segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

LUSO: “UNIDOS VENCEREMOS”

 

(Imagem do jornal online Notícias de Coimbra)




Contrariamente ao que seria previsto numa manhã muito fria, hoje, cerca das 11h00, por volta de uma centena de pessoas marcou presença junto à Extensão de Saúde de Luso para protestar contra a falta de prestação de serviços médicos.

Aparentemente com um quadro preenchido por vários médicos, até há poucos meses a funcionar cinco dias por semana, subitamente com a aposentação de um clínico, sem explicação racional que o fundamente, o serviço aos cerca de 2800 utentes passou a ser fornecido apenas nas manhãs de Segunda e Quarta-feira.


E COMO CORREU?


Com organização, não declarada oficialmente, de Óscar Carvalho, ex-candidato pela CDU à Assembleia de Freguesia de Luso, e Isabel Cristina Alves, também representante da Coligação Democrática Unitária, seria esta cidadã a tomar o megafone e a ler um extenso rol de queixumes a justificar a chamada para a concentração popular.

Sem cartazes ao vento, sem coro mandado de vozes a unir os presentes a favor do protesto, com bastante simplicidade e pureza, com o canal generalista TVI e o canal por cabo CNN Portugal a cobrirem o evento em directo e vários meios de informação em diferido como os jornais online Notícias de Coimbra e Bairrada Informação, para os promotores a concentração não poderia ter corrido melhor.

Como era de prever, a Câmara Municipal esteve muito bem representada por António Jorge Franco, presidente da autarquia, que optou por uma presença discreta e apenas visível quando solicitado pela Comunicação Social, e Ricardo Santos, o novo vereador recentemente empossado no lugar de Gil Ferreira, e Carlos Calhoa, vereador sem pelouro com assento no executivo a simbolizar a oposição em representação do Partido Socialista (PS).

Também Claudemiro Semedo, presidente da Freguesia de Luso, e membros do seu executivo marcaram uma sublinhada presença em apoio aos fregueses.

Também estiveram presentes vários deputados à Assembleia Municipal, quer do Movimento Independente Mais e Melhor, ganhador das últimas eleições, quer do PS.


UMA LIÇÃO A RETER


Tudo indica que o que parecia irresolúvel até ontem, de repente, hoje, com uma manifestação popular de uma centena de pessoas, o que dá a parecer é tudo estar resolvido e ultrapassado.

Este modo de proceder faz-me lembrar um velho ditado: “Deus dá dificuldades a quem crê ter força para as resolver”. Ou seja, é como se para se conseguir manter alguma coisa, através de provações várias, ter de demonstrar que a merece.

Ora este comportamento cada vez mais usado e viciado de algumas direcções regionais – como é o caso desta Administração Regional de Saúde do Centro -, em representação do Governo, dá que pensar. Parece que deliberadamente, com uma política de gestão pouco clara, fecham as portas ao poder municipal eleito democraticamente em representação para sabotar a sua acção junto das populações e depois, metendo os pés pelas mãos, aparecem a tapar buracos como salvadores do povo.

Por outro lado, também é uma lição para os cidadãos. Se querem mesmo manter algumas grandes conquistas de Abril, como é o SNS, Serviço Universal de Saúde, cada vez mais terão de estar prontos a, solidariamente, a acorrer a defender problemas dos vizinhos. Hoje por eles, amanhã por nós. Habituem-se!

domingo, 29 de janeiro de 2023

PELA SUA SAÚDE COMPAREÇA AMANHÃ NO LUSO

 





Pela saúde de toda a população da nossa freguesia, vamos marcar presença!” (numa concentração amanhã, Segunda-feira, pelas 10h30, junto à Extensão de Saúde de Luso) este é o apelo pungente lançado por Óscar Carvalho, cidadão preocupado com questões que afectam a terra dos burriqueiros.

Segundo as suas declarações, “com a aposentação do médico de saúde familiar, Rui Nogueira, o posto médico lusense ficou a funcionar apenas dois dias por semana. Este estado de abandono não pode continuar. Por isso mesmo, entendemos que esta manifestação popular – sem cariz partidário – é de elementar justiça.

Pela nossa saúde, massivamente, marquemos, todos, presença no Luso, junto à Igreja Paroquial. Quantos mais formos, como é óbvio, melhor! Para mostrarmos ao poder decisor, a Administração Regional de Saúde do Centro, que não admitimos ser esquecidos e passados para trás.


QUAL É A POSIÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL NESTA MANIFESTAÇÃO?


E qual vai ser o lado em que a Câmara Municipal de Mealhada, constituída por toda a vereação incluindo a oposição, se vai posicionar nesta concentração? Vai comparecer e estar presente ou, fazendo de conta que não sabe de nada, vai manter-se afastada e ver o que dá?

