terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O FIM DOS DIAS DO JOSÉ MANUEL





O José Manuel Sacramento trabalhava na Sapataria Pessoa, na Rua das Padeiras. Não era uma pessoa muito efusiva, mas, nos últimos tempos, tornou-se mais acabrunhado. No pequeno café em frente à sua loja, a Simone, a simpática empregada brasileira, notando que cada vez menos o “sinhô Zé” mandava uma laracha, pensou que a depressão tinha feito mais uma vítima. De vez em quando “sinhô Zé” queixava-se com dores de cabeça, mas lá ia pedir um copo de água e juntamente com uma aspirina lá enxotava a dor maléfica.
Há dois meses para cá as dores aumentaram e José Manuel foi ao Hospital. Segundo o testemunho da Simone, “nem os próprios médicos tiveram noção de que estavam perante um caso grave. Apesar de ser perceptível a perda de peso, certamente os clínicos também pensaram ser alguma depressão. Foi a cunhada Clara, sócia e colega na sapataria, que insistiu para que o “Zé” fosse submetido a um TAC e então foi-lhe diagnosticado um problema grave. Há cerca de uma semana foi submetido a uma cirurgia. Infelizmente o José Sacramento não resistiu”, conta-me a Simone.
Com 47 anos, o José partiu sem se despedir dos amigos da Rua das Padeiras. Esta rua estreita ficou mais pobre. Foi-se embora um de nós.
À família enlutada e plena de dor, resta-nos partilhar com eles este momento sofrido.

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