segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

BAIXA: O MISTÉRIO DAS ORNAMENTAÇÕES COM ROLHAS NA RUA DO POETA






Quem por estes dias passou na Rua Adelino Veiga – topónimo referente ao poeta com o mesmo nome, nascido a 18 de Novembro de 1848 e falecido a 8 de Março de 1887 no Largo do Romal – certamente reparou nuns pendentes ao longo da artéria constituídos por rolhas introduzidas em argolas de arame.
Provavelmente, o primeiro pensamento teria sido: “olha, estão gozar com a Câmara Municipal!”. Teria sido esta a verdadeira intenção, ou esta parte é apenas uma das partes da acção?
Quem respondeu, um comerciante sob anonimato, fê-lo da seguinte forma:
Primeiro, recorremos às rolhas por serem feitas em material reciclável. Mas também por a cortiça estar profundamente ligada às actividades comerciais nesta antiga Rua das Solas (assim conhecida antes de ser apelidada de Adelino Veiga) ao longo do século XX e até aos anos de 1960– nota nossa, de tal modo foi assim que o saudoso Fausto Correia, deputado socialista por Coimbra, era conhecido por Fausto “Rolhas”, por os seus pais terem sido proprietários do antigo espaço onde funcionou o Eldorado que vendiam rolhas. Se fosse vivo, tenho a certeza, o emérito e reconhecido político socialista coraria de vergonha pela forma como os seus pares na autarquia estão, este ano, a destratarem a baixinha.
Segundo, praticamente sem gastos, já que recorremos a muitos estabelecimentos de hotelaria e aos arames utilizados noutros anos, quisemos mostrar o nosso grito de revolta à edilidade pela forma discriminatória como tratou este ano as ruas estreitas.
Estão pobrezinhas as nossas ornamentações? Até admito que possam estar, mas são nossas! Foram realizadas por nós, com o nosso esforço colectivo. Humildes, mas com muita honra e dignidade.
Terceiro, sendo ou não uma lição, todos os comerciantes da Rua Adelino Veiga se envolveram quer em trabalho, quer nas poucas despesas. Todos colaboraram”, rematou o meu depoente com argúcia.
Muitos parabéns pela iniciativa aos operadores da rua do poeta morto.

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