terça-feira, 1 de outubro de 2019

O DEBATE DOS PEQUENINOS NA RTP







1O debate transmitido ontem em directo na RTP1, moderado pela jornalista Maria Flor Pedroso, actual directora de informação do canal público, na minha modesta opinião, foi simplesmente decadente. A discussão em torno dos programas dos quinze partidos mais pequenos concorrentes às próximas eleições legislativas, em vez de ser clara e esclarecedora, foi enrolada em perguntas sem nexo realizadas pela moderadora -algo insípida, irritada e sem classe para se apresentar sozinha a comandar 15 pessoas ansiosas por mostrarem a sua mensagem.
As perguntas formuladas às forças políticas presentes, sem qualquer interesse para esclarecer o telespectador, foram simplesmente bolorentas. Desde “se fosse primeiro-ministro qual seria a sua primeira medida?” aqual foi a acção de campanha de ontem?”, na maioria dos casos foram absurdas.
O que transpareceu foi que o canal pago por todos nós estava a fazer um grande frete. Realizou este triste espectáculo apenas para demonstrar que cumpria os mínimos a que se obrigava, em oposição aos canais privados, como se fosse comparável.
Não admira que, com este tratamento discriminatório, desigual e ofensivo, dificilmente alguma das agremiações presentes ontem consiga furar a rede de obstaculização e que lhes permita eleger um deputado no Parlamento.

2É simplesmente confrangedor o Livre apresentar uma candidata que, por sofrer de gagueira, distúrbio na temporalização da fala, não se consegue expressar. Será que os orientadores do partido de Rui Tavares não vêem que nem todos podem concorrer para o mesmo objecto se não forem capacitados, robustos e capazes? Por outras palavras, não podemos pretender colocar um coxo a competir com atletas de alta competição. A candidata, Joacine Katar Moreira, pode ser uma excelente investigadora, pode ser muito inteligente, pode até pensar muito acima da média, porém, devido à sua deficiência, o que não se lhe pode pedir é que seja um grande tribuno. É óbvio que, com esta defesa de tese, não pretendo diminuir a candidata com base, simplesmente, naquilo que não está apta a fazer. A menos que pretenda transformar-se num Demóstenes dos nossos dias. No entanto, mesmo que seja esta a ambição de Joacine, aliás, legítima, estou em crer que jamais os concorrentes de bancada parlamentar lhe darão as mesmas possibilidades que foram concedidas ao grande orador grego gago, nascido em 384 A. C..
Será que a direcção do Livre não sabia? Não sabe? O que espera? Será que, tendo em conta a sua diminuição verbal, pensa que os portugueses vão ser generosos? Tenham dó!

3 – Foi notório o incómodo de Santana Lopes por, depois de ter concorrido nos grandes, se encontrar a falar com pequeninos. Foi saliente a prosápia, o parecer melhor que os outros, do candidato do Chega, André Ventura. Triste figura. Foi destacado o olhar de viés do candidato do Partido Democrático Republicano, Marinho e Pinto. Pela postura corporal e verbal não ficaram bem na fotografia. A meu ver, perderam mais do que ganharam com a sua presença.

4 – No total dos quinze, nenhum dos candidatos surpreendeu com medidas de vanguarda. Repito, é certo também que as perguntas da moderadora também não permitiram mais. Aparentemente, a coisa estava feita para despachar a cassete depressa e sem desmistificar o que quer fosse ou para alguém.
Lamentável, simplesmente lamentável, este (mau) serviço prestado à democracia pela RTP1. Mal empregue os milhões que colocamos no canal do Estado para mostrar uma coisa tão deplorável assim.

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