segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

BAIXA: A PRENDA DE NATAL DO PRESIDENTE




Hoje o Largo das Olarias, a área envolvente à Loja do Cidadão, apareceu completamente sitiado por gradeamentos em rede de ferro e cerceando o acesso de pessoas e automóveis.
O que é isto? Poderia ser a pergunta formulada pelo transeunte mais curioso. Segundo um dos alguns funcionários presentes no local junto de duas máquinas de terraplanagem, “estas obras têm por objectivo substituir o alcatrão por paralelos para impedir o trânsito automóvel nesta área”.
Em especulação, sabendo todos que o “Bota-abaixo” -como é conhecido- foi e sempre será uma espécie de porto de confluência e de entrada na zona comercial da Baixa, a quatorze dias do Natal, quando o comércio de rua se arrasta pelas ruas da amargura, faz algum sentido as obras começarem agora? Talvez faça se entendermos que é uma prenda envenenada de Manuel Machado para os comerciantes. Continuando a especular, é como se fechando este acesso, quem vem de fora para comprar ou adquirir serviços na Baixa, constatando a confusão, dê meia-volta e vá para as grandes áreas. Se bem que, pelo procedimento em anos anteriores, nem é de admirar este comportamento.
Continuando ainda a especular, esta é a prova provada de que o presidente da autarquia nunca se interessou por esta zona comercial. É o facto consumado de que se está a marimbar para quem aqui luta, com a sua presença diária, para engrandecer esta parte da cidade.
Se alguém entender agradecer a prenda recebida, faça o favor de se manifestar.


O QUE É ISTO?





Duas lojas desocupadas e encerradas há vários anos na Rua Eduardo Coelho apareceram hoje com dois cartazes, de alguma dimensão, colados nos vidros das montas. A mensagem está em inglês e transmite isto mesmo:

Runtime error

Program: c:\Coimbra\Downtown\local\commerce.exe

this store has requested the runtime to terminate it in an unusua way. please contact the Coimbra's City Hall support teame for mor infomation.

Numa tradução macaca:

Erro de tempo de exercício


Esta loja solicitou o tempo de execução para terminá-lo fora de prazo. Entre em contacto com os serviços da Câmara Municipal de Coimbra para uma melhor informação”

Se por um lado a informação nos remete para os serviços da Câmara Municipal de Coimbra, por outro, estranhamente, o endereço electrónico indicado é de sites de lojas online.
Alguém pode explicar melhor a intenção deste acto? É um protesto? É publicidade?

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

BAIXA: PROCURA-SE A MAGIA DO NATAL





Apesar dos dias solarengos e sem chuva -era tão normal nesta época cair morrinha-, com o Sol a irromper por nesgas e betesgas e a beijar descaradamente as ruas largas, Visconde da Luz e Ferreira Borges, e largos e praças como a 8 de Maio e a Portagem, a verdade é que, pela proximidade do Natal, se nota uma ausência de essência, de qualquer coisa que falta na Baixa. Como se o circundante estivesse petrificado em pedras milenares e lhe faltasse o encantamento, a magia, desta época, “pressente-se” uma tristeza no ar, uma certa carência do espírito de outros tempos e tão envolvente nesta quadra. É como se os adultos se apresentassem mais velhos, não amolecessem, se mostrassem de rostos duros e fechados, e não ganhassem aquele brilho nos olhos que os transforma e faz parecer crianças crescidas.
A pergunta que emerge é: porquê? Claro que não sei, nem procuro dar resposta objectiva. No máximo posso especular sobre o perceptível -aos meus olhos- esmorecimento sorumbático que se abateu sobre a maioria -digo eu- de pessoas que transitam pelo “bairro baixo” -a título de curiosidade, em meados do século XIX a Baixa era tratada como o “bairro baixo” e a Alta como o “bairro alto”. Como a tristeza é contagiosa, como se adivinha, passou também para os turistas, que nos visitam, e para os comerciantes.
Prosseguindo, por um lado, tenho para mim que a acelerada mudança de costumes está enterrar a alma do Natal em campa rasa. As crianças ainda acreditam no Menino Jesus? Ainda projectam no Pai Natal o mítico fornecedor de brinquedos especiais? Sem pretender ser conclusivo, creio que não. Pela materialização, pela necessidade de saber e mostrar tudo e fazendo cair os mitos, pela desvalorização das coisas, o feitiço desapareceu. Salvo pequenas parcelas da população portuguesa, os nossos infantes de hoje não têm dogmas, não crêem em entidades sobrenaturais, são seres pragmáticos gerados num tempo de informação com acesso rápido a todas as perguntas, são extensões computorizados. O dogma, enquanto materialização do pensamento assente na convicção de existência, no acreditar sem ver, assenta sobretudo na necessidade; na noção de incompletude, e finitude, do homem, na dúvida em, com ajuda de algo que o transcende, fazer acontecer. Portanto, se as crianças, por um lado, são ainda muito tenras para pensar nestas questões metafísicas, por outro, também é certo que é desde pequenino que se semeia a crença. Ora, enquanto adultos, enquanto pais, digo eu, estamos a construir pequenas máquinas que, aparentemente, sabem tudo sobre a geografia do mundo mas não têm experiência real de nada. E julgam ser auto-suficientes. O pior é que, por culpa nossa em tanto pretender a sua protecção, são melindres de fragilidade e, obsessivamente, são tomados pelo medo em pânico continuado.
E os adultos? Por que já pouco ligam ao Natal? Se calhar, pelas crises que a sociedade está a atravessar, da dissolução da família, da instabilidade económica, do desiquilíbrio social, na descrença da política. Pela falência de um sistema económico que prometeu de mais e agora, depois da poeira assentar, nos pede dividendos com muitos juros que mal conseguimos saldar. Por outro lado, estou convencido que as tragédias que se abateram sobre Portugal em Junho e Outubro espalhou no país uma neurose colectiva. Ver centenas e centenas de pessoas na miséria, psicologicamente, acabou por nos tocar a todos. Fez-nos ver que a linha que divide o bem-estar hoje e o mal-estar amanhã é muito ténue.
Por outro lado, ainda no tocante à Baixa, o desinvestimento que a Câmara Municipal de Coimbra fez este ano nas iluminações natalícias, nas ruas, acentua e sublinha ainda mais a diferença com os tempos áureos e, mesmo sem o querermos, a nostalgia entra dentro de nós, deprime, angustia, e gera ansiedade. Se a aposta na felicidade colectiva deveria ser uma preocupação constante dos líderes que nos governam, este procedimento do presidente do executivo deixa muito a desejar. Será esta a sua manifestação de carinho por Coimbra? Na sua valorização? Meu caro Manuel Machado, enquanto parte dos conimbricenses, fico com a impressão que ainda vamos acabar todos subnutridos de amor. 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

EDITORIAL: O ESTADO “SOMMES-NOUS”?

