quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O VÍDEO DO DIA...

RECEBIDO POR E-MAIL

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ÁLVARO SECO OFERECE ALMOÇO AOS INDIGENTES DA BAIXA



Amanhã, pelas 13 horas, no Restaurante Paço do Conde, o candidato pelo Partido Socialista, Álvaro Maia Seco, à Câmara de Coimbra, vai oferecer um almoço aos comerciantes.
Segundo um informador do seu staff, que pediu o anonimato, “o almoço era para ser a pagar, mas quando o senhor engenheiro foi ao seu blogue e viu que ninguém foi ao almoço de Pina Prata, por causa do valor de 15 euros, porque, financeiramente, não podiam mesmo, ficou tão sensibilizado que até chorou. Palavra de honra. Reuniu, e todos chegámos à conclusão que se queremos lá ter comerciantes terá de ser “à moi”, enfatizou a minha fonte.
Com a fome que anda por aqui, prevê-se casa cheia, digo eu.
Um bom gesto humanitário do candidato do PS, a presidente à autarquia conimbricense, em prol dos mais desfavorecidos.
Um exemplo a ser seguido pelo candidato do PCP, Francisco Queirós, pela candidata pelo Bloco de Esquerda, Catarina Martins, pelo actual presidente da câmara, Carlos Encarnação, candidato pela coligação PSD/CDS/PPM, e por todos os candidatos dos partidos pequeninos que concorrem à Câmara de Coimbra. Todos devem ajudar os comerciantes com um almocinho. Uma boa medida pela inclusão…sim, senhor! Estou de acordo!

QUEM MAIS ME BATE...MAIS EU GOSTO




Segundo um informador anónimo, que, para além de ser um grande admirador, costuma comentar tudo, e muito, o que escrevo sobre o presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu, e que alegadamente trabalha no Arco de Almedina, informou-me que já foi aprovada a abertura de concurso público para a Reclassificação e Infra-estruturas da Rua Corpo de Deus e Pátio das Vitórias (pátio onde está instalada o “À CAPELA”, um estabelecimento onde se pode ouvir bom fado de Coimbra, instalado numa velha capela, que, pela sua elevada qualidade, muito engrandece a cidade e nomeadamente a Baixa).
Continuando a citar a minha fonte anónima, “estou convencido que só para não ouvirem os gritos de Clemente até aprovaram mais rápido”, enfatiza, através de e-mail, o meu depoente.

UMA FLOR ABANDONADA NA CALÇADA



Quem passa em frente ao Museu do Chiado, na Rua Ferreira Borges, apercebe-se de um mono estilizado a figurar uma flor. Foi colocada aqui, aquando da exposição “A crise saiu à Rua” –um olhar sobre a academia coimbrã de 1969, em Maio deste ano. Nos primeiros dias de Setembro –e após quatro meses de contínua exposição na rua, que foi um exagero- levantaram todos os bonecos -ou quase- espalhados pela cidade. Tudo indica que se esqueceram desta flor maltratada numa das principais artérias da Baixa. Ou se calhar não foi mesmo esquecimento. Este mono, simbolicamente, representa o abandono de todo o centro histórico. É de certeza isso. Como é que eu não vi logo?...

ENCARNAÇÃO NÃO VAI À BOLA COM CATARINA





Ontem, na RTPN, às 21 horas, foi o debate entre candidatos à Câmara de Coimbra.
Para além de o debate ter sido em Lisboa –como muito bem chamou a atenção Francisco Queirós, candidato pela CDU- e ter sido precedido por um mau serviço noticioso do canal público. Primeiro, não posso entender que estes debates sejam arrumados num canal pouco visto pela maioria dos conimbricenses; segundo, o programa deveria ter sido precedido de imagens da cidade, da expansão da malha urbana; das ruas vazias e edifícios decrépitos do centro histórico. Terceiro, quem seguiu o debate, certamente apercebeu-se que o tempo dos candidatos não era cronometrado, o que dizer que uns falaram de mais –sem dizerem nada- e outros qualquer coisa que soube a pouco. Do ponto de vista de serviço necessariamente geral, este programa foi de uma mediocridade acima da média. Esta RTP, com esta espécie de serviço público, não serve a cidade de Coimbra, não serve outras cidades nos próximos debates para esclarecimento local, e muito menos o país. É caso para perguntar: quando é que cai a direcção deste canal dito de público?
Passemos ao debate entre os cinco candidatos, que, como diz o Diário de Coimbra, foi um confronto onde houve mais críticas do que propostas. Quase todos estiveram bem. Para mim, a vencedora, a larga distância do segundo foi Catarina Martins do Bloco de Esquerda. O pior de todos, quanto a mim, foi Carlos Encarnação, que proporcionou dois momentos, um hilariante e outro sem classificação. O de riso foi quando afirmou que “os cinco candidatos estavam contra ele”. Ora se, para além do jornalista da RTPN, na mesa estavam apenas cinco concorrentes, isso quereria dizer que até o próprio Encarnação estava contra si próprio. Sendo uma só pessoa, era como se o actual presidente da autarquia de Coimbra, fosse para o debate com dois heterónimos: o Carlos e o Encarnação. Claro que ninguém sabia até ao momento em que o alter-ego salta e diz que afinal está contra a sua outra metade.
O outro momento, que classifico de calceteiro, foi, no final, quando se vira para Catarina Martins e lhe diz textualmente, com voz de macho-latino: “a senhora esteja calada, agora sou eu que falo”. Mesmo sem estar presente, o telespectador “apalpou” o silêncio caído no estúdio lisboeta. O que se notou foi o sorriso complacente dos outros quatro candidatos. Mentalmente estavam todos a agradecer à Virgem do Monte por esta lhe ter proporcionado um momento tão esclarecedor quanto à forma de estar na política de Carlos Encarnação. Ainda bem que foi mesmo no fim da discussão. Se fosse a meio a candidata do Bloco poderia ter sido confrontada com…”se continua assim…ainda leva um sopapo!”.
Ora bolas! Não se manda calar uma mulher assim em público –e mais a Catarina, com aquele seu ar exótico, que é uma linda mulher. A uma menina, como diz o povo, não se bate nem com uma flor –em público…obviamente!
Lá em casa, por entre uns pratos arremessados e umas palmadas, até se faz normalmente. Basta ver os índices de violência doméstica sempre a subir. Agora na televisão, não. Não se admirem se, a partir de ontem, na região de Coimbra houver um desmesurado aumento de conflitos domésticos. Eu vi por mim. Quando acabei de ver o debate senti uma necessidade inexplicável de implicar com a minha cara-metade. Só não o fiz…porque já sei como elas me mordem. Não sei se estão a ver…quem manda lá em casa sou eu!
Bolas! Mas apesar de eu ser um mau exemplo, não gostei mesmo daquele final. Sobretudo pela Catarina. Gosto dela, pronto! Se ao menos fosse a Manuela Ferreira Leite, isso, até admitia, agora a Catarina não! Fogo…não!

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

A (NOVA) POLÍCIA MUNICIPAL




São 8H55 desta terça-feira, dia 29 de Setembro. Depois de ter estacionado a minha carrinha no Largo das Olarias, junto à Loja do Cidadão, retirei dois sacos do interior, fechei o carro, e, com um em cada mão, caminhei em direcção ao meu estabelecimento, que dista cerca de uma centena de metros dali. Ouvi uns passos a correr atrás de mim, era um agente da Polícia Municipal. “O senhor desculpe mas deixou o seu carro estacionado em cima da linha amarela”, chamou a atenção o agente. Confesso, sob palavra de honra, perante o modo cordato de falar do polícia, fiquei pasmado, e dei por mim a responder: tem razão senhor agente… desculpe, não o vi. Voltei para trás para retirar a viatura. Dei uns passos para a frente e, acenando ao homem, disse: olhe…obrigado!
Enquanto levava o meu automóvel para o outro lado do rio –onde estaciono diariamente, depois de deixar a minha mulher e alguma coisa que precise na loja- levava comigo duas interrogações. Uma delas é que me parecia conhecer aquele agente. A outra é que eu não estava a conhecer os novos procedimentos dos agentes da Polícia Municipal.
Para se compreender melhor, e até como ressalva de interesses, ao longo destes seis anos de existência desta polícia, já paguei várias coimas. A maioria justas, algumas nem por isso. Só para exemplificar as que considero injustas: juntamente com vários colegas comerciantes, já fui multado a descarregar mercadorias a um sábado à tarde. Nessa altura, de nada valeu a minha alegação perante o agente. Perante mim estava uma pessoa insensível aos meus argumentos que não admitia contraditório. Confesso, ao longo dos anos, fui ganhando um sentimento apriorístico generalizado de repulsa pelo modo de agir desta força civil.
Ao longo dos últimos dois anos, aqui no blogue, fui escrevendo sobre acontecimentos, passados aqui na Baixa, que considerava atentatórios ao desenvolvimento do comércio e, subjectivamente, ia perorando sobre o que entendia dever ser o procedimento proactivo, desta ou de outra polícia, na formação educacional para um cidadão melhor.
Em Fevereiro, último, perante mais uma medida que considerei arbitrária e injusta, elaborei uma participação no Livro Amarelo daquela polícia. Para além do arquivamento da minha participação recebi também a informação de que, passível de ser entendida como difamação, algumas frases minhas subscritas no Livro de Reclamação, seria remetida para o Ministério Público. Já sei que não foi. Obviamente que fico mais aliviado, mas, não será por isso que não continuarei a escrever o pior e o melhor desta ou doutra qualquer polícia.
Voltando à actuação destes agentes que não estava agora a reconhecer, eu tenho lido os jornais da cidade e sei que está a haver uma reviravolta para tentar um “virar de página” neste serviço. Depois de arrumar o meu carro, voltei novamente ao largo da Loja do Cidadão. Perguntava-me, se teria sido verdade o que eu presenciara. E era mesmo. Os dois agentes presentes, com uma assertividade, com uma postura pedagógica, estavam no largo como eu nunca os vira assim. Parou uma viatura ligeira, calmamente, um dos agentes dirigiu-se ao condutor, falaram, o agente afastou-se e o homem ficou dentro do carro. Era o senhor Álvaro Pratas. Interroguei-o acerca do que achava da interpelação do agente. “Olhe, amigo, estou sem palavras. Nunca vi a Polícia Municipal assim. Até parece que já não são os mesmos. Só espero que não me faça como há anos um agente da GNR, que falei com ele, e mais tarde recebi a multa em casa. Estou agradavelmente surpreendido”.
Logo a seguir estaciona uma carrinha Mercedes de caixa-alta para descarregar, e, mais uma vez, um dos agentes se dirige ao condutor. Trocam duas ou três palavras, o agente afasta-se e o homem da carrinha começa a descarregar. É o senhor Diogo Simões. Interrogo-o também acerca de como interpretou a postura do agente. Respondeu: “olhe, estou contente. Sempre que vinha aqui descarregar ao largo, se cá estivesse a polícia, era um desconforto. Finalmente parece terem visto que é preciso ter alguma calma no aplicar de multas, sobretudo a quem está trabalhar. Os agentes têm de ser coerentes”, enfatiza este condutor.
Agora vejam o acaso do destino: o agente que me interpelou hoje foi o mesmo que, da altercação, deu origem à minha reclamação no livro. Tem a sua graça. Em Fevereiro queixei-me dele, e agora, em Setembro, estou aqui a elogiar o seu trabalho. Ainda bem. Espero, daqui para a frente, ver mais cidadãos a fazerem o mesmo. Ficamos todos a ganhar.



