quarta-feira, 29 de março de 2017

UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...




CP deixou um novo comentário na sua mensagem "SER OU NÃO SER CIDADÃO POR COIMBRA":


Subscrevo Caro Miguel Dias. Muitíssimo respeito pessoal e cívico pelo José Augusto Ferreira da Silva, que considero um lutador como edil, honrado e tantas vezes só. Demonstrou o que é ser um grande e sério vereador. Tenho imensa pena que ele tenha, aparentemente, sido seduzido para este caminho de apresentação de um candidato como um facto consumado, sem os aderentes opinarem nada. Não é verdade, do que observei, e passo a citar "perante a mera proposta, apresentada pelo Coordenador do CpC, de debater possíveis contributos de cidadãos exteriores ao movimento mas disponíveis para integrar uma candidatura centrada nos princípios do CpC, (...) viram-se confrontados com a rejeição abrupta de qualquer discussão política através de um acantonamento obstinado".
O que eu vi foi um anúncio na comunicação social de J. Manuel silva como candidato do CpC. Quem o fez e quem enviou como facto consumado à Comunicação social, não sei - e francamente nem me importa-, mas não foi bonito e as lamentações agora surgidas não reflectem o que vi acontecer. Tudo um equivoco evitável julgo eu, mas muito lamentável num movimento de cidadãos onde as coisas impostas assim não podem ser absorvidas de bom grado, como é evidente. Foi uma situação absolutamente evitável, por ser por demais previsível. Mas o caminho faz-se caminhando e o CpC continuará o seu bom caminho. Há gente de grande valor e alma no CpC e mais virão certamente. Ao José Augusto Ferreira das Silva devemos, como cidadãos, um grande agradecimento pelo trabalho tão empenhado e tão exemplar. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

UMA IMAGEM QUE VALE POR MIL PALAVRAS



É ASSIM A BAIXA, NA ACTUALIDADE

A MORTE, A VIDA E A NATUREZA DECRÉPITA 

A MORTE -simbolizada no anúncio necrológico colado na parede de alguém que já fez parte da Baixa, partiu e a deixo mais desertificada; 
A VIDA ARRASTADA NAS PEDRAS DA CALÇADA -em exemplo dado pelo “mendigo turco”, cujo quadro social assistimos cada vez mais;
A NATUREZA E A SUA DECREPITUDE -paradigmatizada na flor, no acentuado estado murcho do jarro.

sábado, 25 de março de 2017

UM COMENTÁRIO RECEBIDO E UMA RESPOSTA DADA...




Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "ESTÁ A DECORRER UM ABAIXO-ASSINADO NA BAIXA E PEL...":

O desrespeito do executivo? Certo, eu também quero que eles façam cumprir a lei. Mas o desrespeito e vergonha não é sobretudo dos que abusam? Não conhece nenhum, senhor Luís Fernandes?



