sábado, 31 de julho de 2010

BOM DIA PESSOAL...

(IMAGEM DA WEB)





 Ora vivam! Como é quer estão? Bem? Lá que parece, parece…bom, deve ser do fim-de-semana! Mas e você, que está ai especado a olhar para mim…passa-se alguma coisa? Está um bocadito entretelado, parece aquelas entretelas antigas, todas enroladas. Está não está? Porra, desembuche lá! Não me diga que tenho de continuar a escrever sobre tristeza. Fosca-se!, isto é sina ou quê? Bem sei que você continua impressionado pelo desaparecimento do António Feio. Compreendo. O seu fenecimento marcou-nos muito, sobretudo porque acompanhámos a sua doença passo-a-passo. E depois, para assinalar ainda mais a sua despedida, deixou-nos mensagens espectaculares. Estou a lembrar-me da introdução à estreia do Filme “Contraluz”, de Fernando Fragata –a propósito, já foi ver o filme? Deixe-me dizer-lhe, pelo menos dentro da minha subjectividade, é uma maravilha. Todo o enredo está muito bem construído. Faz-nos lembrar um qualquer realizador americano, Quentin Tarantino, sei lá! A sensação de estar a ver um filme realizado por um português, e, ao mesmo tempo, sentirmos que estamos perante uma grande realização, é espectacular. Não sei se estou a ser claro, mas o que quero dizer é que, no que me toca e salvo raras excepções, perante um filme português temos a sensação que falta ali qualquer coisa, sem se saber bem o que é. Pode ser a história que não nos transporta para além da ficção, pode ser a fotografia que não seja grande coisa, pode até ser da realização. Ou, se calhar, poderá ser um “a priori” que levamos para sala pelo facto do filme ser nacional. Bem sei que, se for este apriorismo, é um bocado bacoco e que devemos saber desconstruí-lo, mas que ele é perceptível em nós, lá isso é. Mas neste filme não senti nada disso. Desde o primeiro momento da projecção que fiquei preso à tela. Aconselho-vos esta fita vivamente. Não vos vou contar o emaranhado da história, logicamente, o que posso adiantar é que se trata de coincidências. Bem sei que você não acredita…eu também não…mas que elas existem…(se calhar) existem. Claro que provas não há. Mas, já agora, que estou para aqui a tentar escrever sobre fenómenos paranormais, vou contar uma passagem que aconteceu comigo.
 Há uns tempos escrevi um texto. Porque não tinha nenhuma linha preconcebida, na forma como foi saindo assim o escrevi. Dei um nome ao personagem principal que me ocorreu –normalmente procuro apelidos fora de vulgar.
Conclui a crónica e não pensei mais no assunto. Nesse dia, à noite, estava a ver televisão, quando, por qualquer analogia ao que estava a ver, de repente, veio-me à mente a narração que tinha escrito de manhã. Fui invadido por suores frios: aquela história parecia, na mensagem implícita, direccionada para uma pessoa que lia diariamente o que escrevo no blogue. E mais: até o nome que eu aleatoriamente escolhi indicava que era para ele. Tratava-se de um diminutivo. Como é que eu não me apercebi quando estava a escrever? Essa é a questão.
Já muita literatura foi escrita sobre histórias psicografadas, sob influência de pessoas já desaparecidas do mundo dos vivos. E o que escrevi o que teria sido? Não sei. A verdade é que ainda hoje me pergunto o que teria acontecido…


LOGO HAVERÁ JAZZ NA VELHA PRAÇA...


(IMAGEM DA WEB)

 Logo, pelas 22 horas, na Praça do Comércio, vai haver Jazz, com os Dixie Gringos -jazz band- e Cátia Montemor + Quarteto de Saxofones.
É uma realização da junta de freguesia de São Bartolomeu e conta com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra, da Empresa Municipal de Coimbra e da Fundação Inatel.

O VÍDEO DO DIA...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)


(IMAGEM DA WEB)

SDaVeiga deixou um novo comentário na sua mensagem "BOM DIA PESSOAL...": 


 A morte faz-nos sempre relativizar a vida, mas isso só dura enquanto o dia-a-dia não nos torna a engolir...
Como mãe, um abraço ao seu amigo José - não quero sequer vir a imaginar a dor terrível que ele está a sentir neste momento. Bem dizia o outro que a melhor benção é: "Morra o avô... Morra o pai... Morra o filho.".
Continue a escrever tudo o que nos vai na alma, tudo o que nos afecta, o que nos faz pensar, as questões nacionais que nos influenciam e as questões locais que nos definem, pois o Abilino é um bom leitor que eu sei e há sempre mais quem por cá passe e se alimente dos seus doces… só por os ver na montra e sentir o cheirinho que sai pela porta sempre aberta... 

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)


(IMAGEM DA WEB)


Fernando Ferreira deixou um novo comentário na sua mensagem "A CARTA DE MARCO...": 


 Sendo um leitor ou seguidor assíduo deste blogue faço questão de fazer um pequeno comentário ao seu texto que não é menos que uma passagem amarga da sua história de vida.
A hipocrisia impera mais do que nunca na nossa sociedade. Primeiro nós, depois nós e a seguir nós. Sabemos de antemão que até nestas situações tão tristes, o que o ser humano sem esperar passa. Que vemos a verdadeira essência da hipocrisia, entre lamentações e gestos de apoio no momento, como aquele tão ridículo, que estando tão chorosos fazendo crer imagem de tanto sentimento e sofrimento recíproco, vão limpando ao lenço as supostas lágrimas que ninguém vê, mas, com o canto olho procurando detectar imagens na populaça de grande sentimento/admiração ("deve ser um grande amigo da família") pela histérica imagem de dor e pena que tentam impingir aos tansos. Quando viram costas " vai-te lixar ", " desenrasca-te ".
Concordo plenamente consigo, cada um sofre essa dor terrível à sua maneira, pois ninguém tem o direito de dizer " eu sei pelo que está a passar".
Um abraço.
Fernando Ferreira 



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SDaVeiga deixou um novo comentário na sua mensagem "A CARTA DE MARCO...": 


Marco:

 É preciso ser Homem com H maiúsculo para admitir a sua dor, e, sobretudo, como o falar e chorar o ajudou a lidar com ela, contrariando a máxima "Os homens não choram!”.
Força!!!
E que o tempo o ajude a lembrar apenas o bom e a conseguir colocar a dor numa prateleira mais alta... 

sexta-feira, 30 de julho de 2010

UMA IMAGEM...POR ACASO...



"Ainda um dia hei-de ser um museu", pensaria -se pensasse- a Estação Nova para com as suas colunas erectas.
Os carris, por sua vez, se também pudessem pensar, certamente, referindo-se às velhas carruagens, pensariam: "ai quem nos dera sentir-te em cima de nós. Estamos para aqui sozinhos, pobres e abandonados. Esta coisa de querer substituir tudo o que é usado por coisas modernaças, ainda vos há-de dar água pela barba. Hão-de pagar com língua de...Metro! Esquecem que os velhos são mais estáveis..."

UMA IMAGEM POR ACASO...




Cai, não cai? Enquanto não se decide e continua de pé, embora a balouçar, está ali a olhar para nós no Largo da Maracha, junto à Loja do Cidadão. Pode ser que se aguente...

