quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A BAIXA VISTA DA MINHA JANELA





POR MÁRCIO RAMOS


Muitos habitantes desta cidade pensam que a Baixa de Coimbra se resume a um casario que vai desde Loja do Cidadão até ao Largo da Portagem e delimitado pelo rio, de um lado, e, do outro, pela Rua da Sofia.
Na minha modesta opinião a Baixa é muito mais vasta e rica. As suas fronteiras começam a norte, na Estação Velha e Casa do Sal e a sul com toda a envolvente e incluindo a margem esquerda, de Santa Clara. E delimitada pelas Ruas Visconde da Luz, Ferreira Borges, Olímpio Rui Fernandes e Sofia. Nesta zona temos comércio típico, centros comerciais em conglomerado, serviços, um centro de saúde, uma gare de autocarros, duas estações de comboios, vários serviços de alojamento local, hotéis -arrisco-me a dizer, um deles talvez o mais antigo da cidade onde muita historia por ele passou-, escolas e ate temos um complexo desportivo. Para além de tudo isto, temos ainda um vasto património histórico e religioso.
Há uma denominada Baixa que vai desde o Tribunal até à Estação de Coimbra B, que é uma zona essencialmente de serviços e habitação e com edificado relativamente recente. Com uma larga avenida, que atravessa a zona, muitas vezes caótica de trânsito, não tendo, portanto, grande interesse turístico.
Há outra Baixa que vai do Largo da Portagem até ao Parque Verde, que tem igualmente poucas lojas, mas merece a nossa visita nem que seja pelo verde paisagista e o silêncio calmo do Parque Dr. Manuel Braga.
Na outra margem, entre outros, temos o Portugal dos Pequenitos. Todos nós já visitámos este espaço lúdico e temático nem que fosse apenas uma única vez na vida, sobretudo em criança. Temos também o Mosteiro de Santa Clara-a-velha onde esteve sepultada a padroeira, a Rainha Santa Isabel.
Depois temos a Baixa propriamente dita, como o povo a conhece, delimitada pelas Ruas Ferreira Borges, Visconde da Luz e Sofia. E temos também a denominada Baixinha, que geograficamente compreende as ruas estreitas, ao lado das vias largas, e a zona da Loja do Cidadão e Avenida Fernão de Magalhães.
Há dias foram inauguradas as iluminações natalícias e alusivas ao Fim-de-Ano. Com pompa e circunstancia, Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, carregou no botão magico milagroso e de luz se fez luz. Houve muito povo a assistir a este evento em que se realizou um concerto de Natal. No dia seguinte os jornais noticiavam que a Baixa estava toda iluminada e festiva para a quadra.
Posteriormente passei e falei com uma comerciante da baixinha, da parte de ruas estreitas. Estava indignada. Disse: “iluminaram ruas na  baixa? As ruas da baixa iluminadas? Que ruas?
Se formos ver -como eu vejo-, seria complicado iluminar a Baixa toda, principalmente a Avenida Fernão de Magalhães, mas haverá outras que será bem mais facilitado. Não passaram muitos anos, a Avenida Sá da Bandeira e a Praça da República eram ornamentadas com iluminações nas árvores -como em Castelo Branco, por exemplo.
Na Baixa poucas ruas foram enfeitadas; três no total: a Sofia, a Ferreira Borges e a Visconde da Luz. E algumas praças e pracetas com um arco, como a dizer que tiveram direito a qualquer coisinha. Em número esmagador as ruas da cidade, da Baixa, da Alta, de Santa Clara, da Solum e da Cruz de Celas ficaram sem qualquer ornamento. Tal como a comerciante afirmou, digo eu também: que parte da Baixa foi iluminada? É significativo? É demonstrativo de alguma coisa?
No fundo, com tão pouco, não teria sido a semente para provocar o descontentamento geral? Bem sei que nunca se agrada a todos, a Gregos e a Troianos, mas, pelo que se fez, valha-nos Santa Isabel!
Depois, a senhora em causa, sobre a animação em som de rua, sugeriu: por que não passar apenas música da quadra e fado de Coimbra? Eu acrescento, por que não fazer a ligação directa a uma radio de Coimbra?
Pode até parecer que estou a meter achas para uma fogueira que descontenta e esfria mais do que o contrário. Talvez valha a pena pensar nisto?

