quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O RUI PETAS E AS CARNES PROCESSADAS

(Imagem da Web)




À hora de almoço encontrei o Rui Petas sentado na esplanada do Café Santa Cruz, ao lado da Igreja com o mesmo nome e onde o nosso pai eterno, Dom Afonso, dorme o sono solto dos patifórios que batem na mulher lá em casa. O Rui é um gajo porreiro e bom filho. Normalmente não é muito incomodativo com frases muito vincadas e até passa despercebido. É muito virado para ambiguidade. Aliás, é tão bom filho que para agradar ao pai e à mãe, tanto gosta de homens como mulheres –é bissexual, pronto! E ninguém tem nada com isso! Homessa! Tanto come carne vermelha rachada como um bom chourição de Trás-os-Montes –pelo menos até agora, que eu saiba, sempre foi assim.
Hoje estava cabisbaixo e muito pensativo. Por mais que passasse à sua frente um machão ou um bom coirão –sem ofensa, é claro!- o Petas não deslocava o queixo da mão em concha nem abria os olhos. Palavra de honra, fiquei preocupadíssimo. Pensei logo que tinha acontecido alguma coisa com uma figura do Governo que lhe é muito chegada. Para o fazer olhar para mim foi mesmo um castigo. Tive de o abanar fortemente e dar-lhe um cachação no pescoço. Até que, finalmente, abriu as cortinas e, mirando-me profundamente, deu em chorar que parecia uma criança. Com algum constrangimento –que não gosto muito de confusões- lá lhe dei um forte abraço e acompanhado de frases soltas e calóricas de grande amizade e carinho.

-Então, então, meu amigo, o que é que se passa? Interroguei com a minha melhor voz e embrulhada em melaço mais adocicado que os pastéis de nata, da extinta Nata Lisboa.
-Ai, nem sei como te conte, meu amigo! Replicou com ênfase, e ao mesmo tempo que retirava das catacumbas da alma um profundo suspiro –tão grande que até o senhor Urbano, o nobel engraxador do café, estremeceu.
-Ora, ora, Rui! Desabafa! Sabes bem que sou teu amigo do peito, carago! Enfatizei rebuscando uma frase que já vira num teatro qualquer.
-Estou muito ensimesmado, caríssimo! Certamente ouviste e leste antes de ontem a declaração da OMS, Organização Mundial de Saúde, em que consideravam as carnes vermelhas e outras processadas, como as salsichas, a morcela e o salpicão passíveis de provocar cancro? E agora? Vou comer o quê? E a última frase foi proferida em grito lancinante. Tão angustiante que até a Lena, do quiosque Espírito Santo, saiu espavorida e com cara de assustada do pequeno espaço que lhe sobra entre livros, jornais e revistas, e é razão directa de ser tão magrinha.
-Bolas, Petas, não estejas assim! Passas a comer peixe! Tentei contemporizar.
-Não gosto de peixe, pá! Eu gosto é de engolir salsicha, morcela grossa, chouriça e salpicão. Só me dou bem com carnes processadas. Adoro carne vermelha, porra! E agora? Esta última palavra foi mesmo num grito profundo. Tão cavernoso que até o José Cruz, um dos sócios do reputado café, veio a correr com uma vassoura na mão por pensar que estavam a violar alguém na sua esplanada.
Como me estava a sentir incomodado com todo aquele cenário de tristeza tive de abandonar o Rui Petas à sua melancolia. Realmente! Aqueles tipos lá da OMS só pensam neles. É o que é!

QUID IURIS?

(Imagem da Web)




Vamos aos factos. A minha vizinha, a menina Sonsinha Boateira, uma velhota de cerca de noventa anos, deu em espalhar pelas esquinas da minha rua, becos e praças em redor, que eu, cidadão puritano e que quando vê um decote com umas boas mamas cerra a cortina dos olhos, ando a assediá-la e que, para além de ser devasso, tenho em mente a prática de sexo. Como se fosse pouco, como é colaboradora do “Jornal da Caserna” –um matutino que talvez seja pouco conhecido- deu em malhar na minha pessoa e metralhar a minha vida íntima forte e feio. Chega a escrever que sou uma nulidade na cama, que sou mais rápido que Coelho a tombar governo, e que durmo logo a seguir ao acto sexual como uma besta dorminhoca. Para agravar, ainda me acusa de envergonhar o género masculino.
Como é de imaginar, sinto-me em baixo completamente com esta perseguição jornalística e boateira da menina Sonsinha. Os danos na minha pessoa são irreparáveis, com ansiedade crescente e tendência depressiva que, sei lá, para provar a minha masculinidade, pode fazer de mim um potencial violador. Se a minha contra-prestação do meu baixo-ventre poderia até agora deixar algo a desejar –saliento que não houve queixas-, agora, sinto-me um combatente que perdeu a guerra e traz a espingarda ao pendurão.
Sendo uma figura pública na minha rua e arredores, sinto a minha reputação muito abalada. De tal modo que quando mando uns piropos a umas garotas de meio-século que passam por mim, numa displicência provocadora dos maiores conflitos catárticos, estas mulheres dão em rir na minha cara.
Como se vê, nesta contenda liberdade de imprensa/manumissão boateira versus direito ao meu bom nome, onde a ofensa consumada é declarativa, é muito claro que os meus fundamentos são elegíveis e, para além de estar a sentir-me um cidadão de segunda apanha, como quem diz, de rebusco, está de ver que um dos pratos da balança se inclina fortemente para a violação dos meus direitos de personalidade.
Devo intentar uma providência cautelar para calar a boca à Sonsinha e silenciar o "Jornal da Caserna"?

(Qualquer comparação com um caso público que está a decorrer é pura coincidência)

UMA IMAGEM QUE MARCA ESTE TEMPO

CENSURA ERRADA



Qualquer semelhança entre este vídeo e um caso que está a dar que falar no rectângulo é pura coincidência.

