terça-feira, 27 de março de 2012

RIAM, MACAQUINHOS, RIAM...



 Segundo os jornais diários de hoje, nomeadamente o Diário de Coimbra (DC), este, titula: “Maioria deixa o seu vereador da Educação a votar sozinho.”
Continuando a ler a notícia em desenvolvimento, “O futuro de João Orvalho na Câmara Municipal de Coimbra será hoje conhecido, depois de o vereador da Educação ter sido, ontem, na reunião quinzenal do executivo camarário, o único a votar favoravelmente uma proposta por si apresentada para libertar a Gertal, empresa responsável pelo fornecimento das refeições escolares para os jardins-de-infância e as escolas do 1º ciclo do ensino básico do concelho de Coimbra durante o ano lectivo 2011/2012, do cumprimento de uma obrigação contratual.”
Embora aqui faça apenas uma transcrição do texto do Diário de Coimbra, mas se lermos a notícia completa ficamos confusos. Ela não é clara. No que apreendi, ao que parece, a Gertal, por vínculo contratual, estava obrigada a recolher as quantias pagas pelas refeições dos alunos e efectuadas pelos encarregados de educação. Acontece que este recebimento estava a ser feito pelos serviços do município –estou a seguir o raciocínio que extraí do DC. Segundo o jornal, ontem o vereador responsável pelas finanças da autarquia levou uma proposta à reunião do executivo para que, de facto e de direito, passasse a ser a edilidade a receber estas verbas dos pais dos alunos e, com isso, libertar a Gertal desse compromisso, que, na prática, já não estava a fazer. Vamos respirar fundo e ver se percebemos isto até aqui. Percebemos?
Vamos recapitular. Se eu percebi bem, João Orvalho queria inverter uma situação. Ou seja, transformar uma premissa contratual de direito obrigacional que, de facto, não estava a ser cumprida. Se não estava a ser efectivada em cumprimento, porque certamente dará mais jeito aos pais dos alunos irem pagar à Câmara –não sei, presumo-, fará sentido alterar o contratualizado, ou não? Eu sou um bocado lerdo, mas, se for como estou a tentar compreender, fará sentido, sim. Porque, vamos lá ver, quando se faz um contrato, bilateral ou multilateral, está sempre sujeito a alteracções de circunstâncias. De tal modo isto é normal que o Código Civil, no artigo 437º prevê essa situação. Vamos outra vez respirar fundo para fazer um balanço. Se este caso é perfeitamente admissível e facilmente ultrapassável, como entender que os próprios correligionários deste vereador todos votassem contra?
Vamos continuar. Agora para trás. Recuemos. Até há menos de um ano as refeições dos alunos eram confeccionadas por IPSS's e, segundo se consta, custavam à edilidade mais do dobro do que custam actualmente. Mais ainda, segundo parece, estas instituições para além de não estarem vocacionadas para servir refeições escolares, por lei também não poderiam continuar a fazê-lo –é o que se consta. Este vereador, naturalmente com o apoio dos seus colegas da Coligação, abriu um concurso internacional para que fosse uma empresa a servir as refeições. Ganhou a Gertal, apresentando um preço de menos de 2 euros por aluno. Fez bem ou não? Acho que fez a sua obrigação. O interesse público deve prevalecer acima dos particulares.
A partir do momento em que esta empresa entra nas refeições escolares da autarquia, o vereador João Orvalho nunca mais teve descanso. Porque seria?
Em meados do mês passado estive numa reunião do executivo aberto ao público. Antes da minha intervenção falaram vários pais de várias escolas de Coimbra. Do meu cantinho fui apreciando a forma de protesto concertado e com recurso a “Power Point” e fui vendo quase este vereador ser fuzilado verbalmente. Constatei que por parte dos seus pares não teve muito apoio. Estes pais não teriam razão? Isso não sei. É mais que certo terem a sua razão. O que achei é que havia ali um desmesurado exagero na argumentação. Não podemos esquecer que estamos num tempo em que há crianças a passar fome. Ora ali, constatei, discutia-se, afincadamente, a qualidade da comida. Não quer dizer que não se deva, mas neste tempo de carência, pôr em causa o que se recebe gratuitamente ou a um preço muito baixo, parece-me, há qualquer coisa que não liga –é mais que certo ser pelo facto de eu dar valor a toda a comida que coloco no prato, porque já muitas vezes, em criança e na adolescência, depois de comer fiquei com fome, e não havia mais. Em resumo, o que inferi ali, naquela reunião camarária é que toda a artilharia pesada estava apontada a este eleito.

