segunda-feira, 24 de julho de 2017

COMÉRCIO: APLICAR SORO FISIOLÓGICO AO DOENTE COMATOSO

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Neste último Sábado, a Câmara Municipal da Mealhada, sob o lema “Comércio em Festa”, levou a efeito um desfile de moda, “em que eram apresentadas as grandes propostas das lojas da cidade”, e abrilhantado com música ao vivo de DJ's contratados. Seguindo o exemplo de anos anteriores (creio), e a prossecução, em imitação, do que se faz pelo país de Norte a Sul sobe o mote de “Noite Branca”, a ideia seria manter os estabelecimentos comerciais abertos até à meia-noite e, para além disso, “um sorteio de vales de desconto num valor acumulado superior a 500 euros” -in Diário de Coimbra.
Cerca das 21h30, tanto quanto me apercebi, na principal artéria da cidade bairradina, para além de alguns cafés, havia três lojas comerciais abertas, sendo que duas pertenciam ao mesmo proprietário. Transeuntes a circular nas ruas contavam-se pelos dedos. No entanto, saliente-se, no fim do espectáculo de moda realizado na Quinta da Nora deu para ver que largas dezenas de pessoas assistiram e depois de concluída a mostra recolheram directamente às suas casas sem sequer se preocuparem em visitar os poucos comerciantes “resistentes” que seguiram o programa anunciado.
Num dos espaços comerciais abertos, em cuja montra poderia ler-se “leve dois e pague um”, troquei algumas impressões com o lojista. Pela longa conversa, facilmente percebi que o que se passa com o comércio tradicional em Coimbra, cidade média de cerca de cem mil habitantes, é igual à Mealhada, urbe com pouco mais de vinte mil habitantes. Lá como cá, o comércio de rua arrasta-se pelas pedras da calçada sem que, por parte do poder político, se vislumbrem soluções honestas de salvação que possam pôr fim à sangria que inevitavelmente levará ao desaparecimento destes espaços tão populares e necessários a todos os lugares habitados. Na Mealhada como em Coimbra, a solução apresentada de recorrer à festa nos centros das cidades e chamando os comerciantes a estarem abertos visa essencialmente dois objectivos:
Primeiro, mostrar aos consumidores em geral, enquanto massa abstracta que vota e que não está ligada ao comércio de rua, que os “senhores feudais” (o poder político local instituído) estão muito preocupados com a desertificação e a notória queda abrupta nas vendas. E por isso mesmo promovem iniciativas que, aparentemente, têm por objecto revitalizar os centros urbanos. Ficam muito bem na fotografia e o povo, acrítico, sem pensamento de análise e que adora circo, bate palmas.
Segundo, como os comerciantes não aderem a estas festarolas, porque há muito se aperceberam do que daí advém, a intenção é passar o ónus da responsabilidade de decrepitude destas zonas para os que lá exercem as suas profissões de compra e venda. Paulatinamente, como um enorme toro de madeira numa lareira, os mercadores, sem destrinça entre velhos e novos e como causadores da falência dos centros, vão sendo queimados em lume brando pela opinião pública.
É óbvio que, na primeira premissa, estes políticos estão fartos de saber que o comércio local caiu nas ruas da amargura muito por culpa do licenciamento desbragado e falta de planeamento urbanístico da oferta nas actividades existentes. A desculpa para se continuar a falar em urbanismo comercial e não se fazer nada para a sua implantação, num preceito constitucional que dá jeito assente na liberdade de investimento, reporta-se para Constituição da República e para as directivas emanadas de Bruxelas, em que o que importa é a concorrência sem regulação. Quanto mais oferta selvagem houver maior será a destruição na pequena e pequeníssima empresa. Não é preciso ser presciente para adivinhar que a médio-prazo esta anomia, perdas de identidade, de objectivos e de regras, vai conduzir ao caos, em que o desequilíbrio vai imperar pela transformação de tudo em hotelaria -até ao dia em que este sector rebentará também como bolha de água inflaccionada.
É também claro que, na segunda premissa, os eleitos condutores das cidades estão fartos de saber que os comerciantes não aderem porque estas acções festivaleiras não trazem absolutamente nada de positivo para os lojistas. Pelo contrário, pela despesa em cima de despesa, sem que se vislumbrem melhorias, é extremamente negativo. Utilizando-os como arlequins do reino, sem um pingo de vergonha, faz-se deles actores gratuitos de um teatro trágico-cómico.
Tal como se verificou neste último Sábado na Mealhada, e igualmente em Coimbra, as pessoas são atraídas apenas pela alegoria e poucos e raramente vão para comprar nessa noite. É assim uma espécie de ida à romaria do Santo Amaro.
Neste cortejo à Senhora das Aflições, todos fingem. Começa no comerciante que, sentindo que o negócio é cada vez mais a conta-gotas e cai dia-após dia, finge que está tudo bem -a não adesão a estes movimentos circenses é o único protesto silencioso que se conhece. Fingem os grupos parlamentares com assento na Assembleia da República, fingem os políticos governamentais, fingem os eleitos locais, fingem os candidatos às eleições autárquicas -em Coimbra todos os novos concursantes, nos seus programas eleitorais, falam em “requalificar” a Baixa. A questão é saber interpretar a palavra “requalificar” para além de ser uma bandeirola política que serve para tudo menos para ser objectiva.
Só para ser mais claro, de dois em dois anos, normalmente sob a sigla “Comércio Invest”, com promessas de um “eldorado”, lá vem subsídios propalados e, na subsequência, o convite e aceitamento para a forca. Este ano, para variar e alargar os créditos às autarquias, inserido no âmbito do Quadro Comunitário 2020-2020, foi apresentado o “Coimbra Invest”. Numa animada marcha fúnebre comercial, para ser contemplado, exige-se que tenham de ser criados postos de trabalho e, para o seu preenchimento, de recorrer aos centos de emprego. Facilmente se adivinha que num sector que agoniza esta não será a solução viável para a sua recuperação.

NÓS POR CÁ TUDO BEM...

