terça-feira, 2 de junho de 2009

UMA IMAGEM AO ACASO...



Sinceramente eu gostava de entender como é que a Praça do Comércio, um vetusto e ancestral largo, onde predominam para além do casario, duas igrejas, uma delas românica, do século XIII, a Igreja de São Tiago, diariamente se mantêm pejada de automóveis. E o mais grave é que os seus proprietários, segundo se consta, são comerciantes naquele histórico terreiro.
Apetecia-me apelar à polícia municipal, mas por vários motivos nem vou apelar a esta força. Primeiro porque, invocando este blogue, há meses fui ameaçado de difamação pelo actual comandante; segundo, como o presidente da autarquia, Carlos Encarnação, tendo em conta o que dizia o Diário de Coimbra, aquele, mandou abrir um inquérito à actuação, por excesso de zelo, de três agentes na Praça da República, e, certamente, andam muito ocupados; terceiro, para mim a polícia municipal é como as bruxas, a gente até nem acredita, nem tem medo delas, nem nada. Mas, pelo sim, pelo não, não vá o diabo tecê-las, o melhor é mantermo-nos afastados deles. E assim, deixem-se lá estar onde estão na paz do senhor que estão bem.
Quanto aos popós na Praça do Comércio? Ah…isso é uma vergonha para quem ali desenvolve a actividade. E mais, não posso deixar em branco, a sombra dos carritos também se projecta no presidente da ACIC, que ali também trata da sua vidinha. Se ele se quisesse chatear, deveria ser ele a sensibilizar os seus colegas para não mancharem as pedras do chão com aquelas porcarias de carros. Se ao menos fossem antigos…

A DESORDEM DA ORDEM





Como se sabe, ontem, na RTP1, no programa “Prós e Contras”, houve um alargado debate em torno do Bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho e Pinto.
Ouvi, e vi, com atenção, na esperança de ficar mais esclarecido em relação à actuação do timoneiro dos causídicos. Confesso que se estava baralhado confuso fiquei. O que vi ali, como certamente outros se aperceberam, foi um “faroeste” num xerifado. Todos disparavam e se agrediam mutuamente, mas todos eram amigos, segundo diziam. Estranha amizade aquela. Advogados! Dirá você, num meio de um bocejo.
Que deve haver muitas maçãs podres no seio da classe também não fiquei com dúvidas. Que fiquei ainda mais confuso do que já estava em relação à personalidade de Marinho e Pinto também é verdade. Que deve ser uma pessoa de extrema sensibilidade não duvido. Que é bipolar –no sentido de actuar nos pólos, ou seja tão depressa dá a camisa como, em caso de refrega, pode desnudar o outro- tenho a certeza. Perante aquelas desoladoras imagens de desentendimento –afinal nem me deveria admirar. O que vimos ali é o que se passa em todos os sectores da sociedade, é o que se passa no país. É assim no funcionalismo público em geral, é assim nos sectores primário, secundário e terciário.
Aqui, no rectângulo “do todos reivindicam, todos têm um diagnóstico e sabem o que é preciso fazer”, mas depois a força esvai-se em discussões fúteis como a que assistimos ontem, com os interesses conflituantes de uns e de outros.
O bastonário, em metáfora, pareceu-me um transmontano -puro, sério e bom, embora truculento a lidar com os citadinos, hipócritas, interesseiros e imberbes- caído no meio de uma cidade cheia de burgueses cheios de vícios. Aliás, constatei isso quando ele, sozinho como Robin dos bosques, se insurgiu contra o tratamento preferencial –trata-se de dar preferência ao advogado num qualquer serviço público. É lógico que tem razão. Alguém numa fila gosta de se ver ultrapassado por outro qualquer? Ainda se lembram do “caso do Multibanco” em Coimbra? Pois, eu conto. Segundo os jornais à época, estava uma fila de várias pessoas para uma máquina de levantamentos de multibanco. Veio um juiz, em serviço no Tribunal Constitucional, e, sem explicações, colocou-se à frente de todos. Um dos pacientes –que infelizmente já não está entre nós- da fila insurgiu-se contra a má-educação do magistrado e este mandou prendê-lo. Digam lá está certo o que o juiz fez? O bastonário tem ou não razão em estar contra o tratamento de preferência?
Apesar de continuar perdido sem fio condutor, ainda que discorde um pouco da forma de actuação em detrimento do conteúdo, acho que Marinho e Pinto poderia ter dado um bom bastonário. Não está certo em tudo. Mas na maioria está. Uma oportunidade perdida pela recuperação da imagem da justiça. Uma pena!

A FRASE DO DIA...




Há pessoas que são capazes de morrer pelos animais. Em contrapartida são insensíveis aos seus congéneres humanos e incapazes de ajudar alguém seja com o que for.

VISITE A EXPOSIÇÃO DO BRÁULIO FIGO






Venha ao café Santa Cruz apreciar a exposição de artes plásticas do Bráulio Figo. Destapando um pouco do “Curriculum Vitae” deste artista, e segundo a apresentação transcrita no majestático café, o Bráulio nasceu em 1959, na Vila de Pereira do Campo, ali próximo de Montemor-o-Velho. Licenciou-se em pintura na EUAC, Escola Universitária das Artes de Coimbra.
Posso dizer-lhe, ainda que subjectivamente, que este artista vai dar que falar. Tem uma técnica impressionista fortíssima. Nestes espatulados em homenagem à mulher, quando se entra, de repente, parece estarmos perante Paula Rego. Gostei muito.
Vá visitar a exposição e, se puder, adquira um quadro. Para além da arte, quase garanto que vai ser bom investimento. Os preços, segundo o preçário, variam entre 450 e 1000 euros.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ó "XICO" VOLTA MAIS VEZES... (MAS NÃO VENHAS SÓ)

(O VOTO É SECRETO? ERA! EU VOTO NA MARISA. ELA TEM QUALQUER COISA QUE NÃO ENCONTRO NOS OUTROS CANDIDATOS. É ESPECIAL. PRONTO! NÃO SEI BEM O QUE É, MAS DEVE SER COISA BOA, PARA ME "TOCAR" TANTO?!)