Segundo Óscar Carvalho, o único a dar a cara por esta concentração, à pergunta se tinha dado conhecimento oficial à autarquia respondeu assim: “enviei ao senhor Presidente da edilidade, António Jorge Franco, uma mensagem particular através do meu telemóvel a dar-lhe conhecimento.

Por isso mesmo, nem que seja por apoio político e institucional à freguesia, é de prever que a Câmara Municipal vai estar bem representada neste protesto social – para comparação, relembro a manifestação popular em 14 de Outubro de 2021 para o anunciado encerramento do posto médico da Vacariça e em que Rui Marqueiro, na altura chefe do município, não deixou créditos por mãos alheias.

Salienta-se que, ao que julgo saber, o executivo tem tentado por, todos os meios chamar a atenção da presidente do Conselho de Administração, Rosa Reis Marques, para esta lacuna e até agora nada.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

CARTA DA JOANINHA AO PRESIDENTE


 



Bom dia, mano presidente “Celito”.


Começo por clarificar “k” que o bacano é “bué da fixe”. Cá em casa, desde o meu mano velho, o chefe do redondel, até à mana velha, a directora técnica, todos o gramamos “bué”.

O meu mano novo, “k” não sabe o “k” quer da vida e é “passado dos carretos”, diz que um dia quando for “cota” também quer ser assim, “sempre em pé”, “estar em todas”, “sempre em cima”, a comentar tudo e o seu reverso e “prafrentex”.

Escrevo-lhe esta carta para, cá do ninho, lhe manifestar o nosso total apoio à construção do altar para receber o Papa Francisco, em Agosto. Por 5 milhões é uma pechincha, porra!

O meu mano velho, num intervalo da leitura do jornal “A Bola” e enquanto virava um vinil de fado na vitrola, irritado, mandou um murro na mesa com o que se está a alardear “k” até o “Caetano”, o nosso miau-miau, assustado e com pêlo eriçado, mandou um “ganda” salto em pirueta “p´ra” dentro da lareira e ia se esturricando todo.

Diz ainda o mano velho que isto é coisa de comunistas, “k” ficaram picados por o mano Francisco dizer “k” ser homossexual não é crime mas é pecado. Estes “esquerdalhos”, não acreditando em nada – a não ser as teorias marxistas-leninistas-maotesetungistas -, são materialistas disfarçados de intelectuais.

Continue a defender a igreja, mano “Celito” sem se preocupar que Portugal é laico – “k” não sofre influência ou controlo por parte da igreja.

A maioria dos portugueses, incluindo António Salazar e o Cardeal Cerejeira – “k” Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, os tenha em boa guarda e numa “nice” – estão consigo.


CARTA DA TI JOANA

  

(com a devida vénia, imagem da Nacional-Flash)

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Bom dia, “xor“Prexidente”.

Já lá vai um “tempão” que não falo com vossemecê nem me recolho no seu colinho, mas, em boa verdade, também não é “prexixo”, todos os dias, seja de manhã, seja à tarde, seja à noite, o “veju” na tevê a “botar faladura” por todos nós, os crentes na “xanta Madre Igrexa”, os “pobrejinhos” e “dejamparados” da sorte, mesmo até aqueles que não “fixeram” nada para a merecer, e que têm um lugar cativo no “Xéu”.

Escrevo-lhe este recado para lhe mostrar o meu mais inteirinho apoio “xobre” a mais "rexente" querela da construção do altar pela vinda, em Agosto, do “Xenhor” Papa “Franxisco” a Portugal.

Quero “dixer-lhe”, “xenhor” “Prexidente”, que não pode ligar a estes boateiros e intriguistas e “vaxilar” um minuto que “xeja” na construção do imponente monumento em honra de “Xua” “Xantidade”, “xejam” “xinco” milhões, ou “xinquenta”. “Xe” nós o “rexebermos” com toda a “opulênxia”, tenho a “xerteza”, Deus vai contemplar-nos com “riqueja” em dobro.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

CMMEALHADA: BARALHAR E DAR DE NOVO NA VEREAÇÃO

 




Conforme anunciado previamente, a saída de Gil Ferreira do Executivo e entrada de Ricardo Santos em substituição, que, contrariamente ao seu predecessor, passará a tempo inteiro, deu a possibilidade a António Jorge Franco, o líder da equipa, de dar uma mexida na atribuição de pelouros a distribuir pelos vereadores da maioria.


