segunda-feira, 18 de novembro de 2013

SANTOS E PECADORES





Todos sabem que sempre que há um evento público na cidade, cortejo de estudantes, prova de atletismo, procissão ou outra qualquer manifestação, o trânsito automóvel é cortado sem planos prévios e de modo a colmatar os menores transtornos de todos e a urbe transforma-se num labirinto de saídas impossíveis. Sobretudo sem levar em conta os prejuízos económicos que podem advir para os automobilistas. Em decisão sem ponderação equitativa e tendo em conta as partes em confronto de interesses, é como se quem decide na secretaria tenha um apriorismo de que quem circula na estrada anda sistematicamente a passear de popó e os outros, os tomadores do asfalto pela reivindicação, cívica ou cultural, sem discussão, sejam os abençoados mensageiros da causa de todas as causas nobres. Por isso mesmo, em completo desrespeito pelos primeiros, os automobilistas, os segundos, de forma abusiva, arbitrária e discriminatória, ocupam o espaço público que é de todos. Nem vou contar as experiências em que tenho sido interveniente. Qualquer um de nós que conduza viatura já provou na carne estas decisões pouco ortodoxas e que nos fazem eriçar a pele pela injustiça latente. É como se sentíssemos que a cidade se coloca de cócoras perante o invasor.
E comecei a escrever esta crónica em face da indignação de Ermelinda Adelino, uma nossa munícipe da Baixa, por causa de um acontecimento recente e relacionado. Vamos ouvi-la: “no dia do último Cortejo da Latada, realizado em 22 do mês passado, terça-feira, entre a parte Alta e a Baixa da Cidade, exceptuando o transporte público, o trânsito automóvel particular foi interrompido na zona do Largo da Portagem e estava a ser desviado para a Ponte de Santa Clara. Eram cerca de 17h00. Como o transporte colectivo de passageiros estivesse a tardar, já que começava a fazer-se tarde para eu recolher o meu neto no colégio, em São José, tomei um táxi junto à Estação Nova e dei anotação ao motorista para seguir para a zona do Estádio. Seguíamos atrás de um autocarro. Para minha surpresa, nos semáforos da Portagem, sobre indicações de um agente da PSP, o veículo camarário seguiu e o carro de aluguer onde era transportada foi obrigado a cortar para a ponte sobre o Mondego. Acontece que, por acaso, só levava 5 euros. Ora em face das voltas que o automóvel de passageiros iria dar vi logo que iria ficar num mar de problemas e mandei encostar o táxi. Indaguei junto do cívico da razão de não podermos prosseguir a marcha atrás do autocarro. O agente, nitidamente agastado, sublinhou que por ali o táxi não passava. Tentei explicar a razão da minha pressa e de ter tomado aquele transporte pela necessidade. Perante a minha falta de paciência notada, o homem da farda replicou que eu fosse a pé. Voltei para a paragem de autocarros e, apesar da ansiedade e muita irritação, esperei. No autobus, enquanto percorria a distância que me separava do meu neto, comecei a interrogar-me se os táxis não seriam também considerados transportes públicos. Peguei no meu menino e, como passava ao lado da Esquadra da PSP, junto à Elísio de Moura, interroguei um agente: diga-me, que tipo de transporte é considerado um táxi? Ele respondeu: “transporte público!”.
Em juízo de valor e considerando as declarações desta cidadã, talvez o senhor Comandante da PSP de Coimbra devesse ponderar no sentido de informar os seus comandados na destrinça entre serviço público e privado e, já agora, sempre que houver interrupções de trânsito na cidade, também pensar na harmonização de interesses e de modo a escolher o mal menor para todos e não apenas para alguns.

OLÁ PESSOAL. BOA TARDE! REGRESSEI!




Para os que deram pela minha falta e para os outros que nem notaram, cá fica uma necessária explicação: o meu braço de apoio, como quem diz o meu computador apanhou uma gripe danada e teve de ser internado nos cuidados intensivos. Agora, ainda um pouco frágil mas dando uns passinhos, já me ajuda a desenvolver o meu vício. Bem-haja. Cá estamos de novo.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

UM COMUNICADO DA CPC



Desfez-se o tabu...

