sexta-feira, 12 de outubro de 2018

BAIXA: ENCERRARAM AS MODAS BAGUI





Depois de 43 anos ao serviço da Baixa, encerrou as Modas Bagui, no Largo Paço do Conde, um respeitado estabelecimento dedicado a roupa de qualidade para homem e senhora.
Decorria o “verão quente” de 1975 quando o casal constituído por Basilícia e Eduardo Guimarães abriu as Modas Bagui, no Largo Paço do Conde, mesmo em frente ao desaparecido Saul Morgado. Nessa altura e até finais de 1990, toda a Baixa, em toda a zona envolvente de ruas, largos e ruelas, era um autêntico formigueiro de pessoas.
A decadência da Baixa começou com a abertura das grandes superfícies, em 1993”, enfatiza Eduardo Guimarães. “Eu e o meu filho fizemos parte da manifestação de comerciantes – contra a abertura da Makro e do Continente e convocada sobre a égide de César Branquinho, um comerciante respeitado que já deixou a actividade mercantil há vários anos – contra a sua instalação na cidade. Só os mais pequenos se insurgiram. Os grandes comerciantes da Baixa alhearam-se completamente do que estava a acontecer. Aliás, num egoísmo incompreensível, nunca quiseram saber do declínio que estava em marcha.
Hoje, tivemos de tomar esta decisão. Aliás, foi o médico que recomendou: se queríamos viver mais uns anos, o melhor era irmos embora depressa. No estado em que se encontra a zona comercial, isto mata em vez de dar saúde.
Uma pessoa passa o tempo a fazer contas de cabeça. Estamos a trabalhar só para os impostos. Não se consegue ganhar para a renda – que, nesta parte, não tenho nada a dizer do meu senhorio. Foi sempre uma pessoa conscienciosa, há muitos anos que não me aumenta a renda. Não se ganha para comer!
Este ano, para suportar os custos, não houve qualquer mês que não tivesse injectado dinheiro anteriormente amealhado. Valeu mais termos escolhido a saída. Não tivemos mesmo outra solução de recurso senão fechar a porta.”


QUE SOLUÇÃO PARA A BAIXA?


Continua Eduardo Guimarães, “a seguir ao 25 de Abril e até hoje, todos os políticos que passaram na Câmara Municipal, sem excepção, conseguiram dar cabo da Baixa. Deram cabo disto! O Centro Histórico está abandonado e entregue à sua sorte. São só hotéis, mais hotéis, e mais nada! E o comércio não conta?
Até 2000 o negócio ainda foi mais ou menos. A partir daí foi sempre a baixar. As pessoas deixaram de vir à Baixa. Não há volta a dar a isto! Se os políticos querem assim, assim seja! Nós fazemos-lhe a vontade!”
Desde Janeiro, último, incluindo este fecho, o número de encerramentos comerciais na Baixa sobe para 27. 


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

BAIXA: FALECEU O LUÍS, DO CATARINO, UM DOS NOSSOS

A imagem pode conter: 1 pessoa, fato e closeup
(Foto desviada da página do Facebook de Pedro Ribeiro)




Francisco Luís da Silva Ribeiro, mais conhecido entre nós como o Luís, do Catarino, com 80 anos de idade, partindo para a eternidade, deixou-nos esta noite passada.
Numa época em que as pessoas eram o logótipo do comércio, a face inspirativa de confiança num respeito mútuo entre quem vendia e comprava, quando os patrões e funcionários funcionavam como laços apertados de uma relação estreita de familiaridade, durante cinquenta e cinco anos o Luís foi um dos rostos identificativos da Ourivesaria Catarino, na Praça do Comércio.
Segundo Jorge Catarino, o proprietário do reconhecido e popular estabelecimento de venda de metais preciosos, “o Luís, na Ourivesaria Catarino, foi uma chancela, marcou uma época. Foi um excelente colaborador. Foi um “coimbrinha”, no sentido de defender acerrimamente os interesses da cidade, sobretudo a Baixa, a nossa Baixa! Num tempo em que o comércio, quer empregados, quer patrões, se dividia em apoiar o Sport Conimbricense, na Rua Simões de Castro, ou o União de Coimbra, o Luís Ribeiro era fanático por este último, pelo clube da Arregaça. O União de Coimbra, para o meu amigo Luís, que agora partiu, estava acima de todas as coisas.”
Para a família enlutada, em nome da Baixa, se posso escrever assim, os nossos sentidos pêsames. Até sempre, senhor Luís, do Catarino. Descanse em paz!