FUGA DE GÁS NA RUA LARGA

(Imagens em vídeo captadas por Alex Ramos)





Cerca das 10h30 foi detectado um intenso cheiro a gás nas instalações do banco Santander-Totta, na Rua Visconde da Luz, e provenientes do edifício. Passados poucos minutos vieram os bombeiros Sapadores com máscaras de gás e acompanhados de uma ambulância do INEM e com vários agentes da PSP, que interditaram a passagem de peões na área afectada.
Depois de se ter evacuado todo o edifício e os bombeiros terem forçado a entrada no segundo andar, verificaram que a casa estava vazia e, felizmente, não havia vítimas a lamentar. Foram abertas todas as janelas do prédio. Alegadamente, a borracha de ligação da botija ao fogão ter-se-ia soltado e inundado com gás tudo em redor.
Tudo acabou em bem. Foi simplesmente uma quebra na rotina pachorrenta da Baixa. Uns metros mais  abaixo, uma moça, empregada comercial, enfatizava: “olha, se não fosse, de vez em quando, haver alguma coisa para desviar a atenção, com a falta de negócio que se nota, isto era mesmo uma pasmaceira!”

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

EDITORIAL: O MUNDO AO CONTRÁRIO

(Imagem do jornal Público)


Começo por dizer que já sou velho. Não aquele velhinho ancião de bengala na mão direita, curvado e psicologicamente vencido pela idade, mas um desgastado que, apesar da meia-idade, se tornou precocemente envelhecido. Nasci em 1956, ano em que Zacarias Oliveira publicou a “Teoria do Jornalismo”, aqui, e que analisa a imprensa católica. “Refere o autor que, para ele, assim como para a maior parte das pessoas, “os jornais têm grande importância, uma vez que os jornais entraram no lugar comum da existência. Influenciam, esclarecem, orientam, determinam. Numa caracterização do jornalista o autor afirma que este é “um ser de excepção”, porque “é um homem marcado pela inquietação da verdade, pela beleza que ele não descobre” e porque “é um especialista da verdade e do bom senso”. Alguns fins da imprensa são, segundo o livro, “calar a nossa curiosidade”, “vencer distâncias e aproximar os homens”.
Socorri-me deste apontamento para tentar perceber como é que neste ano de 2015, em que parece que estamos em democracia e a imprensa é, de facto, um sustentáculo do regime, um tribunal, no caso o Tribunal da Comarca de Lisboa, ainda que em Providência Cautelar, pode suspender e proibir um grupo de informação, com televisão, jornais e revistas, de publicar notícias sobre determinado processo -mesmo até que esteja em causa o segredo de justiça. Como se vê, o grupo é a Cofina, do jornal “Correio da Manhã”, e o processo é a “Operação Marquês” e visando directamente o arguido José Sócrates.
Precisamente pelo antecedente extraído do Estado Novo (1933-1974), em que a toda a imprensa era visada pela “Comissão de Censura”, foi plasmado na Constituição da República Portuguesa, no artigo 38, a “Liberdade de Imprensa e meios de Comunicação Social”. Nesta cláusula, no ponto 1, é imperativo: “É garantida a Liberdade de Imprensa”. No ponto 2 está doutrinado: “A liberdade de imprensa implica: a) A liberdade de expressão e criação dos jornalistas e colaboradores, bem como a intervenção dos primeiros na orientação editorial dos respectivos órgãos de comunicação social, salvo quando tiverem natureza doutrinária ou confessional;”
Antes de avançar, para tentar compreender a motivação do juiz na suspensão de uma prerrogativa constitucional, só poderemos entender que a defesa de Sócrates conseguiu provar ao tribunal que o grupo Cofina se orienta por princípios de “natureza doutrinária ou confessional” – e aqui, na minha natural ignorância funcional, gostava de saber o que significa a “natureza doutrinal ou confessional”. Por doutrinal, segundo o dicionário Priberam: Doutrinal; do doutrinarismo; Pessoa que participa na elaboração de uma doutrina; Conjunto de teorias ou ideias”. Por confessional: “Relativo ou semelhante a confissão (ex.: tom confessional). Relativo a uma crença religiosa”. Isto é, se eu já era ignorante ainda fiquei mais. Acontece que eu sou inculto demais mas não sou parvo de todo e consigo entender que, numa forma pouco clara, o legislador com este emaranhado queria dizer simplesmente que sempre que estiver em causa a doutrina (ideologia) fascista ou confissões (religiosas) que visem a violência a interdição está justificada –e diz isto mesmo no número 4 do artigo 46º, relativo a Liberdade de Associação: “ Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.”
Ou seja, especulando e em silogismo, devemos entender que, na óptica do tribunal, o grupo de media defende a ideologia fascista –já que a contrária, esquerda radical, não é contemplada na magna carta- e porque certamente não sustentarão uma qualquer seita religiosa. Como não sabemos mais nada, ficamos por aqui.
É evidente que a minha alma está parva. Só me falta mesmo ver um porco a andar de bicicleta. Mas deve faltar pouco. E ainda fica mais quando depois de ter visto na televisão, no último fim-de semana, o ex-primeiro-ministro socialista –arguido, suspeito, mas também inocente até ao transitado em julgado- numa conferência em Vila Velha de Ródão sobre política e justiça ser aplaudido de pé.
Como velhote, é como se tudo em que acreditava, aos poucos, se esteja a desmoronar.  Já não vejo os defensores deste regime denunciarem atentados à democracia. Ou o pugnar pela liberdade depende da cara de quem está em causa? Se calhar! Verdadeiramente, este não é mesmo o meu tempo. Estou ultrapassado. Sou anacrónico, pronto! Ou melhor, ponto e parágrafo.


A UBIQUIDADE EXISTE



"Durão Barroso acumula 22 cargos após a Comissão"

CORTEJO DA LATADA - 2.º ACTO



"A Irreverente Alma de Coimbra 2º Acto - Somos Miguel Torga"


Realização videográfica de Alex Ramos

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A TREMOCEIRA



A TREMOCEIRA


Sou a Adelaide, tremoceira,
noventa anos de vida
a moirejar em trabalheira,
p’ra não sentir na algibeira
a reforma desvalida;
No trabalho sou guerreira,
convicta de religião,
recuso a sombra da azinheira,
sou livro de cabeceira
para quem procurar lição.