CONTRALUZ PARA FAZER PENSAR...



Este filme português, "Contraluz", já está aí nos cinemas, estreou no dia 22 deste mês. Vá vê-lo...aproveite e leve a sua Maria. A propósito...há quanto tempo não vai ao cinema?

UMA SINGELA HOMENAGEM...



Foi-se o homem, fica a sua memória...

BOM DIA PESSOAL...


(FOTO DE LEONARDO BRAGA PINHEIRO)



 Então como é que vocês estão? Hum…parecem-me bem. Estão com ar zombeteiro, menos aí o Abilino, que está com ar tristonho. O que é que tens ó Abilino? Conta aí, porra! Isto, esta espécie de escrever coisas sérias a brincar, serve exactamente para desabafarmos. É uma espécie de catarse, em que eu escrevendo e tu lendo e participando nos comentários, ambos, expurgamos as pequenas e grandes tragédias que redundam em angústias e que nos atropelam cá dentro. Ora, entenda-se, se um psicólogo ou psiquiatra levar, legitimamente, à volta de uns 80 euros por uma consulta de psicanálise, convenhamos que este exercício, quase doutrinal, que praticamos todos os dias, vendo bem, até fica barato. É ou não é? E, vendo bem, não é por nada mas já me deves uma pipa de massa…
 Bom, mas passando à frente, portanto, regressando ao “conversé” escrito, para ficar no mesmo lugar, diz-me lá, ó Abilino, a razão dessa tristeza toda que te assombra a fronha. Alegra-te, “carago”. Tristezas não pagam dívidas. Deixa-me adivinhar…já sei…ficaste ensimesmado com a morte do António Feio. É isso não é? Eu vi logo! Pois o óbito de alguém reconhecido no meio artístico nacional ou próximo da nossa porta tem esta coisa fantástica de nos fazer reflectir e cair em nós. Isto é, aquele fenecimento mostra-nos que, contrariamente ao que intuímos subjectivamente de que parecemos imortais, afinal somos iguais ao mais modesto animal irracional. Somos finitos, e, depois de morrermos, esticadinhos no caixão, somos tão semelhantes aquele nosso cão amigo que tanto estimávamos, e que enterrámos ao fundo do nosso quintal. Se compararmos a forma hirta do animal com a de um qualquer semelhante humano que pereceu é exactamente igual. Ali, naquele monte de ossos sem vida, está alguém que durante anos fez parte da nossa existência e agora, ali mesmo, jaz inerte como uma pedra sem valor. E é nesse momento, nessa análise fria e factual, que tomamos conta de que realmente a vida é mesmo uma passagem e não vale a pena andarmos à marrada ao vizinho e a morder nas canelas do senhor abade Maurício, só porque não aceitamos a sua forma de pregar lá na capela da freguesia. Claro que, infelizmente, este estado de reflexão existencial dura pouco. Logo a seguir, ao enterrar do ente querido na terra negra das orações, esquecemos tudo. Passado meia-hora, lá no café de bairro do senhor Elísio, já estamos a reclamar porque a bica estava fria. Somos todos assim. E eu, ó Abilino, desculpa lá a decepção, apesar de estar para aqui armado em moralista, mas sou igual…ou se calhar pior.
Claro que, entendo que apesar de ser uma nódoa igual a outra qualquer, não fará nada mal lembrarmos os nossos pontos fracos. E água mole em pedra dura…não sei se estou a ser claro, ó Abilino?!
Esta nossa existência é mesmo uma ilusão. Sei lá, até avançava que é uma tristeza. Passamos um terço da vida a dormir e os restantes dois a trabalhar e a pensar na melhor forma de enriquecermos. Isto não é um bocado estúpido? Diz-me lá com franqueza, ó Abilino?!
Saberás tu a razão porque estarei eu para aqui com este arrazoado todo, que mais parece o sermão do senhor padre Maurício?…Não sei se conheces…pelo menos já te falei dele neste texto lá mais para cima. É que é assim, como também já escrevi, de vez em quando, perante um facto de choque, uma pessoa é mesmo obrigada a pensar. É ou não é? Pois é!
Então, continuando, ontem fui ao velório de um filho de um meu amigo. O rapaz, com 20 anos, num acidente estúpido de automóvel, faleceu. Foi ao ver o estado destroçado desse meu afeiçoado e pai do infeliz rapaz que pensei como toda esta lufa-lufa é uma alucinação. Se, hipoteticamente, alguém lhe propusesse trocar toda a sua fortuna pela vida precocemente desaparecida do rapaz, tenho a certeza, o meu amigo aceitaria logo.
Então, em jeito de balanço, diz-me lá ó Abilino, quanto vale o teu definhamento anímico ao pé da tristeza do meu conhecido e chegado?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A CARTA DE MARCO...


(IMAGEM DA WEB)


A propósito do lindo post que escreveu ao seu amigo José -"Carta a José"-, que perdeu o filho, de uma forma trágica, dei por mim a pensar no assunto. Não particularmente neste caso, mas na situação em si de perda de uma pessoa amada, dos sentimentos, no que se diz, etc.
Eu, infelizmente, já passei pelo mesmo. Perdi a pessoa que amava, aquela que pensava que seria a minha companheira para o resto da vida. A dor em si é indescritível. Depois, a forma como a exprimimos varia de pessoa para pessoa. Posso dizer que só chorei passado cerca de um ano e meio depois. Quando consegui lacrimejar, fi-lo durante dias. Queria parar e não conseguia. Não fui nem ao velório nem ao funeral. Os comentários não foram os melhores: «isso é que ele gostava dela» ou «nem chorou nem nada». Mas só eu sei o que passei. Ou, se calhar, não sei! Durante meses parecia um zombie, andei em «piloto automático». Não chorava mas pensava: “porquê eu? Não merecia isto!”.
Outro aspecto, que se deve levar em conta, quando se perde alguém: são os comentários e os pêsames dados pelos outros. Vou expressar o que senti. Eram situações que me revoltavam, que me enfureciam: «O tempo tudo cura»; «com o tempo passa» ou, o pior de todos que me tirava do sério, «é a vida!»-confortavam-me em lamento dobrado. É a vida? Morrer com menos de 30 anos? Não realizar os sonhos que tínhamos? A vida não é isto! Morrer antes dos pais e avós! Não! A vida é namorar, casar, ter filhos, etc., etc. E então depois de viver a vida, morrer. Mas ter a oportunidade de tentar realizar todos esses sonhos.
E aqui, em solilóquio, em interrogação pessoal, surge a figura de Deus: 
-Então e Tu permites? E mais: ela era uma crente! Tentava converter-me! A minha amada respeitava-Te, fazia tudo o que pediste lá no livro sagrado da Bíblia. Ajudava os outros. Cumpria as tuas leis, e Tu  o que fizeste? Consentiste que ela morresse! Vês porque me custa a acreditar que Existes?
Posso afirmar agora, que passaram alguns anos, que «com o tempo tudo passa», é uma grande mentira! Isto é ponto assente, final e parágrafo.
Outro comentário, que não se deve fazer é: «sei o que estás a passar». Ninguém sabe o que passei. Imaginar, talvez. Mas saber? Ninguém sabe!
Entendo que o objectivo das pessoas é ajudar, mas limitem-se a dizer «os meus sentimentos». Não digam mais. Porque quem perde não quer ouvir mais nada! E tudo o que for dito para além disso pode magoar. Mesmo estes pequenos comentários, como referi: «com o tempo passa e é a vida».
Já agora deixe-me fazer um agradecimento à minha família. Graças ao apoio e à constante pressão para que eu tivesse ajuda psicológica, consegui deitar tudo cá para fora. Como disse, já consigo chorar e falar no assunto. Coisa que não fiz, nem queria que fizessem ao pé de mim, durante quase dois anos. Se o tivesse feito mais cedo, tinha sofrido menos, e a vida talvez estivesse melhor.
Faço, também, um pedido, não julguem os outros. Cada um sofre como pode, não como quer mas como sabe. Se chora, ou grita. Se vai ao funeral ou não. Não julguem, apoiem simplesmente. Ofereçam a presença, ou a disponibilidade para, unicamente, ouvir. Quem está a sofrer, não quer conversar, por vezes quer apenas desabafar. Precisa apenas de saber que não está sozinho e que não foi abandonado.
Marco.

