domingo, 20 de setembro de 2020

O OUTONO ESTÁ A CHEGAR

 

(Imagem da Web)





Cai a folha, o Outono bate à porta,

larguem tudo, vá, deixem-no entrar,

olhamos o verão como natureza-morta,

faz-nos velhos, o tempo, põe-nos a chorar,

a paz sentida interior pouco nos conforta,

os cabelos prateados estão a soçobrar,

mais umas rugas na fronte, parecem tortas,

a barriga, mais saliente, tende a aumentar,

os lapsos florescem como grama em horta,

A economia, em queda, começa a preocupar,

o futuro dos vindouros é o que mais importa,

os velhos estão a morrer, isto dá que pensar,

a família está em crise, a prole aborta,

os filhos incógnitos tendem a reforçar,

os jovens, perdidos, já não são a comporta,

os defuntos, sem familiares, vão a sepultar,

recordações de infância é o que nos suporta,

temos ainda confiança na vida que nos restar,

a esperança é dinâmica, como em Lua absorta.


  II


Maldito corona, meu grande ladrão,

roubas a humanidade, cortas no amor,

furtas o sorriso, o beijo, matas a união,

crias o ressentimento, passas a censor,

aos pobres, coitados, retiras-lhe o pão,

tiras a alegria, provocas miséria e dor,

generosamente, ofereces um caixão,

por ser pouco, friamente, dás uma flor,

favoreces todos os ricos, geras inflação,

semeias a morte, pareces um condor,

lá em cima, vês a presa como dragão,

trazes infecção com tremendo horror,

espalhas o medo, a poucos dás a mão,

nem os santos nos valem neste rancor,

és a guerrilha que espalha a destruição,

os políticos, calculistas, rufam o tambor,

cerceiam a liberdade em nome da nação,

geram-nos sofrimento com tanto desamor,

tu serves para tudo, meu grande cabrão!

O Outono está aí, o Verão é um sol-pôr.



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