terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
BATAM PALMAS. CHEGOU A EDITH PIAF
“Ladies and gentlemens”, é com muito prazer que a anuncio a actuação da Patrícia, uma excepcional concertinista que nos honra com a sua presença na Baixa de Coimbra. Regressada há pouco de Paris, onde adquiriu uma concertina espectacular, voltou à nossa presença habitual nas Ruas Visconde da Luz/Ferreira Borges. Baptizei-a de Edith Piaf, quer pela sua performance enquanto artista, quer pelas parecenças físicas. Já há mais de dois anos que nos honra com o seu talento e a sua presença.
Se nunca a ouviu tocar, acredite, nem sabe o que perdeu. Vá depressa às ruas da calçada e, por momentos, transcenda-se e sentir-se-á no céu acompanhado por Serafins de longas trombetas a anunciarem a paz edílica no recanto das almas.
Não esqueça que apesar da Patrícia dar aulas de música e fazer espectáculos precisa da sua generosa contribuição. É graças ao seu gesto, ao meu e de outros, que ela se manterá ali a actuar para todos nós. É um prazer ouvi-la. Não acredita? Então vá lá e aprecie ao vivo e a cores esta bonita artista…
O FIM DA LINHA
Temos aí mais uma guerra na capoeira. A história conta-se de uma penada: Mário Crespo jornalista da SIC e colunista semanal no Jornal de Notícias (JN) enviou a este jornal a habitual crónica (leia aqui) a publicar às segundas-feiras. Acontece que o referido texto visa uma conversa entre três pessoas, uma delas, por acaso, o primeiro-ministro de Portugal.
Segundo a narração do jornalista, um ou vários indivíduos teriam ouvido referências pouco abonatórias acerca do pivot da televisão de Balsemão. O director do JN entende que tal crónica, extravasando a opinião, faz acusações e, como tal, necessita de contraditório das pessoas visadas no texto. O jornalista, certamente ferido no seu amor-próprio, entendeu que estava perante uma acção de censura e cessou a sua colaboração.
Temos que olhar esta situação sobre vários prismas. Como é natural, o que mais depressa ocorre, inevitavelmente, é: “pois, o jornal pertence a um grande grupo económico e, está de ver, censurou a opinião de Mário Crespo.
Mas, creio, que quem supervisiona alguém corre sempre o risco de ser injusto e estar a coarctar o legítimo direito de expressão. Falo por mim, neste pequeno jornal de caserna –ou da Baixa, querendo autoelogiar-me-, tenho o máximo de cuidado com o que escrevo. Sobretudo para não ofender e, a posteriori, vir a ser demandado com uma acção por difamação. Penso que é claro neste ponto: aqui escreve-se sobre política em geral, na defesa da polis, e jamais em defesa de qualquer partido. E isso é possível? Eu creio que sim, desde que não se fulanizem acusações particulares ou, dogmaticamente, de uma forma cega, se defenda a linha de um qualquer partido do espectro partidário. Para além de outros jornais, leio diariamente o Público e, como exemplo, verifica-se que ali, como colunistas, da esquerda à direita, todos têm opinião diversificada –menos o cidadão anónimo, que raramente tem acesso à página das “Cartas à Directora”, mas isso é um defeito que é transversal a toda a imprensa portuguesa, embora haja excepções.
E então, porque já tinha zarpado da minha linha de pensamento, sempre achei que quando enviava um texto para um jornal e este mo amputava por ser demasiado acutilante me estava a censurar. Ficava pior que uma barata. Até ao dia em que tive de exercer o meu direito de “censor” aqui no blogue. Quando tive de obliterar comentários ofensivos a pessoas, nessa altura, como uma pedra que nos acerta na cabeça, compreendi a difícil posição de um meio de informação.
Mas, em introspecção, posso perguntar: então, mas eu não sou a favor da liberdade de expressão? Tenho a certeza de que sou. Mas, entendo que o “maxime” –entenda-se como “more maior”, do costume- da liberdade é exactamente a responsabilidade que, sobretudo de quem escreve publicamente, detém. E esta premissa obrigacional é indissociável do direito à livre expressão. Até porque, quem escreve, ninguém é louco, a ponto de, gratuitamente, ofender este ou aquele e vir a ser acusado. Para além de mais, devido ao universo de leitores comportar várias sensibilidades, manda o bom senso que se respeite cada uma delas.
Mas é bom não esquecer, também, -e sem entrar em contradição do que escrevi anteriormente- que vivemos numa sociedade justicialista. Se se escrever o lado bom, óptimo, temos amigos, se, pelo contrário, se escrever o que se pensa, mesmo baseado em fontes, é limpinho, temos uma acção em tribunal por difamação. E é neste costume recorrente que quem escreve toma banho todos os dias. É esta ameaça velada, sobre a cabeça, em jeito de fantasma, que faz reger o jornalista ou quem escreve responsavelmente.
