quarta-feira, 16 de agosto de 2017

BAIXA: MEDIDAS DESPENALIZADORAS E A FAVOR DA SUA REVITALIZAÇÃO (2)





Tendo em conta a continuada situação de empobrecimento e desalento que as actividades comerciais tradicionais da Baixa de Coimbra atravessam, diariamente e até às próximas eleições autárquicas de 01 de Outubro, vou sugerindo medidas que, se houvesse vontade política, poderiam servir para atenuar a queda e o encerramento de mais espaços mercantis.
Estou a escrever p'ro boneco? É o mais certo!

    Revisão do preço por metro quadrado pela ocupação de espaço público com esplanadas. Depois de gratuito durante mais de uma década, abruptamente e sem aviso prévio, em Janeiro de 2016 passou a ser cobrado 2.00 € por metro quadrado.


Sabendo-se pelos jornais que a Câmara Municipal de Coimbra detém um Superavit, diferença entre as entradas de dinheiro e os gastos durante este último mandato de quatro anos, não faz sentido, ou melhor, é um absurdo o desmesurado aumento/custo apresentado de supetão aos hoteleiros. Pelo desenvolvimento da Baixa, através da sua actividade turística, tendo em conta que resulta em exploração sazonal e o restante de embelezamento da paisagem urbana, manda o bom senso que o custo a pagar por mês pela ocupação de espaço público com esplanadas passe para metade. Ou seja, 1,00 € por metro quadrado.
O executivo municipal, para além de tentar mostrar serviço com obras públicas em tempo de eleições e para isso gastando milhares e milhares de euros, acima de tudo, tem obrigação de tomar atenção ao que se passa com os operadores que exercem no Centro Histórico. Não é com taxas de confisco que se demonstram políticas de apoio à revitalização da Baixa.



TEXTOS RELACCIONADOS


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

BAIXA: MEDIDAS DESPENALIZADORAS E A FAVOR DA SUA REVITALIZAÇÃO (1)





Tendo em conta a continuada situação de empobrecimento e desalento que o comércio tradicional da Baixa de Coimbra atravessa, diariamente e até às próximas eleições autárquicas de 01 de Outubro, vou sugerindo medidas que, se houvesse vontade política, poderiam servir para atenuar a queda e o encerramento de mais estabelecimentos.
Estou a escrever p'ro boneco? É o mais certo!


    Embora sujeito a registo processual, isenção de taxas para reclames e toldos e ocupação de espaço público com expositores de ementas e outros, sinais indicativos e publicitários, passadeiras e vasos à frente dos estabelecimentos que não excedam em largura os 50 centímetros.


Sabendo-se pelos jornais que a Câmara Municipal de Coimbra detém um Superavit, diferença entre as entradas de dinheiro e os gastos durante este último mandato de quatro anos, não faz sentido continuar-se a cobrar pequenas quantias, que serão “lana caprina” para o orçamento municipal, e, em pequenas medidas desoneroradoras, deveria ser mostrada sensibilidade para a recuperação do tecido comercial da Zona Histórica.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

SEI QUE ESTÁS EM FESTA, BAIXA. VENHO HOJE E VOLTO PARA O ANO...





No Sábado de manhã, enquanto decorria a mostra de “Estátuas Vivas” na Baixa, um funcionário administrativo com cargo superior na Câmara Municipal, em vistoria à humana performance estática nas ruas estreitas, desviando-se do seu trajecto programado, um pouco ufano pelo sucesso da iniciativa que se comprovava por grupos de transeuntes parados a apreciar o desempenho artístico da “performer”, dirigiu-se-me assim: “Então, está gostar? A mostra vai merecer um comentário seu positivo?
Em diálogo curto, tentei explicar-lhe a minha posição sobre estas festas. Pouco ou nada convencido pela minha argumentação, foi à sua vida. Certamente na sua passagem, se olhou para dentro dos estabelecimentos comerciais, teria visto que as lojas, apesar do envolvimento da festividade, estavam vazias. Mesmo com as mostras artísticas a decorrer durante a tarde, às 13h00 o comércio nas ruelas estreitas praticamente encerrou quase na totalidade e deixando os artistas imóveis como se fossem mesmo estátuas reais.
Antes de prosseguir vou fazer uma declaração de interesses. Pelo pessimismo notório, por me sentir uma espécie de “Medina Carreira do comércio tradicional”, nos últimos tempos tenho vindo a deixar de escrever sobre o que se passa e como interpreto o que está acontecer na Baixa. A cada dia que passa cada vez mais estou convencido que estou sozinho a falar para o vento e, a ser assim, não sendo entendido, nem pelos mais interessados, os comerciantes, nem pelo poder político que apenas está arrebatado no resultado final de sucesso que transparece para o público e pouco preocupado com o que está acontecer de facto, só me resta mesmo cuidar de mim.
Repetindo o que defendo há alguns anos, e foi isto mesmo que tentei mostrar ao funcionário camarário, o que a edilidade está a fazer são festas para “turista ver” e que para o comércio de rua não traz absolutamente nada. São como fogo de artifício a ribombar no ar. Saliento que, com esta crítica, não pretendo destruir o trabalho apresentado e realizado pela autarquia. Discuto os meios e os fins que levam à concretização e não o que se apresenta ao público. O que afirmo é que estas festas, pelos elevados montantes gastos, não estão a ser devidamente canalizadas para a revitalização da Baixa. São formadoras de uma atmosfera festivaleira, oca, panfletária e sem conteúdo, e, para quem está de fora, para quem aprecia sem se questionar para que serve, cativa simpatias e gera ovação na aparência. Têm um elevado pendor político de “show-off”, um faz de conta associado, que a todo o custo querem retratar uma realidade que não existe. Com a conivência da comunicação social, escrita e falada, que só revela a fachada e não o interior, ostenta-se um centro comercial de vida, pujante de turismo, que está na moda, activo e a mexer, como nenhum outro nacional. Neste quadro falseado, a cidade muito fica a dever à SIC. Só para exemplificar, na penúltima sexta-feira, sob responsabilidade da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, foi realizada mais uma “Noite Branca”, pretensamente com o comércio aberto até à meia-noite, com “Dj's” a actuarem em algumas praças e outros músicos dentro de algumas lojas. Quem viu a reportagem no canal privado, mais que certo, ficou impressionado. O que não se disse na peça é que pouco mais de meia-dúzia de estabelecimentos comerciais estiveram abertos. No Sábado, no “Primeiro Jornal”, a mesma coisa acerca das “Estátuas Vivas”. Como não foi exibida a rectaguarda desta alegoria, o que perpassa é um êxito jamais visto. Nestas reportagens de pendor duvidoso na seriedade, nunca são entrevistados comerciantes extra-organização para saber o que pensam destas celebrações.
A questão é que, em face do alegado triunfo destes eventos, e não havendo contraditório, para o cidadão comum que vê a farra do lado de fora como um banquete gratuito, tomando conta da não adesão do comércio, há uma tendência para a exaltação do poder político e na culpabilização dos comerciantes. Ora, está visto, isto é o pleno que os dirigentes autárquicos pretendem atingir, falando de Coimbra como outras cidades, fazer de conta que está a alavancar a recuperação dos seus centros históricos. Pura mentira! Inegável aldrabice! Digo eu, que também não serei credível para muitos.

