quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O VÍDEO DO DIA...

ANO NOVO






Logo, lá para a meia-noite,
há-de de ser castigo marrano,
como se fosse um açoite,
vou levar com um Novo Ano;
Mas eu não posso aceitar,
que me imponham condição,
sei lá o que me vão empurrar,
às tantas será ano poltrão;
Tenham paciência, quero escolher,
se todos querem, eu detesto,
ai!, palavra, prefiro morrer
do que aceitá-lo sem protesto;
Isto é tudo menos Democracia,
aliás, é pior, é ditadura pura,
sei lá, se calhar, é mesmo teocracia,
é a mão de Deus na fechadura;
Eu quero um ano cheio de esperança,
sem ódio, ressentimento ou temor,
justiça justa, sem dama cega na balança,
olhos encantados com brilho de amor;
Não quero guerra, contribuirei para paz,
aos meus inimigos darei um abraço,
a quem me inveja, direi que tanto faz,
façam de tudo, sobretudo como eu faço;
A quem insultei, tem de me desculpar,
sou tão tonto que quase nem me apego,
a quem roubei, vai ter de me perdoar,
a vida é curta, sem tempo para ódio cego;
Pensando melhor, vou entrar no novo ano,
quero lá saber de tantos sonhos que sonhei,
das pessoas queridas que me causaram dano,
dos castelos de areia que nunca acabei;
Ainda bem que, o que vem, não é escolhido,
se o fosse, era mais uma guerra sangrenta,
seria mais um ocaso, um tempo perdido,
um crepúsculo, na espectativa de água-benta.



VENDO OU TROCO...







Algumas pessoas não saberão mas eu comercializo arte. Claro que dizer que vendo e compro arte será a mesma coisa que dizer que mercantilizo ferro-velho, pedras do chão, ou objectos deixados junto ao contentor. Porque “arte” é tudo o que nos rodeia e impregna os cinco elementos. Existe arte na madeira, no fogo, na terra, no metal e até na água.
“Arte” será até no mínimo o brilho intenso do nosso olhar. Ora, por conseguinte, a arte está em todo o lado, o problema é descobri-la. Mas isso, já não está ao alcance de qualquer um. Quem vê “arte” é como um "desenterrador" de talentos. É ver aquilo que a generalidade de pessoas não descortina. Isto, deslumbrando as coisas pelo lado “resaliente” que toda a gente vê. Visto do outro lado oculto, pode dizer-se que todo aquele que venda arte é, no fundo, um vendedor de sonhos, um alienado, um obcecado, um manipulador, tratado por miúdos, um especulador. Naquilo que, aparentemente, não tem ou esgotou a sua utilidade, nós fazemos renascer esse interesse perdido. É graças ao nosso interesse visionário que muitos objectos do passado se mantém, como testemunho, para os vindouros tomarem contacto com uma realidade material.
Eu, tal como os meus colegas, sou um pouco de tudo isso. E porque venho eu com esta lengalenga? –parece que estou a ler os seus pensamentos, este quinto sentido da presciência também existe em nós. Olhe, porque estou de mudança. Hoje, mais propriamente logo à meia-noite, vou mudar-me –já estou a vê-lo interrogar-se, “oh…oh…porquê?”. Porque sim, pronto! Estou farto deste ano, só me deu chatices, não me deu aquele prémiozito de Lotaria ou no Totoloto que eu estava a contar. Para além disso, já começa a fazer uns ruídos de fundo esquisitos, assim como se tivesse os rolamentos gripados. Para mim, esgotou a validade. Até porque, entendam, um vendedor de arte como eu (talentoso, modéstia à parte), por muito que seja nostálgico e um pouco conservador, todos os anos, por esta altura, deve mudar de ano. Já viram se não fosse assim? Bolas, nem quero pensar! Acho que me chamavam logo Salazarento e outras coisas terminadas em “ento”, como bolorento, cinzento e sei lá mais o quê.
Bom, isto para dizer o quê? Que tenho um ano passado para vender ou trocar. Quer dizer, verdadeiramente, preferia vender. É que se for trocar, às tantas ainda me calha um igual ou pior do que este. Porque este –que eu quero vender- nem é nada mau, palavra de honra. É certo que tem umas coisitas menos boas -mas foi mesmo só para mim, pouca coisa é claro!-, mas a maioria é tudo bom. Sério. Acreditem em mim. Por exemplo, por cá, teve três eleições –lembram-se de algum ano assim? Deu os “Gatos Fedorentos” no “esmiúça os sufrágios”, que nunca mais acaba, aquilo é uma fonte a jorrar publicidade na SIC; fez renascer o Santana Lopes como Fénix. Ainda “habemus Papa” outra vez, como quem diz, ainda havemos de levar com ele outra vez à frente do PSD; O advogado Castanheira Barros lá continua na peregrinação das assinaturas para líder do partido; Continuamos com o Manuel Alegre a dizer “segurem-me, se não avanço para Belém”; os partidos todos, da direita à esquerda, desde o CDS/PP até ao PCP, continuam a chamar à atenção para o drama social e económico e todos a pedirem (a Deus) protecção para as PME’s; mesmo com o elevado desemprego no País, continuamos a comprar, comprar; cá por Coimbra, vamos continuando a evitar a queima de resíduos perigosos na Cimpor, em Souselas, e continuamos a querer mandar o lixo para os nossos vizinhos. Somos boa gente, está de ver!
Lá fora, na “estranja”, apesar do cai, não cai das bolsas, a coisa até nem correu mal de todo. Foi eleito para presidente dos “states” um afro-americano; a China e a Índia, apesar da crise mundial, continuam a crescer quase nos dois dígitos, a rebentarem com a economia europeia, e todos continuamos impávidos e serenos, assim muito “cool”, estão a acompanhar o meu raciocínio?
Foi ou não foi um ano bonzito? Claro que foi. Continuamos tesos mas alegres. Sempre atrás do “carp diem”. Assim é que é, como quem diz, assim é que somos! Tudo bons rapazes, nada de stress! Tudo numa nice!
Portanto, vamos lá, então, acertar o negócio: quanto é que me dão pelo 2009? Deixo a coisa assim pendurada, para não estar a criar base de licitação. Vendo pelo melhor preço. Mas atenção, só aceito propostas até à meia-noite…

O JORGE DESEJA...




Desejo um feliz ano de 2010,
365 dias de felicidade,
52 semanas de saúde e prosperidade,
12 meses de amor e carinho,
8760 horas de paz e harmonia,
Que neste novo ano tenhas 2010 motivos para sorrir...


Atenciosamente
Jorge Neves

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O VÍDEO DO DIA...

O FILME DA SEMANA...



Em Outubro, depois de passar por ventos e ciclones, como quem diz, quase que me fizeram comer lume, fiz várias reclamações, contra a ZON TV Cabo pela má prestação de serviço. "Ospois", cheguei, então, vejam bem, hoje recebi uma carta com o seguinte teor:


“Após uma cuidada análise da situação exposta, informamos que a fim de regularizar a facturação pelo período de indisponibilidade do serviço ZON Net Cabo, efectuámos um crédito no valor total de 12,90 Euros, o qual se encontra visível na factura de Dezembro/09.

Informamos ainda que a rescisão contratual solicitada foi efectuada com efeitos a partir do dia 30 de Outubro de 2009.


A título adicional, informamos que procedemos ao reembolso do valor acredito (19,23 Euros), o qual será remetido por cheque.


A ZON TV Cabo apresenta, pelo sucedido, um pedido de desculpas formal sobre eventuais transtornos que possa ter originado”.

Ai, palavra de honra, estou contente. Com os 19,23 Euros de reembolso vou comprar um revitalizador “Olex” para os meus cabelos. Ai vou pois! É que, depois do que passei com este operador de telecomunicações, fiquei com os cabelos completamente branquinhos. Nem um negro ficou, ao menos para me lembrar que já fui novo. Pronto!, mas isso também não interessa nada. Pediram desculpas, não pediram? E qual é a minha obrigação? Isso mesmo. Perdoar. Só não perdoava se eu nunca errasse. Mas acontece que não sou flor que se cheire, e, apesar destes versículos a fazer de bonzinho, sou capaz das maiores tropelias. Estou sempre a enfiar a pata na poça. Juro que todos os dias me esforço por ser um bom rapaz, mas, chegada a altura, lá estou eu a ser igualzinho àqueles que tanto condeno. Sinceramente, acho que não tenho mesmo ponta por onde se me pegue. Por mais que tente ser diferente, para meu desgosto, sou mesmo igual à maioria. Não me conformo! Eu que tanto me esforço. Bom!, mas também não interessa nada!, como diria a Teresa –aquela da TVI, estão a ver quem é?
Bom, mas vamos lá ao que interessa, eu sei que sou um bom malandro –assim do tipo do Chico, estão a ver?-, isto é, não sou mauzito de todo. Palavra de honra, é uma pena eu ser agnóstico. A minha mulher farta-se de dizer que eu dava um bom cristão, mas, que querem? No melhor pano cai a nódoa…lá está…todos erramos! Então, como eu pago sempre, ou quase sempre, o mal com o bem, vai daí, perante o acto de contrição da ZON, vou passar a, semanalmente, a falar aqui dos filmes que vou ver. Assim uma espécie de crítico de cinema de trazer por casa (como quem diz, por blogue).
Como já me alonguei não vou falar muito do “ÁGORA”, do realizador Alejandro Amenábar. Posso apenas dizer-lhe que é um excelente filme. Vá vê-lo e fique a entender melhor as guerras religiosas do passado e do presente.