E porque é assim? Até podemos interrogar. A causa, quanto a mim –e não sou o primeiro a escrevê-lo- é que somos uma sociedade que, apesar de 35 anos de Democracia, ainda não cresceu intelectualmente e não aceita reprimendas. Não temos encaixe, ou “fair play”, para sermos criticados. Então, a solução, em acto de puro revanchismo, vingança, no mais baixo sentimento, para mostrar aos outros que somos mesmo o contrário do afirmado pelo caluniador, reagimos como fera acossada –este desejo transcende e está muito além da retribuição que a justiça deve atribuir às vítimas. Este ímpeto “conflitualista” explica em muito o assoberbar de processos nos tribunais. Era preciso educar a comunidade a emancipar-se e a resolver os seus próprios problemas sem intervenção da lei ou do Estado. A justiça portuguesa, hoje, metaforicamente, simboliza o Deus terreno, aquele a quem se recorre por tudo e por nada.
Voltando ao Mário Crespo e ao director do JN, agiram bem, ou nem por isso? Quanto a mim, e respeitando outras opiniões, ambos usaram das prerrogativas a que legitimamente são detentores, ou seja, a capacidade de decidir. Tudo o resto são especulações acalentadas pelo “ressabiamento” ao primeiro-ministro e que normalmente, nestes casos, afectam a idoneidade de analisar a questão a frio e com alguma equidistância.
A COLUNA DO JORGE...
ACABOU-SE JÁ NAO LEVAM UM LOUVOR....TRABALHARAM MAIS DE QUATRO DIAS...AGORA TEMOS QUE TER CUIDADO COM UM PROCESSO DISCIPLINAR....NO SOCIALISMO VIGENTE ...PELO VISTOS E ASSIM...E REALMENTE INDIGNO, REVOLTANTE.
Vejam só as anedotas que este País tem, e ainda lhe dão creditos para governar? Como é possivel, esta gente anda cega mesmo.... Vejam só !!!
Despachos publicados no DR. Veja aqui.
Funcionária nomeada para o Gabinete do PM de 26 a 30 de Outubro de 2009...
Com direito a louvor ? Olhem se tem trabalhado o ano inteiro...
evidenciando a forma leal, competente e dedicada como desempenhou [durante esses 4 dias?!] aquelas funções, bem como as excelentes qualidades pessoais e profissionais?
Jorge Neves
A COLUNA DO JORGE...
Como é que posso entender?
Hoje, não tive tempo para me coçar, dai não ter tempo para comentar todos post’s do blogue! Parece que as pessoas saíram da crise (pelo menos, estes dias de final/principio de mês!), e resolveram retomar o que já foi uma vida normal, sair de casa, virem ao café, tomarem o pequeno-almoço, lancharem (abençoado fogareiro, que me assa as entremeadas e as bifanas), beberem a "bejeca" da ordem, em suma, ontem foi um dia à moda antiga!
Assim sendo, hoje prometo que vou dar a devida compensação a todos/as os/as comparsas!
É impressão minha ou alguém anda muito preocupado em arranjar romances ao nosso primeiro-ministro! Ontem li que o homem andava metido com uma "ex" do José Cid. Hoje li que afinal o homem anda de romance atiçado com uma prima da querida Manuela Moura Guedes…isto cheira-me a arranjinhos publicitários, das duas uma: ou servem para nos desviar a atenção do Orçamento de Estado ou para nos passarem a mensagem de que o homem é “engatatão” mesmo! – e, para aqueles que dizem em murmúrio que ele tem um “piquinho” a azedo, mostrar bem o seu lado “carp diem” e o quanto é sociável.
Já ouviram falar em "subvenção a políticos"? Trata-se de uma pensão vitalícia que é oferecida por nós (contribuintes), aos políticos em geral (inclui muitos, desde deputados a ex presidentes, desde eurodeputados a juízes do Tribunal Constitucional), desde que estes exerçam a função por um período mínimo de 12 anos, consecutivos ou não, adquirem o direito a esta pensão vitalícia á data de cessão de funções com pelo menos 80% do salário! E andamos nós a trabalhar até aos 65 anos para ter direito a uma reforma de miséria, quando pessoas como o Armando Vara (ex-ministro ex-deputado) com 56 anos, usufruem de pelo menos 1900€ mensais! (1900€ é o valor em média, de cada pensão vitalícia) Querem que seja delicadinho com isto? Como é que posso? Não consigo compreender…
Jorge Neves/L.F.
jmfncriativo@gmail.com
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
MAIS UM INDUSTRIAL DE HOTELARIA QUE FOI ASSASSINADO DURANTE ASSALTO
Desta vez foi em Lisboa. Segundo conta o JN, mais um proprietário de uma cervejaria foi assassinado durante um assalto. Leia aqui...
