sexta-feira, 20 de abril de 2018

NOVA ASSOCIAÇÃO DE COMERCIANTES EM COIMBRA

(Imagem do Jornal online Notícias de Coimbra)



Nova Associação de Comerciantes e Empresários
de Coimbra quer dinamizar o comércio local”

A nova AICEC – Associação de Comerciantes e Empresários de Coimbra já está inscrita na Conservatória do Registo Comercial de Coimbra.”

Segundo o Notícias de Coimbra,Os órgão sociais da AICEC são constitutivos por: Assembleia Geral: Carlos Freitas e Ana Rita Mendes. Direcção: Zita Alexandre, Carolina Guedelha e Fausto Carvalho. Conselho Fiscal: José Luís Castro, Anabela Dias e Maria Rodrigues Silva.
O Presidente da Assembleia Geral é Carlos Freitas, a Direção é liderada por Zita Alexandre e o Conselho Fiscal por José Luís Castro.
A associação justifica o seu nascimento dizendo que o “Mundo mudou, o País também e Coimbra nada mudou”.
A partir de hoje “Coimbra cidade e concelho poderá contar com uma Associação Comercial que vai ajudar a dinamizar e fortalecer o comércio local. Coimbra merece mais e melhor comércio!”, garante a associação liderada por Zita Alexandre.”





BOM DIA, PESSOAL...

A GERAÇÃO MALTRATADA

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Escrevi esta crónica em Abril de 2013.
Pela sua actualidade, mesmo correndo
o risco de maçar, ouso trazê-la novamente
à leitura de quem faz o favor de ler o que
escrevo. Estou certo que muitos irão
identificar-se com esta história