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)


Carlos Clemente deixou um novo comentário na sua mensagem "A COLUNA DO JORGE...":




Jorge Neves, tem razão no que escreve. Simplesmente por descuido não refere as iniciativas que a nossa Junta de Freguesia executa. Quero informá-lo que 90% das iniciativas culturais na Freguesia de São Bartolomeu são da responsabilidade da Junta.
Quanto á ACIC, Não consigo lembrar-me de uma. A APBC, sim, ainda promove algumas iniciativas. Quanto á questão dos edifícios é verdade, mas de facto mudar mentalidades, julgo ser difícil. Mas a Junta tem tido uma intervenção forte no que diz respeito às condições pouco dignas de algumas habitações. O problema esbarra no tempo que demoram as decisões das vistorias da C.M.C. Este departamento é como o caracol "Devagar, Devagarinho" e se possível não me incomodes…


Um abraço
Carlos Clemente

UMA MORTE ANUNCIADA (NUM PAÍS DESENVOLVIDO)





O José Manuel Batista foi enterrado ontem em campa rasa. Trabalhava na Sapataria Pessoa, na Rua das Padeiras, nesta cidade. Tinha 47 anos.
Segundo Clara Pessoa, cunhada do José Manuel e sócia do estabelecimento conjuntamente com a esposa do falecido, “o Zé” começou, há cerca de um ano, com comportamentos irregulares. Começou a esquecer-se de quase tudo. Estava a atender um cliente e deslembrava-se do que o cliente queria. Como ele era um bocado calado, admito, no princípio fui um bocado injusta para com ele, mas lá ia eu adivinhar que era doença?
Como a alteração da sua forma de ser começou a ser notória, quando foi inspeccionado pelo médico de trabalho da empresa, a esposa dele, a minha irmã, foi falar com o clínico geral. Perante os queixumes apresentados, entendeu o clínico mandá-lo para o médico de família. Este, perante os sintomas, enviou-o para os HUC, Hospitais da Universidade de Coimbra, para o serviço de Neurologia. Começou a ser acompanhado por uma médica daquele serviço, que é também professora universitária. A minha irmã foi falar com ela acerca da doença do marido. Disse a médica neurologista: “o seu marido tem um grau de infantilidade muito grande!”. O José Manuel foi mandado para casa sem qualquer medicamento.
Em casa, a minha irmã começou a aperceber-se de que ele piorava cada vez mais. Como a médica neurologista faz serviço particular numa conhecida clínica da Baixa fui falar com ela, dizendo-lhe que o meu cunhado não podia continuar assim. Quando lhe tentei explicar, atirou-me logo: “só tenho cinco minutos para falar consigo”. Quando acusei algum desgaste na forma como ele estava a ser acompanhado no hospital, replicou a médica: “eu não me esqueço dos meus doentes e sobretudo dos que são novos…mas diga lá, o que acha nele?”. Um pouco à pressão lá lhe fui explicando da “desmemorização” quase total e da incontinência urinária. Não me deu grande saída.
Quando telefonei a saber do seu estado, há cerca de três semanas, a minha irmã e esposa do “Zé”, disse-me que ele estava com dificuldades na fala, com incontinência urinária e mal andava. Fui lá, chamei os bombeiros e levei-o para os HUC. Na urgência daquele hospital, falava arrastado e tinha dificuldade em abrir os olhos. Tiraram-lhe sangue para análise, fizeram-lhe punção lombar e outros exames.
Passado uma hora e meia, veio um médico neurologista, ainda novo, de trinta e poucos anos, falar comigo. Deu-me impressão que me estava a despachar e que o ia mandar para casa outra vez. Irritei-me, e disse-lhe: o meu cunhado tem de ficar internado. Tem de mandar fazer-lhe um TAC. Respondeu o médico: “lá vem a senhora com essas coisas de mandar fazer um TAC e ressonância. Nós é que sabemos! A senhora sabe quanto custa um TAC ao hospital? A senhora sabe com quem está a falar? Eu sou médico” –disse, um pouco irascível, retirando a placa identificativa do bolso.
Perante a sua atitude um pouco desabrida, perguntei-lhe se queria que lhe tirasse o chapéu. Disse-lhe também que, como não trazia o distintivo na lapela, não adivinhava se era médico ou enfermeiro. Disse-lhe também que não saía dali sem que lhe fizessem um exame de TAC.
Passadas duas horas e meia, veio outra vez o mesmo médico. Dirigiu-se-me friamente: “é um temor! Foi encaminhado para a Neurocirurgia”, disse-me meio “apardalado”.
Entrou no serviço de Neurocirurgia no Domingo, dia 20. Na terça-feira entrou em coma profundo e os médicos levaram-no para o bloco operatório. Foi operado neste dia. Neste serviço foi muito bem acompanhado. O médico, que foi de uma simpatia inexcedível, disse-me: “o seu cunhado tem um tumor maligno. O estado dele é deplorável” –deu a entender que não esperasse nada dali. Nunca recuperou. Na segunda-feira faleceu, enfatiza Clara Pessoa.
Interrogo para saber se vão apresentar uma reclamação nos HUC ou aos serviços de Inspecção do Ministério da Saúde, responde a Clara: “Não vamos apresentar reclamação! Eu fiquei com uma imagem muito má deste hospital, mas, mesmo assim, não vamos fazer nada. Para quê? Ele já morreu! Estou profundamente magoada com a médica neurologista, que não teve sequer a ombridade de dar uma satisfação. Foi muito fria. Ela não foi muito profissional. Teve muitas falhas. Estou muito contra a actuação desta médica neurologista…se é assim que ela está a ensinar os seus alunos na Faculdade de Medicina, o nosso futuro, enquanto doentes, é negro! Ela tinha os números de telefone da minha irmã e nunca teve uma palavra. Nem antes nem depois. O meu cunhado morreria na mesma, mas, pelo menos, poderia ter-lhe prolongado mais a vida”. Depoimento integral de Clara Pessoa, cunhada do falecido José Batista. Os nomes dos médicos envolvidos foram intencionalmente obliterados.

A COLUNA DO JORGE...




Hoje escrevo esta carta...



Hoje escrevo esta carta, para mim, ou seja para ti, que sou “EU”…
Pretendi chegar a mim, quis falar comigo próprio. Para que isso fosse possível, utilizei as plantas, o vento, o sol, e toda a Natureza, na tentativa de que eu me visse, me identificasse, e considerasse o meu próprio reflexo.
Hoje, escrevo esta carta para mim, ou seja para você, que sou “EU”. Hoje, eu que leio esta carta, sei que foi você que a escreveu para si mesmo.
Estou confuso, e procuro respostas, uma das quais está nesta carta que escrevo para mim… que és tu.
A Vida quer que tu te Ames; que acredite em você; que siga o seu Coração; que acredite em mim… a Vida. O Novo Mundo és tu, falando consigo mesmo, criando-se a si mesmo, e a todos à sua volta. Veja como todos -que são vocês- estão perdidos, atrapalhados, confusos, e com medo. Medo do próprio medo, medo deles próprios, de Amor, de Amor a si mesmo, e aos outros que são você.
Vê, tu és a parte do todo, que se está a ouvir, a si mesmo, à Vida. Tu és a parte da Vida que está a despertar. Tu és a parte da Vida que está consciente dela própria; tu és a parte da Vida que está a acreditar na Vida, a sentir a veracidade destas palavras, e a reconhecer o caos como ilusão, o sentimento e o coração como realidade.
Tu tens a capacidade de te auto amares e transformar tudo e todos, porque tu estás a dar hipótese a ti mesmo, a hipótese de ajudar, e de reflectir o Amor que sente por ti.
Sair de um sonho, não é fácil e não é difícil, apenas requer a vontade de o fazer, e tu sabe-lo, tu sente-lo, porque tu és o sonho a se querer tornar realidade…


Jorge Neves
jmfncriativo@gmail.com

A COLUNA DO JORGE...



Clarões de mim

Abrindo espaços, trilho caminhos disseminados,
às vezes perco-me num frenesim desmedido
sinto-me a flutuar vagando entre mundos,
uma incrível sensação se apodera de minh'alma
num gargalhar desenfreado, o silêncio é rompido;

Pensei ter ouvido uma voz, seria a minha?
ouço sons longínquos, parecem segredos...
um bailar contagiante acaricia os meus pés,
sou atraído por uma frincha no tempo,
o que fui, o que sou reflectiu-se no escuro do espelho,

Sabia que encontraria uma parte de mim,
tão ofuscado, esqueceu que podia brilhar,
traguei minha essência, encontrei-me enfim
sou arte, sou luz, sou o pó das estrelas,
cantiga de sonhos e mil olhos a guiar-me.


Jorge Neves
jmfncriativo@gmail.com

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O VÍDEO DO DIA...

UMA IMAGEM...POR ACASO...



