segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O EXEMPLO QUE VEM DO LADO

(Imagem do Semanário Expresso)




SERIA BOM QUE REFLECTÍSSEMOS VIVAMENTE COM O ESPECTRO POLÍTICO QUE, AGORA, SE APRESENTA EM ESPANHA. POR MOMENTOS, RELEMBREMOS A DÉCADA DE 1920, QUE, LEVANDO AO (RE)SURGIMENTO DE UMA VAGA FASCISTA SEM PRECEDENTES, CONDUZIU A UMA SEGUNDA GRANDE GUERRA MUNDIAL, COM MILHÕES DE MORTES.
RETIRANDO O ASSÉDIO QUE EXISTE SEMPRE NA MANIPULAÇÃO DOS DADOS QUE CONVOCAM OS VOTANTES, OS RESULTADOS DE UMA ELEIÇÃO SÃO SEMPRE A SOMA DAS PREMISSAS ENTRE UM SISTEMA VICIADO E UM REGIME (QUE NOS É DESCRITO) SEM ALTERNATIVA. DIVIDIDAS ENTRE O DESCONTENTAMENTO, MANIFESTADO NUMA FÉ PERDIDA EM QUEM GOVERNA E A EXACERBADA ESPERANÇA DEPOSITADA EM QUEM VEM DE NOVO, O FUTURO, DEPOIS DE ASSENTAR ENTRE NÓS, SALVO RARÍSSIMAS EXCEPÇÕES DE CURTOS PERÍODOS, APRESENTA-SE SEMPRE PIOR DO QUE O PASSADO.
NO MODO DE ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E ADMINISTRATIVA COMO O ESTADO (UM GOVERNO, UM POVO, UM TERRITÓRIO) SE ORGANIZA PARA PLANEAR A SOCIEDADE, FOI SEMPRE ASSIM E SEMPRE ASSIM SERÁ.


sábado, 9 de novembro de 2019

NO APROVEITAR SE ACUMULA O GANHO



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UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...





Filipe Costa deixou um novo comentário na sua mensagem "BAIXA: ENCERROU A SAPATARIA ROMEU (A CASA-MÃE)":


Isto só demonstra a decadência total de Coimbra, porque não há apoios para manter estas casas abertas. Só se vê coisas ao abandono nesta cidade! Realmente choca-me ver que ninguém se preocupa com isto! O que era a B
aixa, e o que é hoje em dia! 


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

BAIXA: ENCERROU A SAPATARIA ROMEU (A CASA-MÃE)






Encerrou esta semana a sapataria Romeu, na Rua Visconde da Luz. Na montra de vidro pode ler-se que qualquer assunto pode ser tratado no “Outlet” - na Rua do Corvo, que se mantém aberto.
A sapataria Romeu, que ainda é uma marca conceituada no comércio da Baixa, foi nos últimos sessenta anos uma das grandes catedrais comerciais na zona histórica. Se prometer não chorar, só para lembrar alguns desaparecidos que estão gravados na nossa memória, falamos do Saul Morgado, da Casa Bonjardim, das Galerias Coimbra e da Casa São Tiago, do Último Figurino, os Marthas, o Eldorado e o Infinito, o café Arcádia, o café Central, o Café Internacional, a livraria Coimbra Editora. Foram estes ícones da cidade desaparecendo e poucos foram aqueles que levantaram um dedo acusatório sobre o processo de extermínio em curso.
Nos últimos vinte anos, numa indiferença inexplicável, tem sido uma razia. O curioso ou a graça, sem graça alguma, é que mesmo com o desastre que continua à frente dos nossos olhos, ninguém se importa. Vivemos um tempo esquisito onde o que parece ser é a norma e a realidade é para esquecer. Aliás, para quem falar disto ou escrever corre o risco de ser olhado de lado. O que conta é dizer que a Baixa está em franco desenvolvimento comercial. Ler mais ou menos isto nos jornais passou a ser um hábito. Sabemos bem, ou pelo menos imaginamos, quais as razões conducentes a este inapropriado relato.
Por factos mais que provados, assistimos a um desastre comercial iminente na zona histórica. No entanto, pasme-se, os intervenientes, os operadores, que são a parte mais fraca, continuam a assobiar para o alto. E é lógico, se estes, que são verdadeiramente os interessados, não denunciam o seu descontentamento na Praça 8 de Maio, alguém acredita que serão os políticos com assento parlamentar na Câmara Municipal a fazerem alguma coisa? Continuando na mesma cobardia, ou apatia, se preferirem, estes ou os que vierem procederão de igual modo. Só perde quem tem. Só sente quem sofre na pele as agruras da vida.
Há vinte anos que ando a escrever sobre o funeral anunciado do comércio de rua. É incrível mas, pela minha denúncia constante - que se pode constatar nas dezenas largas de crónicas que escrevi ao longo destas duas décadas -, talvez por parecer muito pessimista, fui perdendo o apoio popular – porque, como escrevi, a maioria prefere matar o mensageiro e ignorar a catástrofe que se aproxima. Esta estranha forma comportamental da vizinhança acabou por condicionar a minha forma de ser. Com o tempo, fui escrevendo cada vez menos sobre o comércio. Por se saber ser cada vez maior a precariedade de quem abre portas, deixei de noticiar a inauguração de mais um ou outros mais estabelecimentos. Dos que encerram, já só falo das catedrais aqueles que, com o seu passado de glória, foram a infra-estrutura e contribuíram para o engrandecimento desta zona comercial.
O que está acontecer, é que os velhos, como eu, por um lado, tentando salvar alguma coisa, por outro, porque trabalharam muito e já não têm paciência para aguentar mais humilhação, vão deixando os seus negócios para quem vem de novo. Para estes estreantes comerciantes e hoteleiros, que abrem agora, que se cuidem. Apesar do sol radioso que nos querem impingir, olhemos bem o tempo com atenção, há muitas nuvens cinzentas que estão escondidas.

