sexta-feira, 31 de julho de 2009

UMA NOITE BRANCA




É uma cálida noite de verão,
no centro da cidade comercial,
“Noite Branca”, pois então,
ratificou a APBC no jornal,
os comerciantes disseram não,
já é hábito, nem parece mal,
nem se sabe porquê a admiração;
Houve marchas e gente a cantar,
a rasgar o silêncio da rua vazia,
tantos citadinos vieram apreciar,
um deles, disse, nem sequer sabia,
que o centro histórico era de sonhar,
esta noite branca, ou negra, sentia,
que à Baixa esquecida é preciso voltar;
“Que pena as lojas estarem fechadas”,
clama triste, o passante, a enfatizar,
“sem adesão, são pérolas a porcos destinadas,
tanto esforço, um presente, que se está a dar
a quem pouco merece, mal-empregadas,
já se entende porque está a Baixa ao deus-calhar”,
lamenta triste o homem em frases desbragadas.

VOLTEI!!



Já sei que está contente. Pronto! Chega de me bater nas costas. Pense, pense um bocadito. Se eu venho de banhos, naturalmente tenho as costas vermelhuscas, queimadas pelo sol. E você a dar-me palmadas com essa força. Tenha calma, sim?! Eu entendo. As saudades foram mais que muitas…compreendo! Mas já estou cá, e isso é que importa. Limpe lá essa lágrima, vá lá! Até parece mal…valha-o o Deus!

sábado, 25 de julho de 2009

FÉRIAS





Durante a próxima semana não estou cá. Estou “a banhos”. Estatuto “oblige”. Eu explico. É assim: faço parte de uma classe de comerciantes falidos. Sim, sou só mais um. Daqueles que, pela extrema pobreza, já não usam cuecas e andam sempre de pulôver para encobrir a camisa toda coçada. Os sapatos, que há muito perderam as solas, e que foram substituídas pelo rasto dos pés, limitam-se a cobrir a parte de cima dos “presuntos”. Claro que esta situação precária só os próprios, que a sentem, como eu, é que sabem. Para toda a gente, incluindo os que “estão a berrar”, eu sou um “Grande Capitalista”.
Agora imaginem que eu não ia para férias, o que aconteceria? Naturalmente os meus credores caíam-me literalmente todos em cima. Estão a ver a coisa, não estão? Ora, para isso não acontecer, para lhes dar confiança, e para parecer que estou bem de vida, tenho mesmo que ir de “vacances”.
Cá para nós, que ninguém nos ouve –e confio em vocês- armado como um pelintra, vou uma semanita para casa de um familiar para a Figueira da Foz. Para o público em geral –e sobretudo para quem anda a correr atrás de mim para receber umas contitas- fui para Palma de Maiorca, uns dias. Vou também, fazer um cruzeiro mediterrânico. Ainda estou a pensar se vou dizer ou não que fui convidado pelo Berlusconi para ir à sua casa de praia e conhecer lá umas amiguitas dele.
Portanto, já sei que vão chorar lágrimas de crocodilo por eu não escrever nada durante uma semana. Mas tem mesmo de ser. Aproveito para fazer uma cura à adição. Estou completamente viciado.
Pronto! Vou-me então despedir… (dá cá um abraço, pá!)…até daqui a uns dias. Se a saudade for muita…olhe faça como eu: arme-se em ricaço, alugue um Mercedes e vá para longe…perto daqui.

BAIXA: VALERÁ OU NÃO A PENA?














Hoje, durante a tarde, começando pela Praça 8 de Maio, o Grupo Etnográfico Cantares e Danças de Assafarge, com as suas danças e cantares da região de Coimbra, encantou as ruelas e largos da Baixa.
Quem passava, inevitavelmente, perante um dos melhores ranchos folclóricos da zona de Coimbra, parava. Apesar de, praticamente, quase todas as lojas estarem encerradas, este agrupamento, cuja generosidade para com o centro histórico se enaltece, mostrou como se canta e dança hoje em representação de há um século atrás. O seu presidente, o Luís Carlos, está de parabéns pelo excelente trabalho desenvolvido ao longo destes últimos quase dez anos. O Grupo Etnográfico de Assafarge, um dos mais importantes do princípio do século XX, esteve inactivo nos últimos vinte anos. Graças ao trabalho extraordinário de muitas pessoas, pelo amor à sua terra, à Manuela, ao marido, o Sousa, o Luís Carlos, o Armando e a mulher, o Pedro e a esposa, e tantos outros que, pela falta de espaço, não cito. Inclusivamente muitos que por lá passaram nesta última década e que, actualmente, já não fazem parte do agrupamento. A todos eles uma grande salva de palmas. Só quem sabe as dificuldades que os grupos etnográficos passam –eu sei, também por aqui passei- pode avaliar o esforço despendido por uma causa nem sempre bem compreendida pela maioria, que entende esta expressão inata de cultura popular como uma forma desprestigiante ou “pimba”. Se não fossem estas pessoas, muito se teria perdido, desde a etnografia aos cantares de antanho. São eles, que ouvindo aqui, mergulhando acolá, como investigadores, chegam então à fonte, quantas vezes uma velhinha com quase um século que vai trautear uma canção dos seus tempos de meninice, e assim se evita que o fado ou a canção popular se percam para sempre.
É uma pena que os comerciantes, desmotivados, só pensando nos cifrões, não peguem no exemplo destas pessoas, que se esforçam sem nada ganharem, e estejam abertos ao sábado durante todo o dia.
Como principal incentivador, entre outros, a ACIC e a APBC, e a própria autarquia que facilitou o que pode, como por exemplo, o não pagamento de estacionamento de parcómetros ao sábado todo o dia, sinto que perdi uma aposta, ou uma batalha. Não perdi a guerra, porque essa, metaforicamente, será a Baixa e, esta não se perderá nunca. Mesmo no desleixo, na falta de visão comercial e falta de cidadania dos comerciantes, o centro histórico persistirá e virá um dia, espero que próximo, em que, como Fénix, renascerá desta apatia dolente em que se encontra.
De qualquer modo, mesmo assim, alguns comerciantes, estão abertos ao sábado durante todo o dia. Para eles, para a ACIC, para a APBC, para a Câmara Municipal de Coimbra e para todos o que ajudam a Baixa, como hoje o rancho de Assafarge, o meu mais sentido agradecimento.

HORÓSCOPO DAS FLORES


Horóscopo das flores



02/03 a 21/03 Narciso 29/08 a 23/09 Rosa
22/03 a 20/04 Violeta 24/09 a 18/10 Crisântemo
21/04 a 10/05 Hibisco 19/10 a 07/11 Dedaleira
11/05 a 31/05 Esporeira 08/11 a 12/12 Íris
01/06 a 23/06 Flor-de-maracujá 13/12 a 05/01 Mandrágora
24/06 a 11/07 Orquídea 06/01 a 02/02 Campainha-imperial
12/07 a 05/08 Lírio 03/02 a 01/03 Flor-de-lótus
06/08 a 28/08 Papoila


NARCISO (de 02/03 a 21/03)

Esta flor, em forma de um pequeno sino, foi muito abundante na Atlântida. Depois, desapareceu durante séculos e ainda hoje é uma espécie rara. Simboliza pessoas bem-humoradas, capazes de lidar com as piores crises. Procuram sempre o lado positivo das coisas e têm o dom de atrair a simpatia e a ajuda de todos. Apesar da aparência ingénua, são verdadeiras vencedoras, às quais, não faltam paciência e audácia.
NARCISO PRÁTICO: A lealdade e a coragem são os seus pontos fortes. Embora adore viajar, no fundo deseja um porto seguro, no qual possa se sentir em paz, vivendo ao lado de alguém que o compreenda e ajude a desenvolver seus talentos.
Narciso Aventureiro: Dono de uma incrível força de vontade, interessa-se por tudo o que é novo e desconhecido. Jamais desiste de um objectivo, e vê o desânimo como algo passageiro. Gosta de desafios e enfrenta qualquer obstáculo com a certeza da vitória.
NARCISO ROMÂNTICO: Harmonia, bem-estar e despreocupação são as suas metas. Tem grande dom para a vida artística e, mesmo fora de um palco, confere uma aura de magia e beleza a tudo o que realiza. Por isso vive cercado de amigos, que o admiram lealmente.
NARCISO IDEALISTA: Dotado de profunda sabedoria, não se faz de rogado para expor os seus pensamentos. Nem tem medo de chocar os outros com a ousadia das suas ideias. Gosta de "plateia" cheia e contagia a todos com o seu pique jovial.



VIOLETA (de 22/03 a 20/04)

Delicada e com pétalas aveludadas , esta pequena flor tem origem antiga e uma grande capacidade de adaptação. Pessoas com alma de violeta estão sempre prontas a ajudar aos outros, sem esperar qualquer recompensa. Não suportam o egoísmo nem a ganância. E embora pareçam tímidas e vulneráveis, são donas de uma vontade indomável. Jamais perdoam mentiras e traições e sabem como defender seus pontos de vista com unhas e dentes.
VIOLETA PRÁTICA: Um companheiro e tanto. Não nega ajuda a ninguém, mas também é incapaz de tolerar infidelidade e injustiças. Óptimo confidente, guarda os segredos alheios como se fossem seus. Por isso, conquista a confiança geral e progride muito na vida.
VIOLETA AVENTUREIRA: Humilde apenas na aparência, esse tipo é mestre na arte de unir resistência e sensibilidade . Sempre sabe de tudo o que acontece e precisa do contacto com pessoas criativas, que possam auxiliá-lo nos seus projectos. Caso contrário, ele começa a considerar tudo monótono e tedioso, e isso pode espantar seus inúmeros admiradores.
VIOLETA ROMÂNTICA: Quase sempre de aparência agradável, vive cercado por uma aura de mistério, que atrai as pessoas e as afasta ao mesmo tempo. É difícil se aproximar dele, mas quem consegue essa proeza ganha um amigo para a vida inteira. É muito franco, gosta de ajudar e não desperdiça a chance de aprender algo novo.
VIOLETA IDEALISTA: Sem medir palavras, fala o que pensa de maneira clara e não abre mão dos próprios ideais. Dá grande atenção ao desenvolvimento espiritual. Seu único defeito é cobrar a perfeição demais de si mesmo e daqueles que o cercam.