Na Baixa está tudo à venda...ou quase tudo. Se não fosse cá por coisas, comprava três ou quatro prédios de uma assentada. Não é por nada, mas, perante tanta oferta, estou com dificuldades em escolher. Palavra! Palavra de honra.  É só mesmo por isso... mais nada. Bom, sendo um pouco mais verdadeiro, também me sinto um pouco indeciso...estão a ver? A economia em baixa...dá para entender? Claro que sim. Juro que é só mesmo por isso que não compro. Ó larilas!...

A COLUNA DO JORGE...



CONTRIBUTO PARA UM MELHOR CENTRO HISTÓRICO

Muito se tem falado sobre o que fazer ao centro histórico de Coimbra para que seja cada vez mais um espaço nobre. Deverá fechar-se ao trânsito e tornar-se zona pedonal? Ou será melhor deixar tudo como está? Uma certeza existe; sem a captação de novos moradores, sem um plano de recuperação abrangente e sem animação será difícil imprimir outra dinâmica ao espaço.
Para devolver o centro histórico aos cidadãos será fundamental a existência de uma série de condições. Estará Coimbra preparada para isso? Segundo alguns arquitectos, falta o principal: a habitação. “Primeiro terão de chegar moradores. Terá de ser feita uma recuperação urbanística com unidade e rigor.” Será necessário conferir “contrapartidas” aos moradores que chegarem. Um exemplo: Existem edifícios que não poderão ter garagem, mas essas pessoas terão de ter acesso a estacionamento. Coimbra tem um centro histórico agradável, mas para que as pessoas frequentem o espaço será necessária a continuação da recuperação dos imensos imóveis que estão degradados. Ainda assim, é de lamentar o facto desta área não ser pensada como potencial zona habitacional, mas apenas como “espaço público”. “O comércio é no rés-do-chão, enquanto que a partir do primeiro andar terá de haver gente a morar. É necessário integrar uma coisa na outra. Para as pessoas andarem pelas ruas da cidade, terão de deixar o carro algures. Coimbra tem parques de estacionamento, mas serão suficientes? E terão preços competitivos? E as lojas que existem são suficientemente cativantes? Os comerciantes das zonas pedonais de Coimbra queixam-se da falta de clientes e atiram a culpa para cima dos grandes centros comerciais de última geração. Sou um defensor acérrimo das compras nas zonas tradicionais em detrimento das grandes superfícies comerciais e acredito que a zona antiga de Coimbra tem “potencial” para ser uma animada e categorizada zona comercial. É a memória maior é a força da cidade. O peso da história cria uma complexidade extremamente interessante. E é melhor passear no centro urbano do que num centro comercial, onde há uma grande série de ruídos extremamente desagradáveis. No entanto, encontra alguns defeitos no centro histórico, além do próprio estado de degradação de grande parte dos edifícios, com a “falta de unidade” do mobiliário urbano da cidade. Entendo, contudo, que já foram dados alguns passos para a dinamização desta zona de antanho, ainda assim, não chega. É necessária a dinamização da área. Os representantes dos comerciantes (ACIC e APBC) de Coimbra têm tido algumas iniciativas, o que mostra que estão atentos, mas pouco... a verdade é que para o renascimento de um centro histórico, além de ser um local aprazível e com animação, são necessárias lojas, cafés, restaurantes de qualidade e locais onde seja possível organizar eventos. A criação de uma marca para o comércio do centro urbano de Coimbra, deveria ser um dos projectos a apresentar por quem de responsabilidade na área, com o finalidade da promoção de actividades de animação e de divulgação do comércio, a manutenção de espaços públicos e certificação de produtos, por exemplo.
Uma zona histórica surpreendente e vibrante é onde as pessoas e não os automóveis circulam. É fundamental devolver as ruas da cidade ao peão, às bicicletas, aos skates. É preciso, no entanto, antes de tudo, fazer um estudo abrangente, porque há ruas, pelas quais passam e estacionam uma grande quantidade de automóveis, que terão de manter o seu papel de vias estruturantes para não pôr em causa o normal escoamento do trânsito na cidade. É necessário jogar com os horários, para permitir cargas e descargas e é fundamental ter oferta de estacionamento. Importante é que o processo seja participado por todos os intervenientes. Relativamente ao edificado, considero necessário haver mais requalificação. Se queremos o centro vibrante é essencial que os edifícios degradados sejam ocupados por comércio, cafés e restaurantes. As iniciativas de animação, tanto públicas como privadas ou mesmo em parceria, são a melhor forma de trazer pessoas às ruas da cidade. Não cabe só à administração pública a organização destes eventos, o espaço público é de todos. Os eventos que têm ocorrido pontualmente no centro histórico, têm tido boa aceitação. É este o caminho a seguir. Espectáculos temáticos, artes plásticas, música, desporto. Tudo são iniciativas válidas para dar vida à cidade. Assim sendo, Coimbra deve apostar em espaços de permanência do peão com conforto, segurança, iluminação e criar cenários que surpreendam quem passa, com uma estátua, um nicho na parede, um pormenor no chão, o que no centro histórico não há.
A aposta num mobiliário urbano coerente, na melhoria e uniformização de esplanadas, toldos, sinalética comercial, seria uma das iniciativas a iniciar a breve prazo. O caminho passa pela cooperação entre comerciantes, moradores, autarquia e associações para criar um modelo de desenvolvimento para o comércio que também passa pela melhoria visual e estética dos espaços. É necessário, pois, alterar hábitos nos horários dos estabelecimentos, na circulação automóvel e estacionamento. No entanto, as lojas não podem estar abertas ao lado de outros edifícios em mau estado de conservação. Deveria ser iniciado o melhoramento do aspecto do centro, as casas até podem estar a cair por dentro, mas as fachadas devem estar minimamente apresentáveis, porque recuperar o edificado vai demorar anos, mas até lá pode-se ter a cidade de cara lavada.
Espero ter contribuído para ajudar a dar vida ao nosso centro histórico, com esta minha abordagem.

Jorge Neves
Independente no Bloco de Esquerda
Assembleia Freguesia São Bartolomeu

A BRASILEIRA VAI REGRESSAR COM NOVO "LIFTING"





É com grande contentamento que anuncio aqui, em primeira-mão, que a “velha” Brasileira vai voltar a ser um centro de convívio diário no Centro Histórico.
Os novos adquirentes são os sócios da Pastelaria Moeda, já com provas dadas na hotelaria da Baixa da cidade. Lúcio Borges, um dos proprietários, deste estabelecimento e um dos grandes mestres pasteleiros do País, um pouco surpreendido pelo meu contacto, lá foi adiantando que “é verdade sim! Mas ainda é cedo para adiantar pormenores. Só agora foi feito o negócio entre nós e o actual arrendatário de pronto-a-vestir. Ainda vai levar muito tempo. Vamos meter obras, e entre a aprovação do projecto e a abertura, provavelmente, só lá para o fim do ano de 2010 teremos portas abertas. Vai ser café, pastelaria e padaria”, confidencia-me o Lúcio.
Quando lhe pergunto se, sabendo que está a ressuscitar a história de uma velha boémia da cidade desaparecida, vai manter um cheirinho do vetusto café “tertuliano”, responde-me: “claro que sim! Como poderia eu esquecer? Eu até gostava que as pessoas que têm coisas da “Brasileira” as devolvessem, ou pelo menos as deixassem consultar, para que nós possamos impregnar este novo estabelecimento com o espírito de tantos intelectuais que por ali deixaram marca”.
Lembro que pela “Brasileira” passaram, nos anos de 1950, os desaparecidos de entre os vivos, o poeta António Aleixo, o escritor açoriano Vitorino Nemésio, os professores catedráticos Paulo Quintela e o Pimpão, o Miguel Torga. Também o felizmente de boa saúde, o resistente anti-fascista Louzã Henriques e outros -pode ler aqui um pouco das vivências desse tempo.
Uma boa notícia para a Baixa. Podem crer! Estamos todos de parabéns, mas sobretudo para o Lúcio Borges, uma grande salva de palmas.

O FIM DOS DIAS DO JOSÉ MANUEL





O José Manuel Sacramento trabalhava na Sapataria Pessoa, na Rua das Padeiras. Não era uma pessoa muito efusiva, mas, nos últimos tempos, tornou-se mais acabrunhado. No pequeno café em frente à sua loja, a Simone, a simpática empregada brasileira, notando que cada vez menos o “sinhô Zé” mandava uma laracha, pensou que a depressão tinha feito mais uma vítima. De vez em quando “sinhô Zé” queixava-se com dores de cabeça, mas lá ia pedir um copo de água e juntamente com uma aspirina lá enxotava a dor maléfica.
Há dois meses para cá as dores aumentaram e José Manuel foi ao Hospital. Segundo o testemunho da Simone, “nem os próprios médicos tiveram noção de que estavam perante um caso grave. Apesar de ser perceptível a perda de peso, certamente os clínicos também pensaram ser alguma depressão. Foi a cunhada Clara, sócia e colega na sapataria, que insistiu para que o “Zé” fosse submetido a um TAC e então foi-lhe diagnosticado um problema grave. Há cerca de uma semana foi submetido a uma cirurgia. Infelizmente o José Sacramento não resistiu”, conta-me a Simone.
Com 47 anos, o José partiu sem se despedir dos amigos da Rua das Padeiras. Esta rua estreita ficou mais pobre. Foi-se embora um de nós.
À família enlutada e plena de dor, resta-nos partilhar com eles este momento sofrido.