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)





Há dois dias, na Página da Câmara Municipal de Coimbra (Não Oficial), no Facebook, foi postado um vídeo e um sentido pedido de ajuda de uma mãe em desesperança: “SOU UMA MÃE DESESPERADA... AJUDEM-ME A AJUDAR O MEU FILHO!!!!! Amanhã pode ser o vosso! Peço-vos que vejam até ao fim e que deem o vosso contributo... Comentem, Partilhem, sugiram... Desde já o meu bem haja!
Quanto à senhora, que não conheço, dá pelo nome de Maria José Verdete. Quanto ao vídeo, trata-se de uma exposição de um caso de “bulling” sofrido por seu filho e que, pela angústia de falta de respostas, foi levado à SIC, ao programa “Linha Aberta - Com Hernâni Carvalho”, na emissão do passado 28 de Novembro.
De grosso modo, a história conta-se assim: o seu filho, com treze anos, é aluno de uma escola da zona de Coimbra e, conforme o alegado no programa, já há muito que, por parte de outros colegas, lhe é infligido “bulling” -este comportamentoé caracterizado pela violência física e/ou psicológica, de forma intencional e continuada, de um individuo, ou grupo contra outro(s) individuo(s), ou grupo(s), sem motivo claro”.
Prosseguindo na explicação sumária, como a criança tem medo de frequentar o estabelecimento de ensino onde se encontra matriculada, na subsequência, está ser medicada até para dormir. Acompanhada de perto pela CPCJ, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, e por um psicólogo, um pedo-psiquiatra e pelo médico de família, a criança tem vindo a manifestar outras derivas psico-somáticas. É de opinião dos clínicos que o adolescente deve ser transferido com urgência para outra escola. Contactaram a DIGEstE, DIREÇÃO-GERAL DOS ESTABELECIMENTOS ESCOLARES , em Lisboa, e apresentaram uma exposição para o drama que, juntamente com o herdeiro, estavam a viver noite e dia. Da capital veio o deferimento para que, em face da gravidade do problema, o seu miúdo pudesse ser transferido para uma escola profissional na área da Aguieira. O catraio mudou-se para a nova escola e, pelo que é dito no vídeo, estava a gostar e a adaptar-se bem. Já sorria e até dormia melhor. Eis então que ao fim de duas semanas a frequentar a nova casa de ensino o paradoxal acontece: recebem da DIGEstE uma comunicação a dar o dito por não dito. Ou seja, ao abrigo da lei o aluno não poderia continuar naquela escola por a sua idade ser inferior a 15 anos -o rapaz tem treze- e, por isso mesmo, teria de voltar novamente ao sítio onde foi continuamente molestado e que lhe causava distúrbios psíquicos. É então que os pais, manifestamente em aflição, vão consultar a referida lei e constatam que o parafraseado sobre a idade não é imperativo mas condicional. Segundo o que se descreve na reportagem pelo pai, a lei prescreve que qualquer criança “preferencialmente” com quinze anos pode ingressar num estabelecimento de ensino profissional. Para melhor se entender, este “preferencionalmente” quer dizer que, sempre que possível, se deve procurar que o aluno tenha quinze anos, mas, no caso de não ter, subentende-se, sempre que forem invocados motivos de força maior, pode ingressar com menos idade.
Entre muitas outras interrogações, deste aberrante comportamento de um órgão do Estado, uma pergunta subjaz: andam a brincar com a saúde psicológica destes pais e filho?
E agora para si leitor: e se fosse consigo?

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

EDITORIAL: BELMIRO DE AZEVEDO: HERÓI NACIONAL OU VILÃO UNIVERSAL?

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Na semana passada faleceu Belmiro de Azevedo, um dos homens mais ricos de Portugal. Antes de prosseguir, por que a morte para os mais chegados é sempre um cordão que se parte entre as almas dos que ficam e dos que partem, sinceramente, à sua família as minhas sentidas condolências.
Passando a tristeza do acontecimento que, para o bem e para o mal, toca todos, desde o mais afortunado ao mais paupérrimo cidadão, sendo politicamente incorrecto e ousando quebrar a monocórdica glorificação, vou tecer algumas considerações acerca do senhor Sonae.
Depois de uma semana encharcada em comentários elogiosos ao desaparecido engenheiro químico em tudo o que é imprensa escrita e falada, passando por todos e mais alguns políticos distribuídos entre o CDS/PP, PPD/PS e PS, até ao Presidente da República (PR) e ainda com voto de pesar aprovado no Parlamento -com votos contra do PCP, e abstenções do Bloco de Esquerda e PEV-, manifestando total solidariedade à família e amigos, ficámos a saber que, para além de grande empresário, Belmiro teve uma enorme capacidade de “liderança, determinação, visão de futuro e empenhamento social e cultural”, palavras elogiosas de Marcelo Rebelo de Sousa, o mais alto magistrado da Nação.

O INTERESSE LAVA MAIS BRANCO

Talvez por não conhecer o finado e para além de comprar de vez em quando no Continente nunca ter tido outras relações comerciais com as suas empresas, reconheço, tenho total liberdade para escrever o que penso. Sabendo nós que o seu império nacional e internacional se estende desde os aglomerados de madeira, turismo, comunicação social, audiovisual, comunicações, retalho alimentar não é admirar que os encómios nascessem como cogumelos. Se, por um lado, até se entende que muitos comentadores de jornais e televisivos exagerassem na exaltação -basta pensar nas receitas da publicidade-, por outro, custa a entender como é que líderes partidários e até o actual PR, que a seu tempo foram pura e simplesmente insultados na sua integridade, não se contivessem mais e usassem de alguma moderação no enaltecimento. Com frontalidade só o PCP mostrou ter coluna vertebral e dignidade -o Bloco de Esquerda, como pensa que vai ser governo qualquer dia e para não ser acusado de anti-capitalista, optou pela abstenção e um texto assim assim no site da “Esquerda.Net”. Da posição dos verdes (PEV) nem se fala.
Por que não ouvimos declarações de produtores, fornecedores, que abastecem a sua cadeia de supermercados?

MAS, BELMIRO FOI ASSIM TÃO BOM PARA O PAÍS?