LADO-A-LADO, UM CONCERTO E UM FUNERAL

Para muitos dos que não fazendo parte da grande família comercial e seguem o que persistentemente tento transmitir, estou em crer, mesmo vendo o que está a acontecer, com ramos de negócio a desaparecer, uns atrás dos outros, tomam-me como exagerado. Uma espécie de anjo da desgraça. Para os outros, os que estão imbricados com a mão na massa, os que aqui ganham a vida, sabem que o que escrevo é verdade mas, aceitando passivamente, preferem não se manifestar. Em jeito de protesto mudo de costas voltadas, o seu maior ruído percepcionado a ecoar no silêncio é a manifesta falta de colaboração nestes festejos. Em metáfora, é assim que, pela imagem de lojas fechadas num desinteresse bem vincado e a banda a tocar, parece um funeral e um concerto musical a conviverem no mesmo espaço. Nos últimos dias encerraram três estabelecimentos na Baixa.

MAS, AFINAL, O QUE É QUE SE PODE FAZER?

Até parece que escrevendo muito sobre o comércio de rua, na linha de salvação, sou senhor de grandes saídas reveladoras. Não, em confissão e com a humildade possível, não detenho soluções milagrosas. Tenho para mim que, de uma maneira geral, o estado de desgraça é de tal modo caótico, e atingiu tal gravidade, que já não haverá recurso possível para o inevitável desaparecimento da loja tradicional de rua. Sem querer parecer profeta do infortúnio, acredito que, sem tardar muito, se continuar a elevada carga fiscal sobre a pequeníssima empresa, vão ser as câmaras municipais a ocupar-se dos espaços comerciais, colocando lá funcionários pagos pelo erário público para dar vida às cidades e vilas.
Dando crédito, basta atentar às actuais quotas de mercado divulgadas nos últimos tempos: comércio online já ocupa uma fatia de cerca de 51% -com tendência para aumentar-; grandes superfícies cerca de 41%; comércio de rua cerca de 8%. Se, por um lado, se verifica que o comerciante tradicional resiste a novas formas informais de transaccionar, o que resulta em seu prejuízo, por outro, também é certo que, sendo o mais vulnerável, é atacado por todos os lados e até por si mesmo. Vejamos algumas debilidades que se detectam a olho nu:

-É ofendido pela crise, na diminuição drástica dos rendimentos, que redunda na queda da procura;
-Pela oferta desmesurada, em concorrência feroz, que contribui para o embaratecimentos dos produtos, com curtas margens de comercialização, e que provoca a deflacção;
-Pela mudança dos costumes, na troca do ter pelo ser, isto é, abdicando dos bens materiais em prole do imaterial, como viagens e prazeres perecíveis e imediatos. Pela desvalorização das coisas, em opção por outras escolhas, o adquirir e ficar amarrado ao futuro deixou de ser opção;
-Pela intencional desregulação das leis de mercado, com promoções diárias, debilitando o pequeno investidor e favorecendo os grandes grupos;
-Pelas vendas particulares em populares sites da Internet, em que poucos pagarão um cêntimo de impostos, em que é desencadeada uma luta desigual com a conivência do Estado. O lojista está encurralado. Para além de não conseguir fugir a nada, com custos fixos exacerbados, está preso a malhas administrativas e a obrigações fiscais de confisco;
-Pelas feiras e mercados, nascidos como cogumelos por esse Portugal fora, apadrinhados pelas câmaras municipais. Apresentados como revivificadores salvíficos dos lugares, poucos parecem perceber que, contrariamente ao apregoado em que se tenta fazer crer ser complementar, com estas medidas, estão a acelerar a morte do que resta da antiga loja tradicional;
-Pela desertificação habitacional nos grandes centros urbanos, as lojas (sobre)vivem apenas dos imprevisíveis passantes. O cliente fidelizado ao longo de décadas desapareceu;
-Pelo abandono e carência de políticas locais e governamentais de desenvolvimento;
-Pelo desinteresse como as entidades nacionais ligadas ao turismo desprezam o comércio de rua. Apenas se interessam pelo alojamento e hotelaria em geral;
-Pela desunião de classe e fraca capacidade de reivindicação. o comerciante tradicional, maioritariamente sexagenário, raramente ou nunca fala das suas dificuldades económicas. Morre sempre envolto num silêncio sepulcral.

Assim a continuar, só sobreviverão os negócios únicos no seu género e sem concorrência e aqueles que estejam virados para o turismo massificado -enquanto durar o trânsito internacional de pessoas, porque, como sabemos, o turismo é um sector muito oscilante e dependente de vários factores.

SUA EXCELÊNCIA O TURISTA “PÉ-DESCALÇO”

