domingo, 27 de dezembro de 2015

ESPEREM POR MIM QUE JÁ VOLTO!



GANHEI O “EL GORDO”


ESTA SEMANA QUE DECORRE NÃO ESTOU CÁ. ESTOU NO BRASIL A APANHAR BANHOS DE SOL ACOMPANHADO DE UMA BELA MORENA.

SE TUDO CORRER BEM, ISTO É, SE TIVER ALGUMA VONTADE DE TRABALHAR, CONTO REGRESSAR NO PRÓXIMO DIA 04 DE JANEIRO.

SE ESTIVEREM A ARDER DE SAUDADE, PODEM SEMPRE LIGAR-ME. NA VOLTA, PROMETO TRAZER UM POSTALITO.

UM “XI” DO LUÍS FERNANDES

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL




BOAS FESTAS! FELIZ NATAL!

AGUARDEM PELAS PRENDAS.
NÃO SEI SE IRÃO CHEGAR A TEMPO.
ESTES CORREIOS SÃO UM PROBLEMA! ANDAM SEMPRE ATRASADOS!
ESPEREM SENTADOS.
UM ABRAÇO DESTE VOSSO SERVO.
LUÍS FERNANDES

BOM DIA, PESSOAL...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

EDITORIAL: UMA TRAGÉDIA OCULTA E SILENCIOSA

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Na maioria dos casos, andamos tão preocupados com os grandes problemas do mundo, dos refugiados, das inundações do Brasil, dos atentados em Paris, que, ou porque não estamos atentos ou deliberadamente esquecemos, não imaginamos os dramas que, como sombras a dançar à nossa frente, se estendem na nossa rua, no nosso bairro, na nossa cidade. É da psicologia e sociologia que só tomamos atenção ao sofrimento de um grupo ou de alguém quando, por motivos vários, nos toca. Pode ser directamente, vendo a aflição in loco, ou indirectamente, através de imagens videográficas difundidas pelos meios audiovisuais. Sabe-se que nos dois casos começa sempre pelo apelo de alguém sensível. Como uma nascente que vai engrossando em crescendo e vai transformar-se em rio, também o grito de denúncia começa por ser isolado. De contágio em contágio, vai captando simpatia em vários campos que se auspiciam férteis, de boca-em-boca, imprensa escrita, ou redes sociais, até atingir velocidade de cruzeiro e, de repente, damos por todos nós a pensar como é possível não termos visto a situação que estava ao alcance de um piscar.
Vem isto a propósito de o programa “Sexta às 9”, da RTP, durante os primeiros dias de Janeiro, ter agendado a gravação sobre vários comerciantes sem direito a subsídio de desemprego e que se encontram em sérias dificuldades de sobrevivência. Conforme já escrevi vários textos sobre este tema, foi promulgado o Decreto-lei 12/2013, para entrar em vigor neste Janeiro de 2015, último, mas nunca foi aplicado. Ou seja, a lei existe mas é como se estivesse morta e enterrada. Então, em conversa com o jornalista João Ricardo Vasconcelos, ficou assente que, apesar da dificuldade, eu tentaria aprontar três depoimentos de ex-comerciantes que tivessem caído nas redes da insolvência. Embora eu já tivesse noção de uma certo embaraço –por que embora eu já escreva sobre este assunto há vários anos, verdadeiramente, nunca consegui que alguém se disponibilizasse, mesmo anónimo, a dar o seu testemunho de contar como ficou a sua vida depois do desastre. Do meu lugar de espectador que relata um assunto, confesso num certo egoísmo, no fundo, bem no fundo, eu não fazia a mínima ideia da marca de angústia que um falhanço num negócio deixa na pessoa. Só quem sofre sente, diz o aforismo e é verdade!
Só agora, depois de ter contactado vários ex-comerciantes que encerraram os seus comércios coercivamente e ainda não ter obtido qualquer anuência -para além do Paulo Simões-, depois de ouvir as suas declarações amargas e pungidas, me apercebi da tragédia que estas pessoas transportam para o resto das suas vidas. Quase sempre, pelo telefone choram e pedem desculpa por não colaborarem. É óbvio que, mesmo apesar de muito tempo sobre o desfecho de insucesso, estão infelizes e continuam deprimidos. Deixo aqui a ideia para uma tese de mestrado sobre este encoberto assunto.
Ainda hoje falei com mais dois. Um deles desfez-se em prantos de solidão. Disse-me mesmo que não podia, não tinha forças para falar do que lhe aconteceu. “Foi demasiado terrível”, transmitiu-me no meio de um choro compulsivo. Afectou-lhe a saúde, anda em tratamento psiquiátrico, e mexeu com a família, concluiu. Estou a referir-me a uma pessoa de quarenta e poucos anos. Quantos agregados como este, no país e nos últimos quatro anos, estão a sofrer esta catástrofe? Alguém se importa? Merecerão estes ex-investidores falidos serem tratados desta maneira indecorosa e abandonados à sua sorte? Estão a ser condenados duplamente.
Pelo respeito que estes nacionais merecem –porque merecem mesmo!-, não seria altura das entidades competentes passarem a olhar com outros olhos este inferno que tantos cidadãos estão a viver no silêncio?


TEXTO RELACIONADO

"O último olhar"


BOM DIA, PESSOAL...