HIBISCO (de 21/04 a 10/05)

De origem asiática, é conhecido também como rosa-da-China. As suas pétalas podem ser brancas, amarelas, rosadas ou vermelhas e formam uma espécie de taça. Simboliza pessoas inovadoras com grande capacidade de organização e sempre em busca do aperfeiçoamento. Muito vaidosas e sociáveis, adoram organizar festas e reuniões . Mas quando não conseguem conquistar a admiração alheia, acabam se retraindo.
HIBISCO PRÁTICO: Os pontos mais importantes da sua vida são as roupas, a casa onde mora e a própria saúde. Depois, vêm os membros mais próximos da família e, por último, a comunidade. Precisa cercar-se de organização e beleza para se sentir bem, e adora chamar a atenção.
HIBISCO AVENTUREIRO: O seu maior objectivo é embelezar o próprio jeito de ser. Por isso, ensaia gestos elegantes, procura manter um comportamento impecável e persegue uma ascensão profissional segura. Só que, às vezes, torna-se autoritário demais.
HIBISCO ROMÂNTICO: Sonhador, adora poesias e diários, tira dezenas de fotos e não resiste a tentação de se filiar a algum movimento que tenha como objectivo melhorar o mundo. É humilde para aprender o que precisa e aperceber as próprias deficiências.
HIBISCO IDEALISTA: Esse tipo precisa aprender a pôr ordem na própria imaginação e expressar com clareza os seus objectivos. Pouco tolerante com pessoas de raciocínio lento, recorre a um senso de humor felino. Por isso, ganha fama de pedante, embora ninguém negue sua grande cultura e versatilidade.



ESPOREIRA (de 11/05 a 31/05)

Num caule sempre erecto, esta planta exibe as suas pequenas florzinhas de um azul brilhante que a distância lembram o corpo sinuoso de um golfinho. Os seus nativos são pessoas que não se curvam a vontade alheia e arriscam tudo em prol de uma grande causa. Sobrevalorizam a dignidade pessoal e desprezam a hipocrisia e a falsa humildade. Fazem questão de manter os pés no chão, mas nem por isso deixam de lutar pelo que consideram justo.
ESPOREIRA PRÁTICA: Dotado de nobreza, firmeza de carácter e raciocínio prático parece capaz de mover montanhas. Sempre atinge o sucesso, independentemente da actividade que escolha, e só precisa aprender a cobrar menos de si mesmo.
ESPOREIRA AVENTUREIRA: Dedicação é sua palavra-chave. Por meio dessa qualidade, esse tipo de pessoa consegue enfrentar qualquer desafio com coragem e confiança. Mesmo correndo risco de vida, nunca abandona um amigo demonstrando quanto é digno de confiança e admiração.
ESPOREIRA ROMÂNTICA: Exagerado. Eis a melhor definição para ele, que adora demonstrar os sentimentos de maneira dramática transformando pequenas dificuldades em grandes problemas. Apesar disso, é batalhador e só precisa aprender que é responsável pelo próprio destino.
ESPOREIRA IDEALISTA: De onde viemos para onde vamos? Questões como esse não saem de sua cabeça, que busca respostas em movimentos fisiológicos, esotéricos e religiosos. Muitas vezes, torna-se um tanto fanático, mas logo aprende a respeitar os pontos de vista alheios.



FLOR-DE-MARACUJÁ (de 01/06 a 23/06)

Trepadeira de aspecto exótico, era chamada, na Atlântida, de flor de dupla face e simbolizava as duas almas que existem no peito de todo ser humano. Por isso, os nativos desse signo quase sempre são o oposto do que aparentam. Embora muitas vezes pareçam falantes e decididos, no fundo são tímidos e vulneráveis. E sua missão é harmonizar os extremos de uma personalidade.
FLOR-DE-MARACUJÁ PRÁTICA: Embora seja capaz de mudanças mais radicais, nunca perde de vista os seus objectivos. E mesmo quando o resultado não é o esperado, conserva o bom humor e a disposição. Faz mil concessões para evitar confrontos e, no amor só se revela por inteiro quando adquire total confiança no parceiro.
FLOR-DE-MARACUJÁ AVENTUREIRA: Muitas vezes é considerado volúvel. Por mudar de projectos com facilidade. Mas a verdade é que é capaz de dar conta de várias actividades ao mesmo tempo e, no fundo, adora levar a vida agitada e cheia de experiências diversificadas.
FLOR-DE-MARACUJÁ ROMÂNTICA: Deseja amar e ser amado. E apesar de não querer chamar a atenção, não gosta de passar despercebido. Às vezes oscila de um extremo a outro, mas está sempre pronto a reconhecer os próprios defeitos. Amoroso e atencioso, sabe agir com diplomacia e se revela uma excelente companhia. FLOR-DE-MARACUJÁ IDEALISTA: Mostra uma genialidade sem igual. Dotado de ideais elevados e de uma percepção aguda, cedo ou tarde põe em prática a sua grande capacidade de inventar coisas ou teorias. Sabe que possui um raciocínio superior, mas não se vangloria disso. Prefere usar a diplomacia para impor as suas ideias sem ferir as outras pessoas.



ORQUÍDEA (de 24/06 a 11/07)

A orquídea é uma belíssima flor , que não finca as raízes no chão. Mas, embora se instale em outras plantas, ela leva uma vida independente. É um símbolo da luta do ser humano para se libertar e viver de seus próprios recursos. Para isso, os nativos desse signo têm de vencer o medo da solidão e do desconhecimento. Nascidos para conviver com a beleza e o luxo, quase sempre enriquecem sem esforço. Mas só começam a realizar algo de seu na segunda metade da vida.
ORQUÍDEA PRÁTICA: Precisa aprender a lidar com o inesperado, pois sempre deseja que tudo aconteça como imaginou. Gosta de luxo e conforto. Mesmo com poucos recursos, acaba arrumando um cantinho bem cuidado e elegante. Mas além disso, sabe valorizar a riqueza interior e tem uma intuição aguçada.
ORQUÍDEA AVENTUREIRA: De extremo bom gosto, espera que suas sugestões estéticas sejam atacadas. Se isso não acontece, pode se tornar intratável. Mas logo passa. Seu sonho é levar uma vida movimentada, cheia de aventuras e, de preferência, num lugar exótico e bonito.
ORQUÍDEA ROMÂNTICA: Adora animais e plantas. É fiel, amoroso e dá grande importância à harmonia. Só precisa tomar cuidado para que não abusem de sua índole pacífica, pois dificilmente consegue dizer não a alguém. Porém, quando briga, se retrai e pode guardar rancor e magoa por muito tempo.
ORQUÍDEA IDEALISTA: Reúne duas características marcantes: beleza e inteligência. Luta desde cedo por sua independência de pensamento e sempre faz o que acha correcto. É confiável, cauteloso, dedicado, discreto. E sabe como tomar as rédeas de uma situação sem que ninguém perceba quem realmente está no comando.



LÍRIO (de 12/07 a 05/08)

Apreciado e espalhado pelo mundo inteiro, o lírio é muito usado em brasões imperiais e como símbolo mágico. Sua imagem está associada à pureza e à nobreza de carácter. Os nativos desse signo também têm muita dignidade - o que lhes dá uma grande capacidade de agir sempre da mesma maneira em qualquer circunstância. Avessos a julgamentos, não tomam partido, preferindo guardar distância para que possam ter uma visão geral e clara do que acontece ao redor.
LÍRIO PRÁTICO: Inabalável, dedica-se de corpo e alma aos seus empreendimentos, fazendo-os florescer. E, mesmo que tudo dê errado, conserva a disposição. Corajoso, naturalmente consegue o respeito das outras pessoas. Mas, com a idade, pode se tornar uma pessoa rígida e amargurada.
Lírio Aventureiro. De temperamento difícil, oscila de um extremo a outro. Gosta de divertir e seduzir as pessoas, e ao mesmo tempo é retraído e tem dificuldade para falar de si. No íntimo, o que mais deseja é encontrar quem vença essa distância e seja capaz de compreendê-lo.
LÍRIO ROMÂNTICO: É o mais sensível e vulnerável dos lírios. Por isso, cria uma espécie de esconderijo interior, reprimido e escondendo seus verdadeiros sentimentos. O problema é que acaba iludindo até a si mesmo e ás vezes nem percebe o que realmente deseja na vida. Só quando quebra essa barreira é que revela toda a sua luz.
LÍRIO IDEALISTA: Esse nativo tem uma longa jornada em direcção ao próprio destino. No início da vida, dedica-se ao mundo exterior, a fim de conseguir uma relativa segurança financeira e a certeza no amor. Depois, sente necessidade de se aventurar pela alma, em busca do que mais procura: ele mesmo.



PAPOILA (de 06/08 a 28/08)

Sempre em cores brilhantes é dela que se extrai o ópio, droga que provoca certo entorpecimento e aguça os sentidos. Seus nativos gostam de viver perigosamente. Alegram-se com tudo e se esforçam para espalhar o prazer à sua volta. Temem apenas o tédio e não se cansam de buscar novas experiências. Aprendem rapidamente, são ávidos por conhecimento e dedicam-se com paixão a tudo o que fazem. Exercem forte atracção sobre o sexo oposto.
PAPOILA PRÁTICA: Apesar de impaciente, pensa bastante antes de tomar decisões, mas, quando o faz, é para valer . No campo profissional, persegue os maiores desafios e obtém sucessos inusitados.
PAPOILA AVENTUREIRA: Simplesmente não pára. Por isso, tentar enquadrá-lo numa rotina ou acomodá-lo a uma situação é sinónimo de briga certa. Sente-se feliz em situações de perigo e é um competidor nato, que sempre surpreende com novas aventuras.
PAPOILA ROMÂNTICA: Vive despedaçando corações com sua alegria contagiante, mas lida mal com a realidade, se ela não for tão colorida quanto imagina em seus longos devaneios. Amante da liberdade, orgulha-se da própria coragem.
PAPOILA IDEALISTA: Eis aí uma pessoa inusitada e surpreendente, cheia de ideias e projectos tão mirabolantes que chegam a assustar as pessoas. Apesar disso, consegue realizar o que deseja.