"Após a firme manifestação do Cidadãos Por Coimbra (CPC) exigindo ao dr. Manuel Machado que designasse os vereadores e vice-presidente, a decisão chegou ontem, três semanas após a tomada de posse e sem qualquer surpresa. Os pelouros foram atribuídos aos quatro vereadores do PS e ao vereador da CDU.

Tornou-se pois claro que as declarações do dr. Manuel Machado na tomada de posse e a aprovação de sete vereadores, não passaram de mera manobra política e mediática. E mostrou-se claramente que o verdadeiro dr. Manuel Machado é o da noite eleitoral, ou seja, o da política sectária e de exclusão, e não o que falou na tomada de posse.
E isso tornou-se ainda mais claro quando interpelado pelo Vereador do CPC sobre o cumprimento do n.º 7 do art. 42º da Lei n.º 75/2013 (Regime Jurídico das autarquias Locais) que estabelece: “O presidente da câmara municipal deve disponibilizar a todos os vereadores os recursos físicos, materiais e humanos necessários ao exercício do respetivo mandato (…)”, o dr. Manuel Machado se remeteu a mais um enigmático “oportunamente”. Que fique claro: o CPC exigirá, de forma firme, que a lei seja cumprida, sem subterfúgios e protelamentos. Todos os vereadores têm igual legitimidade e têm direito a condições que lhes permitam exercer, em pleno o seu mandato.
Finalmente, a votação do IMI mostrou claramente que quer o PS, quer o PSD incumprem as suas promessas eleitorais, com a maior das facilidades e com recurso às mesmas desculpas de sempre. Tendo o dr. Manuel Machado, enquanto candidato, prometido baixar generalizadamente os impostos, afinal propôs manter a taxa comum de IMI nos 0,39! E o PSD que tinha prometido baixar para 0,37 afinal negociou ficar em 0,38! Ou seja, nenhum manteve as suas propostas eleitorais! E tudo isto sem que qualquer dos valores tivesse a mínima sustentação quanto aos seus impactos!

As cidadãs e os cidadãos de Coimbra podem contar com o CPC como a única força com presença nos órgãos autárquicos coerente e capaz de defender os seus legítimos direitos e interesses.
 
José Augusto Ferreira da Silva
(Vereador da Câmara Municipal de Coimbra, eleito por Cidadãos Por Coimbra)"
 