EDITORIAL: A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER COMERCIANTE
Quando um colega comerciante me deu a notícia do assalto à ourivesaria Costa, vi logo, e pude pressentir, a tristeza que o minava. Um assalto como este, embora fosse no vizinho do lado, todos o sentimos como se fosse na nossa casa. No seguimento da conversa vem o pessimismo que é transversal a todos os homens do comércio. “O que é que faço aqui? Somos diariamente assoberbados com obrigações. Sinto-me uma “coisa”. Não tenho direitos nenhuns. Se estiver “à rasca” ninguém quer saber de mim. Não tenho direito a subsídio de desemprego. Cada vez mais sinto a minha actividade como um peso que os meus ombros já não suportam. Cada segunda-feira que eu tenho de iniciar a semana é como se fosse para um campo de concentração. Sinto-me completamente abandonado. Se eu pudesse largaria imediatamente esta actividade que me ocupou toda a vida. Comecei a trabalhar, como marçano, com 13 anos. Sempre achei que era uma vida linda. O convívio com as pessoas, a importância de desenvolvimento que sempre teve nos centros das cidades. Aos poucos, fomos sendo atacados, começou com a invasão das grandes superfícies, depois foi o terem acabado com o trespasse, que era a nossa reforma. Talvez por isso nunca ninguém se preocupou com o apoio por parte do Estado na velhice. Sinto-me cada vez mais deprimido. É como se eu fosse apenas uma peça de uma engrenagem diabólica”. Diz-me, em desabafo, o dono de uma loja de rua.
Mais à frente encontrei outro comerciante, o mesmo discurso derrotista e fatalista: “se não nos dão segurança, para onde querem conduzir isto? Como é que podemos trabalhar?” –interrogava-me, sabendo antecipadamente que eu não iria responder.
Este assalto, numa altura em que os comerciantes de rua estão animicamente mal, foi como uma onda gigantesca que invadiu o centro histórico e destruiu as poucas forças que cada um tentava rebuscar no íntimo da sua alma. Bem gostava de ter soluções –se é que alguém as tem mesmo. Como as coisas –a criminalidade- estão a caminhar, creio que já não há alterações ao Código Penal que valha nesta aflição. É a riqueza e as memórias de um povo trabalhador que, como água que flui por entre os dedos, se vai. É a desmotivação que, como nuvem de destruição, se abate sobre uma classe que, no mínimo, pede a segurança constitucional que o Estado, enquanto nação, deveria e tem obrigação de proporcionar aos seus cidadãos.
O mais grave é que, numa apatia patológica, vamos olhando para estes casos de hoje do senhor Costa e pensamos que só acontece aos outros e pouco nos importamos…até que chega a nossa vez, como tão bem escreveu Bertold Brecht (1898-1956):
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
OURIVESARIA COSTA ESVENTRADA
Neste fim-de-semana, nesta noite passada ou na anterior, desconhecidos, presumivelmente a coberto de uns andaimes que forram o edifício em obras de restauro, entrando pela parte superior da loja, levaram toda a existência de ouro e jóias de uma das mais antigas ourivesarias da cidade.
O senhor Costa, um dos mais reputados comerciantes da Baixa, naturalmente depois de uma coisa destas, está uma lástima –e quem não estaria? Numa interrogação a raiar a estupidez, quando lhe pergunto como se sente, num longo suspiro, vai respondendo: “olhe nem sei… até me admiro como é que não estou para aí a gritar e a bater com a cabeça nas paredes. Isto é impensável. É uma vida de trabalho que se vai. Nem sei o que diga. Os sentimentos são contraditórios. Estou profundamente revoltado. O que é que andamos a fazer aqui, como comerciantes, neste momento, com esta insegurança, a tentar levar uma vida digna?”
Segundo o senhor Costa o estabelecimento não tem alarme. “E se o tivesse teria impedido o roubo? Quando “eles” querem, marcam-nos, e não há nada a fazer!”. Não perguntei se tinha seguro, porque é uma pergunta de retórica. Já há anos que as companhias de seguros não estabelecem contratos com ourivesarias e estabelecimentos afins. Ou, no limite, se o contratualizarem, o prémio é tão elevado que se torna incomportável para o segurado.
Pouco há mais a dizer, para além de me solidarizar com o senhor Costa. Uma tristeza. Só é possível avaliá-la quem sente, e o rosto deste experimentado comerciante não enganava…
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