ROSA (de 29/08 a 23/09)

De origem desconhecida, é a flor mais popular do mundo. E na Atlântida simboliza o desejo de viver intensamente, usufruindo a vida ao máximo. Aliás, seus nativos levam isso tão a sério que, às vezes, até esquecem de si mesmos. São amantes ternos e calorosos, que precisam de alguém capaz de amá-los desinteressadamente. Buscam a plenitude em tudo e muitas vezes colocam obstáculos no próprio caminho, apenas pelo prazer de vencê-los.
ROSA PRÁTICA: Optimista por natureza, extrai lições de cada dificuldade. Possui senso prático, o que faz progredir profissionalmente. Não costuma contar vantagens, mas gosta de ser elogiado. E espera que se generosidade seja retribuída na mesma moeda. Só deve tomar cuidado com sua tendência ao egoísmo.
ROSA AVENTUREIRA: Com classe e elegância inconfundíveis, esse tipo é difícil de se influenciado e só se dedica integralmente a uma actividade se estiver no comando. Severo e exigente até consigo mesmo, precisa controlar o seu lado possessivo no amor e aceitar as pessoas como elas realmente são.
ROSA ROMÂNTICA: Eternamente em busca de um príncipe encantado, sonha com alguém que resolva todos os problemas de sua vida. Por isso, volta e meia está só. No trabalho, porém, não vacila. Mesmo agindo por intuição, é crítico e preciso. E demonstra uma espantosa versatilidade.
ROSA IDEALISTA: Se aprende a ouvir os outros, alcança um grande desenvolvimento interior. Possui imaginação criadora e está sempre bem informado. Também não dispensa alguns prazeres, pois, como todo o rosa, é sensual e desportivo.



CRISÂNTEMO (de 24/09 a 18/10)

É uma das flores mais antigas do mundo e está constantemente associada à justiça e à nobreza de carácter. A missão dos seus nativos, portanto, é lutar pelo equilíbrio e por uma justa distribuição dos bens materiais. Gostam de coisas belas, de roupas elegantes, de organização e de harmonia. Levam o jeito para a diplomacia, mas, às vezes, suas tentativas de "melhorar" os outros provocam alguns atritos .
CRISÂNTEMO PRÁTICO: O desejo de acertar muitas vezes o atrapalha no momento de tomar decisões. De tanto avaliar prós e contras, ele acaba ficando sem saber como agir. Bom organizador, lida bem com as finanças e pode se revelar um óptimo conselheiro .
CRISÂNTEMO AVENTUREIRO: Sujeito a bruscas mudanças de opinião, esse nativo às vezes provoca algumas rupturas indesejadas, as quais, mais tarde tenta reparar. Detesta sentir-se usado e nunca deixa alguém na mão. Honesto e persistente, é talhado para assumir postos de comando ou de confiança.
CRISÂNTEMO ROMÂNTICO: Mais adaptável do que os outros tipos , sabe como lidar com contrariedades . Tem como principal defeito uma certa tendência à fofoca, que compensa com seu grande desprendimento material e seu sentimento de humanidade. E, caso se livre da indecisão, pode realizar grandes obras.
CRISÂNTEMO IDEALISTA: Incorruptível e de raciocínio brilhante , analisa tudo com profundidade e é quase impossível enganá-lo. De espírito alegre, nunca tenta tirar vantagens dos outros e aceita as falhas alheias com a tranquilidade de quem já descobriu que também não é perfeito.



DEDALEIRA (de 19/10 a 07/11)

É uma trepadeira cujas flores formam pequenos cachos, dos quais é extraída uma substância de propriedades medicinais. Possuidores de uma incrível energia vital, seus nativos são pessoas apaixonadas, que querem aprender e vencer na vida. Orgulhosos, não aceitam humilhações nem admitem receber ordens em hipótese alguma. Ao mesmo tempo, são sempre calorosos, gentis e correctos. Muito românticos, interessam-se profundamente pelo ser amado. E também nas amizades mostram-se capazes de uma enorme dedicação.
DEDALEIRA PRÁTICA: Por trás de uma aparência distante e rígida, cultiva o ardente desejo de vencer. É bondoso e cheio de habilidades ocultas. Age sem pressa e nunca foge à verdade. Não gosta de condenar os outros, e um senso de justiça acentuado o impede de levar vantagens.
DEDALEIRA AVENTUREIRA: Entusiasmo é sua característica mais marcante. Cultiva modos suaves e nunca age com falsidade ou mentira. Gosta de falar, é culto, compreensivo e precisa estar em constante evolução para se sentir bem. Além disso, sabe reconhecer quando uma causa está perdida e é hora de sair fora.
DEDALEIRA ROMÂNTICA: Não aceita limitações e possui muita criatividade. Gosta de se cercar de calor humano e de beleza. Tem grande aptidão para a cura e para trabalhos que exijam imaginação. Sem falar numa intuição aguçada, que lhe permite sempre saber o momento certo de agir. Mas precisa controlar melhor suas mudanças de humor.
DEDALEIRA IDEALISTA: Sempre majestoso, não se importa de arriscar tudo em prol de uma causa que considera justa. Não usa meios-termos nem faz concessões a ninguém. Apesar dessa inflexibilidade, vive cercado de pessoas interessantes e sempre conquista o que deseja, inclusive no amor.




ÍRIS (de 08/11 a 12/12)

Com um aspecto que lembra o de um lírio, está flor revela pessoas trabalhadoras, destinadas ao poder e à liderança. Não que sejam autoritárias. É que são mesmo especiais. Possuem um espírito agudo, enxergam além das aparências e sabem convencer. À primeira vista, são também acessíveis e impulsivas, mas é quase impossível descobrir o que lhes passa pela cabeça. Detestam magoar os outros e nunca entram em atritos desnecessários.
ÍRIS PRÁTICA: Inteligente e intuitivo, tem faro para descobrir as melhores oportunidades e quase sempre conquista a simpatia de pessoas influentes. Protegidos pela sorte, nunca duvida de sua capacidade. Tem raciocínio claro e se expressa com elegância, demonstrando grande profundidade de ideias.
ÍRIS AVENTUREIRA: Descontraído e bem-humorado, preza acima de tudo a liberdade. Apesar do eterno tom de brincadeira, transmite com exactidão suas ideias e exige precisão em tudo o que faz. Com sua fé e coragem inesgotáveis, acaba vencedor, inclusive nos romances.
ÍRIS ROMÂNTICA: É quase impossível competir com a simpatia e a inteligência desse nativo cuja simples presença atrai todos os olhares. Mas cuidado: fidelidade não é o seu forte. No amor e nos negócios, precisa sentir-se livre para realizar seus projectos audaciosos e originais.
ÍRIS IDEALISTA: Interessante e esforçado, não deixa que ninguém se aborreça. Sem esforço conquista muitos corações e não é raro que mantenha vários casos ao mesmo tempo. Tem um raciocínio rápido e pula de um projecto para outro com a mesma dedicação apaixonada.



MAN DRÁGORA (de 13/12 a 05/01)

Com raízes que lembram a forma de um corpo humano, essa planta sempre esteve associada à magia, por causa de uma substância que ela produz e que era usada para produzir estado de transe. Assim, também seus nativos buscam influenciar as forças do universo. Por trás de uma aparência geralmente retraída e pouco amistosa, esconde uma alma ardente.
MANDRÁGORA PRÁTICO: Se conseguir relaxar e superar o pessimismo, pode construir uma vida familiar daquelas que só existe em novelas com final feliz. A infidelidade não faz parte do seu jeito de ser, e sua capacidade de compreensão torna-o apto a transformar a vida a dois um eterno romance.
MANDRÁGORA AVENTUREIRO: Apesar de falante e divertido, não abre mão de sua rigidez interior, que, no fundo oculta sua melancolia e seu desejo de poder. É ambicioso, tem tino para ganhar dinheiro e adora viajar. Mas não suporta mudanças bruscas, pois detesta perder o controle das situações.
MANDRÁGORA ROMÂNTICO: Voluntarioso, luta com todas as forças para atingir aquilo que deseja e sempre arruma formas criativas de ganhar dinheiro. Possui intuição afiada. E precisa da companhia de alguém leal e compreensivo, que lhe desculpe a frieza de carácter e a avidez por dinheiro.
MANDRÁGORA IDEALISTA: Ninguém o supera em questões de negócios. No amor, porém, é um tanto inseguro e vacila sempre que precisa tomar alguma decisão importante. Sua honestidade e correcção de carácter costumam ser reconhecidas por todos, o que o faz muito querido.




CAMPAINHA-IMPERIAL (de 06/01 a 02/02)

Com delicadas flores em forma de taça, esta planta gosta de climas amenos e muito sol, embora cresça em qualquer tipo de solo. Aliás, como os seus nativos, que buscam a luz pelos caminhos mais inusitados. Amantes do prazer, têm uma habilidade ímpar para transformar os piores obstáculos em vantagens. Meio distraídos, vivem tendo ideias geniais, mas lhes falta a persistência necessária para levá-las ao fim.
CAMPAINHA-IMPERIAL PRÁTICO: Na juventude é inconstante, interessa-se e se deixa influenciar por tudo e por todos. Até que, de repente, muda. Num piscar de olhos, atinge o sucesso profissional, encontra o parceiro com quem sempre sonhou e mostra-se capaz de muita maturidade.
CAMPAINHA-IMPERIAL AVENTUREIRO: Embora pareça irremediavelmente distraído, vive ligado em tudo. Tem uma compreensão profunda do mundo e adora soltar a imaginação. Nunca dispensa uma viagem e é pouco apegado ao dinheiro.
CAMPAINHA-IMPERIAL ROMÂNTICA: Fascinado por pessoas exóticas e situações inusitadas, vive em busca de alternativas para movimentar seus dias. A rotina lhe parece um fracasso, e não hesita em partir para outro amor, outro emprego e até outro país, quando se sente entediado.
CAMPAINHA-IMPERIAL IDEALISTA: Sonha com o paraíso na terra, mas nem sempre lembra que tudo tem seu preço. Frequentemente apodado de egoísta, vive imerso num mundo interior e assume posturas que podem parecer caprichosas. É que ainda não aprendeu a mostrar o seu grande coração.




FLOR-DE-LÓTUS (de 03/02 a 01/03)

Com um longo caule que se eleva do lodo em direcção ao céu, esta planta aquática é considerada um símbolo de pessoas iluminadas. Seus nativos, apesar de uma aparência rígida, são sensíveis e vulneráveis. Amantes da paz, gostam de ajudar e são capazes de grandes sacrifícios.
FLOR-DE-LÓTUS PRÁTICA: Sonha com um mundo melhor, e luta por isso. Ama a arte e tem "faro" para descobrir talentos ocultos. Também é bom ouvinte e não faz questão de ser o centro das atenções.
FLOR-DE-LÓTUS AVENTUREIRA: Eternamente jovem, pode se dar bem nos negócios e nas artes. Aprecia o risco moderado e é capaz de alguns excessos, em nome do prazer. Quase sempre tolera mal uma rejeição, mas é incapaz de remoer mágoas.
FLOR-DE-LÓTUS ROMÂNTICA: Com sua imaginação brilhante, é capaz de uma dedicação extrema, mas também de demonstrações sentimentais que, de tão exageradas, ficariam melhor num palco.
FLOR-DE-LÓTUS IDEALISTA: Adora discutir e analisar sentimentos e chega a ter um jeito meio espalhafatoso e dominador. Em compensação, aceita bem as falhas alheias e não condena ninguém pelas suas fraquezas. Só que, de vez em quando, precisa ficar em paz para reencontrar o equilíbrio.