"NÃO DEIXEM A BAIXA MORRER"




Realização e captação de imagens videográficas de Márcio Ramos

sábado, 19 de dezembro de 2015

EDITORIAL: O ANÁTEMA DO VENCIDO

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




A RTP, através do programa “Sexta às 9”, a pedido de um grupo de comerciantes que acompanhou e solicitou apoio para o Paulo Simões, vai fazer uma reportagem sobre o Decreto-lei fantasma 12/2013 –lei que, a partir de Janeiro de 2015, estabeleceu o regime jurídico de protecção social na eventualidade de desemprego dos trabalhadores independentes mas, por trafulhice superior, até agora não foi aplicada. A captação de imagens estará a cargo do jornalista João Ricardo Vasconcelos e serão gravadas nos primeiros dias de Janeiro.
Para melhor ilustrar a débil situação financeira dos visados, são necessários três testemunhos. Se for caso disso, os depoimentos podem ser com voz distorcida e imagem em câmara escura. Conforme já escrevi várias vezes, num altruísmo de salientar, um já temos: o próprio Paulo Simões –que num extraordinário acto de abnegada coragem aceitou ser a cara, o mártir que pode desencadear o virar de página desta infame e escandalosa discriminação entre cidadãos. Acontece que, após vários contactos com ex-comerciantes que entraram em decadência económica, está a ser tremendamente difícil de conseguir as suas declarações. Ainda hoje de manhã, mais uma vez, falei com um ex-lojista que entrou em desgraça. Atente-se nas suas explicações: “Lamento, senhor Luís, mas não quero mais mexer nesse assunto. É uma passagem negra da minha vida que pretendo esquecer. Estive internado. Desfiz a minha família. Desgracei a minha vida. Desculpe, mas, mesmo ocultando a minha identidade, não quero mais falar disso!”
De pouco valeu apelar à cidadania e o quanto o seu testemunho pode ser fundamental para dar a volta a esta situação vergonhosa e atentatória aos mais elementares princípios da dignidade humana.
Vou tentar analisar este comportamento sob dois prismas: o visível e o invisível. No primeiro, no visível, olhando a frio, do ponto de vista racional estamos, ou não, perante uma cobardia? Um egoísmo, uma falta de generosidade e solidariedade para quem, na mesma classe profissional, ainda não caiu mas está à beira do abismo? Não me pronuncio, deixo a resposta a cada um que ler esta crónica.
Sob o ângulo invisível, começo por escrever que, historicamente e nos nossos dias, a sociedade sempre manifestou o mesmo comportamento: enaltecer o vencedor até ao espasmo e desprezar o vencido até ao ostracismo. Para estender a passadeira vermelha ao triunfante basta apenas que o seu império seja para além do horizonte. Pouco importa se a sua riqueza foi conseguida a pisar carne humana e regada com lágrimas de sangue vermelho de muitos. O que interessa mesmo é que a sua posição social esteja acima da média e, em caso de necessidade, possa garantir um apoio ao que está abaixo da bitola.
Ora, por silogismo, poderemos pensar que os governos seguem a mesma linha. Para os empresários que tentaram e conseguiram romper as malhas da pobreza e até atingiram o cume mas, devido a vários factores, sobretudo de conjuntura, caíram, num exemplo deplorável, os executivos, como a condená-los pelo falhanço, abandonam-nos à sua sorte. Tantas vezes concorrendo para empurrar o investidor para a insolvência, quer por permitir concorrência selvática, quer por impor impostos de confisco. Poderemos ser levados a pensar que, de certo modo e tomando em conta alguns apoios ao investimento a montante, até parece que este desamparo a jusante surge como um castigo. Em ilação é como se dissessem: falhaste? Agora tens de percorrer o caminho de pedras! Aguenta-te!
O problema maior é que esta forma de encarar o insucesso tem custos demasiado enormes para a colectividade. Basta ver o número de suicídios ocorridos no país nos últimos quatro anos. Em Coimbra foram vários. Se bem que acoplados, e na subsequência de dificuldades, estivessem sempre problemas de saúde, em boa verdade nunca se saberá o que fez pender a vontade para colocar termo à vida.
Talvez valha a pena pensar que, de igual modo ao bem-sucedido, por uma questão de respeito, deveríamos ovacionar também quem arriscou tudo e perdeu. É uma questão de bom-senso.


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BOM DIA, PESSOAL...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

PEDRO COIMBRA LEVA À COMISSÃO PARLAMENTAR LEI 12/2013




Segundo comunicação de Pedro Coimbra, deputado eleito pelo círculo de Coimbra (PS), a questão da (falta de) aplicação da lei regulamentada 12/2013, de 25 de Janeiro, por sua iniciativa, já chegou à Comissão Parlamentar para ser agendada.
Hoje, via e-mail, chegou assim a sua correspondência: “Meu Caro, bom dia.
Queria informar-vos que já fiz chegar o assunto aos responsáveis da Comissão Parlamentar competente.
Um abraço
Pedro Coimbra”

JUNTO AQUI À NOSSA PORTA



“Vou só dizer uma coisa, estou a passar a maior dificuldade da minha vida. Nunca pensei que me faltasse um pão na minha mesa. Infelizmente, está a acontecer: não tenho um pão há 15 dias. Os amigos que tinha eram falsos, os que eram amigos para os copos que eu pagava. Comer? Nem pensar! Não tenho sequer para um pão e os meus amigos onde estão? Agora sim dou valor à minha situação quando ajudei alguém!!
Victor Damas”


Conheço o Victor Damas há muitas décadas. Actualmente desempregado da hotelaria, embora não tivesse conhecimento, pelo que li agora, está a passar sérias dificuldades. Escrevo este texto sem ter falado com ele. Estamos no Natal, numa quadra que, no mínimo, se deve colocar pão e água sobre a mesa de todos. Quem puder ajudar, por favor, que o faça comunicando através da sua página no Facebook.