TEXTO ENVIADO À COMUNICAÇÂO SOCIAL, DIVULGADO NO FACEBOOK E NO SITE

BAIXA: EM BUSCA DA DIVERSIDADE PERDIDA



 Nos últimos dias abriram duas frutarias na Rua das Padeiras. Perante este facto perfeitamente normal, numa zona comercial que teima em não se deixar abater, poderemos interrogar: mas o que terá isto de especial? Em face destes dados disponibilizados, diremos, absolutamente nada. Mas se informar que a vinte metros há três estabelecimentos de venda de fruta instalados há décadas talvez já venha baralhar os dados. Se escrever que no ano passado mudou de ramo um ponto de venda destes produtos na Rua do Paço do Conde talvez venha complicar ainda mais a questão. Ou se calhar não! Provavelmente o leitor estará a pensar onde quero chegar com este arrazoado. Para piorar mais as coisas, vou ainda dizer que nestas últimas semanas abriram duas lojas de artesanato numa zona já sobre-lotada com oferta; um estabelecimento de roupas para criança; uma sapataria no lugar de outra que não se estava a tornar rentável; e, nos últimos meses, abriram dois cafés –em Junho tinha encerrado um. E também duas lojas de chineses –uma delas por motivo de mudança.  Claro que no oceano da mimética há sempre quem sopre ventos de leste: deu à luz um novo estabelecimento de cigarros electrónicos na Rua Visconde da Luz.
Talvez já se consiga antever onde quero chegar. O que pretendo mostrar é que a oferta nesta zona histórica continua anárquica e sem qualquer planeamento das entidades competentes. Quem se lembra da outrora Baixa comercial desaparecida saberá que a sua atractividade residia essencialmente na extensa oferta. Aqui havia de tudo. Desde uma pilha até ao objecto mais difícil de encontrar no mercado nacional –já para não recordar a pequena oficina de pequenos arranjos de recuperação de objectos. Tudo isso se esfumou na bruma da modernidade. Para quem não conhecer, agora, tentar adquirir uma simples pilha pode ser um problema de difícil solução. Salvo excepções, hoje a oferta nesta zona é uma repetição cansativa, de mais do mesmo, que não procura servir o público consumidor mas antes o desejo de quem não quer arriscar muito e aposta no facilitismo. A consequência desta falta de planeamento é a destruição de todos: os que já estão instalados, os que vêm de novo e, para piorar, a degradação comercial acentua-se cada vez mais.
Sabemos todos que é legítimo a procura de uma vida melhor e não se contesta. Aliás é de valorizar as pessoas negarem o ócio a favor de um negócio. Indo até mais longe, é um direito constitucional consagrado, na liberdade de cada um poder eleger o seu caminho profissional –e aqui incluo os estudantes universitários. Sou absolutamente contra cláusulas-barreiras que dificultem a vontade individual de cada um escolher o seu futuro. O que defendo é que na hora de entrar num qualquer curso profissional ou universitário, investimento comercial, industrial, ou de serviços, o Estado, buscando a diversidade social na razão de defender os interesses de todos, tem uma obrigação redobrada de informar os candidatos das consequências de escolherem uma área cuja oferta exceda a procura.
Voltando à Baixa, nesta chamada de atenção procurando evitar o mal maior, a autarquia deveria chamar a si este alerta. Na hora em que os serviços de atendimento tomem conhecimento de que alguém pretende abrir uma loja numa qualquer rua, ou através do pedido prévio de licenciamento, deveria imediatamente ser contactado o investidor e, de uma forma franca, mostrando-lhe outras opções, dizer-lhe que se pretende abrir uma frutaria numa zona onde já existem três com largas décadas de experiência pode ser um mau passo para todos. Este acautelamento será sempre e apenas um esclarecimento e no sentido da prevenção. Se o proponente persistir na ideia, paciência! Salvo melhor opinião, legalmente não se poderá fazer mais do que um aconselhamento formal. Mas terá mesmo de se fazer. Agora que começou uma nova era autárquica, com novo executivo, não será altura de se perguntar: o que se quer fazer da Baixa?

BOA TARDE GENTE DE ESPERANÇA...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

UMA MERECIDA HOMENAGEM AO RUI...



Mais um bom trabalho da ESEC TV.

Pode ler também a minha singela homenagem a este grande actor, da vida, da profissão e dos palcos. LEIA AQUI.

sábado, 9 de novembro de 2013

LEIA O DESPERTAR...


Para além  do texto "ROSTOS NOSSOS (DES)CONHECIDOS", deixo também as crónicas "O TICO E O TECO DO SONHO"; e "VALHA-NOS SANTA MARIA!".