(ROUBADITO COM MUITO JEITINHO À PÁGINA DA MILA/MCHANEL, NO NETLOG)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

EDITORIAL: O VANDALISMO SAIU À RUA


(FOTO RETIRADA DO BLOGUE DENÚNCIA COIMBRÃ)







 Ontem à noite passei na nova ponte sobre o Mondego, chamada de Pedro e Inês, e constatei que metade desta passagem pedonal, inaugurada há menos de um ano, metade dela está às escuras. Segundo se consta, foram roubadas várias luminárias que a acompanham ao longo do percurso. Outras foram pura e simplesmente destruidas. A verdade é que nos habitáculos das lâmpadas apenas está lá o sítio. Nos vãos laterais estão também vários painéis em vidro partidos.
Hoje ao ler o blogue “Denúncia Coimbrã”, e atentando nas fotos de um jipe antigo das forças armadas, que se encontra ao fundo das Escadas Monumentais e inserido na exposição “A crise saiu à rua”, queixa-se o articulista que, desde toda a bonecada alusiva à exposição de Maio de 1969, está quase tudo destruído.
Há pouco tempo foi a estátua alegórica a Camões que foi vandalizada. Há menos de um ano, foram as centenárias obras antropomórficas em pedra de Ançã no Jardim da Sereia todas "escavacadas", presumivelmente com um martelo. Ainda no Parque Verde, há pouco mais de um ano, quem não se lembra da destruição do urso, cujo restauro em relva sintética implicou ao erário público uma fortuna?!
Ainda há pouco, por altura da Queima das Fitas, foram vandalizadas várias viaturas na Ladeira do seminário.
Ao longo do país, de norte a sul, é o que se vê. São ATM's vandalizadas, são sinais de trânsito destruídos, pondo em perigo a vida de pessoas, são os constantes incêndios que desbastam a floresta nacional e outros tantos exemplos que poderia dar, mas, para o que pretendo ilustrar, chega.
Ora, perante esta destruição de património, o que se faz? Nada. Absolutamente nada. Parece que este aniquilamento quase maciço de património que é de todos não preocupa ninguém. Já não sei se começar pela educação ainda irá a tempo. Uma coisa se constata: as penalizações legais são brandas. Sinceramente, sem grandes discursos liberais, não sou a favor de um "Estado-polícia", mas muito menos serei a favor de uma organização política lamechas, de brandos costumes, em que, progressivamente os vândalos e os delinquentes, com tentáculos de pandemia, vão tomando conta da nação. O que me preocupa nem é tanto o “passar o tempo” destes “filhos de mãe incógnita”. O que me toca é a displicência e a apatia dos governos que nos têm (des)governado até hoje no desrespeito pleno pela justiça, pela memória e pela obra feita, após o 25 de Abril, que a favor de uma liberdade que ninguém entende, a não ser estes selvagens, vão assobiando para o lado como nada se passasse.
Protegidos pelo manto diáfano da impunidade, estes “touros enraivecidos”, sem se saber muito bem porquê, por onde passam, pior que os animais citados, conspurcam e destroem.
Vamos continuar de braços cruzados? Será esse o nosso papel de cidadão. É que, com franqueza, perante esta anormalidade que começa a ser normal, começo mesmo a pensar que o anormal e inadaptado sou mesmo eu.

BAIXA: MAIS UMA LOJA ASSALTADA





Esta noite, na roleta russa em que a Baixa se transformou, calhou a vez de ser assaltada a loja de artigos de criança “A Pantera”, na Rua da Louça. Este estabelecimento, a funcionar desde 1975, vai encerrar no fim do ano. O "modus operandi" é o mesmo de sempre: um calhau de grandes dimensões contra um vidro e, calmamente, surripiar à vontade. Não há pessoas a passar e muito menos polícias que possoam obstaculizar os arrombamentos.
Segundo a funcionária, Judite Vilela, “o patrão, o senhor Cruz, de 82 anos, já tencionava encerrar. Eu, que de outrora várias funcionárias, sou a última, vejo bem que não dá. Para mais, veja bem no estado a que chegou a Baixa. Este agora assalto que sofremos mostra bem isso mesmo. É uma calamidade. São maiores os prejuízos nos vidros partidos do que o valor das cerca de 100 peças roubadas do expositor junto à porta”.
O estabelecimento não tem nem alarme nem grades de protecção.

REALIDADE CRUEL




“Quinta, 8 Novembro 2007 às 00:07

Quando era menina e pedia um brinquedo aos meus pais obtinha como resposta: " quando houver mais dinheiro e a vida correr melhor, com certeza vais ter"
Lembro-me que a minha primeira boneca foi de trapo, costurada pela minha irmã, naquela máquina velhinha de costura que a minha mãe possuía.
Quando recebi aquele presente das mãos da mana mais velha, saltei de alegria.
Dentro das possibilidades que nos eram permitidas naqueles anos difíceis, o meu pai lá conseguiu colocar-me a estudar, a duras penas é claro, a maioria das vezes tive que pedir folhas de papel emprestadas aos meus colegas de turma, porque não tinha caderno. Aos 16 anos tive que deixar os estudos e lá se foi o meu sonho de ser Enfermeira, mas não dava para mais, e tive que começar a trabalhar num estabelecimento comercial, onde os patrões pareciam comandantes e nós os soldadinhos de chumbo.

Depois de vários anos a trabalhar em comércios da minha localidade, a vender " lençóis e toalhas de praia aos Espanhóis", apareceu a oportunidade de voltar a estudar e não hesitei duas vezes, entrei de cabeça num curso de Técnicos Administrativos, e, para grande alegria minha, no final do curso tinha um excelente trabalho á minha espera: secretária do departamento de exportação numa empresa que por ironia do destino era de Espanhóis. Quando vi o meu primeiro recibo nem queria acreditar, cumpria assim dois sonhos: trabalhar num escritório e ganhar o suficiente para preparar o meu futuro, e assim fui conseguindo adquirir as minhas primeiras coisas pagas com o meu salário; tirar a carta de condução e comprar um carro, e depois alugar uma casa para viver sozinha, afinal com 26 anos é um sonho comum.
Quando obtive tudo isso, senti que de alguma maneira estava a receber a compensação do que me tinha faltado quando era criança, e jurei a mim mesma que se um dia tivesse um filho, jamais permitiria que passasse o que eu passei.
Passaram os anos, conheci o Pedro e foi amor à primeira vista. Após algum tempo de namoro decidimos viver juntos, e no dia 24 de Dezembro de 1999, recebo a feliz noticia de que estou grávida, foi uma alegria para ambas famílias, talvez a melhor prenda de natal para todos.

Tudo corria bem, a vida sorria-nos, ambos tínhamos trabalho estável, até que um dia o tecto derruba na minha cabeça. O desgaste da relação aconteceu e acabamos por nos separar. Logo em seguida a empresa dispensa os meus serviços e lá venho eu parar ao desemprego.

Estive dois anos à procura de trabalho, mas parece que os grandes empresários portugueses não estavam pela labor de me contratar, e começa o meu martírio, contas para pagar, o dinheiro que não chega para nada, uma filha que eu adoro para criar e as lágrimas eram inevitáveis cada vez que me lembrava da minha infância....

Em 2005, vou trabalhar para uma associação, como cozinheira, e conheço lá uma pessoa que tem uma empresa e precisava de uma funcionária para escritório. Como eu tinha os conhecimentos requisitados acabei por ser contratada. Foi um alegria tão grande, o salário era bom e eu podia começar a refazer tudo de novo, talvez até comprar um novo carro, porque o anterior eu tive que vender.

Ao fim de quase dois anos nesta empresa, no passado mês de Outubro por falta de liquidez a empresa resolveu demitir o pessoal, incluindo eu. Ou seja volto ao mesmo martírio de antes: não recebemos os nosso salário e nem direito a receber desemprego tivemos...

Confesso que me passaram milhares de coisas pela cabeça, milhões de loucuras, mas parei e pensei na minha filha que agora tem 7 anos e precisa mais de mim do que nunca...e fui à luta, procurei, perguntei, pedi a amigos que me avisassem se soubessem de alguma coisa. Demorou mas encontrei finalmente um trabalho numa pastelaria, mas a que preço?

Para poder cumprir com o horário estabelecido, vou ter que deixar a minha filha ao cuidado de um casal de primos, vou passar a vê-la apenas uns minutos por dia e à segunda-feira, que é o meu dia de folga, somente algumas horas no final do dia, porque ela está em período escolar…

Não quero ter que dizer à minha filha: " quando houver dinheiro com certeza vais ter", prefiro dizer: "isto ou aquilo, não te dou porque acho desnecessário"


Às vezes eu penso, onde será que eu errei para merecer agora um castigo tão grande, a minha filha é o que mais quero neste mundo, mas jurei que nunca lhe faltaria nada e por ela vou-me sacrificar, mesmo que isso me parta o coração em dois... sei que vou sofrer como uma condenada. A ausência dela vais ser cruel demais até para uma pessoa forte como eu... mas nada posso fazer a não ser agradecer a Deus cada dia da minha vida pelo que tive, o que não tive e o que ainda posso vir a ter....porque eu acredito que um dia a sorte vai sorrir para mim, para eu poder dar à minha filha um futuro maravilhoso... afinal tenho apenas 39 anos e muitos mais pela frente!

Sei que infelizmente não sou a única no nosso País a passar por esta situação, nem quero com este desabafo obter pena ou lástima de alguém, apenas deixar a mensagem de que esta vida pode ser realmente muito cruel, mesmo para aqueles que algum dia pensaram que tinham tudo...”

(Texto de Amarília Mota, de Caminha, Viana do Castelo. Com a devida vénia, retirei-o do Netlog. À sua autora, o meu agradecimento, esperando que não leve em conta o abuso de confiança)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

QUEM OFERECE UM LUGARZITO?