UM COMENTÁRIO RECEBIDO/SUGESTÃO


Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "EDITORIAL: DIZER BEM, MESMO QUE MUITO CUSTE A ALGUÉM":




Hoje pelas 13h10, como é habitual, fui beber o meu café de fim de almoço à esplanada da Praça Velha e troquei uns minutos de conversa com o proprietário, como é meu costume, acerca da entrevista do srº Armindo Gaspar da APBC, onde o proprietário se mostrou muito indignado com tal entrevista. Pois há cerca de dois anos para cá, desde que montam as tendas em frente à esplanada (este ano teve de a retirar), que só utilizam o seu café para beberem copos de água e utilizarem as casas de banho. Conforme já disse em outro artigo, defendo este tipo de animação na Baixa (não só durante o Natal, mas sim o ano todo), mas respeitando tudo e todos e ter-se o cuidado de instalar as tendas ou megas-tendas ao centro da praça. Já agora aproveito para dizer mais uma vez. que hoje a Praça Velha tinha 16 carros estacionados (pelas 13h17m) de forma selvagem , precisamente do lado que não foi ocupado pela tenda nem pela pista de gelo no ano passado. Como ninguém resolve o problema, a minha sugestão é de que se faça ali um estacionamento publico, mas pago, com dinheiro a reverter para a casa dos pobres e outras instituições de solidariedade da cidade.


Jorge Neves
Independente no Bloco Esquerda
Assembleia Freguesia São Bartolomeu

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

ESTÃO AÍ AS PECHINCHAS





"Os Saldos das colecções de Inverno começam hoje, segunda-feira, e terminam a 28 de Fevereiro...", leia aqui no Jornal de Notícias...

O VÍDEO DO DIA...



Porque será que esta letra do meu amigo Patxi me diz que qualquer coisa? Não sei...é como se eu soubesse do que ele fala, cantando. É como se eu, ao ver estas imagens, tivesse um "déjà vu". Será da velhice? Às vezes tenho cada uma...sinceramente! Que tenho eu a ver com isto? Nada. É óbvio!

UM EDIL AO SERVIÇO DOS SEUS CONCIDADÃOS


Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "EDITORIAL: DIZER BEM, MESMO QUE MUITO CUSTE A ALGUÉM":




Bom dia, na próxima 4ª feira dia 30, irá decorrer a reunião de Assembleia de Freguesia São Bartolomeu, na qual fui eleito como independente no Bloco de Esquerda. Estou ao serviço de todos e sempre pronto a fazer chegar propostas, reclamações, à sede da Junta, para se tentar resolver ou encaminhar para quem de direito, pela minha parte, contem comigo. Todos juntos poderemos começar a fazer renascer a Baixa. Faço um apelo, caso o srº LuÍs Fernandes assim o entenda que deixem ficar no blogue algumas sugestões.

Jorge Neves
Independente no Bloco de Esquerda
Assembleia Freguesia São Bartolomeu

NOTA DO EDITOR: Claro que sim. Infelizmente, o blogue não tem muita gente a apresentar propostas. Mas, já o aqui escrevi, esta página está ao serviço de quem dela tiver necessidade. Tenho de agradecer as colaborações de quem entende comentar, logo a começar no Jorge Neves e também ao presidente da Junta de São Bartolomeu, Carlos Clemente. Embora escreva só comentários que entende, o meu amigo Clemente está sempre pronto a levar assuntos à Assembleia Municipal de ajuda aos munícipes. Embora esteja recenseado noutra freguesia, é com muito orgulho que refiro o bom trabalho do executivo da freguesia de São Bartolomeu. E também, agora, depois de eleito à assembleia, do Jorge Neves, que é um edil cheio de voluntarismo. Acreditem que refiro este facto com muita satisfação. Esta pequena freguesia pode muito bem servir de exemplo para outras.
 Em suma, quem quiser, pode enviar os seus escritos para o e-mail choupalapa@sapo.pt. Prometo que tudo farei para chegar a quem possa ajudar.
Um bem haja a todos.

"AUTARQUIAS CALOTEIRAS PROVOCAM MISÉRIA"





Hoje, dia em que saiu o texto no Diário de Coimbra com o título em epígrafe, contactei o empresário que se me dirigiu em apelo e fiquei a saber que, já depois de me ter solicitado ajuda, a Câmara Municipal de Coimbra -e também a da Sertã-, nestes últimos dias de 2009, enviou-lhe um cheque para pagamento de mais de metade da sua dívida.
“Se as outras autarquias fizessem o mesmo, igual à de Coimbra e da Sertã, ainda conseguia equilibrar as minhas finanças. O problema é que da Figueira da Foz, de Figueiró dos Vinhos e outras, nem uma parte nem qualquer satisfação”, diz-me o comerciante com a voz arrastada.
Em nome da verdade, impõe-se que eu refira este facto. Amanhã, terça-feira, será discutido na Assembleia Municipal as Grandes Opções do Plano e do Orçamento para 2010. Portanto, supondo que naquele hemiciclo tal notícia possa ser chamada à colação, manda a lisura que tal entrega por conta seja referida.



UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)


Nuno deixou um novo comentário na sua mensagem "EDITORIAL: DIZER BEM, MESMO QUE MUITO CUSTE A ALGUÉM...":




A mim parece-me que chegar a uma conclusão desta ordem tendo em conta apenas estes últimos dias é capaz de ser um bocado abusivo. Independentemente de estarmos a viver um período de crise, é de esperar que no Natal o consumo aumente, ainda que, eventualmente, em menores proporções do que há uns anos atrás (quando não estávamos em crise). Não será, por isso, de estranhar um aumento de afluência de pessoas à Baixa nesta altura. Extrapolar este fenómeno para o resto do ano é que não me parece correcto. Por vários motivos:1. Durante o resto do ano, a afluência de pessoas às lojas da Baixa será certamente menor do que por alturas do Natal;


2. Durante o resto do ano, a Baixa não tem à disposição as animações e o entretenimento que tem durante a altura do Natal. Ou eu tenho andado ceguinho, ou fora da época natalícia não se vêem mini-comboios a transportar crianças pela zona histórica, nem pistas de patinagem ou mini-campos de golfe na Praça do Comércio (ou em qualquer outro sítio). Ou seja, durante o resto do ano, a Baixa de Coimbra é praticamente esquecida. Este tipo de actividades, que devia ser valorizado e melhorado durante todo o ano, só tem lugar agora.
Cumprimentos,
Nuno.
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Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "EDITORIAL: DIZER BEM, MESMO QUE MUITO CUSTE A ALGUÉM...":




Srº Luís, assino por baixo as suas palavras. Agora falando eu, ou melhor escrevendo, tenho de dizer que me parece que APBC, mais parece uma revista do jet-set. Sem dúvida que a tenda foi uma boa iniciativa, pena estar colocada no sitio que estava, precisamente no mesmo da pista de gelo artificial do ano passado. O srº sabe bem porquê, não sabe? Então eu digo-lhe: porque a família Mendes quer a zona em frente às suas lojas livres para estacionar os carros. Prejudicando sempre o café que tem uma das esplanadas de referência da praça, que por sinal é das mais procuradas pelos turistas. Se tivesse andado a falar com os comerciantes na rua como andei nesta semana, escutava o que todos disseram, este ano foi o pior de sempre. Em relação aos jornalistas locais, sem comentários, pois envio textos que são simplesmente censurados. Em jeito de desabafo tanto ACIC, como APBC, tem muito aprender com o sr. Luís Fernandes.
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Ana deixou um novo comentário na sua mensagem "EDITORIAL: DIZER BEM, MESMO QUE MUITO CUSTE A ALGUÉM...":


Também li a notícia e fiquei apreensiva com o teor da mesma, uma vez que fiz as minhas compras de Natal no comércio da Baixa e falei com alguns donos das lojas. Todos eles, sem excepção, se mostraram receosos pelo momento que estavam a passar, uma vez que este seria o período em que pensavam recuperar das fracas vendas do resto do ano.
Houve inclusive um comerciante da Rua Visconde da Luz, que me afiançou que alguns colegas que já estavam a entrar com dinheiro das suas parcas economias para salvar o negócio e manter os postos de trabalho.
Ana
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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "EDITORIAL: DIZER BEM, MESMO QUE MUITO CUSTE A ALGUÉM...":


De acordo com a sua análise. Diz exactamente a realidade da nossa Baixa. Quanto ao Armindo, sinceramente nem me merece qualquer comentário. Embora reconheça a boa vontade em fazer passar uma imagem diferente da realidade.
Já agora e aquela "burrice" do acordo com o Presidente da CÂMARA, no que diz respeito aos parques gratuitos?
Veja-se atitude dos operadores do Mercado D. Pedro V. Se fossem no paleio seria bem pior. Quanto ao Parque de diversões na Praça do Comércio, mais uns milhares de euros deitados á lareira.
Porque não outro tipo de animação na Baixa?
Será de referir o esforço da A.P.B.C., porque da ACIC "ZERO".
Esta Associação "está moribunda" e aquela ACIC que Coimbra conheceu não existe. Participam em alguns eventos, onde dão comes e bebes e algumas fotografias para os jornais.
Sobre ACIC, vamos aguardar pelos novos episódios que são alguns.
Um abraço ao Luís de um colega que o estima. As suas análises são bastante incomodativas, mas existe alguém que não diz ámen a tudo e a todos.
Um abraço...

sábado, 26 de dezembro de 2009

O VÍDEO DO DIA...