Em Coimbra, quando o comércio de rua apresenta sinais evidentes de esgotamento colectivo na Baixa, e em que os comerciantes não aderem ao alargamento de horário nas chamadas “Noites Brancas” e pelo contrário estão a abrir mais tarde e a encerrar as suas lojas mais cedo – para além de alguns já não estarem cá ao Sábado, nos outros dias, abrem por volta das 9h30 e encerram por volta das 18h00- o executivo municipal continua a apostar na torrefacção de mais uns milhares de euros para festas populares em nome do Santo Onofre, protector dos comerciantes.
Desta vez, depois de ter financiado há meses com a verba de 35 mil euros, segundo o Diário de Coimbra de hoje, “Município apoia Agência de Promoção da Baixa” com 55 mil euros. “A autarquia reconhece que a APBC tem aumentado, com qualidade, as dinâmicas de actuação e que pretende dar continuidade ao projecto, que contempla a concretização de iniciativas de carácter estruturante, de promoção e modernização da zona da Baixa de Coimbra. A sua acção e foco têm vindo a incidir em actividades que atraiam o maior número de pessoas à Baixa de Coimbra e, em 2016, houve uma considerável aposta na formação e sensibilização dos comerciantes, em acções de responsabilidade social, na captação de investidores e na promoção de concursos de empreendedorismo”.
Não há nada com cair em graça! Quando se precisa de justificar o injustificável até se inventam desempenhos e conceitos. Entretanto, os castelos vão caindo, mas não há problema porque a banda continua a tocar. Ah, grande Manuel Machado! O que seria da Baixa sem você?!?

terça-feira, 18 de julho de 2017

NO QUE SE DISTINGUEM AS CIDADES DE COIMBRA E MEALHADA?





A perder habitantes há vários anos, uma cidade de média dimensão como por exemplo Coimbra, com vistas curtas, faz festas na urbe e gasta 300 mil euros em pouco mais de uma semana. Uma cidade pequena, como por exemplo a Mealhada, com vistas alargadas para o futuro, cria incentivo à natalidade e, com este projecto, prevê gastar anualmente 250 mil euros. E mais: foi aprovado por unanimidade. Mealhada, i love you so much!

Seguindo o exemplo de Cantanhede, citando o “Bairrada Informação”, o município da Mealhada para “apoiar a natalidade no concelho e consequentemente impulsionar o comércio local são as bases do Regulamento Municipal de Apoio à Natalidade e ao Desenvolvimento Económico Local, que foi aprovado, na manhã de 17 de julho, na reunião do executivo mealhadense. Ao todo as famílias abrangidas pelo apoio arrecadam um apoio de mil e quinhentos euros cada. Já a autarquia prevê que este seja um investimento anual a rondar os duzentos e cinquenta mil euros por ano.
No documento do regulamento, a nota introdutória enfatiza que “desde há alguns anos atrás no Município da Mealhada um decréscimo da população em geral e de nascimentos em particular (cento e setenta e seis em 2016)”, levando a Câmara a “criar um incentivo financeiro à natalidade, com repercussão na atividade económica local, dando assim uma resposta conjugada a dois problemas”, uma vez que, nos últimos anos, regista-se uma procura crescente da população pelas grandes superfícies.
Assim, “o incentivo à natalidade é atribuído por subsídio fixo de trezentos euros a pagar no mês seguinte ao do nascimento da criança e complementado por um subsídio mensal de cinquenta euros, até aos vinte e quatro meses de idade da criança”.
A atribuição dos subsídios está dependente da apresentação de faturas de despesas realizadas com a aquisição de bens ou serviços indispensáveis ao desenvolvimento saudável e harmonioso da criança”, lê-se no mesmo documento, que enfatiza a obrigatoriedade destas aquisições serem efetuadas em estabelecimentos do concelho da Mealhada.
O regulamento, aprovado por unanimidade pelo executivo camarário da Mealhada, estará agora sujeito a consulta pública durante trinta dias. Em setembro será votado em Assembleia Municipal, sendo enviado para publicação no Diário da República  e, por isso, tudo indica que esteja em vigor já a partir do próximo mês de outubro.”

LEIA AQUI A NOTÍCIA COMPLETA (CLIQUE EM CIMA)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

AI JASUS!?!! O VENTURA A DIZER UMA VERDADE NUM PAÍS QUE GOSTA DE MENTIRAS. É DOIDO, Ó QUÊ?

(Imagem retirada do jornal i)


Os ciganos vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado”
André Ventura, candidato à Câmara de Loures pelo PSD/CDS, em crítica aberta à “impunidade” cigana.

Vou-lhe ser muito direto: eu acho, e Loures tem sentido esse problema, que estamos aqui a falar particularmente da etnia cigana. É verdade que em Loures há mais, com uma multiculturalidade grande, mas em Portugal temos uma cultura com dois tipos de coisas preocupantes: uma é haver grupos que, em termos de composição de rendimento, vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado, outra é acharem que estão acima das regras do Estado de direito.” 


sábado, 15 de julho de 2017

BOM DIA, PESSOAL...

AC: SUBSTITUIR O FERRO POR CIMENTO CUSTA MUITO?

Foto de Diário As Beiras.




A essência de haver um problema é não haver uma solução.
Fernando Pessoa

Em aforismo, diz o povo que para grandes problemas soluções simples. Às vezes há respostas tão óbvias que, por serem tão evidentes, nos levam a questionar a razão de continuar a haver problemas.
Vem isto a propósito de hoje, em primeira página, os dois jornais da cidade, Diário de Coimbra e Diário as Beiras, noticiarem o furto de 150 grelhas, em ferro fundido, de sarjetas em meio ano e da responsabilidade de reposição pela empresa municipal Águas de Coimbra (AC).
A primeira questão que se levanta é perguntar se, de facto, este desvio é recente. Para quem lê jornais facilmente responde que este fenómeno, em Coimbra, já tem barbas, sobretudo e pelo menos desde há cerca de três anos a esta parte e quando o preço dos metais subiu exponencialmente a nível mundial. Ou seja, como o valor pago por quilo de resíduos será alto, o crime compensa bastante para quem furta e quem recepciona.
A segunda interrogação é a razão de não terem sido tomados cuidados que evitassem o descalabro em tempo útil, isto é logo no início dos desaparecimentos.
Não é preciso ser economista para verificar que, contrariamente ao que parece ser sugerido, a solução deste problema social não reside na apresentação de queixa na polícia para a descoberta dos autores. Este procedimento, aliás obrigatório numa empresa pública, é uma mera prerrogativa de função administrativa. Como acção de eficácia, era preciso ter substituído o ferro fundido por cimento ou pedra, que eram os materiais usados no Estado Novo (1933-1974). E mais ainda: recorrer menos a grades e mais a cavidades interiores nas bermas e encravados nos passeios para escoamento de águas pluviais. E por que não foi seguida esta ajuizada metodologia? Claro que não sabemos, mas podemos sempre aventar: se calhar na AC não haverá arquitectos ou a haver, sem ofensa para a classe, estes profissionais de projecto não conhecem o sistema antigo de escoadura; a AC ser accionista de uma fábrica de fundição de ferro; haver demasiado dinheiro na AC e que não obrigue a empresa a prevenir e a poupar nos custos de execução.
Seja lá o que for que esteja por detrás desta ineficácia, perante as diárias dificuldades das empresas particulares, esta inusitada falta de visão económica, este desperdício irrita até um santo homem como eu -modéstia à parte, é claro. Se não houver mais alguém, pelo menos a mim deixa-me fora de controlo.
Vale a pena pensar nisto?

