quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA

(Vídeo de Márcio Ramos -para visionar clique em cima)




Meu caro presidente da Câmara Municipal de Coimbra, dirijo-me a vossa mercê enquanto presidente da edilidade coimbrã –isto para que não lhe passe pela cabeça demandar-me por ofensa ao seu bom nome e confundir que estou a dirigir-me ao cidadão Manuel Machado. Não meu caro presidente, é uma carta política. Contra a sua pessoa, individual e de personalidade jurídica, para além de não o conhecer bem, nada me move contra o cidadão com o mesmo nome.
Enquanto munícipe, escrevo-lhe esta carta para lhe dizer por este meio que vossemecê, enquanto chefe da autarquia e meu presidente em representação por voto expresso de uma maioria, é um parolo –que revela mau gosto, mas tem a mania que é fino.
O que assisti hoje na Praça 8 de Maio, lugar vetusto e onde se encontra o Panteão Nacional, ultrapassa todos os níveis de compreensão que possa ter pela sua actuação política dos últimos três anos e à frente dos destinos da cidade de Coimbra. Ao permitir um espectáculo rústico e de gosto duvidoso numa Ágora, lugar de reunião público, que deveria merecer o respeito nacional, Vossa Excelência ao dar autorização que um rebanho de ovelhas invadisse o coração mais nobre da Baixa, a nível político, não só diminuiu a cidade no seu todo como Portugal.
A nível económico, diga-me se, esquecendo Coimbra, por acaso passou a defender os interesses de Oliveira do Hospital. Tanto quanto julgo saber, o facto de, ex aequo, ser presidente da Associação de Municípios Portugueses continua a pugnar pelos interesses económicos dos produtores de queijo da região de Coimbra, não é verdade? É que me pareceu o contrário.
Em surdina, quem se deve estar a rir a bandeiras desfraldadas deve ser o seu colega de Oliveira do Hospital, Carlos Alexandrino. Não é todos os dias que se espeta uma lança em África.
Mas não pense que, nesta missiva, só escrevo mal de si. No fundo, bem no fundo, admiro a sua tenacidade em levar em frente o que uma minoria desaprova –e a maioria, por que não pensa, bate palmas como se assistisse a um circo. E mais ainda, caiu-me a boca ao queixo quando vi tantas câmaras de televisão, rádios e jornais, para assistir a um pequeno rebanho de ovelhas. A minha alma ficou parva quando vi todas as televisões a serem “enroladas” neste filme de terceira série e que só desvaloriza a cidade. Ridículo, meu senhor! O que vossa iminência proporcionou hoje foi uma indecência para a História de Portugal e perante o túmulo do nosso primeiro rei, Dom Afonso Henriques. Perdoe o desabafo, mas não resisto: ao vê-lo no meio dos animais lanígeros, sem dúvida, Vossa Senhoria dava um bom pastor.
Com esta encenação a favor de outra cidade, Coimbra vai ficar nos anais da idiotice bacoca e simplória. Exijo-lhe outro respeito pela cidade que você governa mas não é o seu dono.
Bem sei que, com estas minhas palavras directas, não almejo grande mudança futura na sua forma de governação municipal mas, mesmo assim, espero que pense um pouco que esta urbe, que foi também berço da nacionalidade, não começa e acaba em si. Há mais cidade e mais pessoas que a amam e têm uma palavra a dizer.
Despeço-me com urbanidade, porque é a minha obrigação. Só isso!

Luís Fernandes

(Texto enviado à Câmara Municipal de Coimbra)

3 comentários:

Jorge Neves disse...

É incrível como as pessoas hoje em dia vêem mal em tudo. Tudo serve para criticar, falar mal. Nada está bem. Depois queixam-se que não fazem nada.
Pior é achar que uns simpáticos animais mancham a imagem de uma cidade. Devem pensar que os frangos nascem nas prateleiras dos supermercados, e o leite vem dos pacotes.

O que dizer então, quando uma marca bem conhecida encheu o Terreiro do Paço da nossa capital, de porcos, cavalos, ovelhas, couves e batatas?
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Dizem que depois disto, Lisboa nunca mais voltou a ser a mesma. Como é que o Costa autorizou isto em favorecimento de uma marca privada!?

SuperFebras disse...

Amigo

E vocemecê outra vez a agulhar no pobre do animal.
Mas que raio é que vossa senhoria tem contra as ovelhas? Que eu saiba a populaça Coimbrã não descrimina sexualmente e há muito que permite a todo o tipo de carneirada entrada ali no prédio mesmo ao lado. Ora quem sabe não haja necessidade de os juntar as umas ovelhas mais carnudas caso as suas de tanto ser ordenhadas se mostrem esqueléticas! Se eu estivesse por aí era capaz de pensar em ganhar uns trocos apregoando galochas .
E como se atreve comparar a um pastor quem não tem categoria para o ser? Um pastor sapiente do seu ofício sabe liderar, é o guia de seu rebanho condunzido-o a lugar seguro e que permita o seu engrandecimento. É heróico na sua defesa até com a própria vida. Carrega às costas os mais frágeis e só ao rebanho rouba a lã quando os dias são promissórios, grandes e quentes não quando a geada do inverno lhe esconde o pouco que têm para comer. Denegrir assim tão nobre profissão não é coisa que se faça.

Viva as ovelhas abaixo os carneiros.

De um que se sente fora do rebanho, um abraço
Álvaro José da Silva Pratas Leitao

Anónimo disse...

Bravo Sr. Quintans!
Obrigado pelo bálsamo de bom senso e lucidez.