Segundo as estatísticas do INE, Instituto Nacional de Estatística, divulgadas na última sexta-feira, “o ano de 2016 foi o melhor de sempre para actividade no Centro, que registou crescimentos na ordem dos dois dígitos a nível de hóspedes, dormidas e receitas”, in Diário de Coimbra.
Ainda no mesmo diário, citando a Turismo Centro de Portugal, é referido que este crescimento revela “maior expressão nos mercados externos”, com um auento de 13%, para 2,36 milhões de dormidas. (…) Estes números comprovam os dados preliminares de que já dispúnhamos. E comprovam também que a estratégia que definimos é a mais correcta”, afirma Pedro Machado” (presidente da Turismo Centro de Portugal).
Como já percebi há muito, para a Turismo Centro de Portugal, o comércio de Coimbra não merece qualquer referência, seja sobre esta actual declaração do INE seja sobre outra qualquer passada. O que contam são as dormidas, o resto é paisagem.
Atente-se no facto de, progressivamente e sobretudo este ano, o turista ser cada vez mais “low-cost”, de baixo consumo, mochila e tenda às costas e telemóvel a captar imagens sem pedir licença.
Em Coimbra verifica-se que a classificação de Património Mundial, atribuído pela Unesco, foi um grande negócio para a Universidade. Melhor dizendo, uma escandalosa classificação que, para além da hotelaria e algum comércio de cortiça, pouco trouxe à Baixa e à cidade. Um falhanço clamoroso. Com rotas viciadas, entre o Hotel Astória e a Praça Dom Diniz, a cidade, e nomeadamente a Baixa, com a Rua da Sofia abandonada, fica a vê-los passar na rota programada ao milímetro. Uma vergonha que poucos admitem! Quem leu ontem o Diário as Beiras ficou a saber que “O turismo da Universidade de Coimbra vai facturar quatro milhões este ano”. Continuando a citar o periódico, “A afluência de turistas à Universidade de Coimbra continua a aumentar, esperando-se que este ano ultrapasse o meio-milhão. A larga maioria dos visitantes são estrangeiros, mas o número de portugueses está a aumentar”. Ou seja, quando a actividade comercial na Baixa morre um pouco todos os dias, a Universidade, fazendo concorrência aos privados na venda de artigos alegóricos, engorda perante o regozijo dos seus responsáveis e com o beneplácito da autarquia, que não tem coragem de pôr fim a esta arbitrariedade que redunda numa aviltante discriminação, e da Turismo Centro Portugal, que, pela voz do seu presidente, nega estar a favorecer a Universidade em detrimento da Baixa no seu todo. Defendendo a mesma cartilha doutrinal, a Câmara Municipal de Coimbra, pela voz da vereadora da Cultura, afirma que estão todos a trabalhar em conjunto para tornar Coimbra uma cidade melhor. Entretanto as grandes casas centenárias de comércio vão encerrando.
Para quem permanecer na Baixa, aguardemos com serenidade o cair do pano desta comédia trágica para os que, por insolvência, partem e para os que, a conta-gotas, se vão aguentando e tentam ganhar a vida. Já agora, porque a classificação consignada obedece a uma série de requisitos, esperemos que a UNESCO não leia esta crónica.


BAIXA: TRÊS ESTABELECIMENTOS FORAM À VIDA





Nos últimos dias deste verão que não faz desaparecer somente floresta, encerraram três estabelecimentos na Baixa de Coimbra: O Fish-fixe, uma loja de congelados na Rua das Padeiras, com cerca de vinte anos de existência; a sapataria Iara, com seis anos de vida aqui na zona e implantada na Rua Visconde da Luz; a pastelaria Sírius, um estabelecimento com mais de meio-século e com sede na Rua da Sofia -embora esta actual gerência tenha cerca de meia-dúzia de anos de vigência.
Se nos dois primeiros estabelecimentos citados pouca informação se sabe, na vidraça da pastelaria Sírius pode ler-se um aviso com o seguinte teor: “Caros clientes, a Sírius encerra a partir de 1 de Agosto de 2017 para remodelação”. Por declarações prestadas sob anonimato, ficámos a saber que o estabelecimento mudou de mão para uma conhecida marca ligada a pastelaria e refeições implantada aqui na Baixa há cerca de meia-dúzia de anos -não cito o nome por não ter conseguido confirmação.
As razões para estes encerramentos, no meu entendimento, estão à vista de todos. Pode ler as explicações num outro texto que estou a preparar. Salienta-se, para reflexão, que a pastelaria Sírius está na Rua da Sofia, artéria classificada, em 2013, como Património Mundial pela Unesco. A razão para ninguém ligar ao que se está a passar no Centro Histórico da cidade é que deveria constituir um enigma. Ou talvez não. Podemos aventar, de duas uma: ou anda tudo cego ou vislumbram e fazem de conta que não vêem. Felizes daqueles que conseguem assobiar para o lado perante um desastre que ocorre num nosso vizinho.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

LONGA VIDA PARA O LUÍS CORTÊS







Por ontem ter dado uma queda e ter ocasionado fractura óssea, o Luís Cortês, um dos “Rostos Nossos (Des)conhecidos” e que faz parte do mobiliário e paisagem da Baixa de Coimbra, deu ontem entrada na urgência dos HUC, Hospitais da Universidade de Coimbra, onde se encontra a recuperar do traumatismo. Segundo informações junto da entidade hospitalar, felizmente, não foi tão grave quanto se constou hoje aqui no Centro Histórico.
Já se dizia que, pela gravidade do acidente, não voltaríamos a ouvir o Cortês a tocar órgão nem a Mariazinha, a dona de uma das mais importantes tabernas destes becos e ruelas, lhe voltaria a servir um copo e uma sardinha.
Para nossa congratulação, o Luís, após uns dias de estaleiro, estará pronto a, novamente, frequentar a Praça 8 de Maio e a encantar quem passa.
Muita saúde, Luís Cortês!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

BAIXA: NA ROTA DE UMA ANIMAÇÃO PERDIDA





Sob o mote “Noites de Coimbra - Música no coração da cidade” e na temática “Rota das Tabernas”, de responsabilidade da Câmara Municipal de Coimbra, realizou-se ontem à noite, no Largo da Freiria, um jantar para cerca de quatro dezenas de pessoas e outra vintena a assistir acompanhado por fado de Coimbra. Pelo preço de 8 euros, os comensais, inscritos previamente na autarquia, puderam degustar um saboroso caldo verde a abrir o repasto, uma boa chanfana assada em forno de lenha e a terminar com um arroz-doce de estalar o palato, tudo muito bem servido pelo Sérgio Ferreira, no restaurante Padaria Popular. Tudo bem regado por uma “pomada” de carrascão da zona.
Numa fantástica execução instrumental a cargo do projecto “Iterum”, guitarra clássica e guitarra portuguesa, e com a extraordinária voz de António Dinis, um dos melhores intérpretes da canção coimbrã da actualidade, a mostra, muito bem organizada pelo pelouro da cultura da autarquia, deixou sabor a pouco. No final de cada actuação, as palmas ecoaram fortemente no mais pitoresco largo da Baixa de Coimbra.

E O DIA, SENHORES?

O programaNOITES DE MÚSICA NO CORAÇÃO DA CIDADE DE COIMBRA teve início no passado 22 de Junho e distribuído por entre vários dias da semana, com vasta animação noturna entre fado, cinema, folclore e outros ritmos, vai até 01 de Outubro.
Numa primeira análise, há alguma questão a apontar? Afinal é festa e esta, no pico turístico, é realizada no coração da cidade, como quem diz, na Baixa, que, como se sabe, sofre de uma acentuada desertificação, sobretudo e também, a partir das 19h00. Sendo assim, está tudo bem. Estará?
Antes de prosseguir gostaria de fazer uma ressalva: tenho para mim que se, por um lado, nada agrada a todos, por outro, qualquer iniciativa cultural é passível de aperfeiçoamento. E isto quer dizer o quê?
Quer dizer que este programa está carregado de boa-vontade, mas, depois de se pensar bem, chega-se à conclusão que terá de levar uns acertos. Tem coisas boas? Tem sim! Uma delas é o facto de tomar mais atenção aos becos e vielas mais esquecidas da denominada baixinha. Mas há detalhes que devem ser melhorados. Se não vejamos:
Visto a frio, sendo estas acções realizadas à noite, mais uma vez se verifica que quem mais sai beneficiado é o sector hoteleiro. Ou seja, os milhares de euros saídos do erário público destinados à revitalização do Centro Histórico no seu todo, na prática, vai beneficiar uma parte, uma área, a hotelaria, que é a que está melhor economicamente no tecido empresarial desta zona. Portanto, a autarquia, sem intenção certamente, acaba por discriminar negativamente os operadores que aqui laboram entre as 09 e as 19h00, como o comércio e os serviços.

