segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A APBC REUNIU E CHOVEU NO MOLHADO (3)





Na última quinta-feira, da semana passada, a APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, tocou a reunir os empresários da Baixa e cerca de uma trintena respondeu à chamada. Como já escrevi foi chover no molhado. Como quem diz, se fosse possível rebobinar os filmes dos encontros da última década veríamos que as reivindicações são sempre iguais. É mesmo chover no molhado! Os directores da agência, salvo pequenas diferenças de programação –como desta vez que apresentaram, para este ano, um inovador festival de música para novos talentos, à imagem dos concursos televisivos- apresentam repetidamente as marchas populares como o habitual caso de sucesso e num discurso contundente, de voz grossa e barbuda, perante os comerciantes, mostram a mesma posição musculada perante a Câmara Municipal de Coimbra.
Na mesma proporcionalidade, durante o tempo da discussão, como se fossem bonecos mecânicos com a corda toda, os empresários, num acutilante desfolhar de discurso gasto pelo tempo, malham e voltam a malhar na autarquia e, se preciso for, até acusam o executivo municipal de comer meninas ao pequeno-almoço. Passadas as cerca de duas horas do bate-boca, uns e outros, directores da entidade e empresários, calmamente e na paz de Deus por terem cooperado, dão por encerrada a sua participação comunitária e vão à sua vida. Como caracol que se encolhe na casca, recolhem ao seu abrigo e, durante um ano, haja o que houver, e nem que sejam pulverizados com chuva de aço pela edilidade, nunca darão um grito –e muito menos um pio- de revolta contra o agressor malandro e insensível aos problemas alheios.
O desenvolvimento dos personagens presentes nestes encontros, talvez sem se aperceberem, faz deles actores de uma peça teatral sem grande ensaio mas bem-sucedida. Num espectáculo cénico, umas vezes burlesco outra dramática, cada um, dando tudo o que tem para mostrar que é activo, está atento, tem soluções, queixa-se de estar a ser prejudicado. Contorcendo-se e procurando frases rebuscadas, faz o melhor para parecer bem no papel que lhe coube na sua performance. Então se a assistência bate palmas, ui, ui, é um verdadeiro orgasmo mental para o orador.
Vamos então ver as reivindicações que atravessaram a última década e continuam na moda. Como num muro de lamentações e, sem o tempo a fazer mossa, aqui está a dialéctica do bom povo que lavra no rio:

- A Polícia Municipal continua a malhar no pessoal do comércio. Mas esquece-se de actuar na Praça do Comércio e, perante a rebelião surda de São Tiago, deixa transformar aquele vetusto largo em estacionamento à borliú.
- A falta de estacionamento, sobretudo barato ou gratuito.
- A discriminação que a Baixa sofre pela comunicação social ao ser tema de notícia por um simples assalto a um açougue. Em contrário, a ladroagem que actua nas grandes superfícies nunca  é tema na imprensa local.
- A fealdade endémica de muitas lojas, que não se modernizam e continuam com as mesmas caras de pau à sua frente.
- A falta de iluminação pública, com os candeeiros de rua a concorrerem para um filme de terror.
- Os chineses que, na economia local e nacional, comem tudo com apenas dois pauzinhos.
- As montras apagadas durante a noite.
- A constante realização de eventos nas ruas largas e o esquecimento deliberado das ruas estreitas.
- A paupérrima iluminação de Natal proporcionada pela Câmara Municipal.
- O abuso continuado de alguns comerciantes em ocuparem o seu espaço na via pública e o do vizinho e obstaculizarem a carga e descarga e até a passagem de um carro de bombeiros.
- A autarquia é mais papista que o Papa e papa tudo em taxas e emolumentos. Assim a continuar, especulando, vai obrigar os velhinhos a pagar pela ocupação dos bancos de jardim.
É urgente a isenção de pagamento de taxas de publicidade nos estabelecimentos, de toldos e ocupação de via pública com pequenos vasos que alindem as fachadas das lojas e prédios.
- A falta de limpeza pública durante o dia na Baixa e a aviltante carência de formação de quem cá reside e que coloca o lixo a todas as horas.
- As Noites Brancas, como nevoeiro em manhã de Agosto, não fazem sentido –a não ser para a hotelaria. O visitante vem à festa como se fosse à romaria de São Brás. Vem nesse dia e só retorna quando houver mais festa em honra do santo padroeiro.
- É preciso fazer alguma coisa para atrair pessoas à Baixa, nem que seja oferecida uma verba pecuniária a cada cliente.
- É preciso revitalizar o arrendamento barato e trazer moradores para a zona histórica.
necessário alargar os horários para além das 19h00. Sobretudo a partir da Primavera os estabelecimentos devem estar abertos até mais tarde e inclusive ao Domingo. É a única forma de certo modo combater as grandes superfícies.

E pronto! Do que foi escrito, está tudo dito. Falta apenas fazer uma referência à empresa FOCUS que no final, a correr e por falta de tempo, apresentou sumariamente o Programa Comunitário de Apoio “COMPETE 2020”. Trata-se de incentivos para dinamizar o comércio e o turismo, que, cobrindo 90 por cento das despesas elegíveis, podem ir até à elaboração de um diagnóstico e plano de acção para cada empresa.

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