoiado pela direção do jornal; todas as semanas falamos; antes de ser publicada a minha página recebo sempre a prova para correção de “gralhas. Confesso, não estava habituado a ser considerado assim.
Antes de prosseguir, gostaria de salientar a diferença de leitores. No primeiro caso, no jornal da Mealhada, falamos de um universo maioritariamente de gente simples, de aldeias em torno do Luso e arredores, e no segundo caso, neste d’O Despertar, penso, abrangerá um mundo mais intelectual, de uma cidade cosmopolita, embora de “fiéis companheiros de jornada”, no sentido de que provavelmente é a ternura, o amor, destes assinantes que os mantém presos a um jornal de quase um século.
E, aqui na Baixa, por parte do público? Perante o que escrevo como é que se manifestam? Pois, essa é a questão. Raramente exteriorizam o que lhes vai na alma e quando o fazem é para sublinhar os pequenos lapsos. “Coisinhas”, minudências sem significado. Mais à frente vou dar exemplos. Até há cerca de três meses andei a escrever a história dos estabelecimentos comerciais/versus proprietários. Perdia um tempo imenso para ouvir o comerciante. Ia lá uma vez, não dava, depois outra e mais outra. Escrevi imensas. Pois acredite, que me lembre, nem um só veio ter comigo e mostrar o seu agrado ou desagrado. Claro que se poderá sempre advogar que foram mal escritas e descritas, mas, puxando da minha imodéstia, não foi o caso. Tratou-se apenas de um sentimento comum, que é o “fechar na concha”. Isto é, no pensar deles, “escreveste, está escrito e até te fiz um favor para encher a página do jornal”. Ou seja, em silogismo, ainda lhes estou a dever alguma coisa. Acerca dessas histórias, o único sinal que recebi de um retratado foi vir ter comigo para me dizer que havia lá um engano na narração: “80 mil contos eram 400 mil euros e não 200 mil como eu escrevi”. Em analogia, parece que estas pessoas estão apenas fixadas no erro plasmado e pouco na história em si.
A semana passada escrevi um texto n’O Despertar, pretensamente de intervenção política, com o título “A Baixa vai para a cama com as galinhas”. Foi uma crónica vivida por mim, uns dias antes, aqui na Baixa onde às 21h30, sem gente, os estabelecimentos estavam a encerrar. Em determinado ponto do texto falei de um restaurante que frequento e onde, nessa noite, fui beber café. Para além do nome, tratei o empregado por gerente –até há uma vintena de anos “gerente” era um funcionário comum que, sem se poder obrigar legalmente, representava o patrão na sua ausência. Porque realmente, pelo seu à vontade, estava convencido que o era mesmo. Enfim, intuições bacocas que cada um de nós infere sem racionalidade. Pois, logo de manhã, mal saiu o jornal, recebi um telefonema da proprietária completamente indignada: “olhe lá, o senhor não poderia escrever que o (…) era gerente. O senhor não tem esse direito! Ele é simplesmente funcionário! O que vão pensar os meus clientes?!”


