quinta-feira, 4 de março de 2021

MEALHADA: UMA ANDORINHA CONTOU-ME…

 





Chegou ontem a Barrô um grupo de andorinhas vindas do Norte de África. Como é costume todos os anos, antes de voltarem todas de vez na Primavera, este bando de pássaros batedores vem à frente para saber como se encontram os ninhos construídos no ano anterior nos beirais, para tomarem o pulso à segurança interna da região e a tensão arterial à política partidária da zona.

Uma delas é minha conhecida e fez questão de me vir logo cumprimentar. Vinha estafadinha, coitadinha. À laia de felicitação rápida, atirou: “foram milhares de quilómetros sempre a voar. Só parámos na Mealhada para comermos uma sandocha de leitão. Ui, que saudades que eu tinha, meu amigo. Foi lá que eu soube de novidades… mas amanhã prometo contar-lhe.

Tenho de confessar que não liguei mais ao assunto. Não é por nada, mas por vezes a minha amiga andorinha dá-lhe para inventar umas fofocas que não cabem nem na cabeça do menino Jesus. Já não é a primeira vez que isso acontece.

Mas hoje, depois do almoço, cá estava presente na minha varanda pronta a despejar o saco das novidades.

Para não se pensar que sou eu que estou a inventar, vou colocá-la a falar na primeira pessoa. Vou ligar o gravador:

O amigo sabia que a política partidária na Mealhada anda toda em polvorosa?

Sabia que, pelos vistos, ofereceram o lugar de vice-presidente da CCDRC, Comissão de Coordenação e desenvolvimento da Região Centro, a Rui Marqueiro? Como se sabe, o posto, até há cerca de um mês, foi ocupado por Jorge de Brito e que, manifestando descontentamento, regressou à CIM, Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, onde era secretário executivo.

A questão em cima da mesa é que a vacatura deixada por Jorge de Brito tem de ser homologada, através de eleição, pela maioria dos presidentes de Câmara pertencentes à CIM. Ou seja, se Marqueiro for aprovado, num momento em que o futuro se apresenta complicado, sobretudo por uma queixa a decorrer no Ministério Público por prevaricação, é a melhor altura para sair de vez da Câmara Municipal da Mealhada. Marqueiro, com 69 anos, demonstra algum notório cansaço e declaradamente farto de levar pancada e punhalada pelas costas, até provindas de gente que lhe jurou fidelidade.

E, pelos vistos, ninguém lhe leva a mal. Muitos dos seus prosélitos, com lencinhos brancos a serem agitados no ar, abrem-lhe a porta e a oposição em bloco, desde a direita à esquerda, à espera de uma oportunidade, batem palmas.

Mas há mais, meu amigo… Fique a saber que o antigo vereador e presidente da Fundação Mata do Buçaco, Fernando Jorge Franco, está a juntar tropas para avançar e conquistar a autarquia mealhadense. E nada o demove, até porque os apoios, sobretudo dos socialistas descontentes, são mais que muitos.

Se Marqueiro for ratificado para vice da CCDRC, Franco será o cabeça de cartaz dos socialistas. Se a coisa correr mal lá na Comissão e Marqueiro teimar em concorrer à edilidade, Jorge Franco pode avançar à frente de um movimento de cidadãos. Ao que parece, a concelhia socialista, reconhecendo mérito ao novo anunciado, esta semana, até já o baptizou com o ungido de sagração de bom candidato, está com os olhos em Deus a orar para que o processo corra bem a Marqueiro.”

Agora sou a eu a falar. Esta andorinha é completamente marada, não acham?


MEALHADA: O FUTURO DOS MUNICÍPIOS APÓS A PANDEMIA

(Imagem do Jornal da Bairrada)




O debate, “O futuro dos municípios após a pandemia”, patrocinado pela Câmara Municipal da Mealhada, foi realizado ontem, 3 de Fevereiro, no Teatro Messias. Sem assistência de público e com transmissão directa via Internet, estavam em palco os presidentes das Câmaras, Municipal de Lisboa, Fernando Medina, Municipal do Porto, Rui Moreira, e Municipal da Mealhada, Rui Marqueiro. A moderação foi entregue a Fátima Campos Ferreira, jornalista da RTP e responsável pelo programa Prós e Contras, enterrado, há cerca de três meses, no cemitério mediático em mausoléu dourado com dezanove anos de holofotes, com gosto e a contra-gosto.