Sem questões ideológicas, entre esquerda e direita, a frio, tendo em conta o que se passou com o extermínio de milhares de estabelecimentos da área alimentar e outros ramos pelo país fora, podemos afirmar e jurar com a mão na bíblia de que este empresário teve uma enorme importância para o desenvolvimento de Portugal? O que se entende por desenvolvimento? O progresso, para o ser em pleno, deve ser integrado, em linha horizontal, e não em corte, na vertical. Mas os políticos-partididários pensam sobre esta questão crucial? Quantas desgraças provocou entre milhares de famílias portuguesas? Quantos, pela falência recorrente, mandou para a miséria? Ainda que indirectamente -por que os governos fizeram pior- por que estão o interior e grande parte do litoral desertificados? Por que encerraram todas as pequenas mercearias que davam vida aos pequenos lugarejos? Os seus cerca de cinquenta mil empregos gerados, que as suas empresas garantem, justificam tudo? E os milhares e milhares de desempregados que, através de subsídio, têm de ser suportados pelo erário público?
É claro que, nesta parte da destruição do comércio tradicional, não está sozinho, outros houve (e há) que, com a total complacência dos executivos, chuparam até ao tutano o débil tecido económico deste país.
Pelo lado histórico, podemos até desculpar Belmiro de Azevedo. Afinal Henry Ford, nos Estados Unidos, no dealbar do século XX, com a implementação da linha de montagem automóvel, fez o mesmo. Porém, pela sua esperteza e dinâmica empresarial, não o absolve de ter feito a sua riqueza passando por cima de esqueletos dos mais simples e ter provocado a desgraça em milhares de famílias. Infelizmente, algumas grandes riquezas só foram acumuladas pelo sangre derramado dos mais pobres. Enfim, é o curso natural das coisas. Se a maioria não vê, o que se há-de fazer? É a síndrome de Estocolmo -desculpabilizar e ganhar afeição pelo sequestrador- em toda a sua plenitude.
De certeza absoluta que o liberal Adam Smith quando escreveu a “Riqueza das Nações”, em 1776, estava longe de imaginar que mais de dois séculos depois os dirigentes políticos com responsabilidades, sem vergonha e sem balanço existencial, económico, social e político, se iriam colocar de cócoras perante os mais abastados, discriminando a maioria dos cidadãos, e, pela desigualdade, denegrindo a bandeira nacional. Triste Nação entregue a meia dúzia de grupos económicos!

FALECEU FILIPINO MARTINS

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Segundo o Diário de Coimbra, com 91 anos, faleceu Filipino da Silva Martins -o “Filipino da ACIC”, Associação Comercial e Industrial de Coimbra, como era carinhosamente tratado e conhecido quando, durante décadas, foi funcionário da vetusta e desaparecida associação empresarial.
Durante os tempos áureos da CIC, Feira Industrial e Comercial de Coimbra, Filipino era a “front office”, a linha da frente da ACIC nas questões relativas a certames, sobretudo quando foi realizada pela primeira vez na Praça Heróis do Ultramar em 1978. “Mantendo um carácter de feira geral de actividades económicas que chamou desde o seu início uma participação a nível nacional, nela se procurou ao mesmo tempo dar relevância aos sectores de maior concentração regional. Nasceram assim as bienais da cerâmica, dos materiais de Construção, do Vinho, do Mobiliário e da Alimentação “ -in livro da ACIC, comemoração do 140º aniversário. Depois, em 1994, foi transferida para o Parque de exposições no Alto da Relvinha.
À família enlutada, em meu nome, em nome da Baixa, se posso escrever assim, neste momento de sofrimento, os nossos sentidos pêsames.

sábado, 2 de dezembro de 2017

UMAS ILUMINAÇÕES BARATAS E CASEIRINHAS





Juntamente com diversas iniciativas e em parceria com a APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, com pompa e circunstância, a Câmara Municipal inaugurou ontem a iluminação natalícia e de fim-de-Ano na Baixa -abarcando a zona do Mercado Municipal, Ponte de Santa Clara e uma parte da margem esquerda até ao Convento de São Francisco.
Embora esta crónica não tenha por objecto principal avaliar ou criticar o trabalho apresentado este ano, sempre vou acrescentando que, vendo o que está feito, faz-nos lembrar a teoria do lençol, à força de tanto se esticar, acaba a descobrir os pés. Ou seja, para crescer para outras zonas deixou sem iluminação as ruas estreitas. E, mesmo tentando fugir a dar opinião, com franqueza, a distribuição de luminárias está muito pobrezinha, graças a Manuel Machado e com ajuda de Deus, nosso Senhor. Por outro lado, como é natural, investindo em concertos de fim-de-ano e variados eventos, o dinheiro não chega para tudo -porque há uma preocupação de mostrar que se está a gastar sem esbanjar-, então cortou-se no que dá menos no olho -sobretudo no olhar dos jovens, que ficam muito agradecidos com uns espectáculos musicais a custo zero. A Baixa na sua revitalização, sendo essencialmente usufruída por velhos de alguma idade, pode esperar -com uns bancos para os ditos se assolaparem e a verem passar os turistas na magia do Natal.
Mas, como diz o povo, a cavalo dado não se olha os dentes. Embora o investimento venha dos nossos impostos, de todos os contribuintes, a verdade é que este serviço público, sendo uma prestação localizada, não saiu de taxas individuais e abarcando especificamente os munícipes da envolvente regional. Logo, se é certo que, num direito subjectivo, podemos todos criticar, em boa verdade, precisamente por não ter saído directamente do nosso bolso, perdemos o intrínseco direito a veto. Portanto, em síntese, foi uma opção do pagador e que, legitimamente, lhe cabe por inteiro. Está boa a ornamentação? Está mal? Como tudo é relativo a qualquer termo comparativo, ficará sempre na opinião de cada um.

MAS NÃO SE PODERÁ POUPAR MAIS NAS ILUMINAÇÕES?

O que me levou a escrever esta crónica foi uma conversa acerca das iluminações, que tive com um amigo há uns tempos: o Ricardo Murta. Defendia ele que os cerca de 60 mil euros gastos este ano, e outro tanto no ano passado e nos anos anteriores idem aspas, seriam evitáveis se a Câmara Municipal chamasse a si o encargo de enfeitar as ruas com o trabalho dos seus funcionários. Haveria um investimento inicial que seria amortizado nos anos subsequentes. Invocava o Murta que as câmaras municipais, ao invés de estarem sempre prontas a, através de atribuição directa, delegar serviços a empresas a troco de milhares de euros, deveriam agir com as finanças públicas como um bom chefe de família: com poupança, racionalidade, proporcionalidade e igualdade -referindo ele que poupando nos custos a luminosidade popular poderia abranger outras partes da cidade.
Tentando refutar atabalhoadamente, o que lhe disse na altura, é que o armazenamento dos tradicionais arcos implicaria um espaço considerável. Acontece que este ano a inspiração alegórica foi feita com recurso a extensões e com gambiarras em suspensão. Está de ver que a minha argumentação caiu pela base, isto é, a tese da dificuldade de guardar os enfeites de um ano para o outro esvaiu-se completamente. Afinal o Murta tem razão.
Vale a pena pensar nisto?