O QUE É QUE SE PASSA COM A COLIGAÇÃO? NÃO ENXERGA?

 Se neste caso de ontem nada há a dizer pela argumentação da oposição, esta desempenhou o seu papel institucional, já a execução da coligação, ontem, cria-me a maior interrogação. Será que, tirando o tapete ao seu melhor vereador –para mim, obviamente, comparando com os restantes, João Orvalho, pela sua forma inovadora e descentralizada, é a frescura dentro do executivo- não vêem que estão a dar um tiro no pé? É preciso não esquecer que estamos a um ano das eleições autárquicas. Por outro lado, dá para ver que Barbosa de Melo, perante o jogo de interesses que constituem os núcleos duros dos partidos, não reúne consenso como candidato à Câmara de Coimbra –bastou ler a entrevista de Canavarro há umas semanas no DC para ver que Paulo Júlio é que cai nas boas graças de uma certa corrente no PSD. Ora, lendo nas entrelinhas disto tudo, eu que sou um bocado burro e não percebo nada de política, interrogo: será que esta gente com assento “para lamentar” estão a dormir? Ou seja, em vez de mostrarem aos munícipes de Coimbra que estão unidos e querem o melhor para a cidade espingardeiam o seu “Ás de trunfo”?
É curioso que não deixo de fazer comparações entre, Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, no Governo, e João Orvalho, no executivo conimbricense. Se repararmos bem serão mais as analogias do que as diferenças que os separam.
Enfim, o gravíssimo é que perdemos todos. Passamos a vida a procurar os competentes e que tragam algo de novo para a política, mas quando aparecem são crucificados na cruz sem dó nem piedade. Haja Deus!


segunda-feira, 26 de março de 2012

"ALFREDO, APETECE-ME ALGO DIFERENTE..."

RECUPERAR A BAIXA SEM SABER O QUE SE QUER (2)

 



 Segundo o Diário as Beiras de hoje, em título na página 5, “Praça Velha recebe festa académica”.  Em continuação da notícia, “No próximo dia 29 de março, a Praça Velha (Praça do Comércio) acolhe a Festa dos Polos 1, II e III da Universidade de Coimbra. A proposta vai hoje à reunião do executivo e prevê que nessa noite a praça central da Baixa da cidade seja invadida de milhares de alunos do ensino superior. No palco, junto à Igreja de São Tiago, será colocado um palco por onde passarão durante toda a noite dj’s e tunas académicas. Esta iniciativa conta com o apoio da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra e é vista “como muito importante para a dinamização desta zona, chamando novos públicos a estarem presentes e a vivificarem o centro histórico”.

Porque escrevi este texto e só posteriormente ouvi estas duas partes importantes neste processo, entendo que devo colocar as suas declarações novamente em relevo:

E O QUE DIZ, SOBRE ISTO, ARMINDO GASPAR?

   Ao meu pedido de comentário, Armindo Gaspar, presidente da APBC, respondeu o seguinte:
“A BE COIMBRA, enquanto associado da APBC, pediu-nos para solicitarmos junto da autarquia o pedido de licenciamento com isenção de taxas –saliento que este procedimento é extensível a todos os associados da agência. Ou seja, qualquer um nosso representado que pretenda um licenciamento junto da edilidade, nós, enquanto parceiros no pacto social da APBC, encaminhamos o processo e pedimos a isenção de taxas para a ocupação de espaço público.
Perante a solicitação da BE Coimbra, a direcção da APBC, a que presido, disse que submetia à Câmara o pedido de licenciamento, mas não o apoiava directamente. A única coisa que fizemos foi canalizar para a autarquia um pedido de um nosso associado.
A interpretação do acto declarativo feito pelo Diário as Beiras é da inteira responsabilidade do jornal.