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NOTA DO EDITOR:

 Muito obrigado, Marco, pela coragem que teve em partilhar com todos os nossos leitores a sua dor. Fico contente por saber que, ao conseguir descrever todo esse sofrimento que lhe vai na alma, significa, como escreve, que, felizmente, aos poucos, está a expulsar toda essa angústia que o tem minado por dentro.
Por esse facto, amigo, perante um desabafo tão importante, tão cheio de sentimento, receba um abraço tão grande quanto é preciso para envolver o mundo.

BOM DIA PESSOAL...


(IMAGEM DA WEB)




 Então? Estão bons? Lá que parece, isso parece. E você, que está especado a olhar para mim? Está com cara de quem esteve todo o dia resfolegado na areia de papo para o ar. Já vi que está de “vacances”, como diz a dona Cesaltina, que trabalha em Paris e veio visitar cá o pessoal. Por acaso é uma óptima pessoa –não sei se conhecem, se calhar não! Ainda há bocado esteve a falar comigo. Quer dizer, não foi bem falar, esteve a fazer uma salada mista de português e francês. Ai, mas a Cesaltina fala tão bem! E quando ela começava a dizer que “au Portugal est une misère”, como eu não percebo nada de português e muito menos de francês, fiquei quase na mesma. Claro que puxei pelos meus dotes de adivinhação e, supondo, às tantas, deveria querer dizer que isto aqui, cá na parvónia, é uma miséria. Claro que eu, não é por nada, até podia ter engolido o sapo, como quem diz –porque a Cesaltina, convenhamos, até tem razão. Mas, “carago”, uma pessoa tem alma, amor-próprio, não sei se estou a ser claro, e perante aquela mistela de línguas, a gente irrita-se, é ou não é? Pois é! E é claro, subiu-me cá os azeites ao nariz e respondi-lhe à letra: “olhe lá, ó dona Cesaltina, se isto é tão mau, o que vem cá fazer? Porque é que não ficou lá em “Pigalle”, onde a menina trabalha?”. Ah pois! Tinha de levar nas ventas…é ou não é? Então vem para aqui armada em virgem…e uma pessoa que é só mesmo virgem de signo passa-se completamente. É ou não é? Olha o que eu fui dizer…ai “Jasus”!, meu anjinho da guarda! Começou a bufar, que parecia um daqueles toiros da Catalunha que vão para a arena –e que agora, perante o largar da canga, com a proibição de touradas, já se riem todos-, olhava para mim, assim com aquele focinho de vaca todo “estrambilhado”, eu, atentamente, mirava as suas pernas, para ver se começava a escavar o chão, como os quadrúpedes, e que seria sinal de ataque, e tremia mais que o “Manel da litrada” quando vai mais bêbado que o sarro de uma pipa de vinte almudes.
Por acaso tive sorte, eu que estava preparado para uma trombada, deu meia volta e foi à vida…


UMA CANÇÃO PARA TOMAR DURANTE A NOITE...



 Para mim, Tony Carreira é o maior artista português da actualidade. Comparando com outros concertos -dos poucos a que consigo assistir-, as suas mostras ao vivo são de um profissionalismo a toda a prova. Parabéns Tony! Temos de elogiar quem se esforça muito para atingir o topo...

UM DESABAFO DE PREOCUPAÇÃO...





 Conforme esta foto, que entre outras e respectivos textos, sobre o mesmo assunto, podem ver-se no site do Observatório Histórico dos Relógios de Lisboa  http://observatoriorelogioshistoricos.blogspot.com o relógio do Arco da Rua Augusta, após mil peripécias e lirismos retóricos, está neste momento sem ponteiros.
Após meses marcados por declarações espantosas sobre pretensas questões técnicas, assiste-se agora a mais este episódio de uma serie de toscas iniciativas que envergonham e descredibilizam a reputação dos técnicos de restauro portugueses.
Desde o início da tentativa de reposição do relógio ao serviço do público, após um pretenso restauro, financiado por uma conceituada marca de relojoaria, culminando numa cerimónia inaugural mediática, com a presença da então ministra da cultura e todo o costumeiro arraial de televisões e jornais, que o relógio do Arco da Rua Augusta nunca funcionou como seria suposto funcionar.
No acto inaugural, foram proferidas espantosas declarações sobre o relógio e o seu mecanismo. Contudo, ninguém reparou que a máquina nem sequer estava aferida ... que as roldanas e cabos de aço tinham porcaria de séculos ... que a pintura é uma vergonha...
Ninguém reparou em nada ... talvez ofuscados pelos holofotes das televisões... talvez por tradição ... neste país quase ninguém repara nos pormenores ...
Agora, após meses, em que se disseram coisas que nem o Maomé diria do toucinho, a fazer fé no Observatório dos Relógios Históricos, os ponteiros terão sido retirados para serem provavelmente substituídos por outros mais leves!... A ser verdade, é mais uma de que nem o Diabo se lembrava!
A concretizar-se, será mais um atentado contra o malfadado relógio do Arco da Rua Augusta e mais uma medalha de mérito para os responsáveis do regabofe.

(RECEBIDO POR E-MAIL DE HERMÍNIO NUNES, "TIC TAC TEMPORIS")

A VIDA É UMA CARTA FECHADA...

CARTA A JOSÉ...


