quarta-feira, 24 de março de 2010

A FEIRA DOS 23







 Ontem, na Bencanta, ali entre o rio Mondego e o Instituto Bissaya Barreto, como em todos os dias 7 e 23, realizou-se mais uma popular feira. Embora fosse um desastre como agricultor para o meu pai –enquanto foi vivo-, de vez em quando vou lá comprar qualquer coisa para plantar. Como sempre, e ontem particularmente, fico abismado com o movimento daquele certame. Para se conseguir aceder ao recinto só quem estivesse na disposição de aguentar uma hora de uma fila de carros com mais de dois quilómetros, entre a ponte açude e Bencanta. Estranhei não se ver por lá um único polícia a controlar o tráfego. Creio que aquela zona já pertence à GNR. Depois de ter estacionado o meu carro cá muito atrás, enquanto ia deambulando por entre as muitas centenas de pessoas, ia pensando que se, por acaso, ali houvesse um qualquer conflito –o que será normal entre consumidores e vendedores- como é que lá chegava a polícia a tempo e horas de evitar sangue.
Adoro apreciar este ambiente tão carismaticamente popular. É extraordinário sentir ali o pulsar do povo de todas as classes sociais. Ali há de tudo e vende-se de tudo e mais alguma coisa. Desde animais, cobres, artigos para agricultura, até mobílias para a cozinha.
Numa altura em que as crianças praticamente não tomam contacto com a vida campestre, sobretudo animais de capoeira e outros, estas feiras não deveriam ser visitadas por crianças de escolas básicas? Não sei…se calhar até serão mesmo. Se não são deveriam ser. Hoje em dia, penso, parece que a única preocupação é inculcar-lhes massivamente conhecimento e Internet. Como se o mundo girasse todo à volta destes dois itens.
Aquele ambiente é mesmo espectacular. Fiquei admirado pelo grande movimento de pessoas. Todos os vendedores, pareceu-me, estavam a fazer negócio. Fui comprar umas galinhas. Estive de estar à espera. Como queria “poedeiras”, para porem ovos, quase que não arranjava. Costumo comprar numa simpática vendedeira de galináceos. É a Sandra. Terá pouco mais de trinta anos. Para além de linda, de cabelos médios alourados, tem uma aura de luz que a distingue das demais. É muito viva e cativante. Com um generoso decote, que até os galos, recolhidos nas capoeiras atrás, todos estendiam o pescoço para verem, imagine-se uma pobre criatura como eu…tão sensível à arte da beleza feminina. Conheço-a mal, e para mais o marido estava ao lado, portanto era melhor não me estender muito, mas mesmo assim, tentando obter um preço melhor na minha compra, lá lhe fui atirando um elogio: a dona Sandra é a que mais vende aqui na feira. No meio de uma largo sorriso, maior que o sol de Agosto, respondeu: “é verdade sim! O meu marido já disse que se tivesse duas como eu já estava rico há muito tempo…”

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