sexta-feira, 8 de abril de 2016

UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...





Francisco Bettencourt deixou um novo comentário na sua mensagem "A BAIXA VISTA DA MINHA JANELA":


Um Clube do Património em Coimbra

Existe na Escola Básica Eugénio de Castro de Coimbra um Clube do Património, que promove periodicamente, desde 2009, visitas guiadas para os seus alunos, possivelmente aderentes do clube, que são um autêntico roteiro histórico de grande qualidade, mostrando aos mais jovens o património da cidade com explicação sucinta mas sapiente da história e demais pormenores do que se está a ver.
Não faço ideia de quem partiu tão brilhante ideia, mas este magnífico exemplo devia ser seguido, não só por outros estabelecimentos de ensino, mas motivar o pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra para apoiar este projecto e fomentar projectos semelhantes de modo a sair-se deste marasmo em que a cidade caiu no que respeita a dar a conhecer o que Coimbra foi, é e poderá vir a ser como pólo cultural e histórico de grande relevância nacional.
Todas as visitas do Clube do Património estão no Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro, que merece uma visita demorada para se avaliar como se pode com simplicidade, algum trabalho e muita sabedoria e empenho,
uma coisa magnífica. Bem hajam todos os membros do Clube do da Escola Básica Eugénio de Castro!

http://clubepatrimonio.blogs.sapo.pt/ (Clique em cima para aceder)

quinta-feira, 7 de abril de 2016

CARTA AO CAMARADA MÁRIO: EM NOME DO PAI


(Imagem da Web)




Meu caro Mário, camarada, espero que esta carta te vá encontrar da melhor saúde possível. Bem sei que a idade pesa e as forças já não são o que eram, no entanto, se a energia física está debilitada a aura de influência nunca esteve tão bem. Continuas a ser a chave universal que abre todas as portas mesmo aquelas que não têm ranhura na fechadura.
Certamente nem estranhas a minha missiva –hoje não se fala de outra coisa, venho conversar contigo sobre o teu filho João “Bofetão”. Tens de lhe puxar as orelhas. Então ele quer bater no pessoal todo? Até me faz lembrar o outro, que afirmava que quem dissesse mal do PS apanhava –e também quando ainda eras Presidente da República e falavas desabridamente da janela do carro oficial para o agente da GNR. Lembras-te? Às tantas são os genes. Lá nisso nem o podemos condenar. Mas eram outros tempos, em que se perdoavam certos desmandos aos políticos endeusados. Hoje ninguém tolera uma coisa dessas. Tenho a certeza que ele está equivocado, está com um transtorno de personalidade: julga que és tu noutra época. Que inépcia, companheiro!
A razão deste meu bilhete é que o chames à real. Estou certo que ele perdeu a noção da realidade e esqueceu-se que não passa de um velho –como nós- e passou-se dos carretos. Não sei se estás a ver, ele só tem tamanho. Em metáfora, é assim uma espécie de saco de batatas mal atado. Estás acompanhar a coisa? O problema maior, e é por isso que decidi escrever-te, é que, com a sua atitude arruaceira, está a poluir o Governo do Toino Costa. E sabes o que temo, Marito? É que o Costa, por veneração à tua pessoa, não tenha tomates para o demitir. Conheces o Tonito melhor do que eu e deves saber que, apesar de uma enorme ambição, é um tipo de bom coração.
Bem sei que o teu filho já pediu desculpa mas é tarde. Repara que escrever uma declaração não é o mesmo que proferir um insulto na hora e a quente. Escrever, como sabemos os dois, caro colega, implica introspecção e pensamento crítico. Vir agora dizer que é uma pessoa de paz não cola. Desculpa lá, pá, mas é assim! Está de ver que só apresentou explicações porque vê o terreno político que o sustém a desaparecer-lhe debaixo dos pés. E mais, se ele continua no executivo, a par da violência doméstica, não tarda nada, já estou a ver a violência governamental a ser decretada como crime público.
Tem mesmo de se demitir. Se ele continua no cargo, camarada, não só arrasta na lama o Governo como também o clã Soares. Ó pá, bem sei o que te custa. Veres o teu filho no Governo é como se te visses ao espelho, mas tem mesmo de ser. Tens de o chamar e, tal como disseste ao agente da GNR, gritares: “ó senhor Ministro vá-se embora! Desapareça da minha vista!”