COMERCIANTES FALTAM À CHAMADA DE PRATA




São 13H15 desta terça-feira. À entrada do Restaurante Paço do Conde, na Baixa, quase todo o staff do candidato independente à Câmara Municipal de Coimbra, Horácio Pina Prata, espera pelos comerciantes. Menos de meia-dúzia estiveram presentes.
Não desesperando pela falta de comparência de quem não prometeu vir deu-se início ao repasto.
Na semana passada, através de fax, e outros convites em carta por mão, quase todos os operadores do comércio, foram convocados para um almoço no popular restaurante, ao preço de 15 euros, para debater com o candidato problemas que sentissem no dia-a-dia.
Estavam os presentes acomodados na mesa em volta da refeição escolhida, cerca de uma vintena de pessoas, entre os membros da lista e os que disseram sim à chamada, e o candidato também já a comer, quando foi solicitado por um comerciante, entretanto chegado, que não chegou a sentar-se. Ao ouvido de Pina, presumo, lhe terá dito, certamente, que por motivos alheios à sua vontade não poderia estar presente, mas, mesmo assim, fez questão de o ir lá cumprimentar.
Interrogo então o anfitrião do almoço: como entendia a não comparência dos comerciantes à sua chamada? Respondeu Prata: “andámos a convidar as pessoas de porta-em-porta. Não podem argumentar que não sabiam. Recebi vários telefonemas a invocar os mais variados motivos, mas sempre sublinhando que estavam comigo nesta aventura. Ainda agora estive a falar pessoalmente com um que me dizia que não vinha porque não podia pagar os 15 euros…como se eu acreditasse. Os comerciantes não vêm porque têm medo de serem conotados à minha lista”, enfatiza, sendo a sua opinião corroborada por alguns membros da sua equipa.
Naturalmente, como estive presente no almoço, tinha de ouvir as opiniões dos comerciantes faltosos. Fui para a rua. Sob condição prévia de anonimato todos responderam. Comecei na Rua das Padeiras, num pronto-a-vestir. Porque não foi ao almoço de Pina Prata? “Não fui por falta de motivação. Não voto cá em Coimbra, o que é que eu lá ia fazer? Mas nada tenho contra Pina Prata”, sublinha. Ainda na mesma artéria, um pouco mais acima, num comércio que não devo especificar –caso contrário chegar-se-ia à pessoa, diz-me o proprietário: “achei que não ia lá fazer nada. Pelo preço de 15 euros não fazia sentido. Além disso, só tenho uma hora para almoço”, responde-me este comerciante.
Entro então na Rua Eduardo Coelho, e volto a fazer a mesma pergunta: porque não foi ao almoço de Pina Prata? “Não pude. Tive de levar o meu pai a casa. Se não fosse isso até ia!”, retorque este homem do comércio.
Ainda na mesma rua, antigamente chamada de Sapateiros, à pergunta formulada, diz-me outro operador: “tenho de ir a casa almoçar. Já lhe disse pessoalmente que o apoiava –até subscrevi a sua lista de assinaturas. Só que ir ao almoço…foi-me impossível. Por acaso até gostaria de ter ido, porque tê-lo-ia confrontado do motivo de não falar no seu programa na venda ambulante. Gostava de saber porque não fala lá dos ciganos…gostava mesmo de saber a sua opinião”, enfatiza em murmúrio.
Agora fui para as ruas principais da Baixa. Estou na Rua Visconde da Luz. Perante a mesma pergunta, porque não foi ao almoço, responde o comerciante: “a situação é gravíssima. A estes políticos parece ser alheio este facto. Ora, 15 euros é muito dinheiro para um almoço que eu sei custar apenas metade no restaurante. Eu não tenho de estar a pagar a campanha. Nem eu nem ninguém já acreditamos em alguma coisa vindo destes políticos que nos querem vender o céu. Na prática, é verdade que, no fundo, é uma questão de defesa: não queremos mesmo ser conotados com este ou outro qualquer candidato”, desabafa este velho timoneiro de uma nau “catrineta” que se vê em palpos de aranha para chegara bom porto.
Mais à frente, na Rua Ferreira Borges, à pergunta da praxe, responde outro: “não fui porque não o conheço. Além de mais, não tenho muita confiança que no futuro, se ele for eleito, defenda os meus interesses e os dos meus colegas”. Quando lhe pergunto se o preço de 15 euros influenciou a decisão, diz-me que não. “De modo algum, isso é que era bom. Um comerciante que não tem 15 euros para almoçar vale mais fechar a porta”, diz-me no meio de um sorriso alargado.

O PRESIDENTE FALA LOGO AO PAÍS




Não preciso de dizer que não enxergo nada de política, isso já todos perceberam, sobretudo quem faz o favor de me ler. Também já deu para ver que, mesmo assim, me coloco em bicos de pé a opinar sobre tudo o que mexe na política partidária, local e nacional.
E já agora, já arbitei tanto, porque não mais uma atordoada?
Como se sabe, logo o Presidente da República, Cavaco Silva, vai falar ao país sobre o “caso das escutas”. E faz bem, não faz? Depois da asneira de há uns dias ter demitido o seu assessor, dando claramente a entender que haveria marosca no Palácio de Belém. Influindo claramente no resultado das eleições, como se isso não chegasse, veio a saber-se que afinal o seu assessor para a comunicação, Fernando Lima, tinha sido demitido…mas só um pouco. Como quem diz, tinha sido transferido de serviço, dentro do palácio. Ora, então, depois destas trapalhadas todas o presidente deve uma explicação ao país. Certo? Certo, deve.
O problema é que, quanto a mim, Cavaco continua a fazer asneiras. A duas semanas das eleições autárquicas, é mais uma pedra no charco a agitar as águas. Asneira, digo eu, que não percebo nada disto.
Mais uma vez Cavaco Silva, ao falar, não vai dizer nada que o português médio entenda e vai deixá-lo ainda mais confuso. É uma péssima altura para o presidente voltar a falar do caso. O presidente, depois dos estragos que já causou para as legislativas, só deveria voltar a este caso depois das próximas eleições.
Sinceramente, pergunto-me, tendo o presidente o meu telefone, porque não me ligou ele a pedir os meus conselhos? Ele há cada uma…sinceramente!

O QUE É QUE OS PORTUGUESES ESPERAM DO GOVERNO?



Quem viu ontem os “Prós e Contras” na RTP1, certamente, como eu, ficou abismado com a postura dos quatro candidatos possíveis a uma coligação com o governo. Escrevo, obviamente, dos membros no painel, do CDS/PP, do PSD, do Bloco de Esquerda, e da CDU.
Perante a arrogância dos vencidos, sobretudo de Nuno Melo do CDS, no programa, deu para questionar o que pode o país esperar destes quatro partidos.
Em determinada altura parecia que quem tinha sido o vencedor deste pleito eleitoral teria sido uma destas quatro formações partidárias, que, como se sabe, ficaram atrás do PS. Augusto Santos Silva, representante do Partido Socialista, com grande assertividade, e classe, perante o auto-convencimento dos membros do debate, lá ia desvalorizando a ofensiva dos senhores aspirantes ao poder através da negociata de gabinete.
Com toda a franqueza, espero que José Sócrates saiba mesmo o que o país, num momento grave em que vivemos, espera dele. Era bom que, a bem do superior interesse da Nação, o PS se entenda com o PSD, que, no meu modesto entendimento, será o partido que mais se aproxima do programa do Partido Socialista.
Deu para ver, ontem, sobretudo nos pequenos partidos, CDS/PP, Bloco de Esquerda e CDU, que estas pequenas formações querem o poder a qualquer preço, ainda que queiram fazer entender o contrário. A prestação de Nuno Melo, no programa, foi simplesmente deprimente. Passando a metáfora um pouco infeliz, o homem parecia uma “prostituta” perante o adolescente cheio de apetite sexual a fazer render os seus atributos físicos. Não sei se quem me lê –se viu o programa- se se questionou o que queria este senhor representante de um partido que pode ser –ou não- uma hipótese de coligação.
Li em qualquer lado um articulista afirmar que os nossos partidos políticos, em Portugal, ainda estão na idade da pedra. Estão na política para se servirem e não para servirem o país. Ontem, ao assistir ao debate, senti isso exactamente. Faço votos que todos os partidos entendam a quota-parte de responsabilidade que lhes cabe num momento tão grave como vivemos.
Se se pensa que o povo é apenas uma massa abstracta que não pensa, não vê, não sente, que serve apenas para colocar o voto na urna, estão muito enganados. Ainda que pensem que não, apesar de já se saber o resultado eleitoral, todos os partidos continuam sobre observação. E da sua prestação no momento actual, no entendimento entre todos, sairá o seu futuro como dignos representantes do voto popular.
O país precisa de um entendimento parlamentar como de pão para a boca.
Que impere o bom senso, é o que se espera, em nome do povo…que somos todos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

NOTÍCIA JN





"3 pessoas morreram, esta segunda-feira, após terem caído num lagar de vinho (...) em Rio de Galinhas, freguesia de Almalaguês, concelho de Coimbra". Veja aqui a notícia.