Vai haver eleições daqui a pouco,
preciso de um lugarzito generoso,
faço qualquer coisa, até de louco,
posso ser verdadeiro ou mentiroso,
enfiar máscara custa mesmo pouco,
nos biscates, sei que até sou jeitoso,
estou farto de gritar, já estou rouco,
ninguém me ouve, pareço silencioso;
Nunca estive preso, nem no Tarrafal,
morreu Salazar era só adolescente,
foi feriado, num desastre ocasional,
rios de choro, abraços de muita gente,
foi o vinte e cinco, vi então o marechal,
sempre a trabalhar, quase sofregamente,
nunca fui ao comício junto ao maralhal,
não tenho partido, errei, evidentemente;
Com modéstia, eu até sou um bom rapaz,
cá na rua, dizem que tenho bom coração,
não gero conflitos, só quero mesmo paz,
sou um bocadito burro, um pouco murcão,
isso é uma qualidade, me mostra ser capaz,
cumprir ordens, sem questionar, pois então,
quero é um emprego, seja lá, tanto me faz,
desde que não sue, e ganhe muito, sou um Ás.

SOLIDARIEDADE PARA UM CANDIDATO PRETERIDO






Segundo o Diário de Coimbra (DC) de hoje, em título, “Castanheira Barros exige ser deputado por Coimbra”.
Continuando a citar o DC, “Castanheira Barros manifestou ontem publicamente “desagrado” por não fazer parte da lista de 25 elementos candidatos a deputados pelo distrito de Coimbra. “Foi com surpresa que verifiquei que a lista não incluía o meu nome, pois sempre esperei que o doutor Pedro Machado o propusesse”.
“O advogado exige mesmo “o 2º lugar na lista de candidatos”. A reivindicação não chega ao lugar de cabeça-de-lista apenas porque Paulo Mota Pinto “é vice-presidente e é tradição ser a Comissão Política Nacional a indicar todos os cabeça-de-lista”. “Não reconheço que o doutor Paulo Mota Pinto tenha feito mais pelo partido que eu”, acrescentou.”
“Castanheira Barros considera que merecia um lugar de destaque na lista, uma vez que desenvolveu “larga acção” ao longo da legislatura que agora termina. O advogado fez-se acompanhar por seis dossiers que ilustram alguns dos temas quentes onde teve uma palavra a dizer, como, por exemplo, a luta contra a co-incineração de resíduos perigosos, o caso Freeport, Metro do Mondego, encerramentos de maternidades, “as contradições do Governo Sócrates e respectiva política ambiental”, entre outros.”
Continuando a citar o DC, “Desafio os 25 candidatos meus companheiros de partido, e pessoas que muito prezo, a demonstrarem que superaram a oposição que exerci a José Sócrates, ao seu Governo e ao Partido Socialista”, incitou o advogado de 57 anos, que considera que “não faz sentido esperar até aos 61 para ser deputado”, extracto retirado do DC de hoje.
Antes de mais, colega –permita-me tratá-lo assim, porque estamos imbuídos da mesma infelicidade-, só não estou siderado pelo abandono a que foi votado pelo partido porque eu, palavra de honra, estou pior. Acredite o colega que eu, que já dei porrada em todos os partidos, desde a direita à esquerda, já me envolvi –como quem diz, eu a falar sozinho- em lutas várias, cá na terrinha, contra todas as cores políticas. E, veja lá! Nenhum dos partidos me convidou para deputado. Já viu esta falta de reconhecimento? Como vê, o colega, só tem a dizer mal do PSD, eu, pelo abandono de todas as cores partidárias, estou muito pior.
Mas há mais: o colega é advogado, que, mesmo com a grande concorrência que atravessa a sua classe, apesar de tudo, calculo, lá vai vivendo. Agora, repare em mim, eu sou um pobre comerciante, quase falido. Desses de rua, que já merecem menos respeito que os indigentes. Sim! É verdade. Menos respeito, saberá o colega porquê? Porque aos olhos da maioria qualquer comerciante, que depois de virado ao contrário não deixa cair uma moedita de um euro, continua a ser acompanhado do anátema de “grande capitalista”, está a ver o colega? Vale mais desistir da actividade e ir para a rua pedir! Estou certo ou estou errado? Somos uma espécie de viscondes na transição da monarquia para a República, em 1910. Está ver, o colega? “Viviam” apenas do título e do estatuto.
Numa coisa estamos quase iguais: eu tenho 52 anos. Diga-me, não é a idade ideal para ir para o Parlamento defender a Nação? Claro que é. Mas esta gente dos partidos, que só querem para eles, não querem dividir connosco umas migalhitas. Egoístas de uma figa! É o que eles são. Palavra, pela alminha da minha avozinha que me dá cá uma gana…ai se os apanho!...
Como eu o compreendo, colega. Olhe lá, e se nós fundássemos um partido político? Poderia ser, por exemplo, o PDDB, Partido dos Descontentes com a Distribuição de Benesses. O colega seria o secretário-geral, por inerência, o futuro primeiro-ministro da nação, eu o presidente do partido. Tratava dos “negócios” com a classe económica…está ver?

SECO ESCORREGA NO CHOUPAL





 A plataforma do Choupal organizou, ontem, pelas 21,30, na Oficina Municipal de Teatro, mais concretamente no espaço do Teatrão, um debate entre os candidatos partidários sobre o tema “Coimbra, o Choupal e o IC2”.
Estiveram presentes os candidatos, Pina Prata, independente, pelo Bloco de Esquerda, Catarina Martins, candidata à Câmara, e Serafim Duarte, candidato à Assembleia Municipal. Pelo PCP/CDU, esteve Francisco Queirós, candidato ao executivo. Pelo PS, esteve Álvaro Maia Seco, candidato à Câmara Municipal, e Helena Freitas, candidata, pelo PS, à Assembleia Municipal. Os candidatos pelo PSD, respectivamente, Carlos Encarnação e Manuel Lopes Porto, pela autarquia e Assembleia Municipal, não compareceram. Na mesa, para além de Luis Sousa, representante da Plataforma do Choupal, esteve também uma jornalista do jornal Campeão das Províncias a moderar o debate.
Esta tentativa de esclarecimento, com perguntas formuladas aos candidatos, à partida, estava “viciada”. Não porque qualquer concorrente oposicionista ou a plataforma contribuíssem para o desequilíbrio, mas, sem que nada o fizesse prever, Álvaro Maia Seco, enquanto mentor do projecto de atravessamento no Choupal pelo IC2, em 2003, ficou, neste debate, com o ónus da responsabilidade de tal obra de engenharia. Ou seja, enquanto os outros concorrentes estavam livres, e flexíveis, para sugerir outras propostas, Maia Seco, enquanto gerador da paternidade do projecto, psicologicamente, estava amarrado. Como alguém disse na assistência, em debate público, este candidato estava ali em desvantagem. Metaforicamente, na mesma pessoa, estava ali a representar o diabo e o seu advogado.
E o problema é que não soube lidar com a situação. O candidato do PS surgiu ali, perante uma assistência de cerca de três dezenas de pessoas, como um técnico arrogante, pouco polido, tenso, irascível e sem conseguir conquistar a assembleia. Teve uma prestação deprimente.
Contrariamente, Helena Freitas, quando questionada acerca de um parecer do seu colega biólogo Jorge Paiva, com uma humildade incrível, disse aceitar as razões do especialista em botânica. Simpática, simples, directa, esta mulher conquistou todos –pelo menos a mim, completamente.
Com toda a franqueza, tenho muita pena que o Partido Socialista não a tenha escolhido para candidata à autarquia. Este deveria ser o seu lugar. E, quase apostava, vencia a eleição. Se ainda for a tempo –legalmente é, assim o queira o órgão superior do partido-, o PS que corrija. Álvaro Maia Seco passa para candidato à Assembleia Municipal e Helena Freitas para candidata a presidente da Câmara Municipal.
Quem esteve neste debate que fale por si. Esta professora universitária, provavelmente sem o saber, tem uma força intrínseca e imanente, acompanhada de uma persuasão de humildade espectacular, de simpatia, que convence sem grande esforço.
Eu votava nesta mulher. Fiquei completamente convencido. Infelizmente, –pelo menos parece-, é uma força mal aproveitada, se o PS persistir neste erro de “casting”. E pode ser que me engane, mas vai pagar caro.
Tenho muita pena que a cidade, mais uma vez, perca, por avaliação descontextualizada.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

É PRECISO SABER SEPARAR O TRIGO DO JOIO






Segundo o Jornal Público de ontem, aluno passou com 9 negativas. “Não é caso inédito, mas não deixa de ser raro, com admite Augusto Sá, director do Agrupamento de Escolas de Monte da Ola, em Darque, Viana do Castelo. No final do 3º período, o conselho de turma reuniu, cada professor deu a sua nota e, no caso de José, o balanço era negativo. Augusto Sá nota, contudo, que para decidir se um aluno “passa” não basta “somar” as positivas e as negativas. “Há um percurso, há um contexto, há uma família…” E a decisão de “passar” José “teve em conta” tudo isso”-in jornal Público de ontem.
O que pensa o leitor da decisão dos professores da escola de Darque? Um escândalo, não acha? Onde é que já se viu isto? Do total de 14 disciplinas, ter negativa a 9 e passar de ano? Estamos na Conchichina, ou quê? E, ainda por cima, a falarem na família, o que tem a “gota a ver com a perdigota”? A lei é para se cumprir e mais nada! Uma coisa destas é impensável. Só é admissível num país de terceiro-mundo. Não acha?
Se achou bem o que eu escrevi, se concordou comigo, fez muito mal. Só não o despeço de leitor diário deste blogue porque…preciso de si. Se não fosse isso, você havia de ver para onde o mandava…seu intolerante. Seu insensível. Então, não é você que passa a vida a protestar contra os burocratas exegetas que só funcionam com a letra da lei? Não é você que diz que estes tabeliães são perigosos? Que não têm coração, nem pinga de humanidade? Que em vez de avaliarem pessoas deveriam, antes, avaliarem máquinas?
Então, e agora que, felizmente, neste acto, aparecem professores de bom senso, você vai atrás da carneirada e condena-os sem pensar? Olhe lá, seu troca-tintas, tenha dó. Faça mas é o seguinte: erga as duas mãos –isso mesmo!- agora, comece a bater palmas. Continue, até eu dizer para parar…