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

EDITORIAL: UM MOEDA DE VINTE CÊNTIMOS MARCA TODA A DIFERENÇA




Acabei de ouvir uma entrevista na “Página da Câmara Municipal de Coimbra (Página não Oficial)”, no Facebook, concedida por Vitor Marques, presidente da APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, ao programa “Cor do Som”, do Clube de Comunicação Social de Coimbra. Repeti três vezes para ver se modificava a primeira avaliação negativa que inferi na primeira audição.
Começando pelo entrevistador, Braga da Cruz, é lamentável que teça comentários sobre insegurança na Baixa da cidade ocorridos há cerca de uma década como se tivessem acontecido esta semana. O problema é que esta mentira, como cassete repetida até à exaustão, acaba por se transformar em verdade. É bom que o Clube de Comunicação Social de Coimbra tenha consciência de que, passando o programa “Cor do Som” em várias rádios regionais, e sendo um órgão de comunicação social, para além de estar obrigado a ser rigoroso, está a ajudar a formar opinião -neste caso, obviamente, pouco positiva.
Quanto ao entrevistado Vitor Marques, enquanto presidente da APBC, gostava de ter ouvido apresentar ideias novas para a zona histórica. O que apreendi foram propostas já criadas na vigência de Armindo Gaspar, ex-presidente da APBC no tempo de 2004 até finais de 2013. Gostava também de ter ouvido da sua boca um elogio a este ex-comerciante que, mesmo com críticas que fiz durante os seus mandatos, muito deu do seu tempo à agência. Pelo contrário o que entendi na entrevista foi que o nome de Armindo Gaspar foi associado à insegurança que se viveu em 2007-2008 -atribuindo-se-lhe uma conotação negativa.
Já assisti a vários eventos em que esteve presente Vitor Marques -cujas minhas opiniões são sobre o seu desempenho estatutário e jamais pessoais- e fico sempre com o mesmo sentimento de que o presidente da APBC é demasiado político e pouco defensor dos comerciantes. Isto é, nunca lhe vi uma palavra de revolta contra uma afirmação ou medida que prejudique o comércio tradicional, ou a cidade, quer seja provinda da administração pública camarária, quer de outra qualquer entidade. Gostava de ver mais emoção e menos racionalidade, auto-controlo psicológico casuístico.
A meu ver -saliento que não tenho grande experiência-, um líder de uma entidade associativa, pelo respeito aos seus associados que prometeu defender quando tomou posse, tem obrigação de ser sempre anti-poder. Não quero dizer que deva ser o “cão que morde a mão que lhe estende o pão”. Nada disso. O que defendo é que as posições devem ser institucionalmente antagónicas. Fazendo eco dos queixumes da classe, um reivindica, o administrado, e outro, o administrador que representa o poder instituído, apresenta um plano para ser negociado. Quando se verifica uma absoluta concordância de posições simétricas entre ambos, administrador e administrado, sem um imanente conflito existencial, só poderemos concluir que o resultado não pode ser nunca positivo para o último.

MAS, O QUE É QUE SE PASSA COM A BAIXA?

