sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O VÍDEO DO ANO...

UM BOM ANO NOVO PARA TODOS

(IMAGEM DA WEB)


 Um bom Ano Novo, pelo menos com saúde e com força anímica para se poder lutar contra a adversidade, e já agora com muita esperança, é o que, sinceramente, desejo a todos os leitores que me têm acompanhado nesta pequena caminhada ao serviço da comunidade.
Um grande e apertado abraço pela paciência e colaboração que manifestam para comigo. 
Um bem-haja de reconhecimento. Façam o favor de tentarem ser felizes, que eu farei o mesmo.
Muito obrigados.

O "OLHO DE LINCE" ESTEVE NA MARCHA LENTA


TRÊS LOJAS QUE ENCERRARAM HOJE

(ARMAZÉM AMERICANO - RUA VISCONDE DA LUZ)

(A LOJA DA MARTA - RUA EDUARDO COELHO)

(SAPATARIA SATÉLITE - RUA EDUARDO COELHO)


 Se a primeira e a segunda -o Armazém Americano e a Loja da Marta- teriam à volta de 20 anos de existência no Centro Histórico, já a terceira -a Sapataria Satélite- perdia-se nos anais da história comercial da cidade. No que respeita a esta última, termina assim, hoje, um versículo familiar na venda de sapatos.
Talvez valha a pena perder um minuto a pensar nisto. Bem sei que, sendo hoje o último dia do ano, não deveria vir para aqui com este tipo de notícias tristes, mas tenham lá paciência, nem que seja pela memória destes comerciantes que aqui interrompem o caminho.
Apesar de tudo...um bom Ano Novo para todos.
Um grande abraço e muito agradecido por me aturarem todos os dias. Não gabo a vossa paciência, mas enfim...

UM TEXTO SOBRE A BAIXA, DE SÉRGIO REIS




Boa Noite:

 À dias estive na sua loja, e troquei algumas palavras consigo sobre o problema do comércio na Baixa, que foi interrompida por uma chamada de telemóvel que recebeu.

Tendo ficado curioso por conhecer o seu blogue, assim que pude procurei-o na internet, e considerei-o bastante interessante. Dando-lhe desde já os parabéns pela sua utilidade.

Como sou um ANTI grandes espaços, por serem sítios que pouco dão à nossa cidade, para além da pobreza.
Como a Baixa precisa urgentemente de travar o seu declínio e trazer de novo as pessoas ao Centro Histórico, para passear e comprar, em detrimento dos grandes espaços, venho por este meio apresentar-lhe, resumidamente algumas da ideias para melhorar o comércio da Baixa, sendo algumas delas:

- Pressionar a Câmara Municipal, para que seja feito o referendo sobre a abertura dos hipermercados ao Domingo à tarde.

- Trabalhar com a Universidade e os diversos institutos superiores para a apresentação de estudos que comprovem os benefícios sociais e económicos da não abertura ao Domingo do comércio.

- Colocar em funcionamento generalizado o pagamento do parque de estacionamento da BragaParques, por parte dos comerciantes (quando o cliente compra na sua loja).

- Recrutar um especialista em gestão de espaços comerciais (exemplo, um responsável por um grande espaço), para que as iniciativas de promoção da Baixa possam ser de melhor qualidade e com uma promoção regional e não somente na zona e também para que possa influenciar empresas que estão nos grandes espaços a vir também para o Centro Histórico.

- Criar cursos de formação para os vendedores de loja.

- Elucidar Incentivar os comerciantes a informatizarem, remodelarem as suas lojas e a criar junto dos seus colaboradores formas salariais que desincentivem "o ter a barriga encostada ao balcão"

- Criar ou forçar a Câmara Municipal e ou Polícia de Segurança Pública a assegurar a segurança e não somente câmaras de videovigilância.
Como fiquei com a percepção da nossa pequena conversa, que depois confirmei no o seu blogue, de que o senhor faz parte do grupo que quer melhorar a nossa Baixa.

E como o senhor conhece esta zona monumental, os empresários e as organizações que estão ligadas ao comércio da Baixa, gostava de saber, na sua perspectiva, se é possível implementar estas medidas, principalmente motivar os empresários para isso.

Para mim o importante são os empresários, porque são eles que sentem na pele os problemas, ao contrário das organizações que por vezes vivem de dinheiros públicos (dinheiros de todos nós), mas que quem está à frente delas nem sempre tem a sensibilidade do quando esse dinheiro custa e não o utiliza da forma mais correcta.

E também porque quando soube da pretensão da Câmara Municipal de Coimbra querer fazer um referendo, enviei cartas ao Presidente da Câmara, ao Vice-Presidente (actual presidente), ao Presidente da Assembleia Municipal, ao Presidente da Agencia Promoção da Baixa de Coimbra e ao Presidente da ACIC, em que apresentava a minha perspectiva sobre o referendo e o que pensava que deveria ser feito para ganhar o fecho ao Domingo à tarde dos hipermercados. E até agora nenhuma das entidades se dignou sequer dizer que recebeu a carta.

Caso considere, que as minhas ideias podem ser úteis, e tenha algum do seu tempo disponível, agradecia que dissesse algo, para lhe poder apresentar mais pormenorizadamente as ideias expostas acima.

Desde já desejo-lhe um bom 2011.

Cumprimentos

Paulo Sérgio Reis

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)

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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "UMA ESCUTA MISTERIOSA": 


MAGNIFICO TEXTO!
A SER VERDADE O QUE O MEU AMIGO OUVIU E NÃO COLOCO EM DÚVIDA,É SIMPLESMENTE UMA VERGONHA.
CUSTA-ME ACREDITAR QUE O DR. CARLOS DE ENCARNAÇÃO ASSUMA QUALQUER FUNÇÃO EM BRUXELAS. MAS NÃO HÁ FUMO SEM FOGO.
ISTO É O DESCRÉDITO DE QUEM SE CANDIDATOU COM O SLOGAN "POR COIMBRA COM AMOR" .
MAS SE O FIZER, SEGUE AS PEGADAS DE DURÃO BARROSO E PORTANTO ESTÁ FEITA A PANELA E O TESTO PARA ELA.
FICO AGUARDAR NOVOS DESENVOLVIMENTOS. HAJA VERGONHA! 
FELIZ ANO NOVO 



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SDaVeiga deixou um novo comentário na sua mensagem "UMA ESCUTA MISTERIOSA": 


Esse satélite vai ser a ruína dos políticos portugueses cara...trantrantran!!!
:-D

Fabuloso!