CRÓNICA DE UM JANTAR ANUNCIADO

(Clique em cima para visionar o vídeo)



Realização videográfica de Márcio Ramos
Fotos do evento podem ser vistas aqui (clique em cima)


Pouco passava das vinte horas de ontem, quarta-feira, quando os primeiros amigos começaram a chegar ao restaurante Paço do Conde. A longa mesa em L estava colocada e pronta a receber os apontados trinta inscritos mas que por falta de dois seriam 28, no total.
O Alfredo, o carismático dono da conhecida casa hoteleira da Baixa, com um toque nas costas e uma palavra de apreço dava as boas-vindas aos que sucessivamente iam chegando. Enquanto o pessoal se atirava à broa e azeitonas, deram-se por iniciados os trabalhos. Como sou o mais tolo, e, passando a imodéstia, sou polivalente e até tenho jeito para tudo, incluindo para bobo da corte se necessário for, calhou-me em sorte (sem sorteio) ser o apresentador da festividade.
Comecei por agradecer a todos os presentes a sua vinda em tributo e homenagem ao Paulo Simões, um colega comerciante que, patinando nos trilhos da vida comercial, foi ao chão e ficou em sérias dificuldades para conseguir soerguer-se. Em seguida, ressalvei que esta iniciativa de um pequeno grupo de comerciantes, eu, o Armindo Gaspar, o Arménio Pratas e o Francisco Veiga –nestas coisas somos sempre os mesmos e uma espécie guarda-avançada- não tinha qualquer intenção político-partidária. Tal como noutras do género, estávamos nesta empreitada pelo respeito de um colega e em prol da cidadania. Esclareci que a haver política, isso sim, visava a polis, a cidade, e a sua almejada felicidade e boa convivência entre os seus citadinos. No entanto, sublinhei que estávamos a tentar envolver alguns deputados eleitos pelo círculo de Coimbra, respectivamente, José Manuel Pureza (BE), Helena Freitas (PS) e Pedro Coimbra (PS) para, no Parlamento, tentarem alterar a injustiça que está acontecer no país – que é haver lei regulamentada e não aplicada para valer aos empresários caídos em desgraça.
Perante todos os convivas, foram lidas as comunicações recebidas dos três deputados, José Pureza, Helena Freitas e Pedro Coimbra, e as suas promessas de envolvimento nesta questão fulcral e repor a equidade num processo de notória discriminação entre cidadãos.
Porque as gostosas espetadas já servidas nos pratos pediam para ser degustadas, sem respeito pelo animador à pressão, começou a ouvir-se uns imperativos “cala-te e come!”. E eu, como sou bem-mandado, às vezes, enfiei a viola no saco, calei-me e, sobre os auspícios superiores de Santo Onofre, protector dos comerciantes –que, em reclamação para o divino, afirmo que se deixou dormir pela segurança do Paulo Simões- atiramo-nos, sem dó nem piedade, aos bons nacos de carne.
Quando as barriguinhas já se encontravam compostas, outra vez, tratei de massacrar os convivas com o esclarecimento da prestação de contas. Ou seja, com as verbas conseguidas até aquele momento e a favor do nosso colega. No fim do repasto anunciar-se ia o total.

O PAULO FOI USADO?

Lançado por dois colegas presentes na mesa, e em acesa discussão, foi sublinhado que o Paulo Simões foi demasiado exposto em todo este processo. Com apelos à serenidade, foi dito que todos teriam o seu tempo para declararem o que pensavam sobre o assunto. Com alguma calma os ânimos serenaram. Foi explicado que tudo o que escrevi –porque o “abusador” sou eu- foi sempre com autorização expressa do homenageado –mais tarde o Simões haveria de corroborar e, de certo modo, acalmar os ânimos mais irrequietos.
E, como não estava presente nem um político cá da aldeia para fazer discurso, foi dada a palavra ao Arménio Pratas, co-organizador desta angariação de fundos e também representante local da CPPME, Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas. E o Pratas, por entre palavras, explicou bem a trafulhice que o anterior governo do PSD/CDS engendrou com o Decreto-lei 12/2013, de 25 de Janeiro para, à custa dos pobres comerciantes, aumentando a TSU, Taxa Social Única, lhes espoliar cerca de 600 milhões de euros para a Segurança Social e no fim lhes fazer um manguito, isto é, não cumprindo o prometido.
A seguir à predica do Arménio foi dada voz à assembleia. Para felicidade de todos, aparentemente, a belicosidade tinha desaparecido como nevoeiro em manhã de Agosto e já se sentia uma paz desejada por todos.

E QUEM DÁ MAIS?

Um nosso amigo, benemérito, o Carlos Pinto dos Santos, conhecido entre nós como Toni, e escritor, ofereceu 12 livros da sua autoria “Por portas Travessas –os miúdos e a cidade”, para serem leiloados no jantar e com a receita a reverter para o Paulo. Foi fantástico ver as pessoas a “guerrearem-se” para subir a parada. Igualmente o Alfredo, o dono do típico restaurante, num gesto amável, ofereceu também três garrafas de brandy da década de 1970. E fez mais: no final, quando alguém perguntou onde estava o Bolo-rei, o popular hoteleiro não foi de modas: telefonou para uma pastelaria do seu conhecimento e por volta das 23h00 estávamos todos a comer um delicioso bolo-rei oferecido pelo dono da casa. Espectacular! Foi muito interessante reconhecer que as pessoas, em face de uma necessidade premente, transcendem-se.

MAS, AFINAL, QUANTO RENDEU?

Juntando as ofertas, o pequeno leilão e a diferença entre o custo do jantar que se pagou ao restaurante e o remanescente para o Paulo, tudo junto, rendeu cerca de 1,150,00 euros. É ou não bonito sentir que se conseguiu um pequeno pecúlio para este nosso colega poder passar um Natal melhor na companhia dos seus filhos?

UM FENÓMENO INTERESSANTE

Os dois diários locais, o Diário as Beiras, sob a afinada pena do António Alves, e o Diário de Coimbra, sob a esmerada escrita do António Rodrigues, fizeram duas boas peças sobre esta iniquidade. Muito obrigado a estes dois reconhecidos jornalistas que tiveram a sensibilidade de conseguirem transmitir aos leitores o que lhes ia na alma. Em resultado disso, as dádivas dirigidas ao Paulo Simões, ainda hoje, continuam a cair no nosso regaço.