E O QUE DIZ O BE COIMBRA

  Segundo Miguel Matias, mentor e representante da empresa BE Coimbra, “não consigo entender esta polémica. O que pedimos à Câmara, através da APBC, foi um licenciamento até às 02h00 da manhã, o que, no nosso entender, é uma hora aceitável para limitar o barulho e o natural respeito que todos os moradores nos merecem –até porque nós, enquanto detentores de um “Hostel” na Praça do Comércio, somos os mais interessados em manter uma certa harmonia e um respeitável silêncio para que os nossos hóspedes, estudantes, possam descansar.
Não percebo como é que o Diário as Beiras lança esta notícia sem nos ouvir, ou essencialmente, no mínimo, a APBC, uma vez que esta entidade é focada no texto do jornal.”

UM COMENTÁRIO RECEBIDO... SOBRE...

 


Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "RECUPERAR A BAIXA SEM SABER O QUE SE QUER":


 Como sabe, amigo Luís, sou a favor da vinda de estudantes universitários para a Baixa.
Mas daí até a selvajaria da última vez que assentaram arraiais nesta zona velha é outra questão.
Que venham festejar sim, mas no máximo até às duas da manhã. Após esta hora já não pode existir barulho e devem deixar tudinho limpo.
Em relação à APBC tenho a dizer unicamente: vai ser uma nova ACIC, Associação Comercial e Industrial de Coimbra, por este andar, ou seja, com fim à vista. 

VAMOS LÁ COLABORAR COM OS BOMBEIROS, CARAGO!

 



Caros Sócios e Amigos,

 Tendo em vista avançar com o processo de organização da Feira do Bota Abaixo venho propor, a todos os interessados em colaborarem na sua realização, uma reunião no próximo dia 29 de Março (Quinta-feira), pelas 18 horas, na sede desta Associação - Av. Fernão de Magalhães, 179.

Era muito importante conseguir um grupo alargado de voluntários para podermos, com um esforço repartido, garantir o sucesso e a continuidade deste evento.

Muitos dizem que é uma boa ideia e uma boa iniciativa. Ajudem-nos a comprová-lo! Apenas se pede um pouco de tempo e de boa vontade. Obrigado!

Com os melhores cumprimentos
--
João Silva
Presidente da Direcção
 

RECUPERAR A BAIXA SEM SABER O QUE SE QUER (1)

 



 Segundo o Diário as Beiras de hoje, em título na página 5, “Praça Velha recebe festa académica”.  Em continuação da notícia, “No próximo dia 29 de março, a Praça Velha (Praça do Comércio) acolhe a Festa dos Polos 1, II e III da Universidade de Coimbra. A proposta vai hoje à reunião do executivo e prevê que nessa noite a praça central da Baixa da cidade seja invadida de milhares de alunos do ensino superior. No palco, junto à Igreja de São Tiago, será colocado um palco por onde passarão durante toda a noite dj’s e tunas académicas. Esta iniciativa conta com o apoio da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra e é vista “como muito importante para a dinamização desta zona, chamando novos públicos a estarem presentes e a vivificarem o centro histórico”.

 Vamos por partes, no ano passado, mais precisamente na noite de 28 Setembro, realizou-se nesta mesma praça a “Noite dos Horários” e promovida pelo Núcleo dos Estudantes de Economia da Associação Académica de Coimbra.  Pretensamente licenciado até às 04h00, o evento, segundo moradores que ouvi na altura, manteve-se até às 05h00 com um barulho infernal e, por isso mesmo, motivou uma onda de grande indignação, incluindo alguns hoteleiros, que não viram com bons olhos este tipo de concorrência que só interessa aos promotores.
Ora, tendo em conta que os protestos de quem aqui mora teriam chegado à autarquia, pergunta-se como é possível que este ano, para além de manter a alegoria, ainda a prolongam toda a noite –isto se o projecto for aprovado na reunião de hoje do executivo municipal.

O QUE QUER A CÂMARA FAZER DA BAIXA?

