terça-feira, 15 de outubro de 2013

A RUA DO VOLTA ATRÁS



 Durante a tarde do último sábado começaram a ser montados andaimes para restauro da fachada de um prédio, onde funcionou, durante décadas, uma das várias lojas Valise, na Rua Eduardo Coelho e à entrada da Rua das Padeiras. Salienta-se que a largura desta artéria é de cerca de dois metros e meio. A estrutura de ferro ocupou sensivelmente metade da via pedonal estreita. Convém salientar também que, pelo conhecimento que se tem, até agora e sempre que era necessário edificar estes pontos de apoio, era recorrente o requerente erguer uma plataforma em madeira assente em quatro barrotes, de modo a ficar um túnel e o acesso aos prédios e lojas confinantes não ser lesado. Os andaimes eram erguidos em cima do madeiramento e a partir do primeiro andar. Com esta medida, procurava-se criar o menos impacto visual negativo nos estabelecimentos para não prejudicar ninguém.
Francisco Veiga, reputado comerciante na antiga Rua dos Sapateiros e com loja de pronto-a-vestir quase em frente a estas obras, não se conforma. “Bolas, eu não gosto de empatar a vida a ninguém, mas exijo que haja um mínimo de respeito pelos meus interesses e, neste caso, também a salvaguarda dos meus colegas. Até agora, nestas passagens estranguladas, estas estruturas sempre foram edificadas em cima de uma outra em madeira. Por que razão a Câmara Municipal autorizou desta forma? Está de ver que, como está, está mal! Prejudica a circulação na rua, que por si só já é apertada. Fica mais estreita, dificultando a passagem de peões, e, acima de tudo pela visão mastodôntica, gera uma sensação de medo. As pessoas que vêm da Praça 8 de Maio chegam aqui e, perante a imagem, cortam imediatamente para a Rua das Padeiras. Se até aqui já havia poucos transeuntes agora ficamos muito pior. Eles, os pedreiros, dizem que têm licença. Não contesto a sua acção. Nada me move contra estas pessoas, antes pelo contrário. Até os admiro por estarem a fazer obras nesta altura. O que contesto é o licenciamento por parte da edilidade. Parece que quem cá está não conta, não tem interesses e uma vida difícil para aguentar. Além disso, aqui sempre passou um carro do lixo agora já não dá. Se houver um fogo, ou se for preciso uma ambulância, os carros não podem passar. Numa obra, por muito necessária que seja, tem sempre de haver o cuidado de harmonizar os interesses de todos os envolvidos. Os fins não podem ser atingidos por quaisquer meios.”
A loja Belíssima está mesmo em frente ao tapume. Rosa Maria, a lojista, um pouco conformada, lá vai dizendo: “prejudica muito. Tira a visibilidade e as pessoas deixam de passar por aqui e cortam para a Rua das Padeiras. Bem sei que temos, todos, de ter calma, mas as obras não podem ser feitas de qualquer maneira. O aspecto visual da rua é muito importante. Quem vem de Santa Cruz chega aqui, vê este monstro, e, como se imaginasse uma placa de stop, vira para a direita. Isto é mais um agravo, sobretudo numa altura em que precisamos de ajuda. Para além disso estorva a circulação. Por exemplo, ainda ontem reparei que um homem teve de transportar às costas uma série de encomendas.”

E O QUE DIZ O RESPONSÁVEL?

Contactei o responsável pela obra. Depois de me identificar como colaborador do jornal O Despertar e procurando ouvir a sua versão, dando-lhe nota do descontentamento que a montagem desta estrutura em ferro estava a provocar nos lojistas vizinhos, sem disfarçar alguma má vontade, a mostrar que o problema reside no mensageiro, porque divulga os queixumes, este é que deve apanhar por tabela. Sem dar o nome e mostrando algum azedume, lá foi dizendo: “Temos licença passada pela Câmara Municipal”. À pergunta de durante quanto tempo iria estar a rua impedida respondeu: “Não se sabe quando termina. Depende do tempo. Vá lá à Câmara e pergunte. Ou então fale com Santo António ou São Pedro e eles lhe dizem!”


1 comentário:

jorge neves disse...

Tenho muitas duvidas se estes andaimes estão normalizados e legais.
Já sairam de uso este tipo de andaimes e mais deviam ser colocados de uma lateral à outra da rua para deixar passar as pessoas por baixo.
Se a CMC autorizou fez mal e deve fiscalizar.
Jorge Neves