MAS, Ó SENHOR, O QUE SE HÁ-DE FAZER?

Se houver repetição destas alegorias para o ano, estes acontecimentos terão de ser repensados. Porque há uma questão básica similar: a desertificação na Baixa de Coimbra não atinge apenas a noite. Embora em menor escala, o movimento no dia também precisa de uma mexida. E grande, digo eu. As lojas continuam a encerrar -e isto não é teimosia minha, está à vista de toda a gente. Basta dar um passeio pelas ruas.
Então surge a pergunta sacramental: como é que se pode dar a volta a isto? A meu ver, há duas alternativas. Na primeira, é imperioso envolver o comércio tradicional e tentar que as lojas estejam abertas neste período de verão. Bem sei que é difícil, mas para o demover cabe ao pelouro da cultura estudar o assunto. Claro que para esta mudança ocorrer os espectáculos públicos terão de se realizar mais cedo e não às 21h30-22h00 como está acontecer. Na segunda alternativa, que se tornará efectiva por falhanço político no acordo com os lojistas, a edilidade, para não ser acusada de vistas curtas, em benefício e privilégio de um sector, estará obrigada a empreender também animação durante o dia.



O SELVÁTICO CAPITALISMO QUE NOS CERCA



MEO exigiu pagamento de multa por cancelamento de contrato de vítima do incêndio de Pedrógão Grande”

quarta-feira, 26 de julho de 2017

terça-feira, 25 de julho de 2017

O PAI NATAL

(Imagem da Web)





Por, em período de eleições, distribuir dinheiro a tudo o que é associação que mexa na cidade (desde que caída nas suas boas graças), Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, depois de ser apelidado de “feitor”, “capataz”, “perfeito”, “ditador”, corre o risco de colher mais um apelido: Pai Natal.

O anunciado Superavit camarário, diferença entre as entradas de dinheiro e os gastos durante um determinado período, deve ser assim uma espécie de poço de petróleo inesgotável das arábias. O problema é se a coisa muda e se descobre que a dívida camarária, afinal, é muito maior do que se estimava.

UMA QUESTÃO DE VERDADE NA MORTE

(São Marcelo -imagem recolhida da Web)


Depois do sururu entre o Governo e a oposição acerca do número de mortes que ocorreram em Pedrógão Grande pelo fatídico grande incêndio ocorrido há pouco mais de um mês, Deus já mandou instaurar um rigorosíssimo inquérito para que, exaustivamente e doa quem doer, se apure se houve ou não falcatrua na entrada de almas no Purgatório. Para esta árdua tarefa de investigação, foi incumbido Santo Onofre, protector dos comerciantes, sábio independente, mas pouco zeloso no desempenho aos protegidos. 
Com esta nomeação, tudo indica que Deus não confia em Santo António, nem São Pedro e muito menos ainda em São Marcelo, outrora padre e elevado a Papa no ano de 308 da nossa era e no tempo de Diocleciano, imperador romano.
Pouco se sabe, mas tudo indica que lá em cima, no Céu, seguindo o exemplo de cá de baixo, da Terra, nada voltará ser como dantes.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

