segunda-feira, 25 de junho de 2012

DESCOBRIU-SE A INFIDELIDADE. QUEM SERÁ O CORNUDO?

Foto: A primeira página de hoje.





 Este caso da cantadeira embrulhada no pano verde e vermelho veio mostrar "ipsis verbis" o que já se sabia há muito: a nossa bandeira anda, de facto, em muito más companhias e a cornear todos. Enrosca-se em qualquer corpo foleiro e deita-se com qualquer um.
Longe vai o tempo em que perante a sua imagem ficava tudo em sentido. Longe vai o respeito em que, com a sua dignidade, cobria os caixões de grandes vultos da nossa cultura. Agora, numa "cobrição" descarada, envolve-se com qualquer um -neste caso uma. Bem sei que pode ser a lei de Clarke, aqui, com associação do PDI, mas que diabo! É que se repararmos este estandarte nem é muito velho, tem cerca de um século. Bolas, muito resistente à luxúria é a menina Lurdinhas –que não devem conhecer e mora na minha rua, no 123-, que tem 101 anos e ainda conserva os “três vinténs”, atestado por um padre nosso conhecido e muito entendido na matéria.
Perante um caso destes, como é que uma pessoa não se há-de irritar? Fosca-se!

ANDO COM UM AZAR DANADO

(IMAGEM DA WEB)

 Até há pouco tempo eu julga-me o Gastão, aquele pato sortudo da Disney em que a ventura lhe cai do céu. Nessa altura, há quase um ano, eu tinha uma sorte danada. Eram vales de 500 euros, da Fnac, eram ofertas de todo o género, eram viagens ao Mediterrâneo, era crédito cheio de facilidades. Tudo, como milagres divinos, a cair na minha caixa de correio electrónico.
Subitamente, sem que eu saiba porquê, as coisas mudaram. A minha sorte, de bem-querença, passou a macaca. Ando intrigado e, pior, abatido. Já pensei em pedir uma consulta à Maya, a taróloga, não sei se estão a ver. Quem sabe isto não seja obra de mau-olhado? É que não é normal, ponto e parágrafo. Como é que uma pessoa, sem explicação, como varrido por uma vaga de vento suão, num estalar de dedos, num ápice, se vê arrastado a descer pela encosta do mau-presságio? Isto custa muito, porra! Bem sei que a maioria, perante este meu sofrimento atroz, até se ri. É que as pessoas têm um prazer sádico em ver o azar a escorrer em gotículas de suor pela fronte dos outros. A minha mãezinha, que Deus a tenha em boa guarda, quando era viva, fartava-se de me dizer: “ó Toino, tu és bom de mais, rapaz! Acredita, se um dia te falta a tua sorte danada, os teus agora amigos, vão rir-se de ti!”. Mas, é claro, como eu sou muito bonzinho –e alma que mal não quer, mal não pensa- nunca levei muito a sério os conselhos da minha madre.
Mas agora ando mesmo preocupado. Tudo me acontece ao contrário. Até há pouco eu ia a circular na rua e, volta e meia, lá encontrava uma notinha, uma moeda de euro –e, óbvio, ficava contente. Não sei se estão acompanhar bem a coisa, mas animava. Agora, por mais que me esforce, nada. Quer dizer, quando acontece é tudo para pior. Ainda há dias, ia eu muito atento às pedras da calçada como pesquisador de ouro em busca do brilho que cega, quando de repente vejo um papel esverdeado, assim do tipo de folha de abóbora, e, é claro, até tremi todinho de alto a baixo. Eu seja ceguinho! Mentalmente até falei com o meu relógio: “ai, Nossa Senhora dos Milagres, que é uma nota de 100 euros!”. E então não é que era mesmo? Agora vejam lá o meu azar: tive que a devolver porque apareceu o dono. É azar ou não é? É lógico que isto tem a ver com a crise, onde é que já se viu um indivíduo perder cem euros e depois dar-se ao trabalho de andar à procura da nota na rua? Vê-se mesmo que está tudo feito uma pelintragem do caraças.
Até há tempos eu era estimado e amado como pensava que, legitimamente –se posso escrever assim- deveria ser. Agora, num reviralho fantasmagórico quase sou odiado.
Até há tempos, quando caminhava na minha rua, a menina Josefina –é a minha vizinha do 31, que dizem que, apesar dos seus setenta e picos, ainda está imaculada como Deus a botou no mundo- e outras belas mulheres já entradotas, mandavam-me olhares incendiários –assim no género de Passos Coelho para o camarada Jerónimo, não sei se estão a ver-, que, perante o pensamento de me queimar naquele fogo infernal, até fugia a sete pés. Agora, quando passo por elas, bem me faço ao petisco, mas, qual quê? Nem sequer um olharzinho de carneiro –neste caso ovelha- mal morto! Nem me passam cartão. Será que envelheci assim tanto? –faça o favor de olhar para mim, leitor, não estou muito mal, pois não? Obrigado! Até me tirou de cima uma arroba de batatas. Mas isto não é o pior, vá com calma que ainda a procissão não saiu do adro da igreja. Há muito, mas muito mais. Então não é que há uns tempos para cá, comecei a receber mensagens de amor de homens? –Você disse Fosca-se? Até se me pareceu. Pois é, você, tal como eu, somos todos muito tolerantes com as inclinações sexuais de cada um, até ao momento em que alguém começa a querer engatar-nos. É ou não é? Pois é!
Continuando a descrever o meu azar, você já está a ver como estou mesmo achacado ao destino sem sorte nenhuma. Isto anda aqui mãozinha do demo. Só pode! É que isto é verdadeiro assédio. Volta e meia lá vêm as mensagens: “você é muito lindo!”. É claro que o meu ego até fica envaidecido e cresce, é verdade, mas, que diabo, não me toca os sentidos, não sei se estarei a ser claro. A sexualidade, nos seus fluídos misteriosos, tem de nos bater com força, como a arte, tem de nos agarrar como molusco na pedra dura. E, neste caso, não me diz nada.
É aborrecido, não é? Coitados dos meus admiradores. Eu seja ceguinho, do olho que estão a pensar, se até não fico com peninha deles. É que são tão generosos, palavra de honra! Vê-se que até parecem adivinhar a minha carência afectiva, sobretudo quando me enviam mensagens assim do tipo: “és tão bom que até te comia todo!”. Está de ver que só pessoas de grande sensibilidade, desligamento e ajuda ao próximo, são capazes de tamanho afoito. E mais ainda, quando escrevem: “eu fazia-te isto e aquilo e aqueloutro”. Está de ver que é gente boa e de profunda caridade, não há dúvida. Mas eu não tenho inclinação p’ra coisa. É chato, não é?


UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...





Daniel deixou um novo comentário na sua mensagem "BAIXA: UMA MENTIRA CONDESCENDENTE":


 Na minha opinião, o problema continua a ser o mesmo: os comerciantes. Se 120 lojas se comprometeram a estarem abertas até à meia-noite, não deviam faltar ao prometido.
Estas iniciativas são excelentes e estão a conseguir atingir o objectivo, que é levar as pessoas para a Baixa, à noite. Agora é preciso que as pessoas entrem nas lojas e comprem, mas isso já é da responsabilidade de cada comerciante, que deve ter ideias e iniciativas que atraiam os clientes.
Com a crise também é normal que as pessoas reduzam o consumo, por isso não podem estar à espera de negócio imediato, devem ver isto como um investimento. As pessoas não compram hoje, mas podem lá voltar amanhã e comprarem aquele artigo que viram quando entraram na loja na última Noite Branca.
Estes eventos também são importantes para mostrar que a Baixa não morreu, que é um local seguro e aprazível para passear e fazer compras.

VAI HAVER ALTERAÇÕES NA JUSTIÇA...





EIS AQUI, QUANTO A MIM, ALGUMAS NECESSÁRIAS MEXIDAS NA JUSTIÇA. VEJA O SOL...

BOM DIA PESSOAL...

domingo, 24 de junho de 2012

BAIXA: UMA MENTIRA CONDESCENDENTE


 Esta noite, última, decorreu mais uma “Noite Branca” na Baixa. Como habitualmente, foi mais uma iniciativa da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra. Desta vez, aproveitando a vinda de Madonna a Coimbra, a actuar hoje no Estádio Cidade de Coimbra perante 40 mil pessoas, espalharam-se pela zona comercial vários espectáculos onde predominaram os dj’s com música “tecno”. Comprometeram-se, através de assinatura, 120 proprietários de estabelecimentos em estarem abertos até à meia-noite.
Durante a tarde e até à hora de jantar, a acompanhar o som martelado, não havia muita gente a passear. A partir das 21h00 a Baixa começou a encher de visitantes e, como já vem sendo hábito, a ajudarem a hotelaria, que, ontem, teve mais uma noite memorável.

O QUE É ISTO?