O VÍDEO DO DIA...

UM ENCONTRO DE FAMÍLIA




Os Carvalhos são uma família dos Moinhos e Bubau, localidades próximas de Miranda do Corvo. Como tantas proles no país inteiro, tudo começou lá longe nos idos anos de 1920, com o casamento do “Manel” e da Rosa.
A muito custo, teriam comprado uma casa no Bubau. Era um pequeno edifício de pedra, com rés-do-chão, onde estavam os animais, e um pequeno compartimento, onde havia uma pipa. Em frente às escadas de pedra granítica, de acesso ao primeiro-andar, havia um pequeno pátio onde uma meia-dúzia de galinhas picava umas minhocas, na falta de uns grãos de milho. Era um pequeno e rudimentar prédio, seco de conforto mas cheio de disciplina. Se o frio e o calor se esvaía por entre os barrotes que suportavam as telhas serranas -aqueles canudos, em forma de meio-cano, em barro, que eram cozidos na terra- contrariamente, o respeito, a ternura e o amor perduravam e mantinham-se naquele pequeno e simples casebre, fazendo dele, em metáfora, uma incubadora de vidas em comum.
Vieram os filhos, presumivelmente perto de uma dúzia, porque nesse tempo não havia televisão nem forma de os evitar. Só o trabalho até altas horas da noite, tantas vezes a descamisar as espigas na cozinha, e os "Pai-nosso" e as "Avé Maria" eram o entretém possível desta família pobre. Era uma existência sacrificada de trabalho, assente em transpiração e inspiração para poder ordenar a vida. Trabalhava-se de sol-a-sol. Como era normal nesse tempo, em que a morte precoce ocupava um índice anormal na natalidade, terão morrido vários filhos ao casal Carvalho. Ficaram então sete. O João –que era um grande cantador de fado à desgarrada, infelizmente, através de um acidente estúpido, morreu demasiado cedo- o Manuel, a Clarisse, a Elisa, a Celeste, a Albertina e então a Justina, aquela que através de uma dos nove filhos, a Marlene, me ligaria à família Carvalho.
Veio a 2ª Guerra Mundial e a crise social para todo o povo português. Nesse tempo, que apesar de Salazar nos ter livrado do grande conflito, não nos livrou da fome, era difícil viver e conviver em harmonia. Por exemplo, uma sardinha era dividida por três. A alimentação diária de uma família de aldeia residia essencialmente naquela sopa frugal, feita de feijão seco e batata e naquela magnífica broa. A única carne que entrava num lar era, para além de uma galinha cozinhada em dia de festa e de vez em quando, a do porco que se engordava e depois de morto, desmanchado e colocado em sal, na salgadeira, e que, mesmo a poupar, dava só para meio-ano. Apesar das carências e das dificuldades dos Carvalhos, os filhos foram crescendo na educação possível, sempre acompanhados, diariamente, com a fé no Senhor Deus, através da reza do terço, junto às chamas na lareira, a crepitar e a reflectirem o calor nas alvas pedras brancas.
Ao lado do lume mantinha-se uma cafeteira sempre cheia de café-mistura, era a “chicolateira”. Era ela que, através da sua água-tingida, ia permitir aos mais pequenos comerem ao pequeno-almoço umas sopas de broa servidas em malgas de barro. Por cima das chamas, a fazerem desenhos imaginários, como boca de esperança num amanhã melhor, estava o forno em silêncio.
Em frente da lareira, deste centro de congressos familiares, estava o longo banco de madeira onde o velho “Manel” tinha lugar marcado como senador. Ao lado estava a “masseira”, como vigilante carro de combate, sempre pronta a ser utilizada. Era ela que, através dos braços da “ti” Rosa, malhando duro na massa, acompanhado de umas rezas ao levedar, servia de transporte entre a fome e a saciedade, ainda que parcialmente.
Por detrás, na parede de “enxamel” –técnica usual na época que consistia em revestir a madeira com barro- que dividia a cozinha de duas escassas divisões, em que, em cada uma, apenas cabia uma cama com um colchão de palha, estava o escaparate, onde, alheios ao que se passava em volta, repousavam uns pratos da Fábrica de Sacavém e umas tigelas que serviam para os petizes e também para o velho Carvalho comer as sopas de “cavalo cansado” –eram sopas de broa misturadas em vinho, que era para dar força, dizia-se.
E nesta casinha pobrezinha germinou o início de uma família que, de multiplicação em multiplicação, ao longo das décadas, até hoje, ultrapassa já em muito as centenas. Com o exemplo de trabalho e respeito do velho “Manel” e a ”ti” Rosa, todos, quase sem excepção, estão bem de vida. Todos tem a sua profissão e o seu emprego. Nesta última geração já há uma juíza, uma psicóloga e muitos outros licenciados em várias áreas. Os mais velhos, ainda vivos, com ternura, olham embevecidos para os mais novos, que, por sua vez, continuarão a desenvolver a descendência.
Ontem foi o quinto encontro anual da família dos Carvalhos. Foi na Senhora da Alegria, junto à ermida, próximo de Almalaguês. No Restaurante “Senhora da Alegria” estiveram presentes cerca de sete dezenas de membros. Depois do almoço bem servido e bem regado, para além de se distribuírem lembranças, foi também oferecida uma canção com letra e música inédita, composta pela minha humilde pessoa. Embora sem ser ensaiada, graças aos préstimos dos membros do coro, da Marina, da Rita, da Marta, da Anabela, da Dina, da Otília, da Paula e da percussão do Pedro, foi possível apresentar uma bela peça musical que deixou os decanos da família com a lágrima ao canto olho. A Albertina, uma das mais velhas, a morar nos Bugios, enternecida, exclamava: “ai que lindo! Vale a pena estar viva para assistir a estes momentos!”.
Deixo-vos a letra do poema:

UM ENCONTRO FAMILIAR

Quem lembra a Rosa
e o “Manel” à lareira,
miram seus sonhos
no calor da fogueira;
É uma casinha
tão pobrezinha!
Junto às brasas
a “chicolateira”,
ferve o café,
ao lado a masseira;
A broa espera
que o forno a queira!

Estamos aqui
pela memória
de quem fundou
a nossa história

Domingo à tarde
a família lá estava,
rezava o terço
e o fado se cantava;
Uma pinguita
na boca jorrava!
Cheirava a broa
no lugar do Bubau,
vinha um serão
a “ratar” no mais mau;
Ai esses tempos
Que não voltam mais!

E COMO É QUE EU VI O RESULTADO DAS ELEIÇÕES?

(FOTO RETIRADA, COM A DEVIDA VÉNIA, AO BLOGUE "DENÚNCIA COIMBRÃ)





Já se sabe que após o jogo todos adivinhamos os resultados. Como bom português que se preza também eu tenho explicações para tudo. Ou não fosse eu um “expert” na matéria, pelo menos é o que diz a minha filha lá em casa.
Então, nem que seja só para ela ler, vamos lá então discorrer sobre a matéria. Vou começar pelos que venceram nestas eleições.

Naturalmente começo por José Sócrates, que, contra todas as previsões, mesmo perdendo a maioria absoluta, ganhou com folga relativa ao segundo maior partido da oposição, o PSD.
Embora os maiores analistas conceituados afirmem que os debates televisivos, hoje, não têm qualquer influência, tenho para mim, que José Sócrates ganhou estas eleições pela excelente performance nos debates televisivos. De todos, foi o melhor. Teve uma ajuda inesperada, a de Cavaco Silva, pelo mau serviço ao país que o Presidente da República prestou. Apesar de tudo, estou convencido, que, mesmo sem a “tragicomédia de Belém”, José Sócrates teria ganho na mesma as eleições, embora sem os sete pontos percentuais. Face ao descalabro desempenho televisivo de Manuela Ferreira Leite (MFL), os portugueses, maioritariamente, os que votaram no PS, pensaram: “bom, apesar deste tipo ser um bocado arrogante, a fazer-me lembrar o Salazar, pela forma de actuação, pela segurança, pela postura, gosto dele. Tem um ar porreiro, desempenado. O país precisa de um “gajo” como ele. Se assim não for, quem é consegue governar esta gente? Ora, em face do que conhecemos dele, do que sabemos de MFL, da péssima imagem televisiva que esta transmitiu nos debates, mal por mal, prefiro este. Pelo menos, com ele, sei com o que contar”.

