terça-feira, 20 de março de 2018

CHEGOU A MINHA PRIMA VERA

Resultado de imagem para primavera
(Imagem da Web)




OLÁ PRIMA VERA

Hoje entraste devagarinho,
minha platónica estação,
sinto-me tão babadinho,
quase como um ancião,
já muito, muito velhinho,
mas sem perder a atracção,
a quem deram um presentinho,
como em última refeição,
uma mulher sem trapinho
para alegrar seu coração;
Primavera, estou contentinho,
a tua luz faz-me um Sansão,
faz de mim um rapazinho
num largo a jogar ao pião,
gosto de ti, meu passarinho,
para mim, és uma canção,
toada de um cavaquinho,
serenata para uma paixão,
quando chegas fico mortinho,
ansioso pelo meu Verão.


DESCULPE PERGUNTAR, MAS....

(IMAGEM DO JORNAL AS BEIRAS)


A VEREADORA DA CULTURA, DA CÂMARA MUNICIPAL
DE COIMBRA, PUBLICOU NO DIÁRIO AS BEIRAS, DA
PASSADA QUINTA-FEIRA, 15 DE MARÇO, O TEXTO
ABAIXO TRANSCRITO.
POR MAIS VOLTAS QUE DÊ AO GPS, COM AS COORDENADAS
INDICADAS, NÃO ENCONTRO ESTA COIMBRA TÃO FABULÁSTICA.
SENHORA, DESCULPE PERGUNTAR, PODE INDICAR-ME A
DIRECÇÃO PARA ESTA COIMBRA QUE SÓ EXISTE NA SUA CABEÇA?

Desde que o Executivo do Partido Socialista tomou posse, em 2013, que a cultura, em sentido lato, passou a ter primazia nas políticas públicas municipais em Coimbra. Dinamizar as atividades que cruzam a produção cultural, o turismo e as indústrias culturais e criativas é uma prioridade máxima.
Desde logo, ampliámos, gradual e sustentadamente, o orçamento para a cultura, não apenas no apoio financeiro aos agentes culturais, mas também na consolidação da agenda cultural do Município. Fortalecemos a relação com as associações, num trabalho de colaboração, de proximidade e de confiança, ao implementarmos um novo e transparente mecanismo para atribuição de apoios financeiros municipais.
Diariamente, trabalhamos para valorizar a memória e as tradições de Coimbra, mantendo as iniciativas já firmadas, como os Encontros Mágicos, a Feira Medieval ou as Festas da Cidade. Ao mesmo tempo, aventurámo-nos e incentivámos novas ideias, organizando eventos de âmbito nacional e internacional, como o Anozero (CMC/CAPC/UC), o Abril Dança em Coimbra (CMC/TAGV), a Coimbra BD, a Feira Cultural ou o Prémio Estação Imagem Coimbra 2018 que vai trazer, em abril, pela primeira vez a Coimbra exposições de fotojornalistas de prestígio internacional, bem como conferências, workshops e outras realizações.
A reabertura ao público do Convento São Francisco, depois de ultrapassados inúmeros problemas que herdámos, foi basilar para a estratégia de fortalecimento da posição de Coimbra no panorama cultural e na rota de congressos nacionais e internacionais. Este equipamento municipal impulsiona ativamente a dinamização económica e empresarial da região e hoje pode assistir-se, em Coimbra, a grandes espetáculos!
E porque centramos a nossa energia naquilo que nos singulariza, aprovámos uma metodologia para proteção das Repúblicas de Coimbra, das Lojas com História e de outras entidades de interesse histórico e cultural ou social local. Da mesma forma, porque entendemos que o Fado de Coimbra é um dos principais pilares imateriais da nossa cultura, temos em curso projetos que envolvem os Municípios da CIM-RC numa agenda cultural comum que toma o Fado como o elemento central de promoção conjunta.
Tudo isto converge num horizonte: Coimbra Capital Europeia da Cultura em 2027. Uma candidatura liderada por Coimbra mas que agregue outros Municípios da Região Centro e os seus projetos. Coimbra já possui uma invejável rede de equipamentos culturais; os agentes culturais da cidade já mostram relevante trabalho conjunto e em rede, contribuindo para uma programação diferenciadora pela sua qualidade e inovação; existe história, património e cultura em todo o coração da nossa cidade; Coimbra possui ainda a vantagem de ter em curso um amplo programa de regeneração urbana da zona histórica.
Coimbra Capital Europeia da Cultura 2027 será orientada para a inovação e criatividade, será virada para o futuro, preservando e promovendo as tradições que nos singularizam!





segunda-feira, 19 de março de 2018

PERGUNTAS TÃO ESTÚPIDAS!