VENDO TREMOÇO, AMENDOIM E PINHOADA.
REZO A DEUS PARA ACORDAR DE MADRUGADA

Para os novos sou uma canseira,
para os velhos muito atrevida,
arranjo sempre maneira
de meter a "calçadeira"
e sorrir na despedida;
Às vezes espreito a vidraça,
já não sei onde é que estou,
chego a sentir-me sem graça,
um barco que encalhou
e uma gaivota esvoaça.









segunda-feira, 26 de outubro de 2015

UM ESTACIONAMENTO PARA AS CORTES E UMA ROTUNDA PARA O CONTINENTE






Segundo o Diário de Coimbra (DC) deste último Sábado, a Praça das Cortes, em Santa Clara, vai ter um (novo) parque de estacionamento para 175 lugares –a pagar. Numa primeira leitura a notícia até pode cair bem se levarmos em conta que se irá requalificar uma zona já há muito degradada e a necessitar de arranjo urbanístico. Lembro que, até agora, é a única grande área próxima da Baixa disponível para estacionar gratuitamente –como se sabe, no miolo urbano existe um pequeno espaço no Terreiro da Erva que, conforme foi anunciado, com as obras próximas desaparecerá.
Ora, com este projecto de concurso apreciado hoje em reunião de Câmara, dá para ver que este executivo, a todo o custo e sem levar em conta interesses maiores, quer destruir qualquer espaço gratuito para servir a cidade e nomeadamente a Baixa comercial. Em especulação, é como se dissesse que quem vier de carro comprar à Baixa está obrigado a pagar bilhete, ou então, em alternativa, o visitante tem à sua inteira disposição, gratuitamente, as grandes superfícies. Ou seja, não se pode acusar este executivo de não se preocupar com quem vem de fora. Mas poderemos pensar, e somos livres para esta reflexão, que este executivo socialista está determinado em prejudicar a zona histórica. Para além de defender a eliminação total do trânsito automóvel das suas ruas –foi Manuel Machado quem, em 1990, assinou a irradicação dos automóveis das ruas largas- está visto que se procura empurrar os turistas que procuram a cidade em automóvel para os shopping’s que a rodeiam  e, como torres de atalaia, a cercam em toda a sua geografia. No todo nacional, Coimbra deve ser a única cidade que não tem espaços para estacionamento grátis. Era bom que este executivo fizesse uma viagem a Castelo Branco e verificasse o ordenamento desta cidade em questões de trânsito automóvel.
É uma vergonha, uma falta de respeito deste executivo pelos comerciantes que, na Baixa e Alta, se debatem com extremas dificuldades. Era bom que a oposição no executivo, que vai votar hoje este projecto, honrasse a sua posição de defesa dos mais desfavorecidos, tendo em conta os encerramentos constantes, e se manifestasse contrária. Uma posição musculada e de protecção, é isto que se espera dos representantes do movimento Cidadãos por Coimbra, José Augusto Ferreira da Silva, e da CDU, Francisco Queirós, e da Coligação por Coimbra, com João Paulo Barbosa de Melo.

UMA ROTUNDA PAGA POR TODOS

Prosseguindo na citação do DC deste último Sábado, com um custo estimado em 370 mil euros e pronta de aqui a meio-ano, o Largo do Arnado, junto à Auto Industrial, vai ser requalificado com uma rotunda. Segundo o jornal, este projecto e concurso serão apreciados também hoje em sessão do executivo. Em princípio, tudo estaria bem se não estivesse aprovada uma grande loja para instalação da marca Continente na Auto Industrial e a abrir nos próximos meses. Ainda que possa não existir nexo de causalidade –mas para isso o executivo ao aprovar esta construção terá de mostrar “ipsis verbis” a sua necessidade geral para a comunidade citadina na fluência do tráfego- é muito estranho que, à custa do erário público, se vá fazer uma obra que, a meu ver, deveria caber por inteiro à empresa de Belmiro de Azevedo.
Mais uma vez se apela à oposição que tome a posição que se espera. Não podemos continuar a fazer de conta que não ouvimos, não vemos, não lemos e, por isso mesmo, não denunciamos.