EDITORIAL: DIZER BEM, MESMO QUE MUITO CUSTE A ALGUÉM





O Diário as Beiras de hoje publica uma reportagem, “A Baixa está a recuperar a olhos vistos”, assinada pela Patrícia Cruz Almeida, em que, em nome de todos os comerciantes, foi contactado apenas Armindo Gaspar, presidente da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra.
Antes de continuar, como ressalva de interesses, conheço bem as duas pessoas que cito, até me atrevo a dizer que os tenho como amigos. Porém, e colocando essa premissa sentimental de lado, tenho de escrever que estamos perante um mau trabalho jornalístico e um medíocre desempenho de uma pessoa que, estando à frente de uma entidade de defesa de um grupo, por si só, se outorga no direito de afirmar uma verdade que é no mínimo questionável.
Antes de continuar, para se perceber melhor o que defendo, vamos à transcrição do jornal. “Quando sopram os ventos da crise, os estabelecimentos mais baratos costumam ser menos afectados, já que é a eles que recorre quem tem pouco dinheiro para gastar. Este ano, porém, a Baixa parece ter recuperado um pouco do seu fôlego.
“Atendendo ao contexto de crise que se vive, as vendas no comércio tradicional não foram tão más como esperávamos”, disse ao Diário as Beiras Armindo Gaspar (…).
Continuando a citar o diário e Armindo Gaspar, “não houve tanto desequilíbrio como se estava à espera”. Recorde-se que este ano, a Baixa ofereceu um presente especial aos seus visitantes, tendo-se transformado num enorme parque de diversões. Além de um mini-comboio que conduziu as crianças pela zona histórica da cidade, na Praça do Comércio esteve instalada uma tenda gigante de 450 metros quadrados. Foi, de acordo com Armindo Gaspar, o maior espaço alguma vez criado na Baixa de Coimbra. Lá dentro, as crianças puderam, nos dias que antecederam o dia de Natal, descobrir “um mundo fantástico” de diversões: uma mini-pista de patinagem, um mini-campo de golfe e três trampolins. Cá fora, um insuflável gigante fez as delícias da pequenada (…) “A Baixa está a recuperar a olhos vistos”, reconheceu o presidente da APBC.
Ora, em análise, vamos por partes. Se esta peça pretendia enaltecer o trabalho do meu amigo Gaspar à frente da APBC, a ser assim, estará tudo bem. O problema, a meu ver, é quando ele, arvorando-se na “vox populis”, afirma que “as vendas no comércio tradicional não foram tão más como esperávamos”. E mais: “A Baixa está a recuperar a olhos vistos”.
Se a primeira é uma tremenda mentira, a segunda é uma grandessíssima aldrabice.
Já aqui escrevi muitas vezes –sobretudo aquando dos assaltos a estabelecimentos- que os representantes dos organismos de defesa do comércio da cidade, têm tendência a querer tapar o sol com a peneira. O pensamento destas pessoas é a de que se se disser a verdade os poucos consumidores que vêm à Baixa deixarão de vir. Ou seja, em favor de uma minoria que está razoavelmente bem, transmite-se uma ideia de bem-estar que, na prática, não existe. Claro que a maioria, que está mal e sentindo-se discriminada na sua defesa, olha para estas declarações como se estivesse noutro planeta.
É que aparentemente até está correcta. Andamos todos fartos de negativismo. O problema começa quando logo a seguir a estas declarações se assiste a mais falências e lojas a encerrar no comércio. Perante o claudicar contínuo de mais estabelecimentos que moralidade assistirá a estes representantes para virem logo a seguir exigir providências cautelares?
A Baixa precisa com urgência de um estudo económico profundo. Esta greve de transportes urbanos deu para ver que quem compra no Centro Histórico é um consumidor envelhecido e de fraco poder financeiro. É preciso questionar o que vai acontecer as estas zonas quando estes clientes idosos morrerem? Os seus filhos e netos não têm hábitos de comprar aqui. Por outro lado, assiste-se, cada vez mais a um esvaziar de serviços públicos nestas áreas. Repare-se o que está acontecer com o fluxo de comboios à Estação-Nova e que, presumivelmente, em Junho, se extinguirá de vez –aqui tenho de enaltecer as palavras avisadas de Carlos Encarnação, presidente da Câmara, acerca deste assunto. E as estruturas de defesa dos comerciantes, que esperam para exigir à CP e à Refer mais respeito pelos postos de trabalho da Baixa?
Em vez disso, como é agora o caso do presidente da APBC, entretêm-se em vangloriar-se do que fazem e dispararem umas bolas de fumo para o ar para tapar as nuvens negras e o vendaval que aí virá.
Quanto ao trabalho da minha amiga Patrícia, quanto a mim, a negligência estará exactamente em ter ouvido apenas uma pessoa. Claro que as afirmações recaem sempre sobre quem as faz, no entanto, porque não ouviu outros comerciantes da Baixa a jornalista do Diário as Beiras?
Eu tenho uma tese: a culpa nem será dela –porque é muito competente, afirmo-o sem favor. É que hoje, devido aos custos operacionais, o (mau) jornalismo que se faz é pelo telefone. Não há tempo para fazer reportagem na rua. Esse é o verdadeiro problema. É uma opinião…

IMAGENS QUE FALAM POR SI...


(COM A DEVIDA VÉNIA, FOTOS TOMADAS DE EMPRÉSTIMO AO BLOGUE DENÚNCIA COIMBRÃ)

Não deveria ser preciso escrever nada. As fotos falam por si. O que lhe peço é que, por um momento, pare e pense um pouco nestas pessoas. É evidente que, numa grande maioria, pouco se poderá fazer. São opções de vida de cada um. Outros, talvez a minoria, se lhes dermos uma mão, pode ser que consigam novamente apanhar o comboio da vida em normalidade. Já todos sabemos que todos têm acoplados problemas de álcool, de deemência mental, de drogas, de abandono familiar -e aqui não podemos entrar na condenação simples da estrutura.Normalmente foram muito feridos por estes sem-abrigo. Enfim! Problemas imensos que convivem connosco diariamente mesmo ao virar da esquina. Insiro estas imagens para, no mínimo, que nenhum de nós vire a cara. Um dia destes podemos encontrar um amigo ou até um familiar que perdemos de vista há muito tempo.
 Vou ficar por aqui. Acho que, pela quadra, se calhar, não deveria estar a abusar. No fundo, com este texto, estou a fazer o que fazem todos os "media" nesta altura. A tal ponto de quase odiarmos o Natal pela hipocrisia reinante.
Na parte que me toca, tento -pelo menos tento- que o Natal seja todos os dias. E, por conseguinte, faço por chamar a atenção daquilo que entendo ser chocante. Desculpem lá esta seca...

A COLUNA DO JORGE...



Fome…


Uma grande mobilização existe no nosso país, e no mundo, com o intuito de acabar com a fome.
Fala-se a todo momento em fome zero. Todos se mobilizam no ideal de saciar a fome dos corpos. Acção mais do que justa.
O assunto, contudo, não é novo. O problema da fome sempre rondou a humanidade em épocas variadas.
Este é o mundo dos famintos. A fome de pão, melodramática e ruidosa, é a que mais comove, porém não é a mais digna de compaixão.
Existe a fome de amor. Muitos desejam ser amados, ter alguém que os queira e passam pela vida sem ninguém que lhes conceda uma migalha de carinho.
Finalmente, a fome de paz que martiriza a quantos trazem os pés e o coração a sangrar."
A fome do corpo é uma só. Mas a fome do espírito apresenta várias faces, cada uma de efeitos mais alarmantes.
A fome de pão atinge somente o indivíduo. Não contamina a terceiros. As outras espécies de fome generalizam suas consequências e comprometem a colectividade.
A fome de amor e de paz fomenta muitas tragédias.
Quem não se sente amado, quem não tem paz é a criatura que se torna a 1ª página dos telejornais como principal suspeito de crimes terríveis.
O crime, nos seus aspectos mais variados, resulta de uma falha moral, de um nível baixo de espiritualidade, de um desequilíbrio psíquico.
A grande solução está na educação convenientemente compreendida e ministrada. Educação que se volta para o seu próprio “eu”.
Desta forma, a humanidade encontrará a sua solução na educação.
Educar a criança é semear o bom grão. É preparar uma nova sociedade. É criar um mundo novo onde residirá a justiça.
Um mundo onde predominará a solidariedade, garantindo o pão para todos.
Um mundo de fraternidade que a todos oferecerá ensejo de revelar suas capacidades.
É tempo de investir na transformação do indivíduo. É tempo de deixar de permanecer alheios ao processo cuja eficácia é indiscutível na melhoria individual e social: a educação.
Voltemos nossa atenção para a escola. Temos de educar as crianças no lar, desde pequenas.
Naturalmente, é um projecto a longo prazo. Trata-se da preparação e cultivo do solo que, após os devidos cuidados, produzirá frutos de acordo com a sementeira feita.
Pensem nisso!
Para “matar” a fome do corpo, basta um pedaço de pão.
Para “matar” a fome generalizada do ser humano é necessário que se faça luz da razão, que surra as sombras de quem avança em sofrimento ou limitação.
E educação é o desenvolvimento harmónico de todas as faculdades da nossa mente, para que esta se torne luz, adquira paz e exercite o amor.