A Câmara Municipal de Coimbra, enquanto organização de poder, está para os comerciantes como o Estado está para os cidadãos. Este último, o Estado, primeiro faz uma política de empobrecimento, de confisco, e empurra os seus contribuintes para a miséria. Depois, perante suicídios em massa, quando a desgraça toma proporções internacionais de escândalo, vem com políticas paternalistas e distribui milhões pelas IPSS's, Instituições Particulares de Solidariedade Social, para acudir à catástrofe social em perspectiva.
No caso da Câmara Municipal de Coimbra, através dos seus executivos, fez a mesma coisa. Primeiro, com a falta de políticas urbanísticas e outras de licenciamento comercial, destruiu o coração do seu comércio tradicional, a Baixa, que era a identidade da cidade e o centro da zona centro. Depois, levando a máxima do Império Romano do entretenimento, de que o circo gera ilusão, desvia a atenção e cura todas as maleitas da alma, aproveitando a criação da APBC, em 2004, pela defunta ACIC, Associação Comercial e Industrial de Coimbra, que foi enterrada em campa rasa e sem direito a epitáfio, distribui flores ao povo, festas e festinhas. Escusado será dizer que estas festividades, para além de serem uma guloseima para alguma hotelaria, não acrescentam quaisquer mais-valias ao comércio de rua. Estas festanças, cujo sucesso está sempre garantido pelos realizadores, não passam de ansiolíticos para quem se sente ansioso e mais depressivo. O público, que vem apenas para bailar no dia, gosta muito e até se manifesta contra quem pensa o contrário; os organizadores, porque lhes interessa também o êxito -aliás, sobrevivem à custa disso mesmo- exultam; e o povo, pacóvio como sempre, não ligando nem ao começo de arrasamento nem ao final de lágrima de crocodilo, não faz contas aos milhões que se gastam anualmente para tentar remediar uma solução que, pela falta de bom-senso, não tem conserto.
Sem remissão unicamente para a política partidária, já que obedeceu a outros factores sociais, poderíamos dizer que o início do desastre da Baixa teve início em 1989 com a eleição do socialista Manuel Machado para a presidência da Câmara Municipal de Coimbra, e actual líder da autarquia, que começou por licenciar as grandes superfícies, Makro e Continente e deixou na forja o Fórum Coimbra e o Dolce Vita. Em 2001, sucedeu-lhe Carlos Encarnação, do PSD, que lhe viria a seguir as pisadas no licenciamento, em barda, de mais ainda grandes áreas comerciais e provocando a saturação da oferta.
De 2001 a 2013 -ano em que Machado viria a novamente a recuperar o trono- foram anos perdidos para a zona histórica e de política para esquecer. A Baixa foi emagrecendo e ficando cada vez mais débil e irreconhecível. Também devido à política económica dos sucessivos governos nacionais, as grandes empresas comerciais encerraram umas atrás das outras nesta zona. O que resta hoje é um comércio em coma em que, por mais que se faça para o reanimar, já nada resulta. O negócio de rua, na generalidade, navega no desespero. Em contraposição, as grandes áreas, com promoções de matar toda a concorrência, nunca esteve tão bem.
É preciso esclarecer que o rácio de percentagem entre os dois universos de compradores, entre shopping's e lojas de rua, provavelmente, andará por volta dos 10 por cento para estes últimos. A ser assim, que não sei se será mesmo, em cada 100 presumíveis compradores, só dez adquirem os seus produtos no comércio tradicional. Culpar os comerciantes deste facto com acusações gerais, como o de não se terem adaptado aos novos tempos, de que na Baixa não há lojas de marcas conceituadas, de que os lojistas não detêm nas suas lojas variedade suficiente de oferta como nas grandes superfícies, não mudam os horários de abertura e fecho, etc, é pura demagogia. Pretender um resultado assim, é o mesmo que desviar o leito de um grande rio e depois, num positivismo cego, exigir que os até aí pescadores mantenham o mesmo grau de produtividade. Claro que, perante estas acusações dos consumidores, a classe política decisora e causadora deste genocídio profissional, bate palmas e forma coro. Seguindo a cartilha partidária, dá-lhes muito jeito desviar as atenções e criar a ilusão de que a culpa mora ao lado. A Baixa está com um nó górdio. Mas, reivindicar o quê? O comércio terá futuro? Quo Vadis comércio tradicional?

AFINAL, O QUE É QUE FALTA?