UM SOFRIMENTO PLASMADO POR QUEM SENTE





UM TEXTO ESCRITO POR AGUINALDA
SIMÕES GRAÇA AMARO, EMPRESÁRIA
NA RUA DA SOFIA:



Por mais que queiramos viver na nossa cidade, pagar as nossas contas, criar os nossos filhos, lutar para manter as portas abertas, está a ser muito difícil. É triste, é deprimente ser comerciante na Baixa de Coimbra.
Falo por mim. Trabalho 12 horas por dia na rua da Sofia... Uma artéria que foi esquecida e completamente abandonada por todos. Para mostrar ao turismo... Tudo escondido atrás de fachadas, algumas delas vergonhosas.
Sou "nova” e muitos outros novos ainda vão tentando a sua sorte abrindo o seu espaço... tentando realizar os seus sonhos... Trabalhando e pagando um preço bem caro por eles. Gastamos o que não temos, e acordamos num pesadelo. Não temos nada, mas mesmo nada, que nos ajude vindo da parte daqueles que deveriam ser os primeiros a zelar, a cativar, a incentivar o comércio, e a reabilitar a Baixa de Coimbra. Como é possível, meu Deus??? Todos os meses fecham lojas.
Todos os dias existe menos gente na Baixa. Nós não temos que pagar pelos erros dos outros. Nós estamos cá para trabalhar. Nós queremos!!! Eu quero!!
Tento fazer coisas, dou tudo de mim, mas é revoltante, é realmente triste sentirmos que estamos esquecidos por quem manda.
Eu preciso de trabalhar todos os dias, pagar contas todos os dias, dar comida aos meus filhos todos os dias. Por isso mesmo, preciso de ter clientes todos os dias.
Eu sou natal... Todos os dias. Dou, partilho, canto, danço todos os dias. Até um simples Lourenço (um músico de rua conhecido) com a sua viola numa ruela da Baixa me faz ter orgulho na minha cidade.
Para quê luz? Para quê música e cor na passagem de Ano? Para quê festas do galo, festas e eventos para gastar dinheiro (tanto que ajudaria a muitos )? No dia seguinte é um novo ano. E tudo continua igual. E mais portas da Baixa fechadas. Pensem nisto.
O que é realmente urgente???
A Baixa precisa de vida e cor todo o ano.
Natal é esperança, é amor é partilha.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

LICITE PARA AJUDAR A ASSOCIAÇÃO CAVALO AZUL

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LICITE PARA AJUDAR A ASSOCIAÇÃO CAVALO AZUL

Exmo(a)s. Senhor(a)s,

No próximo Domingo, dia 3 de Dezembro, pelas 17h00, decorrerá a Venda Solidária das Cadeiras da Matobra, no piso 1, do Centro Comercial Alma Shopping. A sua presença será importantíssima!
Este momento é o culminar desta iniciativa, uma vez que as verbas que se venham a obter serão totalmente entregues à nossa instituição. A venda será feita por licitação, para que seja possível atingir o maior valor.
Atingido este objectivo, falta superar a meta mais importante e que justifica o apoio de todos os voluntários que tão generosamente têm participado. Há toda uma equipa que, de corpo e alma, deu o seu apoio na logística, organização, divulgação e presença na própria exposição à qual agradecemos.
Precisamos de concretizar este conjunto de intenções, com verbas que permitam não só o pagamento de parte da dívida relativa à construção do equipamento social (cerca de 243,000.00€), mas também a melhoria dos cuidados prestados aos utentes da Associação, como ainda garantir uma almofada financeira para o alargamento a outros que dele necessitam.
A vossa participação em presença, divulgação do momento e idealmente licitação de uma cadeira é fundamental. A Cavalo Azul precisa de todos.
Poderá, caso queira, habilitar-se à cadeira da cavalo azul através da participação na www.ppl.pt/causas/cadeira-cavalo-azul, leilão eletrónico a decorrer até meio de dezembro.

Contamos convosco!
Com os meus melhores cumprimentos,
--
"Dê asas ao Cavalo Azul. O utente é o foco primeiro da Associação de Famílias Solidárias com a Deficiência."

Luís Silva 239448310 / 932471486
Visite o nosso espaço! A.F.S.D - Associação de Famílias Solidárias com a Deficiência Cavalo Azul
Travessa da Rua do Olival, nº2, Várzea, 3040-713 Marco dos Pereiros, Coimbra - Coordenadas GPS - 40°09'35.9"N 8°25'33.2"W
https://www.facebook.com/CavaloAzul/
http://cavaloazul.net/
Assista ao nosso vídeo promocional
https://www.youtube.com/watch?v=L7G0cWJeSzE&t=2s.
Assita à nossa participação no Portugal em Direto https://www.facebook.com/CavaloAzul/videos/690839241096909/
Participação na Grande Tarde da SIC
http://sic.sapo.pt/Programas/grande_tarde/videos/2017-01-16-Cavalo-Azul
Participação na Praça da RTP
http://www.rtp.pt/play/p3026/e269957/a-praca/553134 (minuto 12:30)

VEM AÍ O CONQUISTADOR





Dentro em breve, ao que tudo indica, vamos ter na Baixa mais um estabelecimento dedicado à hotelaria. Conforme se pode verificar no reclame inserto na bandeira, no antigo espaço ocupado pela Livraria 115, na Praça 8 de Maio, e paredes-meias com o Olímpio Medina, uma centenária casa de instrumentos musicais, de espada em punho e pronto a abrir brechas no “inimigo”, como quem diz na concorrência, vai abrir o “Conquistador”, café e petisqueira. O sítio é magnífico e solarengo, virado para sul, com o Sol a dar banhos secos a quem se sentar na futura esplanada, e vai pedir meças ao Largo da Portagem.