Já dizia o outro "A realidade é mais estranha que a ficção!!!". ;-) 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ESTA TELEVISÃO NÃO PRESTA... ...SERVIÇO PÚBLICO

(IMAGEM DA WEB)



  Ontem assistimos ao último debate entre candidatos para as eleições presidenciais, nomeadamente, entre Cavaco Silva e Manuel Alegre. Até aqui tudo bem, não fora o caso de ontem mesmo também terminar o prazo no Tribunal Constitucional para apresentação de candidaturas. Ou seja, quando os debates deveriam ter começado acabaram simplesmente.
Qualquer cidadão que respeite a equidade, que seja contra a discriminação, e que pugne por um tratamento igual entre aspirantes a um qualquer cargo público desta envergadura, deve forçosamente estar contra este mau serviço televisivo. Aliás, até vou mais longe, deveriam ter sido os candidatos a presidente da república a denunciar esta arbitrariedade. É um atentado ao respeito que todos os concorrentes a Belém merecem. E tanto faz que seja um como outro, desde o mais forte ao mais fraco. Todos os que estão na corrida deveriam ter denunciado esta ilegalidade.
O que o candidato do PND-Madeira, José Manuel Coelho, denuncia deveria envergonhar, sobretudo, o nosso serviço público de televisão, no caso, a RTP1. Veja aqui o JN. Claro que não é a primeira vez que acontecem casos de discriminação do género. Já nas últimas eleições legislativas os partidos mais pequenos foram arredados dos debates. Leia aqui.
É um ultraje sem precedentes. É um desrespeito pelos direitos individuais consignados na Constituição da República Portuguesa. Quem “cozinhou” esta malandrice deveria pagar por isso.

BOM ANO ANO NOVO DE 2011 DESEJA O JORGE NEVES

(IMAGEM DA WEB)


A todos desejo um Ano de 2011 cheio de saúde e paz. O resto, bem o resto, só virá se tivermos saúde.


É tempo de rasgar os nevoeiros
de secar os prantos
no pano de um regaço

É tempo de celebrar a vida
abrir os sonhos
voar nas asas da Paz
desenhar no universo
o rosto deste grão de areia
e afagá-lo

É tempo de recomeçar
de repensar
de doar
de partilhar
mesmo que o tempo seja o segundo
que nos abrace

É tempo de soltar as palavras, os gestos
na eternidade de um agora
que não regressará.


É tempo de sorrir e amar…

O VÍDEO DO DIA...

UMA ESCUTA MISTERIOSA

(IMAGEM DA WEB)



  Hoje, à hora do almoço, o nosso satélite espião Questões Transcendentais começou a debitar extractos de uma conversa entre dois homens. Fosse lá porque chovia torrencialmente ou não, a verdade é que sempre que eram nomeados os seus nomes aparecia um ruído de fundo em espasmos intervalados. Era assim como se fosse um gato a arranhar na madeira. Raramente conseguimos apanhar as primeiras sílabas. Por isso, as nossas desculpas por sermos tão imprecisos, mas, como devem calcular, as culpas não nos devem ser atribuídas.
Vamos então à transcrição de fragmentos do diálogo. Peço que considerem o “trrran…trrran” como o ruído abafador não identificado:

-Alô, é o Car…“tran”…”trrran”? Estás bom, pá?


-Ora viva, “Zé…”trrran”! Como é que vais?


-Muito bem, mesmo bem, felizmente!
Ó pá, não te tenho telefonado porque, sei lá, não fosse alguém escutar as nossas conversas…


-Não te preocupes. Eu calculei. Fizeste bem. Sabes que por aqui há mais ouvidos que pessoas. Andam sempre de orelha no ar, constantemente, a ver se escutam conversas indiscretas. Mas também não precisavas de me ligar…está tudo a correr conforme o combinado. Fogo, estava a ver que o tempo nunca mais passava, fod…”trrran”!


-Ó pá!, acabaste por ter muita sorte. Esta coisa do metro veio mesmo a calhar…


-Achas? Sei lá! Às vezes penso que estes gajos aqui na cidade podem não engolir a minha história…


-Qual quê, pá?! Esse pessoal aí é completamente atávico…


-É o quê? “Atávico”, o que é isso? Não podes falar português? Desde que foste para Bruxelas tornaste-te fino…


-Ó pá, não exageres, “atávico” significa o atraso das pessoas…não sei se estás a ver…é vermos pessoas todas modernas, todas intelectuais, mas com os defeitos de carácter dos seus antepassados…estás a compreender?


-Ah…não sabia. Continua então. Estavas a dizer que este povo é atávico..


-Ó pá, atávico é pouco. São é uns tansos. Mas ainda bem…se não fosse assim como é que eu, tu, que, por acaso, nem somos nenhumas sumidades de inteligência, nos safávamos?


-É verdade, pá. Diz-me uma coisa, ainda não te arrependeste de teres abandonado o país e atraiçoado quem votou em ti?


-Quê? Arrepender? Estás maluco? Isso de arrependimento é dos fracos. Os fortes não têm consciência.
Foi a melhor jogada da minha vida. Olha se eu tivesse ficado aí. Acontecia-me o mesmo que vai acontecer ao Sócrates, ainda o hão de correr à pedrada. Os portugueses para além de mal agradecidos são ingovernáveis. Quem é que aguenta isso?


-Sei lá, e, um dia, quando voltares?


-Ó pá, quando eu voltar não preciso nada disso. Eu quero lá saber dessa carneirada. E se precisar vou para as Nações Unidas.
Isso aí não dá pão a ninguém…


-Achas mesmo?