Outro dos grandes ganhadores foi Paulo Portas. Para mim, a seguir a José Sócrates, nos debates televisivos, foi o que esteve quase sempre bem. Exceptuando o debate com o primeiro-ministro, esteve sempre à altura. Mostrou sempre saber do que falava com grande segurança, desde a agricultura, passando pelas PME’s, pela segurança interna do País, até à economia em geral, passando pelas Finanças do Estado. Foi o único candidato a levar à discussão a “segurança”, um tema que os outros candidatos dispensaram, mas que os cidadãos, no dia-a-dia, sentem na pele.
Apesar do seu bom desempenho televisivo, estou convencido que apenas ultrapassou os dois dígitos por mero acaso. Ou seja, foi o descontentamento, em forma de cartão vermelho dado ao PS, a decepção de MFL e a arrogância de Francisco Louçã, que lhe deram uma margem considerável. Certamente os eleitores pensaram: “bom, apesar deste tipo ser um demagogo popular, um vendedor de banha da cobra, prefiro dar-lhe o voto. Sempre nos poderá fazer menos-mal que o intelectual-radicalismo de Louçã", que, quer se queira ,quer não, para o povo, o Bloco, traz agarrado a si: o estigma do comunismo. Mesmo apesar de já terem passado mais de três décadas, para os portugueses, os comunistas continuam a comer criancinhas ao pequeno-almoço.
Mas que Paulo Portas não embandeire em arco. Este resultado eleitoral é apenas uma convergência de acasos felizes. Por muito que custe aos eleitores do CDS/PP a base eleitoral que este partido poderá sempre contar será os 8 por cento. Curiosamente, a “direita”, no país, sofre da mesma síndrome repulsiva do comunismo. Daí, penso, mesmo no futuro, só em quadros excepcionais estas pequenas formações políticas descolarão da sua base eleitoral.

Um pequeno ganhador, quanto a mim merecidamente, foi Garcia Pereira, o eterno cabeça-de-lista do PCTP/MRPP. No único debate que se viu entre pequenos partidos, no “Prós e Contras”, este advogado de Lisboa, apesar de estar num partido comunista, soube defender as suas teses sem entrar em chavões recalcados e martelados na mente dos portugueses. Gostei de o ouvir. Pela sua prestação ou não, a verdade é que foi compensado com mais de 52 mil votos. E, assim, tendo ultrapassado a fasquia dos 50 mil, passará receber um a subvenção do Estado que lhe permitirá alcançar e realizar outras ambições político-partidárias.

E QUEM FORAM OS PERDEDORES?

Começo pelo mais inábil: Aníbal Cavaco Silva. Nestas eleições, com a destituição de Fernando Lima em plena campanha eleitoral, perdeu o pouco capital político acumulado que ganhou nestes três anos da sua presidência. Pode começar a arrumar a trouxa para sair de Belém em 2011. Com esta sua acção que ninguém entendeu, perdeu a sua base eleitoral do PSD e do PS. Jamais lhe perdoarão. Com este acto, para alguns portugueses, transformou-se na segunda “persone non grata”. Curiosamente ambos ligados ao PSD. O primeiro foi Durão Barroso e o segundo é Cavaco Silva.

Um dos maiores perdedores foi o PSD. Por culpa flagrante de Manuela Ferreira Leite (MFL). Se Sócrates e Portas ganharam as eleições nos debates televisivos, MFL perdeu-as ali sem apelo nem agravo. Todas as suas prestações foram medíocres. Quem seguiu os frente-a-frente viu bem que, para além de desconhecer as pastas ministeriais, nunca mostrou empolgamento. Não tinha fogo nem convicção. Foi perceptível para o telespectador que aqueles debates para a outrora apelidada dama de ferro portuguesa eram um frete constante. Só lá faltou o seu grito: “TIREM-ME DAQUI!”.
Era bom que, a bem da Nação –para possibilitar um governo PS/PSD-, logo após as autárquicas, MFL se demitisse do maior partido de oposição e fosse de vez cuidar dos netos. Deu bem para ver que está cansada. Dê o seu lugar a Pedro Passos Coelho, Rangel, ou outro que não me ocorra. O país, neste momento em que tanto precisa de um governo de base sustentável para quatro anos, muito lhe agradecerá.

Outro dos grandes perdedores foi Francisco Louçã. Tal como MFL e o PSD, “Francisquinho”, perante o sucesso das eleições Europeias, começou a sonhar acordado. Esqueceu-se que é também um dos partidos de 8 por cento. Quanto a mim, tal como o CDS/PP só descolará deste dígito aquando de convergências ocasionais. Em minha opinião, teve sucessivamente uma má prestação televisiva. Além disso, sendo economista, teimou em defender propostas que sabia serem contra-natura, não exequíveis, tais como as nacionalizações, um ordenado mínimo de 600 euros para 2010, ou mesmo o imposto sobre as grandes fortunas. Esta não passa de uma bandeira “panfleto-demagógica”. Só possível de apresentar por um partido que nunca auspicia ser governo.
Sabe-se que o eleitorado do Bloco de Esquerda é sobretudo urbano e jovem. Se os primeiros sabem o que querem, têm um problema: são intelectuais cheios de utopias, que, em grande maioria, não terão um cabal conhecimento da vida pura e dura. Já os segundos, os jovens, pela idade sem experiência, embarcam no “navio” através de promessas cor-de-rosa. Fruto da sua imaturidade e desconhecimento político, ao subirem para a "embarcação", não questionam as medidas apresentadas. Mas isso é temporário. Esse é o problema do Bloco. É que o seu eleitorado jovem é flutuante, assim que abre os olhos, transfere-se para partidos do centro. Isto é, quanto a mim, para estes jovens, este partido de Louçã, será sempre uma carruagem que se apanhou para chegar a outro destino. Este, verdadeiramente, será o problema do Bloco de Esquerda. E, então, das duas uma, ou o partido se torna mais pragmático, perdendo a sua “intelecto-científico”, baseando as suas propostas numa “anarco-utopia”, assente na filosofia de Trotsky, que ninguém sabe o que é, e, nesse caso poderá pensar em aumentar a sua base de apoio. Ou então nunca passará de um partido fracturante, sempre a bailar entre o PS e o PCP, em que é giro militar, é “bacano, uma “nice”, mas nunca passará disso.

Outros grandes perdedores foram os pequenos partidos. Ao que parece, para além dos cinco maiores, nenhum conseguiu eleger um só deputado. Como já aqui escrevi anteriormente, também por culpa da imprensa escrita e falada que não lhes dá hipótese de mostrarem os seus programas eleitorais, fazendo com que os portugueses tenham o mesmo sentimento que se tem quando vamos ao “Portugal dos pequenitos”. Olha-se com admiração e ternura. Lembra-nos sempre qualquer coisa, mas não passa disso.

E QUEM NEM PERDEU NEM GANHOU?

Apesar de uma razoável prestação televisiva de Jerónimo de Sousa, considero o PCP como o partido da base certa e inamovível dos tais 8 por cento garantidos numa base eleitoral de oitenta anos de história, em que, por incrível que pareça, Álvaro Cunhal –tal como Salazar para a direita, restritivo na autonomia- representa a bandeira da entrega na luta pela liberdade. É uma espécie de fantasma que não queremos na nossa casa, mas, quando pensamos em alguém valente, um lutador de causas perdidas, pensamos nele. Estou convencido que os portugueses, em relação ao PCP, dividem-se, na dicotomia, entre a admiração e o estigma do inconsciente.

(Tenho de pedir desculpa pelo comprimento do texto. Mas como sei que ninguém chegou até aqui, fico mais aliviado)

sábado, 26 de setembro de 2009

O VÍDEO DO DIA...




DEIXO-VOS UMA MÚSICA INTEMPORAL PARA COMPANHIA NESTE FIM-DE-SEMANA...

UMA NOITE DE LUAR

(SURRIPIEI HÁ TEMPOS ESTA FOTO AQUI NA NET. COMO JÁ NÃO ME LEMBRO A QUEM, POR ISSO NÃO INDICO O CRIADOR. PELO LAPSO AS MINHAS DESCULPAS)


Naquele jantar à beira-rio,
olhando o brilho das águas,
serei apenas um pavio
nesse teu sorriso de mágoas;
A corrente corre para o mar,
ondula na luz de diamante,
dança ao som do luar,
canta em silêncio de amante;
Em fundo uma música ecoa,
outro tempo que passou,
é uma pintura de Malhoa
ou de alguém que a pintou;
Ao nosso lado um casal,
ensaia carícias de ardor,
enleios de olhar fatal,
embrulhados em amor;
Vou entrando nos teus olhos,
dentro do teu fundo olhar,
semeio afecto aos molhos,
na certeza de te amar;
E tu minha musa encantada,
divagando no sossego,
ofereço-te a lua enfeitada,
com águas do meu Mondego;
Podes achar que sou louco,
nesta forma de pensar,
talvez te ofereça pouco,
em troca do teu gostar;
Se eu voltasse à adolescência,
gostava de te encontrar,
sentir a tua saliência
na forma do teu olhar;
Um dia quando eu morrer,
vais oferecer-me uma flor,
verás que todo o meu ser
foi viver este grande amor.