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RESPOSTA DO EDITOR


Começo por lhe agradecer o comentário, caro anónimo-conhecido. Vamos por partes, e respondendo às suas questões, que eu não quero que lhe falte nada.
Pegando na frase “eu também quero que eles façam cumprir a lei”, meu considerado, dada a sua posição privilegiada na Câmara Municipal, ninguém melhor do o senhor para o fazer. Se não faz é porque não quer. Ou seja, não está para se aborrecer. Até entendo, se as coisas correrem mal, restam seis meses, e em meio ano não se faz o que se deveria ter feito em quatro anos.
Continuando a rebuscar o seu ataque em forma de defesa, meu caro amigo: “Mas o desrespeito e vergonha não é sobretudo dos que abusam?”. É verdade que sim, senhor, a causa do problema reside nos que abusam. Mas abusam porquê? Porque há completa inoperância da PSP e Polícia Municipal. Estamos de acordo, não estamos? Ora se concordamos, pela nossa amizade, faça o favor de não empurrar com a barriga, a despachar para a frente.
E vamos à última sua afirmação, “Não conhece nenhum, senhor Luís Fernandes?”
Eu conheço apenas alguns -não todos, por que o problema atingiu tal descontrolo que já extravasou para o cidadão comum que já viu o furo, que se pode estacionar na Praça do Comércio à borliú por que raio vai arrumar o carrito no parque de estacionamento a pagar?
Mas o caro colega também os conhece muitíssimo bem. Ora, sem ofensa, vamos lá pegar o boi pelos cornos: não confunda a força da formiga com a do elefante. Por outras palavras, quero dizer que eu sou um (in)significante cidadão que somente tento elevar o queixume de alguns colegas. Não detenho nem exerço qualquer poder ao serviço de quem quer que seja -nem ganho nada por escrever. O contrário se passa consigo. O caro amigo é (bem) pago para cuidar dos bens públicos, da segurança jurídica, para garantir que as normas regulamentares são cumpridas.
Ainda lhe digo mais, lembra-se quando, muito irritado contra o anterior executivo, antes de fazer parte do poder actual, indignadíssimo falava comigo sobre o anárquico estacionamento na antiga praça velha? Esqueceu-se não foi? Ser-se oposição dá mais pica do que ser poder, não dá? Estar dentro do centro decisor, no turbilhão, é como um escafandro que se veste e abafa todos os nossos gritos anteriormente dados. É, não é? Sabe uma coisa? Gostava muito e tinha muito mais apreço por si quando estava na oposição. Você está uma sombra do que era, porra! E é pena!

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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO RECEBIDO E UMA RESPOSTA DADA...":


Não. Abusam, antes de mais, porque têm falta de civismo. Claro que a policia deve atuar contra quem prevarica, comete crimes, etc. Estou é farto da história de que a delinquência é culpa da sociedade, do Estado, da câmara, etc. Envergonhe-se quem abusa, sem meias tintas. Não foram colegas seus comerciantes os pioneiros do abuso? Não fazem muitos dessas ruelas e praças os seus estacionamentos particulares? Ora, é sobre eles que deve ser dirigida a sua indignação. Não é só jeremiadas sobre os pobres dos comerciantes da baixa.
Parece saber quem sou. Fica autorizado a colocar aqui o meu nome. Faça isso de vez, sr. Luís Fernandes. 



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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO RECEBIDO E UMA RESPOSTA DADA...":


É
irrelevante a origem do pecado. Se é preciso fazer cumprir a lei quem de direito tem de a fazer cumprir. Se a lei é injusta deve-se mudar. Não há terceira via.



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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO RECEBIDO E UMA RESPOSTA DADA...":



irrelevante a origem do pecado."? Isto está bonito, está... 


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Unknown deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO RECEBIDO E UMA RESPOSTA DADA...":


Não é o assunto em questão que me fez comentar este post; foram estas afirmações: ”Não foram colegas seus comerciantes...» e «Não é só jeremiadas sobre os pobres dos comerciantes ».
O sr. anónimo parece ter qualquer problema com esta classe trabalhadora, classe esta que é o «motor» da Baixa. O que seria do centro sem comerciantes? Mais adiante diz: «colegas seus». Como quem diz, não tenho nada a ver com esta gente, são colegas do Luís, por isso não deve ser coisa boa! E logo a seguir remata com «jeremiadas» e com «pobres» de forma irónica.
Sr. anónimo, não sou comerciante mas não gostei da forma como descreveu os «colegas» do Luís. Não acho correto desprezar e generalizar toda uma classe com base no comportamento de alguns, em relação ao mau estacionamento. O que interessa a profissão do prevaricador? interessa é multar, rebocar, seja o que for a quem viola a lei. Noto no seu comentário um certo desdém pelos comerciantes da Baixa. É a minha opinião e vale o que vale.
Marco Pinto

Coimbra


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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO RECEBIDO E UMA RESPOSTA DADA...":