-Claro, Car…”trrran”. Mas vamos ao que interessa –que foi para isso que te liguei. Já fizeste as malas? Eu tenho acompanhado tudo daqui de Bruxelas. Ó pá, vi aquela tua entrevista ao Mário Crespo…fantástico, pá! Se eu não soubesse o que se estava a passar, acredita, tinha engolido completamente a tua história. Ó pá, tu tens mesmo jeito para o teatro…fiquei banzado!


-Tenho tudo pronto. Levo só três malas…


-Ainda bem, pá! Já tenho o teu gabinete apto, conforme tínhamos combinado antes das eleições. Aqui é que vais ver a diferença. Isto aqui é como um grande casino, não sei me entendes. Aqui joga-se nota grande, não é como aí. Isso é uma parvónia, pá! Aí joga-se a feijões…


-Ó Zé…”trrran”, nem me fales nisso! Custou-me muito aguentar, sobretudo este último ano, depois das eleições. Os outros dois mandatos de oito anos, olha, até passei bem. Sempre tive para aqui uns gajos que me tiravam o sono. Não sei se te lembras mas tive o Pra…”trrran”, ó pá, nem te conto, esse gajo ia dando comigo em doido! Tive depois esse gajo da Académica…foi um problema…mas acabou tudo em bem. Safei-me, e isso é que interessa. Agora este último ano, isto era mesmo uma pasmaceira. Não havia nada que me tirasse o sono…


-Nem o metro de superfície?


-Qual metro, qual carapuça? Ó pá, eu já sabia, desde 2005, quando estes gajos anularam o concurso internacional, que não ia haver metro para ninguém…


-Só que fizeste de conta que não tinhas percebido…


-Claro! Achas que eu sou estúpido? Eu já cá ando há muitos anos. Quando estes gajos nasceram eu já comia broa. Fui-lhes dando corda…não sei se estás a perceber?


-Ai não?! Pensas que não te conheço?! Olha se conheço a bisca!


-Ó pá, mas estou um bocadito preocupado…estes gajos, quando souberem que larguei a câmara para ir para Bruxelas, vão-me incinerar vivo…


-Qual quê? Isso é o que tu pensas. Piras-te daí e não te despedes de ninguém. Daqui por um tempo já ninguém se lembra. Essa cambada tem uma memória mais fraca que o meu primeiro computador…


-Achas?


-Claro, pá. Confia em mim. O mundo sempre foi dos espertos. Por alguma razão eu sou o patrão da Europa…


-Quando é que queres que eu embarque?


-Quando tu quiseres. Isso agora é contigo. Eu tenho tudo pronto à tua espera. Ó pá, tens aqui um gabinete que até manda ventarolas…até vais estranhar.


-Ainda bem, pá. Sabes que a minha saúde já não é o que era…


-Deixa-te disso. Não estás a falar para o Crespo. Acorda, homem, sou eu…o teu chefe…ouviste? “trrran…trrran….trrran…trrran…trrran…trrran….trrran…trrran…trrran…trrran…trrran”

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)




Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)": 



 Uma coisa é conhecer a realidade no terreno, outra é ler e analisar os relatórios que lhe chegam ao gabinete, ou seja, a realidade dentro de quatro paredes.
Sem duvida que o autarca de São Bartolomeu conhece muitíssimo bem a realidade no terreno. É um autarca de proximidade e não de gabinete. Para mim, seria um excelente futuro vereador do Centro Histórico e Comércio Tradicional ( um lindo nome para um futuro departamento).

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)




Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "UMA IMAGEM...POR ACASO...": 


Pelos menos já vi duas vezes o actual presidente a fazer o que o antigo não fazia, a descer do carro em frente à PSP e ir aqueles metros a pé para a Câmara Municipal. Já me esquecia, e ao sair do carro cumprimentou o motorista com um aperto de mão. 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)

(IMAGEM DA WEB)


Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "UM PEDIDO DE PUBLICAÇÃO": 


 Com o devido respeito esta Srª não tem razão no que escreve. E em relação ao Sr. PROVEDOR, entendo também não ter razão, isto porquê:
Foi efectuado um teste de ruído ao estabelecimento em causa e não ultrapassa o determinado na lei.
Depois das pessoas saírem do estabelecimento a coisa muda de figura, mas isso é da responsabilidade de cada um, até porque existe autoridade para actuar.
O Sr. PROVEDOR já se preocupou com o barulho até ás cinco da manhã durante a Queima das Fitas e outros festejos Académicos?

O Sr. PROVEDOR já se preocupou com o barulho do Bar da Associação Académica ?

Afinal existem dois pesos e duas medidas na Cidade de Coimbra.
É bom saber que o projecto da Praxis é um projecto de Coimbra, de um empresário de Coimbra. É por estas e por outras que não existe investimento na cidade e os empresários mudam-se para outros destinos. Será provavelmente o caso deste empresário.
Aliás, ontem na Assembleia Municipal o Autarca de São Bartolomeu levantou esta questão, alertando o Sr. Presidente da Câmara para as dificuldades que estão a ser criadas ao empresário. E disse mais, que o mesmo anda a ser convidado por outras cidades para aí investir (Braga e Vila Nova de Gaia).
Aliás, o presidente da junta de Santa Clara disse ter elaborado um inquérito aos moradores, cuja resposta é contra ao que aqui se escreve pela Srª Dona Vitália.
Já agora, e o ruído nos bares da Rua Corpo de Deus, Alta, Praça da República e outros locais?
Gostaria de conhecer os pareceres e intervenção do Sr. Provedor.
Fico-lhe grato por este esclarecimento. 

O GRANDE DUELO



 Será mais logo, por volta das 20h50, o grande duelo esperado entre Cavaco Silva, actual Presidente da República e candidato pelo alegado centro-direita, e Manuel Alegre, candidato por meia-esquerda, respectivamente pelo Partido Socialista e Bloco de Esquerda. 
A outra metade da esquerda vai ser disputada por Defensor Moura, deputado socialista e ex-presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Francisco Lopes pelo Partido Comunista e pelo independente Fernando Nobre.
Em notícia de última hora, aqui pelo DN, ficamos a saber que José Manuel Coelho, deputado à Assembleia Legislativa da Madeira, será o candidato pelo PND. Em tese, a direita, representada por Cavaco, ficará mais dividida.
As eleições presidenciais serão realizadas no próximo dia 23 de Janeiro.