(FOTO DO DIÁRIO DE COIMBRA. LEIA AQUI O BRUTAL ACIDENTE)





 Escrevo-te esta carta, amigo, talvez no pior momento que estás a passar da tua vida. Provavelmente esta missiva não chegará nunca aos teus olhos. O teu filho morreu ontem de acidente, numa daquelas ocorrências estúpidas que pensamos apenas acontecer aos outros. Se calhar, José, nesta hora de angústia, de sofrimento, de aperto no coração, estarás a culpar-te, em exercício de balanço existencial. Provavelmente, como máquina de projectar slides, na tua mente, relembrando imagem a imagem, questionas tudo o que fizeste na relação com o João: o que deste, o que não deste e deverias ter dado.
Certamente, neste ribombar de tiro do canhão da sorte –má-sorte, sublinho-, questionas o motivo de teres sido sorteado nesta lotaria do destino. “Porquê eu…porquê a mim?”, pareço ouvir os teus pensamentos a martelarem a tua cabeça, como se de repente ganhassem animação, e como palavras se materializassem. E haverá resposta para essa questão? Se nem na nossa vida temos mão, como poderemos vigiar, amparar, a dos nossos filhos? Andaremos todos por cá até quando calhar. Como um livro, que tu tão bem conheces, como uma história de enredo previamente escrito por autor desconhecido, somos o personagem central que entra no primeiro capítulo, percorre toda a trama, e se não cairmos a meio por estranhos desígnios do escritor, no epílogo, no fim do romance, inevitavelmente, desaparecemos de cena. Não há mesmo nada a fazer. É a vida…que, sem que nada possamos fazer, se vai alimentando da própria morte. É como se a luz do Sol, para iluminar a humanidade, precisasse da noite escura. É a Natureza José…nada se pode fazer perante os seus supremos desígnios. Somos escolhidos. Não escolhemos o caminho a percorrer –que pode ser atapetado com pétalas de rosas, ou veredas estreitas, com escolhos lancinantes e emolduradas a tojeiros que nos picam continuamente ao longo do percurso.
É duro, José. Imagino a dor pesada, a mágoa sentida que te retalha a alma em picos de faca afiada, que deves estar a sentir neste momento. Ainda que solidário contigo neste momento de extremo luto, jamais conseguirei experimentar o abismo de solidão em quer te encontras. Só quem perde sabe, só quem sofre sente. É fácil de conjecturar o quanto deve ser penoso ter perdido um ente querido num estulto acidente de automóvel. Sobretudo porque, para além de ser carne da nossa carne, partiu com 21 anos, na flor da idade. E tu, sempre generoso para ajudar outros, aqui, como melodrama de fado negro, nada pudeste fazer. E isso, José, está a consumir-te o espírito, tenho a certeza, amigo.
Mas que se há-de fazer, José, perante uma fatalidade destas, senão, com o tempo, como um sonho ruim, tentar apagar da memória este triste acontecimento?!
Nesta manhã triste em que não te apeteceu acordar, recebe um abraço do tamanho do mundo. Os meus sentimentos amigo José Gomes.

O VÍDEO DO DIA...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

BOM DIA PESSOAL...


(IMAGEM DA WEB)





 Então, como é vão com esta “caloraça” que nos amanda com a tensão arterial cá para baixo? Se ao menos fosse só a tensão. Ontem, pelos jornais, ficámos a saber que com estas ondas de calor morrem muito mais pessoas. Mas, tendo em conta os incêndios que teimam em nos queimar o pouco nacionalismo que resta cá dentro, também não admira. Se não morrer gente pelo intenso calor proveniente dos intensos fogos que devassam o país, certamente, uma grande maioria, vai-se abaixo quando vê o fruto do seu suor, em resultado do esforço de uma vida, estar prestes a ser dizimado pelas chamas. Qual será o coração que aguenta tamanha pressão, em forma de angústia e sofrimento?
O problema é que uma pessoa, ao olhar as imagens na televisão, fica parado, estático, pasmado, como se estivesse hipnotizado. Em solilóquio, em interrogação interior com os seus botões, pergunta-se como é possível isto? Foi no ano passado, foi no anterior e mais para trás, para trás, e a desgraça é sempre igual. Mas não se pode fazer nada para parar esta bomba humana de destruição?
Tenho a impressão que nas últimas décadas se perdeu o pouco de exigência, o grito de indignação que existia dentro de nós. Dizem os sociólogos que à medida que o desenvolvimento de um grupo cresce, proporcionalmente, a reivindicação, o poder de reclamar, decresce. Quanto maior for o índice de conforto, menores serão os clamores de contestação. Caem as ideologias, e a pique a busca do ideal de um mundo ainda melhor. Quanto mais bem-estar social se atingir mais o indivíduo cai numa apatia de modorra. Aumentam as depressões e as dependências para a combater. Decaem os conflitos sociais e intergeracionais, levando à transformação e nascimento de novos valores, habitualmente vazios, assentes em vidas de ficção sem experiência empírica. Sabe-se que a evolução assenta no conflito permanente. Ora faltando debate interno nas famílias e externo na comunidade, a sociedade torna-se uma massa amestrada, formatada e vencida perante a opressão. Aumenta o medo e a descrença no dia de amanhã. Perde-se a esperança saudável, aumenta a crendice em rituais pagãos e religiosos e multiplicam-se as tendências suicidas.
É como se a colectividade, pela força da felicidade aparente e crescente, não tendo feito nada para a conquistar, agora, estando em vias de a perder, para manter o estatuto perdido, facilmente se vende a troco de uma mão cheia de nada, desde que essa submissão, lhe mantenha uma ideia de importância. Então assistimos hoje, cada vez mais, a cenários teatrais, em que o insignificante, a todo o custo, quer ser significante. E o político partidário, que não dorme em serviço, aproveita-se desta ignorância funcional. Sorri aqui, aperta a mão acolá, promete ajudar mais à frente. E é este o palco do teatro da vida que se apresenta diante da nossa plateia. Claro que nem todos vêem. Ou melhor…a maioria não se apercebe…

UMA CANÇÃO PARA TOMAR DURANTE A NOITE...

O ÚLTIMO SUSPIRO DO TURÍBIO...





O Turíbio de Matos foi uma loja de solas, cabedais e arranjos diversos, como, por exemplo, colocar um fecho, uma mola, um botão numa calça. Era uma casa, pela sua atmosfera antiga, com algum simbolismo e mística à mistura. Durante cerca de oitenta anos esteve localizado ao fundo da Praça do Comércio. Morreu na última Sexta-feira. Embora já estivesse em coma profundo há mais de um ano, todos esperávamos –incluindo os proprietários do estabelecimento- que uma possível transmissão, em forma de transfusão sanguínea de força, lhe desse um novo alento e o fizesse emergir da letargia. Porém debalde. Tendo em conta o momento que vive a actividade comercial, e perante o clausulado do Novo Regime de Arrendamento Urbano que implica novo aumento de renda sempre que haja mudança de dono, quem é que ousa hoje aventurar-se num trespasse ou cedência de quotas de uma sociedade comercial?
 Então, sem que nada seja feito para o evitar –saliente-se que a única forma de manter um estabelecimento no seu objecto inicial será pela classificação de “interesse municipal”-, estes ícones da história comercial da cidade, paulatinamente e mesmo à frente dos nossos olhos, vão desaparecendo. Já há cerca de dois anos falava aqui neste problema. Depois disso, encerrou o "Centrum Corvo", com o Turíbio já são dois. Enquanto não se entender que a vida colectiva é também feita de memórias vamos assistindo a este submergir da recordação de antanho.
Paz à “alma” do Turíbio de Matos. Se não houver registo da sua passagem nesta vida da cidade, valha-nos a santa, fica registado, aqui no blogue, a sua morte. Infelizmente, há dois anos, ainda contactei uma das proprietárias para escrever a história do estabelecimento. Na altura, entre vários obstáculos levantados, acabei por não o fazer. Uma pena, digo eu. Pode ser que um dia destes, perante o seu agora desaparecimento, ainda o possa fazer.