Não é desdém nenhum, nem meto tudo no mesmo saco. Mas isso das classes, não é o próprio sr. Luís Fernandes que se refere a todos os autarcas e representantes de Coimbra, assim, por grosso, e do outro lado diz ter razão de queixa toda a classe de comerciantes da Baixa? Pergunto: incluindo os que prevaricam?
A questão é que muitos dos problemas de abandono da Baixa pela população se devem à classe dos comerciantes. Desde logo, pela falta de modernização, depois, pela falta de união e participação activa no associativismo. É ou não verdade? Os bons comerciantes, que os há, na Baixa, incluindo os jovens, beneficiariam de um bom ambiente geral. A Câmara municipal tem obrigações, mas não pode fazer tudo. Ironicamente, acho que o estabelecimento do Sr. Luís Fernandes é um dos atraentes espaços comerciais e já aqui o tinha dito. Fossem todos como ele, e veríamos mais pessoas a calcorrear aquelas ruas e a entrar nos estabelecimentos. Neste caso particular do estacionamento, digo e repito que a culpa é, em grande parte, de muitos comerciantes. Arriscaria até dizer que são também esses que se queixam de que as pessoas não vão à Baixa, porque existem os centros comerciais. Não foi minha intenção ofender ninguém.

António

sexta-feira, 24 de março de 2017

ESTÁ A DECORRER UM ABAIXO-ASSINADO NA BAIXA E PELA BAIXA







Parece que habitamos na terra do nunca. Veja-se bem ao ponto a que chegámos. Ou seja, o cidadão comum, para que lhe seja atribuído o que legalmente tem direito, tem de recorrer ao Abaixo-assinado para fazer o poder político cumprir a lei. Estamos num estado de Direito, não estamos?
Este Abaixo-assinado, como grito de socorro vindo das profundezas da alma do primeiro subscritor, Sara Cruz, vale sobretudo pela denúncia, pela incúria, pelo ostracismo, pelo desrespeito como o Executivo da Câmara Municipal de Coimbra trata quem aqui, na Baixa, trabalha e reside. O que está em causa é lembrar a autarquia que existem prerrogativas nos regulamentos e posturas municipais que proíbem o estacionamento anárquico dentro do perímetro da Baixa. O que está em causa é o não cumprimento da lei. O que está em causa é fazer-se gato-sapato do cidadão cumpridor dos seus deveres, que ama a sua cidade, e, pela omissão de quem tem obrigações para o colectivo, beneficiar o infractor. Isto é, afirmar, preto no branco, que o crime compensa.
Quando aponto o dedo ao Executivo, quero dizer a toda a vereação, incluindo naturalmente a oposição. E para que não lavem as mãos como Pilatos, também os deputados na Assembleia Municipal de Coimbra e também os representantes eleitos nas freguesias de São Bartolomeu e Santa Cruz, agora agregadas em União -quando foi a última vez que, no hemiciclo camarário, foi ouvida a voz de algum eleito em defesa da Baixa? Mal empregadas subvenções públicas que levam para casa pela sua medíocre prestação. Todos estes edis, pela não denúncia em local próprio, são coniventes com esta situação. É uma lástima que faz chorar o menos sensível para as questões ambientais, monumentais, sociais e turísticas da Baixa da cidade. É uma apatia que incomoda de mais. Dentro de cerca de cinco meses, como caçadores de borboletas, vamos ver todos a andarem por aqui a captarem votos. Nessa altura, podem contar serem recebidos com desprezo. O mesmo desprezo que nos votaram nos últimos quatro anos. Acreditem, não vamos esquecer o que nos prometeram e não cumpriram. Vamos lembrar-vos as palavras ditas da boca para fora, sem sentimento, sem convicção,  e depressa esquecidas. Haja vergonha na cara! Pelos nossos antepassados, haja vergonha, meus senhores!



UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...





Miguel Dias deixou um novo comentário na sua mensagem "SER OU NÃO SER CIDADÃO POR COIMBRA":



O problema de J.M. Silva para a maioria dos presentes (e não apenas militantes do BE) não é saber se ele é de direita ou esquerda. Para mim, por exemplo, é me indiferente. Já não conhecer uma única em relação aos assuntos da cidade acho grave... Como diz e bem, o apoio a JM Silva estava a ser cozinhada à grande partido (embora o BE já tenha feito o mesmo e mal): as cúpulas apresentam como facto consumado. Acho que não é assim que deve ser. Quanto à simpatia pelo José Augusto acho que é real. De alguma maneira parece mal na foto, mas merece o total reconhecimento pelo excelente trabalho que fez. Lamento muito ele não querer continuar. Um abraço.