O ÚLTIMO GRITO DO MORIBUNDO



 Mais uma loja que se vai. É mais um estabelecimento que ao encerrar na próxima sexta-feira vai deixar mais pobre a Rua Eduardo Coelho.
Depois de quase duas décadas, o Fernando Pereira e a Marta, marido e mulher, pelos custos operacionais, pela crise económica, pela falta de pessoas que não vêm à Baixa, e sei lá que mais, são obrigados a claudicar. Felizmente, creio, encerram com grande lucidez, sem ficarem empenhados em dívidas como acontece a muitos comerciantes, e sem problemas quanto ao futuro. No entanto, é duro ter de ficar pelo caminho. Até para mim, que fui lá à hora do almoço, senti um aperto no peito. É como se desaparecesse alguém da nossa família e que, durante muitos anos, conviveu connosco.
De qualquer modo, nesta visita, constatei que estão a "desfazer-se" -é mesmo o termo- de artigos de qualidade a um único euro. Naturalmente, querem é ficar com o mínimo, ou nenhuns artigos. Por isso, se permite a sugestão, vá lá, aproveite. Acredite que vale a pena. Só até à próxima sexta-feira.
Felicidades para este casal que, um pouco forçado, vai deixar de operar na antiga rua dos sapateiros.
Um grande abraço a ambos, e que no Novo Ano se lhes abra uma nova janela comercial.

UMA IMAGEM...POR ACASO...



 João Paulo Barbosa de Melo e João Orvalho, respectivamente, o novo presidente da Câmara Municipal e o novo vereador da Coligação por Coimbra.
Apanheio-os à hora do almoço a passear na Rua Ferreira Borges. Muito simpáticos, o que agradeço pela gentileza, pareciam andar a tomar o pulso à população. Nunca tinha falado com algum deles. Gostei da forma simples como comunicaram, sem galões nem peneiras.
Daqui, do meu cantinho da Baixa, expresso os meus desejos de um bom trabalho futuro em prol da cidade e, porque trabalho cá, muito particularmente pelo Centro Histórico.
Um bom Novo Ano para todos. Faço votos para que, dentro das possibilidades, enquanto munícipes, todos sejamos ouvidos nos legítimos anseios de cada um. Não é preciso dizer, mas, enquanto cidadãos, temos um sítio para o fazer: a Assembleia Municipal e as reuniões do executivo (a primeira de cada mês, que é aberta ao público em geral). 
A eles, presidente e vereador, cabe-lhes ouvir-nos no local próprio. 
Faço votos também para que este novo ano que aí vem possa constituir o primeiro degrau de uma saudável ligação de entendimento entre munícipes e executivo e que possam decorrer numa cordial e profícua harmonia.
É preciso que olhemos para estes novos mandatários como alguém de nós. Sem apriorismos negativos, e que estão no poder camarário para nos ajudar a resolver os nossos problemas presentes e futuros.
Tenhamos todos muita esperança e que a calma, a paciência e a esperança nunca se esgotem. Sejamos positivos.

COIMBRA CIDADE DO RUÍDO

(IMAGEM DA WEB)



 A propósito desta carta de Vitália Ferreira, que publico aqui, e em que é feita uma referência ao blogue Sexo & a Cidade e em que é referido o encerramento da cervejaria Praxis, por uma questão de honestidade, devo salientar que me solidarizei completamente com a posição tomada por este meio de informação da cidade e meu colega nestas lides cibernéticas.
Em relação ao ruído tenho uma posição bastante clara. Bem sei que é difícil harmonizar os interesses entre moradores e investidores, mas tem de ser possível. Isto é, ambos, donos de estabelecimentos e residentes, devem sacrificar um pouco da sua conveniência individual em prol do superior interesse da cidade, que deve constituir o primado.
Por outras palavras, se não houver estabelecimentos abertos durante a noite a urbe fenece. Porém, o que é necessário, desde que possuam requisitos de insonorização e que esse funcionamento não vá além de uma hora limite, é que se respeite as reivindicações de quem reclama com razão –em minha opinião, em zonas residenciais, nunca deveria ir além das 02h00. Em áreas que não colidam com moradores, aí sim, o horário deveria poder ir até a horas convencionadas entre os empresários e a autarquia.
Para os mais conservadores e puristas é natural que defendam acerrimamente que a noite é para descansar, no entanto, temos de aceitar que há pessoas que precisam da noite para se divertirem. É evidente que não podemos esquecer o legítimo direito daqueles que querem e precisam de repousar.
Por outro lado, e fazendo novamente referência à Praxis, não podemos colocar de lado o interesse do dono deste estabelecimento, que investiu fortemente numa área –do fabrico de cerveja- que merece todo o nosso apoio. É preciso ver que o motor de desenvolvimento de uma cidade residirá sempre nos seus empresários e na capacidade de inovação destes. Claro que poderemos perguntar: mas e os moradores, onde fica o seu interesse, se esse desenvolvimento ferir o seu direito? Ora, é aqui que a Câmara Municipal terá de ser um bom árbitro, essencialmente justo, ponderado, e conseguir um acordo possível, mesmo cortando um pouco nas pretensões das partes em conflito. Até vou mais longe, para que a autarquia não fique sozinha com o ónus da autorização, deveria ser criada uma comissão de licenciamento onde estivessem representados parceiros de todas as partes interessadas: Câmara, Associação de Hotelaria, associação de proprietários, associação de inquilinos –não existe na cidade nenhuma representação destas duas entidades- e ACIC. Teria de se ter em conta o equilíbrio nas partes em representação, para não se cair na mesma asneira da criada comissão de licenciamento das grandes áreas comerciais, que, pelos interesses em jogo, houve sempre uma lactente desproporção, e esteve sempre viciada à partida.
Tocando no bar da AAC, situado na Rua Padre António Vieira, que também é referido no texto, o problema, que já vem de longe, é que, segundo esta moradora, o horário praticado vai muito para além das 04h00. E é aqui que reside a fonte permanente de litígio entre o concessionário do bar e os moradores –nesta artéria passa-se um fenómeno muito à portuguesa, que é haver muitas pessoas incomodadas, mas só uma dá a cara. Como se sabe, Vitália Ferreira já foi condenada em tribunal por difamação, em acção intentada e ganha pela firma acusada de provocar ruído para além do admissível.
Ainda no último domingo o Diário de Coimbra noticiava que a Provedoria do Ambiente e Qualidade de Vida Urbana de Coimbra registou 18 queixas de ruído neste ano de 2010.
Claro que o ruído na cidade vai muito além do conflito entre os moradores de uma determinada zona localizada. Lembro, por exemplo, o barulho provocado por alturas da Queima das Fitas, que dura uma semana e se prolonga pela noite dentro, incomodando toda a margem esquerda. Eu moro a cinco quilómetros do Largo da Portagem e percepciono o fragor como ensurdecedor. Ora, em nome do aceitável, da moderação e do direito à festa dos estudantes, isto não pode continuar. O que parece é que as autoridades –e aqui responsabilizo a autarquia directamente-, ao licenciarem espectáculos pela noite dentro que atentam contra o direito das pessoas poderem dormir, se põem de cócoras perante os estudantes da Universidade de Coimbra.
Este problema do ruído já se está arrastar tempo demais. Até porque, lembro que foi criado o Decreto-Lei 292/2000 (Regulamento Geral do Ruído), em que eram previstas coimas para os infractores, à época, de 100 contos, hoje 500 euros, mas nunca foi aplicado. Depois foram sendo feitas alterações em 2006 e 2007, por força de directivas comunitárias, mas tudo continuou na mesma.