O tema, em torno do PRR, Plano de recuperação e de Resiliência, e da chamada Bazuca em que se apontam para cerca de 60 mil milhões de euros vindos da Europa, ao longo dos próximos cinco anos, para recuperar Portugal, sendo de grande actualidade e passível de preocupação social, tinha tudo para correr bem. Mas, como em tudo na vida, como no ditado popular, onde se coloca toda a maior esperança é onde reside a probabilidade de maior desilusão. E o aforismo concretizou-se.

Marcado para as 20h00, começou dez minutos depois, nada de maior, pensei para com meus botões, é o velho e caduco costume académico a chegar à Mealhada. Não deveria ser, tentei argumentar em solilóquio, afinal, em pequenas manifestações de vontade, até há sinais da cidade do leitão, a minha sede de concelho, querer liderar o presente em direcção ao futuro.

E tomei nota do segundo percalço. A minha diva vinda Lisboa, envolvida na plumagem de estrela, Fátima Campos Ferreira, a abrir o evento, deu a palavra a Fernando Medina, presidente da edilidade lisbonense, quando, por responsabilidade anfitriã, deveria ter atribuído a recepção laudatória a Rui Marqueiro.

Porra, Porra! Isto parece fadado para não correr bem. Pode ser que não, contemporizei a minha ansiedade.

Foi então que, progressivamente, me comecei a aperceber que o jogo, apresentado para ser a três, afinal, era só a dois. Como num jogo de pingue-pongue, Fátima, como um árbitro viciado, ora passava a bola a Medina ora a Moreira. E os dois ases da política nacional não se fizeram rogados. E falaram, falaram. E voltaram a falar dos seus imensos problemas em lidar com as leis urbanísticas. Moreira foi ao ponto de insultar - ou pelo menos foi deselegante - os cidadãos que, com razão ou sem ela criticam o poder autárquico. Ou seja, uma discussão que deveria incidir essencialmente nas consequências sociais e económicas sobre os munícipes, sobre as pessoas nos próximos cinco anos, o diálogo tornou-se em algo fastidioso e intragável onde ressaltava a política pura e dura dos dois tubarões, mais interessados em espalhar charme e demagogia, como se já estivessem em campanha eleitoral.

Foi patético assistir ao que se passou no magnífico Teatro Messias. As imagens chegaram a mostrar Rui Marqueiro a roer as unhas, certamente não seria de alegria.

Mas umas perguntas emergem: por que não levantou o dedo em riste à apresentadora e reivindicou a defesa do seu lugar? Ou, por exemplo, nas cerca de três vezes que teve a palavra, poderia ter prolongado a dissertação e tentado capitalizar o seu envolvimento, por que não o fez? Goste-se ou não da forma política como se apresenta o actual presidente da Câmara Municipal aos seus munícipes, duas coisa ninguém lhe pode retirar: a sua vasta experiência política e o seu muito saber sobre direito autárquico. Insisto: por que não defendeu ali o seu lugar?

Bom, sempre podemos especular que procurou não dar nas vistas, o que é uma razão de peso. Mas, em boa verdade, esse abatimento acabou por recair na sua pessoa como um ónus.

Sendo honesto intelectualmente, se a culpa deste desaire não deve ser atribuída por inteiro ao líder da edilidade mealhadense, é também certo que o organizador se pôs a jeito ao convidar as duas maiores estrelas polares da política autárquica nacional. Talvez não prevenisse que o intenso brilho emanado dos seu alter-egos mediáticos o iriam ofuscar completamente. Mas, com a conivência da jornalista da RTP, foi isso mesmo o que aconteceu.