“SEXTA ÀS 9” CÁ ESTAMOS

Recebi hoje o contacto do jornalista João Ricardo de Vasconcelos, do programa “Sexta às 9”, da RTP, a comunicar que nos primeiros dias de Janeiro vai gravar uma reportagem sobre o drama deste Paulo e de outros no país inteiro. Segundo a intenção do jornalista são necessários três depoimentos de pessoas que tivessem passado pelas dificuldades do Paulo Simões. Apesar de já ter contactado com alguns, não está ser fácil. Se porventura, você leitor, é um dos que passou por este martírio e quiser colaborar, por favor, contacte-me. Se não quiser aparecer, a voz pode ser distorcida e a imagem será visível em câmara escura.
Bem-haja a todos. Feliz Natal!


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

CONTINUAM A CHEGAR DONATIVOS PARA O PAULO SIMÕES




Apesar de o jantar solidário a favor do Paulo Simões ter sido realizado ontem –e que darei conta em pormenor e com fotos sobre o que lá se passou assim que me for possível-, continuam a chegar ofertas de dinheiro para o ex-comerciante caído nas malhas da insolvência.
Pode interrogar-se porque continuo a referir o nome dos donatários. A razão é tornar público que recebi e vou entregar ao beneficiário. Se não o fizer, penso, quem garante que entregarei as verbas?

Nomes dos ofertantes:

-Iva Marina (Snack-bar Marcius) ……......................................  15,00 €
-Regina  (Peixaria Fishfixe) ………………...............................   10,00 €
-Anónimo (deixado debaixo da porta sem identificação) ......... 50,00 €

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

DIÁRIO DE UM NATAL SOLITÁRIO PARA O PAULO SIMÕES




Até agora, chegaram até nós vários donativos para, juntamente com os seus filhos, o Paulo Simões ter um merecido e legítimo Natal melhor.
Como é nossa obrigação, diariamente e até hoje, dia do jantar solidário, daremos conta das dádivas que lhe são destinadas. Até ao momento, incluindo as de hoje, já temos ofertas em dinheiro no valor de 720,00 €.
-Recebemos antes de ontem de José da Costa (Ourivesaria Costa) a quantia de 20,00 €. Muito obrigado.
-Recebemos antes de ontem também da loja Avenida 7 a quantia de 15,00 €. Muito agradecido.
-Temos também antes de ontem a oferta de 20,00 € de Vitor Espírito Santo, da sapataria Pessoa. Muito grato.

-Ontem: 
-recebemos de Miguel Mendes (Jorge Mendes) 20,00 €. Muito Obrigado.
-recebemos de P.S. 100,00 € e 12 livros de sua autoria, sobre a Baixa de Coimbra. Muito obrigado.
-recebemos de Jorge Sousa, padaria/Pastelaria Avô) 20,00 €. Obrigado.
-recebemos de António Cruz (Ágata) 25,00 €. Bem-haja.
-recebemos de José Carlos, Taveiro, 25,00 €. Obrigado.
-recebemos de Arcindo Gaspar (frutaria Arcindo) 10,00 €. Obrigado.
-recebemos do senhor Carvalho (Loja das Meias) 20,00 €. Agradecido

-Hoje: (muito obrigado a todos)
Joaquim (ourivesaria Safira) 10,00 €.
Cristina (Loja Pintinhas)  10,00 €
Jorge Mendes & irmãos (loja Jorge Mendes) 50,00 €
Paula Lourenço              15,00 €
Álvaro Pratas (emigrante no Canadá)   100, 00 €
Lena (loja Lena)       10,00 €
Inácio (ex-comerciante)     20,00 €
Fernando Amaro Ourivesaria Silva) 10,00 €
Jorge Silva (Ourivesaria Silva)  10,00 €
Miguel (ourivesaria Mondego)   10,00 €
Queirós e esposa (loja joaninha) 30,00 €

************************************

Várias inscrições de amigos que irão estar presentes no repasto:

Guida (Café Sofia)
Luís Pedro
Lena (retrosaria na Rua da Sofia)
Arménio Pratas (Sofimoda)
Maria Amélia Pratas (Sofimoda)
Luís Quintans (O Encanto da Freiria)
Armindo Gaspar
Francisco Veiga (Modas Veiga)
João (funcionário da sapataria Caravela)
Olinda Maria
Jorge Martins (Quiosque Espírito Santo)
Fernando (Snack-bar Rua da Louça)
Sérgio Ferreira (Restaurante padaria Popular)
Conceição Braz (Loja Rapaz-Maria)
Marido da Conceição Braz
Maria da Natividade (loja Brancal)
Paula Isabel Costa (loja Brancal)
Cajó (loja "O Conde)
Hélder, (loja "Coisas e Sabores)
Rui (sapataria Bull's)
António, pai da Teresa.
Henrique Ramalhete (Bambina)
Luís Brito (sapataria Low Cost)
Esposa do Luís Brito
Filha de Luís Brito
Luís Braga (Loja Bragas)

HISTÓRICO DE UM DIÁRIO PARA UM NATAL MELHOR





Mais logo, quando a noite estender o seu manto sobre a cidade e os ponteiros do relógio marcarem as oito horas (vinte), cerca de trinta pessoas estarão no restaurante Paço do Conde a puxar a cadeira para se acomodarem e em seguida, como entrada para um bom repasto, a lançar o isco a uma boa rodela de chouriço e acompanhada de bom tinto, como é apanágio desta popular catedral pantagruélica.
Como tem sido amplamente divulgado, a razão para este encontro é uma iniciativa de um pequeno grupo de comerciantes que tem por objecto amealhar um pecúlio para um nosso colega comerciante, o Paulo Simões, caído nas malhas da insolvência particular e empresarial. Naturalmente que, sabemos todos, esta diligência não visa retirar o Simões da indigência, mas antes organizar uma pequena almofada que lhe permita passar um Natal melhor, na companhia dos filhos menores, e, por exemplo, poder deslocar-se para outra cidade em busca de trabalho.