UM PEDIDO DE PUBLICAÇÃO

(IMAGEM DA WEB)






  No Diário de Coimbra de 18 de Novembro de 2010, pude ler uma notícia com o título: “Praxis não quer fechar mais cedo”. Trata-se de uma cervejaria situada numa zona habitacional, em Coimbra. Gostaria de tecer algumas considerações a respeito do que li.
Em primeiro lugar, quero enaltecer a posição do Sr. Provedor do Ambiente, que se pronunciou desfavoravelmente ao alargamento do horário de funcionamento para além das 24:00 horas. Entusiasmada com este facto, vou aproveitar para renovar o pedido de redução do horário de funcionamento dos bares da A.A.C. igualmente para as 24:00 horas. Não acredito que o funcionamento da cervejaria Praxis incomode mais os moradores do que os bares da A.A.C.. Por outro lado, sendo a lei igual para todos, tem que ter a mesma interpretação para circunstâncias idênticas. Digo idênticas, porque no meu caso, tenho a certeza que o incómodo é muito maior.
Em segundo lugar, quero transmitir aos moradores junto à cervejaria Praxis que estou com eles. Nesta cidade, desde que a coligação “Por Coimbra” assumiu os destinos da Câmara Municipal, talvez ninguém tenha sido mais vítima desta falta de respeito pelos direitos dos moradores do que eu. É com esse fardo no meu currículo que ofereço a minha solidariedade aos moradores que se opõem ao alargamento do horário de funcionamento da cervejaria Praxis.
Em terceiro lugar, inquieta-me o tom “ameaçador” do “explorador” do estabelecimento em causa. Ou o horário de funcionamento é alargado, ou existem fortes probabilidades de a cervejaria rumar a norte do país! Onde é que se enquadram os direitos dos moradores? Será que o “explorador” não tem consciência dos direitos dos moradores? Gostava de saber se o “explorador”, qualquer que ele seja, quando pensa em investir centenas de milhares de euros para adquirir ou construir uma habitação para ele e para a sua família, não coloca em primeiro lugar, ou nos primeiros lugares das suas prioridades, o repouso, o descanso e a tranquilidade. Tenho a certeza que os moradores nas proximidades da Praxis adoptaram as mesmas prioridades. Se, depois de adquirirem as suas habitações, um “explorador” lhes colocar à porta um estabelecimento destes, que é em potência um atentado aos seus direitos, o investimento feito sofre de imediato uma desvalorização. Todos os empresários afirmam peremptoriamente: sem estabilidade política, financeira, económica e social não há investimento. Ora, mutatis mutandis, quem investe na aquisição de uma habitação também tem direito a ver o seu investimento respeitado.
Em quarto lugar, inquieta-me ainda muito mais o facto de, poucos dias depois, ter lido uma notícia de um blogue, que me fizeram chegar e na qual se afirmava: “O Sexo e  a Cidade sabe que o jantar de Natal do PSD/Coimbra vai decorrer na Praxis. Foi o próprio presidente da concelhia que fez a reserva. É quase caso para dizer que há males que vêm por bem…”. Meus amigos moradores nas proximidades da Praxis, se a questão for politizada, como parece óbvio por estas palavras, que vai ser, ou já está, então garanto-lhes que vale tudo. Eu já estive numa reunião da Câmara Municipal, na qual me foi garantido que o horário de funcionamento do Bar da AAC iria ser reduzido para as 02:00 horas. Já estava o despacho assinado! Que escandalosa falta de palavra!
Para finalizar, os responsáveis governamentais estão apostados em aumentar a produtividade e incrementar as nossas exportações, como forma de resolver esta crise. Este PSD de Coimbra deve pretender aumentar a produtividade recorrendo aos bares, cafés e cervejarias e exportar os vómitos que frequentemente ornamentam a calçada junto às portas dos moradores. É de muito mau augúrio!

Maria Vitália dos Santos Ferreira
Coimbra

O QUE É QUE VOCÊ ACHA?

(FOTO DO CORREIO DA MANHÃ)


 Segundo VIDAS, do Correio da Manhã, a modelo paraguaia Larissa Riqueime quer aumentar os seios.
Eu sei lá! Acho que vai estragar. Estas mamas deveriam ser classificadas como património da Humanidade pela Unesco. Mais: acho que, por cima do material original, já foram muito mexidas e não devem ser mais intervencionadas.
O que pensa o leitor desta questão? Diga...diga...

