O RALHETE
Na
última Sexta-feira reuniu a Comissão Política da Concelhia do
Partido Socialista da Mealhada. Alegadamente, não se terá realizado
por falta de quórum. Ou seja, os militantes do órgão não
compareceram à chamada de Rui Marqueiro, presidente da estrutura.
No
dia seguinte, Sábado, porventura, o telefone de casa do
ex-presidente da edilidade mealhadense tocou. Do outro lado do fio,
desde Lisboa, uma voz grossa e severa, parecia querer partir tudo e
abalar a paz bucólica da aldeia de Antes. Era Pedro Nuno Santos,
ministro das Infraestruturas e deputado eleito à Assembleia da
República pelo Círculo de Aveiro:
- Alô, Dr. Rui Marqueiro? Daqui Pedro Nuno Santos…
- Quem?
Pedro… quê?… dos Leitões... do restaurante?…
- Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas.. A ultima vez que falámos foi
por causa da “Linha da Concordância”… Não sei se está a ver…
- Então não
estou a ver? Claro que sim, senhor ministro… (acompanhado
com uma leve curvatura da cabeça)
Não me diga que vai dar-me boas
notícias acerca da requalificação da Estação da Pampilhosa? É
isso? Ai se for, na próxima reunião de Câmara vou cilindrar o
Franco… (e acompanhado do esfregar da mão direita na
barriga)… Eu sempre soube que podia confiar
em si…
- Não, senhor doutor, não é nada disso…
- Não?
(e pelo tom de voz aos soluços de Marqueiro parecia ter sofrido uma
apoplexia) Então... se...nhor...
mi….nistro?...
-Estou muito chateado consigo, camarada.
Muito mesmo! O que é que se passa consigo? Então já não consegue
arregimentar, ao menos, a Concelhia?
Tenha paciência, camarada, mas vai ter de
se virar. Ou vai à luta… por exemplo, comparecer nas Assembleias
Municipais… Ou vai ter de largar a presidência…
Isto não pode continuar…
- Muito bem, senhor ministro… Vou pensar…
(acompanhado da curvatura da cervical)