MAS, AFINAL, QUEM É O PAULO SIMÕES?

Descreve-se o Paulo: “decorria o ano de 1966 quando dei o primeiro grito num lar muito pobre, como era apanágio na época e para a maioria dos portugueses, em Taveiro, Coimbra. Mal terminei a escola primária, com 12 anos, assentei logo praça ao serviço da primeira ocupação que me apareceu. Um ano depois fui trabalhar para a tabacaria Lobo, na Praça do Comércio, e por lá estive uns anos até que o senhor Francisco, da Sapataria Clarinha, na Rua da Louça, me convidou para ser seu empregado. Para lá me transferi e fui muito bem acolhido. Entretanto, para choque de todos nós, o senhor Chico faleceu em 1994. Por conta dos herdeiros, continuei na loja como funcionário até 2008. Nesta altura a minha vida levou um grande tombo. Com dois filhos menores, divorciei-me. Como era preciso pegar a vida de frente, sem medo, tomei o estabelecimento e passei a trabalhar por conta-própria. Nos dois primeiros anos, apesar do despoletar da crise mundial com a falência do banco norte-americano Lehman Brothers, o negócio até correu bem. A partir de aí foi sempre a descer em declive. Em 2011, tentando diversificar e julgando encontrar uma tábua de salvação, arrendei um pequeno restaurante, na mesma rua, ao lado da sapataria. Trabalhava noite e dia para manter os dois estabelecimentos em actividade. Talvez por desconhecimento, não calculei bem o risco e, com uma renda elevada, acabei por piorar as coisas ainda mais. Em Abril de 2014, já bastante debilitado financeiramente, encerrei de vez a casa de pasto.
Depois de um ano a lutar contra imaginários balões de ensaio, neste último Sábado, e derradeiro de Outubro, fechei as portas da minha sapataria.” (Continue a ler aqui)

E O QUE ACONTECEU A SEGUIR?

Divorciado e com dois filhos menores em guarda-partilhada, o Simões dirigiu-se à Segurança Social e ficou a saber que iria receber 178,15 de RSI, Rendimento Social de Inserção, o mesmo valor que se atribui a muitos cidadãos que pouco contribuíram para a riqueza nacional. Ou sendo má-língua, trata-se melhor qualquer refugiado chegado recentemente a Portugal que um filho da nação que trabalhou toda a vida. Critérios políticos que, rezando a todos os santinhos, esperamos todos sejam alterados a breve prazo.

E PORQUE É ASSIM?

O anterior governo do PSD/CDS fez promulgar o Decreto-Lei nº 12/2013, de 25 de janeiro, que veio estabelecer o regime jurídico de protecção social na eventualidade de desemprego dos trabalhadores independentes com actividade empresarial e dos membros dos órgãos estatutários das pessoas colectivas, sendo que só após 2 anos de pagamento do novo valor se teria direito ao apoio social. O Ministro da tutela, Mota Soares, no final do ano de 2014, a propósito da entrada em vigor do Decreto-Lei, afirmava que a aplicação da mesma iria abranger mais de 300 mil beneficiários (dados retirados da CPPME). Para dar consistência financeira ao projecto, com a publicação do Decreto-Lei, deu-se imediatamente um agravamento da Taxa Social Única (TSU), passando de 29,60 para 34,75% (um aumento de 17,40%). A lei entrou em vigor, com força geral, em Janeiro deste ano, de 2015.
Nestes dois anos, 2013/2014, o Estado arrecadou mais de 600 milhões de euros sem nada despender, suportados pelos empresários. Então veio acontecer o impensável: nove meses depois de entrar em vigor, em Setembro deste ano, dos 1900 empresários que requereram o subsídio, apenas 145 estão em apreciação! Isto é, até ao momento ainda nenhum pequeno-empresário acedeu ao apoio (dados da CPPME).

E HÁ INTERESSE EM ALTERAR O SITUACIONISMO?

Como ressalva para desonerar de responsabilidade os restantes membros desta iniciativa, o Arménio Pratas, o Armindo Gaspar e o Francisco Veiga, sugeri que esta acção deveria ser mais ambiciosa e ter um âmbito político. Recordo que a ineficácia da lei está a ser trágico para milhares de corpos-gerentes no país inteiro. O Paulo Simões é apenas o homem honrado, cuja vida comercial correu mal e que, sem remorso, dá a cara. Escrevo esta ressalva para não se pensar que há aqui uma orquestrada mãozinha invisível do partido rosa, azul ou vermelho. Há política sim senhor! Mas é no sentido da cidadania, da defesa da polis, para que os cidadãos possam viver com dignidade e tenham direito a um justo merecimento retributivo em caso de falhanço empresarial.
Foi assim que cheguei à fala com os deputados com assento parlamentar, eleitos pelo círculo de Coimbra, nomeadamente, José Manuel Pureza (Bloco de Esquerda), Helena Freitas (PS) e Pedro Coimbra (PS).
Pelo primeiro, José Pureza, perante uma plateia de cerca de quatro dezenas de pessoas e depois de questionado por mim, foi dito que “declaro aqui o compromisso de levar o assunto à discussão na Assembleia da República, não sei é quando, sublinho, não sei quando. Mas comprometo-me a tomar a iniciativa assim que me for possível.”
Pela segunda deputada, Helena Freitas, por e-mail, foi-me comunicado: “Nesse dia estou em Lisboa pelo que não posso estar presente no jantar. Posso no entanto contribuir mesmo não estando presente. Basta dizer-me como. Tendo envolvido o José Manuel Pureza posso também falar com ele sobre o assunto.”
Pelo terceiro, Pedro Coimbra, através do telefone e por e-mail, foi dito: “agradeço o convite para o jantar de hoje. De facto, tendo tido conhecimento apenas hoje e por me encontrar em Lisboa em trabalhos parlamentares, não me é possível estar presente.
No entanto, pedia-lhe que manifestasse a todos, e em particular ao Paulo Simões, toda a minha solidariedade e compreensão pela situação em causa. Naturalmente, estou totalmente à disposição para que, na medida das minhas possibilidades, possa intervir, incluindo na Assembleia da República, para combater as injustiças sociais e económicas de que tantos têm sido vítimas e de que este caso não é excepção.
Muito obrigado."