Repetindo o mesmo princípio expresso em cima, a Câmara Municipal de Coimbra (CMC), ao longo dos últimos vinte e cinco anos, por um lado, com a mão direita, tratou de gradualmente empobrecer os lojistas, comerciantes e hoteleiros, por outro, como escrevi, com a outra esquerda, foi-lhe dando farra para esquecerem que estão a morrer em conta-gotas. Por outro lado ainda, e como se considerasse que esta classe ainda conserva muita riqueza, vai carregando nas taxas (como exemplo no despudorado aumento de espaço público com esplanadas) e cobrando qualquer serviço mesmo que seja público e de absoluta necessidade. O mais gritante, por ser um profundo desrespeito para o cidadão que nos visita e o transeunte local, foi, a partir deste Outubro, último, as sentinas, vulgo casas-de-banho públicas, passarem a ser pagas pela sua utilização. O custo é de 20 cêntimos por pessoa. Faz sentido uma câmara municipal cobrar esta importância numa zona turística onde praticamente só existe uma única instalação para realizar as necessidades fisiológicas? Se calhar, para poucos fará. Alguém admitiria um pagamento idêntico numa grande superfície? Esta medida representa, ou não, a pouca importância que é dada a esta zona histórica?
Perante uma cobrança destas só se pode comungar que o executivo da autarquia terá várias intenções em mente. Pretenderá, por um lado, despachar os necessitados para os cafés, por outro, para os mais pobres -cujos 20 cêntimos para quem nada tem é uma fortuna- quer empurrá-los para que defequem ou mijem em qualquer canto. Só uma questão: a limpeza de uma cidade não constitui um bem maior? Nestes dois meses, Outubro e Novembro, tendo em conta a numeração das senhas, a CMC arrecadou cerca de 500 euros. Esta verba irrisória vale a porcaria que vai ser criada nas ruas da Baixa?
Ninguém, destas cabeças iluminadas, se lembrou que estamos perante uma profunda discriminação social.
O caso do estacionamento público é a mesma coisa. A edilidade só se preocupa em cobrar. Com as obras felizes do Terreiro da Erva acabou de vez com o último estacionamento gratuito que por cá havia. Fez alguma coisa, ou foi-lhe reivindicado pela APBC que fizesse, para ressarcir o comércio deste espaço agora desaparecido? Nada. A edilidade não quer saber se a falta de gratuitidade faz falta, ou não, ao desenvolvimento comercial. Em abstracto, se a CMC fosse uma entidade de boa-fé o que deveria fazer para minorar os problemas? Não cobrar estacionamento público nas duas primeiras horas, entre as 9 e as 11h00, e aos Sábados durante todo o dia. Mas, por acaso, a APBC reivindica uma medida destas? Isto não! Pelo contrário, a teimar numa prerrogativa que não funciona e já vem do tempo de Armindo Gaspar, defende que, dando senhas aos seus clientes, sejam os comerciantes a pagar o estacionamento em parques privados. Olaré!