O VÍDEO DO DIA...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)




SDaVeiga deixou um novo comentário na sua mensagem "E SE EU FOSSE CONVIDADO PARA FAZER PARTE DE UM PRO...": 



Se ainda não foi convidado... DEVIA SER!

Se já foi... DEVIA ACEITAR!

E o título do programa está perfeito, porque fica por um fio a pachorra do metralhado, com toda a certeza, e a um fio de sair porta fora, mas é o preço da liberdade de expressão e informação.

Acredito, sinceramente, que ninguém era mais indicado para um programa assim que o Luís, pela capacidade de ver os dois lados da moeda e explicar tão bem coisas que parecem tão complicadas!

Quando não apareçam os convidados, basta meter ao barulho a vidente de serviço, o repórter fotográfico e afins, e temos quorum!!!

E sim, o blogue conta para o terço que já não falta, mas o livro continua a ser sempre bem-vindo!!!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

COMEÇARAM HOJE OS SALDOS



 Começaram hoje os saldos. Oficialmente irão decorrer até ao próximo dia 28 de Fevereiro. Porém, para os mais avisados, sabe-se que irão continuar "sine die". Ao longo de todo o ano, infelizmente, iremos ver muito mais lojas de comércio tradicional a encerrar. A oferta de espaços comerciais suplantará em muito a procura, pelo que, pelas leis naturais da economia, o seu valor económico tenderá a descer para valores razoáveis e justos, fenómeno que, nos últimos tempos, não tem acontecido. 
Apesar da crise profunda em que vive o comércio há mais de uma década, sobretudo o de rua -que, para todos os efeitos, é hoje o parente mais pobre da nobre família mercantil-, os preços, quer de arrendamento, quer de venda de imóveis, abusivamente, não tendo em conta o momento económico de recessão, continuam altíssimos. O que, como factor de custo, tem contribuído para o definhar desta nobre arte de negociar. Não é a única causa, há outros que também acentuam o desaparecimento destes estabelecimentos tão importantes para o desenvolvimento social e económico das cidades.
Estou convencido de que, a continuar nesta insensibilidade, por parte de quem tem responsabilidade na prossecução desta actividade -que, noutras eras, já foi um dos maiores empregadores-, não estaremos muito longe de um tempo em que para manter as lojas abertas, para dar animação às urbes, terão de ser as autarquias a fazê-lo. Oxalá esteja enganado...

TUDO INDICA QUE A CRISE AINDA NÃO SE SENTIU...



 Segundo o Jornal de Notícias, "Portugueses levantaram 578 milhões no multibanco na semana de Natal". Leia aqui...

O VÍDEO DO DIA...

UM APELO DE CIDADANIA




     "Contra esta política e este desgoverno completo, esta sexta-feira, encontro marcado às 8h00 nas portagens de Condeixa, em direcção a Sul."



Bom dia a todos.

 O Governo continua sem dizer o que vai fazer com o projecto do Metro Mondego. 


A REFER já disse que não vai continuar o projecto em 2011 por falta de dinheiro. 
O Bloco de Esquerda apresentou no parlamento uma proposta para fasear a obra ao longo dos próximos 3 anos, por forma a distribuir o esforço ao longo do tempo (20 milhões por ano). Governo não respondeu.

Entretanto fala-se da possibilidade de alcatroar o ramal e de pôr autocarros a circular por ali. Uma medida mais barata a curto prazo mas desastrosa a médio prazo. Basta que se pense que com os autocarros a «linha» vai perder passageiros (logo, receita).
Além disso, os técnicos têm sérias dúvidas quanto a esta ideia mirabolante: primeiro porque se trata da um linha de montanha o que vai obrigar a um grande investimento na manutenção dos autocarros; segundo, porque estamos a falar de uma zona propícia à acumulação de gelo. Digamos que combinar autocarros, montanha, passageiros e gelo pode dar um resultado desastroso.

Seja qual for o caminho daqui para a frente, este Movimento não admite outra opção que não a ferroviária.

Enquanto a nossa Petição está a ser agendada (e sê-lo-á muito brevemente) é importante mostrar ao (des)Governo que não estamos disponíveis para que brinquem connosco.

É certo que o país ultrapassa uma fase complicada que implica a reprogramação de todos os investimentos. Mas à um ano já se sabia disso, já se discutiam PECs... Se não havia garantias de o projecto fosse até ao fim, não se tinha arrancado a linha. Se não havia essas garantias, o senhor Secretário de Estado não devia ter vindo a Coimbra, Miranda e Lousã em Fevereiro deste ano, dizer que o projecto era para fazer a toda a velocidade.

Não se pode arrancar uma linha com 104 anos e transformá-la num corredor lamacento só porque sim.

Responsabilidade, faz falta!

Contra esta política e este desgoverno completo, esta sexta-feira, encontro marcado às 8h00 nas portagens de Condeixa, em direcção a Sul. 
Condicionar a circulação na principal auto-estrada portuguesa é o objectivo do Movimento entre as 8 e as 9h00 da manhã.

Bruno Daniel Ferreira

O HOMEM QUE PAPAVA LIVROS

(IMAGEM DA WEB)



