segunda-feira, 26 de setembro de 2016

CURIOSIDADES LONGAS E NOTÍCIAS CURTAS DA NOSSA RUA






A minha Rua Eduardo Coelho, embora pareça que está sempre igual para quem cá reside ou exerce a sua profissão, a verdade é que, como tudo na Natureza é dinâmico, está sempre em mudança. Ou, historicamente na toponímia, não fosse esta artéria uma via estreita e sujeita aos novos tempos.
1 -Apenas como curiosidade, com assento na toponímia oficial (que se iniciou em 1858 e foi promulgada no Código Administrativo de 1878), foi conhecida como Rua dos Sapateiros até 09 de Dezembro de 1904, altura em que o topónimo foi substituído por Eduardo Coelho, “em homenagem ao conimbricense Eduardo José Coelho, um dos fundadores do “Diário de Notícias”, era a esse tempo Rua dos Sapateiros e foi formada pelas Ruas de Mompiler (Monpilher ou Monte Pinhel) e dos Pintadores, tendo aquele nome na parte que vinha até ao terreiro de Sansão, e este no troço que topava na actual Praça do Comércio” -in toponímia de Coimbra, de José Pinto Loureiro, 1964.
Até esta altura, 1904, a sua denominação Rua dos Sapateiros era de cariz popular e teria em conta o lado corporativista, já que, tal como outras na Baixa, o seu nome fazia reporte à profissão exercida por artesãos e negociantes ligados ao calçado.
2 - Até mais ou menos 1990, a Rua Eduardo Coelho, com 15 sapatarias, conservou estas lojas como ramo maioritário. A partir do início do milénio, encerrando paulatinamente uma a uma, estas vendas foram dando lugar a outras ofertas comerciais -hoje há cinco estabelecimentos que se dedicam por inteiro à venda de calçado.


3 -Em funcionamento desde princípios de 2013, e no lugar da desaparecida sapataria Angel, vai encerrar proximamente a sapataria Zinco. Com indicação nas montras, encontra-se já em “Liquidação Total”.



4 – No antigo espaço da sapataria Reis -que esteve aqui implantada mais de meio-século-, e que recentemente teve um estabelecimento de pronto-a-vestir durante cerca de seis meses, abriu hoje a “Loja da Laura”, um bonito estabelecimento de roupas e calçado dedicado a crianças desde o nascimento até aos quatro anos. À realizadora do projecto, Lídia Alves Faria, em nome de todos os colegas -se posso escrever em representação- desejamos as maiores venturas, felicidade e sorte.


5 -Depois de uma semana de férias intensas, alegadamente passadas nas Bahamas, reabriu esta semana a loja “Modas Veiga”. De pele rosada pelo calor tórrido da ilha do Atlântico, a norte de Cuba, O Francisco Veiga e a esposa Lucília Veiga (Cila), cheios de força e disponibilidade anímica, estão prontos a receber os seus muitos clientes conquistados ao longo de quarenta e cinco anos a exercer na Baixa de Coimbra.


6 -Por ter comemorado mais um aniversário, tudo indica que esta semana, em dia anunciar, o Carlos Pereira, um nosso respeitoso e respeitável camarada de armas, vai realizar uma grande festa, no largo em frente ao estabelecimento Luz Luz, a "loja dos milagres da minha rua", com comes e bebes para os amigos. Vamos aguardar com serenidade e paciência.


7 -Iniciaram-se hoje obras de restauro no prédio mais bonito da nossa Rua Eduardo Coelho. No edifício, em cujo rés-do-chão actualmente funciona a loja de lingerie Miss Curvy e outrora a sapataria Paiva, montam-se andaimes e trabalha-se a todo o gás para alindar o maior ícone de construção entre o oriental e neo-colonial -digo eu, que nada percebo de estilos arquitectónicos.


2 comentários:

Miss Curvy disse...

O predio mais bonito, que cada vez fica mais bonito! 1o com a abertura da Miss Curvy (eheh) e 2o agora que vai ficar de cara lavada

Nelson Afonso disse...

Sim, é o prédio mais bonito da baixa, sim senhor.Acerca do prédio: Na antiga Rua dos Sapateiros em Coimbra (ant. Rua de Montpelier no sec. XV e Rua de Pintadores no século XVI), existe um conjunto de Azulejos estampilhados da Fábrica de Cerâmica das Devesas, do 3º quartel do Sec XIX. De série Geométrico-vegetalista (Padrão de 1x1 (1) de dupla simetria meridional e diagonal. Policromia (cinco cores) aplicada por estampilhagem). Existe um exemplar no Atelier de Conservação e Azulejo da Câmara Municipal de Ovar. O edifício referido é datado de 1898 e foi mandado construir por João Vieira da Silva Lima (1865-?) casado com Guilhermina Mendes Lima, negociante abastado de Coimbra (Tinha a casa Herold & Compª e Anjos & Compª. e vendia adubos, Azeite (que importava de Espanha), cereais e aguardente) Sócio da firma João Vieira e Santos que depois a comprou na totalidade. Estabeleceu uma Fábrica de Refinação de Açúcar, na rua das Padeiras). Viveu na Rua das Padeiras e tinha vários prédios arrendados na Travessa do poço do Conde, na Rua das Padeiras e este na Rua dos Sapateiros em Coimbra.