COMÉRCIO: APLICAR SORO FISIOLÓGICO AO DOENTE COMATOSO

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Neste último Sábado, a Câmara Municipal da Mealhada, sob o lema “Comércio em Festa”, levou a efeito um desfile de moda, “em que eram apresentadas as grandes propostas das lojas da cidade”, e abrilhantado com música ao vivo de DJ's contratados. Seguindo o exemplo de anos anteriores (creio), e a prossecução, em imitação, do que se faz pelo país de Norte a Sul sobe o mote de “Noite Branca”, a ideia seria manter os estabelecimentos comerciais abertos até à meia-noite e, para além disso, “um sorteio de vales de desconto num valor acumulado superior a 500 euros” -in Diário de Coimbra.
Cerca das 21h30, tanto quanto me apercebi, na principal artéria da cidade bairradina, para além de alguns cafés, havia três lojas comerciais abertas, sendo que duas pertenciam ao mesmo proprietário. Transeuntes a circular nas ruas contavam-se pelos dedos. No entanto, saliente-se, no fim do espectáculo de moda realizado na Quinta da Nora deu para ver que largas dezenas de pessoas assistiram e depois de concluída a mostra recolheram directamente às suas casas sem sequer se preocuparem em visitar os poucos comerciantes “resistentes” que seguiram o programa anunciado.
Num dos espaços comerciais abertos, em cuja montra poderia ler-se “leve dois e pague um”, troquei algumas impressões com o lojista. Pela longa conversa, facilmente percebi que o que se passa com o comércio tradicional em Coimbra, cidade média de cerca de cem mil habitantes, é igual à Mealhada, urbe com pouco mais de vinte mil. Lá como cá, o comércio de rua arrasta-se pelas pedras da calçada sem que, por parte do poder político, se vislumbrem soluções honestas de salvação que possam pôr fim à sangria que inevitavelmente levará ao desaparecimento destes espaços tão populares e necessários a todos os lugares habitados. Na Mealhada como em Coimbra, a solução apresentada de recorrer à festa nos centros das cidades e chamando os comerciantes a estarem abertos visa essencialmente dois objectivos:
Primeiro, mostrar aos consumidores em geral, enquanto massa abstracta que vota e que não está ligada ao comércio de rua, que os “senhores feudais” (o poder político local instituído) estão muito preocupados com a desertificação e a notória queda abrupta nas vendas. E por isso mesmo promovem iniciativas que, aparentemente, têm por objecto revitalizar os centros urbanos. Ficam muito bem na fotografia e o povo, acrítico, sem pensamento de análise e que adora circo, bate palmas.
Segundo, como os comerciantes não aderem a estas festarolas, porque há muito se aperceberam do que daí advém, a intenção é passar o ónus da responsabilidade de decrepitude destas zonas para os que lá exercem as suas profissões de compra e venda. Paulatinamente, como um enorme toro de madeira numa lareira, os mercadores, sem destrinça entre velhos e novos e indiciados como causadores da falência vivificante dos centros, vão sendo queimados em lume brando pela opinião pública.
É óbvio que, na primeira premissa, estes políticos estão fartos de saber que o comércio local caiu nas ruas da amargura muito por culpa do licenciamento desbragado e falta de planeamento urbanístico da oferta nas actividades existentes. A desculpa para se continuar a falar em urbanismo comercial e não se fazer nada para a sua implantação, num preceito constitucional que dá jeito assente na liberdade de investimento, reporta-se para Constituição da República e para as directivas emanadas de Bruxelas, em que o que importa é a concorrência sem regulação. Quanto mais oferta selvagem houver maior será a destruição na pequena e pequeníssima empresa. Não é preciso ser presciente para adivinhar que a médio-prazo esta anomia, perdas de identidade, de objectivos e de regras, vai conduzir ao caos, em que o desequilíbrio vai imperar pela transformação de tudo em hotelaria -até ao dia em que este sector rebentará também como bolha de água inflaccionada.
É também claro que, na segunda premissa, os eleitos condutores das cidades estão fartos de saber que os comerciantes não aderem porque estas acções festivaleiras não trazem absolutamente nada de positivo para os lojistas. Pelo contrário, pela despesa em cima de despesa, sem que se vislumbrem melhorias, é extremamente negativo. Utilizando-os como arlequins do reino, sem um pingo de vergonha, faz-se deles actores gratuitos de um teatro trágico-cómico.
Tal como se verificou neste último Sábado na Mealhada, e igualmente em Coimbra, as pessoas são atraídas apenas pela alegoria e poucos e raramente vão para comprar nessa noite. É assim uma espécie de ida à romaria do Santo Amaro.
Neste cortejo à Senhora das Aflições, todos fingem. Começa no comerciante que, sentindo que o negócio é cada vez mais a conta-gotas e a cair dia-após dia, finge que está tudo bem -a não adesão a estes movimentos circenses é o único protesto silencioso que se conhece. Fingem os grupos parlamentares com assento na Assembleia da República, fingem os políticos governamentais, fingem os eleitos locais, fingem os candidatos às eleições autárquicas -em Coimbra todos os novos concursantes, nos seus programas eleitorais, falam em “requalificar” a Baixa. A questão é saber interpretar a palavra “requalificar” para além de ser uma bandeirola política que serve para tudo menos para ser objectiva.
Só para ser mais claro, de dois em dois anos, normalmente sob a sigla “Comércio Invest”, com promessas de um “eldorado”, lá vem subsídios propalados e, na subsequência, o convite e aceitamento para a forca. Este ano, para variar e alargar os créditos às autarquias, inserido no âmbito do Quadro Comunitário 2020-2020, foi apresentado o “Coimbra Invest”. Numa animada marcha fúnebre comercial, para ser contemplado, exige-se que tenham de ser criados postos de trabalho e, para o seu preenchimento, de recorrer aos centros de emprego. Facilmente se adivinha que num sector que agoniza, como é lógico, esta não será a solução viável para a sua recuperação.

NÓS POR CÁ TUDO BEM...

Em Coimbra, quando o comércio de rua apresenta sinais evidentes de esgotamento colectivo na Baixa, e em que os comerciantes não aderem ao alargamento de horário nas chamadas “Noites Brancas” e pelo contrário estão a abrir mais tarde e a encerrar as suas lojas mais cedo – para além de alguns já não estarem cá ao Sábado, nos outros dias, abrem por volta das 9h30 e encerram por volta das 18h00-, o executivo municipal continua a apostar na torrefacção de mais uns milhares de euros para festas populares em nome do Santo Onofre, protector dos comerciantes.
Depois de ter financiado há poucos meses com a verba de 35 mil euros, segundo o Diário de Coimbra de hoje, desta vez o “Município apoia Agência de Promoção da Baixa” com 55 mil euros. “A autarquia reconhece que a APBC tem aumentado, com qualidade, as dinâmicas de actuação e que pretende dar continuidade ao projecto, que contempla a concretização de iniciativas de carácter estruturante, de promoção e modernização da zona da Baixa de Coimbra. A sua acção e foco têm vindo a incidir em actividades que atraiam o maior número de pessoas à Baixa de Coimbra e, em 2016, houve uma considerável aposta na formação e sensibilização dos comerciantes, em acções de responsabilidade social, na captação de investidores e na promoção de concursos de empreendedorismo”.
Não há nada com cair em graça! Quando se precisa de justificar o injustificável até se inventam desempenhos e conceitos. Entretanto, os castelos vão caindo, mas não há problema porque a banda continua a tocar. Ah, grande Manuel Machado! O que seria da Baixa sem você?!?

terça-feira, 18 de julho de 2017

NO QUE SE DISTINGUEM AS CIDADES DE COIMBRA E MEALHADA?





A perder habitantes há vários anos, uma cidade de média dimensão como por exemplo Coimbra, com vistas curtas, faz festas na urbe e gasta 300 mil euros em pouco mais de uma semana. Uma cidade pequena, como por exemplo a Mealhada, com vistas alargadas para o futuro, cria incentivo à natalidade e, com este projecto, prevê gastar anualmente 250 mil euros. E mais: foi aprovado por unanimidade. Mealhada, i love you so much!

Seguindo o exemplo de Cantanhede, citando o “Bairrada Informação”, o município da Mealhada para “apoiar a natalidade no concelho e consequentemente impulsionar o comércio local são as bases do Regulamento Municipal de Apoio à Natalidade e ao Desenvolvimento Económico Local, que foi aprovado, na manhã de 17 de julho, na reunião do executivo mealhadense. Ao todo as famílias abrangidas pelo apoio arrecadam um apoio de mil e quinhentos euros cada. Já a autarquia prevê que este seja um investimento anual a rondar os duzentos e cinquenta mil euros por ano.
No documento do regulamento, a nota introdutória enfatiza que “desde há alguns anos atrás no Município da Mealhada um decréscimo da população em geral e de nascimentos em particular (cento e setenta e seis em 2016)”, levando a Câmara a “criar um incentivo financeiro à natalidade, com repercussão na atividade económica local, dando assim uma resposta conjugada a dois problemas”, uma vez que, nos últimos anos, regista-se uma procura crescente da população pelas grandes superfícies.
Assim, “o incentivo à natalidade é atribuído por subsídio fixo de trezentos euros a pagar no mês seguinte ao do nascimento da criança e complementado por um subsídio mensal de cinquenta euros, até aos vinte e quatro meses de idade da criança”.
A atribuição dos subsídios está dependente da apresentação de faturas de despesas realizadas com a aquisição de bens ou serviços indispensáveis ao desenvolvimento saudável e harmonioso da criança”, lê-se no mesmo documento, que enfatiza a obrigatoriedade destas aquisições serem efetuadas em estabelecimentos do concelho da Mealhada.
O regulamento, aprovado por unanimidade pelo executivo camarário da Mealhada, estará agora sujeito a consulta pública durante trinta dias. Em setembro será votado em Assembleia Municipal, sendo enviado para publicação no Diário da República  e, por isso, tudo indica que esteja em vigor já a partir do próximo mês de outubro.”