ATO DE CONTRIÇÃO

 Há pouco mais de um mês desabafava com os leitores o meu continuado estado de senilidade avançada. Nessa altura manifestava a esperança de recuperação. Tenho de confessar que estou muito pior. Diariamente, perante tantos tropeções na gramática, dou por mim em frente ao espelho em introspecto solilóquio, em monólogo comigo mesmo, ai, Toino, Toino! Quem te viu e que te vê! Já foste um gato e agora não passas de um “molengão”, escancarado e esquecido, que “nem lá vais nem fazes nada”.
Os lapsos sucedem-se em catadupa. Desta vez, na edição anterior, de uma assentada foram dois. O primeiro, como um vulgar ladrãozito de esquina, furtei ao senhor Costa, da Ourivesaria com o mesmo nome, 12 anos. Ele que já passou por 81 primaveras foi apresentado por mim com 69. Foi grave? Felizmente que não, mas poderia ter sido. Imaginemos que este reputado lobo do comércio tomava mesmo a sério a minha alteração proposta e vinha para a rua de braços no ar a gritar de contentamento: “estou mais novo! Estou mais novo!”. Ou sei lá, no limite, o cirurgião plástico Ibérico Nogueira me vinha pedir contas por concorrência desleal?
O segundo, sem mais nem menos, arvorado em notário, nomeei o senhor Mário, do Café “A Brasileira”, gerente. Foi grave? Felizmente, não. Tive sorte, mais uma vez, está de ver! Imaginemos que ele, sendo um simples funcionário, tomado da convicção por mim exarada em ata de jornal, lhe dava para começar a passar cheques a torto e a direito? Pois é! Às vezes quem escreve não mede bem o peso das palavras e depois dá no que dá. Razão tem o Rui Rio em culpar a imprensa de todo o mal que acontece neste mundo. São uns boateiros, a começar por mim, é óbvio.
Bom, vamos lá acertar contas com os desconsiderados. Ao senhor Costa fica a saber que a sua idade, de facto, é mesmo 81 anos; ao senhor Mário fica também aqui escrito que lhe retiro a anterior promoção e passa novamente a empregado comum; ao café restaurante “A Brasileira” gostava de prometer que não vou cometer erros novamente, mas parece-me que vale mais eu não dizer nada. Estou cada mais debilitado! A todos as minhas desculpas.