Jorge Neves
jmfncriativo@gmail.com
Coimbra

UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE (....)



Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "QUE DIA É AMANHÃ?":




Como falar algo novo sobre o Natal?
Natal é um evento tão corriqueiro, tão badalado, recorrente, mas ainda assim parece ser um assunto bastante difícil de se comentar. Quero dizer, escrever a respeito. Isto porque, em princípio, para se escrever um bom texto é preciso que se tenha uma ideia inédita, ou que, pelo menos, se diga algo novo.
Como falar algo novo sobre o Natal? Comemora-se o Natal há séculos (desde o século IV); como falar algo novo sobre um assunto assim, tão conhecido, tão importante, quase universal?
Talvez esse bloqueio ocorra por que é difícil fugir aos estereótipos natalinos culturais, capitalistas e religiosos, já tão misturados e já tão enraizados. Ceia de natal, árvore de natal, peru, missa do galo. Calma aí! Mas quem vai para a panela não é o peru? Deixa para lá! Voltando às festas de Natal: amigo oculto (que chatice), presentes, Papai Noel -Já o viu? Anda por aí... nos shoppings fixando-se em criancinhas – para a fotografia.
Então! E o dono da festa? Alguém se lembrou dele? Até quase nos esquecemos do tema da festa! O nascimento de Jesus e com ele a esperança de salvação de todas as almas através do amor ao próximo. Mesmo que não esteja provado que Ele nasceu nesta data é isto que se comemora, pelo menos em toda a cultura ocidental de base cristã.
Por outro lado, talvez seja difícil escrever sobre o Natal, por ser tão desigual a concepção de Natal de cada um. Para muitos um Natal feliz seria tão simples como ter um pedaço de pão e água para a ceia ou ver a sua enfermidade curada, para outros tantos o grande feliz Natal que eles esperam talvez seja um pouco de paz, para alguns um natal feliz seria viajar e fugir de todos os estereótipos capitalistas.
Enfim, não se tem muito como fazer diferente. Quer dizer, até tem. Difícil é romper com tudo isso e fazer um o Natal diferente. No entanto, é importante fazer com que o Natal seja um momento de reflexão, de reencontros, de fraternidade, de solidariedade e de paz. Fazer o que estiver ao nosso alcance para tornar o Natal do outro um momento feliz. Anular-se um pouco para poder conhecer melhor o outro. Mesmo que você não compartilhe desta cultura ocidental (consumista) aproveite o tempo para vivenciar o amor em todas as suas facetas, assim o seu Natal poderá não ser o melhor Natal do mundo, mas será, a seu modo, um Natal feliz.
Depois das festas escrevemos nos blogues, posta fotos, conta as últimas novidades, as gafes, os copos que se bebem em demasia, os presentes, etc. Mas, infelizmente, desse chavão não poderei me furtar: Bom Natal e Feliz Ano Novo.

Jorge Neves
jmfncriativo@gmail.com

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

QUE DIA É AMANHÃ?




Amanhã é dia de Natal!
Eu quero lá saber se vai chover,
se não vai haver água para beber,
se esta noite vou dormir mal?
Amanhã é dia de Natal!
Que me importa os vetos do presidente,
a dor de corno que alguém com isso sente,
e digam que esse gesto só lhe fica mal?
Amanhã é dia de Natal!
Gritem à vontade contra Copenhaga,
revoltem-se contra o anticlima que é chaga,
Mas, por favor, não batam no meu portal.
Amanhã é dia de Natal!
Não me falem das assinaturas pró Referendo,
acerca do casamento, que eu não entendo,
é uma questão, para homossexuais, natural.
Amanhã é dia de Natal!
Não me embrulhem em coisas religiosas,
ou outras quaisquer vontades manhosas,
deixem-me navegar sozinho no meu canal.
Amanhã é dia de Natal!
Que tenho eu a ver com as directas do PSD,
se foi um erro crasso, não fui eu nem você
que contribuímos para o pantanal.
Amanhã é dia de Natal!
Não me chateiem com as alíneas do Orçamento,
se nem o meu consigo discutir, é um tormento,
deixem-me em paz, cá no meu astral.
Amanhã é dia de Natal!
Livrem-me da polémica da “Face Oculta”,
podem até chamar-me filho de uma puta,
mas não me azucrinem com o Supremo Tribunal.
Amanhã é dia de Natal!
Não me lembrem da guerra dos professores,
de que temos maus alunos, mas muitos doutores,
de que somos mais estúpidos que um animal.
Amanhã é dia de Natal!
Afastem de mim o Marinho e Pinto,
dêem-me antes um bom copo de tinto,
não me falem da demissão do Conselho Geral.
Amanhã é dia de Natal!
Não me tragam imagens do Irão ou do Iraque,
esqueçam, não me recordem que o Bush foi um traque,
esqueçam que existo neste mundo brutal.
Amanhã é dia de Natal!
Não me enviem mais “boas festas”,
como se fossem lembranças funestas,
estou vivo, de boa saúde, não me queiram mal.

A COLUNA DO JORGE...




EXPECTATIVAS DA VIDA




Criar expectativas demasiadas pode transformar-se em frustrações.
Equivocadamente passamos por situações enganosas, as quais pensávamos serem justas e acertadas.
A justiça pode vir para quem a deseja ou escolher seu eleito. Será justo que uns a tenham e outros não?
Se alguém se proporcionar de meios ilícitos para alcançar mais um degrau da escada da fortuna é a forma mais vergonhosa de demonstrar o quanto é incapaz de lutar com dignidade pelos seus sonhos.
Não devemos galgar os obstáculos nem contorná-los, isso seria um adiamento do inevitável. Devemos encará-los de frente e tentar entendê-los, em busca das suas falhas, seus pontos fracos.
Fácil é recebermos tudo o que desejo sem movermos um dedo como auxílio para um fim.
Sermos grandes não depende de recebermos prémios vultuosos, mas sim sermos bons no que fazemos.
Muitos são os caminhos a percorrer. Nem todos possuem saídas previsíveis, mas existem brechas e passagens que não queremos ver.
Se somos desviados de nosso trajecto ou se por vezes pensamos que estamos a andar em círculos, algo está incompleto e foi mal entendido.
Renunciar ao desejo mais profundo de seu coração também significa estar a fazer a coisa certa, escolher o melhor caminho, mesmo que a princípio pareça o contrário.
Nenhuma palavra é pronunciada em vão. Todas tiveram seu significado no momento que foram pronunciadas.
Um rio não pode percorrer toda uma montanha e chegar ao mar sem antes ter sido apenas uma pequena gota.


Jorge Neves
jmfncriativo@gmail.com

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

PESSOAS CHATAS COMO AS MELGAS





Já escrevi aqui que gosto de ouvir as pessoas. É destas histórias que vou beber para escrever. Mas às vezes levo cada seca que... meu Deus!, fico completamente esgotadinho. Ainda agora apanhei uma! Deve-se apreender nas frases –de certeza. Então não se nota que as palavras estão mesmo esganiçadas, assim do tipo de uma ninhada de gatos e o último é mesmo enfezadinho, coitadinho? Pois! É isso mesmo. Eu vi logo que nem precisava de me explicar muito. Você faz parte do grupo mais inteligente que anda por aqui nas ondas cibernéticas. Pela honra da minha galinha Gertrudes. Ó larilas!
Dizia eu então, para não me dispersar. Que acabei de levar um esfreganço que nem lhe conto. Acho que era mais fácil tirar os três vinténs à menina Lurdinhas, que tem 85 anos e ainda é virgem –que deveria ser muito custoso. Ai de certeza! Se calhar só assim com compressor. Já não se vai lá com simples Black & Deker”. A menina Lurdinhas, desculpem lá, até me esqueci de a apresentar: é aquela velhota muito esquizofrénica, que mora no 13 e que é mesmo detestável. Estão a ver quem é? Isso. É essa mesmo! Tem uma verruga por cima da beiçoleta e enfeitada com uma grande bigodaça. É tão linda que nenhum homem a aproveitou para ensaiar a cópula.
Bom, desculpem lá que a escrita é como a água-de-colónia, a gente toma banho naquilo e cheira sempre ao mesmo. Fui claro, não fui? Vamos lá então continuar. Eu estive agora mesmo a falar com uma senhora que, para além de falar com a boca, também falava pelos cotovelos. Contou-me a vida toda. Eu, apesar de ser quase santo, pela paciência –só se for mesmo por isso-, já não aguentava mais. Mas ela falava, falava, e eu que até sou agnóstico, ao ver-me afogado em tanta conversa –já me faltava o ar-, mentalmente, pedia a um qualquer santo menos sensível, que não ligasse às minhas parvoíces, e que nesta hora de aflição me valesse. Mas nada! Nem a imagem do santo Padre Cruz me valia. Dirigi-lhe as minhas preces, porque dizem que os santos padres são mais bonzinhos que os outros santos, mas qual quê? Ninguém me socorria. E a senhora não parava de me metralhar. Sim porque ela devia ser mesmo filha de alguma G3 antiga do exército. Quando estava prestes a terminar um tema, e eu já estava quase a erguer as mãos ao céu em agradecimento. Pumba! Punha a mão na carteira –uma daquelas que todas as mulheres têm, estão a ver, não estão? Estão de certeza! Quem é que não conhece o escritório ambulante do caos de qualquer mulher? Para tirarem, por exemplo, o telemóvel quando está a tocar –imaginem se não estivesse!- depois de dezenas de apalpadelas, acompanhadas com o habitual lamento “ele deve estar por aqui…ele deve estar por aqui". Para o encontrar finalmente, depois de passados quinze minutos, tem de despejar tudo em cima de uma superfície plana.
Então a minha “paciente” –sim, porque a ouvir assim eu poderia ser perfeitamente psicólogo-, mete a mão lá na carteira (que não tem fundo, já sabemos!) encontra lá uma peça que lhe lembra algo passado e catrapumba! Lá engata outra história. “Está a ver esta peçazinha, está? Isto foi o meu paizinho que ma ofereceu quando eu tinha 17 anos. Quer que lhe conte? Quer?”.
Ai senhor! Só pelo enfado que você demonstra a ler este texto, já dá para você me entender. Não fui muito chato, pois não? Quer que eu lhe conte mais um bocadinho? Está bem, pronto! Não conto. Não precisa de se irritar. Já tinha percebido…

A COLUNA DO JORGE...