sábado, 24 de outubro de 2015

QUANDO A CÂMARA MUNICIPAL NÃO DÁ VALOR À CIDADANIA





POR ALEX RAMOS


Quando, em várias edições, com  Luís fizemos a “Página da Baixa” a intenção era, por um lado, mostrar às pessoas o que se passava na zona, sobretudo as pequenas notícias que não eram divulgadas pelos jornais mas que mostravam uma outra vida da Baixa, a quem está no estrangeiro e a Coimbra, enquanto cidade. Por outro lado, pretendia-se denunciar para  eventuais problemas que não dignificam esta bela urbe, que a prejudicam e que retiram muito da sua beleza. Nalguns casos o objectivo era também alertar a câmara  sobre edifícios que,  por estarem muito degradados, podiam ruir e ferir pessoas, nomeadamente turistas, com a queda de objetos provenientes destes prédios, quem sabe até o possível colapso e causando muito provavelmente uma tragédia.
Acho que a câmara não deve ser apenas devoradora de taxas e pouco olhar para os problemas dos seus munícipes, por isso tentávamos ser a voz de alguns habitantes, comerciantes e outros que avisavam o executivo camarário para vários factos, ainda que minimalistas mas relevantes para quem um pequeníssimo problema pode ser um problemão. Ou seja, tentávamos ser uma ponte entre  munícipes sem voz e  uma câmara que, na sua imponência, parece pouco disposta a dar atenção aos mais pequenos. Às vezes sentia-me frustrado por perceber que a autarquia  não nos passava cartão e não queria saber o que se passava.
A Câmara, na sua passividade, não pode  ser o espelho de Coimbra parada no tempo. Passo a explicar. Desde sempre a cidade teve uma riqueza que muitas cidades têm e não soube aproveitar   no seu potencial.  Falo do Rio Mondego. A Lusa Atenas esteve sempre de costas voltadas para este manancial líquido e discriminou sempre uma das margens. Basta ver que na margem direita, no lado do Largo da Portagem, há -sempre houve- um desenvolvimento maior do que no lado esquerdo, de Santa Clara.
Hoje, porém, já é diferente  e o lado de lá já tem outro brilho, nota-se outro progresso acelerado. Basta  ver as recentes alterações ao trânsito e verificar como o movimento flui na ponte e artérias adjacentes. Coimbra, com estas alterações, transformou-se para melhor e em vez de só se olhar para um lado, como até há pouco, abraçou as duas margens em toda sua plenitude e já tira  mais potencial, pelo menos visual, do seu rio. Já há algumas atividades e até há um restaurante-barco, o Basófias. Mas, naturalmente, há muito mais a  fazer.
A edilidade, ao não ouvir os munícipes que se manifestam em blogues, jornais ou outros meios de informação, está a perder importantes aliados e que deveria acarinhar. Não lhes ligando patavina é como se, em metáfora, dissesse: falem, escrevam e estrebuchem para aí à vontade até se cansarem. O problema é vosso e não nosso!
Então pergunto: se mandam fora e repudiam quem está a praticar a cidadania, quer dizer que sabem tudo o que os habitantes precisam e têm necessidade? Ou têm receio destes cidadãos colaborantes, que têm outra visão do que os rodeia? Deveria haver outra maneira de interagir com quem quer trabalhar gratuitamente para ajudar os seus semelhantes. Restringir os queixumes às sessões camarárias é pouco. E também a ideia de levar os munícipes a um gabinete criado para sugestões e reclamações, a meu ver, não surte o desejável efeito. Estou a lembrar-me que o movimento “Cidadãos por Coimbra” fez isso –recebe os munícipes todas as sextas-feiras à tarde na Casa Aninhas- e, salvo melhor opinião, não me parece que as pessoas saiam de suas casas facilmente, a não ser que tenham uma dificuldade enorme e a isso obrigue. É aqui que o cidadão-correspondente faz um bom papel –ele vê, ouve e vai a casa de cada um. Isto é, faria um bom trabalho se a autarquia não o enxotasse e o varresse como lixo e, pelo desprezo, o obrigasse a desistir.
É certo que vejo que alguns problemas que denunciámos vão sendo resolvidos, mas é pouco. Numa certa “Página da Baixa”  criticámos  um mamarracho -que na  realidade eram dois- junto à Casa das Bonecas, no Beco das Canivetas. Segundo li,  parece que a obra vai avançar o que acho muito bem pois dignifica uma área algo abandonada.  É  muito bom saber. Quase sou levado a acreditar que o executivo começa a ouvir? Será? Tenho algumas dúvidas, mas pode ser que sim! Criticamos e elogiamos quando entendemos. Mas gostamos de saber quando nos ouvem.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O CAUTELEIRO CEGO



O CAUTELEIRO CEGO


Sou o cauteleiro Valdemar
com poiso na rua larga,
vendo a sorte grande em fracções,
esquecendo as minhas aflições,
dou a esperança a quem joga;
Vejo o mundo numa só cor
com um sorriso nos lábios,
prego a todos o meu amor,
falo com Deus, Nosso Senhor,
para nos dar felicidade.

Deus diz... para eu ser feliz,
foi o que eu fiz,
e nada mais!
Dizem que sou pobre cego,
por não enxergar a luz,
tenho pena, não o nego,
não faço disso uma cruz,
nem às costas a carrego;
Tenho uma enorme intuição,
e sou capaz de adivinhar
quantas pedras tem o chão,
quantos peixes tem o mar,
mas eu não quero!




Leia aqui a história de Valdemar:




quarta-feira, 21 de outubro de 2015

BOM DIA, PESSOAL...

UMA CARRILHALATADA

continente
(Foto furtada ao Notícias de Coimbra)




Segundo a imprensa local, o cortejo da Festa das Latas estava anunciado para o Domingo passado. Ao que parece, “para proteger a segurança de todos os intervenientes”, Bruno Matias, presidente da Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AA), decidiu cancelar o evento neste dia devido ao previsível mau tempo, que se augurava com chuva torrencial entre as 17 e as 19h00, e informou que seria realizado nova festa nesta próxima Sexta-feira.
A decisão de adiamento por parte da organização da Festa das Latas e Imposição de Insígnias não foi acatada por todos os estudantes e a comitiva prosseguiu e, com grande ruído, invadiu o habitual trajecto até ao Parque da Cidade.

O EXECUTIVO EMENDOU A MÃO?

Quem leu a imprensa local de Segunda-feira e tomou conhecimento do anúncio de alteração para a próxima Sexta-feira, tal como eu, ter-se-á perguntado quem se julgará o presidente da DG/AA para decidir em cima do joelho uma nova data sem consultar o executivo camarário? Se calhar, dá para pensar, toma-se por dono da cidade –o que não é de excluir de todo pelo comportamento de cócoras da Câmara Municipal perante os estudantes seguido nos últimos anos.
Hoje, Quarta-feira, tomámos conhecimento da comunicação da DG/AA e ficámos a saber que “esta alteração prende-se pelo facto da Comissão Organizadora ter sido, durante o dia de hoje e sem que nada o fizesse prever, informada pelo executivo camarário que o parecer definitivo de algumas entidades, depois de considerados todos os cenários, só seria positivo no caso do evento ser alterado para domingo”.
O que, pela implícita crispação contida no comunicado, dá para imaginar dois cenários: o primeiro, a DG/AA, antes de tomar a decisão, no Domingo, teria consultado o presidente do executivo, Manuel Machado, ou qualquer vereador e estes, sem pensar duas vezes, concordaram com o adiamento para a sexta-feira seguinte. O segundo, julgando-se dona do quintal a DG/AA tomou a decisão de adiar e marcar a nova data sem ouvir alguém do executivo.
De qualquer modo, tivesse ou não conhecimento prévio e dado a sua concordância, esta nova posição da Câmara Municipal está correcta. Ou seja, em permitir que o cortejo seja realizado no próximo Domingo e não num dia de semana. Não faria nenhum sentido interromper uma parte da cidade a uma Sexta-feira –só porque dá jeito em manter cá os estudantes e antes de partirem para vacances.