DUAS BAIXAS NA EQUIPA DO COMÉRCIO DA BAIXA





Mais duas lojas encerraram na Baixa. Uma, na Rua Visconde da Luz, de pronto-a-vestir, foi a Estrela Verde. Com cerca de oitenta anos, duas gerações, pais e filho, alegadamente acaba aqui o seu percurso comercial, pelo menos com esta marca. Há muito tempo que o senhor Américo, já com mais de sessenta anos, prometia não continuar muito mais tempo na vida enfadonha em que se transformou a venda de rua.
Outro estabelecimento que fechou portas foi o do senhor Carlos Alberto Henriques, na Rua Adelino Veiga, que se dedicava à venda de atoalhados e artigos para o lar. Este espaço na rua do poeta morto Adelino Veiga foi até 2005 de gerência das Modas Veiga. Posteriormente, em 2012, foi tomado de arrendamento por Carlos Henriques, que anteriormente esteve estabelecido na Rua da Moeda e na Rua da Louça.

A VERGONHA QUE ENVERGONHA

A Rua Adelino Veiga, que até por volta de 1995 foi a artéria de mais movimento de pessoas e comércio da Baixa, hoje está transformada numa via abandonada e de aspecto fantasmagórico. Com uma extensão de centena e meia de metros, tem cerca de dezena e meia de lojas encerradas. Para piorar, é o “abandalhamento” que transmite ao transeunte e que causa repulsa ao mais insensível. Para quem entra pelo lado da Praça do Comércio, percorrendo cinquenta passos, encontra um amontoado de cobertores e lixo no átrio das montras que pertenceram à desaparecida Românica. Creio que três sem-abrigo pernoitam ali todas as noites. Tanto quanto julgo saber, este espaço tem uma grade de protecção, ora, sendo assim, por que razão os serviços do departamento de Acção e Família, da Câmara Municipal, para além de verificarem se estas pessoas estão sinalizadas, não contactam o proprietário do imóvel e o convence/intima a fechar o espaço? Percorre-se mais uns oitenta passos e, numa antiga loja que também pertenceu às Modas Veiga, o lixo e um cheiro nauseabundo incomoda e salta à vista. Segundo uma vizinha, “olhe que ainda há dias limpámos tudo, mas voltaram a sujar tudo. Até ratinhos temos visto a passear-se por aí.
Mas nem tudo são más notícias, ao que parece, o prédio do antigo El Dorado, que fechou em 2015, vai ser ocupado com tecidos a metro e outros artigos similares, por conta de uma grande firma deste ramo de negócio e que tem sede aqui, numa rua estreita.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

IN MEMORIAN





Morreu  Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés.
Leia aqui a notícia (clique em cima)

terça-feira, 28 de novembro de 2017

QUANTO VÃO CUSTAR AS FESTAS DE NATAL E DE ANO NOVO NA CIDADE?

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Hoje, os dois jornais da cidade, em nota de rodapé na primeira página, remetem para o interior do caderno o que se passou ontem na reunião do executivo municipal.
O Diário de Coimbra (DC) titula que “Manuel Machado forçado a descer o IMI”, e continua: “Proposta avançada pelo presidente da Câmara de Coimbra foi chumbada, sendo aprovada uma redução no IMI com os votos da oposição e da CDU”.
Por sua vez, o Diário as Beiras, virando os holofotes para festa que aí vem, noticia o seguinte: “COIMBRA HMB e PESTE & Sida actuam na noite de fim de ano
E entramos para o desenvolvimento dos dois diários. O DC ocupa cerca de dois terços de uma página sobre o chumbo da proposta de 0,34 do IMI, apresentada por Manuel Machado, líder do executivo PS, e, por contraproposta da oposição, passando para 0,33 a taxa a cobrar no próximo ano. Segundo o jornal, perante a descida de um ponto percentual, citando Machado, este terá desabado: “Acabámos de despachar 900 mil euros!”. Continuando a citar o DC, “(...) Regina Bento, vereadora (PS) com o pelouro da Contabilidade e Finanças, sublinhou que uma redução no valor do IMI tornará ainda mais difícil a discussão do Orçamento e das grandes Opções do Plano para 2018 (...)”.
Noutra página ao lado, em cerca de dois terços, a jornalista do DC desenvolveu em título que “Coimbra celebra Natal e Ano Novo com mais de uma centena de espectáculos”. Minuciosamente conta que “Quando baterem as 18 horas da próxima sexta-feira acende-se a iluminação natalícia que até 6 de Janeiro, dará outra luz à cidade. Estará, assim, oficialmente aberto o programa “Luzes sobre a Baixa de Coimbra” que celebra o natal e o Fim de Ano e chamará milhares de pessoas à cidade. Entre 45 dias de actividade -embora o programa tenha sido delineado para decorrer entre 1 de Dezembro e 6 de Janeiro, há actividades desde 25 de Novembro e até 9 de Janeiro. (…) Oito minutos de fogo de atifício sobre o rio Mondego marcam o início do novo ano. Seguem-se, pelos quatro palcos instalados na Baixa (largo da Portagem, praça do Comércio, praça 8 de Maio e Terreiro da Erva), a música dos HMB, dos Peste & Sida e Karetus, os cabeça de cartaz do programa.
Por sua vez o Diário as Beiras, em meia página, titula o seguinte: “45 dias de animação dão as boas-vindas à época natalícia em Coimbra”. Prosseguindo, “Mais de 100 espectáculos, a decorrer ao longo de 45 dias, levarão até ao dia 8 de Janeiro, o brilho da época natalícia à Baixa da cidade. O programa “Luzes sobre a Baixa de Coimbra”, promovido pelo município, foi dado a conhecer ontem e propõe iniciativas para todos os tipos de público, entre os quais 115 espetáculos, 14 exposições, concertos, arruadas musicais, actividades para crianças, cantares de Natal e as iluminações de rua, que este ano se estendem à margem esquerda do Mondego, no eixo que liga que liga a Ponte de Santa clara e o Convento São Francisco, além de duas árvores de Natal de grandes dimensões “instaladas” junto aos Paços do Concelho e no Largo da Portagem. (…) O programa “Luzes sobre a Baixa de Coimbra” -que vai para a quinta edição-, pretende “não só dar a conhecer a diversidade cultural da cidade, mas também reforçar a sua atratividade” durante a época natalícia, sem esquecer “a promoção e valorização do comércio da Baixa”, lembrou o presidente da câmara, Manuel Machado, durante a a sessão de apresentação do programa.

QUANTO CUSTA?