quinta-feira, 13 de julho de 2017

AI SE O ARREPENDIMENTO FALASSE...

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(Imagem roubada ao Notícias de Coimbra)




Consta-se que para os lados da Praça 8 de Maio a frustração manifestada em dentes cerrados, murros nas paredes e insultos a esmo se pressente por quem passa em frente à Câmara Municipal de Coimbra.
Pedindo o anonimato, contou quem se apercebeu que os gritos estridentes, em solilóquio, eram assim do género: “Então, fui eu, este ano, apoiar o Festival das Artes com 70 mil euros? E o Sub Judice, sob o juízo -ou sem juízo?-, foi ceder a quinta ao gajo para eu ser agredido verbalmente? O reconhecimento não se apanha numa lágrima. E ainda por cima o gajo chama-me “capataz”? Eu deveria ter percebido logo. Ai se eu pudesse voltar atrás...”


MORREU AMÉRICO AMORIM

(Imagem da Sapo 24)



Faleceu hoje Américo Amorim, o badalado “selfmade man”, o “Rei da Cortiça”, e considerado o homem mais rico de Portugal.
Se a morte de alguém, seja pobre, remediado ou rico, seja lá quem for, nos deve merecer o maior comedimento e respeito, em desejo sincero, fica aqui registado os nossos sentidos pêsames para a família enlutada.

E AS LÁGRIMAS DE CROCODILO VÃO INUNDAR A CALÇADA

Vai ser interessante ver quantos rostos tristonhos, quantas vozinhas melífluas, bajuladoras, se vão erguer agora para, depois de finado e, pela inveja, tão odiado em vida por tantos, defender o grande empresário Américo Amorim. A todos os cara-de-pau roga-se-se alguma contenção no discurso lacrimejado.

LOBÃO E O CAPUCHINHO VERMELHO

Foto de Lobão Manuel.
Foto de Lobão Manuel.





Manuel Lobão, candidato à União de Freguesias de Coimbra pela lista independente “Somos Coimbra” liderada por José Manuel Silva, acaba de dar um primeiro passo para alterar o curso da história infantil. Se na narrativa é o chapéuzinho vermelho que, pela delicadeza e astúcia, vence sempre o lobão (animal), aqui, na política caseira, Lobão (pessoa), através de mensagem deixada na sua página no Facebook, prepara-se para reinventar os contos destinados aos mais pequenos mas lidos pelos adultos:

Se eu Manuel lobão for eleito presidente da União de freguesias de Coimbra depois de uma avaliação as finanças da Junta, pretendo criar um infantário pós laboral para apoiar os pais que trabalham por turnos, uma parte do meu salário será para apoiar este projecto. Incluindo sábados e domingos e feriados...” 

UM DEUS POLÍTICO, VENHA A NÓS O VOSSO REINO...

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Perante os lacrimosos exageros terrenos que se verificam na utilização abusiva da “marca Pedrógão”, Deus, para não se sentir arredado do movimento de solidariedade(zinha), fez constar que mandou reunir em conclave todos os santos, e simpáticos da causa dos santinhos e a todo o momento vai apregoar a sua douta, justa e santífica sentença. Para além de fazer anunciar que passará a morar eternamente nos céus de Pedrógão Grande, a título de indulto colectivo, independentemente de até há pouco terem sido uns valentes safados, que nem a missa de Domingo frequentavam, num piedoso perdão alargado a todos os que habitam no Pinhal Interior, estão todos inocentados de pequenos delitos não criminalizados e grandes pecados inscritos no index de São Pedro. E mais: quando entregarem a alma ao Criador para o juízo final, num acordo proclamado com o Turismo Centro de Portugal, podem contar com uma suite de cinco estrelas num lugar paradisíaco do Céu.

A MINHA LÁGRIMA É MAIS SOFRIDA QUE A DO VIZINHO

Foto de Tai Pio Zhu.
(Foto de Tai Pio Zhu)



Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era comunista.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afetou
Porque eu não era operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
de alguns padres, mas como
nunca fui religioso, também não liguei.
Agora estão me levando,
Mas já é tarde."
(Martin Niemöller (1892-1984)

Sempre que constato um endémico egoísmo de alguns cidadãos, que só se importam com a enxurrada quando a água começa a entrar na sua porta, vem-me à ideia o extraordinário poema de Martin Niemöller.
Se pedirmos a estas pessoas que se manifestem sobre um problema que está a afectar a vizinhança, respondem que não têm nada a ver com a vida dos outros. Não é com eles. Dar a cara isso é para quem escreve. No fundo, bem no fundo, até desconsideram quem defende o colectivo. Mas quando os ventos mudam, “ai nossa senhora do amparo me valha”, aí estão eles a pedir à Santa, a todos os santinhos e até ao parvo do escriba que os ajudem na aflição. Para onde os devemos mandar? Para o Inferno?

terça-feira, 11 de julho de 2017

EDITORIAL: HÁ QUALQUER COISA NA SEGURANÇA JURÍDICA QUE NÃO CHEIRA BEM

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



PSP: 18 agentes acusados de tratamentos cruéis e desumanos”

