sábado, 7 de maio de 2016
É PRECISO RELEVAR...

É o retrato actual de uma família portuguesa, com
certeza. Casal de meia-idade, dois filhos, um solteiro e outro divorciado, ambos
escravos da droga –um seguidor das leves, cannabis,
outro das duras, heroína-, dois netos.
O chefe da casa já foi um grande comerciante e prestador de serviços. Já teve
lojas, prédios, bons carros e boas motas. Por problemas vários, em que
naturalmente presidiu a pouca disciplina orçamental, o fisco tudo levou. Hoje o
ex-empresário, diabético e a viver de biscates, arrasta-se pelo crepúsculo dos
dias. Num lar onde a violência marca o compasso do tempo, onde falta o
essencial e cresce o desnecessário, há de tudo, desde o filho mais velho a bater
no pai e este a, verbalmente, a chegar ao insulto à esposa e, pelo desgaste e
falta de carinho, esta a afastar-se cada vez mais do marido, ali falta tudo,
desde a paz até ao pão e passando pelos medicamentos. Aquela casa é um presídio
sem barras físicas onde todos estão amarrados uns aos outros, quer por falta de
coragem em libertar-se, quer pelo pouco que os liga e, no fundo, constitui a
massa agregadora que os une. Pelo falhanço na vida, uns são a projecção de
outros.
Com parte do ordenado arrestado pelo tribunal,
a mulher trabalha há décadas numa grande superfície da cidade. Como é óbvio,
este caso dramático não passou despercebido ao gabinete de recursos humanos da
grande área comercial. Há pouco foi-lhes concedido um cartão gratuito, mensal, com
um plafond de 200 euros para compras alimentares na
entidade empregadora. Exceptua-se álcool e sumos. Só mesmo bens de primeira necessidade. Foi-lhes também oferecido um crédito, por seis meses,
para compra de medicamentos, sobretudo, para liquidação da dívida na farmácia.
Para além disso, foi subvencionado ao casal apoio jurídico para requisitar ao
tribunal a insolvência particular. Para isso, foram programadas as deslocações
ao Porto, com tudo pago desde comboio a táxi, até aos escritórios da empresa.
Colocando de lado tudo o quanto as grandes
superfícies foram até agora a causa e o efeito da destruição do comércio tradicional das
cidades portuguesas, é preciso separar o trigo do joio e relevar o que tem de
ser enaltecido. Sem identificar as partes, é preciso dar ênfase a este gesto
humanitário. Era bom que fosse seguido por outras entidades comerciais.
É PRECISO RELEVAR...

(Imagem da Web)
No último fim-de-semana, de Sábado para
Domingo, o tabuleiro da Ponte de Santa Clara foi atapetada durante a noite. De
tal modo foi eficiente o serviço prestado à comunidade que à hora do almoço de Domingo o piso já estava marcado com traços
separadores e o trânsito já rolava. Salienta-se que uma semana antes o mesmo procedimento foi
observado em frente à Estação Nova.
Com este modo de trabalhar, constata-se um
maior respeito pelos automobilistas, pela maneira de lhes causar o mínimo transtorno.
Não me lembro de ter assistido nas últimas décadas a algo parecido. Como é
evidente, em nome de todos os condutores de veículos rodoviários que transitam
na cidade, é preciso relevar. Repita-se este bom exemplo.
É PRECISO RELEVAR...
Yasmine Loza estuda em Coimbra há cerca de três
anos. Veio do Egipto em busca do saber. Reside na Baixa e por cá diz sentir-se
muito bem. Adora a cidade dos estudantes e toda a sua ambiência de paz e
serenidade societária. O que a incomoda mais, sobretudo, é o pouco amor que os citadinos
destinam à sua cidade, como se sabe, uma parte, distinguida pela UNESCO com a
mais alta excepção: Património Mundial da Humanidade. Yasmine não entende como
podem os moradores do Centro Histórico colocarem o lixo a qualquer hora e em
qualquer lugar. Também não entende que muitos deles passeiem os animais sem
trela e, quando estes defecam, não limpem os dejectos. É um imperativo de
cidadania. É um princípio básico de respeito para se (com)viver em sociedade.
Yasmine, quando vem para a rua
com a sua cadela White Terrier, traz
sempre consigo uns sacos de plástico para apanhar o que ninguém quer à sua
porta. Foi por já ter constatado várias vezes este procedimento relevante que
lhe pedi umas palavras e para posar para o “boneco”.
E se os portugueses aprendessem com esta
natural do nordeste de África? Para o bem e para o mal, somos todos embaixadores
em representação de uma etnia, um lugar, um povo, uma cidade, um país. Parabéns
Yasmine, por servir de exemplo aos relapsos conimbricenses. Não sei se será
tomado de imediato mas, como água mole em
pedra dura tanto dá que até que fura, pode ser que o ensinamento pegue.
sexta-feira, 6 de maio de 2016
ADEUS FACEBOOK
Escrevo-te esta carta, meu amigo Facebook,
para te informar que te vou deixar. Com este apartamento, meu caro, quero dizer
que estou a desligar-me também dos meus alegados 687 amigos.
Bem sei que a maioria, que nunca
me deu os parabéns pelo meu aniversário, que nunca comentou um qualquer texto escrevinhado por mim, que só me conhece
para me pedir um gosto num qualquer concurso, ou para que lhe adquira um livro
que editou, vai sentir muito a minha falta. É por esta maioria de mais de 99
por cento que estou deveras tristonho. Imagino que vão ficar arrasados com a
minha partida e se um lenço de papel não for suficiente há sempre a
possibilidade de comprar um maço no quiosque que ainda não fechou mas está mais
para lá do que para cá. Mas a vida é assim, feita de encontros e desencontros,
ingressos e partidas.
Para os poucos, menos de um por cento, que
gostavam de ler o arrazoado que eu, lavrador de prosas falhadas, rabiscava,
para eles tenho uma solução: vão ao blogue Questões Nacionais e, gratuitamente,
poderão continuar a soletrar os meus gatafunhos.
Certamente, meu caríssimo Facebook, tal como
os meus chegados acima enunciados que denominei por maioria, também vais ficar
destroçado. Não é difícil de adivinhar. Perder um tipo como eu não é coisa que
se deguste com meio meio-copo de três. Tem paciência! Estou farto de ti! Já não
te aguento nem pintado. Quero acabar com esta união de facto de mútuo
consentimento. Quero divorciar-me de ti. Estás transformado numa caixa de sonhos virtuais, cuja realidade é inalcançável. Por vezes, como instrumento nas mãos de criminosos, és perigoso. Deixas-te manipular com frequência. És o moderno muro das lamentações. Como os velhos da minha idade, estás
chato! Queres saber tudo! Por este andar, até as quecas que não me são facultadas vais querer enumerar. Estás pior,
muito pior, que o Fisco! Fosca-se, pá! Vai-te lixar!
Mas não fiques triste, camarada
Facebook. Durante estes anos todos, algumas vezes, proporcionaste-me a
possibilidade de contactar pessoas que de outro modo não me teria sido
possível. Deste-me algumas alegrias. E, por isso, servindo-me de ponte entre o
meu espaço conhecido e o desconhecido, estou-te imensamente grato. Bem-haja por
isso. Gostei de te conhecer. Até um dia, Facebook.
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Subscrever:
Mensagens (Atom)