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




O Executivo discutiu e aprovou hoje a atribuição de um subsídio de 1000 euros à Associação dos Cafés com História, a decorrer em Coimbra.

Primeira pergunta muito burra:

Que verba disponibilizou o executivo para a urgente classificação das Lojas com história», os estabelecimentos comerciais com especial valor histórico cuja preservação deve ser acautelada -e a que faz referência a Lei 42/2017, de 14 de Junho?

Segunda pergunta muito estúpida:

Porque teima esta maioria PS, e a oposição que votou a favor ou se absteve, fazer de nós, os comerciantes, mais estúpidos do que somos? Achará que devemos ver o Sol através da peneira?

CARTA DE UM PAI PARA FILHO (NO DIA DO PAI)





Hoje é o DIA DO PAI. Escrevi este texto em 2015, 
em função da comemoração do mesmo dia do Pai. 
Por entender que é um documento, e serve a quem servir,
tomo a liberdade de o apresentar novamente à exposição pública.


Escrevo-te esta carta, meu filho, hoje, 19 de Março, dia em que se convencionou ser o Dia do Pai –não achas que deveria ser antes Dia dos Pais? Gostava de ser capaz de redigir uma missiva alegre, optimista, bem-disposta, mas temo não sair bem. Porque é assim: se contar que estou feliz por ser teu pai estou a mentir. Posso embarrilar todos à minha volta, mas não me consigo enganar a mim. Se mostrar a minha infelicidade e frustração corro o risco de parecer ridículo, talvez mesquinho até, ou em estado de auto-flagelação. No balanço entre as duas alternativas, mesmo assim, escolho a última, a verdade que me consome a alma. Estou triste, obviamente. Assumo. Não vale a pena escamotear a questão.
Tens 31 anos, és inteligente e dono de vários talentos como a música e o desenho, apenas para exemplificar. Até hoje, nunca permaneceste num emprego mais do que três meses. Há cerca de quinze anos que a tua ocupação é fumar uns charros e beber uns copos. Se acaso ganhasses para sustentar os teus vícios eu nem teria nada a ver com isso. Acontece que permaneces em casa sem fazeres absolutamente algo de útil. Sabes como se chama a alguém que vive às custas de outrem? Claro que sabes! Mas, na tua inutilidade, pareces não querer saber. Em década e meia ganhaste o hábito de te “pendurares” nos teus pais. O pior é que, no teu entendimento deturpado, defendes que os teus progenitores, pelo facto de o serem, têm obrigação de te sustentar. Para agravar ainda mais as coisas e num comportamento inadmissível, insultas-me. Insultas-me não, agrides-me verbalmente há muitos anos com a brutalidade de alguém que desconhece o reconhecimento. Culpas-me de tudo. Numa manipulação constante, e que te é tão peculiar, embora sendo de influência, imputas-me a responsabilidade de seres um falhado por que não te dei amor em criança. Dei o que pude dar. Sabes muito bem a razão de não te poder facultar mais carinho. Enquanto tu dormias descansado o sono dos anjos eu trabalhava até altas horas da noite para te poder proporcionar uma vida que não tive; para te poder comprar a consola, os primeiros jogos de computador, roupa de marca e até bons sapatos, para que tu não te sentisses inferiorizado perante os teus colegas, quando eu senti a dor de andar descalço. Mas não te esqueças que nos teus momentos importantes eu marquei sempre presença. Tantas vezes cansado e a arfar para poder estar lá e para que tu não sofresses o que eu sofri quando os meus pais, os teus avós, não estiveram e me senti tão só. Sabias que a primeira vez que comemorei um aniversário tinha 18 anos? Consegues imaginar que o teu avô, e meu pai, nunca me perguntou se estava bem ou mal e precisava de alguma coisa? Com a tua idade, de 31 anos, já estava casado e era pai de dois filhos, trabalhava há vinte anos e estava estabelecido com um negócio.