sábado, 3 de dezembro de 2016

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

RESPEITEMOS O SILÊNCIO DE QUEM PRECISA DELE PARA DESCANSAR







Hoje é o 1º de Dezembro, feriado nacional, Dia da Restauração da Independência -citando a Wikipédia,”é a designação dada ao golpe de estado revolucionário ocorrido a 1 de dezembro de 1640, chefiado por um grupo designado de Os Quarenta Conjurados e que se alastrou por todo o Reino, pela revolta dos portugueses contra a tentativa da anulação da independência do Reino de Portugal pela governação da Dinastia filipina castelhana.
Apesar de, para muitos, ser um dia de paragem no trabalho, pelo costume, que já vem de longe, o comércio, na sua maioria, está de portas abertas. Respira-se uma aragem ligeira de quadra natalícia. Junto aos estabelecimentos, vêem-se alguns vasos com arbustos verdes e passadeiras de cor “atejolada”. Com algumas montras vivas -com manequins de carne e osso-, decorrem também quadros cénicos, em teatro de rua, com performers a retratarem cenas do quotidiano. Os transeuntes páram pelas vozes, umas vezes monólogo outras diálogo, vindas dos actores.
Embora ainda não estejam a funcionar, as ornamentações estão praticamente prontas para receberem a luz e cor que esta zona comercial tanto precisa. Este ano, contrariando ligeiramente o anterior, os enfeites de Natal apenas foram colocados nas ruas largas, da Sofia, Visconde da Luz e Ferreira Borges. O Largo da Portagem, como é hábito e enquanto porta de entrada na cidade, mantém o seu normal brilho acrescentado em outros anos e nesta época do nascimento do menino. Pelos restantes largos e praças apenas alguns, como é o caso do Largo da Freiria, mereceram um arco digno desse nome. As ruas estreitas não tiveram sorte na escolha de serem beneficiadas ao menos com um arquinho nas entradas, como era assim noutros anos já pisados pelo tempo. Por aqui, pela baixinha, como é assim conhecida a área respeitante aos becos e ruelas mais pequeninas, os comerciantes, em surdina, mandam farpas à autarquia por, aparentemente, terem sido discriminados de uma forma aviltante, afirmam à boca cheia. De pouco se remedeia dizer que até 2001 as iluminações públicas estiveram sempre a cargo dos donos das lojas, com custos à sua responsabilidade. Ou seja, a edilidade assumia a verba respeitante ao consumo de energia eléctrica e os negociantes, a seu modo, a seu jeito e conforme a sua vontade, contratavam uma firma para embelezar a sua rua. O clima político mudou de rosa para laranja, como quem diz, do Partido Socialista para o PSD, com Carlos Encarnação a chamar a si a cadeira até aí ocupada por Manuel Machado, actual presidente da Câmara Municipal. A partir daí, seguindo a regulação do dar devagar e cada vez menos a que estamos todos acostumados, no primeiro ano muitas ruas tiveram animação e ornamentação e festa de arromba. Depois, sempre a diminuir, sempre a minguar, durante os quinze anos que já passaram, chegámos ao que temos agora. Por outras palavras, num eterno retorno, será de supor que continuaremos a encolher até nada haver para contar e, novamente, voltarão a ser os comerciantes a entrar com a massa e, se querem festa, a suar na testa.
Depois de terem sido instaladas colunas de som em muitas artérias da Baixa -o que se saúda a APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, pela iniciativa-, hoje, logo ao romper da aurora comercial, entre as 8 e as 9h00, a zona foi invadida com música natalícia num volume, diga-se, moderado. Este som musical traz consigo uma redobrada atmosfera do Natal. Quanto a mim, é positivo e vem dar alegria a tanta gente, a todos nós que cá residimos ou trabalhamos, que, presumivelmente, carrega no rosto uma solidão e uma tristeza palpável a olho nu.
Há um pormenor que é preciso regular: nos feriados de Dezembro e Domingos a música emanada das colunas públicas, espalhadas pelas paredes e junto às janelas de particulares, deve começar depois das 10h00. Vou explicar melhor esta pretensão:
Pensando que eu risco alguma coisa cá no burgo, hoje, vários moradores de alguma idade vieram apelar para ver se eu poderia fazer alguma coisa. Como é óbvio, canalizei-os para quem, de facto, manda nestas questões decisórias e prometi escrever e elevar os seus queixumes.
Fazendo eco de uma senhora, uma do grupo, “como o senhor Luís sabe, nesta zona moram muitas pessoas idosas como eu, que já tenho mais de setenta anos. Acontece que, durante os dias úteis da semana, por ser uma área densamente comercial, logo às 8h00 começamos a ouvir barulho e já não conseguimos dormir mais nada. É o homem da fruta que arrasta os caixotes; é o café do lado que liga o moinho e tira uma bica; é o camião que vai abastecer o talho e fica a trabalhar junto à nossa janela; são dois transeuntes que se cruzam e, parando, ficam a falar alto da sua vida. Claro que, durante a semana até compreendo. Afinal até trabalhei décadas numa loja. É claro que entendo e suporto. Por conseguinte, restam o Domingo, os feriados e os dias santos para poder ficar na cama até mais tarde. Você percebe o que eu digo? Estou a ser clara, senhor Luís?

UM TEXTO PARA REFLECTIR...

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)


Texto repescado do Facebook. Publicado por Aguinalda Amaro na Página da Câmara Municiapl (Página Não Oficial)

"Desculpem, mas aqui vai um desabafo. Como muitos com certeza também vêem, para além de sentir na pele, tenho visto. Falo dos comerciantes, pois.
Ontem saí do meu café -faço isso de vez em quando para desanuviar, para fugir à angústia- e fui dar uma voltinha pela Baixa... baixinha, como muitos lhes chamam.
Eram 15h30 de ontem. Um dia sem chuva. Uma tarde óptima para passear e fazer compras de Natal. Até poderia ser, pois falta menos de um mês para o nascimento do menino. Com um amigo, tomei um café em frente à Câmara Municipal. Havia um único cliente na esplanada. (Isto está tão mau! E eu que o diga.)
Passei pela Rua da Louça. Tudo deserto de passantes. Não havia gente! As lojas vazias. Não se vende nada! Fui até à antiga rua dos sapateiros (Eduardo Coelho). Três funcionárias estavam à porta das lojas de plantão. Meu Deus, 16h00! E, nesta altura, com um ambiente assim.
Fui à Rua Adelino Veiga. É de partir o coração ao meio. Um cemitério de lojas. Encontrei um amigo já antigo de Coimbra com quem gosto de falar e entrei no seu estabelecimento comercial. Enquanto lá estive, cerca de uma hora, entraram duas ou três pessoas para ver ou para tratarem de assuntos pessoais. Pareceu-me que era para tentarem vender alguma coisa. Vim triste, horrorizada. A nossa Baixa está vazia de gentes. Penso sempre que amanhã vai ser melhor. Sou muito positiva. Mas tenho medo. Muito medo. A Baixa precisa de ajuda. Muita ajuda. A animação que fazem agora nesta quadra de Natal são giras e trazem gente. Mas esta gente não compra. Estas pessoas só vêm para ver. Nós, comerciantes e hoteleiros, precisamos que a Câmara Municipal olhe para nós, para as dificuldades que estamos a passar. Através do executivo aceite e apresente ideias. Que os seus vereadores se ponham no nosso lugar. Precisamos de sobreviver. É Natal. Feliz Natal a todos!" 