Por que razão não optou Marqueiro por convidar os presidentes das câmaras em redor da Mealhada? Uma pergunta que só ele poderá responder. Mas, avento, provavelmente teria pensado que assim chamaria mais pessoas a visionar o acontecimento e, por outro lado, dar-lhe ia uma maior importância no meio dos dois grandes. Fosse assim, ou assado, não deveremos ter vergonha de sermos pequenos. Somo-lo com muito orgulho.


terça-feira, 2 de março de 2021

ONTEM FUI VACINADO. E DEPOIS, O QUE ACONTECEU?

(imagem da Web)



Ontem levei a primeira dose da vacina Astrazneca contra o Covid-19, no Pavilhão Mário Mexia, em Coimbra.

Sob direcção de Rui Nogueira, médico na USF do Norton de Matos e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e familiar, pareceu-me tudo muito bem organizado e a decorrer sobre o âmbito da normalidade.

Reparei no ambiente cordato, simpático, com sorrisos nos rostos, e de festa que parecia emanar dos profissionais de saúde.

Também nos candidatos à vacinação era perceptível alguma euforia. Era assim como se fossem fazer a primeira Comunhão.

Quanto a efeitos secundários, nada de maior, mas tive alguns. Durante a noite fui acometido de febre e muito frio. Durante o dia de hoje, Terça-feira, voltei a acusar febre e falta de apetite. Mas nada que um comprimido Ben-u-ron não resolva – isto mesmo foi aconselhado em caso de temperaturas corporais acima do normal aquando da toma da vacina.

Vamos todos ficar bem! Vai calhar a vez a todos. Tenhamos esperança.

 

segunda-feira, 1 de março de 2021

MEALHADA: UMA LUZ PARA A VIDA DE ADRIANO

 

(imagem da Web)




Conforme é público, tudo começou com dois desabafos de um cidadão de nome Adriano Ribeiro, residente na Mealhada, e publicado no dia 23 e 24 do mês transacto no Facebook.

Num português legível, Ribeiro começava por pedir desculpa a alguém que se sentisse ofendido por contar um pouco da sua história. Dizia que há doze anos atrás vivia numa casa de renda, mas como ficou desempregado não tinha meios para pagar a mensalidade. Então a madrinha deu-lhe um barracão, que, para além das quatro paredes não tinha mais nada, para viver com a sua filha mais velha – agora são três crianças. Arranjou trabalho e, sem ajuda, foi fazendo os melhoramentos sozinho. Hoje, graças ao seu transpirado suor, não lhe falta nada… Isto é, à excepção de energia eléctrica, que até agora, através de um cabo, vinha da casa de sua mãe.

Mas alguém fez queixa, e até ao dia 26 de Fevereiro, há quatro dias, por imposição superior, presume-se que a E-Redes, o cabo eléctrico teria de ser desligado.

Eu não estou a pedir que a câmara me pague nada, apenas que me ajude a tentar solucionar o meu problema ... Obrigada a todos e as minhas sinceras desculpas”, concluía Adriano Ribeiro, no Facebook.

Logo a seguir, no calor da notícia, a publicação foi objecto de mais de uma centena de gostos, mais de uma centena de comentários e de mais de uma dezena de partilhas.

Mas passados cinco dias, como ciclone que passou e desapareceu no horizonte, aparentemente, estava nas catacumbas do esquecimento. Não é bem assim. Sendo mais preciso, não estava porque cerca de uma dezena de comentadores que se interessaram pelo caso e também alguns vereadores ligados à maioria e à oposição continuavam a trabalhar na sombra.

Por linhas travessas, embora sem confirmação, vim a saber que Hugo Alves Silva, vereador sem pelouro do movimento Juntos pelo Concelho da Mealhada (mJPCM), tencionava abordar hoje, Segunda-feira, o problema na primeira Reunião de Câmara do mês.


O QUE DISSE O LÍDER DO mJPCM?