É PRECISO INVESTIGAR E RESPONSABILIZAR O CARRILHÓMETRO

Num filme de trinta minutos de parte da Latada, captado pelo meu amigo e colaborador Alex Ramos, que foi realizada por alguns universitários no último Domingo, para além dos excessos –que nem vou comentar- contei 33 carrrinhos de supermercado a serem empurrados pelos alunos. Sabendo todos que, nos últimos anos, os carros ficam abandonados na via pública quando não são jogados para o Rio Mondego –o que deu origem a uma campanha para tentar evitar esta destruição ambiental-, pergunta-se: o que fez o executivo, até agora, para responsabilizar as grandes superfícies da omissão, por negligência, de obrigatoriamente cuidar dos bens de sua propriedade? Mais: no jornal online “Notícias de Coimbra” pode ver-se uma foto com um presumível funcionário do Continente a incorporar o cortejo. Será assim, ou andará pura e simplesmente a fazer a recolha? Para além do colete identificativo, pode ver-se no bolso traseiro um telefone portátil normalmente usado por pessoal de segurança. E novamente outra pergunta: os carrinhos, numa espécie de cegueira fingida e tácita, são gentilmente cedidos pela marca aos estudantes? Se é assim, a meu ver, esta posição ambígua, entre a negligência e a intenção deliberada da marca, é mais grave do que parece. Por isso mesmo, é obrigação do executivo camarário colocar isto em pratos limpos. Ou, tal como até aqui, é preferível fazer de conta que não se passa nada?

DEPOIS DE DOMINGO, VIRÁ SEXTA-FEIRA, ALIÁS, TALVEZ DOMINGO

(Imagem do JN)


COMUNICADO: CORTEJO DA FESTA DAS LATAS SERÁ NO DOMINGO

«A Comissão Organizadora da Festa das Latas e Imposição de Insígnias (COFL) tomou, no passado domingo, a decisão de adiar o Cortejo das Latas, por considerar que, na altura da decisão, e de acordo com a opinião de diversas entidades não estavam reunidas as condições mínimas de segurança para os intervenientes do mesmo e, para além do mais, as previsões apontavam que as condições climatéricas não melhorassem ao longo da tarde. Ainda no domingo e após contactar as diversas entidades e receber luz verde, durante essa tarde, o Cortejo foi reagendado para sexta-feira, dia 23 de outubro.
No entanto, a Comissão Organizadora da Festa das Latas e Imposição de Insígnias vem, por este meio, informar a comunidade académica e civil que o Cortejo, por motivos alheios à COFL, será realizado no domingo, dia 25 de outubro, nos mesmos moldes em que é habitual. Esta alteração prende-se pelo facto da COFL ter sido, durante o dia de hoje e sem que nada o fizesse prever, informada pelo executivo camarário que o parecer definitivo de algumas entidades, depois de considerados todos os cenários, só seria positivo no caso do evento ser alterado para domingo.
A COFL lamenta a nova alteração, mas deixa a certeza de que tudo fez para que os estudantes pudessem sair à rua em segurança para que um dia que é sempre único nas suas vidas académicas não fosse manchado por nenhuma tragédia fruto de irresponsabilidades ou falta de zelo.
Assim, o Cortejo das Latas realizar-se-á no próximo domingo, dia 25 de outubro, pelas 15:00 horas. A partir das 19:00 horas terá início um evento festivo nos Jardins da Associação Académica de Coimbra. As restantes informações sobre este evento serão tornadas públicas ao longo do resto da semana.
Esperamos a vossa melhor compreensão.
Saudações Académicas!»

terça-feira, 20 de outubro de 2015

"A IRREVERENTE ALMA DE COIMBRA - 1.º ACTO"




(Edição em vídeo de Alex Ramos)

UM ANINHO, E OS PARABÉNS PARA A CORINA





A Rua Adelino Veiga hoje apresentou-se mais colorida. Balões, muitos balões ornamentavam a entrada da sapataria Corina. A razão, ou melhor, a motivação foi a comemoração do primeiro aniversário desta popular loja de sapatos. Lá dentro, à entrada, uns bolinhos e uma garrafa de Porto esperavam o “tchim tchim”! Segundo Luís Brito, marido da gerente Ana Brito, “felizmente foi uma aposta ganha. Está tudo a correr muito bem. Numa relação directa entre contenção de custos e previsibilidade de vendas, eu e a minha mulher, sentimos que estamos a percorrer o nosso caminho. Aproveito esta curta menção para agradecer a todos os nossos clientes e amigos que nos têm ajudado a manter o azimute em direcção a um futuro que esperamos ser profícuo.”

BOM DIA, PESSOAL...

UMA PERGUNTA INOCENTE



(Recebido por e-mail)

POEMA PARA TI, FILHO



POEMA PARA TI, FILHO

Quando me lembro de ti tão pequenino,
a arremessar o teu primeiro grito,
comparei-te com sonoro tocar do sino
em tarde cortada por povoado aflito;
Dos braços da tua mãe te acolhi,
com tantos beijos te assinalei,
nas minhas mãos ao céu te ergui,
pela tua vinda, como criança chorei;
Contigo pela mão, levava-te à Joaninha,
à loja de brinquedos do João Monteiro,
era em frente à Câmara, na Baixinha,
onde o prometido Metro foi coveiro;
Cresceste, de infante a adolescente,
senti-te um melro a voares da minha mão,
um papagaio de papel em busca do ausente,
tão precoce, como a bala disparada de canhão;
Hoje, homem em busca da espiritualidade,
como estrela sem brilho perdida no Universo,
errante, procuras um caminho para a felicidade,
mas o contentamento é uma Atlântida submersa;
Gostava de te dizer, meu filho, o quanto te amamos,
mas não podemos retirar os espinhos dos teus caminhos,
és tu que tens de desbravar, é tudo o que desejamos,
 pega a vida pelos cornos e desampara-te dos paizinhos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