LEIA AQUI A NOTÍCIA COMPLETA (CLIQUE EM CIMA)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

AI JASUS!?!! O VENTURA A DIZER UMA VERDADE NUM PAÍS QUE GOSTA DE MENTIRAS. É DOIDO, Ó QUÊ?

(Imagem retirada do jornal i)


Os ciganos vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado”
André Ventura, candidato à Câmara de Loures pelo PSD/CDS, em crítica aberta à “impunidade” cigana.

Vou-lhe ser muito direto: eu acho, e Loures tem sentido esse problema, que estamos aqui a falar particularmente da etnia cigana. É verdade que em Loures há mais, com uma multiculturalidade grande, mas em Portugal temos uma cultura com dois tipos de coisas preocupantes: uma é haver grupos que, em termos de composição de rendimento, vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado, outra é acharem que estão acima das regras do Estado de direito.” 


sábado, 15 de julho de 2017

BOM DIA, PESSOAL...

AC: SUBSTITUIR O FERRO POR CIMENTO CUSTA MUITO?

Foto de Diário As Beiras.




A essência de haver um problema é não haver uma solução.
Fernando Pessoa

Em aforismo, diz o povo que para grandes problemas soluções simples. Às vezes há respostas tão óbvias que, por serem tão evidentes, nos levam a questionar a razão de continuar a haver problemas.
Vem isto a propósito de hoje, em primeira página, os dois jornais da cidade, Diário de Coimbra e Diário as Beiras, noticiarem o furto de 150 grelhas, em ferro fundido, de sarjetas em meio ano e da responsabilidade de reposição pela empresa municipal Águas de Coimbra (AC).
A primeira questão que se levanta é perguntar se, de facto, este desvio é recente. Para quem lê jornais facilmente responde que este fenómeno, em Coimbra, já tem barbas, sobretudo e pelo menos desde há cerca de três anos a esta parte e quando o preço dos metais subiu exponencialmente a nível mundial. Ou seja, como o valor pago por quilo de resíduos será alto, o crime compensa bastante para quem furta e quem recepciona.
A segunda interrogação é a razão de não terem sido tomados cuidados que evitassem o descalabro em tempo útil, isto é logo no início dos desaparecimentos.
Não é preciso ser economista para verificar que, contrariamente ao que parece ser sugerido, a solução deste problema social não reside na apresentação de queixa na polícia para a descoberta dos autores. Este procedimento, aliás obrigatório numa empresa pública, é uma mera prerrogativa de função administrativa. Como acção de eficácia, era preciso ter substituído o ferro fundido por cimento ou pedra, que eram os materiais usados no Estado Novo (1933-1974). E mais ainda: recorrer menos a grades e mais a cavidades interiores nas bermas e encravados nos passeios para escoamento de águas pluviais. E por que não foi seguida esta ajuizada metodologia? Claro que não sabemos, mas podemos sempre aventar: se calhar na AC não haverá arquitectos ou a haver, sem ofensa para a classe, estes profissionais de projecto não conhecem o sistema antigo de escoadura; a AC ser accionista de uma fábrica de fundição de ferro; haver demasiado dinheiro na AC e que não obrigue a empresa a prevenir e a poupar nos custos de execução.
Seja lá o que for que esteja por detrás desta ineficácia, perante as diárias dificuldades das empresas particulares, esta inusitada falta de visão económica, este desperdício irrita até um santo homem como eu -modéstia à parte, é claro. Se não houver mais alguém, pelo menos a mim deixa-me fora de controlo.
Vale a pena pensar nisto?

quinta-feira, 13 de julho de 2017

AI SE O ARREPENDIMENTO FALASSE...

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(Imagem roubada ao Notícias de Coimbra)




Consta-se que para os lados da Praça 8 de Maio a frustração manifestada em dentes cerrados, murros nas paredes e insultos a esmo se pressente por quem passa em frente à Câmara Municipal de Coimbra.
Pedindo o anonimato, contou quem se apercebeu que os gritos estridentes, em solilóquio, eram assim do género: “Então, fui eu, este ano, apoiar o Festival das Artes com 70 mil euros? E o Sub Judice, sob o juízo -ou sem juízo?-, foi ceder a quinta ao gajo para eu ser agredido verbalmente? O reconhecimento não se apanha numa lágrima. E ainda por cima o gajo chama-me “capataz”? Eu deveria ter percebido logo. Ai se eu pudesse voltar atrás...”


MORREU AMÉRICO AMORIM

(Imagem da Sapo 24)



Faleceu hoje Américo Amorim, o badalado “selfmade man”, o “Rei da Cortiça”, e considerado o homem mais rico de Portugal.
Se a morte de alguém, seja pobre, remediado ou rico, seja lá quem for, nos deve merecer o maior comedimento e respeito, em desejo sincero, fica aqui registado os nossos sentidos pêsames para a família enlutada.

E AS LÁGRIMAS DE CROCODILO VÃO INUNDAR A CALÇADA

Vai ser interessante ver quantos rostos tristonhos, quantas vozinhas melífluas, bajuladoras, se vão erguer agora para, depois de finado e, pela inveja, tão odiado em vida por tantos, defender o grande empresário Américo Amorim. A todos os cara-de-pau roga-se-se alguma contenção no discurso lacrimejado.

LOBÃO E O CAPUCHINHO VERMELHO

Foto de Lobão Manuel.
Foto de Lobão Manuel.





Manuel Lobão, candidato à União de Freguesias de Coimbra pela lista independente “Somos Coimbra” liderada por José Manuel Silva, acaba de dar um primeiro passo para alterar o curso da história infantil. Se na narrativa é o chapéuzinho vermelho que, pela delicadeza e astúcia, vence sempre o lobão (animal), aqui, na política caseira, Lobão (pessoa), através de mensagem deixada na sua página no Facebook, prepara-se para reinventar os contos destinados aos mais pequenos mas lidos pelos adultos:

Se eu Manuel lobão for eleito presidente da União de freguesias de Coimbra depois de uma avaliação as finanças da Junta, pretendo criar um infantário pós laboral para apoiar os pais que trabalham por turnos, uma parte do meu salário será para apoiar este projecto. Incluindo sábados e domingos e feriados...” 

UM DEUS POLÍTICO, VENHA A NÓS O VOSSO REINO...

