quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A BAIXA, O VIDRO PARTIDO E A TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS





Durante esta manhã -segundo uma testemunha- um dos vidros de uma das montras da desaparecida sapataria A Elegante, na Rua Visconde da Luz, apareceu estilhaçado. Escrito assim, e se considerarmos o vandalismo crescente na cidade, poderíamos dizer: “a oeste nada de novo”. Mas se acrescentar que a defunta rainha das sapatarias de Coimbra encerrou em 2012 e há 5 anos que se encontra abandonada nos estados escandaloso e miserável em que se apresenta hoje talvez a coisa mude de figura.
Segundo parece, por que já escrevi vários textos sobre este monumento à incúria e à negligência, o novo adquirente do prédio em 2011- que não conheço- acrescentou um novo piso sem projecto, sem licença e sem autorização camarária e por isso mesmo foi embargado. Até aqui, repetindo, “a oeste nada de novo”. O que vem a seguir -ou melhor o que não vem por nada acontecer- é que choca. O que resta da velha sapataria A Elegante são resquícios de uma história comercial que deveria ser respeitada. Ou seja, ao que parece e alegadamente, a coberto da ilegalidade do proprietário, os serviços camarários abandonaram este assunto à sua sorte, e já lá vão cinco anos. É óbvio que não é o único. A Baixa está prenhe de monstros destes. Não sei se estou a ser claro, não estou a defender que se passe uma esponja por cima do ilícito, mas quero dizer que neste imbróglio, mesmo sobre o manto da lei e a sua interpretação dar razão à Câmara, a situação não pode ser mantida “ad eternum” e como se nada acontecesse. Quem está obrigado a solucionar o problema é a administração, no caso a edilidade, e não o proprietário imprevidente. Isto é, a autarquia deveria sancionar e dar um prazo para executar. O dono não fez, desobedeceu à ordem, neste caso, os serviços estão obrigados a actuar com celeridade, seja com posse administrativa e demolição, seja com coima, seja com outra medida legal qualquer. Embora desconheça as prerrogativas do Código Administrativo, tenho a certeza de que há lei para acudir a esta calamidade. Pelos vistos, coragem é que falta. O que se passa é que, desde há décadas, esta omissão é recorrente na zona histórica e tudo contribui para um comércio de rua em liquidação.
E tanto mais grave é que este deixa-correr, por um lado, numa artéria principal com a importância da Rua Visconde da Luz, é de um prejuízo incontabilizável para o meio envolvente, por outro, seguindo a psicologia social de que desordem gera desordem, na tese das “Janelas Quebradas”, este desprezo pelo bem patrimonial, para além de se estender a outros prédios vizinhos, leva a uma vontade incontrolável de o destruir ainda mais. Não se sabe se a quebra da vidraça será resultado desta teoria.
Vale a pena pensar nisto?

1 comentário:

Carlos Paulo disse...

Como pode existir nesta cidade tanto desleixo para numa das ruas principais desta cidade.So'se Olha para Coimbra porque temos uma torre da Universidade,mas nesse local DEVIA existir talvez uma chaminé de fábrica para meditar em Como seria mais válido para se dedicarem com interesse a tudo o que seja de Coimbra !!!!