O VÍDEO DO DIA...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)


(IMAGEM DA WEB)

Marco deixou um novo comentário na sua mensagem "BOM DIA PESSOAL...": 

É uma excelente ideia pôr os subsidiodependentes (acho que inventei uma palavra) a trabalhar em prol da comunidade. Acho até que uma minoria daqueles que recebem o RSI iriam gostar, pois há muita boa gente que prefere trabalhar em vez de ficar á espera do cheque mensalmente.
Ainda relativamente ao flagelo dos incêndios, penso que mais de 50% dos fogos são culpa de proprietários, do Estado e dos privados. Se cumprissem a lei no que respeita a limpezas de matas, muitos fogos seriam evitados. Muitos proprietários privados apenas limpam aquando do corte e abate dos seus pinhais e eucaliptais, ou seja, com intervalos de anos. Deveria haver mais fiscalização, e as coimas terem um valor elevado de modo que causem receio aos donos prevaricadores.
No caso de se provar que uma mata que não foi limpa, provocou o alastramento de um pequeno fogo a matas vizinhas, o proprietário deveria pagar a multa e ainda os danos causados aos proprietários próximos.
Marco.

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NOTA DO EDITOR:

Obrigado, Marco, por ter comentado. Não precisaria de dizer que respeito o seu ponto de vista, mais uma vez, volto a sublinhá-lo, mas não concordo no essencial.
Ressalvo que, para melhor argumentação, ao chamar à colação Montesquieu pode até parecer que sei muito relativo ao grande pensador e criador do Estado Moderno ou que estou armado em grande estudioso. Pura ilusão. Tenho umas ideias e, perante um problema, basta-me ir repescá-las. Sei onde encontrá-las.
Depois deste acautelar, vamos lá então à minha defesa do que na actualidade, perante a lei, considero profundamente injusto:

-Montesquieu, no “Espírito das Leis”, escreveu que havia três tipos de governo: a República, a Monarquia e o Despotismo.
Escreveu este grande sociólogo político que cada um deles seria consubstanciado com um sentimento e que assegurava a sua própria estabilidade. A República subordinava-se
à virtude, a Monarquia à honra e o Despotismo assentava no medo.
A virtude política da República trataria do respeito recíproco pela lei, Estado/cidadão, e a dedicação do indivíduo à colectividade.
Passo à frente a Monarquia porque para o caso é despiciendo.
O Despotismo emprega o medo como arma massiva de aplicação popular. Não se preocupa com a justiça, com a igualdade e, muito menos com a equidade, com o repartir justo. Este sistema de base larvar assente no medo, segundo outro grande pensador, Hobbes, seria a própria filosofia tentacular do Estado. Sem este medo, através da coacção, a organização/nação não se conseguiria impor;

-Ora, continuando a especular, sendo a virtude –a disposição para a prática do bem, a rectidão, a excelência moral- o “prius” da República, seria de supor que o Estado só possa exigir o exigível. Ou seja, neste caso das limpezas das matas, se nas últimas quase três décadas o país, perante a PAC, política agrária da Comunidade Europeia, capitulou na agricultura nacional, através de medidas que contribuíram para o abandono da terra, pela falta de rendibilidade, como pode agora, perante o cataclismo, lavar as mãos como Pilatos, e, desonerando-se de uma obrigação, impor medidas coactivas a uma classe de proprietários que está completamente falida? –Note-se que todo o conceito de propriedade está em crise nesta contemporaneidade. Nos últimos anos assistimos a um ataque cerrado, por parte do Estado, a tudo e a todos os que são proprietários. Quer seja através de impostos sobre a propriedade, quer seja através de um instituto que, devendo ser de excepção, passou a ser geral em regra: a expropriação. Basta lembrarmos o que se está a assistir nos imóveis urbanos e rústicos. Por um lado, o Estado, pela falta de leis justas de rentabilidade, contribuiu nas últimas décadas para o empobrecimento contínuo do proprietário; por outro, sabendo de antemão da sua fragilidade e depauperamento, impõe regras legais impossíveis de cumprir. Como se isso fosse pouco, vem mais tarde a aproveitar-se dessa debilidade financeira para tomar a propriedade a preços irrisórios. Basta olharmos à nossa volta para verificarmos que o Estado é cada vez mais um grande proprietário açambarcador, fazendo lembrar os grandes senhores feudais do início da Era Moderna.
 Penso que chegado aqui, já deu para entender a razão de me ter apoiado em Montesquieu. Hoje, pelo que se constata, vivemos numa República de estado Despótico.

terça-feira, 27 de julho de 2010

UMA CANÇÃO PARA TOMAR DURANTE A NOITE...

UMA IMAGEM ACTUAL E OUTRA COM SETE DÉCADAS...



 Esta imagem, a preto e branco, de 1936, mostra uma praia fluvial ao lado da ponte de ferro -há época. A nova ponte de Santa Clara, e que viria a substituir a antiga, foi inaugurada em 30 de Outubro de 1954.
Olhando bem para o extenso lençol de água que jaz inerte em frente à Estação Nova, não faria sentido construir hoje uma praia fluvial? Creio que é uma riqueza subaproveitada que está mesmo à frente dos nossos olhos...

UMA IMAGEM...POR ACASO...



Hoje às 14H00, em Coimbra, os termómetros chegaram aos 40 graus celsius...

UMA SUGESTÃO DO JOÃO BRAGA...



Sem dúvida que este homem seria uma contratação como pólo de atracção por uns dias para a Baixa da cidade, ao contrário de algumas aves raras que por aí aparecem. Um caso para visualizar, sorrir e opinar...

BOM DIA PESSOAL...