António Jorge Franco, o presidente da Câmara Municipal, assume a Educação, Ensino e Formação, a Comunicação e Imagem e a Conservação Rodoviária, Logística e Manutenção. Mantém o Urbanismo e Planeamento do Território, o Ambiente e Gestão de Resíduos, a Mobilidade Sustentável, a Energia e Eficiência Energética, a Gestão Administrativa e Financeira (coadjuvado pela vice-presidente), a Gestão de Recursos Humanos, as Juntas de Freguesia (coadjuvado por Ricardo Santos), a Ação Social, a Gestão de Obras Municipais e Intervenção Paisagística, a Gestão do Património Municipal e a Saúde (coadjuvado por Hugo Silva).


Filomena Pinheiro, vice-presidente da Autarquia, assume o pelouro da Cultura, com Arquivo e Biblioteca, Cineteatro Messias e Associação Culturais e Recreativas, o Centro de Interpretação Ambiental e coadjuva o presidente na Educação, Ensino e Formação. Mantém o Turismo, o Desenvolvimento Económico (coadjuvada pelo Vereador Hugo Silva), os Fundos Comunitários e a Relação com CIM - Coimbra e CCDRC.


Hugo Silva, eleito nesta coligação pelo Juntos pelo Concelho da Mealhada, passa a ter a seu cargo a Participação Cidadã e as Associações Juvenis, mantendo as Empresas e Iniciativa Privada, os Espaços e Dinâmicas Empresariais, a Inovação, Inovação Social e SmartCities, a Juventude e a Feira de Artesanato e Gastronomia. Coadjuva o presidente na Saúde e a vice-presidente no Desenvolvimento Económico.


Ricardo Santos, até agora chefe de Gabinete de Apoio ao Presidente e Vereação, assume funções como vereador com os pelouros do Desporto, Agricultura, Floresta e Espaços Verdes, Proteção Civil, Cuidado Animal, Mercados e Feiras e coadjuva o presidente no pelouro das Juntas de Freguesia.


EDITORIAL: CM MEALHADA, A MAIORIA ESTÁ A PERDER O FÔLEGO?

 




Entrámos no novo ano, num novo ciclo temporal, passaram 15 meses desde a tomada de posse, a maioria, constituída pelo Movimento Independente Mais e Melhor e com um vereador do PSD em coligação, liderada por António Jorge Franco, como é natural, já perdeu o “estado de graça” – que habitualmente perdura apenas 6 meses – e mareia no grande oceano entregue à sua sorte e a contar com os seus próprios meios. Deixou de ser de bom tom culpar o antecessor pelo que está a correr menos bem.

Os eleitores que depositaram o seu voto confiando num futuro diferente, sempre ávidos por novidades, começam a coçar a cabeça de tédio e a contar o tempo encalhado na inércia.

Os dois marcos-padrão que simbolizam a nova era, o Mercado Municipal e as Piscinas Municipais, nem andam nem desandam.

Por outro lado, a saída de Gil Ferreira do Executivo veio estabelecer um enorme rombo na tripulação do navio-almirante. Ainda que se acredite piamente que bateu com a porta em busca de um mundo melhor, a ganhar mais, com um futuro mais interessante, e com menos agastamento, não se pode deixar de pensar que, tal como insinuou hoje em plena reunião de Câmara Municipal Rui Marqueiro, o líder da oposição e ex-presidente, algo teria ficado por dizer e a sua renúncia poderia ter tido, eventualmente, outras motivações.

Ao novo vereador, Ricardo Santos, que tomou hoje posse como sucedâneo de Gil, deseja-se muita sorte, porém, a caminhar no lastro do seu predecessor, como se adivinha, não vai ter vida fácil. Embora fosse até agora chefe de gabinete em apoio à presidência, para além da presumível inexperiência, terá de criar um novo percurso, sempre, com a sombra presente do ascendente e, inevitavelmente, vai ter de trabalhar em dobro para criar um carisma na defesa dos pelouros que lhe vierem a ser atribuídos.

Aparentemente, António Jorge Franco, agora mais seguro de si, deixa transparecer algum cansaço físico e psicológico. Esta dezena e meia de meses passados não têm sido fáceis, sobretudo com um Marqueiro acutilante e “sempre em cima”, e, como é óbvio, pelo atrito, provocam um intenso desgaste.

Mas nem tudo é mau para Franco, com a entrada de José Calhoa no Executivo, Marqueiro talvez por fadiga e ser obrigado a dividir o seu espaço de intervenção com este vereador, progressivamente está a tornar-se moderado na argumentação. É certo que, tal como hoje, sempre lhe vai escapando uma classificação de “incompetente”, mas, sem qualquer dúvida, está mais calmo e ponderado. Do ponto de vista dos eleitores, o grande político está muito melhor, por, finalmente, parecer ter compreendido que a assertividade e a cordialidade devem ser o timbre para uma melhor relacional argumentação política. Por outro, do lado do espectáculo, as reuniões perderam vida e foram se tornando mais amorfas, mas, a meu ver, é melhor assim por dar outra credibilidade ao exercício político.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

CMMEALHADA: UM ROMBO NO PORTA-AVIÕES

  




 

 

Segundo o jornal online Bairrada Informação, ficámos a saber hoje mesmo que o executivo mealhadense ganhador das últimas eleições sofreu uma baixa de peso-pesado, no caso, Gil Ferreira, vereador a meio-tempo com os pelouros da Cultura, Arquivo e Biblioteca, Cineteatro Messias, Comunicação e Imagem, Educação e Associações não desportivas. 