EDITORIAL: UMA CIDADE FORMADA POR TRÊS ILHAS



 A APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, em comunicado, hoje, vem insurgir-se contra o facto continuado da autarquia, ou melhor os seus quadros, não informar antecipadamente dos seus planos em relação à Baixa, sobretudo em questões afectas à zona comercial. As câmaras municipais, embora com sedes físicas, são “ontologicamente” formadas por pessoas. No entanto, pela sua responsabilidade metafísica projectada no Estado -se bem que com a sua bem clara autonomia- mais parecem entidades abstractas e, até no comportamento, facilmente se confundem com o seu patrono. E no procedimento é de tal modo a similitude relacional entre executivo e munícipe que, tal como entre Estado e cidadão, não se nota nenhuma diferença.
Antes de prosseguir convém lembrar que o municipalismo, com todos os seus defeitos, foi muito importante para o desenvolvimento social, político e territorial. É importante também recordar que a génese deste nascimento assentou na descentralização do poder uno e concentrado na capital, passando a assentar numa delegação de competências, visando a prossecução eficiente de uma maior distribuição de recursos na proximidade das populações. Repetindo, durante décadas e após a sua implantação no após 25 de Abril, este movimento foi deveras o primado da política. Com o tempo, e a meu ver, há cerca de 20 anos, combinado entre vários factores, iniciou-se a sua fase decadente. Hoje o poder municipal está transformado numa máquina insensível, autista, distante dos cidadãos, e incapaz de responder ou resolver os problemas mais prementes das pessoas e contrariando completamente o objectivo para que foi criado –basta aflorar o conflito lactente entre o comércio tradicional versus licenciamento de grandes superfícies, que está a levar ao empobrecimento dos primeiros, e moradores versus bares abertos até de madrugada, pelo consequente ruído que obstaculiza o legítimo direito ao descanso.
Curiosamente, na terça-feira e ontem realizaram-se duas tertúlias no Café Santa Cruz em que, de um modo generalista, foi discutida a relação entre o “civitas”, o usufrutuário da cidade, e as suas duas estruturas de poder: a Universidade e a Câmara Municipal. Uma com o poder do conhecimento e outra com poder político decisório. A reunião de terça esteve a cargo do Lions Clube de Coimbra, e tinha por tema “aproximar a Universidade da cidade”, a de quarta, ontem, foi organizada pela Orquestra Clássica do Centro e, embora com tema a surgir em conversa corrente, discutiu-se também a relação entre a urbe e a Universidade, enquanto posição majestática, erecta e arrogante na cidade. Contou com a presença de, João Gabriel Silva, magnífico reitor, Barbosa de Melo, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, e Gonçalo Quadros, “chairman” da Critical Software.
Embora com a sala a “meio-gás” de interessados, para mim, foi das melhores tertúlias realizadas nos últimos tempos. Muito participada pela assistência e bem intervencionada por Gonçalo Quadros, que na pele de empresário “provocou” os dois representantes presentes no painel, respectivamente, o reitor e presidente da Câmara, todos souberam defender a sua dama. O que gostaria de relevar é que, quer pelo chefe da edilidade, quer pelo reitor, ambos estão de acordo que, apesar de se continuar a tentar e muito já se fizesse, algo mais terá de ser feito para unir a cidade, constituída pelos munícipes, em torno dos dois poderes e fazer dela uma verdadeira universidade centrada num só núcleo. Também lá foi dito que a tensão sentida entre a “torre” e a Baixa, enquanto dormitório e lar de uma classe trabalhadora nos diversos sectores económicos, não é nova: Trindade Coelho, no seu livro de 1902 “In nillo Tempore”, retrata muito bem esse enervamento ao longo do segundo quartel do século XIX. O que é recente é mesmo este apartamento entre o povo e a sua Câmara Municipal. O completo desligamento sobre as decisões políticas que o vão afectar no futuro, mas, mesmo assim, não quer saber. Só para exemplificar, estando ontem ali presente o timoneiro do executivo, Barbosa de Melo, e sabendo todos o que se está a passar no comércio e na indústria hoteleira, seria de supor uma grande afluência por parte destes operadores. Estiveram muitos? Apenas dois comerciantes e dois hoteleiros.
Perante este abandonar o combate, atirando a toalha ao chão, e deixar de questionar o poder político é de admirar que a edilidade trate assim a APBC? É óbvio que não. Este desprezo, manifestado por políticos eleitos e enredados na mesma filosofia comportamental de entrosamento em funcionários, é o resultado directo da pouca exigência. O poder age assim, friamente, porque não se sente confrontado com a crítica. Faça assim ou o contrário, para eles interventores na polis, o resultado é sempre o mesmo. Por que hão-de ser diferentes se o seu lugar, aparentemente, está garantido? Até quando? É certo que não se sabe. Mas, no pensar deles, enquanto durar é uma deleitação sádica poder calcar esta “gentinha”.

UM COMUNICADO DA APBC




Caro Colega,

 A Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, antecipando o sucedido no ano anterior, solicitou a 7 de Novembro uma reunião com a entidade responsável pela instalação das iluminações de Natal. Pretendíamos portante ser ouvidos e alertar para a importância de uma distribuição equitativa das iluminações de Natal, pela Baixa de Coimbra entendida como e zona englobante de uma diversidade de ruas que não se esgotam apenas no eixo central Praça 8 de Maio – R. Visconde da Luz – R. Ferreira Borges – Largo da Portagem.
Infelizmente só a 19 de Novembro e após intervenção do Vice-Presidente da APBC, que através de contato telefónico questionou a falta de iluminação em diversas ruas nomeadamente na Rua da Sofia, chega à agência a resposta ao nosso pedido com a afirmação de que no momento a iluminação já havia sido adjudicada e a sua colocação, nos locais selecionados para a Baixa de Coimbra, já estava concluída.
Assim gostaríamos de perante todos os comerciantes manifestar o nosso profundo desagrado, por toda esta situação, lamentando que a nossa opinião não seja sequer ouvida e que umas ruas da Baixa de Coimbra sejam preteridas em relação a outras, nomeadamente a Rua da Sofia que este ano, mais uma vez, não teve direito a qualquer tipo de iluminação.
Atenciosamente,