E COMO É QUE ESTÃO RESPONDER OS COMERCIANTES?

Num universo de cerca de cinco centenas de comerciantes, só três dezenas estarem disponíveis para darem um abraço a um colega que escorregou no caminho da incerteza comercial é manifestamente pouco. Pouquíssimo. Em silogismo, neste comportamento egoísta e condenável pela falta de solidariedade, é como se possa concluir: “caíste? O problema é teu! Não é meu!”
A bem da verdade, convém dizer que há excepções. Não são muitas, mas há! Mais abaixo escrevo e conto as que existem.
Porque, a dar-me razão e infelizmente, há mais do que especulações. Um lojista, hoje de manhã, quando fui convidá-lo para ir ao jantar, disse o seguinte: “não vou! Anda cá, que tenho uma coisa para te dizer –e puxando-me para dentro do seu estabelecimento. Não vou ao jantar porque não concordo como vocês expuseram a vida privada do Paulo –e mostrou-me o convite distribuído pelas lojas. Isto é uma indecência!”
Quando argui que foi tudo com a permissão do visado e que não é possível apelar à generosidade sem mostrar o caso concreto, continuou a discordar. Quando lhe retorqui que para fazer o pouco que se está a fazer por apenas quatro pessoas, que são também lojistas, exige muito esforço, isso não pareceu interessar. E que estamos a agarrar-nos a todos os meios, incluindo a televisão. Quando lhe perguntei qual seria a melhor maneira de fazer melhor não soube responder.
Um outro ainda, respondeu: “eu não vou! A mim ninguém me ajuda! Com um custo de 15,00 euros? Além disso, não concordo com o texto distribuído. Quer dizer, pago o jantar e ainda tenho de contribuir? Ora! Isto não é o da Joana!”
De pouco valeu explicar que não era assim. A intenção, sobejamente conhecida, era simplesmente mandar abaixo e arranjar uma desculpa para não contribuir.

E HÁ EXCEPÇÕES?

Como em tudo nesta vida há sempre alguém que se distingue da maioria. Cerca de dezena e meia de comerciantes, entre ofertas de 10 e 50 euros, contribuíram dentro das suas possibilidades. Há também quatro ofertas de emprego para o Paulo.

E QUANTO RENDEU?

Para nossa completa surpresa, tivemos três ofertas de 100,00, cada, de pessoas que não estão ligadas ao negócio. Uma de uma senhora muito querida –que, a seu pedido, não posso revelar o nome-, outra de um amigo escritor –que também não posso revelar a identidade- e outra ainda de um leitor do blogue, o nosso amigo desconhecido Álvaro Pratas Leitão e que está emigrado no Canadá.
Em balanço, até agora, temos a verba de 720,00 euros e cerca de 30 inscritos para o jantar –o que quer dizer que, deste monte, ainda irão sair à volta de 300,00 euros mais.
Muito obrigados a todos. Aos que não sendo comerciantes, e pensando que a vida dá muita volta e pode a roda desandar e colocá-los na mesma posição; aos que sendo, que num esforço hercúleo deram o que puderam para não faltar à chamada; e aos outros, que perante este caso que nos devia envergonhar, sobretudo pela falta de envolvimento, assobiam para o lado.







UMA DÁDIVA SURPREENDENTE





Álvaro José da Silva Pratas Leitão é um leitor assíduo deste blogue. Nascido e criado em Ribeira de Frades, emigrou cedo para terras frias da América do Norte, mais precisamente para Ontário, Canadá.
Com 54 anos e família constituída, a sua ligação umbilical ao solo que o viu nascer é incomensurável. Lá longe, onde o Sol derrete a neve, Álvaro vai lendo tudo o que fala de Coimbra. Neste blogue e noutros, como sequioso em busca de uma gota de água que refresque o seu desejo, absorve tudo o que lhe recorde e leve à lembrança a aldeia grande que é a cidade dos estudantes. Para aliviar a saudade, dividindo o corpo lá e alma cá, num eterno retorno às origens, um dia vai regressar ao lugar que o viu nascer. Sabe que a imagem que armazena na sua mente desapareceu e não corresponde aos nossos dias quando, há cerca de 30 anos, as pessoas para caminharem nas ruas da Baixa se acotevelavam e tocavam ombro-no-ombro.
Foi assim que tomou conta da iniciativa de juntar amigos no restaurante Paço do Conde, mais logo, para ajudar o Paulo Simões. Mas, para lição de muitos e daqueles que a quiserem tomar, o meu desconhecido amigo Pratas telefonou-me hoje para me dizer que quer contribuir com 100,00 euros para tornar o Natal melhor a este ex-comerciante agora caído em desgraça. Sublinha, “esta minha singela contribuição é em nome do povo da Ribeira de Frades. É pelas gentes desta aldeia, pelos princípios que me incutiu, que faço o que devo. Foi o povo humilde desta terra vizinha de Coimbra que me ensinou a ser generoso. Só peço a Deus que o Paulo Simões, um dia, não tenha de fazer o mesmo por mim. Dentro das suas possibilidades, um feliz Natal, senhor Paulo!”
Em nome do Paulo, em nome de tantos outros comerciantes caídos nas malhas da indigência por factores alheios à sua vontade, o nosso bem-haja, senhor Álvaro José!


