segunda-feira, 28 de maio de 2018

ENA PÁ! UM MILHÃO E MEIO É MUITA FRUTA!

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




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Onze anos depois, mais de onze mil publicações, mais de uma centena de grandes  e pequenas lojas encerradas na Baixa e, no mesmo espaço, outras tantas que abriram e voltaram a cerrar portas, tantos momentos pessoais de tristeza e outros de alegria, imensas histórias contadas de pessoas anónimas, mas singulares, que, não fora o facto de me ter cruzado com elas uma ou várias vezes, nunca teriam ficado para a posteridade, tantas dezenas de sujeitos que partiram desta vida, na sombra da endémica ignorância social, contribuindo para a construção de uma vivência cheia de luz e cor, e que não teriam merecido uma simples linha num qualquer jornal, continuamos por cá a escrever sobre assuntos, para uns importantes para outros pouco significativos. O primeiro post que escrevemos, nos já idos anos de 2007, foi “D. Quixote e o “lixo” Urbano”. E assim chegámos ao milhão e meio de visitas.
Quarenta e quatro anos depois do 25 de Abril de 1974, em que a liberdade de expressão, amadurecida e já com barbas na responsabilidade individual, deveria constituir um dos primados da existência, verifica-se que o exercício livre da escrita é cada vez mais difícil de desempenhar. Se quem escreve na linha de intervenção social disser sempre bem e nunca manifestar oposição, é certeiro, terá milhentos amigos. Se, pelo contrário, cortar a direito e escrever o que pensa está o caldo entornado. A agradar será sempre a um leitor que nunca manifesta opinião e raramente agradece o esforço despendido. Talvez por isto mesmo se diga que o “escritor” é um eremita revolucionário, sem amigos e sem alguém que lhe dê o devido valor. Para continuar a exercer, com independência e justiça, tem de ter acoplada uma elevada dose de loucura. Quem escreve sem ter um sindicato a protegê-lo, oferecendo o corpo às balas, está à mercê de qualquer atirador isolado.
Como erva daninha que se multiplica até ao infinito, o que por aí se desenvolve mais, por um lado, é o incógnito que atira e foge sem assumir seja o que for, por outro, é o pensamento único, o politicamente correcto, que a todo o custo tenta abafar a opinião contrária.
Dentro de todas as similitudes e o seu oposto, sem intenção de agradar a este ou àquele, embora saibamos que há muito boa gente que adorava que encerrasse a página e arrumasse de vez o vício de escrever num frasco de formol para a posteridade, cá continuamos a “botar faladura” e debitar opinião.
Em balanço geral, se interrogassem o que ganhámos com isto, o que responderíamos? Para além do enorme gosto que temos em defender uma posição bem vincada na comunidade, absolutamente nada!
Muito obrigado por, enquanto leitor diário, continuar a ler o que plasmamos e nos ajudar a continuar. Aquele virtual abracinho de amizade.

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