P.S. Leio nas tuas palavras sempre uma certa suspeita de instrumentalização por parte do BE. Alguma vez isso aconteceu na Plataforma do Choupal? 


quinta-feira, 23 de março de 2017

SER OU NÃO SER CIDADÃO POR COIMBRA






Sigo o percurso político do movimento Cidadãos por Coimbra (mCpC) desde a sua fundação, quando começou com reuniões embrionárias numa sala próximo do José Falcão e depois com o anúncio oficial e apresentação no Café Santa Cruz. Aqui neste dia, neste café, compondo uma canção para o efeito, "Aurora", participei com a desaparecida “Orquestra de Músicos de Rua de Coimbra” -no qual fui o mentor e, com a ajuda de Emília Martins, presidente da direcção da Orquestra Clássica do Centro, juntando em grupo os instrumentistas que faziam a sua performance individualmente ao calor e ao relento, acabou a gravar-se um cd com treze temas originais -cuja venda reverteu para pagar a passagem para a Roménia do Paolo, um prestigiado músico de rua que, durante muitos anos, foi nosso companheiro diário e alegrou as ruas da Baixa.
Como estive ligado a alguns movimentos contestatários na cidade, entre a eles o atravessamento aéreo da Mata Nacional do Choupal por uma ponte rodoviária, de certo modo, aprendi o modo de agir do grupo e fiquei a conhecer quase todos os simpatizantes do Bloco de Esquerda em Coimbra, partido que, louve-se, sempre soube assumir uma certa liderança na cidade em questões fracturantes. Concorde-se ou não, pela capacidade de mobilização pública e forte convicção na defesa das suas teses, esta agremiação partidária veio a revelar-se uma pedrada no charco na adormecida urbe estudantina.
Nunca enganei os presentes. Sempre disse que, ideologicamente, era liberal, independente de qualquer facção político-partidária. Estava ali somente por me identificar com a reivindicação.
Penso que foi através deste conhecimento que teria sido convidado por, salvo erro, José Dias a participar nos encontros preliminares de constituição do mCpC junto à Escola Secundária José Falcão. Nessas congregações de cerca de uma dúzia de pessoas, cedo me apercebi que, através de discursos inflamados, este movimento de cidadãos pretendia ser e agir intrinsecamente na margem dos ideais de Esquerda. Numa daquelas reuniões pedi a palavra e chamei a atenção para um paradoxo notório. Se aquele agrupamento político pretendia constituir-se em representativo de cidadãos, livres e descomprometidos de partidos tradicionais, não fazia qualquer sentido que apenas coubesse nele pessoas identificadas com a Esquerda -até porque, do ponto de vista estratégico, para um projecto que estava a começar, era um erro crasso dispensar a aderência e os votos fosse lá de quem fosse. Disse mais: a ser assim, sendo exclusivo a uma facção ideológica, eu não faria nada ali naquelas conversações de organização. Salvo erro, citando de memória, assim respondeu José Dias: “claro que o Luís tem razão. Este movimento é dirigido a todos os cidadãos. De facto, só faz sentido abrangendo todas as tendências”. Passados mais de quatros anos, recordo que aquela tese, arrancada a ferros, não me convenceu e o tempo veio a mostrar que aquelas palavras não tiveram qualquer significado prático nos usos e costumes do mCdP. Aliás, a meu ver, a actual crise que o movimento está a passar assenta exactamente nesta declaração que, ao longo dos últimos quatro anos, nunca foi levada à prática. Mais à frente serei mais claro na defesa desta tese.
Foram constituídas listas para as eleições, Executivo, Assembleia Municipal e Freguesias, e fui convidado para integrar e concorrer, em nome do mCpC, à Junta de freguesia de São Bartolomeu. Declinando por motivos profissionais, nunca perguntei nem me foi dito qual o lugar que seria integrado.