Post Scriptum: Por favor, pelo Papa Francisco de quem tanto admiras, não contes nada disto ao João "Bofetão", caso contrário, tenho de pôr o físico no seguro. Sabes bem que não me aguento nem com um salapismo quanto mais com um par de bofetadas.

UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...




Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "O GRITO VINDO DA RUA DA SOFIA VAZIA":


Ui, Sr. Luís, quanto a isso de questionar a Diocese, não se meta nisso. Estamos na cidade que fez uma estátua a um Papa que esteve cá meia hora, coisa que nem na terra natal dele. Ficou logo ali ligado à velha universidade, como se a tivesse fundado a par do Dom Diniz. Até os mais retintos republicanos coimbrinhas contribuíram ou pelo menos ficaram de bico calado. Eu, desde miúdo que ouço dizer que Coimbra tem um microclima especial.

A BAIXA VISTA DA MINHA JANELA



POR MÁRCIO RAMOS


Coimbra, em termos turísticos, faz-me lembrar a Coreia do Norte. O regime desse Estado, na movimentação, faz com que os visitantes percorram certos monumentos que mostram a suposta grandiosidade do país e o seu ditador. Não estamos em ditadura mas a Lusa Atenas é parecida nesse aspecto, o turista só vê a Universidade, o Largo da Portagem e a Igreja de Santa Cruz. Havendo tanto para ver, de enorme beleza e relevo histórico, o restante é descartado. Não vejo muitos estrangeiros a ver a Igreja de Santo António dos Olivais e poucos visitam a última morada da nossa Padroeira, no Convento de Santa Clara-a-nova.
Embora aqui, no artigo do blogue, se fale de uma matéria específica, a falta de turistas numa zona classificada como Património Mundial da UNESCO, acho que o problema relatado é mais uma consequência. A origem é outra. Vou mostrar:
Parecendo frio e duro vamos a factos. Como querem que os turistas visitem a Rua da Sofia, se é só uma via, como as centenas ou milhares existentes em Coimbra? Parece contra-senso? Não o é! Passo a explicar. De que vale uma artéria ser considerada Património Mundial da Humanidade se o que esteve no fundamento da classificação -a sua monumentalidade histórica- está inacessível ao público? Sem isso, a antiga rua dos colégios e só mais uma entre centenas
Uma igreja no meio desta artéria foi intervencionada. Foram gastos alguns milhões de euros. As obras supostamente já estão acabadas e, vá-se lá perceber, o monumento mantém-se fechado ao público. Mais à frente, para quem vem da Praça 8 de Maio, temos duas basílicas, uma sim está sempre aberta, a outra, feita centro comercial e que ainda restam vestígios da antiga igreja, não tem acesso.
Continuando, o colégio militar, antigo quartel, muitas vezes está fechado. O Palácio da Justiça não se pode visitar –e porque não? Seguindo a rota, subindo uma rampa e umas escadas, deslumbramos o imponente templo de Santa Justa, (in)justamente fechado.
Já não falo dos colégios onde os monges estudaram e não podem ser visitados, pois estão ocupados, mas o que vale os turistas irem visitar esta artéria da cidade classificada se o que devem ver esta fechado, ou interdito? Um problema leva ao outro. Depois há ainda blocos que não foram requalificados e de grande relevo.
A falta de turistas nesta zona é só uma consequência de vários factores, desde monumentos fechados, interditos, passando por outros que não são requalificados.
Mesmo na Alta classificada, há igrejas encerradas onde os turistas passam ao lado e que podiam e deveriam ser visitadas. Um dos exemplos claros é igreja de S. Salvador, perto do Museu Nacional Machado de Castro e da imponente Sé Nova
Se há culpados nesta matéria, de longe, não serão os visitantes ou operadores turísticos, mas sim a Universidade de Coimbra e o poder político.
Querem a Rua da Sofia com turistas? Há que os cativar. Não é assim, apresentando monumentos de grande relevo histórico degradados e fechados ao público, que os vão conquistar.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

BOM DIA, PESSOAL...