UMA DECISÃO IMPORTANTE




"Casamento. Afinal bens adquiridos podem não ser dos dois"


FALECEU O SENHOR ANÍBAL, DA CASA DOS POBRES

(Imagem da Web)



Fui hoje surpreendido com a notícia nos jornais da cidade da morte de Aníbal Duarte de Almeida. Faleceu no Sábado e foi ontem o seu funeral. Sem me alargar muito sobre o quanto este homem simples, contabilista de profissão, representou para a obra da Casa dos Pobres, já que os diários e os semanários publicados e a publicar disso darão conta, escreverei simplesmente que a Baixa perdeu um dos seus.
Embora nos conhecêssemos e falássemos algumas vezes, não tinha uma intimidade muito grande com o “senhor Aníbal, da Casa dos Pobres”, como assim era conhecido por entre becos e ruelas desta zona histórica. Durante décadas e até há cerca de quatro anos, a Casa dos Pobres esteve instalada na Praça do Comércio. Graças a muitos mecenas e pelo gigantesco esforço deste protector dos mais desfavorecidos uma nova e moderna casa foi construída em São Martinho do Bispo.
Em nome de todos quanto privaram de perto com este importante obreiro na ajuda a quem mais precisa, em nome da Baixa, se posso escrever assim, para a família enlutada nesta hora de sofrimento os nossos sentidos pêsames. Até sempre e descanse em paz, senhor Aníbal!

UM DECRETO-LEI QUE SERVIU PARA CAPTAR VOTOS





"DESEMPREGO DE NATUREZA CONTRIBUTIVA
Para corpos gerentes 

UM DECRETO-LEI INÍQUO
     

"O Decreto-Lei nº 12/2013, de 25 de janeiro, veio estabelecer o regime jurídico de protecção social na eventualidade de desemprego dos trabalhadores independentes com actividade empresarial e dos membros dos órgãos estatutários das pessoas colectivas, reivindicação que a CPPME inscreve no seu programa desde a sua fundação, há 30 anos, dado o empresário ter uma carreira contributiva igual aos restantes contribuintes.

Com a publicação do Decreto-Lei, deu-se imediatamente um agravamento da Taxa Social Única (TSU), passando de 29,60 para 34,75% (um aumento de 17,40%), sendo que só após 2 anos de pagamento do novo valor se terá direito ao apoio social.

Em 2 anos (2013/2014) o Governo arrecadou mais mais 600 milhões de euros sem nada despender, suportados pelos empresários, sem que o sistema de apoio social tenha entrado em vigor, remetendo a sua aplicação para Janeiro de 2015. 

O Ministro da tutela, Mota Soares, no final do ano de 2014, a propósito da entrada em vigor do Decreto-Lei, afirmava que a aplicação da mesma iria abranger mais de 300 mil beneficiários. Nada mais falso!

Os dados disponibilizados pelo Insituto da Segurança Social à Antena 1, são ilucidadivos e confirmam o que a CPPME vem dizendo deste o início, sabendo-se, agora, nove meses depois de entrar em vigor, que dos 1900 empresários que o requereram, apenas 145 estão em apreciação! Isto é, ainda nenhum pequeno empresário acedeu ao apoio.

Perante uma situação, a todos os títulos escandalosa e inaceitável, a CPPME exige do Governo, que vier a sair das eleições do dia 4 de Outubro, que evogue com toda a urgência o Decreto-Lei, por forma a responder à realidade dramática dos micro e pequenos empresários insulventes e/ou em risco de insolvência.

FISCO SUGA MICRO E PEQUENOS EMPRESÁRIOS

A badalada eficiência fiscal da Autoridade Tributária (AT) está a tornar-se numa ação discriminatória penalizadora das pequenas atividades económicas. É exemplo disso o que se está a passar com os Micro e Pequenos Empresários prestadores de serviços, senão vejamos:

- O Orçamento de Estado para 2015, no regime simplificado de IRS, definiu a existência de dois grupos para efeitos de tributação, um primeiro para advogados e outros profissionais liberais que continuavam a pagar imposto sobre 75% da faturação emitida, um segundo denominado de «Outros», que inclui carpinteiros, pintores e outros prestadores de serviços da atividade da construção civil, mecânicos, cabeleireiros, bem como prestadores de serviços nas atividades do têxtil e calçado, de entre outras, aos quais se aplicaria tributação sobre 10% do volume de negócios.
Foram muitos os que neste segundo grupo deixaram de ter escrita com responsável contabilístico para aderir ao regime simplificado do IRS, que o dispensa.
É com enorme surpresa que se constata que a AT com base numa interpretação de sua conveniência, que ninguém entende, e que sendo abusiva é fortemente lesiva de todos os micro e pequenos empresários que integram o segundo grupo, decidiu através de uma circular aplicar o imposto sobre 75% da faturação e não sobre os 10% que estavam considerados no OE de 2015.
Com esta decisão o Ministério das Finanças e a sua administração fiscal coloca fora do regime que o próprio Governo tinha criado, a generalidade dos que constituíam o segundo grupo, avançando para liquidações adicionais que são um golpe traiçoeiro a dezenas de milhar de Micro Empresários a quem é feito um autêntico saque.
É muito provável que esta seja uma questão de justiça para os tribunais decidirem, no entanto a Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME), protesta junto da AT e suas tutelas governativas por esta interpretação abusiva da lei e solicita que não sejam consideradas para os contribuintes nenhumas liquidações adicionais.
A CPPME mais exige que para o regime simplificado sejam publicados os referidos na lei de coeficientes técnico-científicos que evitem tributação igual a atividades com rentabilidades diferentes, de há muito anunciados mas nunca concretizados pelos consecutivos Governos.



