(imagem do jornal online Bairrada Informação)
Hoje,
com a actuação de Cuca Roseta - nome
artístico de Maria Isabel Rebelo Couto Cruz Roseta –
uma das vozes do fado
mais badaladas da actualidade, cai o pano sobre 8 dias de festa na
Feira de Artesanato e Gastronomia da Mealhada 2022,
realizada no Jardim do
Município, em frente a autarquia.
Conforme
já escrevi, a meu ver, no geral o certame correu bem no novo formato
e substituindo a “Festame”,
que, como se sabe, num
espaço muito mais alargado, era realizada junto à Escola
Profissional Vasconcelos Lebre com custos muito mais elevados,
comparativamente com a alegoria feita este ano.
Podíamos
perfeitamente elogiar o trabalho apresentado este ano, largando
encómios à esquerda e à direita, e todos ficávamos felizes
e contentes. Porém, o
que pretendo com este escrito não é propriamente adormecer sobre os
louros caídos nas cabeças de quem muito trabalhou para isso – e
esse mérito que
ninguém poupe no reconhecimento – mas, enquanto o “corpo
está quente”, a
frio, entre prós e contras, sem receio de ofender, conseguirmos
fazer uma análise virada para o futuro.
É
ESTE MODELO QUE QUEREMOS?
A
questão crucial, que é preciso colocar em cima da mesa, é:
este modelo de feira anual única serve a nossa ambição bairrista
e deve continuar? Ou,
tendo em conta o escasso tempo do executivo em funções, deve ser
encarada como transitória e partir para um novo modelo? Ou,
acumulando, continuar a fazer esta feira temática nesta altura de
Junho, apenas em três
dias e neste local,
e voltar novamente ao formato da “Festame”, em
Agosto, mas com
alterações?
Embora
a minha opinião pouco conte, dou por mim a alvitrar que a “Festame”,
durante uma semana, deveria continuar para o ano. Este
tipo de festa anual, desde que seja publicitada como deve ser, é uma
espécie de bandeira nacional em prova de vida. O concelho que
através de festejos anuais
não se eleva é como
se não existisse. Sendo uma feira comercial e industrial faz falta à
Mealhada para mostrar o
que de melhor se faz por cá.
Se não se fizer, podemos ter a certeza que perderemos
o comboio do desenvolvimento e progresso.
Este
acontecimento deveria ser apresentado em novos moldes. Como exemplo,
o ingresso, por parte do público, deve ser a pagar – até pode ser
um simbólico euro, ou
dependente do artista em palco.
Não
faz sentido, sem
planeamento cuidado,
voltar a gastar
do erário público cerca de 400,000.00 euros na sua realização.
Por outro lado, sendo de entrada gratuita acaba por ser
discriminatório para os munícipes que a não visitam. Ou seja,
alegar que eles não vão porque não querem não constitui fundamento suficiente. Não a frequentam mas, saindo dos impostos colectivos,
pagam como todos.
Por
outro lado, é preciso desonerar o pagamento de espaço para artesãos
– mas que o sejam mesmo – e fazer pagar a
instalação de todos
os outros serviços,
incluindo a restauração
– embora com outro preço de privilégio, até as associações
culturais e clubes desportivos devem comparticipar nos
custos.
Só
assim é possível atingir uma grau de qualidade. Isto é, se
marearmos à bolina, estabelecendo uma bitola baixa, nunca
cresceremos. Seremos sempre os “coitados”
da Bairrada, encravados entre Cantanhede e Anadia.
E
ESTE ANO, CORREU TUDO BEM?
Outra
pergunta que emerge é saber se, este
ano, a nível interno,
a relação entre expositores e o município correu a contento da
maioria.
Sem
tomar atenção a quem desabafou,
tive o cuidado de ir falando com vários vendedores artesãos e
anotando.
Vários
se queixaram de que, contrariamente a outros tempos, a Câmara
Municipal foi muito forreta. Segundo o que arguiram, o município
apenas ofereceu água engarrafada, mas esqueceu o pão.
Segundo
o seu depoimento, “não
tem jeito estarmos aqui uma semana inteira, com entrada às 15h00 e
saída à meia-noite,
e nem o jantar oferecerem. Estamos aqui a fazer serviço público. Se
tivéssemos em conta o que vendemos nem para as deslocações
diárias dava.”
Diz
outro, “durante a
semana a feira deveria abrir às 19h00 e só ao fim de semana é que
deveria começar às 15h00.”
Diz
outro ainda, “a
cabeça de cartaz, Cuca Roseta, deveria vir a meio da semana e nunca
no último dia da festa.
A ser assim,
vamos sair daqui às tantas, quando, para arrumar as coisas, até
deveria encerrar um pouco mais cedo.”
Enfatizou
outro, “embora a
luz dentro dos espaços fosse boa, o jardim e zona envolvente esteve
muito aquém.”
Vale
a pena pensar no que disseram estes expositores e tentar melhorar
alguma coisa para o
ano?