O homem que tenho à minha frente chora desalmadamente. Por arrastamento choro também. Tem 62 anos e desde miúdo que aprendeu a tratar o comércio por tu. Filho de pais muito pobres, nos arredores da cidade, o trabalho foi o único meio de angariar rendimento e sonhar com uma vida melhor. Com 12 anos, por volta de 1960, começou a labutar numa mercearia ali para os lados de Santa Clara. Entre segunda e sábado, percorria os cerca de uma dúzia de quilómetros a pé, ida e volta, entre a aldeia e a cidade.
Naquele tempo só havia dois feriados no ano: dia de Páscoa e de Natal. Na véspera deste dia do nascimento de Jesus, nas vendas de géneros alimentícios, atendiam os fregueses até altas horas, quase até à missa do galo. Um dia, contou-me, num Natal do início do mesmo ano de 1960, por volta das 21h30, estava a arrumar as garrafas de gás para ir passar a consoada a casa, o telefone retiniu na loja do tendeiro. Era um cliente da Rua do Depósito, no planalto de Santa Clara, a pedir um litro de óleo para confeccionar as filhoses. Numa altura em que o cliente era o rei da massa e tinha sempre razão, o velho merceeiro e patrão, em face do pedido, logo se prontificou na sua satisfação e encarregou o marçano de imediatamente ir à prateleira retirar um litro de óleo e marchar em grande velocidade em direcção ao planalto. O petiz, cansado e farto de calcar e calcorrear as pedras da calçada, maldizendo o freguês, as filhoses e a sina que lhe calhou em sorte de nascer pobre e ter de ser o burro de carga de todas as solicitações e saco de todas as marradas, foi à estante, por cima da tulha do açúcar, sem olhar para os rótulos, retirou uma garrafa que colocou numa mochila para o efeito, e partiu desalentado em busca do cumprimento da ordem dada. Meia hora depois estava a entregar a encomenda à dona da casa, lá na parte alta da cidade, e, como boomerang predestinado ao regresso, fez novamente o caminho inverso na orientação da casa do bacalhau ao quilo. Encontrou o velho merceeiro à porta, colérico e completamente fora de si, com um cacete na mão e a gritar: “meu filho de uma figa! Desgraçaste-me o negócio! Então levaste um litro de petróleo?! A senhora queimou as mãos, meu desastrado!
Dali, da casa dos fiados, sempre a subir nos dias, como assalariado partiu para outro negócio e outro e outro até ir para a tropa. Quando deixou o serviço militar casou com a sua namorada de muitos anos. Foram viver para uma casa muito velhinha, lá na aldeia. Mas, noite após noite, o nosso homem antes de adormecer elaborava mil planos para sair do patamar da pelintrice. Mas como? Interrogava-se em solilóquio sem fim. A mulher era costureira e ganhava pouco, tão pouco que mal dava para as linhas. Ele continuava a trabalhar numa casa comercial na cidade e o ordenado, para além de ser quase invisível, parecia líquido porque se esvaía por entre os dedos. Mas a fé em dar o salto, assente numa vontade férrea, minava o seu dia e a penumbra. Os seus pensamentos, como andorinha a cruzar o céu primaveril, eram apenas preenchidos com uma mensagem: “eu sou capaz! Eu sou capaz! Vou vencer!
Um dia, por volta de 1980, soube de um pequeno quiosque numa entrada de um prédio que estava em trespasse. Foi falar com o dono e acertaram o preço. Porém havia um problema: faltava o dinheiro necessário. Foi falar com um amigo e, dividindo o investimento pelos dois, depois de correrem Seca e Meca a arranjarem financiadores, sem rede, como kamikase suicida a atirar-se para a frente em defesa da causa nobre, lá abriram o comércio. Durante anos e anos foi comprar e vender até altas horas da noite, sem tempo para deprimir e muito menos para dormir. Como recompensa de Deus, o negócio floria como rosa em terra fecunda.
Vieram os filhos, crescendo sem pai, estudaram e chegou o dia em que foram admitidos na Universidade. E o nosso sonhador desfez-se em lágrimas de prantos sofridos. Estava a dar aos seus o que não lhe fora oferecido pelos seus ancestrais. Sentia um contentamento indescritível. Ali, naquela conquista escolar que tanto significado tinha para si próprio, os seus herdeiros eram a extensão de si mesmo. Constituíam a projecção e a realização de tantos sonhos martelados em noites de lua cheia e de vazio quarto-minguante.
No início da década de 1990 já era proprietário de três estabelecimentos e detinha meia dúzia de funcionários ao seu serviço. A venda de produtos caminhava de vento em popa. Adquiriu o seu primeiro automóvel a estrear, a seguir uma vivenda num bairro chique limítrofe da cidade. Em meados da mesma década comprou uma casa na praia. Veio o virar do milénio e o futuro estava garantido, pelo menos era assim apregoado pelos políticos da altura e pelo crédito anunciado pelos bancos.
Veio 2001, e o abalo causado pelas torres gémeas, na América. Aparentemente a economia continuava a rolar numa relativa normalidade. Nessa altura surgiu um bom negócio, na possibilidade de comprar uma outra vivenda com outras condições de bem-estar. O banco emprestava com a possibilidade de esperar pela venda da primeira. E o nosso homem comprou. Caiu o céu sobre a Europa e tudo descambou em catadupa. A primeira casa não se vendeu, outras complicações surgiram e as vendas decaíram a pique. E o comerciante que, ao longo da vida se atirou sempre sem rede e sem resguardo, num ápice estava cheio de dívidas.
Há dias apresentou um pedido de falência. É único? Não! Na nossa volta, há cerca de uma dúzia de profissionais que estão na iminência de dar o mesmo passo. Para o comerciante que agora pediu a insolvência –e para outros que lhe vão seguir- gostaria de deixar um grande abraço, apertado e de sentimento. Que não se sinta diminuído. Que não se deixe abater. Sei, porque conheço bem a sua história. Sei que fez tudo o que podia para levar o seu navio a bom porto. Não conseguiu. Mas não foi por falta de esforço e entrega à causa comercial. 
Uma grande, grande, salva de palmas para este meu amigo!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