 Perante esta inopinada atitude da edilidade –volto a repetir que vai à discussão hoje-, se for dado provimento, indica claramente que o executivo camarário não tem um plano de pormenor para esta zona velha e não sabe o que fazer dela.
É de ver que qualquer evento que se realize aqui nunca poderá exceder as 02h00. É preciso não esquecer que os direitos dos moradores, em paridade, devem merecer o mesmo peso de qualquer promotor, seja ele uma associação de estudantes, seja a Universidade, seja outro qualquer – a menos que o executivo queira fazer da Baixa uma terra de barulhos infernais e sem ninguém a morar aqui. É isso que quer? Então faça o favor de licenciar. No futuro, se continuar a assobiar para o lado, é de prever, nem haverá comerciantes, nem hoteleiros, nem residentes. Haverá apenas um território inóspito, desertificado, onde prevalecerão os toxicodependentes, com prédios e lojas vazias.

AS FRASES FEITAS DO COSTUME

 Quem anda por aqui há muitos anos, facilmente vê que por detrás destes eventos destruidores de uma necessária e sã harmonia entre moradores e empresários estão lóbis de interesse. Não vou referi-los porque são facilmente adivinháveis no contexto. O que estes grupos pretendem é somente o lucro e nada mais. Estão a marimbar-se para o que se passa aqui. A verdadeira vivência da Baixa nunca lhes interessou. Curiosamente, como sempre, empregam o tal chavão estafado de “revivificar a Baixa”. Por amor de Deus inventem outra frase. Esta está gasta e já não cola.
O executivo tem obrigação de não ceder, de uma forma infantil, a estes lóbis, foi para isso que foram eleitos. A edilidade tem de ver mais longe do que simplesmente está à frente. Acima de tudo, se não sabe, antes de decidir, fale com comerciantes e residentes. Não arruíne o capital de esperança que ainda nos move a todos.

TAMBÉM TU, APBC?

 No ano passado, numa boa atitude preventiva, antevendo problemas com os moradores, a APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, não se envolveu no projecto. Este ano, numa decisão que só se entende à luz de uma certa pressão e conluio com os interessados, esta agência vem a apoiar esta festa de álcool. Triste decisão, digo eu, que só pode ser entendida no sentido de que também esta associação anda à deriva e não sabe o que fazer.




AS DECLARAÇÕES SEGUINTES, MAIS ABAIXO, FORAM CONSEGUIDAS E ESCRITAS POSTERIORMENTE A ESTE TEXTO. 




E O QUE DIZ, SOBRE ISTO, ARMINDO GASPAR?


 Ao meu pedido de comentário, Armindo Gaspar, presidente da APBC, respondeu o seguinte:
“A BE COIMBRA, enquanto associado da APBC, pediu-nos para solicitarmos junto da autarquia o pedido de licenciamento com isenção de taxas –saliento que este procedimento é extensível a todos os associados da agência. Ou seja, qualquer um nosso representado que pretenda um licenciamento junto da edilidade, nós, enquanto parceiros no pacto social da APBC, encaminhamos o processo e pedimos a isenção de taxas para a ocupação de espaço público.
Perante a solicitação da BE Coimbra, a direcção da APBC, a que presido, disse que submetia à Câmara o pedido de licenciamento, mas não o apoiava directamente. A única coisa que fizemos foi canalizar para a autarquia um pedido de um nosso associado.
A interpretação do acto declarativo feito pelo Diário as Beiras é da inteira responsabilidade do jornal.



E O QUE DIZ O BE COIMBRA

 Segundo Miguel Matias, mentor e representante da empresa BE Coimbra, “não consigo entender esta polémica. O que pedimos à Câmara, através da APBC, foi um licenciamento até às 02h00 da manhã, o que, no nosso entender, é uma hora aceitável para limitar o barulho e o natural respeito que todos os moradores nos merecem –até porque nós, enquanto detentores de um “Hostel” na Praça do Comércio, somos os mais interessados em manter uma certa harmonia e um respeitável silêncio para que os nossos hóspedes, estudantes, possam descansar.
Não percebo como é que o Diário as Beiras lança esta notícia sem nos ouvir, ou essencialmente, no mínimo, a APBC, uma vez que esta entidade é focada no texto do jornal.”