Seixal, 16 de Setembro de 2015
O Executivo da Direcção da CPPME"

sábado, 17 de outubro de 2015

TRISTE SORTE SER ESPANTALHO



O relógio do Banco de Portugal, no Largo da Portagem, marcava 16h00. O tempo estava claro e refulgente depois de uma manhã cheia de manchas negras e bátegas de água a salpicar tudo o que mexia. No início do Parque Manuel Braga, junto à entrada para o barco “Basófias”, os poucos espantalhos que restam de uma exposição falhada, promovida pelo pelouro da Cultura da Câmara Municipal e com o esforço de vários ranchos típicos da região, estão a ser recolhidos para outras paragens. Os espanta-pardais, encostados à grade de ferro de resguardo na margem do Rio Mondego, estão hirtos e parecem olhar o chão de areia e terra-batida com angústia. Sem falar, sugerem perguntar: o que daria na moleirinha das cabecinhas pensadoras da Casa da Cultura para este ano transferirem esta mostra da Praça do Comércio para este local tão desprotegido pelas condições climatéricas? Será que quem vem de trás, por irreversível destino, tem sempre que fazer pior do que o antecedente? Ó almas de Deus, tenham dó!”




sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A SOCIEDADE IMBERBE




Há cerca de dois meses, nas instalações da antiga Rodoviária Nacional em Coimbra, agora sobre gerência da Transdev, uma multinacional francesa, duas mulheres, bem-parecidas e na casa dos sessenta e poucos anos, divertiam-se a esboroar pão e a lançá-lo para o chão onde dois pombos iam apanhando o óbolo das duas certamente cristãs e tão boazinhas senhoras. Como eram quatro mãos e somente dois animais voadores, o resultado foi um tapete de largo espectro no cimentado do centro de camionagem. Largas dezenas de viajantes, que esperavam embarcar, uns iam levando nos sapatos parte da oferta destinada às aves e outros, sentados, assistiam impávidos e serenos à manifestação de tão elevada acção benemérita. Como sou do pior, e quando vejo certos excessos que me provocam cólicas tenho de despejar, naturalmente, lancei-me às velhas –na idade pouco mais do que eu, mas isso não interessa para aqui. Assim a frio, atirei-lhes: digam-me lá, minhas gentis senhoras, acham bem o que estão aqui a fazer? Faziam o mesmo em vossa casa, na vossa sala?
Olha o que eu fui dizer. Em duo, viraram as pupilas para mim, apontaram a matraca –como quem diz a boca- e toca de dar ao gatilho: “quem é o senhor? Tem alguma coisa contra estes indefesos animaizinhos? Fazem-lhe mal? Fazem?”. É claro que não contavam que estavam metidas com um rústico, nascido e criado na aldeola, e o meu troco não se fez esperar. Mas eu era apenas um atirador solitário contra duas benfeitoras e protectoras dos animais e uma rectaguarda impassível e que nem apoiava nem o contrário. Porque entendia que era assunto que deveria meter alguém responsável da Transdev, quando passou um condutor da casa chamei-lhe a atenção para o atapetado à nossa frente. Encolhendo os ombros, arguiu que não era com ele e deu um passo em frente. A seguir, passou o anunciante das partidas de autocarro e, mais uma vez, pedi o seu reparo para o que as matronas provocadoramente estavam a fazer. O diligente funcionário, em escassos segundos, olhou para mim, olhou para as velhotas, mirou o chão e rapidamente invocou uma qualquer desculpa esfarrapada que não percebi e prosseguiu a marcha e fez anunciar nos micros a partida de mais uma camioneta para um destino que não lembro. Como não me calei, as benemerentes acabaram por desistir e, a remoer entre dentes a minha falta de compreensão e formação, afastaram-se. É evidente que, imaginei na altura, perante toda aquela assistência muda teria passado por parvo.

O TEMPO DE TUDO ÀS CLARAS

Há cerca de quatro meses, no Rio de Janeiro, num restaurante completamente apinhado de clientes, um casal, sem qualquer pudor, fez sexo perante todos. Calmamente, ambos pagaram a conta ao atónito funcionário e, mais levezinhos de hormonas, foram à sua vidinha.
Quem não se lembra das antigas cabines telefónicas nos correios e nos cafés onde se ia telefonar? Tudo isso já lá vai, a conversa perdeu a privacidade e passou a ser de todos. Agora, seja no autocarro, na rua, no cinema –apesar da recomendação em contrário-, na reunião, o particular promiscuiu-se, abandalhou-se, e passou a público.
Nada parece mal. Desde o embriagamento geral dos jovens, em orgias etílicas, até ritual de praxes onde o perigo de morte está presente, tudo tem cabimento na nova ordem mundial do “vale tudo em nome do nada”! Tudo passou a ser relativizado neste tempo dos “monstrinhos” à solta.

O MUNDO AO CONTRÁRIO

Como a sociedade, em nome de uma democratização de carneirada que leva à infantilização, perdeu o sentido da moral e da ética, não sabendo distinguir o bem do mal, o bom-senso do absurdo, o Estado foi chamado a legislar sobre tudo o que deveria, por direito e obrigação, caber à família e, individualmente, a cada cidadão responsável. É assim que se promulgam leis sobre o que cada um deve comer com mais sal ou menos, sobre o fumar, sobre ceder o lugar a uma grávida ou idoso num autocarro, punir a violência sobre os mais velhos e por aí adiante. Chega-se a pedir uma lei específica para os alunos que agridam professores. Não deveríamos antes defender um comportamento social e responsabilizações colectivas? E pugnar por uma protecção intrínseca dos princípios e valores e dos bons costumes por parte de todos, mas sobretudo, dos mais velhos, que, embarcando no facilitismo, perderam essa capacidade de vigilância?