("AI É PARA O "QUESTÕES NACIONAIS"? JÁ PODIAS TER DITO. QUERES UM AUTÓGRAFO?, PERGUNTA-ME O "XICO" LOUÇÃ)

(O "XICO" DÁ UM AUTÓGRAFO A UM ADMIRADOR. AO MESMO TEMPO DIZ: "Ó PÁ, FOCA BEM, MANDA ESTA IMAGEM PARA O MUNDO!")

(A BANDA DA ESQUERDA LIGHT DÁ UM SHOW NO LARGO DA FREIRIA)

(TÓ ZÉ ELEVA A BANDEIRA TROTSKISTA ATÉ AO UNIVERSO)


O Bloco de Esquerda andou hoje à tarde pela Baixa. Francisco Louçã, acompanhado da Marisa Matias, deixou todos os operadores do comércio de “cara à banda”. Nas lojas do centro histórico, às 18,30 só se ouviam lamentos dos clientes. É que pura e simplesmente, em pleno acto de venda, os compradores foram abandonados pelos comerciantes e, estes, foram todos para a porta.
Em surdina, ao verem a (nossa) Marisa, só se ouviam os homens do comércio exclamarem: “para levantar o comércio tradicional só uma candidata como a Marisa Martins”. Um pouco já mais alto, para o “xico” Louçã ouvir, “queremos a Marisa para nós! Não a mandem para Bruxelas”

UM ESQUECIMENTO INTOLERÁVEL






Você sabe onde é o Largo da Freiria, na Baixa da cidade? Não sabe? Deixe lá, não é o único. Há mais. E mais ainda, passando a redundância, vindo a ignorância de quem tem obrigação de saber por inerência da sua profissão.
Está bem! Eu vou deixar-me de passeios à beira-rio e vou directo à questão. Então é assim: alguns comerciantes do Largo da Freiria –eu explico onde é: fica junto à Rua Eduardo Coelho. É aquele Largo com azulejos “art nouveaux”, da fábrica Aleluia de Aveiro, encastrados no Snack-bar Padaria Popular. E ainda lhe digo mais: É o único largo, provavelmente no país, onde convivem alegremente, com amizade, fascistas, comunistas, trotkistas, comodistas, revivalistas e outros “istas” que por acaso agora não me lembro.
Agora que você já sabe onde é este famoso Largo –está admirado? Famoso, sim senhor! Há quem diga que D. Sisnando, o primeiro governador de Coimbra depois da reconquista aos mouros, tinha aqui a sua “Sisnandinha”, a sua amada “mais que tudo”. Dizem que este largo foi sempre tão importante ao longo da Idade Média que D. Afonso Henriques antes de exalar o último suspiro, para além do desejo dos seus restos mortais irem para a Igreja de Santa Cruz, perante o Papa Inocêncio II, disse, por entre monossílabos: “eu... quero... voltar... à Freiria”. Segundo parece, no colégio de freiras, que nesta altura existia neste largo e que lhe veio a dar nome, havia lá uma “freirinha” que o Conquistador por ela fazia tudo. Contam, alguns historiadores, que foi por causa desta “tenrinha” eclesiástica que o primeiro rei bateu na mãe. Era assim um amor moderno "à Berlusconi" pela sua “filhinha”, “vai chamar pai a outro”, que tanto encanta Itália nos dias que correm.
Calma! Não se enerve, eu sei que estou a ser longo. Mas é para ver a extraordinária importância histórica deste largo.
Agora é que vou contar o que me levou a escrever. Continuando, é assim: um grupo de comerciantes preocupados com um prédio abandonado no Largo da Freiria, com obras iniciadas há cerca de três anos, e que é um depósito de lixo, pediu à Junta de Freguesia de São Bartolomeu a sua intervenção junto da Câmara Municipal de Coimbra. O seu presidente assim fez. E qual foi a resposta da autarquia, quer você saber, leitor? Eu conto. Foi assim:

Exº Senhor Presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu.

Assunto: Degradação de Imóvel sito no Largo da Freiria.

Na sequência do ofício de V.Exª, acima identificado, informa-se que o mesmo foi remetido à Chefe de Divisão de Estruturas e Renovação Urbana, senhora Engª (…), uma vez que o imóvel em causa se encontra fora da área de licenciamento do Gabinete para o Centro Histórico (SIC) (…).

O DIRECTOR DO GCH, por delegação de competências (Edital nº431/2005), Engº (…)

Ou seja, em resumo, já viu que nem o presidente, nem os funcionários que o coadjuvam no Gabinete para o Centro Histórico sabem onde fica o Largo da Freiria. É essa a conclusão a que se chega. É ou não é? Claro. Não pode ser outra.
Que diabo!, lá por já não ter uma casa de freiras não quer dizer que o largo seja completamente esquecido na toponímia do centro histórico.
Se o Conquistador, hipoteticamente, saísse do seu mausoléu da Igreja de Santa Cruz, não iria gostar de saber que se esqueceu o largo onde viveu a sua “freirinha”. Ai de certeza. Ó larilas!...

A FRASE DO DIA...



O ser humano é único ser vivo que duplamente adora enganar; enganando-se a si mesmo e os outros que o rodeiam.