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Perante os lacrimosos exageros terrenos que se verificam na utilização abusiva da “marca Pedrógão”, Deus, para não se sentir arredado do movimento de solidariedade(zinha), fez constar que mandou reunir em conclave todos os santos, e simpáticos da causa dos santinhos e a todo o momento vai apregoar a sua douta, justa e santífica sentença. Para além de fazer anunciar que passará a morar eternamente nos céus de Pedrógão Grande, a título de indulto colectivo, independentemente de até há pouco terem sido uns valentes safados, que nem a missa de Domingo frequentavam, num piedoso perdão alargado a todos os que habitam no Pinhal Interior, estão todos inocentados de pequenos delitos não criminalizados e grandes pecados inscritos no index de São Pedro. E mais: quando entregarem a alma ao Criador para o juízo final, num acordo proclamado com o Turismo Centro de Portugal, podem contar com uma suite de cinco estrelas num lugar paradisíaco do Céu.

A MINHA LÁGRIMA É MAIS SOFRIDA QUE A DO VIZINHO

Foto de Tai Pio Zhu.
(Foto de Tai Pio Zhu)



Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era comunista.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afetou
Porque eu não era operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez
de alguns padres, mas como
nunca fui religioso, também não liguei.
Agora estão me levando,
Mas já é tarde."
(Martin Niemöller (1892-1984)

Sempre que constato um endémico egoísmo de alguns cidadãos, que só se importam com a enxurrada quando a água começa a entrar na sua porta, vem-me à ideia o extraordinário poema de Martin Niemöller.
Se pedirmos a estas pessoas que se manifestem sobre um problema que está a afectar a vizinhança, respondem que não têm nada a ver com a vida dos outros. Não é com eles. Dar a cara isso é para quem escreve. No fundo, bem no fundo, até desconsideram quem defende o colectivo. Mas quando os ventos mudam, “ai nossa senhora do amparo me valha”, aí estão eles a pedir à Santa, a todos os santinhos e até ao parvo do escriba que os ajudem na aflição. Para onde os devemos mandar? Para o Inferno?

terça-feira, 11 de julho de 2017

EDITORIAL: HÁ QUALQUER COISA NA SEGURANÇA JURÍDICA QUE NÃO CHEIRA BEM

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



PSP: 18 agentes acusados de tratamentos cruéis e desumanos”

No uso arbitrário da força, física ou psicológica, ninguém está acima da lei, seja individuo ou instituição. Penso que todos concordamos com o espírito desta frase. Há um porém: quem trabalha em segurança privada (desde que licenciado) ou segurança pública, como as polícias, devem merecer uma compreensão maior na sua actuação profissional desde que o seu desempenho tenha por base uma discricionariedade necessária à acção e uma proporcionalidade coincidente na resposta . Ou seja, se na apreciação dos factos não for levado em conta o factor profissional, e se for usado o princípio da igualdade, facilmente se derrapa para um tratamento desigual. Este procedimento reiterado, a ser repetido, denomina-se Positivismo Jurídico - corrente da filosofia do direito  que procura reduzir o Direito apenas ao que está colocado diante de nós, positivado, sem levar em contas as diferenças que estiveram na origem do facto e podem constituir atenuante.
A meu ver e dentro da ignorância que me domina, é aqui que o Ministério Público (MP), enquanto defensor dos interesses do Estado, ao tomar todos por igual, perseguindo um pensamento populista de vingador, se torna um instrumento não ao serviço da justiça mas antes de pendor claramente justicialista -sabemos todos que o MP não julga mas acusa. No entanto, enquanto parte processual de influência no veredicto, não está desonerado de uma justeza cidadã que lhe é necessária e imanente.
Pelo que se lê e analisa na imprensa escrita e falada, muitas vezes, as condenações ou absolvições têm a ver com a menor ou maior simpatia que os magistrados têm pelas polícias. Posso estar enganado, mas a ideologia de cada um dos decisores conta muito na deliberação. Se é de esquerda, mais que certo é contra actuação musculada das polícias, se é de direita, provavelmente, será a favor. Mas quando nem os lentes de Direito conseguem discernir com objectividade, o que se pode esperar dos licenciados?
Considerando ser assim, a magistratura devia sentar-se no banco dos réus -ou talvez no divâ psicanalista. Pelo seu exercício deontológico, até porque sendo o tribunal um órgão de soberania isento e (i)responsável pela sentença ou acórdão, não pode (não devia) ser tomado por apriorismo, hipóteses ou suposições não confirmadas e tomadas de forma empírica, ou preconceito, juízo preé-concebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória.
Sendo a justiça a maior das virtudes, segundo Cícero, todas as sentenças ou acórdãos têm de ter acopladas um sentimento profundo de justiça. É esta apreensão de sensatez que vai acalmar as partes em conflito e concorre para a paz colectiva. Se é certo que nunca agradará a todos, por outro lado, também é certo que terá de ter uma atinente intenção de contentar a maioria.
Ora, o que tem acontecido nos últimos tempos são decisões que poucos entendem -basta referir a de Hugo Ernano, o GNR, condenado pela morte de uma criança envolvida em assalto, em 2008.
Para complicar a relação entre Estado e cidadão, sem se dar importância à clarificação da verdade, para libertar os tribunais, recorre-se demasiadas vezes à "suspensão de processo" trocando uma dignidade inalienável, que deveria estar sempre subjacente à condição humana, por dinheiro.
E todos estes artifícios legais concorrem para desvalorizar ainda mais o MP e o edifício jurídico.

TRANSPARÊNCIA DENTRO DAS ESQUADRAS PRECISA-SE

Não se entende muito bem como é que algumas das esquadras de polícia, porventura, terão câmaras de videovigilância no exterior e no interior, no relacionamento processual com o cidadão, não sejam usados meios audiovisuais. Com este recurso ganhariam todos, mas, como é evidente, a polícia sairia muito mais limpa e transparente nos procedimentos. Sobretudo, para melhor defesa e salvaguarda da sua idoneidade, algumas vezes acusada de abusos pela Amnistia Internacional.

À ADMINISTRAÇÃO O QUE É DA ADMINISTRAÇÃO

Pelo menos para quem se interessa por questões de justiça, poucos entendem a recente absolvição de Paulo Júlio, ex-presidente da Câmara Municipal de Penela e ex-secretário de Estado, por parte do Tribunal Central Administrativo do Norte e quando em 2015 foi condenado pelo Tribunal de Condeixa-a-Nova. Isto é, para a mesma acusação de prevaricação, dois entendimentos completamente opostos.
E mais: esta semana três secretários de Estado pediram a sua demissão por estarem indiciados pelo MP por um alegado crime de recebimento indevido de vantagem ocorrido há cerca de um ano no exercício de funções.
Ora, enquanto cidadão, não consigo entender a razão de o MP, como velho ancião senador e fiscal dos bons costumes nos tribunais comuns, estar sempre metido em tudo o que toca a questões que deveriam ser exclusivamente do foro administrativo. A meu ver, tudo o que é referente à administração pública, incluindo o apuramento de irregularidades no desempenho político, deveria caber e ser julgado nos tribunais administrativos.
Valerá a pena pensar nisto?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

EDITORIAL: SE QUERES DINHEIRO VAI AO TOTTA...