O ANÚNCIO DO MESSIAS

Foi anunciado como um produto novo, inovador, que viria alterar todo o situacionismo. Em Fevereiro de 2013, na carta de princípios, na sua apresentação ao povo citadino prometia uma mudança nos usos e costumes:
É nossa ambição tornar Coimbra um concelho que aprofunde a democracia representativa através do exercício alargado da democracia participativa, que promova uma cultura de apresentação pública, de responsabilização e de prestação de contas das decisões camarárias estruturantes da vida da cidade e do concelho”.
A memória e a tradição têm de ser modernizadas para fazerem parte do projeto de futuro que ambicionamos para Coimbra-cidade e Coimbra-concelho. Ambição é, também, resgatar a Baixa da cidade e tirá-la do seu estado de marasmo e agonia. É devolver-lhe dinamismo no comércio, nos serviços, na componente residencial e na convivialidade cívica. Ambição é pôr a cidade de corpo inteiro na agenda do turismo e ter ousadia no entendimento do que pode ser uma cidade Património da Humanidade.
Coimbra, a cidade e o concelho, merecem mais e melhor. Merecem não continuar a ser tratados como mero objecto de disputa partidária. Merecem outra governação. Mais democrática e mais ambiciosa. É este o nosso compromisso.
Coimbra é a nossa causa!”

QUATRO ANOS EM POUCAS LINHAS

Vieram as eleições e, para além da representação na Assembleia Municipal, veio a ser eleito um vereador no Executivo: o advogado José Augusto Ferreira da Silva. Viria também a ser designado coordenador do mCpC. Sendo um homem de convicções na defesa dos seus valores, entre outros desempenhos, ocupou lugar no Conselho Regional de Coimbra da Ordem dos Advogados. Na Baixa, por quem o conhecia na altura, foi sempre respeitado pela sua assertividade e postura cordial. Tendo a esquerda como convicção, diz quem o conhece bem, foi sempre um seguidor de consensos, um moderado.
Porém, apesar do razoável desempenho de Ferreira da Silva como vereador eleito para o Executivo, o seu expediente nem sempre foi seguido com a mesma argúcia por outros pares quando, em sua substituição, ocuparam o seu lugar no executivo. E também por posições assumidas pelos deputados do seu grupo no hemiciclo. É verdade que foram dados passos importantes entre o cidadão e o poder político. Mas também foram dados tiros nos pés. O resultado de todo este trabalho conjunto, executivo e parlamentar, foi que acabou por desiludir tanto os eleitores como a super-estrutura constituída pelos fundadores -estes que, de certo modo e implicitamente, nunca quiseram largar a mão do seu menino, o mCpC. Sendo conotados com o Bloco de Esquerda – o manto diáfano da transparência obscura que sempre gravitou em torno do movimento mas que só se tornou mais clara quando, em final do ano passado, este partido veio a desistir de concorrer à Câmara coimbrã e a declarar o seu apoio ao mCpC. Quiseram impor a mesma doutrina organizacional bloquista a um agrupamento político que, pela sua carta constitucional, deveria ser e seguir completamente o oposto.

A AURA DE SANTANTONINHO

Para entornar o caldo, a SIC, sem confirmar as fontes, deu como certo que José Manuel Silva, ex-bastonário da Ordem dos Médicos, seria o candidato do mCpC à Câmara Municipal de Coimbra nas próximas eleições autárquicas e em substituição de Ferreira da Silva -este que na reunião que deu origem à notícia da televisão privada apoiava esta solução considerada como de “alargamento”. Apesar da moção vir a ser chumbado no plenário, caiu o Carmo e a Trindade na maioria dos aderentes do movimento de cidadãos. A consequência foi uma reunião dos fundadores à revelia de Ferreira da Silva. Este, enquanto coordenador, considerando-se desautorizado, em resposta, veio a marcar um plenário aberto a todos os simpatizantes no Rancho das Tricanas de Coimbra.