O GRITO VINDO DA RUA DA SOFIA VAZIA

(Fotos de Aguinalda Simões)



Aguinalda Simões, a nossa querida Guida como é assim tratada, proprietária do Café Sofia, na rua do mesmo nome, mulher trabalhadora que não se rende ao ostracismo político, lançou hoje na sua página do Facebook duas fotografias da antiga rua dos colégios, há cerca de três anos declarada Património Mundial da Humanidade, praticamente vazia e sem transeuntes.
O abandono a que esta importantíssima artéria da Baixa está sujeita é um escândalo. Repito: um escândalo! Não se pode conceber que a via mais importante da cidade que, conjuntamente com a Universidade de Coimbra, constituiu a génese do reconhecimento mundial em Junho de 2013 esteja esquecida pelo poder da cidade –refiro, como se calcula, o executivo municipal liderado por Manuel Machado, eleito pelo PS, e, por inerência, a Universidade de Coimbra, que foi a entidade que tratou da matéria processual de candidatura à Unesco. Ressalvo que o movimento Cidadãos de Coimbra e o seu vereador eleito no executivo já várias vezes chamou a atenção pública para o que se está a passar.
Não se pode compreender que a deslocação de turistas em trânsito continue a ser feita diariamente, em trajecto triangular, entre o Largo da Portagem, Praça 8 de Maio e Universidade. 
Já escrevi alguns textos sobre este assunto e, sem querer fazer acusações gratuitas, tudo indica que há interesse em manter este situacionismo. Se calhar dá jeito manter o turismo raquítico. Continua-se a malhar em ferro frio. Vira o disco e toca o mesmo.
Como é que se pode aceitar que nem sinalética exista a indicar a classificação?
Como é que se pode continuar a admitir que várias igrejas e colégios continuem encerrados e não estejam acessíveis à visita?
Porque é que o poder político parece ter medo do poder religioso e não confronta a Diocese de Coimbra, na pessoa do senhor Bispo Dom Virgílio Antunes, para a necessidade de um plano em que as igrejas estejam sempre disponíveis, incluindo o dia de Páscoa, para as visitas turísticas e contribuam para o desenvolvimento da cidade?
O argumento normalmente apresentado é que não há pessoal para colocar nas igrejas. Claro que é tão ridículo que não colhe mas, considerando ser assim, a edilidade tem obrigação de desencadear o desenvolvimento de meios. Já fez alguma coisa neste sentido?

E SOLUÇÕES, NÃO HÁ? HÁ, HÁ!

Sabe-se que, em Abril deste ano, em parceria entre a Universidade e a Fundação Bissaya Barreto, foi criado um Bilhete Único, com o custo de 12 euros, para visitar conjuntamente o Portugal dos Pequenitos e a Universidade.
Ora, mesmo não estando por dentro do processo, penso que é claro que estamos perante o poder egoísta e arbitrário das capelinhas. Se estas duas entidades tivessem em conta o interesse maior de Coimbra, mais que certo, teriam desenvolvido um bilhete alargado e de âmbito monumental que abarcasse todos os pontos turísticos, incluindo catedrais -e não somente os dois enunciados-, e a situação estaria parcialmente resolvida.
Outra alteração, que já apresentei aqui, seria, por exemplo, ser criada junto ao Mercado Municipal D. Pedro V -que está agonizante- uma zona para paragem de autocarros turísticos. Em vez de continuarem a ser despejados no Largo da Portagem passaria a ser naquele local e, com esta paragem, contribuir para a revitalização do antigo mercado popular.
Mas Coimbra, anunciada Cidade do Conhecimento, Cidade não sei mais de quê, é um arquipélago de várias ilhas, com um umbigo enorme, onde só cabem os egos de alguns ilhéus. Enquanto alguns não sabem o que fazer a tanta fartura, já outros, na miséria que se conhece, rastejam para sobreviver.
Termino com a expressão da Aguinalda: “Triste, não acham?”