No uso arbitrário da força, física ou psicológica, ninguém está acima da lei, seja individuo ou instituição. Penso que todos concordamos com o espírito desta frase. Há um porém: quem trabalha em segurança privada (desde que licenciado) ou segurança pública, como as polícias, devem merecer uma compreensão maior na sua actuação profissional desde que o seu desempenho tenha por base uma discricionariedade necessária à acção e uma proporcionalidade coincidente na resposta . Ou seja, se na apreciação dos factos não for levado em conta o factor profissional, e se for usado o princípio da igualdade, facilmente se derrapa para um tratamento desigual. Este procedimento reiterado, a ser repetido, denomina-se Positivismo Jurídico - corrente da filosofia do direito  que procura reduzir o Direito apenas ao que está colocado diante de nós, positivado, sem levar em contas as diferenças que estiveram na origem do facto e podem constituir atenuante.
A meu ver e dentro da ignorância que me domina, é aqui que o Ministério Público (MP), enquanto defensor dos interesses do Estado, ao tomar todos por igual, perseguindo um pensamento populista de vingador, se torna um instrumento não ao serviço da justiça mas antes de pendor claramente justicialista -sabemos todos que o MP não julga mas acusa. No entanto, enquanto parte processual de influência no veredicto, não está desonerado de uma justeza cidadã que lhe é necessária e imanente.
Pelo que se lê e analisa na imprensa escrita e falada, muitas vezes, as condenações ou absolvições têm a ver com a menor ou maior simpatia que os magistrados têm pelas polícias. Posso estar enganado, mas a ideologia de cada um dos decisores conta muito na deliberação. Se é de esquerda, mais que certo é contra actuação musculada das polícias, se é de direita, provavelmente, será a favor. Mas quando nem os lentes de Direito conseguem discernir com objectividade, o que se pode esperar dos licenciados?
Considerando ser assim, a magistratura devia sentar-se no banco dos réus -ou talvez no divâ psicanalista. Pelo seu exercício deontológico, até porque sendo o tribunal um órgão de soberania isento e (i)responsável pela sentença ou acórdão, não pode (não devia) ser tomado por apriorismo, hipóteses ou suposições não confirmadas e tomadas de forma empírica, ou preconceito, juízo preé-concebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória.
Sendo a justiça a maior das virtudes, segundo Cícero, todas as sentenças ou acórdãos têm de ter acopladas um sentimento profundo de justiça. É esta apreensão de sensatez que vai acalmar as partes em conflito e concorre para a paz colectiva. Se é certo que nunca agradará a todos, por outro lado, também é certo que terá de ter uma atinente intenção de contentar a maioria.
Ora, o que tem acontecido nos últimos tempos são decisões que poucos entendem -basta referir a de Hugo Ernano, o GNR, condenado pela morte de uma criança envolvida em assalto, em 2008.
Para complicar a relação entre Estado e cidadão, sem se dar importância à clarificação da verdade, para libertar os tribunais, recorre-se demasiadas vezes à "suspensão de processo" trocando uma dignidade inalienável, que deveria estar sempre subjacente à condição humana, por dinheiro.
E todos estes artifícios legais concorrem para desvalorizar ainda mais o MP e o edifício jurídico.

TRANSPARÊNCIA DENTRO DAS ESQUADRAS PRECISA-SE

Não se entende muito bem como é que algumas das esquadras de polícia, porventura, terão câmaras de videovigilância no exterior e no interior, no relacionamento processual com o cidadão, não sejam usados meios audiovisuais. Com este recurso ganhariam todos, mas, como é evidente, a polícia sairia muito mais limpa e transparente nos procedimentos. Sobretudo, para melhor defesa e salvaguarda da sua idoneidade, algumas vezes acusada de abusos pela Amnistia Internacional.

À ADMINISTRAÇÃO O QUE É DA ADMINISTRAÇÃO

Pelo menos para quem se interessa por questões de justiça, poucos entendem a recente absolvição de Paulo Júlio, ex-presidente da Câmara Municipal de Penela e ex-secretário de Estado, por parte do Tribunal Central Administrativo do Norte e quando em 2015 foi condenado pelo Tribunal de Condeixa-a-Nova. Isto é, para a mesma acusação de prevaricação, dois entendimentos completamente opostos.
E mais: esta semana três secretários de Estado pediram a sua demissão por estarem indiciados pelo MP por um alegado crime de recebimento indevido de vantagem ocorrido há cerca de um ano no exercício de funções.
Ora, enquanto cidadão, não consigo entender a razão de o MP, como velho ancião senador e fiscal dos bons costumes nos tribunais comuns, estar sempre metido em tudo o que toca a questões que deveriam ser exclusivamente do foro administrativo. A meu ver, tudo o que é referente à administração pública, incluindo o apuramento de irregularidades no desempenho político, deveria caber e ser julgado nos tribunais administrativos.
Valerá a pena pensar nisto?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

EDITORIAL: SE QUERES DINHEIRO VAI AO TOTTA...

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Há três semanas encerrou a dependência do Santander-Totta na Rua Visconde da Luz. A indicação colada no vidro informa que os serviços bancários estão disponíveis na Rua da Sofia, a cerca de duzentos metros e num outro balcão da mesma instituição já existente há décadas.
Se, por um lado, dentro da racionalidade de custos que qualquer empresa se obriga, este fecho não causa surpresa, já que tendo outra representante a escassas centenas de metros não faria muito sentido manter as duas, e sobretudo num sector profundamente em crise, pelo menos na banca portuguesa -o Santander é de capital espanhol-, por outro, é mais um espaço que claudica na Baixa. Quero dizer que, no silêncio envolvente da economia e do financeiro, quer sejam bancos ou negócios pequenos, os estabelecimentos que marcaram a paisagem citadina nas últimas décadas, como nevoeiro em manhã de Agosto, vão desaparecendo.
Em exclamação de lavar as mãos, pode até dizer-se: se é a economia a funcionar, morrendo uns e nascendo outros, o que se há-de fazer? De facto, pouco ou nada podemos fazer. Mas o que é certo é que a Baixa vai ficando cada vez mais vazia de comércio e serviços. Ainda há pouco mais de uma hora conversava com um colega comerciante que se queixava do tempo despendido em instituições para tratar de assuntos. Dizia ele: “são agora treze horas. Olha que estou desde as 09h30 para tratar de problemas da minha firma. Ou seja, demorei três horas e meia em três instituições. Quer sejam dos sectores público ou privado, todos se preocupam em atingir o mínimo de funcionários, mas esquecem que essa minimização acaba, inevitavelmente, por atingir os que mais precisam, que é a pequena empresa.