 Ora vivam todos sem excepção. Os esquerdistas, os direitistas, os “manobristas”, os “doentistas”, os “riquistas”, os “pobretistas”, os ateístas, os “agnostistas” e todas as terminações em “istas”, como, por exemplo, “comunistas, fascistas, “lambebotistas” e outros que estou a pensar, mas não escrevo porque parece mal. Pronto já viram que este cumprimento é alargado a toda a comunidade, com eira e sem beira.
E você? Como é que está? Pela cara “deslambida”, quase sem cor e a escorrer pingos de suor, parece que está com calor. É natural, hoje está uma canícula que ai “Jasus”, nosso Senhor! Em Coimbra, às 14H00, estavam 40 graus celsius.
Pois é, naturalmente, igual a anos anteriores, temos aí os incêndios em grande plano.
Quem ousa aventurar-se pelas ruas da cidade, como um sequioso procura água, perante o Sol a pique, como romeiro a caminho de São Tiago, busca a sombra protectora dos prédios alinhados em fila indiana.
De quando em vez é surpreendido pelo “tinó…tinó…tinó” de mais um carro de bombeiros que passa em marcha de urgência. 
O Governo anunciou que tem capacidade de resposta para enfrentar os incêndios que lavram em todo o país. O exército proclama que mobilizou seis pelotões para apoiar a Protecção Civil.
 Digam-me lá, não ficaria muito mais barato às Finanças Públicas, se durante o inverno, o exército, os presos de delito comum, a maioria dos desempregados, e beneficiários de RSI, Rendimento Social de Inserção, de acordo com os proprietários das matas e com uma pequena comparticipação destes, limparem os terrenos para evitar esta calamidade? O que acontece é que o Estado, perante este continuado extermínio da riqueza nacional, cruza os braços e empurra a limpeza dos pinhais para os proprietários arbóreos. Sabendo todos que, nesta política agrícola de terra queimada, os proprietários não têm dinheiro para mandar cantar uma cigarra quanto mais fazer o corte de árvores rasteiras, porque é que se continua a passar a bola para eles sem se apresentar soluções políticas que salvaguardem o holocausto ambiental a que assistimos todos os anos. É difícil de verificar que esta situação não pode continuar? Pelos vistos é mesmo. Dá impressão que não se tomam medidas para manter este situacionismo. É como se, no “deixa arder que o meu pai é bombeiro”, se procurasse manter os negócios de contratos de aviões e helicópteros e demais negociatas à volta.
Todos os anos, no pico alto do Verão, assistirmos aos apelos emergentes, em soluços de angústia, das populações, como é o caso de hoje em Belmonte, em que esta povoação está cercada pelas chamas e, segundo a imprensa, vive-se lá o pânico generalizado.
Mudando um pouco de assunto, somos um país de passes de magia, quando o crude desce de preço os combustíveis como o gasóleo e a gasolina sobem nos postos abastecedores.
Outra situação que mostra bem o nosso atraso educacional e de respeito pelo sexo oposto são as constantes mortes diárias de mulheres às mãos dos companheiros. O que esperará o Governo para dar meios às polícias para, logo na primeira denúncia de maus-tratos, poderem intervir? Porque, perante uma legislação das mais avançadas da Europa, nomeadamente pela transformação da participação de violência doméstica em crime público, não será pela falta de lei que a violência continua a progredir e tantas mortes provoca em homicídios passionais. Apesar disso, numa passividade incomodativa, e tal como os incêndios crescentes, a mostrar ao mundo que para pior somos os melhores, o que se assiste é a um desmesurado aumento de Norte a Sul.

O VÍDEO DO DIA...

UM PEDIDO DE SUBSCRIÇÃO DO JORGE NEVES...




No dia 27 de Julho de 2010 09:42, Jorge Neves <jncriativo@gmail.com> escreveu:

Caros(as) amigos(as),
 

O Dr. Fernando Nobre é candidato à Presidência da República em 2011.
 

Essa candidatura "é supra-partidária, e impulsionada por imperativo moral, de consciência e de cidadania. Portugal precisa de um Presidente que venha verdadeiramente da sociedade civil, que seja independente, que nada precise da política e que conheça bem o país e o mundo."
 

Chegou o tempo de dar voz, ao nível máximo da soberania nacional, aos cidadãos, esquecidos pelos
políticos de carreira, muitas vezes movidos por interesses cada vez mais distanciados do que a sociedade deseja e necessita. 

A candidatura do Dr. Fernando Nobre não é contra os partidos, não é de esquerda nem de direita,
 é uma candidatura dos cidadãos, para os cidadãos e a favor dos cidadãos. 
Cabe-nos portanto a nós, cidadãos livres em democracia, dizer que sim, que queremos o respeito e a dignidade que merecemos.
 

E vamos dizê-lo elegendo o Dr. Fernando Nobre. Ele não nos decepcionará.
 


Se concordar em subscrever o direito do Dr. Fernando Nobre se candidatar, pode contribuir com a sua assinatura indo a
 http://fernandonobre.org/fnp/. 


Por favor, re-encaminhe este e-mail para a sua lista de contactos


segunda-feira, 26 de julho de 2010

A COLUNA DO MARCO...


(IMAGEM DA WEB)

COMPRAR POR COMPRAR, VALE MAIS UMA FERRADURA...


Hoje durante a hora do almoço assisti, no programa «companhia das manhãs» da SIC, a uma entrevista a uma senhora que reside na ilha da Madeira, que afirma que opera pacientes com cancro e outros males apenas com as próprias mãos. Curando-as totalmente, livrando-as da morte.
    Cuidado com este tipo de gente! Aproveitam-se da fé e da desgraça alheia para enriquecer. Pessoas desesperadas, doentes e psicologicamente deprimidas são alvos fáceis destes charlatães. Não passam de ilusionistas. Alguns são tão bons que até conseguem iludir as câmaras de filmar.
Vejam este video do Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=u14JFjF9jBg de um senhor chamado James Randi, que de uma forma divertida, mostra-nos como estes falsos curandeiros actuam. James Randi era um ilusionista profissional que revoltado com a atitude de alguns colegas de profissão, resolveu dedicar a sua vida a desmascarar todo o género de curas milagrosas, premonições, videntes, bruxos, etc,.
    Tem uma fundação com o seu nome que oferece 1 milhão de dólares a quem conseguir provar que tem poderes paranormais, sobrenaturais e ou capacidades mediúnicas. Em cerca de 20 anos nunca ninguém conseguiu prová-lo. Sempre que o  tentam (poucos se atrevem) são apanhados e desmascarados. No YouTube e Google Vídeos existem dezenas de imagens que confirmam a aldrabice e mentira que reina neste domínio do sobrenatural. Não passa de um negócio monstruoso de milhões de dólares e euros.
    Concluindo: é preciso ter muito cuidado. Mesmo pessoas bastante instruídas, quando desesperadas e sem outra opção são susceptíveis de ser enganadas. As poucas pessoas que têm alguma melhoria com este tipo de curas, é provado pela medicina que é temporária e apenas psicológica. Ou seja, a mente da pessoa convence-se que foi curada e a melhoria é apenas aparente, passado algum tempo a doença torna a manifestar-se. A SIC prestou um mau serviço, assim como a TVI com o programa que passa actualmente em que os mortos voltam para falar com os seus parentes. James Randi também explica este fenómeno, chama-se «cold reading» ou «leitura a frio». É um processo em um certo número de banalidades generalistas, em que nada é concreto. É adaptado à pessoa em questão. A pessoa quer tanto falar com o ente querido falecido que se convence que é verdade tudo aquilo que ouve do médium.
    Não sei a quem me hei-de dirigir, mas vou tentar reclamar junto das estações de televisão. Têm de dar tempo de antena ao contraditório, pessoas com conhecimentos que refutem todo este tipo de curandeiros e bruxos. Anda gente a enriquecer à custa da desgraça alheia.
Marco.

UMA CANÇÃO PARA TOMAR DURANTE A NOITE...

FALTA CERTIFICAÇÃO...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)




Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "BOM DIA PESSOAL...": 

Compreendi Luís. Compreendi que o amigo anda cada vez mais desiludido. Costuma-se dizer que as conversas são como as cerejas, e eu acrescento que com os textos, artigos e crónicas é o mesmo. Começa-se com um tema ou assunto, fala-se (escreve-se) noutro, e acaba-se com outro ainda, todos diferentes mas com a mesma desilusão e tristeza.
Estou totalmente de acordo consigo quando compara as feiras comerciais de Coimbra e Cantanhede, ou seja, não tem comparação. É incompreensível que uma pequena cidade como Cantanhede tenha mais vida comercial e industrial que a capital de distrito, a cidade do conhecimento que forma quadros superiores de qualidade. Mas que não consegue, depois de formados, que fiquem na cidade. Cantanhede está de parabéns. A autarquia consegue captar investimentos para o concelho de nível elevado e qualidade superior. Tem um parque industrial com condições apetecíveis para as empresas. Veja-se a Biocant. Olhe-se o campo de Golfe e o complexo de ténis. Até uma empresa de congelados (Frisaba) trocou Coimbra (esteve em Eiras durante anos) por Cantanhede. Porquê? Os preços praticados pela Câmara Municipal são menos de metade!!
Marco

POETAS COM QUEM CRUZAMOS...