UMA CHUVA INCÓMODA CAI NA CIDADE




Hoje chove na cidade. Mostra que o tempo também chora,
os transeuntes, de passo apressado, sempre a evitar,
grossos pingos de água, pensam, “nada melhora”
até o verão, tão nosso amigo, agora, parece gozar,
fazendo máscaras de sofrimento de dor, perora,
sobre a melhor forma de, sem dó, nos fazer penar;
Idalina, cadela rafeira, debaixo do toldo, resmunga,
é difícil tratar da vida com sol, quanto mais a pingar,
estraga-me a toilette, a minha franja loura –e funga.
Marcolino, o lindo gato da Lurdinhas, está a suspirar,
“Ermelinda, minha gatinha, quero ver-te”, comunga,
“Ai esta chuva, enfadonha, que não há meio de passar;
Manel, à porta da loja, arranhando na cabeça, a pensar,
se continua assim, tempo acinzentado, não vou vender,
as modas são um problema, passam a monos num piscar,
por que vim para o comércio, tanto me hei-de arrepender,
podia ter sido artista, músico, doutor, já me estou a fartar,
é uma vida de ansiedade, de insegurança, só me faz sofrer;
Armandolas, engatatão, polidor de esquinas, está descontente,
gosta de mulheres despidas, cheias de calor, parecem esfriar,
pode este trabalhador, com esta chuva, ter uma vida decente?
Claro que não. Se o tempo continua com fífias, vai mas é gamar,
Mas quem? Anda tudo embrulhado em si, o vício que aguente,
espera por amanhã. Pode ser que o tempo venha a melhorar;
Gustavo, um sem-abrigo, pensa no Rendimento de Inserção.
Retiraram-lho. Como vai agora comer uma sopa, qualquer coisita,
já está habituado a dormir no chão, mas ao menos uma refeição,
bem reza todos os dias, vai à Igreja, fala a Deus na marmita,
o Senhor não lhe liga, o padre não escuta, ora mais uma oração,
o trabalho cansa, a vida é bela, a fome é negra, é uma desdita.

UMA IMAGEM AO ACASO...

UMA IMAGEM AO ACASO...

DOUTOR SORRISOS





 Era terça-feira à noite de um dia destes de Julho. Estava naqueles dias em que sentimos o peso do mundo sobre os ombros. Uma angústia que teima em não largar a nossa envolvência. É a crise mundial, são as nossas dificuldades estruturais nacionais, é a cidade que, como cana no canavial, balança para um lado, balança para outro, mas não sai do mesmo sítio. É o meu cão, raio do rafeiro, que teima em tornar-me a vida impossível. Rói tudo a eito. Começa na vassoura, vão os chinelos, os gatos e até as galinhas. Fogo! Só preocupações!
Neste oceano de maldições em surdina, “peguei” –como quem diz, roguei, encarecidamente- na minha “cara-metade” e convidei-a a ir beber um café ao Parque Verde da cidade. É que, para mim, sempre foi assim. Um extenso lençol de água, como o mar, um lago, ou um rio, relaxa-me profundamente. Então, se for ao entardecer, com o sol a estender-se ao comprido com os seus raios sobre aquela manta brilhante de água resplandecente, a formar um raio de luz, desde o ponto onde nos encontramos, até ao astro-rei, lá longe, no horizonte, provoca-me uma espécie de clímax espiritual. Posso estar muito angustiado, cheio de ansiedade, mas, perante aquele quadro sublime de rara beleza da natureza, sinto, todas as tensões a esvaírem-se como fluídos a saírem do meu corpo e a entrarem naquela projecção avermelhada, em forma de espelho, como se, hipoteticamente, fosse emanada de Deus.
Sentámo-nos então numa daquelas bonitas esplanadas do Parque Verde, em frente ao rio Mondego, com a encosta de Santa Clara em fundo e vários barcos brancos de recreio, à vela, ancorados, como se nos convidassem a saborear aquelas águas benditas, nascidas e vindas da Serra da Estrela. Apesar de ser dia de semana, quase todos os lugares estavam ocupados. Encontrámos uma mesa junto a um casal de brasileiros de meia-idade. Pela proximidade, naturalmente, tínhamos de ouvir as suas conversas. Volta e meia, no meio de uma explanação, o homem sorria. A mulher acompanhava-o com trejeitos de felicidade no rosto.
Às tantas, a senhora levanta-se e coloca-se a jeito, com os barcos ancorados em fundo, para o marido lhe tirar uma foto. Eu ofereci-me para lhes servir de fotógrafo ocasional. Pronto! Estava dado o mote para uma longa conversa de duas horas sobre o mundo político que nos rodeia.
Começámos, na América do Sul, naturalmente no Brasil, em Lula da Silva, subimos para norte e parámos no Canadá, que apesar de ser um país recente, apostou tudo na educação. Segundo o meu novo amigo Levon, que é médico, tudo deveria começar aqui. Em vez de os governos continuarem a subsidiarem os cada vez maiores buracos da saúde, a seu ver, deveriam apostar na educação desde a infância. É nesta disciplina, transversal ao “modus vivendi” da humanidade, que tudo começa. “Não se é só saudável através de nascimento. Também se aprende a evitar as doenças, e é aqui que os governos falham clamorosamente. O Canadá, ao apostar na educação precoce, é um bom exemplo”, enfatiza Levon.
Ainda na América do Norte, deixamo-nos deslizar um pouco, e entramos nos Estados Unidos, que Levon conhece muito bem. A nossa conversa recai sobre o novo inquilino da Casa Branca, Barack Obama, e na sua importância para o globo. Falamos dele como o novo timoneiro do navio da esperança do mundo. Se a embarcação submergir poderá vir uma nova catástrofe económica de consequências intermináveis. Levon acha que não. Obama é, e será, um bom presidente dos “States”.
Ilusoriamente tomamos o avião e aterramos na Europa. A nossa conversa debruça-se agora sobre esta amostra de estadistas sem carisma que, actualmente, é transversal ao nosso Continente. Cortamos na casaca na maioria, com incidência em Sílvio Berlusconi e Nicolás Sarkosi. Pedimos meças com Charles de Gaulle. Levon, o meu amigo brasileiro, acabou de chegar a Portugal, vindo de França de um congresso sobre Geriatria. Segundo as suas palavras, corroboradas pela esposa Vanda, aquele país, pátria de Astérix, não é mais a nação ordeira e limpa que conhecemos há meia-dúzia de anos. Hoje as ruas estão permanentemente sujas. O outrora Metro seguro, limpo de pedintes, nos nossos dias, é apenas uma miragem. Está tudo muito sebento. A França está decadente, acentuam com ênfase.
E Portugal, interrogo com curiosidade, como o vêem? “Excelente”, ratificam em coro. Embora seja a primeira vez que visitam o nosso país, estão surpreendidos com a limpeza das cidades, com o trato das gentes e da sua alegria que notam nos portugueses. Acham, mesmo isso? Interrogo, um pouco incrédulo. Sabem que, nos últimos anos, devido a sucessivas crises estruturais do país, nós, progressivamente, nos tornámos mais taciturnos? Fomos perdendo o riso, como se a nossa alma passasse a ser um fado triste de saudade. Tento justificar a minha admiração.
“Não diga isso. Tristeza, mesmo a sério, sentimos em França, no rosto das pessoas. Aqui não. É como se os naturais estivessem permanentemente em estado de felicidade”, teimam os dois, no mesmo ponto de vista.
Estiveram em Lisboa, gostaram imenso da cozinha tradicional portuguesa. Das tasquinhas do Bairro Alto e do seu fado castiço. “Que bonita que é Lisboa! E tão limpa! Onde comemos, nos restaurantes, víamos a limpeza. Inclusive das casas-de-banho. Em França, nalguns, chegámos a sentir nojo”, corroboram, como se estivessem em êxtase.
E Coimbra, o que acham da cidade? Um dos principais queixumes que se ouve é de que, do ponto de vista turístico, a cidade não oferece uma oferta variada a quem nos visita. O que acham disso? Interrogo. Nem pense nisso! Estamos aqui há dois dias e ainda não parámos. Há tanta oferta. Ai e então a Biblioteca da Universidade? Que coisa linda! Como só vamos estar cá dois dias –amanhã iremos para o Porto-, não tivemos tempo de ver tudo. Há aqui tanta coisa boa para ver…e comer. Ontem fomos à “Malhada” –Mealhada, atalho eu- comer leitão. Fomos ao “Pedro dos Leitões”, foi-nos recomendado no Brasil. Ai que bom! Logo que possamos vamos voltar aqui. Queremos ver e ouvir o vosso fado de Coimbra, tão famoso além-mar. Gostámos imenso da cidade. É muito limpa. É tudo tão convidativo”, dizem-nos sempre intervalado por sorrisos abertos de orelha-a-orelha.
Interessante, a vossa forma de comunicar. Sempre a sorrir, constato eu. Sou interrompido por uma gargalhada do Levon. “Sabe como me chamam no hospital onde presto serviço, em Santos, a 60 quilómetros de São Paulo? “Doutor Sorrisos”, é assim que me tratam lá”. Despedimo-nos com um grande abraço e no meio de gargalhadas. Saí do Parque Verde completamente bem-disposto. Obrigado, Levon e Vanda. Boa Viagem até terras de Vera Cruz. Voltem quando quiserem. Como embaixador virtual do país, da cidade, receber-vos-ei de braços abertos. Gostámos muito de falar convosco. Recebemos uma lição. Andamos tão embrenhados nos nossos problemas que até nos esquecemos das coisas boas que temos aqui.

terça-feira, 21 de julho de 2009

"PINA PRATA EXPULSO DO PSD"