E A BAIXA CONTINUA A ENCOLHER...

Embora ninguém queira saber -nem mesmo os interessados-, os espaços, paulatinamente, continuam a cerrar portas. Neste fim de mês vai encerrar outro micro negócio com vinte anos de existência, na zona da Praça 8 de Maio -a seu tempo identificarei o local.
Como solitário sentado nas rochas a ver o mar, tomando o que está a acontecer na Baixa como fenómeno natural, sentimo-nos observadores impotentes a contemplar as ondas a ir e a vir.
Para complicar mais a nossa forma de estar, fazendo-nos crer que vivemos num outro mundo, segundo o INE, Instituto Nacional de Estatística, bem aproveitado em discurso político do Governo e avalizado pelo Presidente da República, a confiança dos portugueses na economia continua a subir. Se calhar, digo eu, os políticos viverão num outro Portugal que não o que se fala e escreve aqui.

E A POLÍTICA LOCAL FAZ O MESMO...

Ontem foi o último dia das Festas da Cidade. Foram gastos cerca de 300 mil euros. Para além disso, vamos lendo na imprensa diária e semanal que mais três campos de futebol, na periferia, foram contemplados com relvados sintéticos no valor de mais de 500 mil euros, e outras obras na cidade de muitos milhões. Quando uma maioria de cidadãos conta os cêntimos para se aguentar, custa muito a entender este desbaratar de pecúlio público. São milhares, milhares e mais milhares. É uma ofensa à dignidade do munícipe comum que (sobre)vive entalado entre o princípio e o fim do mês.
Bem sei que há uma maioria silenciosa que, desde que haja fogo de artifício, entrada gratuita na Feira Popular e concertos musicais à borliú, adora este velho conceito romano de pão e circo. Quem escreve contra este tipo de política barata é logo apelidado de Velho do Restelo, pessimista, azedo com a vida e por aí além.
De quatro em quatro anos -e tanto faz ser o partido laranja como rosa-, o investimento em obras sem grande utilidade ou em festarolas é cada vez maior.
Acerca dos problemas verdadeiros do povo, aqui sim deveria haver investimento, os políticos não querem saber. É a política ao contrário. Em vez de se tentar melhorar a vida dos cidadãos todos os dias e para o futuro, como uma aspirina para a dor de cabeça, é gerada a ilusão de felicidade durante duas semanas. Mas é ísto que a maioria quer, não é? E como em democracia é a maioria que manda, seja atrelada a carroça à vontade do burro!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A ARTE DE CRITICAR SEM CRITICAR

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



Está na moda falar de auto-estima da cidade. Fala o “polidor de esquinas”, fala o engraxador, fala o presidente, falam os candidatos a presidente, “falam” os câes, “falam” os gatos. O problema é quando, sobretudo os aspirantes ao poder, numa espécie de cocktail de ervas aromáticas, por um lado, apelam à crítica através da participação política dos cidadãos e, por outro, se queixam do “bota-abaixismo”.
Há muito tempo que tento entender a diferença entre “bota-abaixismo” e crítica. Nunca consegui chegar a uma conclusão. 
Fiz uma pesquisa na Internet, aqui, e fiquei a saber que o termo “bota-abaixismo” terá sido inventado por José Sócrates  para desvalorizar as críticas àquilo a que continua a chamar a governação, substituindo sem grandes vantagens estéticas a expressão “crítica destrutiva”. 
E já agora a palavra “crítica”? O Dicionário Online de Português expressa-se assim: “Análise avaliativa de alguma coisa; ação de julgar ou de criticar: submeteu o livro à crítica do professor.
Fiquei na mesma, claro que, como diria a outra, esta falta de apreensão terá a ver com a minha imbecilidade.
E para confundir mais ainda os meus neurónios padecentes, sobretudo o poder instalado e os candidatos ao poleiro, todos juntos, apelam constantemente à crítica cidadã, à estafada participação cívica e política, mas depois, são estes mesmos mensageiros da revelação profética que se queixam, amiúde, de “bota-abaixismo”.
Onde residirá a marca que distingue as duas palavras? Se calhar, digo eu que não entendo nada de psicologia social, uma crítica positiva, no correspondente a “bota-acimismo”, é o “está calado e cala-te” ou “continua calado se não estiveres de acordo com a nossa doutrina”.


A arte de interrogar é bem mais a arte dos mestres do que a dos discípulos; é preciso ter já aprendido muitas coisas para saber perguntar aquilo que se não sabe-Jean Jacques Rousseau

BOM DIA, PESSOAL...

MACHADO, O TROCA-VOLTAS

(Imagem da Web)