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Há três semanas encerrou a dependência do Santander-Totta na Rua Visconde da Luz. A indicação colada no vidro informa que os serviços bancários estão disponíveis na Rua da Sofia, a cerca de duzentos metros e num outro balcão da mesma instituição já existente há décadas.
Se, por um lado, dentro da racionalidade de custos que qualquer empresa se obriga, este fecho não causa surpresa, já que tendo outra representante a escassas centenas de metros não faria muito sentido manter as duas, e sobretudo num sector profundamente em crise, pelo menos na banca portuguesa -o Santander é de capital espanhol-, por outro, é mais um espaço que claudica na Baixa. Quero dizer que, no silêncio envolvente da economia e do financeiro, quer sejam bancos ou negócios pequenos, os estabelecimentos que marcaram a paisagem citadina nas últimas décadas, como nevoeiro em manhã de Agosto, vão desaparecendo.
Em exclamação de lavar as mãos, pode até dizer-se: se é a economia a funcionar, morrendo uns e nascendo outros, o que se há-de fazer? De facto, pouco ou nada podemos fazer. Mas o que é certo é que a Baixa vai ficando cada vez mais vazia de comércio e serviços. Ainda há pouco mais de uma hora conversava com um colega comerciante que se queixava do tempo despendido em instituições para tratar de assuntos. Dizia ele: “são agora treze horas. Olha que estou desde as 09h30 para tratar de problemas da minha firma. Ou seja, demorei três horas e meia em três instituições. Quer sejam dos sectores público ou privado, todos se preocupam em atingir o mínimo de funcionários, mas esquecem que essa minimização acaba, inevitavelmente, por atingir os que mais precisam, que é a pequena empresa.

E A BAIXA CONTINUA A ENCOLHER...

Embora ninguém queira saber -nem mesmo os interessados-, os espaços, paulatinamente, continuam a cerrar portas. Neste fim de mês vai encerrar outro micro negócio com vinte anos de existência, na zona da Praça 8 de Maio -a seu tempo identificarei o local.
Como solitário sentado nas rochas a ver o mar, tomando o que está a acontecer na Baixa como fenómeno natural, sentimo-nos observadores impotentes a contemplar as ondas a ir e a vir.
Para complicar mais a nossa forma de estar, fazendo-nos crer que vivemos num outro mundo, segundo o INE, Instituto Nacional de Estatística, bem aproveitado em discurso político do Governo e avalizado pelo Presidente da República, a confiança dos portugueses na economia continua a subir. Se calhar, digo eu, os políticos viverão num outro Portugal que não o que se fala e escreve aqui.

E A POLÍTICA LOCAL FAZ O MESMO...

Ontem foi o último dia das Festas da Cidade. Foram gastos cerca de 300 mil euros. Para além disso, vamos lendo na imprensa diária e semanal que mais três campos de futebol, na periferia, foram contemplados com relvados sintéticos no valor de mais de 500 mil euros, e outras obras na cidade de muitos milhões. Quando uma maioria de cidadãos conta os cêntimos para se aguentar, custa muito a entender este desbaratar de pecúlio público. São milhares, milhares e mais milhares. É uma ofensa à dignidade do munícipe comum que (sobre)vive entalado entre o princípio e o fim do mês.
Bem sei que há uma maioria silenciosa que, desde que haja fogo de artifício, entrada gratuita na Feira Popular e concertos musicais à borliú, adora este velho conceito romano de pão e circo. Quem escreve contra este tipo de política barata é logo apelidado de Velho do Restelo, pessimista, azedo com a vida e por aí além.
De quatro em quatro anos -e tanto faz ser o partido laranja como rosa-, o investimento em obras sem grande utilidade ou em festarolas é cada vez maior.
Acerca dos problemas verdadeiros do povo, aqui sim deveria haver investimento, os políticos não querem saber. É a política ao contrário. Em vez de se tentar melhorar a vida dos cidadãos todos os dias e para o futuro, como uma aspirina para a dor de cabeça, é gerada a ilusão de felicidade durante duas semanas. Mas é ísto que a maioria quer, não é? E como em democracia é a maioria que manda, seja atrelada a carroça à vontade do burro!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A ARTE DE CRITICAR SEM CRITICAR

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



Está na moda falar de auto-estima da cidade. Fala o “polidor de esquinas”, fala o engraxador, fala o presidente, falam os candidatos a presidente, “falam” os câes, “falam” os gatos. O problema é quando, sobretudo os aspirantes ao poder, numa espécie de cocktail de ervas aromáticas, por um lado, apelam à crítica através da participação política dos cidadãos e, por outro, se queixam do “bota-abaixismo”.
Há muito tempo que tento entender a diferença entre “bota-abaixismo” e crítica. Nunca consegui chegar a uma conclusão. 
Fiz uma pesquisa na Internet, aqui, e fiquei a saber que o termo “bota-abaixismo” terá sido inventado por José Sócrates  para desvalorizar as críticas àquilo a que continua a chamar a governação, substituindo sem grandes vantagens estéticas a expressão “crítica destrutiva”. 
E já agora a palavra “crítica”? O Dicionário Online de Português expressa-se assim: “Análise avaliativa de alguma coisa; ação de julgar ou de criticar: submeteu o livro à crítica do professor.
Fiquei na mesma, claro que, como diria a outra, esta falta de apreensão terá a ver com a minha imbecilidade.
E para confundir mais ainda os meus neurónios padecentes, sobretudo o poder instalado e os candidatos ao poleiro, todos juntos, apelam constantemente à crítica cidadã, à estafada participação cívica e política, mas depois, são estes mesmos mensageiros da revelação profética que se queixam, amiúde, de “bota-abaixismo”.
Onde residirá a marca que distingue as duas palavras? Se calhar, digo eu que não entendo nada de psicologia social, uma crítica positiva, no correspondente a “bota-acimismo”, é o “está calado e cala-te” ou “continua calado se não estiveres de acordo com a nossa doutrina”.


A arte de interrogar é bem mais a arte dos mestres do que a dos discípulos; é preciso ter já aprendido muitas coisas para saber perguntar aquilo que se não sabe-Jean Jacques Rousseau