Segundo o Campeão da Províncias online (CP), Horácio Pina Prata (HPP), actual vereador e candidato a candidato independente à presidência da Câmara Municipal de Coimbra, foi expulso de militante PSD.
Ainda segundo o CP, “a decisão foi tomada pelo Conselho de Jurisdição Distrital de Coimbra do Partido Social-Democrata, órgão presidido por Fernando Alves Correia, ex-juiz do Tribunal Constitucional”.
“Candidato derrotado, há três anos, à liderança da Comissão Concelhia do PSD/Coimbra, Pina Prata entrou em rota de colisão com Carlos Encarnação (CE), sendo que o vereador foi destituído da vice-presidência da Câmara local. O edil pediu a suspensão do vínculo àquele partido, pouco tempo antes de se assumir como candidato independente à liderança da autarquia”, reza assim o CP online.
Antes de continuar, vou ressalvar duas questões de interesses que aparentemente poderão parecer conflituais: em 2002, votei em CE para presidente da autarquia e, agora, subscrevi a lista de assinaturas de HPP.
É natural que o PSD esteja preocupado com a candidatura de HPP. Não tenho dúvida nenhuma de que, a ser certa, esta candidatura vai cindir a meio o universo de eleitores que, sem HPP, votariam em CE, recandiadato anunciado pelos laranjas.
Continuando a expressar a minha opinião, uma coisa sei: nas próximas eleições de 11 de Outubro, não votarei nem em HPP, nem em CE. Não vou aqui dissecar as minhas razões. Neste momento, de período pré-eleitoral, para além de ser anti-ético, é despiciendo, tendo em atenção a minha pouca importância –e proporcional grau de influência para quem me lê.
Sinceramente, ainda não sei em quem votarei. A ver vamos.
Pode até parecer contraditório o facto de eu ter subscrito a lista de assinaturas necessárias para a candidatura de HPP. Pode, sim senhor. Mas, para mim, não é. HPP, no seu interesse, legítimo, diga-se a propósito, quase sem se aperceber, está a prestar um elevado serviço à cidade. E, sem entrar em contradição com o que escrevi atrás, não esmiuçando farpas contra o actual presidente da autarquia, CE, tenho a certeza que a entrada em cena de HPP, veio baralhar completamente um jogo que à partida estava ganho pelo candidato do PSD.
E o que ganhará a cidade, com a entrada em eleições de HPP? Muito. Vai permitir que os votos se diluam pelas várias urnas dos, até agora, cinco candidatos à câmara.
Se por um lado, o PS, parece, ter apresentado um bom candidato, o mesmo se poderá dizer do PSD, e, igualmente, o independente HPP. Já os partidos pequenos, Bloco de Esquerda, PCP, CDS/PP, e PPM (estes dois, que ainda não apresentaram candidato), continuam a concorrer apenas para ganharem uns lugares na Assembleia Municipal. Com todo o respeito por eles, os candidatos que estes micro-partidos continuam a apresentar não são suficientemente conhecidos na cidade para ganharem. Dá impressão que pretendem apenas cumprir calendário e mais nada. E é pena esta pouca ambição política, porque as eleições autárquicas, na generalidade, pouco terão a ver com os partidos. Os eleitores votam nas pessoas em quem acreditam. Estes partidos, ao partirem derrotados para a contenda eleitoral, também sem o quererem, estão a prestar um mau serviço político/partidário à “polis”.
Uma coisa é certa, teremos em Outubro uma boa luta. E tudo graças a HPP. Ainda bem. Parafraseando Luís Cortês –o músico de rua que, diariamente, costuma dar espectáculo no largo do “Bota-abaixo”-, no “Hino ao Candidato”, por si escrito e musicado, “Eu prometi que deixava/ a minha assinatura consigo/ Pina Prata, obrigado/ para mudar Coimbra, acho, chegou altura”.
Viva HPP. Hurra! Hurra!..

segunda-feira, 20 de julho de 2009

BAIXA: MAIS DUAS CASAS ASSALTADAS




Esta última noite, de Domingo para segunda-feira, segundo parece, foram assaltados mais dois estabelecimentos.
Um deles, o de maior vulto, teria sido o Café Angola, no Largo das Ameias, de onde, através de arrombamento, foram roubados cerca de 3000 euros em tabaco.
Seria bom que os comerciantes pensassem em se proteger através de grades e alarmes de protecção. Caso contrário, iremos assistir, por um lado, a mais assaltos, por outro, os lesados, como à espera de quem não prometeu vir, a continuarem a apelar à protecção da PSP, como se alguma vez esta chegasse.
São os tempos que correm, em que vale a pena ser assaltante. Quem trabalha é que está linchado. “that’s life”…

O BAPTISMO DE JOANA




Era um dia de Julho acalentador,
em que até um anjo se protegia,
ai Joana, que se sentia, tanto calor,
na Igreja dos Olivais, tanta alegria,
nos teus protectores, tanto amor;
Teu pai, João, ria, estava contente,
Graça, tua mãe, sorria, esfuziante,
teus avós, ternos, a alma não mente,
vaidosos, achavam tudo interessante,
dia especial para o mais novo parente;
Tu, Joana, estavas alheia, sem sentir,
ora, calma, parecias não te importar,
displicentemente, continuavas a dormir,
sem música, sem necessidade de embalar,
gozando, em sono profundo, parecias sorrir;
O Padre, em sinal na testa, bem te acordava,
convidava a oração, em gesto, na pia baptismal,
teu tio “Manel”, no silêncio do templo, pensava,
voltar um dia, de vez, a esta terra, a este Portugal;
A festa foi no subúrbio, naquela casa velhinha,
em terra de Santo, homem paciente, Martinho,
agora, depois de uma plástica, está toda pintadinha,
em tão boa companhia, bem regada com tintinho,
ai que bonito que foi, Joana, foi mesmo uma gracinha;
Agora, espero outra festa, que não seja o teu casamento,
já tenho saudades de ontem, da chanfana e do leitão,
faz depressa anos, Joana, para viveres a mocidade,
e obrigar o teu pai pagar qualquer coisa, pois então,
caso contrário, “coça para dentro”, com grande vontade.

BAIXA: DEPOIS DE PORTAS ARROMBADAS PREOCUPAÇÕES INDIVIDUAIS DOBRADAS




 Hoje, em título de “caixa-alta”, o Diário de Coimbra (DC), na primeira página, noticia: “Baixa de Coimbra –Comerciantes preocupados com vaga de assaltos”.
Na segunda página, em desenvolvimento, conta-nos o DC que a “Loja Jorge Mendes foi vandalizada ontem de madrugada. É pelo menos o quarto assalto na última semana. Proprietários lamentam inércia da polícia”.
Continuando a citar o DC, “A Praça do Comércio tem sido um alvo preferencial dos ladrões. As investidas constantes, recorrendo sempre ao mesmo método, estão a deixar os comerciantes locais frustrados. Os responsáveis dos estabelecimentos acusam a polícia de não conseguir controlar a situação. “A secção de tapeçarias da Loja Jorge Mendes, Ldª, foi o último alvo, na madrugada de ontem. “Assaltaram a caixa registadora e levaram dinheiro, mas pouco. Levaram também dois ou três tapetes e tapeçarias”, lamentou Miguel Mendes”.
Vamos por partes. O lamento deste comerciante é fundado e com carradas de razão? É, sim senhor! É verdade que, durante a noite, não há policiamento no centro histórico. É verdade que todos os comerciantes, há mais de um ano, andam com o “coração nas mãos”. Tenho a certeza que muitos como eu –que já fui assaltado três vezes- sempre que, durante a noite, toca o telemóvel, esperamos ser da central de alarmes com o quase habitual recado: “é para avisar de que o alarme no estabelecimento foi accionado. Já avisámos a PSP”.
Portanto, eu, mais do que muitos que ainda não foram assaltados, tenho obrigação de compreender os queixumes destes comerciantes e, naturalmente, colocar-me ao seu lado, mas, há um “mas” que não posso deixar passar em branco.
A vaga de assaltos –mas mesmo verdadeiramente onda- começou em Setembro de 2007 até Agosto de 2008. Chegaram, por noite, a serem assaltados quatro estabelecimentos. A “Tasca da Graça”, neste período de um ano, foi atacada 15 vezes –sim, não me enganei, foram mesmo 15. De tal modo foi catastrófico que este estabelecimento encerrou.
Não gosto muito de falar em meu nome, mas aqui não posso evitar. Nessa altura, através dos meus escritos no DC e no Diário as Beiras, fui denunciando esta insegurança crescente. Assim como na rádio e na televisão. Fui duas vezes à Assembleia Municipal e duas vezes ao executivo camarário. Em Outubro, último, juntamente com quarenta colegas fomos ao executivo mais uma vez. Sendo, no dia seguinte, recebidos pelo actual governador Civil e pelo então comandante da PSP, Bastos Leitão, agora em Setúbal, em comissão de serviço. Comprometeu-se então, nessa altura, Henrique Fernandes, o governador Civil, a estudar a situação e, no âmbito do “Contrato Local de Segurança” –uma nova portaria, criada entretanto pelo governo- no prazo de um mês, a reunirmos todos para reavaliar a situação e encetarmos novas medidas. Até hoje. Nunca mais fomos chamados ao palácio da Couraça.
Ainda, nessa reunião, contra-argumentando, perante o governador Civil, Henrique Fernandes, dizia então aquele senhor Intendente da PSP, que apesar de ter conhecimento, através dos jornais, dos assaltos, a verdade é que naquela polícia, oficialmente, não existiam participações dos lesados. Ora, segundo o então comandante, sem participações nada feito. Como poderia ele disponibilizar meios de segurança, e justificá-los perante o director Nacional, se não tinha dados?
Pois agora, vejam isto: cá o “bacoco”, sozinho, durante semanas, andou de loja-em-loja, aqui na Baixa, a recolher as participações dos últimos dois anos e foi entregá-las na PSP. Evidentemente que esta canseira de pouco valeu, porque, verdadeiramente, nunca a PSP esteve minimamente interessada em colocar aqui mais meios de segurança.
E agora, depois de subir esta montanha de argumentos, estou a chegar onde queria. Perante o alarde reivindicativo, que estava a ser feito perante as autoridades responsáveis pela segurança da “polis”, o que diziam os comerciantes que até aí ainda não tinham sido assaltados? O impensável. “Que pessoas como eu, ao denunciarem os assaltos, estavam a destruir a Baixa. Que o que estava a acontecer era transversal ao país, e, além de mais, nem havia assim tantos assaltos no centro histórico como isso”.
Um dos comerciantes de ourivesaria, com dois estabelecimentos de venda de ouro, até foi ao cúmulo de dizer que, “aqui não havia insegurança nenhuma. Eram apenas invenções”. Ele, segundo as suas declarações, “durante o dia, até transportava ouro entre as suas duas lojas”. Uma pérola, estas declarações.
O tempo foi passando, algumas destas pessoas, nesta roda que toca a todos, foram assaltados, e agora, curiosamente –pasme-se, ou talvez nem tanto-, como foram apanhados na curva do destino, vêm agora reivindicar medidas de segurança. pedindo ajuda, que não deram aos colegas que tanto precisaram dela, como o caso da Dona Graça, que, entretanto, encerrou.
Por muito que me custe –têm mesmo de me desculpar, e sobretudo você leitor- vão “bardamerda” mais os seus lamentos tardios.

sábado, 18 de julho de 2009

DISCORRENDO SOBRE UMA SENTENÇA JUDICIAL


(IMAGEM DA WEB)