Depois de um passado cheio de comendas, nos últimos doze anos de gestão PSD/CDS, atribuídas no Dia da Cidade, eis que, só para trocar as voltas a certos “palmadinhas nas costas”, este ano nas celebrações citadinas Manuel Machado não atribuiu nem ao menos uma homenagem simples em palavras acaloradas e cheia de fundo nacionalista, nem uma medalhinha de latão.
Ora, levando em conta a entrevista concedida pelo presidente da Câmara Municipal de Coimbra ao Diário as Beiras em que defendia um investimento na melhoria da auto-estima na cidade, não bate a gota com a perdigota. Para além de não fazer sentido com o discurso sublinhado, este contrariar da maré citadina só veio agravar a falta de orgulho local. Talvez se explique agora a razão do manto de silêncio sepulcral, uma certa tristeza palpável, que se passou a notar nos rostos dos transeuntes sobretudo nas ruas da Baixa a partir desta última quarta-feira, dia subsequente ao das comemorações. Mas é de prever que este abatimento extravase ainda mais para o colectivo. É mais uma machadada no umbiguismo pátrio. Que ninguém se admire se nos dias que se avizinham houver uma procura desmesurada de psicólogos e psiquiatras em Coimbra. Nunca uma coisa destas se viu. As consequências, imagina-se, serão imprevisíveis implicitamente a cair para o trágico. Como sempre, a oposição no executivo continua distraída e, assobiando o tema “Coimbra é uma lição de amor e tradição”, sem se aperceber do anacronismo, não quer saber da felicidade dos conimbricenses.
Calcula-se que esta semana, no remanso de um pensamento solitário, muita gente roeu as unhas pela frustração. E cá para mim, que sou muito justo, estes fiéis companheiros de jornada têm muita razão e foram injustamente maltratados. Começando por uma certa imprensa local, que apregoa aos sete ventos de andarilho a liberdade de expressão, então, durante quatro anos andaram a escolher os colaboradores, expulsando os não amestrados e assistémicos, que melhor se encaixassem no discurso formatado de uma presidência unanimista e agora nem tiveram direito a uma medalha de ouro? Isto não se faz!
Porventura, este comportamento disfuncional -contrário à função institucional dos últimos anos- de Manuel Machado poderá constituir um ponto de partida para um caso de estudo. O que estará por trás desta cativação das vaidades elitista e popular? Será que o actual mordomo-mor das festas da Cidade passou a admirar os que, sem peias nem receio, lhe dizem na cara o que pensam do seu magistério e passou a desprezar os “lambe-botas”?  




quarta-feira, 5 de julho de 2017

SERÁ COIMBRA A CIDADE A QUE MACHADO SE REFERE?




Ontem, Dia da Cidade, Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, deu uma entrevista ao Diário as Beiras. Ao jornalista Paulo Marques o edil respondeu a várias questões. Salvo melhor opinião, para quem lê, a ideia que fica no ar é que Machado fala de uma cidade cosmopolita que não é Coimbra. Em que lugar estaria a pensar? Braga? Guimarães? Ficam as interrogações.
Lendo a frio, sem partidarismo ideológico, o que ressalta neste diálogo, nas respostas dadas, é uma profunda intenção de mostrar uma urbe que na prática não existe. É um defender para a frente de um político acossado, alvo de perseguição, sem planos para o futuro sobretudo para a recuperação da Baixa comercial e habitacional, que, a todo o custo, precisa de mostrar ao eleitorado que nestes quatro anos muita coisa se fez e, se Deus nosso Senhor ajudar a reelegê-lo, ainda vai ser melhor no futuro.
Para melhor se compreender, vou deixar (apenas) algumas perguntas e respostas que considero mais importantes:

Paulo Marques (PM) começa com a pergunta: Coimbra está em festa e, nesta altura, meia cidade sai à rua. Todavia, no resto do ano, os conimbricenses pouco ou nada usufruem do espaço público e da oferta de eventos, na sua cidade. Porquê?

Respondeu Manuel Machado (MM): Eu não sinto isso. Aliás, os números revelam que não é assim. Basta atentar em estudos recentes que relevam a posição cimeira de Coimbra em rankings de qualidade de vida. Um, por exemplo, coloca a cidade em 4.º lugar, no todo nacional, em itens como poder de compra, turismo, etc., a seguir a Lisboa, Porto e Braga e à frente de Setúbal, Aveiro e Leiria.

Eu não sinto isso.”

PM: Já a Baixa continua a não conseguir atrair pessoas...

MM: Como disse, não tenho nada essa percepção. Agora, admito que existe em alguns sectores, mas que, como se vê, carece de ser demonstrada, não por propaganda mas por factos concretos. De resto, lembro que, em 1994, quando mandei fechar o canal da Baixa e a Praça 8 de maio, houve muita gente a bradar que ia ser a desgraça total. Não foi. Agora, vamos fazer a Via Central, com o equilíbrio e os cuidados urbanísticos que devem ser tomados e com o trabalho, em simultâneo, do Fundo Box. Mas já estamos a ver as dificuldades e as resistências. Esta área da cidade, especialmente sensível, precisa de estímulos e de intervenções desta natureza.

Agora, admito que existe em alguns sectores, mas que, como se vê, carece de ser demonstrada, não por propaganda mas por factos concretos.”

PM: Porque se instalou a ideia de que a dinâmica empresarial em Coimbra está estagnada?

MM: Estagnada? Só pode afirmar isso quem não sabe nada de nada. Basta olhar para os muitos casos de empresas com êxitos, empresas com inovação e com modernidade. Coimbra é uma cidade desejada.

Estagnada? Só pode afirmar isso quem não sabe nada de nada.”

PM: A verdade é que a indústria “foge” de Coimbra...

MM: A Bluepharma é uma grande indústria. E há outras. Mas eu não tenho nenhum preconceito, tal como não tive quando, noutros tempos, muitas grandes indústrias que havia aqui definharam e fecharam. Agora, o que se está a fazer é sério e os resultados não chegam de um dia para o outro. Veja que acabámos agora de aprovar um regulamento específico para apoio às iniciativas empresariais -o Coimbra Investe. Levou muito tempo a produzir, a encontrar o modelo adequado. Depois, há um clima de cooperação entre a Universidade, o Politécnico e as empresas...

Mas eu não tenho nenhum preconceito, tal como não tive quando, noutros tempos, muitas grandes indústrias que havia aqui definharam e fecharam.”

PM: O problema, então, é o da má imagem?

MM: Não é verdade que Coimbra tenha má imagem...

Não é verdade que Coimbra tenha má imagem...”


PM: Desculpe, mas tenho de discordar. A imagem da cidade, no país, é má, feita de estereótipos como “parou no tempo”, “muitos doutores”, “bafienta”, “à sombra da torre”...

MM: Vejamos: há uma coisa que caracteriza Coimbra que é a elevada qualificação e formação das pessoas que aqui vivem, face à média nacional. Depois, existe uma extraordinária qualidade de serviços aos cidadãos, forte centralidade, boas acessibilidades e tem vindo a melhorar a qualidade do espaço urbano, com forte aposta na reabilitação do edificado, que já está a dar os seus frutos. Agora, o que é preciso é investir sobretudo na autoestima...

Agora, o que é preciso é investir sobretudo na autoestima...”

PM: Como assim?