A vida


Muito tenho ouvido daqueles que não querem modificar suas atitudes. Ou então daqueles que querem defender que um mundo mais humano e justo está apoiado em modelos que nunca deram certo.
Realmente quando algo novo aparece, as pessoas ficam assustadas. Repensar valores nos quais nos apoiamos durante séculos, causa medo naqueles que querem manter as coisas como estão. E aí o que fazem? Partem para o ataque.
Recentemente ouvi que a ninguém mais é dado o direito de saber o futuro, pois vivemos na incerteza do dia-a-dia. Essa capacidade seria somente do Amado Mestre Jesus Cristo. E ainda afirmam, se tu não és Ele, então trabalhas para o outro lado. O “diabo se apoderou de ti”.
É interessante ressaltar que para certas pessoas quem não estiver do lado da Igreja Católica, jamais fará o bem. Jamais conseguirá mostrar novos caminhos e alertar a humanidade sobre seus erros.
Afirmo: sou agnóstico, um homem que apenas gosta ajudar os outros. Jamais mudarei a minha maneira de ser, já que o meu trabalho é apoiado no amor, na solidariedade e na humildade.
É incompreensível que as pessoas sabendo sobre o que falamos, lendo a mensagem, ainda se grudam a meros detalhes. Se temos o direito de fazer planos para o futuro e sobre qual o caminho que fará mal para a humanidade, porque é que nos estão a barrar esse direito. Eles querem ajudar, criam medidas anti-crise, pois da maneira que a vida está, não pode continuar. Os poderosos estão a destruir o mundo, a mais bela criação. Como é que as pessoas não descortinam isso? Alguém está contente com esse mundo usado para dar tudo aos “dominantes” e quase nada para a população? Esse é o Mundo que queremos? Realmente os antepassados foram qualificados de sinónimos humilhantes à sua época. Porém depois, passados alguns anos, a humanidade viu que estava errada e os elevou à condição de profetas. Já sabíamos que não conseguiríamos atingir todos, mas se apenas uma pessoa modificar as suas atitudes e realmente lutar por um mundo melhor, já terá valido a pena. Sabia que seria contestado, mas também sei que muitos me reconhecerão. E são justamente esses que me interessam: aqueles que desejam formarem um Mundo de Amor e Solidariedade. Os outros, ainda terão um longo caminho a percorrer...Para ser claro, salvos não serão aqueles que me seguirem, pois não sou exemplo de coisa alguma. Defendo que aquele que mudar para melhor as suas atitudes e amar ao seu próximo como a si mesmo, fazendo ao outro somente aquilo que gostaria que o outro lhe fizesse! O quê mais será necessário fazer?
Alguém acredita que nos vão ajudar quando as nossas erradas atitudes nos colocarem em risco de eliminar toda a vida da face da Terra? Não apenas um povo isolado. É isso que irá acontecer se não nos amarmos, se não mudarmos a nossa maneira de ver a vida e de nos relacionarmos com nosso Planeta. Ou alguém ainda não percebeu os milhares de vidas que perdemos anualmente pela intensificação das mudanças climáticas? Somente em 2009 já foram centenas de milhares. Esses avisos de nada têm servido? Acreditaremos somente quando a água bater no nosso pescoço? Ou quando tudo isso nos trouxer prejuízos económicos?
Eu quero um mundo mais humano e justo. E eles querem que toda a humanidade dê as mãos no momento da colheita do mal que plantamos? A própria ciência já reconhece que teremos tempos difíceis pela frente. Que o mar continuará a subir durante séculos, desalojando bilhões de pessoas. Que teremos falta de alimentos, desertificação de áreas, aumento de epidemias. Ainda teremos tufões, furacões, tornados, tempestades, enfim uma série de mazelas que cada vez se tornará mais intensas. E isso tudo é fruto do nosso desenvolvimento incorrecto e desta sociedade egoísta e fria que criámos, apoiada totalmente em dinheiro e colocando o valor de cada um de acordo com sua conta bancária. O dinheiro existe sim. Porém, existe para ajudar a humanidade no seu progresso, e não para dividi-la e aumentar as desigualdades sociais.
Entendam os que puderem, quiserem, e merecerem. A minha parte está, e continuará a ser feita, independentemente do que as pessoas falem. Quero ajudar uma sociedade deturpada a voltar para o amor e justiça.
Todos possuem a capacidade de mudar seus corações e suas atitudes no caminho da verdadeira evolução, que é essencialmente moral e espiritual.


Jorge Neves – jmfncriativo@gmail.com

O VÍDEO (MUITO ESPECIAL) DO DIA...



O PRODUTOR DESTE VÍDEO É MEU FILHO. ASSINA "DANIDIMITRI". APONTEM AÍ PARA NÃO ESQUECEREM. AINDA VÃO OUVIR MUITO FALAR DELE. É UM TALENTOSO NA MÚSICA. OBVIAMENTE QUE EU SAIO A ELE. POIS A QUEM PODERIA EU SAIR GENETICAMENTE... AO PADRE? ORA...ORA!...

UMA PRENDA DIFERENTE NESTE NATAL...





Este ano quero dar uma prenda diferente aos meus amigos. Neste lote incluo-o a si também, que faz o favor de ler os disparates que para aqui despejo.
Mas é difícil de saber o que escolher. Não é mesmo nada fácil. Tem de concordar. Dar-lhe um bolo-rei é demasiado coquete. Nesta altura está tudo farto de bolos. Além disso, olhando para o seu pneu, amigo(a), parece a roda pedaleira de uma velha bicicleta Albata, que me lembro ter existido lá em casa quando era miúdo e suponho ter pertencido ao meu pai.
Se lhe oferecer uma cueca fio dental e um par de meias, também não interessa. Isso é o que você mais vai receber da sua sogra, do sogro, do tio, da prima e da vizinha Ermelinda, que quando não está a sua cara-metade, lhe manda aqueles olhares incendiários que nós imaginamos.
Ainda pensei numa garrafa de bom vinho português –temos de preferir os artigos nacionais-, mas logo a seguir arredei essa possibilidade. Li que começa hoje a operação Natal, da GNR. Ora, vou-lhe oferecer álcool para depois você ser apanhado com a boca no trombone, como quem diz com a pinguita? Mas que raio de prenda lhe vou oferecer neste Natal?
Quinquilharias, em forma de chinesices, nem pensarem! Palavra de honra, pela alminha do meu avô Crispim, que era uma jóia de pessoa, que não sei o que hei-de fazer. Havia de ser assim uma prendinha “pró” menino e “prá” menina, estou a ser claro? Sim, porque eu tenho amigos e leitores de todas as idades. Por exemplo estou-me a lembrar do casal Morais, que está na casa dos setenta e picos anos. Ela, a dona Etelvina, que apesar da longevidade ainda ali está para as curvas, passa a vida a queixar-se do senhor Francisco. Diz que ele só quer ver filmes pornográficos e mais nada! Que não lhe aquece os pés, diz-me a venerável senhora. Está de ver que o marido está farto de comer sempre o mesmo pitéu e sempre no mesmo prato. Então não é de caras? Mas eu não lhe posso dizer isto assim sem mais nem menos. Coitada da senhora Etelvina! Tenho tanta pena dela! Eu é que não lhe posso valer…sou amigo do senhor Chico…estão a ver a coisa, não estão? Ora, em relação a este casal, já sabemos o que precisam.
E outro casal meu amigo, O Rogério e a Rosalinda. Têm ambos quarenta e poucos. Sempre que me encontram é um rio de queixumes de parte-a-parte. Ele desabafa comigo, dizendo, que ela é uma bota-de-elástico. Que não sai da posição de legionário nem que o Berlusconi descesse à terra. Ela, em rol de lamentos sofridos, a mesma coisa. Que ele só quer maluqueiras, e que Deus não quer misturas, e coisas no género. Quando saio de ao pé deles trago os meus ouvidos a zunir.
Estão a ver a dificuldade em escolher uma oferta diferente? Pois é! Ainda liguei à minha vizinha Gracinda, que é uma cota boazona como ó milho, tem cinquenta e poucos anos, mas parece ter 35. Com a minha melhor voz de inocência parda, assim do tipo de carneiro mal morto, interroguei: ó dona Gracinda, o que gostaria de lhe oferecesse neste Natal? “Ó filho, se me queres dar alguma coisa, tens mesmo de ser original. Neste fim de ano, apetece-me algo diferente…não sei se estás mesmo a ver! Manda-me um Ambrósio mas daqueles bem musculados…pode ser?”.
Então depois de muito pensar, sobretudo em si, acho que já sei o que vou fazer a contento de todos os meninos e meninas de todas as idades. Tem aqui a minha prenda: escolham à vontade. Digam que vão da minha parte, que a gerência do estabelecimento toma nota. Refastelem-se completamente neste Natal. Quero aqui gente feliz. Até pode ser com lágrimas. Isso não me importa nada. Quero é que satisfaçam o mais íntimo desejo. Quem sabe se poderá ser o último. Fosca-se! “Vade rectro” Satanás…