A DISSENSÃO NAS TRICANAS

Quem esteve no passado Sábado no Rancho das Tricanas de Coimbra, na Rua do Moreno, a observar os trabalhos do agrupamento, deu para perceber que a palavra “dissensão” foi a mais repetida no velho salão de baile e quase até à exaustão. Provavelmente, teria sido acometido de vários sentimentos. Tais como:
O primeiro, logo ao transpor a porta, contrariando o que esperava, foi ver a sala bem composta. Cerca de seis dezenas de aderentes estiveram presentes na popular colectividade.
O segundo, foi uma certa animosidade contra Ferreira da Silva, o coordenador e rosto materializado dos cidadãos por Coimbra na cidade. Ficou bem patente por parte do grupo de fundadores o não quererem abrir mão do controlo do movimento. Ficou bem vincado que, contrariando a vontade de Ferreira da Silva, aqueles querem a escolha de um novo candidato a partir das bases para o vértice da pirâmide organizacional e não o contrário como tentou implementar o coordenador. Ou seja, notou-se ali um choque de procedimento entre a esquerda moderada, de Ferreira da Silva, a querer imitar os partidos do arco do poder, e a esquerda radical, dos fundadores que, digo eu, estão agarrados à forma de agir dos comunistas.
O terceiro, deu para inferir que Ferreira da Silva é um homem respeitado por todos, mas seguido apenas por uma minoria. A maioria, constituída por simpatizantes do Bloco, está ao lado dos fundadores.
O quarto, deu para adivinhar que o candidato a anunciar dentro de dias, salvo melhor opinião e a ver vamos, sendo pior a emenda que o soneto, vai dar razão ao coordenador ao recomendar José Manuel Silva. Poderia apostar quem será, mas, como posso perder, vale mais não arriscar. Mas, para descansar as bases ligadas ao Bloco será um homem de esquerda retinta.
O quinto, deu para perceber que ninguém conhece, nem quer conhecer, o ex-bastonário da Ordem dos Médicos. É de Esquerda? É de Direita? É de Centro? Na dúvida, condena-se o réu. Vai daí, cola-se o candidato independente à direita.

Com isto tudo, e para ele o meu abraço de consideração, quem deve estar triste como a noite é José Augusto Ferreira da Silva, o coordenador, que, com a humildade reconhecida no Rancho de Coimbra disse que, naturalmente, sabia que não tinha feito tudo bem. Mas, avento eu, fez o que pode e quem faz o que pode faz o que deve, dizia Torga.

quarta-feira, 22 de março de 2017

UMA CARTA QUE DEVERIA FAZER REFLECTIR A IMPRENSA

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Na penúltima edição do semanário Campeão das Províncias, na primeira página, podia ler-se o título: “É polémica a substituição de IPSS por uma empresa na Unidade de Saúde de Coimbra”. O desenvolvimento prosseguia na segunda e terceira páginas. Em subtitulo vincado a preto podia ler-se: “No princípio era o GES e Victor Camarneiro”. No prosseguimento da crónica o nome de Camarneiro apareceu uma única vez a finalizar um parágrafo. Era assim: “A parceira da Demagre, de que foram sócios dois gestores da Trancone (TCN), era a instituição particular de solidariedade social Associação de Fernão Mendes Pinto (AFMP), então presidida por Vitor Camarneiro”.
Este procedimento -a meu ver, algo anómalo- deu origem a uma carta do visado de impressionar o mais sensível. Sem querer mostrar qualquer sentimento de superioridade moral, tenho para mim que Victor Camarneiro ao usar do seu direito de defesa, eventualmente e alegadamente, terá carradas de razão. Um jornal, seja diário, seja semanário, seja local ou nacional, tem uma obrigação dupla: tratar todos os assuntos com independência e mostrar imparcialidade aos seus leitores. Eu sou leitor do semanário Campeão das Províncias. Enquanto companheiro semanal não gostei de ler a súplica de Camarneiro a solicitar aos órgãos do jornal um respeito merecido e que não lhe foi atribuído na crónica. Qualquer um de nós hoje pode estar bem e amanhã não se sabe. Seja lá quem for, hoje pode ser bestial e amanhã uma grande besta. Seja o tratamento do primeiro caso, em que é idolatrado, seja no segundo, em que passa a pior que asno social, os órgãos de informação, enquanto veículos de construção da honra e da desonra, têm uma responsabilidade acrescida. Quem escreve detém um poder muito acima do vulgar cidadão e por isso mesmo -tenho quase a certeza de que não foi o caso- não pode ser tomado de espírito justicialista ou legalista. Para julgar existem os tribunais e até estes órgãos de soberania, que exercem o seu poder de absolver ou punir em nome do povo, não podem cair em radicalismos societários, sob a consequência de desvirtuar a justiça.
Por outro lado, ainda, há um princípio aplicado a todas as religiões e boas regras societárias: não se bate em quem está no chão. Se não é possível estender-se-lhe a mão para o soerguer, no mínimo, vira-se-lhe as costas.
Admito que fosse um erro do jornalista, ou da redação, mas a ser assim, pelo exagero do subtítulo, o jornal, mesmo depois de publicar a carta de esclarecimento, deve um pedido de desculpas formal ao visado em edição subsequente.
Como ressalva, para que não se pense que faço este reparo sobre qualquer ponto de vista de interesse, sobre palavra de honra, não conheço, nem nunca vi mais gordo, Victor Camarneiro.
Deixo extractos da carta publicada na última edição do Campeão das Províncias:

DIREITO DE RESPOSTA DE VICTOR CAMARNEIRO”

Disseram-me, e eu confirmei, que o meu nome é citado na edição de 09 de Março do “Campeão” a propósito de mais um daqueles escritos do R.A. (Rui Avelar) sobre a Unidade de Saúde de Coimbra (USC), certamente com o objectivo de lançar suspeitas sobre o eventual favorecimento perpetrado pela administradora de insolvência, Ana Rito, à mãe dos seus netos, simultaneamente psicóloga da USC, e ao seu sócio, Carlos Magalhães, director clínico da Unidade, há muitos anos, na empresa que hoje gere e explora aquela entidade, cuja denominação, Propriarmonia, fiquei agora a conhecer.
(…) Só que, surpreendentemente ou não (???!!!), como há uns anos atrás quando fui constituído arguido no então designado processo dos CTT, voltou o vosso escriba a usar e abusar do meu nome sem alguma vez, antes como agora, me ter abordado para, no mínimo, conhecer a minha versão dos factos e dar-me a oportunidade de o esclarecer e me defender. Aliás, nem sequer depois de eu ter sido absolvido pelo colectivo de juízes, do Ministério Público não ter recorrido da sentença e da mesma ter transitado em julgado, jamais o Rui Avelar ou qualquer dos outros escribas que se apressaram a a comprometer-me publicamente deu qualquer relevo ao facto ou quis saber das consequências que tão ignóbil cometimento teve na minha vida e dos meus.
(…) O Dr. Lino Vinhal, director do “Campeão”, o Rui Avelar, ou quem quer que seja, por um momento que fosse, pensaram alguma vez em mim, no que me aconteceu e à minha família, e imaginaram em que situação fiquei no meio de tudo isto? Acusado pelo Ministério Público, constituído arguido, declarado insolvente por manigância de uma administradora de insolvência; contudo, absolvido, mas falido e desacreditado depois de uma vida repleta de feitos em prol dos outros e da comunidade em geral. Por acaso reflectiram, um minuto que fosse, como é que alguém depois de tudo isto ainda se consegue erguer sem deprimir, embebedar ou drogar?
(…) Decerto que nunca o fizeram porque o vosso ofício não é esse. O vosso ofício é outro. Bajular poderosos de forma acrítica e interesseira e amesquinhar quem se torna alvo fácil da vossa lamentável e vingativa escrita. Se não dizei-me que “merda” de subtítulo é este de “no princípio era o Ges e Victor Camarneiro”? -Falta de imaginação? Incompetência? Encomenda? Querem o meu sangue? Continuar a espezinhar-me porquê? Quem vo-lo encomendou?
(…) Estejam descansados comigo, vivo num T2 arrendado, estou divorciado há seis anos, os meus filhos mais velhos encontram-se fora do país, não possuo sequer conta bancária nem cartões de espécie alguma, nem carros, casas ou seja lá o que for! Trabalho por conta de outrem;
(…) Pode dormir tranquilo e deixar-me em paz, Sr. Dr. Lino Vinhal. Podes tu também deixar-me em paz, Rui Avelar. (...)”