Para os mais velhos como eu -que já sou sexagenário-, que, no decurso do seu tempo, levaram a vida a contar tostões -agora cêntimos- sempre que se contratualizava um serviço, ou uma qualquer compra, surgia a pergunta sacramental: quanto custa?
Ora pasme-se: ontem, na sessão do executivo, o custo total destes eventos não passou na ordem do dia. Outro espanto, e aqui é que me salta a tampa, entre vereadores do regime (PS) entre a oposição, que aprovou, e jornalistas não houve uma alma curiosa que interrogasse quanto vão custar estas festas ao erário público. Por isso mesmo, os relatos dos dois jornais não referem os valores cabimentados.
Por seu lado, também não deixa de ter o seu quê de esquisito o facto de a página na Internet do Município de Coimbra, em várias crónicas desenvolvidas sobre o efeito, não mostrar os montantes elencados. Será esta forma de comunicar um aval à transparência dos actos, a que a administração pública está obrigada?
E os jornais diários, o chamado contrapoder, porque, não fazendo perguntas, se limitam a publicar o que vêem e ouvem? Em introspecção, por que não se questionam? Por que não interrogam, por exemplo, como é que a descida de um ponto percentual no IMI, acarretando um benefício de 900 mil euros para os munícipes, pode constituir uma tragédia nos cofres municipais e queimar cerca de 300 mil euros -estimativa minha, já que não consegui obter a resposta certa- em foguetório e circo não causa qualquer engulho?
Podia perorar sobre se esta forma de incinerar milhares de euros no Natal e Ano Novo é, de facto, uma boa forma de desenvolver a “promoção e valorização do comércio da Baixa”, mas não vou por aí. Já não tenho paciência. Sinto uma enorme tristeza quando uma informação, que, por ser tão óbvia e relevante, deveria ser pública e não o é. Por não conseguir entender a razão de cada um, entrosado na organização política e social, não fazer o que está obrigado, apetece-me fugir daqui. Com franqueza!

ENTRETANTO...

A APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, em 14 de Novembro passado e em segunda via a 23, enviou a todos os comerciantes da Baixa este e-mail:

Caro Colega,
Na sequência do encontro de comerciantes realizado em Outubro, no Salão Brazil, vimos enviar a proposta de programação de Natal para a Baixa de Coimbra.
As actividades/iniciativas propostas pela APBC, que vão também integrar a programação de Natal da Câmara Municipal de Coimbra, são:

· Animação infantil aos fins de semana e feriados (25 de Novembro a 23 de Dezembro);
· Chegada do Pai Natal no dia 25 de Novembro pelas 11h;
· Mascotes de Natal (Rena e Boneco de Neve);
· Arruadas musicais com os Dixie Gringos (8, 9, 16 e 23 de Dezembro de 2017);
· Festa do Galo - semana gastronómica (1 a 17 de Dezembro)
· Desfile de viaturas antigas (26 de Novembro);
· Actuações de grupos populares (1, 2, 3, 8, 9, 10, 16, 17, 23 de Dezembro);
· Tômbola de Natal com oferta de um ou mais "Cabaz da Baixa" composto por produtos das lojas aderentes à iniciativa.

A distribuição dos cupões para a Tômbola de Natal e o sorteio do cabaz de Natal apenas faz sentido com a participação dos comerciantes. À semelhança do ano anterior, solicitamos que todos contribuam para a criação do cabaz de Natal com produtos dos vossos estabelecimentos comerciais.
Os comerciantes fizeram notar a importância da sonorização na Baixa de Coimbra durante a época natalícia. No entanto, devido ao elevado orçamento da sonorização (4.300,00€) e à incapacidade financeira da APBC para levar esta iniciativa a cabo, gostaríamos que os comerciantes participassem e colaborassem com um contributo monetário de 25€ por estabelecimento.
A sonorização da Baixa apenas avançará quando a totalidade do dinheiro estiver reunido.
Aguardamos uma resposta relativamente ao interesse em participar nas iniciativas da tômbola de Natal e da sonorização da Baixa até ao final do dia 17 de Novembro.
Acreditamos, que todos juntos, conseguiremos ter um Natal de 2017 cheio de agradáveis surpresas.
Agradecendo antecipadamente a atenção dispensada ao presente assunto, atenciosamente,
O Presidente da Direcção da APBC
Vítor de Sá Marques”

NO APROVEITAR SE ACUMULA O GANHO...

sábado, 25 de novembro de 2017

UM QUADRO PARA PENSAR

Foto de Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Pordata actualizou o quadro-resumo de Portugal, com dados de 2016. Espreite: https://goo.gl/2MHdhj

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

BOA TARDE, PESSOAL...

MAIS UM PREGO NO CAIXÃO LARANJA

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Segundo o Campeão das Províncias, “Teresa Anjinho, que encabeçou uma lista (de Centro-Direita) para a Assembleia Municipal (AM) de Coimbra, vai coadjuvar a nova titular da Provedoria de Justiça.
Não é nada que não se esperasse e já não estejamos habituados, mas, sinceramente, com estas renúncias ao mandato consagrado pelos eleitores, o que espera o PSD/CDS, secção de Coimbra, para o futuro? Primeiro foi Jaime Ramos -que já tinha anunciado que em caso de perder a cadeira municipal principal renunciaria. Agora foi a líder da sua lista à Assembleia Municipal.
Enquanto cidadão fico indignado com este procedimento. É certo que também o PS já fez o mesmo “engana-tolos”.
A lei eleitoral, no tocante às autarquias, deveria consignar que um edil só pode renunciar por comprovada doença ou por condenação criminal, depois de transitado em julgado -esgotadas todas as possibilidades de recurso.
A continuar assim, dá impressão que os candidatos andam à procura de emprego. Só são candidatos às câmaras municipais por, na altura, não terem melhor.
É esta forma de estar, entre eleito e eleitor, que melhora a relação entre cidadão e político?
Apesar da história nos trazer amargos de boca, nunca, como agora, os políticos foram tratados tão abaixo-de-cão como se verifica hoje. A lei eleitoral não devia ser mudada? Estão à espera de quê? Esperam que a política partidária cheire ainda mais mal?