(TEXTO ENVIADO À CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA)


sábado, 24 de março de 2012

MUDA TUDO... ATÉ A HORA...

 
(IMAGEM DA WEB)



 Ao que parece, logo à noite, vamos, todos, adiantar os ponteiros do relógio para uma hora à frente –a chamada hora de Verão.  Será que valerá a pena cumprir esta tradição anualmente? Ou seja, os proventos serão de tal importância que valham o desarranjo que esta alteração nos provoca no ritmo biológico? O facto de passar a amanhecer mais cedo, e com o facto de não haver desfasamento na luz solar, justifica o alterar a rotina dos marcadores e controladores do nosso tempo?

“Em conformidade com a legislação, a hora legal em Portugal continental:
  • será adiantada de 60 minutos à 1 hora de tempo legal (1 hora UTC) do dia 25 de Março e atrasada de 60 minutos às 2 horas de tempo legal (1 hora UTC) do dia 28 de Outubro.” –retirado da página do Observatório Astronómico de Lisboa

Confesso que gostava de escrever sobre este tema algo sério, mas não sei se sou capaz. É que este costume começa por me dar uma tremenda vontade de rir –lá para o fim do texto dá vontade de chorar.
Não é por nada, mas alguém apresentou um estudo científico a provar a mais-valia para a economia deste dogma? Ao que me parece “tudo começou com Benjamin Franklin, o político e inventor do para-raios e das lentes bifocais. Em 1784, num artigo publicado num jornal francês, Franklin sugeria que a França adiantasse uma hora no Verão, alegando que Paris poderia poupar anualmente 32 mil toneladas de cera de vela. Só mais de um século depois é que a sugestão seria tida em conta, no contexto da Primeira Guerra Mundial, para economizar energia” –retirado de aqui.
O facto de amanhecer mais cedo e anoitecer mais tarde, à hora da ceia, legitima tudo isto? É que esta convenção, embora provisoriamente, começou em 1992, com o governo de Cavaco Silva, e definitivamente com o Decreto-lei nº 17, em 8 de Março, de 1996, e dando cumprimento a uma directiva europeia. E aqui faço logo a primeira pergunta estúpida: se com esta mudança se enriqueceu a economia, como é que, passados 20 anos, estamos mais pobres do que anteriormente?
Como duvido sempre dos axiomas, as tais verdades sem contestação, ainda faço outra interrogação sem pés nem cabeça: como é que sem esta tão iluminada medida viveram os nossos pais? E mesmo alguns de nós, em crianças?
Será que neste afã do homem querer controlar tudo, até a luz solar, nos tornou mais felizes? Com a desculpa do aproveitar o máximo de luz, enquanto fonte de energia bio-rítmica, nos dias que correm haverá menos solidão, menos depressão, menos suicídio, isto comparando com épocas recuadas?
O curioso é que nesta tentativa vã de apanhar o tempo ficámos sem tempo para olhar as estrelas, a Lua, o magnífico nascer do Sol no horizonte, a leste, o extraordinário Pôr-do-sol, o crepúsculo, e toda a manifestação de uma Natureza viva e magnificente.
Perdemos hábitos de leitura, de escrita, de falar com o vizinho, de uma introspectiva contemplação do mundo à nossa volta.
Vivemos o tempo da necrologia, que é o olhar a página dos jornais diários a ver quem dos nossos amigos morreu –ou, especulando um pouco, para vermos se a nossa foto lá está, porque, bem no fundo, já nem os jornais se lêem como antigamente. É tudo a correr. "Não temos tempo", dizemos todos em coro. Os dias, as semanas, os meses, os anos, todos são iguais e passam num ápice. Quando damos por nós, olhamos o espelho e já não reconhecemos a imagem que nos aparece reflectida. Parece de alguém muito chegado, mas só isso.
Agora querem até mudar a ortografia –estou a escrever e, volta e meia, lá me surge o sublinhado vermelho a indicar erro, ou seja, o computador a querer controlar a minha vontade. Fosca-se para estas mudanças. Porque é que não inventam uma máquina do tempo, onde, em turismo, pudéssemos ir fazer umas férias de longo curso?
Valeu a pena mudar a hora?