Com franqueza, como podes tu acusar-me de seres o mau resultado de não te dar mais afecto? Como podes ser tão egoísta e incriminares-me dos teus desaires, da tua falta de coragem em não conseguires largar as muletas, o álcool e “axe”, da tua estagnação como pessoa que a vida não formou e como homem que não cresceu? Responsabilizas-me pela educação que te dei. Lembras-te que te proporcionei todas as oportunidades que eu não tive? No desporto praticaste Hóquei em Patins, Karaté, mas sempre com enfado, contra vontade e por pouco tempo. Nos estudos não passaste do 9º ano –recordas que te queixavas sempre? Ora eram os professores, ora eram os colegas. E eu, acreditando que tu eras especial, de uma sensibilidade acima da média, fui aparando o jogo e ia apoiando as tuas mudanças de estabelecimento escolar. Claro que a história era sempre igual e repetida em cenas de “déjà-vu”. Rememoras a última? Quando foste para Lisboa, para uma reputada escola de música, e durante quase um ano paguei quinhentos euros de propinas mensais até te aborreceres e abandonares? Sim, porque tudo o que te cai no regaço sem dificuldade é embaraço. Esforçares-te para obter alguma coisa e dares contrapartida, ora. Isso nunca foi contigo! E eu, dividido entre uma esperança mística e uma fé terrena cega, fui esperando que mudasses. Mas tu nunca alteraste a tua forma de ser. Pelo contrário, com o passar dos anos, estás cada vez mais na mesma.
Podes atirar-me à vontade as acusações que quiseres, mas nunca poderás fazer sentir-me culpado do que quer que seja. Certamente que não fui o melhor pai do mundo. Porém, fui o educador possível. A consciência, a pesar-me, não me indicia por ter sido negligente fosse no que fosse. Na hora em que tu precisaste de mim eu estava lá. Se pudesse voltar atrás, no mesmo contexto, faria igual com umas pequenas mudanças de pormenor: seria mais exigente e autoritário com a tua endémica fragilidade de vontade e não te presentearia com tanto conforto. É aqui que tenho a certeza que falhei. Dei-te tudo o que não tive, com um incomensurável prazer, e tudo junto foi demais. Exagerei. Mas esta exageração foi feita de boa-fé. Pensei que, tendo tudo como a maioria e não sofrendo a dor que conheci tão bem, te tornarias uma pessoa de bem. Erro de palmatória, já sei! Mas está feito e não vou passar o resto da minha vida a inculpar-me por isso. És assim porque queres. Estás sempre a tempo de mudar, se essa for alguma vez a tua vontade. Hoje é o meu dia: O DIA DO PAI!

HÁ COISAS QUE NÃO SE ENTENDEM! OU ENTENDEM-SE BEM DE MAIS?

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)


"Câmara compra quota da insolvente ACIC no ITAP. Representante da falida fica na gerência!"


"Manuel Machado revelou que o município comprou a quota que a insolvente Associação Comercial e Industrial de Coimbra (ACIC) detinha na Prodeso – Ensino Profissional, Empresa Municipal, a dona do ITAP.
Paulo Mendes, presidente da insolvente ACIC continua na gerência da Prodeso, cargo que acumula com a gestão do iParque."

INCÊNDIO NA “COISAS ANTIGAS”






Esta noite, a horas indeterminadas, presumivelmente devido a um curto-circuito, deflagrou um incêndio nas instalações da loja do senhor Armando, a Coisas Antigas, na Avenida Sá da Bandeira, ao lado da Pastelaria Marques. Tudo indica que o rastilho teria começado num corredor lateral onde se acumulavam livros. Embora o fumo tomasse de assalto o primeiro-andar onde residem estudantes, por cima de onde ocorreu a deflagração, e a loja principal, tudo indica que, alegadamente, pela pronta intervenção dos bombeiros o fogo, sendo mais fumo, não teria causado grandes prejuízos e que possa interromper a actividade da popular loja de artigos usados e antigos.
Segundo o senhor Armando, o proprietário do espaço comercial, os danos não estão cobertos pelo seguro.