Professor coordenador na Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) do Instituto Politécnico de Coimbra, dividiu até agora a vereação na Câmara Municipal de Mealhada e o ensino de jornalismo. Homem de vários talentos, com vários artigos publicados em revistas especializadas e com 5 livros publicados, ainda arranjou arte para, há cerca de um ano, fazer parte do elenco do documentário intituladoA primeira Linha de Wellington”, realizado por Paulo Fajardo, em que é retratada a Terceira Invasão francesa, na Batalha do Bussaco ocorrida em 1810 e liderada por Massena. 

Durante cerca de 15 meses em que exerceu o mandato, Gil Ferreira, como trave-mestra numa edificação, foi o paradigma, o modelo, da seriedade e da confiança, um “Lord”, um senhor, pelo sentido de responsabilidade que emanava da sua pose assertiva e cordata. Porém, uma ilação parecia ressaltar da sua imagem aprumada: este eleito era ali um peixe fora de água. Isto é, Gil, apesar de tentar fazer o melhor, era uma peça fora do tabuleiro, aparentemente é demasiado puro para fazer parte de um lodoso mundo político profissional, cuja palavra dada pouco vale e não é para ser respeitada, em que estava inserido. Caiu ali por acidente.  

Associada a esta saída abrupta não será alheia, em 2018, a conclusão da Prova de Agregação, “título académico de agregado atribuído pelas universidades, mediante a aprovação em provas públicas, necessário à progressão nas carreiras docentes universitária e politécnica e na carreira de investigação científica. 

Por outro lado, há uns meses, em reunião da câmara, Rui Marqueiro, ex-presidente e agora líder da oposição, acusou a maioria de, no final do ano passado, durante umas horas, ter ensaiado uma inscrição a tempo inteiro do vereador Gil, para tentar reparar as perdas entre o salário de docente e de vereador. 

Ou seja, mais que certo, o pampilhosense, em catarse experimentada durante vários meses em longas noites de insónia, escolheu o que o fazia mais feliz: escrever e dar aulas. Para além de ser monetariamente muito mais desafiante e compensador, não tinha de levar para casa, diariamente, os negros fluídos contaminados de um ambiente pesado, degradante e desagregador da auto-estima. 

 

UM CASO PARA PENSAR 

 

Por que já o escrevi várias vezes ao longo das últimas décadas, por princípio, defendo que qualquer cidadão que aceite submeter-se a sufrágio popular e é eleito para cargo público, como num contrato social, tem obrigação de cumprir por inteiro o seu mandato político. Para quebrar este compromisso de honra, só a saúde do próprio e de alguém muito próximo de si pode constituir alibi para rasgar o acordo. Ao renunciar, trocando a cadeira pública por um lugar mais bem pago, está a contribuir directamente para a degradação de uma classe que, mesmo sem este claudicar que se tornou hábito, já anda pelas ruas da amargura. 

 

NO ENTANTO... 

Apesar de não aceitar pacificamente, consigo perceber a decisão de quem abdica de um lugar político. Existem fortes razões para levar em frente esta vontade. E essas razões são monetárias. Hoje, desde deputado, ministro, passando por presidente de câmara e acabando em presidente de junta, qualquer um destes eleitos ganha muito mal. Tal como os administradores no sector privado, fossem estes lugares bem-pagos e o país e a sociedade em geral ficariam a ganhar. Como não é assim, só permanecem na carreira política os apaixonados pela função e aqueles que não têm mais mundo para escolha. E, para quem quiser ver o resultado dos decisores da nossa Macro-economia no último meio-século, basta atentar no crescimento económico de Portugal que, oscilando entre picos de euforia e desânimo, não passa da cepa-torta. 

Para piorar, temos uma classe política medíocre, dividida entre a esquerda e direita, enraizada no populismo, que defende ainda uma redução de salários para os servidores do Estado. 

Para tornar o ambiente mais turvo e a favorecer as teses “popularuchas”, para nosso azar, temos aí o constante martelar da comissão paga pela TAP à ex-secretária de Estado Alexandra Reis. 

Para onde caminhamos? Queremos galinha gorda por pouco dinheiro?