CARTA AO CAMARADA MARCELO: PEÇO A PALAVRA





Bom dia, camarada Marcelo -por inerência, Presidente da República. Como não é a primeira vez que te escrevo, estou certo, não vais estranhar que te trate por tu. Lembro-te que ao dirigir-me assim é na linha  de informalidade e quebra de protocolo que tanto defendes.
Escrevo-te esta missiva, caro colega –escrevo assim porque também sou o presidente do meu largo, não eleito mas isso não interessa nada- para te convidar a quebrares, mais uma vez, o articulado do cerimonial. Então é assim: conforme li, no próximo dia 17 deste mês de Abril, a convite do nosso confrade José Dias, estudante, que tem como função acessória ser presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), vens à Lusa Atenas. Segundo o anunciado, na origem deste convite está a ideia de visitares algumas residências universitárias, no âmbito de uma jornada de sensibilização para os problemas da acção escolar. A data, tanto quanto julgo saber, tem a ver com o 17 de Abril de 1969 quando Alberto Martins, na altura presidente da AAC, interrompeu Américo Tomaz e pediu a palavra.
Ora o que me lembrei? Como tu és danado para as surpresas –estou a lembrar-me daquele teu momento de povo de levares a cachaça à velhinha-, como estás em Coimbra, ias lá cumprir a tua missão com o camarada José Dias lá na Alta e, estou certo, vais almoçar às cantinas universitárias –nem te estou a ver num qualquer restaurante de luxo. Davas uns abracinhos ao pessoal do Paço das Escolas, fazes o institucional discurso na Faculdade de Direito –fica descansado que ninguém te vai pedir a palavra- e assim que te pudesses pisgar, descias as Escadas de Quebra Costas, vinhas à Baixa ter comigo e levava-te a conhecer os problemas dos comerciantes. Aposto que ias ficar surpreendido pelo desânimo de abandono a que toda a classe está sujeita. Não sabes, mas ficas a saber que, escandalosamente, os comerciantes entrados em insolvência não têm direito a subsídio de desemprego. Sabes qual é a desculpa apregoada pelo anterior Governo? É que quem tiver dívidas ao Estado não pode ser beneficiário do subsídio. Não sei se estás a acompanhar este ridículo?!? Qualquer empresário entra em falência por estar bem de vida. É assim uma escolha de entrar no mundo da indigência apenas para saber como é. Estás a ver, não estás?!?
Certamente deves saber que este assunto miserável –pelo desligamento da desgraçada classe política governamental- passou no programa “sexta às 9”, há cerca de dois meses. Nem me surpreendo se, agora que o PSD está na oposição, esta seja uma das 35 medidas a apresentar hoje por Passos Coelho. Estás a imaginar a minha indignação?
Como tenho alguma esperança que este Governo do “Tonito” Costa pegue no assunto, continuo sentado à espera. Mas tu conheces melhor o “Toino” do que eu e deves saber que ele só agarra nisto se deres um empurrão. Por conseguinte, camarada, já deves estar a pressentir a razão do meu convite. Era tiro e queda, companheiro! Com as câmaras de televisão todas atrás de ti, acompanhava-te numa visita ao comércio da Baixa. Tenho a certeza, a coisa desbloqueava-se imediatamente. Tu tens poder. Muito poder! Repara que não estou a pedir nada que não seja constitucionalmente de direito. Estamos perante um procedimento desigual, discriminatório, para cidadãos que trabalharam a vida inteira e merecem duplamente o apoio social que o Estado deveria estar obrigado a conceder e não se decide.
Falas muito em “revolução silenciosa e dar a conhecer a realidade” quando discursas para os jovens. Então aceita o meu repto. Vem cá falar aos velhos como eu! Se aceitares, gostava de te oferecer uma lembrança, algo simbólica, um gesto popular de que tanto gostas: vais lanchar comigo ao Mijacão –é uma tasca da Baixa- e vamos comer uma sandocha de carapau em molho de escabeche e bebemos um copo de bom tinto.
Não precisas de confirmar a tua vinda. Basta apareceres. Sei que és menino para o fazeres. Surpreende-me, Marcelo!

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