 Há dias, mais exactamente no dia 16 deste Julho, assisti à leitura da sentença de Vitália Ferreira (VF) no Tribunal de Coimbra. Esta senhora estava acusada de cinco crimes de difamação e ofensa a pessoa colectiva, deduzida por acusação particular por uma firma que, legitimamente, se sentiu ofendida e, avocando o seu direito, demandou VF.
Para que o leitor possa compreender melhor, num dos crimes de difamação, estavam em causa declarações de VF feitas a uma jornalista do Diário as Beiras e reproduzidas naquele diário da cidade em 19 de Janeiro último.
Sem entrar em grandes pormenores que, para aqui, considero despiciendos, em plena sala de audiências, ao ler a sentença, a juíza, nos seus considerandos, foi relatando a absolvição da ré em quatro crimes de difamação. Quando chegou ao quinto, de que VF ia acusada, disse isto: “Embora compreenda a sua luta por interesses legítimos” –razões que estiveram na base das presumíveis ofensas-, mas…excedeu-se”.
Disse ainda a juíza: “(…) que embora não ficasse totalmente provado de que a senhora (VF) tenha mesmo feito estas afirmações à jornalista, se elas (as afirmações) foram publicadas entre aspas, devemos partir do princípio de que realmente a senhora as fez. Por que razão iria a jornalista escrever uma coisa que a senhora não disse? O que teria ela a ganhar com isso?”.
Antes de prosseguir, gostaria de fazer duas ressalvas de interesses. A primeira, o que me leva a escrever este texto é apenas tentar (eu próprio) uma reflexão sobre a justiça, neste caso concreto, a sua aplicação. Não gostaria que este escrito fosse entendido como uma forma subliminar de influenciar quem que seja, porque não concordei com a sentença. Nada disso. A minha intenção é meramente de reflexão sobre este caso “sub iudice”.
A segunda ressalva: conheço as partes intervenientes neste processo de apuramento da verdade dos factos que deram origem à demanda. Ou seja, conheço pessoalmente a jornalista do Diário as Beiras, por quem tenho grande estima, e tenho a certeza absoluta de que, diariamente naquele jornal, faz um trabalho sério em busca de um jornalismo que se impõe na cidade. Leio diariamente o que escreve no órgão de comunicação onde trabalha. Acredito nela e no seu brio profissional.
Conheço também VF, embora sem grande familiaridade. Por ter uns familiares na Rua Padre António Vieira, tenho acompanhado, quer através dos jornais, quer na assembleia municipal, quer ainda no executivo da Câmara Municipal, os seus legítimos gritos de revolta contra uma situação infame que se prolonga há mais de um ano. Ou seja o barulho ensurdecedor emanado de um bar pertença da AAC, Associação Académica de Coimbra, e que, segundo as declarações dos meus familiares, não deixa dormir ninguém nas proximidades.
Tergiversando sobre uma sentença judicial, poderemos dizer que para que ela aconteça tem de estar reunidos vários pressupostos, como por exemplo, uma queixa contra alguém, por dano, na(s) polícia(s) ou Ministério Público. Haver um processo, em que são invocadas as razões do ofendido e agressor, e então, em clímax num palco de um qualquer tribunal, na falta de acordo inter-partes ou desistência do queixoso, o julgamento judicial, com o contraditório, na acareação ou confronto dos litigantes envolvidos no processo em apreço. Coadjuvado na procura da verdade pelo delegado do Ministério Público, Com base no desenvolvimento do julgamento, isto é, nas declarações prestadas pelo ofendido, agressor, testemunhas e alegações dos advogados de cada uma das partes e outros indícios considerados relevantes, o juiz, perante as provas apresentadas, vai formando uma presunção de inocência ou culpabilidade. Ou seja, a sentença, o destino do arguido, radica na convicção do “iudice”. Porém, como uma convicção é uma crença fundada em algo evidente, ou seja, é uma opinião subjectiva, é necessário convencer as partes das razões apresentadas para a decisão judicial. Isto é, é nas provas em análise que radica a convicção. Mas esta presunção deverá ser extensível às partes em confronto. Se assim não for, não convence. Por isso se diz que a justiça é a arte do convencimento.
Depois desta ressalva, voltemos então para a sentença da juíza e aplicada a VF. Para relembrar, a juíza disse: “…embora não ficasse totalmente provado de que a senhora tenha feito estas afirmações à jornalista, se elas (as afirmações) foram publicadas entre aspas, devemos partir do princípio de que realmente a senhora as fez. Por que iria a jornalista escrever uma coisa que a senhora não disse? O que teria ela a ganhar com isto?”.
E é aqui, quando a juíza profere solenemente, que “embora não ficasse totalmente provado de que a senhora tenha feito estas afirmações…”, que, quanto a mim, reside o busílis da questão. Se a “decidente”, em juízo de valor, não tivesse invocado a fragilidade dos meios de prova apresentada, esta questão não se punha. Ao chamá-la à colação, e sabendo nós que, “in dubio pro réu”, em caso de dúvida absolve-se o réu, aqui, nesta sentença, o princípio jurisdicional não foi aplicado.
E faço notar que não está em causa a idoneidade de VF ou a da jornalista. O que está em análise é, metaforicamente, uma balança com dois pratos. Num estão as provas apresentadas, no caso, a palavra de uma contra outra. Não houve testemunhas. Noutro prato da balança estão as convicções. Na balança, devem estar equilibrados ou o das provas deve pesar mais? Neste caso concreto, para a juíza, foi o lado da convicção que pesou mais.
Não devemos deixar de pensar que uma convicção sem prova sustentada é uma mera opinião avalizada, ou seja, de pouco vale. Porque, com toda a franqueza do mundo, embora não seja nem perdido nem achado nesta questão, se o leitor me interrogar o que penso das declarações de VF, se as teria proferido ou não, com toda a convicção, afirmo: acho que sim. Com o quadro de envolvência emotiva, é mais que certo que a senhora as tenha dito. Mas e o que vale a minha convicção? Nada.
Ao que parece, VF vai recorrer para o Tribunal da Relação. Talvez nessa altura se faça luz nesta sentença, que, quanto a mim, neste julgamento, o preceito foi subvertido: “in dubio pro reu”, na dúvida… condenou-se o réu.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

UM JARDIM MCARTISTA





A “caça às bruxas” anda por aí. O recente anúncio de Alberto João Jardim querer propor a proibição do comunismo na próxima revisão constitucional, a trinta e cinco anos depois do 25 de Abril de 1974, não lembraria ao diabo. Ou, pelo contrário, se levarmos em atenção o que este senhor tem feito nos últimos anos na Madeira, fará mesmo? Inclino-me fortemente a considerar que, vindo dele, tudo faz sentido.
Sinceramente, como eleitor, o que incomoda nem é tanto as diatribes deste senhor “Chaves” em reverso de medalha. O que me causa alguma perplexidade é o silêncio do PSD, e nomeadamente de Manuela Ferreira Leite. Para continuar a manter o bastião da Madeira vale tudo, a qualquer preço? Há muito que a direcção do partido laranja deveria ter retirado a confiança política a uma série de oligarcas que só enlameiam a doutrina de Sá Carneiro e desacreditam a política partidária. Indo a Doutora Manuela no próximo dia 22 à festa de Chão da Lagoa, na Madeira, o que vai dizer? Para não se meter em complicações verborreicas valia mais entrar de quarentena no dia 21, com a Gripe H1N1.
Claro que, no limite, até podemos dizer que saia lá o que sair do parlamento Madeirense é simplesmente uma proposta de revisão constitucional, e que, na prática, não tem qualquer valor. As revisões constitucionais são de reserva absoluta da Assembleia da República e, para as levar a efeito, será necessária a concordância de uma maioria de 2/3 dos deputados no parlamento nacional. Portanto, estrebuche lá o senhor à vontade que os seus troantes gritos, quanto muito, se chegarem aqui, ao “Contenente”, não passarão de uns gemidos parecidos com um miar de gato.
Esmiuçando um pouco, para quem não souber, o que quer verdadeiramente o homem que põe o PSD de cócoras, vou contar resumidamente. Este senhor revisionista, entre outros, quer alterar o artigo 46º, nº 4, da Constituição da República, que diz o seguinte: “Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”.
Abro aqui um parênteses para dizer que se, ao longo dos anos, o final da frase “ou que perfilhem a ideologia fascista” nunca gerou consenso entre constitucionalistas, hoje, em face de novas organizações racistas não fascistas, muito menos sentido fará. Este actual ratificado vem da Assembleia Constituinte, reunida em sessão plenária de 2 de Abril de 1976. Nessa altura, tínhamos saído de regime autoritário, fazia todo sentido. Hoje não. Falar em fascismo, é transportarmo-nos para a Europa de 1930, para Hitler, Mussolini, e Franco. E sendo honestos intelectualmente, com todo o respeito por quem sofreu na pele a tirania da PIDE, Salazar ao pé destes assassinos era um menino de coro. Podem avocar-se mil argumentos mas a história não engana. É assim mesmo.
O que quero dizer é que as novas ideologias racistas que proliferam no hemisfério na maioria dos casos já pouco têm a ver com o “fascismo” idiossincrático daquela época. Terão muito mais a ver com ódios étnicos, motivos ligados à economia pela ocupação de empregos em detrimento dos nacionais, etc. Ou seja, quanto a mim, este “fascismo” de que “fala” a Constituição é apenas um papão para inglês ver, uma bandeira continuamente içada por um partidarismo ou ideologia absolutista, que para continuar a sobreviver precisa continuamente de clamar pelos seus fantasmas. Já há muito que o complemento “ou que perfilhem a ideologia fascista” deveria ter desaparecido do livro “master” português.
Ora se defendo a exclusão do que lá está muito menos defenderia a inclusão de uma outra relativa a comunismo.
O que se passa é que quer Jardim, quer outros, para se manterem vivos, precisam de chicana política. Sem ela já há muito que teriam desaparecido do mapa em que se inscreve um eleitorado atrasado e com pouca cultura e tolerância política. O que é deplorável, como no caso em apreço, é o apoio tácito, em forma de silêncio, de partidos históricos que são, já foram, e querem voltar a ser governo, em darem cobertura a estes trauliteiros e facciosos personagens que, pelos seus actos, só teriam lugar na literatura de banda desenhada.
Talvez esteja explicada a chafurdice em que mergulharam os partidos políticos desde a esquerda até à direita nas últimas décadas em Portugal.