EDITORIAL: HOJE É DIA DE REFLEXÃO





A Comissão Nacional de Eleições veio ontem lembrar que é proibida a realização de qualquer actividade de propaganda eleitoral nos dias de hoje e amanhã, independentemente de se dirigir ou não às eleições legislativas.
Também aqui, apesar de ser um humilde meio de informação, em “caixa-alta”, não se postará qualquer comentário que vise influenciar o voto em qualquer partido.
Tenho tentado não me colar à ideologia de qualquer força partidária. Todas. Sejam grandes, médias, pequenas ou micro, me merecem o maior respeito. Por isso, no que escrevo, tenho tentado manter uma independência necessária. Critico ou louvo desde o CDS/PP, passando pelo PSD e PS, até ao Bloco de Esquerda ou PCP. Dos micro-partidos falarei menos, não intencionalmente, mas porque, em boa verdade, há menos informação. Quando entendo algo de relevante, escrevo.
Isto para dizer, com toda a sinceridade, que tendo eu um meio de informação que pretende ser generalista –ainda que seja ínfimo, diariamente tenho cerca de 200 visitas- jamais seria capaz de recomendar o voto em qualquer partido ou coligação. É evidente que não levarei a mal –isso é que era bom!- a quem faz o contrário, isto é, defende o seu partido acerrimamente com unhas e dentes o voto na força partidária que se sente próximo. Em boa verdade, nem me custa muito proceder assim. Com toda a convicção, não me sinto próximo de nenhum partido que preenchem o nosso universo eleitoral. Ideologicamente, sei bem onde me coloco, mas partidariamente não. Felizes daqueles que com fé, sem dúvidas introspectivas, votam nos partidos que defendem.
Devo ser um caso estranho. Não gosto de futebol. Não tenho religião, mono ou politeísta. Costumo dizer que sou agnóstico –se calhar uma forma que me dá jeito, defendendo a impossibilidade de alcançar o conhecimento sobre a origem da vida. Mas, não tenho dúvida, tenho outras “religiões” –outros “re ligar”- em que acredito. Sem dúvida que as considero materialistas. Acho que tudo começa e acaba aqui. Na Terra nascemos, vivemos e morremos. Cá fazemos os erros, cá pagamos por isso. Acredito que se praticarmos o bem, como nuvem de vapor que se multiplica, gera uma espécie de corrente contínua-positiva, e estamos a contribuir para que outros, através do exemplo –comportamento gera comportamento-, também se tornem melhores humanos.
Naturalmente que existem muitos mistérios que não tenho explicação. Mas, para além da natureza, não acredito em nenhuma força superior que transcenda o próprio homem. Acredito que somos uma raça em evolução contínua. Acredito que, mesmo andando em ziguezague, em avanços e recuos, mesmo em guerras de grandes conflitos mundiais, a humanidade acaba sempre por encontrar o melhor caminho. Isto é, depois do breu do genocídio, acabará por surgir a luz da paz. Acredito que a solução, que parece irresolúvel para esta geração, inevitavelmente, residirá sempre na geração seguinte.
Tenho a certeza que, apesar desta descrença nos políticos que nos governam e os que almejam chegar lá, a solução sócio-económica que nos atormenta, de patamar-em-patamar, surgirá e terá de ser através da política. Não há outro modo. Não acredito em sociedades centralizadas. Acredito na economia de mercado, mas em que o Estado não perca a sua função de regulador. Apesar de sempre ter que haver ricos, remediados e pobres, tenho a certeza que, através de uma boa política dos governos, será possível diluir as assimetrias entre as classes mais desfavorecidas e os mais ricos. Cabe ao Estado ser um bom gestor de fortunas, não, pelo contrário, ser “o tio da América” dos excluídos da sorte. O Estado não deve dar nada, sem exigir contrapartidas. E aqui refiro mesmo os serviços básicos, como educação e saúde. Todos, mas todos, devem contribuir para o engrandecimento do país. Não pode uma maioria (activos) esfalfar-se a trabalhar para que uma minoria nada produza e apenas consuma o esforço de sangue da maioria.
Nas décadas que se avizinham esta política do Estado-Providência vai dar uma volta de 360 graus, acredito. Caso contrário o país entra mesmo em bancarrota.
E qual será o meio para alcançar as necessárias alterações que cada um de nós ambiciona? Através do voto. Não há outro meio. Ficar em casa, não indo votar, ou ir e votar em branco, creio, é colocar-se de lado, lavar as mãos, deixar aos outros a responsabilidade de escolher o futuro de Portugal.
Por isso, vá amanhã votar. Faça isso. Estou convencido que sempre custa menos que ler um texto longo como este que acabei de escrever.
Obrigado por fazer o favor de me ler. Um grande abraço.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE KAFKA...)



Sentidos com Arte deixou um novo comentário na sua mensagem "BAIXA: KAFKA E O PROCESSO DAS PIZZAS":

Apesar de não andar a comentar muito, nunca deixei de ler o seu blog...Esta loja leva-me a outro assunto que gostaria que comentasse. O famoso El Corte Inglés que irá abrir ali para os lados da Solum...Deixo uma questão: Se tivesse havido algum bom senso não ficaria melhor aqui na Baixa?
Pedro.

PINA PRATA PISCA O OLHO AO COMÉRCIO


Hoje, quase todos os comerciantes, proprietários de estabelecimentos comerciais receberam por fax um convite do candidato à Câmara Municipal de Coimbra para, no “âmbito do programa “Ouvir o cidadão”, um almoço no próximo dia 29 de Setembro, na Adega Paço do Conde. O custo de repasto, incluindo ouvir o candidato, é de 15 euros.
O meio de confirmação para o almoço é o e-mail “secretariado@pinaprata.pt ou o telemóvel 918 171 300

CAVACO SILVA, O "AGITADOR" DE TODOS OS PORTUGUESES




Depois de ler no “Sol online” de que Cavaco Silva mantém Fernando Lima a trabalhar em Belém, e depois da polémica à volta do seu nome em torno das escutas, pelos vistos, mantendo o presidente da República a confiança no seu ex-responsável pela comunicação, pergunto-me, para que serviu a sua transferência de serviço?
Depois da comunicação ao país, há cerca de um ano atrás, aquando do Estatuto dos Açores, e agora com esta destituição a escassos dias das eleições legislativas, bem pode o presidente ficar conhecido como o “agitador”. Para além de criar instabilidade num processo que se queria assertivo, com esta “mise en cene”, afinal o que quer o mais alto responsável pela nação?
Esta sua acção, inconcebível em período eleitoral, traz-me à memória, há poucos anos, quando fazia um exame na Faculdade de Direito, uma professora nomeada para fiscalizar a prova no auditório, antes de dar inicio ao teste, e durante meia-hora, criou um tal clima de instabilidade, com ameaças de expulsão a quem copiasse, que foi simplesmente indescritível. A mulher parecia histérica a verberar contra quem o viesse a fazer. Criou uma tal onda de estupefacção que só o silêncio caído naquele anfiteatro poderia tentar explicar, sem decifrar, o que pretenderia a fulana com aquele espectáculo surreal.
Ora, em analogia, é o que vejo nesta acção da Cavaco Silva. Não quero ser tão radical como Garcia Pereira que, perante este incompreensível acto, pede a demissão do Presidente da República, mas é gravíssimo. É de uma inabilidade que nem eu –que sou um nabo- faria tal atentado ao respeito e à assertividade que os eleitores merecem. Talvez esta acção nunca venha a ser completamente explicada, pelo menos, de modo a que os cidadãos entendam, mas esta intempestiva demissão do assessor gera muitas interrogações.
Afinal o que quereria o presidente? Beneficiar o Governo? Prejudicar Ferreira Leite? Ou o contrário? Ou estaria apenas interessado em recolher as suas mantas de uns pingos de chuva que, perante as nuvens negras que se aproximavam, lhe poderiam vir a cair em cima? São exactamente estas dúvidas que, como estigma, caem em cima do mais alto magistrado da nação, que embora não seja neutro (porque ninguém é), pelo menos, constitucionalmente, deveria manter uma equidistância necessária a todas as forças a sufrágio eleitoral.

BAIXA: KAFKA E O PROCESSO DAS PIZZAS



 A história começou na Finlândia, contava eu aqui, em 16 de Julho, através de frases rebuscadas que retirei da boca de um operador comercial do Largo das Olarias, amigo e conhecedor de todo este processo Kafkiano.
Trata-se de uma pizzaria que está pronta e aprovada
há vários meses naquele largo da Loja do Cidadão mas continua sem abrir, e provavelmente, devido a burocracias e a más-vontades, tal não irá acontecer.
Esta loja foi comprada lá longe onde o sol quase beija a noite por dois russos que queriam investir em Portugal na Indústria hoteleira. Segundo me conta o seu amigo que pediu o anonimato, “lá na Finlândia, disseram-lhe que aqui em Portugal para investir, desde que fosse para criar emprego, era fácil. Até tinha sido criado recentemente um “Simplex”. E eles vieram convencidos de que assim seria. Só que tiveram azar: Com a sua total ignorância e com esta Câmara de Coimbra que é insensível aos erros e a quem quer investir na cidade para a desenvolver economicamente”, desabafa comigo este meu informador. Noto que ele, através das veias salientes do pescoço, está a sentir com dor tudo o que me está dizer.
“A pizzaria estava praticamente licenciada e aprovada há vários meses, porém, devido à sua ignorância, nos fins de Junho, montaram uma esplanada em frente ao estabelecimento sem autorização camarário. Não se sabe como, nem em que lei se fundamentou a autarquia, mas a verdade é que sendo dois processos autónomos –abertura do restaurante e esplanada-, perante as estruturas fora do estabelecimento, no largo, embargaram tudo. Ou seja, a abertura da pizzaria e a esplanada. Através do seu advogado de Coimbra, entretanto constituído, foram imediatamente à câmara e apresentaram documentos que atestava a sua mais profunda ignorância sobre as leis do nosso país. Comprometeram-se a imediatamente retirarem a estrutura ilegal. O tempo foi passando. Há mais de um mês retiraram os ferros da esplanada e pensaram que depressa poderiam abrir a pizzaria. Mas qual quê? Já foram tantas vezes à Câmara que já têm as solas rotas. Segundo dizem os meus amigos russos, parece que sempre que lá vão ainda gozam com eles. Eles sentem-se mesmo gozados”, enfatiza a minha fonte.
Continua a minha testemunha, “entre o mês passado e este de Setembro, já vieram aqui ao restaurante várias vistorias. Porém, pasme-se, falta sempre uma pessoa. Ora é um engenheiro, ora é um técnico. A Câmara anda a brincar com estas pessoas. Os russos já nem querem ouvir falar neste processo. Ainda há dias me disseram que é mais que certo de que não irão abrir. Depois de terem comprado esta loja, compraram noutras cidades do país e, lá, já abriram há vários meses. Eles diziam-me aqui há dias que Coimbra é para esquecer, mas que não levam pena. Afinal, pizzas vendem-se em qualquer lado. Mas é pena, não é? Este largo, e nós que estamos cá, precisa destas pessoas. Esta loja, vazia, provavelmente, custou próximo de um milhão de euros. Mas, diga-me, o que quer a Câmara de Coimbra? Quererá empurrar os investidores para outras cidades?”, interroga-me a minha fonte em pergunta de retórica.