A POUCA VERGONHA QUE SE ASSISTE

Ontem fui a um almoço convidado por amigo que comemorava o seu aniversário. Sentado ao meu lado estava um desconhecido para mim. Por arrasto da conversa, um dos temas desemboca na política local. Às tantas o homem, que não mede as palavras, deu em acusar pessoas por corrupção, dando nomes. Então o “mostrengo” -para mim é o que é e o que vale- deu em contar perante todos o caso de um seu amigo envolvido no licenciamento de um determinado empreendimento na cidade nos últimos anos. Saltou-me a tampa e disse-lhe o que tinha a dizer, cara-a-cara. Se os indignou tanto, a ele e ao amigo, porque não denunciaram? A besta contou aquilo com a maior displicência sem ter noção de que -sendo mentira- estava a difamar pessoas. Mas o mais grave é que este “conto” entrou no universo popular. É de bom tom, fica bem, acusar -sem provas, digo eu!- a classe política.
É verdade? É mentira? Para mim, embora conhecendo mal as pessoas em causa, é! E disse ao homem que não acreditava no que ele estava a propagandear gratuitamente. E dei-lhe uma lição de moral, que não aceitou, obviamente.
Mas, imaginemos que até é mesmo mentira -e aqui é que mora o busílis da questão: a dúvida fica instalada no meu consciente. A suspeição vai corroer para sempre a confiança que deposito nestas pessoas.
Claro que podemos dizer que eu também posso denunciar o caso. É verdade. Mas, considerando-me pessoa de bom-senso, não estando envolvido nem tendo qualquer conhecimento da matéria em causa, tenho o direito de arrastar o nome de pessoas para a lama? Por que as coisas são mesmo assim: mesmo que os visados sejam ilibados pela justiça nunca mais serão inocentados pelo povo. E porquê? Porque o cidadão comum, por um lado, condena antes do julgamento, por outro, não acredita nos tribunais. Acha que estão todos “feitos” para branquear os políticos.
Este é o povo que temos, mas, diga-se, é a soma de muitas premissas alimentadas por legislação que concorre para instalar a suspeição.
Pensemos nisto.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

EDITORIAL: OS VARRIDOS DO COMÉRCIO (1)

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)





Tentando trazer à colação a história recente do comércio na Baixa, com a maior honestidade intelectual e até onde a memória me conduzir, vou tentar retratar os últimos cerca de vinte anos, mais precisamente a partir de 1995. Porquê continuar a malhar no desgraçadinho, como quem diz escrever sobre o comércio? Porquê começar em 1995? Porquê o título? À primeira interrogação respondo que continuo a escrever sobre a actividade mercantil na Baixa por que, a meu ver, a história do comércio no coração da cidade, quer no nascimento, quer no crescimento, quer no pico máximo, quer na declinação (que vivemos hoje), não está feita. Embora eventualmente possa fazer remissões para o passado, estabeleço uma data de começo em 1995 por ter sido um ano de transição, o início de um novo ciclo político de abertura à esquerda, após dez anos de governos PSD, a viragem do milénio, o marco da chegada de uma nova sociedade mais informada e informatizada, a data em que, de certo modo, nasceu a última fornada de consumidores -que estão agora, neste ano da graça de 2017, com 22 anos. E é precisamente nestes dois estratos sociais, velhos comerciantes e novos consumidores, que, ao mesmo tempo que descrevo, vou tentando arranjar explicação para a queda do comércio tradicional, visto pelos olhos de um operador que começou a trabalhar na Baixa em 1973.
Porquê o título “os varridos do comércio”? Furtei a presente denominação a um antigo comerciante, e meu amigo, que chama assim aos colegas que foram “empurrados” para uma insolvência anunciada ou ainda estão no activo por necessidade e sabem antecipadamente que o seu destino está traçado a curto ou a médio prazo.
Foi precisamente por isto que, apesar de já ter produzido dezenas e dezenas de textos sobre este mesmo assunto, senti necessidade de escrever novamente sobre o declínio da classe.
Os comerciantes de rua serão vítimas de um sistema político interesseiro, onde só os grandes grupos económicos contam e os pequenos são moléculas invisíveis carregadas de obrigações?
Serão despojos de uma cultura assente no costume, em que a mudança e a novidade são os trilhos onde corre a máquina do progresso, que nunca foi tão rápida como hoje?
Serão peças velhas, sem utilidade, resquícios de um tempo que passou de moda?
Serão simplesmente os guardiões de um museu -que, como actores de uma peça trágica, dando vida às urbes pagam para trabalhar- em que se transformaram os velhos centros das cidades para os turistas e novos consumidores?
Como é evidente não vou responder a qualquer destas perguntas. O que pretendo é, partindo do passado para o presente, com seriedade fazer reflectir e, cada um por si, chegar a uma conclusão.

I

Estamos em 02 de Outubro de 1995. Ontem realizaram-se as eleições legislativas. António Guterres, ganhando o pleito eleitoral com maioria relativa, depois de uma década de governos PSD, centro-direita, liderados por Cavaco Silva, abre a porta de entrada do país ao Partido Socialista (PS), centro-esquerda.
A Câmara Municipal de Coimbra é liderada por Manuel Machado, em representação do PS.
O movimento comercial na Baixa segue o seu curso praticamente igual aos últimos vinte anos. A cidade, para quem vem do exterior, é uma espécie de Meca comercial. Aqui tudo se compra, aqui tudo se vende. As ruas estreitas e largas continuam apinhadas de pessoas. Os transeuntes, constituídos por nativos e visitantes de toda a região centro que aqui se deslocam para fazer compras, fazem fila indiana para percorrer escassos metros de calçada. Por esse facto, por um desmesurado movimento de pessoas a atropelarem-se nas vias, e também por começar a ser moda retirar os automóveis dos centros históricos, cinco anos antes, em 1990, Machado manda retirar o trânsito automóvel e transforma as Ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz em vias pedonais. Os jornais locais anunciam que no Verão, sobre orientação de Fernando Távora, que fora também o responsável pelo projecto de pedonalização das ruas largas, vão iniciar-se as obras de rebaixamento do piso da Praça 8 de Maio.

II

A zona da Alta, sobretudo as Escadas de Quebra Costas, para além da hotelaria, está essencialmente povoada com estabelecimentos dedicados ao mobiliário. Embora houvesse também dois alfaiates, uma livraria, uma loja de electro-domésticos, uma oficina de rádios, uma casa de canetas, um velhustro e um alfarrabista.
Abaixo do Arco de Almedina, a Baixa prossegue o seu curso aparentemente normal. No entanto, pressente-se no ar alterações ao seu “status quo”, ao seu situacionismo, e alguma preocupação, sobretudo para os profissionais do comércio. A abertura do Continente e da Makro no Vale das Flores ocorrera dois anos antes, em 1993, e, embora recente, a deslocalização de clientela estava em curso e já provocava mossa no negócio. Nessa altura, aquando da abertura destas grandes superfícies, chegou a realizar-se uma manifestação de protesto liderada por César Branquinho, um comerciante com lojas na Rua das Padeiras, próximo do PS e muito activo nas lides associativas e que chegou a ser presidente da ACIC, Associação Comercial e Industrial de Coimbra.
Como se fosse pouco a concorrência que vinha em grande escala, por força das políticas de Cavaco Silva no obedecer a directivas europeias -Portugal aderiu à então CEE, Comunidade Económica Europeia, nove anos antes, em 1986-, pelo abandono dos campos, o terciário passou a ser um porto de abrigo de todos os encalhados. O resultado deste encarte é que começaram a abrir negócios em tudo quanto era vila e cidade periférica da grande urbe. Por isso mesmo, aos poucos, Coimbra ia perdendo a atractividade comercial que sempre tivera ao longo do século XX. Mas, salienta-se, apesar disso, a cidade fervilhava de gente. Um ano antes, em 1994, pela adesão de Portugal à Organização Mundial de Comércio, começaram a surgir as “lojas de trezentos” como cogumelos em manhã de nevoeiro. Na Rua das Padeiras, onde irrompeu o primeiro espaço comercial onde se vendia tudo, desde guarda-chuvas a ferramentas, havia longas filas de pessoas à espera para entrar.