A Direção da APBC


APBC - Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra
Rua João de Ruão, 12 Arnado Business Center, piso 1, sala 3
3 000-229 Coimbra
Tel. 239 842 164  Fax. 239 840 242
apbcoimbra@gmail.com
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TEXTO RELACIONADO



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

UMA TERTÚLIA DO LIONS

(Foto de arquivo)

 Ontem, à noite, no café Santa Cruz, perante uma sala quase cheia, houve mais uma tertúlia do Lions Clube de Coimbra sobre o lema “Vamos falar sobre a Coimbra actual –ciclo de tertúlias de Outono na Baixa de Coimbra. O tema era “Cidade-ensino Superior unidos na construção do futuro de Coimbra.”
Numa tentativa de descentralizar, rentabilizar e tentar tirar mais partido destas reuniões, desta vez apresentou-se com novo formato. Tratou-se de apresentar 18 personalidades convidadas, de áreas diferenciadas, para, sinteticamente, apresentarem o seu pensamento sobre o tema em três minutos apenas. Findo este tempo, os moderador, Fernando Regateiro e Hélder Rodrigues, interrompiam sub-repticiamente o orador. Foram convidados, por ordem alfabética, Ricardo Morgado, presidente da Associação Académica de Coimbra, Armindo Gaspar, comerciante e presidente da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, Carlos Cidade, vereador da oposição no executivo da Câmara Municipal de Coimbra, Carlos Clemente, presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu, Clara Almeida Santos, vice-reitora da Universidade de Coimbra, Luís Lavrador, chefe de Cozinha e ligado à Escola de Hotelaria, Daniel de Campos, presidente da ADAC, Associação de Defesa da Alta de Coimbra, Fernando Regateiro, professor universitário, Francisco Andrade, presidente da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais, José Belo, vereador da Coligação por Coimbra na Câmara Municipal, Lúcio Borges, empresário de hotelaria, Luís Quintans, comerciante, Pedro Costa, presidente do ISCAC, Instituto superior de Contabilidade e Administração de Coimbra, Manuel Rocha, presidente do Conservatório de Coimbra, Miguel Matias, empresário, Pinto dos Santos, presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz, Sidónio Simões, Director do Gabinete para o Centro Histórico, e Vitor Marques, gerente do Café Santa Cruz.
Também a boa música instrumental marcou presença, a cargo de dois bons executantes. Daniel Tapadinhas e Ismael. Dos que não marcaram presença, mais uma vez, foram os operadores comerciais da Baixa, comerciantes e hoteleiros, que, retirando os convidados, pelos vistos, continuam a marimbar-se para o que ali se fala e trata.
Cada tribuno apresentou as suas ideias. A maioria levava uma folha escrita o que tornou massudo e algo impessoal a tertúlia. À medida que cada um era chamado ao micro, era notória uma tensão crescente pelo facto de ser apresentado em frente de todos. Aquela exposição, em analogia, era como se tratasse de uma prova oral –para quem não levou um texto escrito. Para quem levou, como estava preocupado com os três minutos, ora passava por cima de frases, ora não se entendia o que dizia.
Salvo melhor opinião, e apesar deste novo formato pretender o melhor para este tipo de reuniões, este novo modelo não convenceu. Faltou espontaneidade aos arguentes, que lhe era retirada pelo facto de estarem apenas concentrados na leitura. Estes encontros pretendem-se vivos, mesmo que, de entre a assistência, possa surgir um cromo –como eu, por exemplo- e possa não cumprir as regras de protocolo, como já aconteceu em anteriores sessões. São essas pequenas passagens que quebram a rotina, fazem vibrar a assistência, e tornam estes eventos menos herméticos e estandardizados.
Volto a repetir, e sem favor nenhum, a intenção de mudança foi a melhor. Não resultou? Paciência! Mas sem esta prova não teria sido possível aferir o rendimento. Só pela coragem de tentar, uma salva de palmas para Hélder Rodrigues, o coordenador do Lions Clube de Coimbra.