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

BAIXA: FALECEU O DAMAS, UM DOS NOSSOS

(Imagem fotográfica cedida por Victor Damas)




Devido a doença prolongada, oncológica, com 67 anos de idade, faleceu há dias no CHUC, Centro Hospital de Coimbra, o nosso conterrâneo e amigo, o Fernando António de Melo Pinto Damas.
Embora só agora tomasse conhecimento da sua partida para a eternidade não gostaria de deixar esta pequena homenagem póstuma ao falecido.
O Damas até há cerca de vinte anos, e durante muito tempo, foi funcionário do desaparecido estabelecimento de Ferragens Ferreira & Maia, junto à Loja do Cidadão. Depois do encerramento deste espaço comercial, durante mais de uma dezena de anos, o Fernando foi camionista.
Fruto de uma prole respeitada com sete irmãos – agora restam cinco vivos de boa saúde, felizmente -, foi nesta parte velha e empobrecida da cidade que condignamente nasceram, cresceram e alguns ainda vivem. Era hábito encontrarmos o Pinto Damas a calcorrear estas pedras milenares que, embora calcadas por todos nós sem apelo nem agravo, fazem parte do encanto deste lugar paradisíaco em que vivemos, a Baixa de Coimbra.
Actualmente o António Damas residia no Porto de Bordalo, em Santa Clara, e deixa duas filhas, a Diana e a Catarina.
À sua esposa, Delmira Damas, às suas filhas, aos seus irmãos e restante família, em nome da Baixa, se posso escrever assim, os nossos sentidos pêsames. Até sempre, Fernando Damas.

CARTA-RESPOSTA A JOSÉ MANUEL SILVA

A imagem pode conter: 1 pessoa, óculos graduados e closeup




Meu caro Dr. José Manuel Silva.
Começo por lhe agradecer as suas alegações na Página da Câmara Municipal (Não Oficial) em defesa da posição que tomou o seu grupo parlamentar no chumbo do projecto para residência estudantil nas antigas instalações da EDP, ao fundo do Parque Dr. Manuel Braga – e aqui confesso, com toda a sinceridade, a minha enorme admiração pela sua frontalidade, pela humildade em reiterado discurso directo de comunicação escrita, de vir a terreiro arguir e justificar actos do seu mandato de edil.

I

Depois dos elogios vamos às hostilidades. Sem pretender dar lições de ética e filosofia, começo lhe dizer que, mesmo praticando humildade qualquer um pode ser arrogante – eu sou mestre nesta amostra. E, a meu ver neste caso, o caro eleito, enquanto cabeça de lista de um movimento político, parece apresentar-se com alguma superioridade moral. Isto é, como se a oposição, pelo simples facto de o ser, fizesse tudo bem e não devesse ser escrutinada. Como sabe melhor do que eu, à oposição no executivo camarário não lhe chega ser do contra. Ou seja, como se transportasse um estandarte de pureza espiritual iluminado por Deus, tudo o que faça tem cobertura de aprovação na colectividade. Acima de tudo tem de parecer atenta, sobretudo eficiente, ao que se discute nas questões de cidade no hemiciclo. Em tomadas de posição na abstenção, aprovação e chumbo, pelo seu desempenho, tem de convencer os eleitores de que a salvaguarda do interesse público transcende a mera conveniência e ambição partidária de alcançar o poder. Porque é minoritária, e muitas vezes o Estatuto da Oposição não é respeitado, a dificuldade em levar a sua mensagem ao público é duplamente um obstáculo. No entanto, mesmo neste mar encapelado, as regras são como se apresentam e é assim que, se quer constituir alternativa ao poder vigente, terá de se mostrar melhor do que quem ocupa a cadeira municipal.