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

DIÁRIO DE UM NATAL SOLITÁRIO PARA O PAULO SIMÕES




Até agora, chegaram até nós vários donativos para, juntamente com os seus filhos, o Paulo Simões ter um merecido e legítimo Natal melhor.
Como é nossa obrigação, diariamente e até ao dia 16, dia do jantar solidário, daremos conta das dádivas que lhe são destinadas. Até ao momento, incluindo as de hoje, já temos ofertas em dinheiro no valor de 445,00 €.
-Recebemos ontem de José da Costa (Ourivesaria Costa) a quantia de 20,00 €. Muito obrigado.
-Recebemos ontem também da loja Avenida 7 a quantia de 15,00 €. Muito agradecido.
-Temos também ontem a oferta de 20,00 € de Vitor Espírito Santo, da sapataria Pessoa. Muito grato.
-Hoje, recebemos de Miguel Mendes (Jorge Mendes) 20,00 €. Muito Obrigado.
-Hoje, recebemos de P.S. 100,00 € e 12 livros de sua autoria, sobre a Baixa de Coimbra. Muito obrigado.
-Hoje, recebemos de Jorge Sousa, padaria/Pastelaria Avô) 20,00 €. Obrigado.
-Hoje, recebemos de António Cruz (Ágata) 25,00 €. Bem-haja.
-Hoje, recebemos de José Carlos, Taveiro, 25,00 €. Obrigado.
-Hoje, recebemos de Arcindo Gaspar (frutaria Arcindo) 10,00 €. Obrigado.
-Hoje, recebemos do senhor Carvalho (Loja das Meias) 20,00 €. Agradecido

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Várias inscrições de amigos que irão estar presentes no repasto:

Guida (Café Sofia)
Luís Pedro
Lena (retrosaria na Rua da Sofia)
Arménio Pratas (Sofimoda)
Maria Amélia Pratas (Sofimoda)
Luís Quintans (O Encanto da Freiria)
Armindo Gaspar
Francisco Veiga (Modas Veiga)
João (funcionário da sapataria Caravela)
Olinda Maria
Jorge Martins (Quiosque Espírito Santo)
Fernando (Snack-bar Rua da Louça)
Sérgio Ferreira (Restaurante padaria Popular)
Conceição Braz (Loja Rapaz-Maria)
Marido da Conceição Braz
Maria da Natividade (loja Brancal)
Paula Isabel Costa (loja Brancal)
Cajó (loja "O Conde)
Hélder, (loja "Coisas e Sabores)
Rui (sapataria Bull's)
António, pai da Teresa.
Henrique Ramalhete (Bambina)
Luís Brito (sapataria Low Cost)
Esposa do Luís Brito
Filha de Luís Brito
Luís Braga (Loja Bragas)

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O Paulo Simões, de 49 anos, trabalhou na Baixa desde os 12. Foi empregado por conta de outrem e patrão de vários funcionários. Esteve estabelecido na Rua da Louça até Outubro, último, quando teve de encerrar por dificuldades financeiras. Divorciado, com dois filhos menores a seu cargo durante quinze dias em guarda partilhada, viu ser-lhe atribuído pela Segurança Social o RSI, Rendimento Social de Inserção, na importância de 178,15 euros.
No dia 16, deste Dezembro de Natal, no restaurante Paço do Conde, vamos realizar um jantar solidário para auxiliar o nosso colega. O custo do repasto é de 15,00 €.
O Paulo precisa da nossa ajuda! Hoje por ele, amanhã por nós. Sê generoso, meu amigo! Generosidade é colocarmo-nos no lugar do outro. Podemos contar contigo?
Em caso afirmativo –e pela impossibilidade de estares presente no jantar podes contribuir-, por favor, contacta a comissão organizadora:

Armindo Gaspar  914 872 717
Arménio Pratas   910 518 185
Luís Quintans      917 808 600

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

BOA TARDE, PESSOAL...

DIÁRIO DE UM NATAL SOLITÁRIO PARA O PAULO SIMÕES

(Na foto, o Paulo está à esquerda)


Até agora, chegaram até nós vários donativos para, juntamente com os seus filhos, o Paulo Simões ter um merecido e legítimo Natal melhor.
Como é nossa obrigação, diariamente e até ao dia 16, dia do jantar solidário, daremos conta das dádivas que lhe são destinadas. Até ao momento, incluindo as de hoje, já temos ofertas em dinheiro no valor de 325,00 €.
-Recebemos hoje de José da Costa (Ourivesaria Costa) a quantia de 20,00 €. Muito obrigado.
-Recebemos também da loja Avenida 7 a quantia de 15,00 €. Muito agradecido.
-Temos também a oferta de 20,00 € de Vitor Espírito Santo, da sapataria Pessoa. Muito grato.

