quarta-feira, 8 de abril de 2009

A SEMANA SANTA DE TODAS AS ESMOLAS






(FOI ESTE O QUADRO QUE DEU RAZÃO A TER ESCRITO ESTE TEXTO)

Até há meia dúzia de anos, na Baixa, a semana Santa era muito concorrida por “nuestros hermanos”. Este ano, talvez resultado da crise económica que é transversal a todo o mundo e sobretudo na Europa, a verdade é que se vêem poucos espanhóis por aqui. Em contrapartida, os pedintes, como a adivinhar que nesta quadra as pessoas se tornam mais sensíveis à desgraça alheia, proliferam em grande número pelo centro histórico.
Há bocado, junto à arcada de entrada da Igreja de Santa Cruz, assisti a episódio engraçado. Junto ao lado direito de quem entra, do lado da Epístola, estava um invisual a pedir. Pé-ante-pé, chega uma romena com uma criança num carrinho e instala-se do lado esquerdo, do lado do Evangelho. Se conseguem imaginar o escarcéu que o cego lá fez?! Quem passava ao lado podia ouvir o homem irado: “Vai para a tua terra…sai daqui!...vai trabalhar! Eu é que sou verdadeiramente cego. Tu és uma impostora!”
A romena, certamente habituada a ouvir das boas, para além de fazer de conta que era indigente, fazia de conta também que era surda e muda, não respondendo aos impropérios de quem se sentia ferido pela concorrência.

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