O “CAPITÃO”



Quem anda nestas coisas de noticiar o que ocorre na via pública sabe -porque já sentiu o mesmo- do que vou plasmar a seguir. Sempre que se tenta obter informações para escrever, a todo o passo encontra empecilhos com uniforme. Ora são certos agentes da PSP, que valendo-se da farda que envergam e com isso ganhando uma importância que não detêm, ora são bombeiros. Já na fase de rescaldo, fazendo tudo para criar obstáculos ao desenvolvimento da reportagem, como foi o caso agora com um funcionário do corpo de Bombeiros Sapadores, fazem questão de serem desagradáveis e a colocar-se à frente da máquina fotográfica para impedir imagens. O que é curioso é que quando chega a televisão, como foi também o caso, para aparecerem ao vivo e a cores, até se chegam à frente em completa ostentação.
Conforme transmiti ao elemento dos Bombeiros Sapadores, de que cada um faz o seu trabalho, desde que não se estorve um ao outro conforme foi o caso de hoje, é preciso haver respeito mútuo. É que, por acaso, só por acaso, o camarada bombeiro estava ali numa função técnica a ganhar e eu, contrariamente, estava ali “pro bono”, gratuitamente. Ou seja, um faz por obrigação profissional, outro, provavelmente por muita loucura associada, faz por devoção.
Sem pedir nada em troca, deixo uma sugestão ao senhor comandante interino da PSP de Coimbra e ao senhor comandante dos Bombeiros Sapadores: no próximo dia 22, vai estrear o filme “O Capitão”, que trata precisamente da condição humana, no antes e depois, perante o deslumbramento de poder adquirido ao descobrir e vestir uma farda de capitão que se encontrou perdida. Ou, como se escrevia anteontem no Diário de Notícias, “Ou melhor: sobre o exercício do poder como sistema de gestão dos símbolos -será preciso lembrar que isso confere ao filme uma perturbante atualidade política?”.
Portanto, senhores responsáveis pelo comando destas pessoas que confundem função de servir com poder, sugiro que mandem estes profissionais ver o filme.

sábado, 17 de março de 2018

BAIXA: NÓS POR CÁ, BENZINHOS, GRAÇAS A DEUS!






Baixa de Coimbra, 15h00 de Sábado, 17 de Março, temperatura ambiental: 11 graus Celcius; precipitação: 45%; humidade: cerca de 90%: vento fraco de 8 km/hora.
A três dias da entrada em cena da Primavera, a temperatura social andará por volta dos 39 graus. Depois dos termómetros terem atingido 42, portanto com hipertermia febril, no início deste mês de Março -mês dos burros, que para aqui não conta nada porque estamos na cidade do conhecimento e gozamos de uma certa e determinada imunidade nacional- com o anúncio personalizado e em primeira mão, nas redes sociais, pelo meu amigo Miguel de Carvalho do encerramento da sua livraria com o mesmo nome, estamos a serenar e a recuperar a calma perdida. Quando tudo indicava acontecer o pior, com a auto-estima citadina a bater nas pedras da calçada pelo sentimento de tristeza ou perda e cairmos numa depressão colectiva, eis que, apesar do ribombar de alguns canhões com fogo cerrado sobre a inexistente cultura coimbrã, Graças a Nosso Senhor Jesus Cristo, a tendência calórica corporal é para baixar ainda mais.
Dizem as más línguas desta velha Baixa, desgraçada e mexeriqueira, que o Miguel de Carvalho, há cerca de vinte anos a operar na zona histórica, nunca se lhe tinha ouvido um queixume contra outros encerramentos similares e contínuos, de livrarias como a Coimbra Editora e a Casa Castelo ou estabelecimentos centenários como a Farmácia Nazareth. E mais, que só agora se apercebeu do que está acontecer, quando há duas semanas declarava ao jornal PÚBLICO: A ideia era obrigar as pessoas a largar os monitores dos computadores”, explica Miguel de Carvalho, “e felizmente até consegui, mas as políticas culturais de Coimbra confundem cultura com turismo e o público da cidade deixou de vir a um centro histórico que não tem nada a oferecer”. O “comércio de qualidade”, diz, “desapareceu da Baixa há cinco ou seis anos”, substituído “por lojas de artigos de cortiça e suposto artesanato”.
Dizem ainda estas almas viperinas -que eu detesto profundamente porque não sou nada assim- que foi quando o Miguel estava a ler o poema anti-nazi de Martin Niemöller que, de repente, bateu com a mão-aberta na fronte e exclamou: “Ai que estou fodido!”.
Ora, está de ver, isto não passa de uma calúnia grosseira de gente sem ética nem classe. Primeiro, porque o Miguel não era capaz de proclamar uma asneira daquela abrangência. Segundo, quem conhece o hino do pastor luterano alemão contra o genocídio hitleriano sabe bem que a gota não bate com a perdigota. O que é que tem a ver uma coisa com a outra? Nada! Se houver dúvidas, vamos recordar o discurso do Niemöller:

Primeiro levaram os comunistas,
Mas não falei, por não ser comunista.
Depois, perseguiram os judeus,
Nada disse então, por não ser judeu,
Em seguida, castigaram os sindicalistas
Decidi não falar, porque não sou sindicalista.
Mais tarde, foi a vez dos católicos,
Também me calei, por ser protestante.
Então, um dia, vieram buscar-me.
Nessa altura, já não restava nenhuma voz,
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.”

Tenho razão, ou não? Claro que tenho! Só gente mal-formada e abandalhada pode ler nas entrelinhas o que não existe, nem recorrendo ao silogismo aristotélico, quanto mais. Graças ao altíssimo que, no meio desta mediocridade comunitária, há sempre uma excepção, que, antes pelo contrário, não pretende confirmar a regra. Como já se viu, essa reserva (moral e de sabedoria) sou eu. E porque as coisas são o que são e não são o que julga, do alto do meu pedestal de importância afirmo aos sete ventos de andarilho o seguinte: com esta despedida ruidosa de bater com a porta, o Miguel fez mais pela recuperação da Baixa nestes 15 dias do que se fez nos últimos vinte anos.

GENTE INGRATA

Mas esta gentinha de má-fé não agradece nada. Deviam estar gratos à Lusa, a maior agência de notícias portuguesa, que difundiu a notícia por tudo quanto era órgão de comunicação social nacional escrita, com saliência para a peça do jornal i, assinada por Diogo Vaz Pinto, que ao longo de três páginas e mais uma de entrevista a Miguel de Carvalho perora sobre o fecho de três livrarias, uma em Lisboa, outra no Porto e outra ainda em Coimbra. Fica para a história o parágrafo: “Se as livrarias hoje só merecem atenção quando encostadas à parede de um obituário, o encerramento de mais três voltou a gerar muita comoção, mas o que faltou foi ir mais longe na leitura das pistas de um crime com muitos culpados”.
E na imprensa falada com destaque para o canal de televisão TVI.
Deviam agradecer a Carlos Fiolhais, físico e emérito professor universitário, quando, sem peias em apontar a Universidade, no PÚBLICO escreveu: “Coimbra tem o seu centro histórico — a Baixa — praticamente morto. Não só o turismo está quase todo canalizado para a Universidade, como a câmara municipal não tem investido na reabilitação urbana nem numa política cultural que leve as pessoas ao centro”.
Mas qual quê? Em vez deste pessoal frutica dar um abraço ao grande físico que, em metáfora, quase comparou o fecho da livraria à morte de Stephen Hawking, o físico e cosmólogo britânico recentemente falecido, como se dissesse: desaparece um ícone pop dos livros, como não havia desde o “Livreiro de Cabul”, foram para o bota-abaixo. Pegaram no que Fiolhais escreveu a seguir no jornal: “O declínio da Baixa tem sido gradual, mas acentuou-se dramaticamente nos últimos anos. Moro em Coimbra e, tal como os meus conterrâneos, é raro deslocar-me à Baixa por ser deprimente lá ir. Quem não acredite que faça um passeio como eu fiz no passado sábado de tarde, no qual só encontrei abertos dois ou três cafés (parei nesse oásis que ainda é o Santa Cruz) e duas ou três lojas de recordações (recordo-me delas pela negativa: como é possível que se venda tão atroz bugiganga?)”. 
Dizendo que aqui o professor se dispersou e escreveu o que não era bem assim, toca de lhe darem tesouradas na casaca. Está certo? Não, está errado!
Deviam dar beijinhos aos milhares de conimbricenses que, apesar de nos últimos anos pouco visitarem a Baixa, nas redes sociais, com palavras de alento e muita esperança no futuro, carpiram mágoas e lágrimas e lavaram a alma até à exaustão. Está certo um desagradecimento destes a tantas pessoas que, pelas manifestações de pesar, até quase entraram em depressão nos últimos dias?