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Várias inscrições de amigos que irão estar presentes no repasto:

Guida (Café Sofia)
Luís Pedro
Lena (retrosaria na Rua da Sofia)
Arménio Pratas (Sofimoda)
Maria Amélia Pratas (Sofimoda)
Luís Quintans (O Encanto da Freiria)
Armindo Gaspar
Francisco Veiga (Modas Veiga)
João (funcionário da sapataria Caravela)
Olinda Maria
Elsa
Fernando (Snack-bar Rua da Louça)
Sérgio Ferreira (Restaurante padaria Popular)
Conceição Braz (Loja Rapaz-Maria)
Marido da Conceição Braz
Maria da Natividade (loja Brancal)
Paula Isabel Costa (loja Brancal)
Cajó (loja "O Conde)
Hélder, (loja "Coisas e Sabores)
Rui (sapataria Bull's)
António, pai da Teresa.
Jorge Sousa, Padaria e pastelaria Avô)
Henrique Ramalhete (Bambina)


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O Paulo Simões, de 49 anos, trabalhou na Baixa desde os 12. Foi empregado por conta de outrem e patrão de vários funcionários. Esteve estabelecido na Rua da Louça até Outubro, último, quando teve de encerrar por dificuldades financeiras. Divorciado, com dois filhos menores a seu cargo durante quinze dias em guarda partilhada, viu ser-lhe atribuído pela Segurança Social o RSI, Rendimento Social de Inserção, na importância de 178,15 euros.
No dia 16, deste Dezembro de Natal, no restaurante Paço do Conde, vamos realizar um jantar solidário para auxiliar o nosso colega. O custo do repasto é de 15,00 €.
O Paulo precisa da nossa ajuda! Hoje por ele, amanhã por nós. Sê generoso, meu amigo! Generosidade é colocarmo-nos no lugar do outro. Podemos contar contigo?
Em caso afirmativo –e pela impossibilidade de estares presente no jantar podes contribuir-, por favor, contacta a comissão organizadora:

Armindo Gaspar  914 872 717
Arménio Pratas   910 518 185
Luís Quintans      917 808 600

sábado, 12 de dezembro de 2015

PUREZA NO DESOBEDECER E NO COMPROMISSO

(Imagem roubadita ao Teatro da Cerca de São Bernardo)


Ontem à tardinha, quando a noite já tomara conta da cidade, na Livraria do Teatro da Cerca de São Bernardo e perante uma assistência de cerca de quarenta amigos e conhecidos, José Manuel Pureza, deputado na Assembleia da República e eleito pelo círculo de Coimbra pelo Bloco de Esquerda, apresentou o seu mais recente livro com o título “Desobedecer à União Europeia”. A apresentação esteve a cargo de António Luís Catarino e Jorge Bateira.
De leitura acessível, em formato de livro de bolso com 75 páginas, recomendo esta obra que surge no momento em que, por imperativo nacional, se deve questionar a nossa ligação enquanto membro. Sobre o tema principal “desobedecer à União Europeia: uma exigência da democracia”, dois capítulos sobressaem: “A União Europeia já não é o que era?” e “Uma ética, um programa e muitas vozes para desobedecer”.

PUREZA COMPROMETE-SE... MAS SEM PRAZO

Depois da apresentação de sapiência e elogio ao autor feita pelos oradores, Catarino e Bateira, falou José Manuel Pureza acerca da necessidade de desobedecer à União Europeia partindo de sub-capítulos do seu livro como, por exemplo “Não se desobedece a conceitos vazios” e “Lições gregas: aprender para desobedecer”.
Estando eu presente, pegando no título defendido pelo escritor e nosso honrado conterrâneo, comecei por dizer que a minha intervenção, de certo modo, era uma rasteira para o prezado deputado –uma provocação no sentido de que Pureza sabia do que eu iria falar já que, anteriormente, trocámos impressões por escrito sobre o assunto.
Iniciei com o prólogo de que, tendo em conta o jugo, só há três formas de obedecer: à força física, ao costume e à coercitividade da lei –esta, a legislação, sobretudo a partir do Estado Moderno, veio impedir a lei do mais forte, dirimindo os conflitos e ratificando, confirmando, os costumes. Então, tendo em conta que o anterior governo da Coligação promulgou uma lei com força geral, o Decreto-lei nº 12/2013, de 25 de Janeiro, para entrar em vigor em Janeiro de 2015 e, num caso de estudo –diria antes de burla- bloqueou os efeitos e arrumou a norma numa gaveta. No caso, para se entender melhor, com a publicação do decreto deu-se imediatamente um agravamento da Taxa Social Única (TSU), passando de 29,60 para 34,75% (um aumento de 17,40%), sendo que após 2 anos de pagamento do novo valor os corpos gerentes teriam direito a apoio social em caso de necessidade. Ora, o que aconteceu é que veio Janeiro deste ano, de 2015, e os serviços da Segurança Social, entre milhares de pedidos, não atribuiu um único. A resposta a cerca de duas mil solicitações foi que só 190 estavam em apreciação. Porém, não disseram os (ir)responsáveis quando se pronunciariam. O que quer dizer que, alegadamente, estamos perante uma fraude, um malabarismo, de um executivo que tinha obrigação de agir de boa-fé e intrujou toda uma classe, condenando à miséria milhares de portugueses como este Paulo Simões.
Então formulei a interrogação a José Manuel Pureza: falou o senhor aqui numa Europa insensível para a questão dos refugiados. Ora, perante uma norma que entra em vigor e que não é executada nos efeitos para com nacionais como se pode desobedecer? Sabendo o senhor o que se está a passar, enquanto deputado da Nação, com milhares de empresários que caíram nas malhas da indigência como é o caso do Paulo Simões, pergunto-lhe: sendo vice-presidente do Parlamento e membro da bancada do Bloco de Esquerda, tenciona levar a efeito uma iniciativa parlamentar para acabar com esta iniquidade?
Respondeu José Manuel Pureza: “declaro aqui o compromisso de levar o assunto à discussão na Assembleia da República, não sei é quando, sublinho, não sei quando. Mas comprometo-me a tomar a iniciativa assim que me for possível.”
Em síntese e para terminar, porque acredito na palavra dada de Pureza, tenho a certeza de que o nosso estimado deputado em representação local não irá fazer o mesmo que o defunto governo do PSD/CDS fez. Ou seja, promete sem se comprometer com prazo mas, arrastando no tempo, não executa a ordem jurídica.