ROSTOS NOSSOS (DES)CONHECIDOS

O VERDADEIRO BORDA D’ÁGUA


Há anos e anos –se calhar, décadas, séculos, sei lá!- que passo por ele ali na Rua da Sofia, quase sempre no mesmo sítio, ora a plastificar documentos ora a vender o Borda D’Água. Tem 60 anos e dá pelo nome de Rui Jorge Pereira Almeida. Desde que saiu da tropa que está ali, junto à Pastelaria Palmeira, na Rua dos Colégios, a plastificar cartões e há cerca de 25 anos que vende o Borda D’Água. Tem noção de que a sua profissão está ameaçada. No tocante aos plastificados, qualquer dia já ninguém passa cartão a ninguém. No referente à popular cartilha do agricultor, se, por um lado, agora é tudo científico e em grande escala, por outro, os romenos a venderem gato por lebre, como quem diz, fotocópias, rebentam-lhe com o negócio. “Antigamente vendia 10 exemplares do Borda D’Água por dia, agora menos de cinco. E é quando é! Quando recebo a encomenda da Editorial Minerva –a empresa que edita o pequeno jornal de agricultura- lá vem o apelo para denunciarmos às autoridades qualquer facto anómalo que detetemos. Ai eu é que vou substituir a polícia? Eles não veem? Se acaso o fizesse quem garantia a minha integridade no caso de haver represálias? Nunca vi a PSP ou outro qualquer ramo de polícia civil preocupar-se com isto. Sinto-me muito prejudicado. É com estas vendas que vivo. Ou melhor, sobrevivo, porque os pobres não vivem; convivem arrastando-se por aí. Estou reformado por invalidez e recebo à volta de 250 €. É certo que estou numa casa camarária e pago apenas 5 euros mas, mesmo assim, só posso comer uma refeição de jeito diariamente. Vou almoçar à Liga dos Combatentes e pago 4 €. Ao jantar contento-me com uma sandes porque não dá para mais. O dinheiro não estica.
Não ligo à política. Tanto me faz! Não voto há mais de 30 anos. Estou profundamente desiludido com esta gente que promete tudo e depois desgraça os sem esperança. À minha custa não vão para lá. Não fazem nada por mim! Também é verdade que, pelos menos até agora, nunca me chatearam mas sei lá o dia de amanhã?!?”


O TICO E O TECO DO SONHO

 Neste último Sábado o ambiente na Rua Eduardo Coelho foi de festa. A “nossa” Fátima Santos realizou o seu sonho. A ex-empregada de décadas da desaparecida Sapataria Paiva -esta empresa que até Agosto teve duas lojas abertas nesta artéria mantém agora uma encerrada e outra deu lugar à Hush Puppies, uma marca internacional franchisada de calçado com 14 estabelecimentos no País e com cerca de 80 por cento de produção nacional-, a Fátima, coadjuvada pela presença física do popular boneco de desenhos animados de Walt Disney, inaugurou o Tico e Teco, um moderno pronto-a-vestir para crianças desde o berço, em enxoval para recém-nascidos newborn, até aos 10 anos. Nas roupas, numa vasta variedade de modelos que são um amor, podemos encontrar as marcas patenteadas Mayoral e Disney. No calçado a Pablosky e a Mayoral conquistaram o bom gosto deste lindíssimo ponto de venda e que tanto vem engrandecer a antiga rua dos sapateiros.
Depois de atravessar o deserto –em metáfora, a dura prova que divide a abstração do sonho e a realidade do facto consumado-, a Fátima ostenta no rosto um sorriso de felicidade. “Estou muito contente, senhor Luís! Estou a trabalhar nesta rua há mais de vinte anos e nunca tinha sentido tanto carinho! É um esforço enorme; um passo de gigante o que estou a dar. Bem-haja a todos quantos contribuíram para a minha realização pessoal. E para, através do meu trabalho e recusando a inatividade, poder concorrer para a revitalização social da Baixa. Venham visitar o meu novo estabelecimento. Tenho a certeza, não ficarão defraudados!”


VALHA-NOS SANTA MARIA!

 O Beco de Santa Maria, junto à Cozinha Económica, está há vários meses sem iluminação pública. Por mais telefonemas e pedidos de sensibilização que desenvolva, Isaura Mendes, moradora naquela ruela, frustrada pela situação, não se contém: “não sei que mal fez este beco para merecer ser tratado desta maneira. Ninguém quer saber de quem aqui mora. Fui operada a um braço, e devido à minha idade, até tenho medo de sair à noite. Isto virou um urinol público. Quando saio de manhã até dá vómitos, senhor! Acredite! Há cerca de quatro meses fui assaltada em pleno dia, seriam cerca de 11h30. Levaram-me um saco, com 120 euros, e um telemóvel. Será que consideram este beco terra de ninguém e quem cá mora coisas sem valor?”