II

Vamos ser objectivos: o trazer à colação e comparar o caso em apreço com a aprovação da Torre do Arnado e o Túnel da Solum -que, salvo erro, foram aprovados no mandato de Mendes Silva, em finais da década de 1970 – não me parece argumento sério e a levar em conta.
Sejamos claros: se o executivo liderado por Manuel Machado não tem nem mostra ter qualquer estratégia para a recuperação e revitalização da Baixa, a verdade é que, dentro das limitações que enunciei por ser minoritário, também não vejo um plano director para o Centro Histórico no movimento Somos Coimbra (mSC). Não chega escrever que a Baixa, comercial, hoteleira e residencial, é uma preocupação. Quero mais do que isso!
Por exemplo, só para exemplificar: o mSC é a favor ou contra a instalação de mais grandes superfícies na cidade? Gostava de saber. Isto, porque ao ler as declarações em cima fiquei em dúvida. Vou relembrar-lhe o que escreveu:

(…) Ou no investimento em supermercados, de que Coimbra não precisa, como o recente e escandalosamente instalado na Guarda Inglesa?”

E mais em baixo:

(…) Ninguém fala no facto do Partido Socialista estar deliberadamente a bloquear o investimento do IKEA, uma loja âncora que atrairia diariamente milhares de pessoas a Coimbra e à margem esquerda, dinamizando também o comércio local?”

O que pretende o mSC fazer da Baixa? É a favor ou contra a vinda de mais residentes?

III

Num dos comentários refere o seguinte:

O movimento Somos Coimbra sugeriu à Câmara e ao promotor que, se genuinamente pretende investir em Residências de Estudantes, em vez de se fomentar a especulação imobiliária intensiva, com enormes volumetrias, aposte na recuperação de prédios degradados da Baixa para essa mesma finalidade.”

Em que se baseia para classificar este investimento como especulativo? Tem conhecimento de alguma informação que não é pública? Quer fazer o favor de partilhar connosco esse dado?

Estando num sistema de economia de mercado, acredita, por acaso, que algum investidor vai deixar cair um projecto e direccioná-lo para outro objecto só porque é aconselhado por um movimento político com assento no executivo?

terça-feira, 9 de outubro de 2018

ENCONTROS IMEDIATOS PARA SORRIR

Resultado de imagem para gandulo
(Imagem da Web)




Como é hábito, acompanhado dos jornais diários em cima da mesa e do seu inseparável Smartphone, encontrei o Chico Pintelho, muito compenetrado e a transpirar por todos os poros, a ler um livro num dos seus escritórios na Baixa. Desta vez estava sentado na esplanada do Café Santa Cruz. Com os seus óculos escuros na ponta do nariz, sorriso amarelo às cores, o cabelo cheio de brilhantina e um intenso odor a perfume Lacoste, parecia um personagem mítico a fazer-me lembrar Rui Rio.
Contrariamente ao costume, em que os seus olhos parecem um farol a varrer tudo em redor, estava de tal modo alheio ao que se passava à sua volta que tive de o abanar com força no ombro e atirar:
- Então, Chico? Já não ligas aos amigos? É?…
Foi então que, pausadamente e a fazer-me lembrar Cavaco Silva, na sua voz de caninha rachada, replicou:
- Olha o Luís Fernandes! Desculpa, mas como estou embrenhado na leitura nem dei por ti…
- Quem te viu e quem te vê! (Atirei com ironia) Que obra-prima te pode prender assim toda a atenção que nem olhas aquela boazona de mini-saia que entrou agora no café? Estás doente?
- Não, pá! Estou a preparar-me para a formação de primeiros socorros para animais de companhia que vai decorrer no próximo Domingo na Baixa e que será prestada pelos Bombeiros de Valongo.
- Ai sim? Nem sabia…
-Não sabias, como? Então se esta formação é aconselhada pela APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, aos comerciantes?
-Tens a certeza?
-Claro que tenho! E tem lógica! Se os comerciantes estão mortos, faz todo o sentido, ao menos, salvar os animais! É ou não é?

