sábado, 16 de fevereiro de 2013

VÃO PARA O RAIO QUE OS PARTA!



 Para iniciar esta crónica, começo por interrogar que relação directa implicará a Praça do Comércio com as Ruas Eduardo Coelho, Padeiras, Almoxarife e Largo da Freiria? A meu ver, simbolizam o desleixo, a incúria, o deixa-correr de quem deveria cuidar da coisa pública e não o faz. Mas antes de me debruçar sobre esta negligência “criminosa” –entre comas, porque não pode ser sancionado mas devia- vou contar o que se passa. Na Praça do comércio já várias vezes se escreveu aqui, no jornal O Despertar, e da Junta de Freguesia de São Bartolomeu foram enviados ofícios, sobre o desrespeito continuado durante todos os dias da semana do anárquico estacionamento na mais bela praça da Baixa. O que está acontecer é simplesmente uma vergonha. Um largo medieval pleno de monumentos e, apenas porque ninguém está interessado em fazer cumprir a lei, assiste-se ao que a imagem documenta. Pode argumentar-se que hoje é Sábado, mas nos outros dias é igual. Por que raio é que estes automobilistas não estacionam fora do perímetro monumental? Se a maioria paga estacionamento nos parques, qual será a razão invocada para continuarem a abancar aqui os seus carros diariamente?
Nas ruas estreitas irrita a situação que vou descrever mais uma vez. Pelos vistos o relógio da EDP que regula o acendimento dos candeeiros no triângulo que enuncio em cima deve estar avariado e, sobretudo ao fim-de-semana deixa as ruas conforme demonstram as imagens captadas hoje às 18h30. Esta situação mantém-se assim há cerca de um ano. Progressivamente acendem cada vez mais tarde. Agora, hoje, começaram a debitar luminosidade depois das 18h30. Já mandei ofícios para a Câmara Municipal, já liguei mais do que uma vez para os serviços da Electricidade de Portugal. Debalde, ninguém quer saber. Começo por perguntar se este facto terá ou não importância e o que acontece a quem passa nesta zona comercial. Tem e muito. As pessoas, os transeuntes, chegam ao início da rua e voltam para trás com medo da escuridão. Ora, acontece que, embora pouquíssimos, há estabelecimentos abertos até às 19h00. Então coloca-se a questão de saber se os serviços, essencialmente da autarquia –porque há outros com responsabilidade na questão- querem que todas as lojas fechem ao Sábado de tarde. Será assim? Se não é parece.
Esta apatia irrita profundamente. Parece que estão a gozar com quem aqui labora. Por que é que não levantam processos disciplinares ao(s) (ir)responsável(is) pela iluminação pública? No tocante à Praça do Comércio, ainda que menos grave, qual a razão de a Polícia Municipal não intervir com dureza?
Por que raio é que assistimos, cada vez mais, a uma completa desresponsabilização dos gestores da “res publica”? Os funcionários andam desmotivados? Mas, apesar dos cortes, continuam a receber ordenado, não continuam? E os privados, como é o caso dos comerciantes, os que ainda tentam resistir a este abandono, sem alento e entregues à sua sorte, vão receber o quê, onde e a quem? Apetecia-me mandá-los para um certo lugar, mas fico-me só pela frase imprecativa: vão para o raio que os parta!


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