Ao passar na rua estreita,
onde o Sol teima em beijar,
repara no que se aproveita,
olha bem quem vai a passar,
pode ser alguém que se deleita,
gritando, teima em cantar,
mesmo que pareça maleita,
escuta, não tentes abafar,
talvez seja a voz perfeita,
aquela que se teima em procurar,
mas que parece imperfeita,
perdida no meio do luar,
é uma sombra contrafeita,
em esboço do teu olhar,
pode ser um artista que se rejeita,
quem sabe, alguém para pintar,
pinta a vida, pinta tudo sem receita,
na solidão, faz a tristeza escorregar,
e mesmo acima de qualquer suspeita
do cinzento, faz  um pôr-do-sol brilhar,
até parece magia, a lua  quando se deita
ao entardecer, com a cabeça junto ao mar,
não te importes com a colheita,
fixa o prazer da sementeira, o esforçar,
não ligues se é feito pela direita
ou, sei lá, pela esquerda a algazarrar,
mesmo que ria, a bom rir, quem espreita,
deixa, em liberdade, o poeta expressar,
pode mesmo ser até já em recolheita,
e provavelmente não vais gostar,
esquece a tua embirração de seita,
aprende, a ver, a ouvir, a respeitar.







O VÍDEO DO DIA...

BOM DIA PESSOAL...


(IMAGEM DA WEB)









 Ói! Então…então…como é que estão, bem? Pelo seu rosto, de tez bronzeada, que até parece o Anacleto, aquele santomense que mora ali no beco do “chega-te a mim que estou carente” –não sei se está a ver onde é-, tudo indica que o amigo está aí para as curvas.
Já sei que ontem esteve na “Expofacic”, em Cantanhede, a abanar o capacete ao som dos “Xutos & Pontapés”. E fez você muito bem! Homessa. O que é preciso é gozar a vida. Aquilo é que é uma feira, “c’um caraças”! A gente até fica apardalado…é ou não é?
Porra, até me apetecia desancar nesta cultura que se semeia e cresce bem à nossa frente, que é de se propalar, em jeito de rendição, a tudo o que é grande. Mas, perante este sucesso, deste mega-projecto de mostra empresarial, como é que posso continuar? Se calhar vale mais estar quieto. Não acha? Não sei se você já percebeu onde quero chegar…se calhar não. Ah, pois não! Se nem eu sei para onde vou, como é que você pode saber?
Pronto, mas mesmo aos arremessos, aos trambolhões, como um gajo bêbado que, pelos farrapos ininteligíveis, não se percebe nada do que diz, vou continuando. É assim, uma pessoa vê aqui a CIC, Feira Industrial e Comercial de Coimbra, que se realizou há menos de um mês aqui na cidade, olha para aquela amostra de feira, aqui em Coimbra, e diz: “fosca-se para isto! É muito pequenina! Se, aqui, no “choupalinho”, tivesse uma capelinha, a substituir o piano em pedra do Vasco Berardo, pareceria a romaria do Santo Amaro. Dever-se-ia acabar com isto. Esta coisa só serve para gastar dinheiro”.
Logo a seguir, por um acaso que não lembra ao diabo, o carrinho em que nos fazemos transportar, aquele que já tem mais de dez anos, que chia mais que a porta centenária da menina Ermelinda, aquela velhota que é virgem e que, pelo menos uma vez na vida, antes de “bater a bota”, adorava fazer um chinfrim assim, mas qual quê?, já ninguém olha para ela. Antigamente ainda havia alguma esperança no carteiro –assim a estender os lençóis num romance do Pablo Neruda-, agora com estas modernices todas e mudanças de costumes –já ninguém escreve nada à mão, é tudo por computador, com contas para pagar, só o senhor da luz, da água, do telefone, é que se lembra de nos cumprimentar calorosamente-, uma pessoa tem de morrer imaculada como Nossa Senhora.
 Ai!, mas porque é que eu recordei aqui a menina Ermelinda, que mora na rua do “vai-te embora”, não sei se está ver quem é, se calhar não. Que coisa! Porque seria? Eu seja ceguinho se me lembra alguma coisa. Bom, mas isso também não interessa nada…
Ah…já me lembro outra vez! Estava eu então a dizer que o carrito em que se viajava, e que andamos com ele nas palmas das mãos a pedir a todos os santos que não avarie, de repente, pumba! Pariu no meio da estrada. Uma pessoa liga para o mecânico de família, aquele que nos últimos dez anos, em nome do estado social de insuficiência financeira, passou a olhar por nós –porque deixou de haver dinheiro para ir ao stand da marca do automóvel-, e, do outro lado, ele responde que, em nome do Santo Parâmetro que nos promete proteger a todos, foi obrigado a encerrar o “estaminé”, porque, segundo os novos critérios da Comunidade Europeia, o atelier de mecânica que sempre serviu toda a vida para ele alimentar a família, agora, já não serve. E uma pessoa, assim com cara de burgesso, solta uma imprecação, parecendo ouvir a voz cá dentro a martelar, assim como naqueles pesadelos confusos, e sente-se arrefecer como se fosse tocado por um vento glaciar que magoa o rosto e causa arrepios.
 Dá uma volta pela cidade medieval, entra numa qualquer rua estreia, o que mais o rodeia é o silêncio, embora temperado com algum mistério, e, como espelho a reflectir a nossa alma, naquela pincelada de infância, procura nos quadros de paisagem aquele pequeno estabelecimento, que ainda a semana passada lá estava a desafiar o destino, e o que encontra é uma moldura de vidro forrada a jornais.
Continua a caminhar, pelo empedrado da calçada e repara que falta qualquer coisa nesta outrora visão idílica que tanto povoa a sua memória. Talvez faltem sons, odores, um cão a ganir, um gato a miar, sei lá! Mesmo assim, ainda ouve, aqui e ali, uma lengalenga de um cego a rogar “uma moedinha por amor de Deus, Senhor”.
Olha à volta e, em soma de activo e passivo, em balanço existencial, pensa que tudo o que é pequeno está a desaparecer em proveito do grande, do enorme, do mastodonte. Por momentos, em viagem temporal, vai cair na História do Mundo, lembra-se que tudo começou assim, com os grandes monstros pré-históricos e um dia, sabe-se lá o que aconteceu, um dilúvio justiceiro veio equilibrar as coisas, e a Terra tornou-se mais equitativa e justa para todos.
Ai!...Mas porque é que eu comecei a escrever este texto? Não faço a mínima ideia. E você saberá? Compreendeu alguma coisa disto? Claro que não! Quem é que entende?...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)




SDaVeiga deixou um novo comentário na sua mensagem "A LOJA DE ANTIGUIDADES": 