HOMENAGEM A MANUEL RIBEIRO




Numa organização “ad hoc”, para esta finalidade, por parte dos seus conterrâneos, no próximo Sábado, vai realizar-se “uma merecida homenagem” a Manuel Ribeiro, que também comemora mais um aniversário, em Chelo, Penacova, aldeia-natal do agraciado.
Num jantar em que as inscrições superaram as expectativas e já se encontram esgotadas, a cerimónia irá começar pelas 20h00 e prolongar-se-á até às tantas da noitada. Os muitos amigos do homem que mexeu com a Baixa durante mais de vinte anos, confraternizando, vão recordar o “ganda maluco” que foi o Manuel Ribeiro, mais conhecido como o “Manel do Eldorado” ou “Manel do Infinito”.
Só para ilustrar a importância comercial que o Eldorado teve nas pessoas que por aqui viviam, trabalhavam ou visitavam Coimbra, lembro-me de, por volta de 1974, o Manel ter lançado uma moda que, direi, teria vendido milhares de peças a adolescentes. Tratava-se de um fato de ganga, casaco sem forro, calça à boca-de-sino, e justinho ao corpo. Lembro-me bem, comprei um destes conjuntos. Tinha eu então 18 anos. Sei que o fui estrear no Clube das Almas de Freire, o Alma Lusitana. Foi tal o êxito da vestimenta que arranjei lá uma namorada.

Numa crónica que escrevi em 2012, nem que seja para fazer comparações entre a Baixa de antanho e a Baixa dos nossos dias, vale a pena recordar a história do Manuel Ribeiro:

O ELDORADO DA NOSSA RECORDAÇÃO

Decorria o ano de 1969 quando Manuel Ribeiro, através de um pequeno empréstimo, e juntamente com um sócio, deu à luz a sociedade Diniz & Ribeiro, L.ª. Nascia o Eldorado na Rua Eduardo Coelho.
Logo nos primeiros tempos de existência esta casa, porque rompia com um situacionismo existente na cidade, passou a ser uma catedral de moda em Coimbra. Quando noutras cidades do país os comerciantes viajavam ao estrangeiro para trazerem novidades, aqui, pelo vanguardista “Manel”, visitavam o Eldorado e ficavam a saber o que se iria usar durante a próxima estação. “Coimbra foi sempre uma cidade cinzenta, dividida entre o castanho azul e preto”, enfatiza Manuel Ribeiro. “Sempre andei muito à frente. Eu tinha uma grande intuição para as cores. Apesar de frequentemente visitar as feiras de Paris, Versailhes, Florença e Colónia, era eu que lançava a moda na cidade. Logo ali, no inicio da década de 1970 –tinha então 30 anos-, e apesar de haver pouco poder de compra, a minha loja foi um êxito tremendo. Tudo se vendia. Eu era um “ganda” maluco . Gostava de afrontar. Um dia fui a Paris e comprei lá um poster grande que colei na montra. Para além de ter a imagem de um campo de concentração com arame farpado, detinha a frase: “Liberdade para os presos políticos”. De outra vez mandei cortar um tronco e enterrei-lhe na madeira um machado, e colei-lhe a frase: “não há machado que corte a raiz ao pensamento”. Toda a gente veio ver. Todos me interrogavam se eu já tinha sido visitado pela PIDE.
Num sábado, à tarde, de 1973, fui alertado de que o Eldorado estava a arder. Apesar do pronto auxílio dos bombeiros, só se salvou a sala da costura e o escritório. Como tinha seguro, pagaram-me tudo. Lembro-me perfeitamente do perito. Era um homem já velhote e de chapéu. Apenas me perguntou se eu tinha letras protestadas e se a ”escrita” tinha ardido. Como neguei, a seguir perguntou-me quanto tinha feito nesse sábado de manhã. Respondi: 97 contos. Passado uns dias tinha um cheque de 2400 contos. Mesmo assim fiquei em maus lençóis. Tínhamos 5 empregados.
Quem me ajudou foi o Fausto Correia. Foi tão meu amigo que convenceu o pai –o Fausto “Rolhas”, como era carinhosamente conhecido, e que já estava velhote- a ceder-me, sem trespasse, metade do seu estabelecimento de vinhos e rolhas que tinha na Rua Adelino Veiga. Um ano depois fiquei com a outra parte restante.
Então ali, na artéria mais movimentada da cidade, senti-me como peixe na água. Vendia o que queria. Como imperador no seu império, ditava a moda. Um dia trouxe uma calça de homem de Paris e, para não ir ao Porto, fui ter com o Eládio, da Santix, e perguntei-lhe se ele queria fazer aquele modelo exclusivo para mim. Ele disse que sim e mostrou-me os tecidos. Havia lá 78 cores. Não me servia nenhuma. Queria tonalidades novas, apelativas, que dessem vida. Só assim se mudaria a cidade. Havia lá uma encomenda que estava destinada à Suécia, e foi mesmo essa a cor que eu escolhi: bordeaux. No sábado seguinte, de manhã, logo que me entregaram a primeira tranche, vendi 40 pares.
Nos anos de 1980, tinha 43 empregados. Duas lojas na Figueira da Foz, uma em Aveiro e outra em Coimbra –aqui tinha 27 empregados. Os tempos mudaram, não há dúvida, as grandes superfícies rebentaram com o comércio tradicional. Mas, uma coisa afirmo: os comerciantes da Baixa estão derrotados psicologicamente. Perderam o entusiasmo.
Em 1982 entrei em choque com o meu sócio, e, no ano seguinte, abri o “Infinito”, na Rua da Sofia”, enfatiza Manuel Ribeiro.
Em 1990 o Eldorado, de Coimbra, foi vendido para um comerciante indiano que tinha uma loja em Lisboa e outra nos Açores. A fama e o “espírito” do Eldorado ficaram muito bem entregues. Sob a gerência de Asslam, um árabe naturalizado português e mais conimbricense de alma do que muitos nascidos aqui, esta grande casa histórica continuou a rolar e a dar cartas na rua do poeta operário. Com a abertura do Continente e da Macro em 1993, esta grande casa, tal como outras, sofreu o primeiro embate que lhe causou um fortíssimo rombo. Com o oceano do pronto-a-vestir a ser continuamente invadido por grandes “Shopping’s”, a clientela foi-se tornando mais escassa.
No fim deste mês, neste ano da graça de 2012, fecha-se um capítulo da história comercial da cidade. A nossa cultura vai ficar mais pobre. Encerra o Eldorado.