O VÍDEO DO DIA...




(UMA CANÇÃO QUE ADORO. REPARTO-A CONSIGO)

EXAMES EM PORTUGAL: A TRAGICOMÉDIA INSTITUCIONAL



Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto. Já o fiz duas vezes. No entanto, talvez pela cegueira colectiva, entendo que devo voltar a malhar em ferro frio. Escrevo da senhora Cristina Araújo, que foi, há cerca de um mês, condenada no Tribunal de Coimbra a um ano de cadeia por ter sido apanhada pela 37ª vez a conduzir sem carta de condução. Apenas por rigor histórico, lembro que já tinha cumprido anteriormente três anos de cadeia pelo mesmo crime continuado. Lembro também que esta senhora, aquando deste julgamento, já fora 8 vezes a exame de código.
Ontem, mais uma vez a senhora Cristina Araújo foi notícia de primeira página. Foi apanhada a conduzir, outra vez sem carta, pela 38ª vez.
Hoje, talvez porque já nem seja notícia, ou se o for envergonha todos, mais uma vez, pela 9ª vez, ontem, chumbou no exame de código, mas vem num cantinho do jornal. Está redigida como se fosse uma penhora, um óbito.
Eu entendo que, provavelmente, poucos compreenderão o meu ponto de vista. A maioria, por descarga de consciência, limita-se a dizer que a lei é para se cumprir. É assim e mais nada! Pouco importa que esta mulher tenha filhos, precise do título para conduzir legalmente para ganhar o seu pão nestes labirintos legalistas absurdos. Sim, porque a prática ela tem. Conduz há vinte anos.
Pode-se até pensar que defendo que se lhe deve dar a carta de condução. Nada disso. O que defendo é que o sistema está errado. Num igualitarismo atroz formata todos por igual, sem ter em conta as diferenças que dividem a igualdade dos humanos. Como esta senhora chumba reiteradamente, para não pensarmos muito, catalogamo-la de…”burra”. Num estereótipo assente de um século, o que interessa é que tenha sucesso, pouco interessa como, mas é preciso é passar no exame. Se não consegue passar é catalogado como jumento. Mas, pensemos, e se o for? Só há lugar nesta sociedade para os mais inteligentes? E os menos vocacionados?
Qualquer de nós conhece uma “estória” de insucesso no exame de condução. Por exemplo, eu, na minha família, tenho dois casos de pessoas que acabaram por desistir depois de terem pago quase um milhar de euros –claro que, no limite, no que me toca, é fácil de dizer que a burrice é hereditária senão genética. Mas, e nos outros?
O que se espera para avaliar cientificamente o exame de condução? Qual é a percentagem de chumbos em média? Quantas pessoas desistem? Porquê? Qual a causa? São perguntas que urgem respostas prementes.
A bem do melhor que existe dentro de nós, não podemos continuar a pactuar com este sistema absurdo. E o que nos faz aceitá-lo? Se calhar só a psicologia social explicará. Provavelmente porque precisamos de bodes expiatórios. Precisamos de olhar para estas “Cristinas” como se elas representassem os “outros”, os mais burros, os inferiores a nós. Esta sensação, sádica, assente na superioridade, deixa-nos contentes. O nosso ego cresce. Pertencemos a outra casta. “SOMOS MUITO MAIS INTELIGENTES DO QUE ESTA GENTINHA”, pensamos, quando estamos sentados na sanita, no maior hábito igualitário da sociedade.

A TODOS OS PAIS, EDUCADORES, ADOLESCENTES DE PORTUGAL (LEIAM E PASSEM)




(A adolescente entrou em casa).
Após deixar os livros no sofá ela decidiu lanchar e entrar online.
Assim, ligou-se com o seu nome de código (nick): Docinho14.
Procurou na sua lista de amigos e viu que Meteoro123 estava ligado.
Enviou-lhe uma mensagem instantânea:
Doçinho14: Oix. Que sorte estares aí! Pensei que alguém me seguia na Rua hoje. Foi mesmo esquisito!
Meteoro123: Lol. Vês muita TV. Por que razão alguém te seguiria? Não moras num local seguro da cidade?
Docinho14; Com certeza. Lol. Acho que imaginei isso porque não vi ninguém quando me virei.
Meteoro123: A menos que tenhas dado o teu nome online. Não fizeste isso, pois não?
Docinho14: Claro que não. Não sou idiota, já sabes.
Meteoro123: Jogaste bolei depois das aulas, hoje?
Docinho14: Sim e ganhamos!
Meteoro123: Óptimo! Contra quem?
Docinho14: Contra as Vespas do Colégio da Sagrada Família. LOL. Os uniformes Delas são um nojo! Pareciam abelhas. LOL
Meteoro123: Como se chama a tua equipa?
Docinho14: Somos os Gatos de Botas. Temos garras de tigres nos uniformes. São impecáveis.
Meteoro123: Jogas ao ataque?
Docinho14: Não, jogo à defesa. Olha: tenho que ir. Tenho que fazer os TPC antes que cheguem os meus pais. Xau!
Meteoro123: Falamos mais tarde. Xau.
Entretanto, Meteoro123 foi à lista de contactos e começou a pesquisar sobre o Perfil dela.
Quando apareceu, copiou-o e imprimiu-o.
Pegou na caneta e anotou o que sabia de Docinho até agora.
Seu nome: Susana aniversário: Janeiro 3, 1993. Idade.: 13. Cidade onde vive: Porto.
Passatempos: bolei, inglês, natação e passear pelas lojas.
Além desta informação sabia que vivia no centro da cidade porque lho tinha contado recentemente.
Sabia que estava sozinha até às 6.30 todas as tardes até que os pais voltassem do trabalho.
Sabia que jogava bolei às quintas-feiras de tarde com a equipa do colégio, os Gatos de Botas. O seu número favorito, o 4, estava estampado na sua camisola.
Sabia que estava no oitavo ano no colégio da Imaculada Conceição. Ela tinha contado tudo em conversas online.
Agora tinha informação suficiente para encontrá-la. Susana não contou aos pais sobre o incidente ao voltar do parque. Não queria que ralhassem com ela e a impedissem de voltar dos jogos de bolei a pé.
Os pais sempre exageram e os seus eram os piores. Ela teria gostado não ser filha única. Talvez se tivesse irmãos, os seus pais não tivessem sido tão super protectores.
Na quinta-feira, Susana já se tinha esquecido que alguém a seguira.
O seu jogo decorria quando, de repente, sentiu que alguém a observava. Então lembrou-se. Olhou e viu um homem que a observava de perto. Estava inclinado contra a cerca na arquibancada e sorriu quando o viu. Não parecia alguém de quem temer e rapidamente desapareceu o medo que sentira.
Depois do jogo, ele sentou-se num dos bancos enquanto ela falava com o treinador. Ela apercebeu-se do seu sorriso mais uma vez quando passou ao lado. Ele acenou com a cabeça e ela devolveu-lhe o sorriso. Ele confirmou o seu nome nas costas da camisola. Sabia que a tinha encontrado.
Silenciosamente, caminhou a uma certa distância atrás dela. Eram só uns quarteirões até casa dela. Quando viu onde morava voltou ao parque e entrou no carro. Agora tinha que esperar. Decidiu comer algo até que chegou a hora de ir à Casa da menina. Foi a um café e sentou-se.
Mais tarde, essa noite, Susana ouviu vozes na sala. 'Susana, vem cá!', chamou o seu pai.
Parecia perturbado e ela não imaginava porquê.
Entrou na sala e viu o homem do parque no sofá. 'Senta-te aí', disse-lhe o pai, 'este senhor acaba de nos contar uma história muito Interessante sobre ti'. Susana sentou-se.
Como poderia ele contar-lhes qualquer coisa? Nunca o tinha visto senão nesse mesmo dia!
'Sabes quem sou eu?', perguntou o homem.
'Não', respondeu Susana.
'Sou polícia e teu amigo do Messenger - Meteoro123'.
Susana ficou pasmada.
'É impossível! Meteoro123 é um rapaz da minha idade! Tem 14 e mora em Braga!'.
O homem sorriu. 'Sei que te disse tudo isso, mas não era verdade.
Repara, Susana, há gente na Internet que se faz passar por miúdos; eu era um deles. Mas enquanto alguns o fazem para molestar crianças e jovens, eu sou de um grupo de pais que o faz para proteger as crianças dos malfeitores.
Vim para te ensinar que é muito perigoso falar online.
Contaste-me o suficiente sobre ti para eu te achar facilmente.
Deste-me o nome da tua escola, da tua equipa e a posição em que jogas. O número e o teu nome na camisola fizeram com que te encontrasse facilmente.
Susana gelou. 'Quer dizer que não mora em Braga?'.
Ele riu-se: 'Não, moro no Porto. Sentiste-te segura achando que morava longe, não é?' 'Tenho um amigo cuja filha não teve tanta sorte: foi assassinada enquanto estava sozinha em casa.
Ensinam-se as crianças e jovens a não dizer a ninguém quando estão sozinhos, porém contam isso a toda a gente pela internet.
As pessoas maldosas enganam e fazem-se passar por outras para tirar informação de aqui e de lá online.
Antes de dares por isso, já lhes contaste o suficiente para que te possam achar sem que te apercebas.
Espero que tenhas aprendido uma lição disto e que não o faças de novo.
Conta aos outros sobre isto para que também possam estar seguros'. 'Prometo que vou contar!'.
AGORA: Por favor, envia isto aos teus amigos para que não forneçam informações sobre si próprias.
O mundo em que hoje vivemos é perigoso demais.
REENVIA ISTO TAMBÉM A PESSOAS SEM FILHOS PARA QUE O ENVIEM AOS SEUS AMIGOS QUE TÊM FILHOS E NETOS.
CUIDADO COM AS INFORMAÇÕES QUE PASSAS NO HI5, NO MSN OU AINDA OUTROS.