A minha ideia de loja d'antiguidades sempre foi um sítio género cruzamento de biblioteca com igreja, a fugir p'ró mausoléu: poeirento, soturno, a cheirar a mofo e em que não se pode sequer espirrar sob pena de danificar algo de valioso.
Ora o "Encanto" não é nada assim: é viva, cheia de cor, bem arejada e, apesar do barulho dos putos não me deixar lembrar se com música de fundo ou não, a voz e a personalidade do dono enchem-na de vida. 
E o tal senhor não tem nada de “apardalado” nem esotérico, que eu bem sei! Que uma pessoa fica “apardalada” com algumas coisas que ouve, lá isso fica, mas isso acontece em qualquer lado...
Claro que se tem que ter cuidado à mesma para não partir nada de valioso, mas qualquer pessoa desastrada (como eu me assumo) sabe que se tem que ter cuidado para não acabar por pagar algo que não se consegue levar para casa, a não ser com cola, paciência e jeitinho para quebra-cabeças!!!
O único senão desse tipo de lojas é que, nestas alturas de crise, surge muita gente a querer vender os seus tarecos para encaixar algum, mas não se pode só comprar se não se consegue vender...
Mas melhores dias virão! Dias em que o que é moderno e oriental será rechaçado, banido das nossas vivências e apreciaremos algo com história e não facilmente reciclável.
O "Encanto" é um encanto e quem lá nos recebe também, sempre com um "Bom-dia" de sorriso aberto.
[passando a publicidade, obviamente, que eu até nem recebo nada por isto!!!

sábado, 24 de julho de 2010

HÁ CAMILOS QUE SE SUICIDAM...HÁ CAMILOS QUE SE ABATEM...



 "O Camilo" foi uma tasca e casa de dormidas na década de 1970/80 na Avenida Fernão de Magalhães.
Durante quase trinta anos esteve a conspurcar a paisagem urbana junto ao Largo das Ameias.
Hoje, num Sábado solarengo de Verão, pela força do camartelo, foi ao chão. Se por um lado é um resquício da história da cidade que se apaga, pela imagem decadente, era um farrapo de memória. Pelo estado decrépito, não deixa saudade...

A LOJA DE ANTIGUIDADES




 Se lhe perguntassem a si leitor, de rompante, para definir uma loja de antiguidades o que respondia? De repente vir-lhe-ia à memória a obra-prima de Charles Dickens, mas, por aí, não chegaria lá. Então, tendo em conta que de vez em quando até passa numa feira de velharias, pelo senso comum, tentaria responder. Diria que é um estabelecimento onde se vendem coisas antigas? Diria que vendem lá artigos que você já colocou no caixote do lixo? Não diria que é uma espécie de fábrica de ilusão, onde se transforma lixo em luxo?
E se o interrogassem acerca de quem está vender, do homem ou mulher que anda para lá a saracotear-se, como macaco de galho em galho, no meio de livros empoeirados e objectos que para si não fazem o menor sentido, o que diria? Pegaria novamente num qualquer quadro de memória e, se calhar, começaria por dizer que são pessoas com um ar “atoleimado”, não? Lembrar-se-ia de um qualquer tipo, numa feira de rua, com um grande chapéu, uma grande “bigodaça”, sei lá, talvez vestido todo de preto, quase a parecer um qualquer místico sacerdote?
 Mas, com a recorrência à mnemónica, continua sem conseguir estabelecer um conceito para este tipo de lojas. Sim, porque, numa coisa todos estamos de acordo, não são espaços comerciais iguais aos outros similares de comércio. E ainda outro acordo: quem está à frente destas lojas, para o bem e para o mal, também não são iguais a outros quaisquer vendedores. Têm qualquer coisa que os distingue dos demais. Pode ser simplesmente uma sensibilidade elevada, o sexto sentido apurado, aquela intuição inata que nasce com qualquer mulher. É evidente que, como em todas as profissões, não se poderá generalizar. Haverá sempre excepções.
Uma loja de antiguidades é uma universidade de conhecimento antropológico e comportamental do ser humano. Aqui se pode perfeitamente assistir a muitos clientes quererem comprar uma ferradura para ver se, no futuro, passarão a ter mais sorte. Pedir para consultar o livro de São Cipriano –“que é para uma vizinha. Foi ela que pediu para comprar”-, ficar com ele na mão, a olhá-lo, sem o abrir, e, depois de um conflito de interrogações várias pelos labirintos da superstição, interrogar: “diga-me, é verdade que este livro pode fazer mal, se se levar a sério as suas premonições?”.
Pode contemplar-se uma qualquer pessoa levar na mão uma foto de uma peça, de mobília, por exemplo, e, dirigindo-se ao dono da loja, medindo-o de alto a baixo, começar por interrogar: “aqui avaliam peças antigas? Mas o senhor sabe avaliar? É que a peça que tenho aqui retratada é muito valiosa. É do século XVIII/XIX. O senhor estudou arte? É que já me foi estimado um preço de 200 mil euros…”. O dono da loja, o tal com ar amalucado, assim para o esotérico, olhando para a imagem fotográfica, verifica que aquilo, apesar de velho, terá para aí umas largas décadas. Aquela mobília, aquele monte de lenha, é como uma mulher de oitenta anos: já foi boa, já! Já deu tudo o que tinha a dar. Dali para frente, daquela grande estampa, só se espera trabalho. Mas como é que se vai dizer isto a uma pessoa que está convencida que aquilo que tem lá em casa –o monte de lenha- já está pago e “repago” pela fruição da utilidade? Como é que se consegue fazer compreender que naquela cama de madeira, onde foi concebida toda a prole, apenas representa a emoção para quem com ela conviveu? E a emoção não é mensurável. Como é que se descalça esta bota?
A custo, tentando não ferir a ambição do vendedor particular, o dono da loja lá vai dizendo que quem avaliou, quantificou mal, certamente por desconhecimento. Com jeito, começa por dizer “a senhora desculpe mas o que pretende vender não tem valor comercial. Já teve. Agora é simplesmente um objecto com história mas sem valor transaccionável”. "O quê? –recalcitra o particular, completamente fora de si-, o senhor não percebe nada de antiguidades, está a ouvir? Está a dizer-me que esta minha obra, digna de museu, não vale nada? E mais: não me trate por “senhora”, eu sou licenciada…doutora…está a ouvir-me bem?”. E sai espavorida pela porta fora a expelir mais fumo que um comboio a vapor.
Outras vezes, entra pela porta dentro, de passo ligeiro, uma senhorita com ar de sirigaita, olha à volta, torna a olhar…toc…toc…dá mais uma volta ao pequeno espaço, sem conseguir olhar com olhos de ver, e atira: “aqui só vendem coisas antigas e usadas, não é?”. O dono da loja, o tal de ar metafísico, com ar pardalão, responde: “não senhora, aqui não há só antiguidades e usados. Também há “novidades” e sem uso…que, por acaso, sou eu!”. A mulher olha para o homem dividida, não sabe se há-de fazer cara de cavalo cansado ou de chaimite em primeira-mão. Opta por um sorriso amarelo e responde sem dizer nada: “é que eu não gosto de coisas antigas e usadas…dão-me nojo saber que já foram mexidas por outros. Eu sei lá! Às tantas, ainda vem cá o espírito do primeiro dono aborrecer-me…”