 Tenho uma pequena loja de artigos decorativos e objectos usados e antigos na parte velha da cidade. Vendo -e compro, embora agora menos devido à recessão económica-, um pouco de tudo. Pode ir desde um brinquedo de lata dos anos de 1950 até um Gramophone do início do século XX. Assim como de épocas mais recuadas.
O estabelecimento tem também uma secção de livros. Como é normal em todos os tipos de actividade, também aqui há vários preços. No entanto, porque entendo que o livro é muito mais do que um simples objecto de culto –é um amigo, um mensageiro que nos traz sempre boas novas sem exigir nada em troca-, sempre tive um secção de títulos a um euro, isto depois da implantação da nova moeda.
É talvez aqui, nos livros, que, perante a grandiosidade da palavra escrita, noto uma sublinhada igualdade entre pessoas de vários extractos sociais. À mesma hora podem perfeitamente encontrar-se um sem-abrigo ou um professor universitário. Se para o primeiro a finalidade será apenas um relembrar de tempos idos, para o segundo pode significar a procura de um determinado livro ou autor específico. Entre eles, desabrigado e abrigado da sorte, existirá sempre um ponto comum: o vício da leitura. E outra particularidade: estas pessoas, habitualmente, devoram tudo o que adquirem. Será talvez neste ramo onde se notará uma maior dependência, talvez quase a cair na adição. Dentro desta classe de leitores compulsivos, poderemos talvez dividi-los em três grupos: temáticos, especialistas e generalistas.
Os leitores temáticos abarcam naturalmente um tema, uma linha de pensamento, uma especificidade de edição, um autor. Procuram algo que enriqueça a sua fome de saber, mas sempre numa linha de continuidade. Por exemplo se lêem literatura ou história, jamais se debruçarão sobre futebol, a menos que tal tese seja objecto de tratamento estilístico psicossocial. Jamais como notícia de vulgaridade de massas.
Os especialistas compram títulos apenas dentro de um determinado ramo específico para aperfeiçoar o seu saber erudito e intelectual, muitas vezes para teses de mestrado, consubstanciação de pareceres, nomeadamente em direito comparado.
Os generalistas serão então uma espécie de borboletas que pousam numa qualquer flor e desde que sejam atraídos pela cor, textura ou apelo dos sentidos. Normalmente, compram e lêem sobre uma multiplicidade de assuntos variados. Nem sempre consomem tudo o que compram, sobretudo quando a leitura se torna enfadonha. Têm uma cultura vasta de informação pela rama. Habitualmente não têm um conhecimento aprofundado das questões, mas pelo título, como sabem do que se trata, sempre que precisam, basta-lhes ir procurar o que necessitam ao sítio certo.
Pela minha alguma experiência de contacto com estes meus classificados três grupos, todos eles são distintos e raramente se misturam nas suas particularidades idiossincráticas. Mas há excepções e recordei-me desta prerrogativa há dias, em forma de saudação natalícia.
Durante muitos anos tive um cliente quase diário a comprar livros baratos. Ele tanto comprava sobre rubricas de matemática aplicada, como mecânica quântica, literatura, história universal, como outro qualquer item.
Parece-me estar a vê-lo a transpor a porta de entrada. Cabelos desgrenhados, barba hirsuta e vestido medianamente. Era daquelas pessoas que não tinham idade. Era um daqueles rostos impossíveis de determinar o ano de nascimento. Tanto poderia ter 40, como 50, como 60 ou mais anos.
Vinha sempre acompanhado com uma dama que lhe pagava as contas. Durante muito tempo pensei que eram marido e mulher. Só muito mais tarde vim a saber pela senhora que era seu filho único. Contou-me à época que o seu primogénito era de uma inteligência fora do comum. Ele lia tudo, mas absolutamente tudo, o que comprava. Ele sabia mais matemática do que ela, mãe, que fora professora desta área no ensino secundário. Muitas vezes ela não sabia chegar à solução para determinado problema e ele resolvia-o em três tempos. Como era dado a grandes crises de depressão e provavelmente não se conseguia inserir socialmente, nunca trabalhou. Só lia, lia, lia. Lia de dia, de noite, fizesse chuva ou Sol. Apenas saía à rua acompanhado da sua protectora.
Cumprimentava-me com uma voz adocicada e melosa, como se fosse um menino tímido, e ia directamente para a secção de livros, onde mexia, remexia, abria um, abria outro, durante largo tempo. A sua mãe, pacientemente sem um queixume, esperava que ele escolhesse três ou quatro livros.
Nunca se abria para conversas. Era afável mas não permitia grandes avanços na sua vida. Nunca cheguei a tratá-lo pelo nome próprio, que aliás, creio, nunca cheguei a saber. Também era despiciendo, era como se fosse o meu cliente distinto de leitura diária e tivesse estatuto especial. Passou a haver entre esta família e eu uma relativa amizade, fruto da sã convivência de todos os dias e quase sempre lhe oferecia uma obra.
Um dia deixaram de aparecer. Na altura estranhei, mas pensei que se tivessem mudado. Uns meses mais tarde recebi a visita da senhora completamente vestida de negro. O que aconteceu? Nunca mais a vi. Que é feito do seu filho? Interroguei.
Desmanchada em rios de lágrimas, balbuciou: “o meu menino morreu!”.
Nesta véspera de Natal, há dias, esta mãe sofrida em oceanos de silêncio, já muito velhinha, veio cumprimentar-me. Mais uma vez lembrámos o seu filho perdido precocemente. Mais uma vez, numa tristeza profunda de dor como só uma mãe sente, entaramelada com lágrimas, exclamou: “faz-me muita falta. Era a minha companhia. Não tenho mais ninguém. Que privação sinto do meu Emanuel…”.


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O VÍDEO DO DIA...

E SE EU FOSSE CONVIDADO PARA FAZER PARTE DE UM PROGRAMA DE RÁDIO?