Paula Cristina Amaral
DGI- Departamento de Gestão da Informação
II,IP - Instituto de Informática, I. P.
Ministério do Trabalho e da Segurança Social
Edifício Ciência I - TAGUS PARK
Av. Prof. Dr. Cavaco Silva nº 17
2780-090 PORTO SALVO
Tel: 21 423 0154
Fax: 21 423 0 001


(RECEBIDO POR E-MAIL)

A MORTE, MESMO ANUNCIADA, PODE SER UMA SURPRESA





Subitamente, no verão passado de 2006, um octogenário, residente em Coimbra, como última vontade, deixou um cheque no valor de 49.950 euros endossado ao presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu, Carlos Clemente.
O estranho é que Clemente, quando recebeu o telefonema de aviso para levantamento da ordem de pagamento, não estava minimamente à espera de tal surpresa. Mas vamos lá começar pelo princípio, passando a redundância. Segundo o presidente da junta de freguesia, tudo começou na primavera de 2006, quando uma senhora de nome Guilhermina, moradora na Rua das Padeiras, na Baixa da cidade, e próximo da sede da junta, se dirigiu ao presidente Clemente a pedir ajuda para Waldemar Ortiz Braga, de 83 anos.
Na altura, alegava a senhora que o seu vizinho do andar contíguo, para além de estar muito doente, estava a passar por muitas contrariedades. Contou a senhora Guilhermina que fazia o que podia para o ajudar, mas como, além das suas posses também serem limitadas, também já tinha muita idade, não podia fazer mais, e daí dirigir o apelo à junta de freguesia.
Carlos Clemente imediatamente se dirigiu ao locado acompanhado da senhora. “Quando entrei fiquei abismado com o que vi naquela casa. Via-se que era um lar de um homem só. Tudo desarrumado e de ambiente algo fétido. Quando entrei no quarto deparou-se-me um velhinho muito debilitado, deitado numa cama onde os lençóis, pelo uso contínuo, se esqueceram da sua cor imaculada e, como camaleões, mudaram para uma outra quase bege escuro. Estava então perante o senhor Waldemar, que vim a saber depois da sua morte ter sido catalogador da Biblioteca da Universidade de Coimbra”, conta-me, detalhadamente, Clemente.
Continuo a ouvir o presidente da junta de freguesia, “começámos então a conversar, reparei que era uma pessoa culta. Como as palavras são como as cerejas, contou-me que era viúvo. Desde que a sua esposa desaparecera do seu pequeno mundo nunca mais voltara a ser o mesmo. Não tinha filhos. Ou por isso ou não, a verdade é que perdera o gosto pela vida. Pouco comia e se às vezes engolia alguma coisa era por insistência da dona Guilhermina. Estava para ali, como se arrastado, à espera que a morte se lembrasse dele. Queria ir ter com a sua amada mulher, invocou, no meio de um profundo suspiro. Na presença da vizinha Guilhermina, ficou combinado contactar a assistente social da cozinha económica para dar apoio domiciliário ao doente, quer a nível de alimentação, quer psicológico.
No dia seguinte, através da Associação das Cozinhas Económicas da Rainha Santa, ficou acordado que seria feita a limpeza ao andar e se daria todo o apoio essencial ao necessitado. Para além disso contactou-se também um amigo íntimo de Waldemar Ortiz, o senhor Marques, que foi posto ao corrente do que se iria fazer dali para a frente. Sob sugestão deste amigo, contratou-se a vizinha Guilhermina para, através de uma pequena mensalidade, dar todo o apoio indispensável ao doente”, relata-me Carlos Clemente.
Os meses foram passando e o presidente da Junta, nos seus afazeres pessoais e públicos, nunca mais visitou o doente da Rua das Padeiras. De quando em vez, quando ia à Cozinha Económica, se encontrasse a assistente social Ana Maria, era natural que lhe perguntasse sobre a saúde de Waldemar Ortiz. Mas, sabendo ele dos bons serviços daquela instituição, talvez por isso, não era preocupação que o atormentasse.
Se acaso encontrava a Dona Guilhermina, vizinha e agora guardiã de Ortiz Braga, era natural falar-se deste homem. Foi assim que soube que Waldemar fora internado nos HUC, Hospitais da Universidade de Coimbra, e passados poucos meses regressara a casa. Obviamente, continuou a usufruir dos bons serviços assistenciais da Cozinha Económica e apoio da vizinha Guilhermina.
No mês de calor a pico, no verão de 2006, Clemente, que profissionalmente é agente funerário, foi contactado pelo senhor Marques: o amigo Waldemar Braga tinha falecido e era necessário tratar do funeral.
Um dia depois do féretro ter seguido o seu destino, Clemente recebeu um telefonema do amigo do extinto. Tinha muita urgência em falar-lhe. Combinaram então encontrar-se no Café Santa Cruz. Perante dois cafés, Marques queria entregar-lhe uma pasta que tinha lá dentro uma caderneta da Caixa Geral de Depósitos e dois cheques. Um, preenchido e endossado em nome de José Carlos Clemente no valor de 49.950 euros. Outro, somente assinado, sem endosso.
Segundo me conta Carlos Clemente, “perante aquela surpresa, não me foi difícil tomar a decisão de recusar. Considerava não ser o digno destinatário de tal testamento. Afinal eu pouco ou nada fizera. E o que fiz, foi dentro do âmbito das minhas funções públicas como presidente de junta. Mas o senhor Marques é que não estava pelos ajustes. Tinha que dar resolução à última vontade do amigo que partira em vésperas. De argumento em argumento, chegou-se a acordo no destino a dar ao dinheiro. Os 49.950 euros iriam para obras de beneficência na Junta de Freguesia de São Bartolomeu. Ou seja, a verba seria depositada na conta bancária da junta. O remanescente, a apor no cheque assinado seria para gratificar a senhora Guilhermina pelo dedicado apoio desinteressado de muitos anos, pagar as despesas de funeral e trasladar o corpo de Waldemar Braga para um gavetão de um jazigo que se viria a comprar. Tudo isso foi feito e, em tempo útil, foi informada a assembleia de freguesia”, conta-me Carlos Clemente, agora, na presença do tesoureiro da Junta, Júlio Gaspar.
“Mais tarde recebi um telefonema de uma sobrinha do testador Waldemar a dizer-me que sabia de tudo, e que a vontade do tio seria respeitada. Apenas solicitava umas fotografias de sua tia, também falecida e esposa de Waldemar Braga”, enfatiza o presidente da junta.
“É assim que nasce a possibilidade de o executivo oferecer à Cozinha Económica, no ano passado de 2008, uma máquina industrial de lavar roupa e 25 contentores de transporte de alimentos, no valor de 10.000euros, e este ano uma carrinha multi-funções no valor de 23.000 euros. Também oferecemos à Casa dos Pobres uma lavandaria completa, no valor de mais de 21.000 euros, que já se encontra paga e armazenada à espera que esta instituição particular de solidariedade social entenda a melhor altura para o fazer”, relata Carlos Clemente.
Metaforicamente, se pensássemos em teatro, esta peça, tendo por fundo a morte de Waldemar Ortiz Braga, um culto bibliotecário, poderemos dividi-la em três actos. O primeiro, e dentro do antropológico-social, a mostrar um homem de grande sabedoria que, por desaparecimento da sua amada, perde os alicerces anímicos, sustentáculos da sua força interior de vida, abandona-se nos labirintos do desmazelo à espera da grande viagem. Vivendo mal os últimos anos, e acabando por morrer num mar de dificuldades, embora colmatadas pela assistência social. E aqui é que dá que pensar: mesmo sem herdeiros legítimos, deixa no banco mais de 50.000 euros. E mais: em última vontade, quase como partida de destino, decide oferecer o seu maior tesouro, certamente amealhado com sacrifício, a alguém que com ele apenas privou por escassas horas.
O segundo acto, em tempos de ganância, em que o homem é o devorador do próprio homem, é sem dúvida o desligamento de Carlos Clemente, perante a pequena fortuna doada. Faz-nos crer que é um bom exemplo que lega a todos, e que, embora pareça perdida, a humanidade ainda terá salvação.
E o derradeiro terceiro acto será o fim social que o gesto de Waldemar Braga desencadeou na prestação de melhores serviços de duas instituições reconhecidas na cidade: a Cozinha Económica e a Casa dos Pobres. Mostra que o dinheiro, quando entendido como instrumento de bem-fazer, um meio de alcançar o equilíbrio espiritual no aperfeiçoamento do homem, sendo doado para causas nobres, pode ser o motor de desenvolvimento social. Uma espécie de favores em cadeia.
Onde quer que esteja Waldemar Ortiz Braga, seja onde for, todos ficamos com uma garantia: estará feliz com toda a certeza, a sua dádiva foi muito bem aplicada.

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE: EDITORIAL...)



Jorge neves deixou um novo comentário na sua mensagem "EDITORIAL: O QUE É QUE OS POLÍTICOS QUEREM FAZER D...": Li o artigo , reflecti, penso e repenso como melhorar a qualidade de vida das pessoas e potenciar todos os recursos humanos e materiais que a Baixinha de Coimbra tem e concluí que para atrair pessoas ao centro histórico da cidade, passará por preparar um conjunto de actividades de animação, apelando à cooperação da sociedade civil. Os estudantes universitários têm de ser um alvo da atenção dos autarcas, para que vejam nas praças do município e principalmente das da Baixa um ponto de encontro. E porque não aproveitar os meses de calor para recriar, entre outros eventos, algumas festas e feiras na cidade ou mesmo um desfile de oferendas, criando diversos cartazes turísticos que, a prazo, possam ajudar à projecção das zonas históricas, do ponto de vista de realizações com um grau de popularidade acentuado.Mas, com o objectivo de criar uma forte dinâmica de eventos, é necessário recuperar o conceito de comissão de festas, apelando a que a sociedade participe em massa na organização de uma ampla programação.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O VÍDEO DO DIA...