 Se vale mais uma verdade inconveniente do que uma mentira condescendente, a verdade é que parece que todos continuamos no caminho da falácia. Até o Diário de Coimbra, que -tal como o Diário as Beiras- tantas vezes tem sido acusado de colocar em primeira página as verdades inconvenientes, como, por exemplo, noticiar assaltos, ou falências em perspectiva, desta vez, certamente por omissão, optou também pelo engano. Hoje, na sua terceira página, poderia ler-se que “Mais de 120 lojas, de todo o género, corresponderam ao desafio da APBC, e mantiveram as portas abertas até à meia-noite.”
Vamos lá repor as coisas nos seus devidos lugares, e a haver tourada, é preciso fazer a pega de caras, como quem diz, pegar o boi pelos cornos. Isto é, às 20h00 estavam menos de duas dúzias de lojas comerciais abertas e às 22h00 menos de uma dúzia.
Ora, perante este resultado –que volto a lembrar, os comerciantes deram a sua palavra através de assinatura- dá para interrogar: O QUE É ISTO?
Então temos duas opções, ou enterramos a cabeça num buraco do asfalto e continuamos a fazer de conta que tudo está bem, o que interessa é que se fale da Baixa e blá, blá, blá, ou, pelo contrário, vamos todos fazer o balanço destas actividades. Não se pode continuar a gastar dinheiro público assim –é certo que estes projectos visam a revitalização do centro Histórico enquanto um todo, porém, não podemos esquecer que estes planos são direccionados, sobretudo, para animar o comércio. Ora o que está acontecer é que, sem pagar absolutamente nada nem participar na logística, a hotelaria é que está a apanhar os dividendos. E qual é a consequência? Como o comércio nestas noites não vende, poucos comerciantes, e cada vez menos, estão a levar a sua promessa até ao fim –escusado será dizer que quem fica até à meia-noite, sente-se assim um bocado parvo e com a sensação de estar a ser utilizado.

MAS O QUE FAZER?

 Para esta pergunta, objectivamente e por enquanto, não há resposta. Sabe-se que alguma coisa terá de se fazer diferente para que, nestas alegorias, os visitantes entrem nas lojas, e comprem, de modo a envolverem o interesse dos profissionais do comércio. Uma das boas medidas, por exemplo, poderia ter sido a ideia de João Braga, que propôs à APBC que houvesse um grupo alargado de lojas com desconto até 50 por cento. Não foi avante por falta de interesse participativo dos lojistas –e aqui podemos interrogar uma questão óbvia: se há dezenas de estabelecimentos na Baixa com descontos de 50 por cento e outras várias com diferenças até 40, por que razão não corresponderam? Bom, não há dados objectivos, mas, por parte dos comerciantes, tudo indica que ninguém quer saber do futuro. Estão apenas preocupados em aguentar o presente.

E COMO É QUE SE PORTA O VISITANTE?

 Estas “Noites Brancas”, pelo menos no modelo em que estão programadas, isto é sem algo que espicace o interesse dos visitantes, repetindo-me, não estão a funcionar para o comércio. Neste dia de festa o visitador acompanhado da mulher, da sogra e dos filhos, como se fosse a uma romaria da Senhora da Agonia, entram nas lojas e o seu comportamento é igual ao dia de festa anual do santo padroeiro da aldeia. Entra em grupo, mexem aqui, mexem acolá, como se estivessem num museu interactivo. O mais novo da prole, agarrando num artigo que não conhece a sua utilidade, pergunta ao pai acerca daquilo. O patriarca, como se estivesse lá no lugarejo em frente à casa onde nasceu, explica ao miúdo: “Zezinho, isto era assim, assado e frito. Foi aqui que o paizinho, quando era da tua idade, aprendeu a fazer assim, assado e cozido”. Mas, o “Zezinho, coitadinho, mais conhecedor dos jogos cibernéticos do que coisas tangíveis, não entende patavina. E o papá, dirigindo-se ao dono da loja que está especado a observar todo o desenrolar desta peça, pede ajuda. E o senhor Maurício, o comerciante, com uma paciência de Jó, lá explica ao puto como é que aquilo funciona. É evidente que o rapazinho não percebeu nada, mas, também para o caso, pouco importa. A verdade é que, repentinamente, viraram todos costas e nem obrigado, nem bom-dia, nem boa-noite para o senhor Maurício –deve dar para calcular as trombas com que ele ficou.

UMA ARTISTA NA NOSSA RUA



CHAMA-SE SALOMÉ. É ESTUDANTE DE ARTES VISUAIS. NO VERÃO, APROVEITANDO AS FÉRIAS, ATRAVÉS DA PERFORMANCE ENRIQUECE E ENGRANDECE AS NOSSAS RUAS. É UMA FORMA DE GANHAR MAIS UNS TROCADOS, PORQUE A VIDA ESTÁ MUITO DIFÍCIL E O ARTISTA, TAL COMO NÓS SIMPLES MORTAIS SEM TALENTO, TAMBÉM TEM DE COMER...