MM: Desde sempre, coisas de grande valor que aqui se realizam são desvalorizadas e alvo de críticas. Há sempre uma coisita que perturba quem cá vive...
Ora, o que eu vejo noutras cidades, sobretudo as mais pequenas, é que qualquer iniciativa, qualquer evento, que se faça tem sempre uma propagação enorme.

Há sempre uma coisita que perturba quem cá vive...”

PM: O que se ganhou com a inscrição da Alta e da Sofia na lista da UNESCO?

MM: Todos sabemos que foi um projecto muito demorado e complexo, mas está conseguido. Agora, há um compromisso do Estado, da Câmara Municipal e da Universidade para a preservação do bem classificado, que é a Alta, a Universidade e a Rua da Sofia – classificada não apenas pelo edificado mas também pelo bem espiritual que representa, enquanto berço dos colégios das ordens de formação superior. Um deles, aliás, era o Colégio das Artes, que funcionava no Pátio da Inquisição e para onde chegou a estar contratado como professor Erasmo de Roterdão.

Todos sabemos que foi um projecto muito demorado e complexo, mas está conseguido.”

segunda-feira, 3 de julho de 2017

EDITORIAL: OS ARTISTAS PODEM ESPERAR





Hoje foram as cerimónias fúnebres de Vasco Berardo, conhecido artista multifacetado em várias áreas como a cerâmica, escultura, medalhística e artes plásticas.
Há meses faleceu Mário Silva e há cerca de um ano faleceu Cunha Rocha, outro grande vulto das artes pictóricas. Sem particularizar, anteriormente outros grandes nomes se finaram. É nestas alturas que, enquanto cidadão e munícipe ligado profissionalmente ao oficio dos talentos, dou por mim a ser tomado de um sentimento de ingratidão por parte de Coimbra para com todos aqueles que isoladamente, como embaixadores culturais, levam longe o nome da cidade. Se a morte é o pano que se abate sobre o espectáculo da vida criativa, e aqui termina tudo, contudo, também em vida raramente os executivos da Câmara Municipal, enquanto órgão de governo local e de representação pública, tem uma homenagem simples, ou preocupação pelo seu estado financeiro, para estas pessoas. Individualmente, só lhes dá atenção se os visados atingirem uma notoriedade além fronteiras e amiúde ocuparem espaço nos media ou então se estiverem ligados aos partidos que compõem o governo da urbe. Para estes dois grupos, seguindo o exemplo do país, podem os seus nomes serem perpetuados em ruas, campos de futebol e bustos espalhados pela cidade.
No limite, pode perguntar-se: e porque raio há-de a autarquia diferenciar os artistas entre si e do comum dos cidadãos? Diferencia-os entre si, por que se associados, sabe-se, a edilidade concede subsídios ao seu desempenho. Portanto, não fazendo o mesmo enquanto criadores sozinhos, estou em crer, estamos perante uma discriminação negativa do particular e benefício exagerado para o grupo associado. O que separa o artista do comum dos cidadãos trabalhadores, no essencial, é que o primeiro é um visionário que só ele acredita no seu mundo encantado. É um Ser contraditório em potência. É um lobo solitário no meio da multidão. Afirma-se racional e é um emotivo de coração lacrimejante. Personagem algo mediúnico, transcendental e metafísico, sente-se um obreiro iluminado e, para manter viva a sua criatividade, se necessário, está disposto a morrer pelo seu sonho. Já o segundo, o trabalhador, faz o que for preciso para sobreviver. Ou seja, enquanto o verdadeiro artista é um personalista centrado numa linha de originalidade e acérrimo defensor da dignidade da pessoa humana e com esta singularidade, abdicando do lucro fácil, projecta a sua obra para a posteridade social, já o segundo, o vulgar artífice, buscando proveitos imediatos, tem uma ideia de massificação e, tomando a amostra pelo todo, não distingue o lindo do belo.

MAS, EXPLIQUEMO-NOS...

Todos sabemos que não vivemos num mundo perfeito, e se assim fosse, pela exacerbada perfeição perante um humano incompleto e imperfeito, logo seria tomado como defeituoso. No entanto, sendo cada um de nós um eventual revolucionário em potência -mesmo que seja no campo opinativo-, tomando consciência social de que não está tudo feito e que, enquanto cidadãos interessados, nos cabe ajudar a tornar o nosso meio melhor, podemos perfeitamente apresentar ideias. Se irão ser aproveitadas? Isso já é outra questão. Ora, o que quero dizer com isto é que, independentemente do seu grau de fama, os artistas enquanto vivos deveriam ser acompanhados, merecedores de apoio social local, e vistos com um outro olhar de grandiosidade cultural.
Aquando da sua morte, nas exéquias, o seu caixão deveria ser coberto com a bandeira da cidade. Para além disso, na subsequente reunião do executivo deveriam todos, sem excepção, merecer um elogio de louvor -tanto quanto julgo saber só alguns são mencionados depois da sua morte.
E mais ainda, deveria ser criado um mural em pedra, um recordatório, onde gravados na laje ficariam identificados para memória futura. Certamente locais apropriados não faltarão, mas, por exemplo, o Centro Cultural São Francisco, cujas paredes exteriores em mural abundam, poderia ser um local apropriado.
Valerá a pena pensar nisto?

sábado, 1 de julho de 2017

FALECEU VASCO BERARDO




Segundo o Campeão das Províncias, faleceu hoje em Coimbra Vasco Berardo, um dos grandes artistas plásticos nacionais e do mundo. Por o ter conhecido em vida, em Dezembro de 2012 e já bastante doente, por ter tido conhecimento de que a sua vasta obra, desde cerâmica, pintura, azulejaria, medalhística e até tapeçaria, estava em vias de ser alienada e separada em pedaços, cheguei a ir ao executivo municipal alertar para a possibilidade do acervo ser adquirido pela Câmara Municipal de Coimbra. O então presidente João Paulo Barbosa de Melo não mostrou muito interesse. Só interessava se Vasco Berardo estivesse na disposição de doar a sua obra ao município. Sem comentários, a intenção não passou disso mesmo.
Na altura, enquanto colaborador semanal de “O Despertar” cheguei a publicar uma crónica sobre o assunto e sobre a vida do grande pintor e ceramista.
Numa homenagem simples ao homem, ao grande artista que foi Vasco Berardo, cheguei a compor uma música em sua honra e que foi incluída no CD da denominada “Orquestra de Músicos de Rua de Coimbra e a que chamei “O Pintor”.
Para a família enlutada, se posso escrever assim, em nome da Baixa, em nome da cidade de Coimbra, em nome de Portugal, em nome do Mundo, os nossos mais sinceros pêsames. Perdemos todos uma boa pessoa e um grande artista.