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA SOBRE A CULTURA

A Cultura é feminina, todos sabemos. A ser mulher, estará entre o erudito e o popular. Sabemos também que, sobretudo neste mês de Março, a senhora Cultura está a ser muito maltratada, física e psicologicamente. É bem possível que o azedume já venha de longe, mas, com maior incidência, começou nas últimas semanas. O primeiro a desancar a senhora foi Miguel de Carvalho logo no dia primeiro deste Março aquando da entrevista à Lusa disse: “Casei com uma senhora chamada Cultura, em Coimbra, durante 20 anos, mas um cancro levou a senhora e eu agora vou enterrá-la e vou para outro sítio”.
Ó meu Deus! Isto é manifestação que se apresente para um viúvo recente? Se na morte todos passam a santos, porque razão Miguel não elogiou a senhora falecida?
Passada menos de meia dúzia de noites, rebenta o escândalo com o caso da directora da Direcção Regional da Cultura do Centro, Celeste Amaro, a enaltecer uma companhia de teatro profissional de Leiria por não “incomodar” a administração com pedidos de apoio. Segundo o Bloco de Esquerda, um insulto, uma alarvidade. E é verdade! A senhora Cultura deve ser poupada em tudo, até nas palavras. Isto é de uma gravidade... Ui! Ui! Imagine-se que, por exemplo, a representante do Governo na zona centro, telefonava ao presidente de uma entidade e lhe dizia mais ou menos isto: “tenha cuidado com as suas declarações! É que posso cortar-lhe o subsídio! Porte-se bem! Quem o avisa seu amigo é!”. Numa completa especulação, se acontecesse um caso destes de pura chantagem política em Coimbra, o que sucederia? Deveria ser a senhora Cultura imolada no pelourinho da Praça do Comércio, ou, numa tipicidade tão natural como a água, deveria fazer-se de conta que aquele telefonema nunca existiu?
Ainda só vamos a meio deste mês dos burros mas a violência sobre a senhora Cultura continua. Agora é o Partido Comunista Português que quer dar umas dentadas. Segundo o Campeão das Províncias online, “O PCP de Coimbra vai reunir-se com agentes culturais e com representantes do movimento associativo com o intuito de garantir “uma verdadeira política cultural” para o concelho. A iniciativa, que envolve autarcas da CDU, visa a definição e a criação de “uma verdadeira política cultural para o Município e de um regulamento que lhe dê corpo”, disse, em conferência de Imprensa, o vereador Francisco Queirós. Ao opinar que, por vezes, a vereadora Carina Gomes (eleita pelo PS) “parece viver num mundo à parte”, o autarca comunista lamentou “medidas avulsas” e considerou que a política cultural da Câmara conimbricense “limita-se à atribuição de apoios directos” mediante “critérios de ponderação desadequados à realidade do concelho e pouco transparentes”. (Continue a ler aqui)
Agora de onde nunca se esperou tal coisa, mais uma amostra de uma completa ingratidão. Como se podem fazer afirmações destas? Nossa Senhora da Cultura nos valha, que este mundo, ou melhor, Coimbra, está completamente nos caminhos da perdição.

BOAS NOTÍCIAS

Para que não se pense que aqui, neste blogue pardieiro que poucos gramam mas milhares lêem, só se escrevem notícias tristes, temos de informar que a Baixa está francamente a melhorar. Depois de terem encerrado 6 lojas em Janeiro, tudo indica que estamos no bom caminho. Em Fevereiro, no mês passado, não fechou nenhuma. E neste Março, até agora, já “somente” fecharam três. Para o fim do mês está anunciada outra -a de Miguel de Carvalho. Para Abril está anunciada uma. E para Maio outra. A Baixa está ou não está a melhorar?