 Imaginemos que, de repente, alguém se lembrava de me convidar para fazer parte de um programa de rádio? Bom, convenhamos que esta possibilidade é meramente académica. Afinal quem é que me quererá a falar sobre alguma coisa? Mas, eventualmente, suponhamos que sim, que me convidavam mesmo. Sou original em alguma coisa que valha a solicitação? É óbvio que não. Escrevi, ao menos, um livro –mesmo que só vendesse uma centena no acto de lançamento- para poder colocar no meu portfólio “escritor”? Lá escrever, escrevo muito, mas publicar nem um. Ora, este facto, é gravíssimo. É uma lacuna sem precedentes. Numa altura em que se publicam 40 livros por dia em Portugal, quer dizer que num ano dão ao prelo aproximadamente 14600, e nem ao menos um é meu? Isto é reduzir-me à molécula existencial. Não conto mesmo nada para o universo cultural. É lógico que, perante tão fracas provas de saber, não mereço mesmo ser convidado para um programa de rádio. Até porque, segundo o aforismo, um homem para ser homem e se sentir plenamente realizado tem de plantar uma árvore –já plantei-, fazer um filho –já fiz dois, pelo menos registados que eu saiba- e publicar um livro –não publiquei. Ora aqui é que bate a porta na ombreira. Por silogismo, deduzindo do adágio, sou mesmo só dois terços de homem realizado, porque falta publicar o livro. Mas, calma, em minha defesa, invoco que os tempos mudaram, e antigamente a premissa “escrever um livro” era obrigatória porque não havia blogues. Ora, mais uma vez apelo à compreensão, eu tenho um blogue, logo, devo sentir-me realizado. É ou não é?
E este palavreado barato serve para tentar dizer que devo ser convidado para um programa de rádio? Acho que não. Aliás, tenho a certeza que não. O que é que eu sei de relevante que me torne diferente neste mundo de iguais? Pouco, muito pouco, para não dizer nada. Sou ignorante até dizer chega. Às vezes, como um cágado, até chego a enterrar a cabeça pela carapaça pela vergonha da minha ignorância. Juro, palavra de honra, que dou cada calinada que parece coisa do outro mundo. E se me convidassem por eu escrever no blogue? Bom, poderia ser, mas também…não sei, não! Acho que só escrevo vulgaridades. Só transmito o óbvio. Só relato a morte de alguém depois de ele morrer. Se ao menos adivinhasse uma qualquer tragédia eminente. Sei lá, imaginemos que era sensitivo e tinha uma intuição fora de vulgar, mas nada. Ora então, está visto que, se existisse, esse convite seria um desperdício. Não haverá gente muito mais qualificada? Ah, pois há!
Mas, continuando a especular, cogitemos que, por eu ser um tipo tão vulgar, tão vulgar, até me convidam mesmo e até me perguntam que tipo de programa faria eu? Então eu sei lá? Fui apanhado de surpresa, ora deixe-me pensar…
Se calhar, faria um programa semanal, assim de tertúlia, sempre sobre um tema “caliente”, como diz o meu compadre da horta do outro lado da antiga fronteira. Focaria essencialmente assuntos que dissessem respeito ao burgo, embora, naturalmente, a conversa fluísse para a política nacional. Como por exemplo, o metro ligeiro de superfície, e até, onde, poderia convidar alguém ligado ao falhado projecto que dá a Coimbra metros e metros de água pela barba.
Outro exemplo ainda, agora que o feitor da quinta do paço da 8 de Maio mudou, convidava o novo fazendeiro e metralhava-o (salvo seja, é claro!) com perguntas assim do género: “o senhor doutor desculpe, mas tendo em conta que o seu ex-chefe, há nove anos atrás, prometeu muito para a Baixa de Coimbra e não realizou nada, sobretudo para a sua revitalização social e económica, como a recuperação de edifícios e soluções para o comércio que estão há anos entranhadas entre a má vontade e o deixa correr –a ordenação da venda ambulante, o licenciamento sem custos de toldos, de publicidade, de reclamos luminosos, as crónicas licenças de utilização que a autarquia teima em onerar e complicar a vida a todos os comerciantes e em não acompanhar o espírito do legislador que seria no sentido de isentar todos os edifícios com uso comercial anterior a 1951 e no âmbito do REGEU, Regime Geral das Edificações Urbanas, etc,- e, no dia-a-dia, por quem cá anda, vê e sente o seu definhamento, o que pensa fazer o doutor Barbosa de Melo?
Irá o senhor presidente da Câmara Municipal de Coimbra, pela primeira vez, encomendar um estudo de urbanismo comercial no sentido de mostrar as lacunas de investimento e os excedentes de oferta na cidade? Esta carta-guia seria um indicador para novos investidores. Por outro lado, há perguntas, em relação ao presente e ao futuro, que exigem respostas urgentes para quem cá vive: QUE CIDADE TEMOS? QUE CIDADE QUEREMOS?
Sendo o comércio um motor de desenvolvimentos dos grandes aglomerados essencialmente no último século, porém, nos últimos 25 anos, devido à proliferação de grandes áreas comerciais, com a alteração dos costumes, nas novas formas de comprar, todo o conceito de comercialização foi alterado, o que pensa a câmara de Coimbra a este respeito? Terá em conta que o “velho comércio de sapatos e roupa”, por ser excedente, terá de ser planificado e obrigatoriamente terá de dar lugar a novos estabelecimentos de hotelaria, pequenas mercearias finas, alfarrabistas, casas de antiguidades e velharias? Saberá o novo inquilino do palácio de Santa Cruz que, dentro das possibilidades legais –que não são muitas-, deve obstaculizar –ou chamemos-lhe antes desmotivar- novas implantações de comerciantes chineses na Baixa, para que este Centro Histórico não se transforme a breve prazo numa “Chinatown” e, com isso, descambe num comércio descaracterizado, sem variedade e qualidade?
Terá o novo presidente em conta que a Empresa Municipal de Turismo –porque é uma empresa municipal- passará a incluir nos seus roteiros a visita guiada a estabelecimentos de reconhecido mérito comercial, e, sobretudo, tendo em conta os mais vetustos?
Será o novo economista Barbosa de Melo capaz de, enquanto parceiro estratégico da Universidade de Coimbra, sensibilizar a Reitoria no sentido de certas aulas se deslocalizarem para a Baixa, para que, pela primeira vez, para além, das festas académicas, os estudantes, com a sua permanência, possam constituir a matriz de uma nova ressocialização da zona histórica?
Será o novo prefeito municipal capaz de admitir que o planeamento de trânsito na Baixa e na Alta pode, actualmente, estar obsoleto e, efectivamente, não estar a contribuir para uma necessária revivificação destas zonas de antanho?
Saberá o novo homem novo da autarquia coimbrã que estará perante o conceito “rei morto, rei posto?”. Quer dizer que, para todos os efeitos, existe um tempo “antes” –de Carlos Encarnação- que, concorde-se e goste-se ou não, passou. Agora, perante o munícipe, há um “depois”, que é preciso dar resposta, e como o povo é esperançoso, naturalmente e comparando, espera muito mais de Barbosa de Melo. Ora este novo ocupante terá de vir dizer que “milagres” se poderá esperar da sua varinha mágica.
Ah, é verdade, se estivesse num programa de rádio deste género talvez lhe chamasse…”CONVERSAS POR UM FIO”!