BAIXA: FALECEU A DONA ROSA NETO






Foi ontem sepultada a nossa conterrânea Rosa de Azevedo Neto, de 99 anos, moradora no Adro de Cima, na Casa Medieval, junto à Rua Sargento-mor, no prédio onde, durante décadas, funcionou o “Cantinho da Anita”, loja conceituada de artesanato e já encerrada, sobre gerência da sua filha, Maria Hermínia Matos.
Rosa, para além de ser uma flor que nos acompanhou em longa vida neste jardim que é a Baixa – quase um século -, foi uma resistente, uma lutadora, uma heroína de elevado peso na comunidade, mas anónima, cuja sombra deslizante na paisagem os jornais raramente se apercebem e contam a sua história. 
De humildade entranhada na carne, com uma simpatia contagiante que se apanhava no seu sorriso estampado, pelo seu passado de trabalho e de ombro amigo sempre pronto a ajudar um vizinho, apetecia apertar as maçãs do seu rosto e exclamar: “Esses seus cabelos brancos, bonitos, esses passos lentos, já correram tanto na vida, meu querido, meu velho amigo!”.
Rosa, juntamente com o desaparecido marido, Henrique Branco, que foi tipógrafo do Diário de Coimbra e d’O Despertar, trabalharam muito para criar os seus filhos. Concebendo pequenas flores de seda para aplicar em vestidos de cerimónia, para além de trabalhar para várias modistas na cidade, chegou a ter muitas encomendas para o “José Novais” e “Último Figurino”, grandes estabelecimentos de luxo já encerrados há cerca de uma ou duas décadas. Com a sua arte manual de bordar, Rosa Neto deixou marcada a ferros a sua passagem nesta vida. Com o seu desaparecimento vai um pouco da história comercial e do que foi a pujança de comprar e vender nesta zona de Coimbra.
Para os seus filhos e restante família, em nome da Baixa, se posso escrever assim, os nossos sentidos pêsames. Para a grande mestra Rosa Neto, que partiu em paz, uma enorme salva de palmas!

BOM DIA, PESSOAL...

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

BAIXA: FALECEU A "MARIAZINHA" DO A. LOUREIRO

A imagem pode conter: 1 pessoa, a sorrir




Em Julho de 2015, a Baixa, no seu caminho ascensional em direcção ao futuro, assistiu à boa morte do A. Loureiro, uma loja com 45 anos cujo ciclo chegava ao fim, como escrevi na altura – engraçado, parece que foi ontem que assisti às lágrimas contidas em sorriso simpático da Maria da Boa Morte Vieira da Costa Loureiro, mais conhecida por “Mariazinha” entre colegas. Nesta dupla entrevista, escrita que lhe fiz e falada nas imagens captadas em vídeo pelo Márcio Ramos, está lá tudo. A alegria sentida no abrir portas de um estabelecimento - noutra época, no tempo em que um comerciante sabia que trabalhando arduamente ganharia a sua independência financeira e, como suplemento social, ganharia o respeito da comunidade. Nestes anos que não voltam mais, o estabelecimento era a extensão do seu proprietário, em identidade, na seriedade e como marco social - e a nostalgia manifestada em tristeza e dor, duplo desgosto, por um lado, por ver a degradação em que caiu a actividade comercial, por outro, constatar a impotência para alterar seja o que for. Para piorar, a idade não perdoa, e, como tal, numa avaliação necessária, verificar que é chegada a hora de encerrar a porta pela última vez. E, como se ao deixar a rotina de muitas décadas, se ficasse despido de um grande sobretudo de uma responsabilidade que deixou de ser. Sentindo o vazio como incapacitante, carregasse o anátema do inválido no resto de existência até ao último suspiro. E aqui, como numa peça de teatro em que se descerra o pano sobre o palco, tudo termina.
Ontem a Mariazinha, na sua última viagem entre nós, foi cremada no Crematório Municipal de Taveiro. É um dos nossos que se vai. Escrever que o nosso meio, o nosso centro comercial, que é a Baixa, fica mais pobre, pretendendo ser uma singela homenagem, é pouquíssimo. Ainda que não sejam reconhecidos, os alicerces desta zona comercial, como estrutura, estão implantados em pessoas como a Mariazinha e o seu desaparecido marido, o senhor António Manuel Loureiro. Foi graças ao seu empenho e dedicação que a Baixa, com todos os altos e baixos, é o que é hoje.
Para a sua família, nesta hora difícil, em nome de todos nós colegas comerciantes, os nossos sentidos pêsames. Para a extinta agora desaparecida uma salva de palmas.