APBC RECOMENDA AOS COMERCIANTES FORMAÇÃO PARA ANIMAIS

Resultado de imagem para formação para animais de companhia






Em informação recebida por e-mail, a Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra recomenda a Formação de primeiros socorros para animais de companhia que será prestada pelos Bombeiros de Valongo e irá decorrer no próximo Domingo, das 14 às 19h00, no estabelecimento Pet & Tea, na Rua João Cabreira.



EDITORIAL: A OPOSIÇÃO NÃO ESTEVE BEM A DEFENDER O FUTURO DA BAIXA

Resultado de imagem para oposição chumba residência para estudantes na rua do brasil, em coimbra
(Imagem do Notícias de Coimbra)







É por estas e por outras que, visando a alternância
do poder, a esperança num amanhã melhor cada vez
se perde mais no horizonte.

Segundo os jornais diários de hoje, ontem na reunião do executivo municipal, a oposição chumbou residência para estudantes na Rua do Brasil, no antigo edifício da EDP, ao fundo do Parque Dr. Manuel Braga.
Citando o Diário as Beiras, “Seis vereadores do executivo municipal de Coimbra chumbaram ontem o projecto de loteamento que previa a instalação de uma residência de estudantes ao início da rua do Brasil. A proposta apresentada pela empresa WPC Coimbra Unipessoal, LDA, indicava que, no antigo edifício da EDP, iriam surgir 349 unidades para alugar a estudantes universitários. O investimento previsto era de 20 milhões de euros e seriam repartidos por um fundo norte-americano e um fundo espanhol.
O motivo da discórdia prendeu-se com a proposta apresentada pelos serviços da autarquia e que dispensava o promotor do cumprimento de dotação de estacionamento. A existência, nas imediações de dois parques de estacionamento públicos foi uma das razões invocadas para a apresentação desta proposta (…). (…) O desaconselhamento do município para a criação de lugares de estacionamento ao longo do lote com frente para a via pública; o tipo de utilização pretendida (residência de estudantes) e a sensibilização que este tipo de equipamento teria para que os estudantes usassem transportes públicos são outras das referências dos serviços da autarquia e que foram, amplamente, explicadas por Sidónio Simões” (engenheiro do Gabinete para o Centro Histórico).
Sem pretender retirar competência à oposição, que com outra análise baseada em dados pode comprovar os factos e chumbou em bloco o projecto, tendo em conta a necessidade de alojamento de luxo para estudantes na cidade e acima de tudo a vinda de mais residentes para a Baixa com algum poder económico, não me parece que estivesse muito bem. Mesmo argumentando que o seu veto teve em conta somente a defesa do interesse dos munícipes. Sobretudo invocando a construção de estacionamento quando, em frente, estão dois parques públicos a pagar.
Podem a coligação Mais Coimbra, a CDU e o movimento Somos Coimbra argumentarem que o chumbo de uma proposta privada de vinte milhões se deveu à salvaguarda do interesse público mas custa a entender.
Levando em conta que a oposição no hemiciclo tem consciência do estado anémico em que se encontra o Centro Histórico, comercialmente, na hotelaria e desertificação de residentes, às vezes custa a compreender certas tomadas de posição por parte dos eleitos com assento parlamentar.
Só para exemplificar, recordo há cerca de dois anos e meio o voto de Pedro Bingre do Amaral, vereador em representação do movimento Cidadãos por Coimbra, que permitiu a aprovação de mais estacionamento para uma média superfície na margem esquerda na Guarda Inglesa – especialmente quando o discurso do seu agrupamento político era, na altura, a defesa do comércio tradicional. E mais: também em 2013 votou favoravelmente, por unanimidade ao lado dos seus compartes, o Estudo de Impacte Ambiental referente à instalação da nova grande superfície IKEA, no Planalto de Santa Clara, e que iria nascer sobre um terreno onde foram cortados ilegalmente sobreiros cuja lei prescreve a proibição de edificação durante 25 anos. Isto levou-me a escrever uma carta aberta ao vereador Ferreira da Silva. Ainda que justifiquem não convencem.
É por estas e por outras que, visando a alternância do poder, a esperança num amanhã melhor cada vez se perde mais no horizonte.
Afinal, a oposição quer ou não a revitalização da Baixa?