sábado, 2 de abril de 2016

SER VELHO E CARREGAR NOS OMBROS A DISCRIMINAÇÃO



Arlindo Almeida Santos está inconsolável: “uma pessoa ser velha, num país em que não se respeita ninguém, é uma tragédia”.
Almeida Santos é o nosso decano e mestre na fotografia que, apesar dos seus 72 anos –embora não pareça- continua em actividade no seu estabelecimento, os estúdios Diorama, na Rua dos Esteireiros, e, para gáudio de todos, nos honra com a sua presença. Trata a arte de retratar por tu e sabe tudo da sua profissão, o que, considerando que é um ofício em desaparecimento acelerado, para a Baixa é uma importantíssima mais-valia. Pessoas como ele, com a sua experiência e saber, se estivéssemos numa nação desenvolvida com governantes estadistas que almejam o futuro, estaria a ensinar, a transmitir o seu conhecimento aos mais novos e não diariamente, como acontece, a tentar sobreviver agarrado ao balcão da sua loja.
Vou então continuar a ouvir o senhor Arlindo, “olhe aqui a minha Carta de Condução. Como tenho 72 anos, agora muda de dois em dois anos. Repare na foto. Como vê estou sem lentes no documento –o Santos usa óculos há muitos anos. Sabe porquê? Porque as máquinas que estão na Loja do Cidadão, por causa do reflexo, não conseguem tirar a foto com lunetas. Então, mesmo mostrando uma imagem que não está conforme, para eles está tudo bem. Já levei até uma fotografia minha em que estou como deve ser, com óculos, mas eles não querem. Ou seja, porque não conseguem fazer, mostram o que não devem.
Depois tem estas coisas que uma pessoa até se passa. Sou aposentado e recebo de reforma pouco mais de 400 euros –você calcula a dificuldade que uma pessoa passa para conseguir andar de cabeça erguida? Pois veja bem que fui lá há dias mudar a carta de condução e paguei 15 euros. Passadas umas horas estava a receber um telefonema da funcionária que me atendeu que tinha de lá voltar e pagar mais 15 euros. Sabe porquê? Porque uso óculos! Diga-me, amigo Luís, isto não é anedótico?”

1 comentário:

CENSURADO AGAIN disse...

AH É GOYIM E NÃO NEGRO ENTÃO ESQUEÇA NUNCA SERÁ OUVIDO