UM COMENTÁRIO E UMA RESPOSTA DADA...





Cristina Paula Leite da Silva deixou um novo comentário na sua mensagem "PRÉDIO ABANDONADO COM GATO ESCONDIDO":

Caro senhor Luís Fernandes.
Em tom igualmente sarcástico , já que o sr. não faz mais nada na vida senão escarneo e mal dizer - lhe digo o seguinte: 1º o senhor é um imbecil. Mais grave: é um imbecil sem graça. 2º o senhor é um ignorante. os gu nao recebem massa nenhuma da Cmc embora façam mais pelos animais da cidade que a dita cuja. 3º Os animais não votam, nem telefonam a pedir socorro. Felizmente tb não escrevem blogs,. mas as pessoas que telefonamm que cuidam que alimentam e que fazem muitas outras coisas mais construtiva que você, VOTAM. O seu voyerismo só tem 3 problemas-: 1º a sua inutilidade, 2º ninguem lhe liga nenhuma e o sr. não faz nada de útil . dedica-se a escárneo e mal dizer. Nada mais. . Porque não pega numa vassourita, por exemplo, e varre um passeio. Sempre dava alguma utilidade urbana às suas solas e respectivas deambulações abutreas. Entendeu?



RESPOSTA DO EDITOR

Começo por lhe agradecer os seus imensuráveis elogios. Tenho para mim que não merecia tanto, mas pronto. A sua generosidade, cara Cristina, para além de me deixar sem jeito, não conhece limites. Os seus encómios chegam-me como o ronronar de uma gatinha. Nem tenho palavras para lhe agradecer. Durante um minuto, o tempo que demorei a ler a sua evacuação verbal, até dei por mim a babar-me como uma gata com cio em Janeiro.
Indo ao pormenor da sua encantadora prosa sarcástica, confesso-lhe que, por momentos, me remeteu para um certo flato, um peido-mestre -como se diz na minha aldeia- de Bocage. A sua vaporosa bufa perfumada, confesso, iluminou-me a alma e fez-me sentir um Salvador Sobral no palco do Meo Arena. O seu mefistofélico clamor de metano fez-me feliz, nem que seja somente por um dia.
Quanto à imbecilidade sem graça agradeço-lhe o diagnóstico, mas nada posso fazer. É incurável. Já vem de família. Recebia-a pelo adn genealógico. Tem a ver directamente com a pobreza, com o meio onde fui gerado. Filho de burro não pode ser cavalo. Como imagina, nem todos nascem em berço de ouro.
Quanto à ignorância todos os dias tento curar essa doença, mas, confesso-lhe, quanto mais apreendo mais confuso me torno. Respondendo directamente à sua questão de que a sua associação não recebe massa nenhuma da Câmara Municipal de Coimbra agora, mas já recebeu. Deixei na crónica um reporte para a notícia do jornal Público a dar notícia do eventual corte de subsídio. Confesso-lhe, por lapso esqueci que já tinha sido efectivado. As minhas desculpas pela inexactidão -aproveito para dar um abraço ao camarada Queirós e um aperto de mão a Manuel Machado. Tardaram mas repuseram a emenda de uma vergonha. Parabéns para eles.
Quanto à possibilidade de os animais virem a poder votar -ou seja, os seus donos, em seu nome e mandatados, poderem exercer o direito-, tenha calma. Estou em crer que não faltará muito. Faz parte da conquista dos seus reconhecidos direitos de personalidade. Portanto, não desespere, cara admiradora.
Quanto ao “ninguém me ligar nenhuma” por acaso nem é verdade, as 242,500 visitas nos últimos seis meses falam por si. Será que estas pessoas, da qual vossa mercê se inclui, também serão imbecis e ignorantes? Mas, deixe-me dizer-lhe: mesmo que o meu público leitor se reduzisse a meia dúzia de visitas bastava-me o seu arrebatamento para justificar o meu “escarneo” e maldizer.
Para terminar, aproveito para a convidar a, na próxima terça-feira 4 de Julho, estar presente junto à Igreja de São Tiago para a inauguração da “Cozinha Económica Animal Gatos Urbanos”.


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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO E UMA RESPOSTA DADA...":



Sr. Luis, eu já conheço o Gouveia Monteiro há muitos anos e sei que ele já fez mais pela cidade e pelos pobres da cidade do que o senhor alguma vez fará. Menos arrogância e alguma humildade não lhe fará mal. Já vi que tem uma particular embirração por gatos, o que é bizarro. Que mal lhe fizeram os gatos ou as pessoas dos gatos urbanos? Quanto ao que os gatos urbanos recebem da câmara, isso que fez ai foi um pedido de desculpas? Olhe que pedidos de desculpa não se fazem com sarcasmo. Já agora, a burrice não tem nada a ver com pobreza. 


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Cristina Paula Leite da Silva deixou um novo comentário na sua mensagem "PRÉDIO ABANDONADO COM GATO ESCONDIDO":


O sr. confirma e consolida a sua imbecilidade e demonstra que é mal-criado até dizer chega. Escusa de tentar perceber, porque só vai perder o seu precioso tempo, habituado às coisas inuteis de quem só fala e nada faz. Nunca o vi a dar de comer a ninguem.
Não lhe permito nem lhe admito convites, sejam eles alegoricos, metaforicos ou não. quanto aos abraços, distribua-os a quem quiser, mas olhe que manuel machado e francisco queirós não querem os seus abraços, pode ter a certeza (e o sr. já teve provas disso) além disso eles passam o tempo abraçados um ao outro (politicamente falando , claro), pelo que duvido que haja espaço para si.
Relativamente ao berço de ouro, convido-o a ter tento na lingua , que disso o sr nada sabe e soubesse do meu berço o sr. teria vergonha até aos ossos.
Reitero o meu conselho de se levantar, pegar numa vassourinha e fazer uma coisa util antes de falar.
Cumprimentos