O HOMEM DAS CASTANHAS


(O SENHOR ANTÓNIO VIEIRA, HOJE, NA PRAÇA 8 DE MAIO)









(UMA FOTO EXTRAORDINÁRIA DE LEONARDO BRAGA. CAPTADA TAMBÉM NA PRAÇA 8 DE MAIO A UM CONHECIDO VENDEDOR DE CASTANHAS)


É Setembro das vindimas,
lagares de uvas de alegria,
abraços de tantas estimas,
embrulhados em fantasia;
O Outono está a chegar,
sente-se o ar cansado
da andorinha a embalar
e partir para outro lado;
Na antiga Praça de Sansão,
vão ver-se nuvens tamanhas,
fumo e cheiro parecer pão,
é o homem das castanhas;
Hoje ensaiava no largo,
o vendedor António Vieira,
estava ciente do seu cargo,
perfilava-se à maneira;
Ele julga saber a importância
que tem na zona comercial,
é história viva da infância,
do passado, rebobinado e visual;
Um dia, no futuro, as crianças,
nossos netos e descendentes,
só na foto sentirão a lembrança,
ficarão mais pobres e descontentes;
Se, em teatro, ouvirem em refrão,
“são quentes e boas, assadas”,
vão apenas sentir a sensação
de um vazio nas arcadas;
O homem das castanhas na cidade,
é a alma, a lua cheia em Agosto,
é o espírito livre sem idade,
o São Martinho no vinho-mosto.














FELIZ ANIVERSÁRIO






Olho os teus olhos cor do céu,
imagino uma nuvem passageira,
uma luz na noite escura de breu,
um anjo a tocar trompa sem eira,
um fantasma pasmado que feneceu;
Sentado na lua sem horário,
vejo passar a Primavera, o Verão,
chegou o teu aniversário,
está anunciado o Outono, e então,
uma folha vai cair no estuário;
Olhas, vês que está meia escurecida,
perguntas à andorinha que vai partir,
se ela te leva a solidão esmorecida,
voltas a olhar a folha começas a sorrir,
curvas-te ao chão, vês que está sofrida;
Mas a folha tem salvação,
precisa de amor e carinho,
tu afaga-la com a mão,
parece mesmo um passarinho,
a voar em contramão;
Olhas o universo tão desigual,
uma brisa leve levanta a melena,
pensas neste tempo tão formal,
sem vontade, ensaias uma cantilena,
pensas que a vida te tornou amoral;
Lembras quando entraste na faculdade,
sonhavas que tantas injustiças ias corrigir,
depressa concluíste que em boa verdade,
pouco se muda, mesmo lutando, é só sentir,
o mundo, afinal, assenta na sua desigualdade;
Mas que importância tem isso para lembrar,
fazes anos, recebes rosas, talvez um poema,
o espectáculo, a vida, tem de continuar,
como um barco, como leme ou um lema,
vive o dia de hoje, vai mas é festejar;
Parabéns, que seja sempre a repetir,
o destino sempre a voltar a dar,
que saibas sempre competir,
na balança, sem desequilibrar,
praticar a verdade sem ter que mentir.




UM ZORBA ENTRE NÓS


Conheci-o há dias na Rua Visconde da Luz, mais precisamente no sábado passado, aquando do certame promovido pelo pelouro da cultura da Câmara Municipal de Coimbra, sobre o lema o “Atelier Vai para a Rua”.
É grego e tem estado em Lisboa. Ainda fala mal o nosso português. Durante mais de um mês, durante este verão, esteve na Figueira da Foz. Na semana passada agarrou na sua mochila e ala até Coimbra. Vinha apenas para conhecer a cidade e voltar outra vez para Lisboa, mas apaixonou-se pela terra dos estudantes. Arrendou um quarto por um mês, e por cá está.
Para além pintar telas, é um aguarelista de excelência. Os seus preços são módicos. Se passar pela Praça do Comércio aprecie as suas criações. São uma maravilha. Vá por mim…

"Ó DOTÓR...DÁS-ME UMA MOEDA?"


 É o Adelino Paixão, uma figura típica da nossa cidade. Já aqui falei dele. Vagueia pelas ruas da Baixa. Não faz mal a ninguém. Hoje, à hora do almoço, quando me avistou, como é costume, roga: “ó dotór…dás-me uma moeda?” Coloco-lhe na mão cinquenta cêntimos. Ele olha, e “oh…não chega! É para comprar uma sandes!”. Retiro outra moeda, agora de 1 euro. Coloco-lha na mão e tento retirar a de cinquenta cêntimos, mas, como mola automática, a mão fecha-se rapidamente e lá ficam as duas. Por entre um sorriso matreiro, o Adelino deve estar a pensar: “este gajo é mesmo parvo. Esta coisa de lhe chamar “dotór” funciona sempre”.
Ainda não satisfeito, o Paixão agora pede uma foto. “Dás-ma amanhã?”.


O DIÁRIO AS BEIRAS E A SUA POUCA VISÃO









"Para comentar uma notícia necessita de ser assinante do DIÁRIO AS BEIRAS ON-LINE ou então necessita de nos enviar uma cópia do B.I. (faça aqui o upload da imagem do B.I.)
Se ainda não se tornou assinante do DIÁRIO AS BEIRAS ON-LINE aproveite para o fazer já aqui."




 Vamos por partes. Gosto muito do Diário as Beiras, e não passo um único dia sem o ler. Ainda me lembro da sua fundação, salvo erro, em 1993, como semanário. Depois passou a diário. Creio que a memória não me está atraiçoar.
Durante vários anos escrevi na sua página do leitor quase todas as semanas. Depois, progressivamente, o jornal começou a abandonar o seu leitor diário e colaborador. Ora juntava as cartas todas e as publicava a esmo, ora não publicava e quando o fazia era já tarde para o assunto em análise. Aos poucos, deixei de escrever para o jornal –é óbvio que o diário não perdeu nada. Ainda cheguei a mandar uma carta ao director a dar-lhe conta de o quanto achava que estava a desperdiçar uma riqueza que lhe caía no regaço gratuitamente. É lógico que não me estava apenas a referir à minha humilde pessoa, mas a todos os leitores, como eu, que escrevem.
Nessa carta, já escrita há vários anos, argumentava que, segundo estudos científicos, a página do leitor de um jornal regional é a mais lida. Para além de mais, sabe-se, hoje, devido a custos redactoriais, um jornalista é uma espécie de homem das pizzas. Leva a direcção, entrega, recebe e vai-se embora. Por outras palavras, o jornalista –pago à peça- leva a “encomenda” do jornal de cobrir o evento, escreve só sobre o que se passa no momento e vai-se embora a correr para ir escrever outra peça noutro lado. O jornalista não tem tempo para ouvir uma conversa lá no canto da sala, que embora aparentemente despicienda, vem dar outra perspectiva sobre a notícia em causa. Hoje quem lê jornais apercebe-se que, sobretudo nos locais, mesmo em títulos diferenciados, há um formatado plástico nas notícias. O que se lê num, lê-se noutro. Parece que o jornalista, em vez de o ser efectivamente, perde o seu lugar e passa para o de fotógrafo. Chega a um local, fotografa o boneco e já está!
Ora, quanto a mim, na forma académica de ver o jornalismo, não é assim. Eu vejo o jornalista como um observador atento a tudo o que o rodeia. Por exemplo, toda a gente olha apenas para o chão e para altura dos olhos. É aí que entra o jornalista, ele olha para o ar, para onde a maioria não olha. O jornalista, a meu ver, para desempenhar bem a sua profissão, deve ser um sensitivo. Conseguir ler as expressões, adivinhar, deixar-se conduzir pelo instinto. Não tendo e não exercendo estas qualidades é apenas mais um no magote. Só vê com os mesmos olhos da maioria. Claro que admito que esta minha tese é académica. Hoje não há tempo. E para se criar seja o que for, para ler nas entrelinhas, é preciso impreterivelmente tempo. E, devido à economia, à necessidade de poupança, não há.
Ora é aqui que entram os leitores-colaboradores. Um jornalista, devido à escassez de tempo, não pode chegar à rua, à quelha, à questiúncula, ao pequeno assalto ao estabelecimento. Só lá chega se for informado. Mas, mesmo que seja, como não conhece o “bas-fond”, o que está por trás, a causa, o que deu origem ao caso, apenas vai escrever o efeito, sem ter em conta que para o leitor também é importante a causa. E é aqui que entra o leitor-colaborador. Ou entrava. Como hoje há os blogues, este serviço passou a ser feito por quem escreve online, pelos “bloguers”. E os jornais locais aproveitam muito bem esta informação. No entanto, falta assumir esta colaboração de uma forma institucional. Respeitar quem escreve e fotografa nos blogues. Sobretudo quem o faz de uma forma séria, dá a cara e assume o que escreve.
Vejam bem como são as coisas, eu comecei a escrever este texto apenas com intenção de dizer que acho muito mal que o Diário as Beiras apenas permita comentários a quem é assinante. Está mal. Duma forma intencional, está a discriminar os leitores. Aliás, é contraproducente. Se um leitor é interessado e comenta, o mais natural é que se venha a fazer assinante do jornal. Aqui, no caso em apreço, é feito ao contrário. Primeiro assinas o jornal e depois comentas. Acho que o comentário, obrigatoriamente identificado, deve ser livre. Aliás, acho que acima de tudo, deve ser encarado sob o ponto de vista da utilidade.
E tenho de ficar por aqui. Já se sabe que o “escritor” é um manipulador. Quem sabe se este texto pode ajudar a mudar alguma coisa no Diário as Beiras a bem de todos leitores, sobretudo quem gosta de se expressar escrevendo. Sim, por que, apesar de haver milhões, nem todos têm um blogue para poderem escrever o que lhes vai na alma. E para esses, é aí que deveria entrar a página do leitor de um jornal.