UMA QUESTÃO PREMENTE QUE, PELA DIGNIDADE DAS PESSOAS E INSTITUIÇÕES ENVOLVIDAS, URGE CLARIFICAR

(Foto de Leonardo Braga Pinheiro)


(Com a devida vénia, texto reproduzido do site Notícias de Coimbra)


"31 incidências graves. Falta de comida. Falta de comida própria para consumo humano. Ineficácia de quem presta o serviço. 26 crianças já ficaram doentes. Estas são algumas das razões apontadas pela Associação de Pais da Escola Básica de São Martinho Bispo (APEBSMB) para “dizer basta”. Contam como o apoio da União de Freguesias.
Dizer basta à comida que é servida na escola. A APEBSMB deixou de ter confiança na empresa ICA, a empresa contratada pela Câmara Municipal de Coimbra. “Não gera qualquer confiança”. “Sacode a água do capote”. Também não confia nos serviços da INTEGRAR, sub-contratada pela ICA
A APEBSMB não entende porque é que a Câmara Municipal de Coimbra deixa prolongar uma situação que vem desde o inicio do ano lectivo. “A empresa não está minimamente preocupada com o serviço que presta”. “A Câmara inoperante”. “Há matéria de facto e de Direito para resolver o contrato”.
Ricardo Pocinho, Presidente da Associação de Pais da Escola Básica de São Martinho Bispo, acrescentou em conferência de imprensa que os encarregados de educação lamentam que a alimentação tenha falta de qualidade, falta de segurança e falta de acondicionamento. Acha que a ICA não tem credibilidade para fornecer alimentação a crianças.
Este pai garante que se Câmara Municipal de Coimbra não rescindir o contrato com a empresa ICA até ao final do ano, os encarregados de educação vão colocar em prática um sistema alternativo.
A solução encontrada passa por as crianças irem almoçar fora do espaço da escola, mais concretamente ao Colégio de São Martinho, da Fundação ADFP, liderada por Jaime Ramos, mentora da Universidade Sénior do Mondego, onde Ricardo Pocinho é Reitor. Ou então levam marmita para a escola…
A presença na escola da Associação Integrar, sub-contratada pela ICA, também é contestada pela pelos encarregados de educação, que culpam a autarquia por esta situação.
A Integrar acompanha o empratamento de refeições e vigia o espaço escolar durante as refeições. Com algumas falhas, salienta Ricardo Pocinho, que acusa a associação de não ter pessoal devidamente formado para este efeito.
Jorge Alves, Vereador com o pelouro da Educação na CMC, foi Presidente da Integrar, que agora é liderada pela sua esposa.
Os encarregados de educação da Escola Básica de São Martinho Bispo lamentam “este histórico invulgar em que todos os dias há qualquer coisa mal”, pelo que nem sequer vão pagar as refeições servidas pela ICA.
Queixam-se da “falta de comida ou carência de algum dos componentes do prato anunciado”, a que se juntará mesmo “comida imprópria para consumo humano”, pelo que terão requerido a intervenção da ASAE.
Uma cena de  Monty Python ou Gato Fedorento”:”Não fornecem a quantidade de legumes que deviam  porque, “como as crianças não comem de legumes”, não vale a pena haver desperdício.”
Hoje decidiram dizer “basta, pois num almoço anunciado de Rancho, a comida tinha má apresentação e sabor desagradável, tendo sido vedada à associação de pais o registo fotográfico e que a comida fosse provada, sendo que por parte dos meninos houve recusa em comer e tendo sido possível a prova depois da intervenção da coordenadora da escola que atestou este mesmo mau paladar”. Tinha um “sabor intragável”. “Sempre que há problemas, lavam os tabuleiros”…"