III

O comércio na Baixa está dividido por áreas classicistas. As ruas largas, a Visconde da Luz e Ferreira Borges, constitui a fina flor que tem por objecto servir a elite da cidade. Para além de deter os melhores cafés e muitos consultórios médicos nos pisos superiores, aqui estão situadas as grandes casas de moda e duas sapatarias de marca.
Nas ruas estreitas e praças adjacentes está o comércio mais popular. Neste ano encerrou um grande armazém de mercearia nas ruas estreitas, os tendeiros que vendem tudo em porção de quilo temem a sua extinção.
A ocupar verticalmente todo o edifício, o ponto de venda está no rés-do-chão. Está muito centralizado, isto é, um comerciante chega a ter oito lojas a vender o mesmo artigo num espaço de cem metros quadrados entre vielas que se cruzam. Outros, na mesma rua ou praça, quase encostados uns aos outros, detêm dois, três e quatro estabelecimentos, todos com o mesmo artigo para venda. Não é surpresa saber que algumas destas empresas têm no seu quadro de pessoal quarenta trabalhadores, alguns deles com mais de trinta anos de casa. Mas as vendas estão a cair muito rapidamente e muitas destas firmas não conseguem ganhar para pagar aos funcionários. Os despedimentos, sobretudo nos servidores mais novos para não pagar indemnizações, começam em catadupa. As grandes empresas, que deram nome à Baixa comercial nas últimas décadas, entram em falência técnica e vão durar poucos anos.
(ARTIGO EM CONTINUAÇÃO)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

FALECEU O SENHOR ANTÓNIO, DA SAPATARIA REIS





Por volta do meio-dia, quando o Sol estava a pique, foi hoje a enterrar, no cemitério de Santa Clara, António Marques Ferreira, de 86 anos, o “Senhor António, da Sapataria Reis”, como era conhecido em toda a baixa comercial no tempo quando pessoa e estabelecimento eram irmãos siameses na identidade.
Como marçano, tendo como colega Manuel Magalhães -também já falecido-, começou ainda novo a vender sapatos na desaparecida Sapataria Reis, com frente para a Rua Eduardo Coelho -antiga dos sapateiros- e Largo da Freiria. Hoje deu lugar a um bonito estabelecimento de calçado para criança: A Loja da Laura. Anos mais tarde, talvez em fins das décadas de 1970 e princípio de 1980, por cedência de quotas da antiga proprietária da Sapataria Reis, viria a constituir uma sociedade com o seu colega Magalhães. E por aqui se manteve até por volta de 2008, altura em que cedeu os seus direitos de propriedade a uma filha de Magalhães.
Apesar de ter deixado o comércio com cerca de 75 anos, o Senhor António parecia vender saúde. Tal como Magalhães, o seu sócio no negócio, tinha por aqui muitos amigos, que diariamente faziam da velha sapataria desaparecida -encerrou em Maio de 2011- uma espécie de porto de abrigo para grandes conversas e jogo da moeda. Aqui se juntavam em grupo ao longo da tarde. Era muito interessante sentir o quanto este antigo espaço comercial contribuiu para a revivificação desta zona.
Para a família enlutada nesta hora de sofrimento, em nome da Baixa comercial, se posso escrever assim, os nossos sentidos pêsames. Até sempre, Senhor António.

UMA OUTRA BAIXA DESAPARECIDA

Embora talvez poucos pensem nisto com a mesma profundidade como escrevo, porque estou cá, as pequenas lojas, sobretudo as mais antigas, que constituem o universo do comércio tradicional estão para a cidade como as flores estão para os jardins. Se os negócios vão desaparecendo e substituídos com outros ramos, resultado de várias crises, económica e social, as áreas habitáveis vão secando como desertos e, conduzindo ao isolacionismo e ao individualismo, transformam-se em zonas de pouco humanismo. É nestas alturas que o pior que as pessoas transportam dentro de si, como a maldade, a inveja, o falso testemunho e a difamação, vem ao de cimo. É nesta instabilidade social que, acentuadamente nos mais frágeis e sensíveis, a ansiedade dispara, as depressões marcam o dia e a falta de sono branqueia a noite.
Não sei se consigo explicar por palavras escritas o quanto foi importante a antiga Sapataria Reis, nas pessoas dos seus sócios, ao longo das décadas para uma vivência desaparecida da Baixa. É certo que todos os dias era um bulício popular, um forró coroado com tinto bem regado, e muitos não gostavam, sobretudo pelo barulho proferido pelos contraentes do jogo da moeda: “duas”, “quatro”, “seis”, “oito”, que ecoava ao longo da velha rua, mas era um encanto para os meus ouvidos.
Retirando a ladainha de um ou outro cego -que nesse tempo se digladiavam por um lugar na esquina-, agora praticamente o silêncio cobriu toda a envolvente, Tenho muita saudade desse tempo. Certamente pelo pitoresco, pela invulgaridade, gostava muito de os ouvir. Pressentia naquela manifestação popular uma espécie de prova de vida. Pela sua falta, impressionou-me tanto que em 2013 até compus uma canção a que chamei “Hino à cidade “perdida”:


HINO À CIDADE PERDIDA

Olhem, tenham dó”,
gritava a cigana,
tenho dez filhos e “mi home, entrevadinho”,
está na cama, coitadinho, e não pode trabalhar”;
Davam uma moeda,
tinham compaixão,
na outra esquina um ceguinho repetia a lengalenga
trauteada em oração;
No largo em frente
jogavam à moeda,
e entre um copo e uma sardinha na tasca da Mariazinha
se depuravam as mágoas;

ESTA CIDADE JÁ NÃO EXISTE
SÓ NA MEMÓRIA É QUE PERSISTE

O tempo passou
e tudo mudou,
e a minha rua que era luz, agora é triste, tem uma cruz
p’ra lembrar que pereceu;
Já nem um pregão,
um gato a miar,
só o silêncio modorrão invadiu seu coração
e de quem teima em ficar;

ESTA CIDADE NÃO TEM VIVER.
JÁ NÃO TEM VIDA, ESTÁ A MORRER.