TEXTOS RELACIONADOS

"Uma sociedade judicialista"
"Que juventude queremos?"
"O outro lado do 25"
"A mulher que já não sonha"
"O tempo da futilidade"






“No dia 31 de Outubro, sábado, pelas 21h30, no Conservatório de Música de Coimbra, tem lugar um Concerto Solidário comemorativo dos 35 anos do Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra. 
Porque a receita reverte para a Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência de Estudantes Sírios, a que preside Jorge Sampaio este antigo presidente da República estará presente no evento
Uma Sala cheia será motivo de orgulho para todos nós. 
Bem-haja. Em seu nome com a estima do 
Cidadão José Dias”

DIVIDIR A QUINTA AO MEIO


(Imagem do semanário Sol)




Cada vez me convenço mais que, a começar pelo Presidente da República, estamos rodeados de humanos cegos em terra iluminada pelos deuses. Como é que se pode admitir que o problema do empossamento do governo esteja a consumir todas as nossas energias? O que chateia é o cirandar para a direita, joeirar para a esquerda e não saímos disto. A solução não está à vista de todos? Repare-se que, mais que certo, Nossa Senhora de todos os Sufrágios até deu uma ajuda e dividiu o rectângulo ao meio. A norte os portugueses votaram à direita e maioritariamente na Coligação PàF, a sul os nacionais sufragaram o PS e outros partidos à esquerda. Então o que deve Cavaco Silva fazer? O óbvio! Corta a quinta ao meio e nomeia dois governos, um de direita para cima, laranja e azul, e outro de esquerda para baixo, rosa e vermelho. Cada um fica com seu quintal. A sede de governo a norte, por razões históricas, será em Coimbra. A sul a casa governamental ficará em Évora.
O Parlamento da República será divido com uma linha, um limbo, e, lá no hemiciclo em Lisboa, cada grupo de costas voltadas, cuida da sua vidinha. Juntam-se no bar do Parlamento para beber uns copos e trocar ideias, e mais nada! Cada um na sua.
Mas isto não é claro como a água? É certo que os mais puristas vêm dizer que a Constituição Portuguesa não permite. Ora, ora! Manda-se a magna carta às urtigas!
Porque é que sou tão inteligente e o presidente da República não me convida para assessor? Se calhar não gosta de mim. Sei lá!

"GENTE QUE PERDEU O CHÃO"

Gente que "perdeu o chão". Ou como a pobreza se intensificou em Portugal


"Gente que “perdeu o chão”. Ou como a pobreza se intensificou em Portugal"

DA JANELA DO MEU QUARTO: MINUDÊNCIAS QUE SÃO GRANDES

(Para visionar o vídeo clique em cima)




Vídeo: Alex Ramos
Texto escrito a quatro mãos por Alex Ramos e Luís Fernandes

Gostava que,  resumidamente e com a sua maneira tão característica de escrever, publicasse no blogue duas questões:
 Primeiro, lembraram-se de remendar agora a “piscina” da Praça 8 de Maio. Andam a repará-la há uma semana, será que o cimento ainda não secou? Deve ser de enxugo lento. Seja como for, numa altura de grande afluência turística em Coimbra, manter o lago vazio, sem água, durante muito tempo mostra um sinal de abandono, sobretudo nestas alturas de grande afluência turística e com a Festa da Latada a decorrer. Deve-se mostrar a melhor imagem e não a pior –já depois deste texto estar escrito, verificamos que o lago da Praça já está a ser cheio com água e reposto na anterior condição. Ainda bem, mas, mesmo com esta alteração, o que foi escrito não retira fundamento.
O poder político, através de pequenas coisas, tem obrigação de desenvolver acções para fazer ver a todos que é bom viver nesta cidade milenar, rica em história. Temos uma das mais antigas e belas universidades do mundo, com a sua Biblioteca Joanina. Só agora, depois do reconhecimento da Unesco, a cidade começou a explorar o seu verdadeiro potencial turístico mas, atenção, é preciso planear e reorganizar a oferta. É preciso criar a ideia a quem nos visita que a urbe, apesar dos inúmeros “mamarrachos” espalhados pela Baixa, ainda que paulatinamente está a ser preservada. É importante que quem nos vistoria, no regresso, leve consigo a mensagem da Balada da Despedida, do 6º Ano Médico, de 1958, de Machado Soares: “Coimbra tem mais encanto na hora da despedida”.
Coimbra é diferente de todas as cidades de Portugal. Aqui respira-se a saudade, o romantismo, a cultura, o misticismo e, acima de tudo, a irreverência estudantil tão característica da Lusa Atenas. As suas Repúblicas vão desaparecendo e a Câmara Municipal assobia para o lado. Estes espaços deveriam ser preservados. São únicos e fazem parte da alma da cidade. Porventura, será talvez a única a ter tais características. Este património, entre outros imateriais como fado, deve ser mostrado e não -como está acontecer- somente a monumentalidade –suba-se até à colina universitária e verifique-se o amontoado de autocarros estacionados junto às faculdades e perto da Porta Férrea. Cada um pergunte a si mesmo se gosta do cenário. Se aquele local sagrado será o indicado para despejar os turistas. Talvez seja por isso que D. João III, no Pátio das Escolas, se mantém de costas voltadas para esta paisagem pouco dignificante.
Para o bem de todos, temos de ser capazes de fazer mais e melhor. Bem vemos que já se fez bastante mas temos de ser mais exigentes. Por exemplo, realizam-se as noites de verão na Praça 8 de Maio, promovidas pela autarquia, porque não fazer também espectáculos durante o dia? E até poderiam ser na Praça do Comércio, nas escadas da Igreja de S. Tiago, já que este local até possui boa acústica. Assim seria uma forma obrigatória de desviar os turistas para as ruas estreitas.
Segundo, em relação à noite, tenho para mim que a edilidade não respeita quem tem se levantar cedo para ir trabalhar. Porque digo isto? (veja-se o vídeo em cima) Acho mal as ruas largas estarem bem iluminadas durante a noite e até às 7h00. Pelo contrário, as estreitas e até a Praça 8 de Maio, no nocturno e até à mesma hora, estão envolvidas em negrume. A escuridão cria uma psicológica sensação de insegurança e para além de não se ver onde se colocam os pés. Era preciso tomar atenção ao acender e apagar dos candeeiros públicos. À noite, cerca das 19h00, começam a dar luz muito tarde –deixando a Baixa mais de uma hora em completo breu- e durante a manhã apagam-se muito cedo.
Parece-me, é uma questão de bom senso. Se estamos no Outono e os dias ficam mais pequenos é evidente que será preciso ajustar os relógios reguladores. É necessário fazer um desenho?