RECORDAR: O SUICÍDIO GERACIONAL

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



Escrevi esta amostra de poema em 2013,
aquando do suicídio de um meu amigo.
Sendo justos, estamos melhor. Mas as
assimetrias societárias continuam a mandar
para a morte demasiados portugueses, 
segundo dados estatísticos, cerca de 45 mil 
por ano.
Passando a imodéstia, creio que vale a pena
perder dois minutos a reler.


REFLEXÃO: SUICÍDIO GERACIONAL

Podem até falar-me de Átila, o flagelo de Deus,
de Calígula, o esquizofrénico filho de Tibério,
de Gengis Khan, o criminoso Mongol Imperador,
de Hitler, esse louco sanguinário de cemitério,
até Mao Tsé Tung, o homicida aterrorizador,
têm rosto, lugar na história, marca de magistério,
liquidaram milhões, dando a cara, em ódio castrador,
mas não me venham com assassinos de ministério,
que, matam, silenciosamente, pelo desânimo aterrador,
milhares de cidadãos que não suportam o despautério
de gente amoral, narcisista, filha de puta, cabrões sem amor,
que os condenam à indigência, à vida de impropério,
à vergonha de passar por um falhanço agressor,
após terem sacrificado a família, suado, em presbitério,
viram-se sem nada, espoliados, sem dignidade, com dor,
constataram que a sua passagem nesta vida de mistério,
não deixou memória, foi um vazio intragável de horror,
somente uma aragem ligeira de um vento sem critério,
foi por isto tudo, e muito mais, que o meu amigo, com ardor,
com a coragem que sempre lhe conheci, o Daniel Tibério,
partiu deste mundo sem se despedir, sendo o seu executor,
para ele, para o Zé, para alguns outros deste hemisfério,
um sentido respeito pela sua escolha solitária, comovedor,
que a sua morte não fosse em vão e nos faça pensar sério,
e nos empurre para o expurgar deste genocídio conspirador.

BAIXA: A SEMANA DO BACALHAU QUER ALHO

Foto de Baixa de Coimbra.