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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O NATAL DE TANTOS ENGANOS





Estou sentado naquele banco,
virado para a rua de cima,
não sinto o frio gelado do clima,
nem os rostos fechados de flanco;
Já nem conto os “Feliz Natal”,
tantas frases de vulgaridade,
não deixam rasto de saudade,
nesta selva de cidadania animal;
Olho as gentes, pergunto a mim,
o que quero mesmo, afinal,
que prenda neste Natal,
daria a mim próprio, assim;
Escolheria um sentimento
que pudesse tudo apagar,
nascer hoje, sem recordar,
a tristeza gravada no tempo;
Já fiz um pouco de tudo,
dei vida, vendi-me, matei,
por necessidade, roubei,
por uma moeda de escudo;
Talvez eu seja três em um,
num, aquele, que gostaria de ser,
outro que se esforça por ter,
e outro diferente de mais nenhum;
Aqui, somos todos viajantes,
à procura de um vento norte
que nos leve, nos transporte,
para outras terras distantes;
Neste mês de nascimento,
tornamo-nos mais humanos,
pastorinhos de mil enganos,
à espera de outro momento;
E quando o Natal passar,
voltamos ao que sempre fomos,
parte que não reparte em gomos,
bestas cruéis a assassinar.



O VÍDEO DO DIA...




Já o postei aqui. Anda por aí, desfolhando estas imensas páginas. Gosto dos El Michels Affair...o que é que se há-de fazer? Tenham lá paciência...há gostos para tudo...

FINALMENTE UM AMIGO DO COMÉRCIO TRADICIONAL...


Eis finalmente alguém preocupado com a pequena loja de bairro e pequeno negócio familiar. Claro que só vindo do outro lado do mar. Não há nada como uma igreja prática e mandando os dogmas às urtigas. Se a moda pega...

O VÍDEO DO DIA...

A COLUNA DO JORGE...



Já não existe “porta do cavalo nos HUC”!


No primeiro dia de Inverno, foi acompanhar a minha esposa a uma consulta externa da Tiróide nos HUC, até ai nada de errado. Apanhámos o autocarro na Baixa, chegámos ao hospital e dirigimo-nos ao sexto andar, onde se realizava a consulta. Fizemos a respectiva inscrição no secretariado e aguardámos no corredor juntamente com mais de uma dúzia de utentes.
Li o jornal do dia, mais uns panfletos, e fui até à casa de banho, a porta não fechava, não havia luz, voltei a sentar-me sem reclamar; avarias e falhas existem e continuarão a existir sempre.
Já estava a ficar cansado de tanto tempo estar sentado. Levantei-me, meti as mãos nos bolsos, andei corredor acima e corredor abaixo, quando me saltou à vista um placard de acrílico com diversas informações aos utentes dos serviços de Endocrinologia dos HUC. Despertou-me a atenção um aviso que tinha as letras maiores que os outros e cores fortes. Aproximei-me e comecei a ler, nem vou sintetizar o que li, mas sim transcrever na íntegra o que estava no referido aviso, para que cada pessoa se indigne da maneira que melhor entender;

“ De acordo com o Boletim de direcção dos HUC datado de 88/05/03, são atendidos, no inicio da consulta com a prioridade estabelecida os funcionários dos HUC.
Assinado
Profª. Manuela Rebelo Carvalheiro
Directora do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo”


Em meu nome e em nome de quem se indignar com situações semelhantes, solicito ao Sr. Director dos HUC, que meta fim a esta e outras situações semelhantes que existam nos HUC, os utentes agradecem.


Existem limites! Não concorda?


Jorge Neves
Coimbra
jmfncriativo@gmail.com

ARDEU O PRÉDIO DO JAZZ





Segundo o “Sapo PT”, esta noite, “o prédio que alberga o clube de jazz Hot Clube de Portugal, na Praça da Alegria”…
Fui uma vez, há cerca de uma década, à cave deste edifício onde funcionava o mítico clube jazzístico. A atmosfera era indescritível, a fazer lembrar Chicago nos anos de 1940. Juntamente com vários amigos, entre entre eles o Francisco Paiva, que era o mais entusiasta, fomos falar com o então director, o senhor Moreira, pai do músico Bernardo Moreira, para tentar trazer o Hot Clube Portugal para Coimbra. O senhor Moreira, director do Hot, não estava muito convencido da nossa boa vontade. Ainda veio uma vez a Coimbra, onde reunimos –e me deu uma soneira desgraçada- e onde estava também o Pedro Rocha Santos.
Foi graças ao Rocha Santos que o Jazz passou então a fazer parte do espectáculo em Coimbra. Depois da Coligação por Coimbra ter tomado posse em 2002, o Pedro, legitimamente, sabendo levar a água ao seu moinho, encostando-se ao então vereador da cultura Mário Nunes, conseguiu então aquilo que para nós foi impossível. O executivo de Manuel Machado, em 2000, não nos passou cavaco.
Digam lá o que disserem (os detractores) de Mário Nunes, que foi assim, assado e cozido, este homem simples, com vasto currículo na cultura coimbrã, ajudou no que pode no desenvolvimento cultural da cidade. Embora depreciativamente fosse chamado o “vereador dos Ranchos”, tenho a certeza que, para além de outros, apoiou muito o sector do folclore, que sempre andou pelas ruas da amargura. Eu sei do que falo. Andei por lá. Estou em crer que, depois de tanta agressividade ao Mário Nunes, muito proximamente, lhe será feita justiça.

UMAS IMAGENS...AO ACASO...


AUTARQUIAS CALOTEIRAS PROVOCAM MISÉRIA





Era um dia cinzento, fim de Outono a entrar no Inverno. O homem que entrou pela minha porta teria sessenta e poucos anos. Era atarracado de cãs prateadas e os seus ombros ligeiramente descaídos faziam crer ter suportado muitas cargas pesadas ao longo da vida.
Começa por me cumprimentar, “bom dia! É o senhor Luís Fernandes? Desculpe…não nos conhecemos. Mesmo assim tenho o atrevimento de vir falar consigo. Pedir-lhe um favor. Costumo ler o que escreve no jornal. Leio sempre. Só venho aqui porque realmente estou desesperado e não sei a quem recorrer”.
Do interior de uma pasta, retirou um monte de facturas. No cabeçalho, a letras vermelhas, o logótipo de uma empresa. Nas linhas destinadas ao endereço de clientes, poderia ler-se o nome de várias câmaras municipais: de Coimbra, de Figueira da Foz, de Figueiró dos Vinhos, de Sertã e outras que não vale a pena nomear.
Continua o homem, “sou o dono desta firma –diz-me, apontando a sigla das vendas a dinheiro. É uma pequena empresa a laborar aqui na cidade. Tenho quase uma dúzia de empregados. Aqui, nestas facturas, estão muito mais do que 30 mil euros, correspondentes a fornecimentos de todo o ano de 2009, de dívidas destas autarquias. Naturalmente, conforme a lei prescreve, já liquidei o IVA respectivo. Há um ano que não me pagam as encomendas fornecidas pela minha pequena firma.
Estou aflito para pagar os ordenados aos meus empregados. Já nem falo do meu, que não retiro há imenso tempo. Não sei a quem apelar. Não posso publicitar o meu crédito. Se o fizer, em “revanche”, ainda irão demorar mais tempo e, provavelmente, deixarão de me comprar. Por incrível que possa parecer, pelo atraso nos pagamentos, eu preciso deles para manter os postos de trabalho dos meus empregados. Mas tenho absoluta necessidade que me paguem o que devem. Sem essa prerrogativa acabarei por perder tudo. O senhor poderá ajudar-me, escrevendo um texto para apelar a estas câmaras ao cumprimento da sua obrigação contratual? O senhor faz-me isso?” Reparei que os seus olhos começaram a ficar inundados num mar de desalento. “Faz? Obrigado, do fundo do meu coração. Mas, por favor, não refira jamais o nome da minha empresa!”.
Despede-se de mim com um abraço. “Os meus sinceros agradecimentos. Um bom Natal. Para si e para todos. Incluindo as câmaras municipais que me obrigam a tomar medicamentos para dormir e antidepressivos para aguentar esta angústia e sofrimento”.