Faz sentido estar a promover um evento,
com meios pagos por verbas subsidiadas
pela edilidade -como quem diz por todos
nós- e cuja receita é para entregar a quem
precisa menos do que o promotor?”

Promovida pela Agência de Promoção da Baixa de Coimbra (APBC) e em  colaboração com a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, de 21 a 28 deste Abril águas mil, vai decorrer a Semana do Bacalhau. O evento tem a adesão de 38 restaurantes, todos situados no casco velho com 13 inscritos a concurso a decorrer, numa “prova cega”, na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra. Cada restaurante, independentemente de se apresentar a concurso ou não, pagará de inscrição 20 euros. Segundo o Diário de Coimbra, “sendo o total de 720 euros distribuído em partes iguais pelo Ninho dos Pequenitos (instalado no Instituto Maternal Bissaya Barreto e Liga dos Pequenitos -associação sediada no Pediátrico de Coimbra).

AS PERGUNTAS MAIS TONTEIRAS DO ANO

Pelo que é noticiado na imprensa, a APBC sobrevive à custa de verbas atribuídas pela Câmara Municipal de Coimbra. No ano passado a agência foi contemplada com um financiamento de 35 mil euros para o seu desempenho de desenvolvimento do comércio na Baixa da cidade. Para além disso, num projecto de 300 mil euros, comparticipado pela CCDRC, Comissão de Coordenação e desenvolvimento Regional do Centro, em 85 por cento, foi-lhe ainda atribuída pela autarquia uma verba de 45 mil euros para a instalação de 20 empresas “startups”, indústrias criativas, na Baixa.
Ou seja, quer o número de associados, cerca de sete dezenas, quer por rendimentos próprios, como se adivinha, a associação tem muitas dificuldades financeiras em ser auto-sustentável. De tal modo que na última quadra de Natal, para um orçamento de 4300 euros, não houve dinheiro para a sonorização.
Então, por conseguinte, lentamente, devagarinho a deslizar sobre vaselina, para não ofender ou magoar quem quer que seja -porque este blogue, sem comparticipação privada ou pública, precisa de estar bem com Deus e com o Diabo- saem as perguntas:

-Faz sentido estar a promover um evento, com meios pagos por verbas subsidiadas pela edilidade -como quem diz por todos nós- e cuja receita é para entregar a quem precisa menos do que o promotor?
-Estamos perante publicidade encapotada aos restaurantes aderentes da Baixa?
-É a caridadezinha em toda a sua pujança bacoca e trauliteira que está na moda e que fica sempre bem em qualquer associação portuguesa com certeza?

quarta-feira, 18 de abril de 2018

VÍTIMA DE ATAQUE SÚBITO NA CALÇADA NÃO RESISTIU







Embora não totalmente confirmado, mas segundo informações diversas que vão no mesmo sentido, ao que parece, o homem que ontem alegadamente sofreu um ataque cardíaco na Rua Visconde da Luz, infelizmente, morreu no hospital. Dava pelo nome de Fernando Garcia da Cruz Vasconcelos.
Como escrevi ontem, não foi por falta de esforços do pessoal médico do INEM que a história do senhor falecido termina assim. Considerando que todos temos um destino com horas de chegada e de partida, por certo, o desta vítima estava escrito que seria assim.
Enquanto actores desta peça dramática que é a existência, devemos olhar para estas representações trágicas que nos surgem no dia-a-dia e pensar se, por vezes, vale a pena andar a discutir o "cachet". Precisamos de tão pouco para viver, apenas vida, e, pelos nossos actos, parece que nos falta tudo. Reflictemos sobre o que aconteceu, ontem, com um homem que caminhava calmamente sobre as pedras da calçada.
Para a família enlutada, em nome de todos os calcorreantes desta Baixa que é nossa, os nossos sentidos pêsames.

P. S. - Agora já totalmente confirmada a notícia do seu falecimento, dava pelo nome de Fernando Garcia da Cruz Vasconcelos, era funcionário da Câmara Municipal de Coimbra com desempenho profissional na Torre de Almedina. Segundo o Diário as Beiras, o seu funeral realiza-se hoje, Quinta-feira, pelas 17h00, no Complexo Funerário de Taveiro, em Coimbra.