Abordado Hugo Alves Silva e interrogado se tinha levado o assunto ao Executivo e, a ser verdade, como tinha corrido, respondeu Hugo:

Eu julgo que os serviços municipais ficaram com uma ideia clara das necessidades.

Pressenti que por parte da senhora Chefe de Divisão de Gestão de Urbanismo havia vontade de cooperar, tentando apontar caminhos legais a percorrer.


MAS A MAIORIA NÃO DISSE TUDO…


De uma fonte camarária, que pediu o anonimato, consegui saber que a maioria no executivo, perante este caso que devia chocar todos, evitando a dimensão social, não dorme em serviço. Ou seja, na reunião não disse tudo o que sabia, nem disse tudo o que tinha feito até aí.

Segundo o meu informador, logo na terça-feira, dia 23 à noite, logo que viu a publicação, o vereador Nuno Canilho, vereador da Acção Social, diligenciou junto da acção social e, além de mais, contactou Adriano Ribeiro, actualmente a trabalhar em Espanha.

Também fui informado que, nos dias subsequentes, Arminda Martins, vereadora com o pelouro da Fiscalização e Gestão de Obras Municipais por empreitada ou administração direta, também comunicou com o munícipe. E que está já tratar de resolver o problema.

Quando interrogo a minha fonte se vai haver solução, enfatiza: “a vereadora Arminda Martins, que é engenheira civil, está com o dossier em mãos. Pela sua competência, sei que está mesmo a resolver o assunto. De qualquer forma a Senhora Chefe de Setor da Ação Social e a Diretora da Adelo, Sónia Coelho (a Adelo tem a incumbência do Serviço de Acompanhamento e Atendimento Social - em articulação com a Segurança Social naquela área especifica) estão a acompanhar a situação. Atente-se, porém, a legalização da habitação tem um conjunto de problemas associados. Aquela zona não é área urbana, o terreno ainda está em nome de um familiar que lhe fez uma promessa de doação do terreno.

Sei que vai ser feita, nomeadamente, uma visita ao local por parte dos técnicos municipais e a recolha de toda a informação possível que ajude a deslindar a dimensão jurídica e legal. Compreenda-se, no entanto, que a Câmara Municipal não tem autoridade para validar violações do Plano Diretor Municipal, nem assumir qualquer ação ou decisão contrária à lei.


NOTA DE RODAPÉ: Por lapso, tomei o Senhor Adriano Ribeiro como sendo de etnia cigana. Não é. Ao próprio e aos leitores as minhas desculpas.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

MEALHADA: ELECTRICIDADE PARA ADRIANO, PRECISA-SE

 

(Imagem da Web)




Como tema de conversa, no passado dia 24, o pequeno texto, publicado na página “Mealhada” do Facebook, rezava assim:


Boa tarde a todos , peço desculpa se ontem alguém se sentiu ofendido pela publicação que fiz ... Mas vou contar um pouco da minha história : á doze anos atrás vivia numa casa á renda fiquei desempregado não tinha como pagar a renda e a minha madrinha deu me um barracão para viver com a minha mulher e a minha filha mais velha, que não tinha nada só quatro paredes. Arranjei trabalho , fui fazendo obras eu mesmo sozinho sem a ajuda de ninguém. Aos poucos fiz a minha casa onde graças ao meu suor não lhe falta nada á exceção da Luz que até á data vinha de casa da minha mãe. Mas alguém fez queixa e até sexta feira a minha mãe tem que tirar o cabo da luz que vai para minha casa.

Eu não estou a pedir que a câmara me pague nada, apenas que me ajude a tentar selecionar o meu problema ... Obrigada a todos e as minhas sinceras desculpas.”


Este apelo sentido mereceu a comparticipação de 176 gostos, 108 comentários e 12 partilhas.

Os comentários dividem-se em quatro grupos: um remete para a fé e esperança em Deus; outro para a E-REDES, a empresa fornecedora de ligação à rede; outro passa a solução para a Câmara Municipal da Mealhada; por último, menos de uma dezena de comentadores, entre eles, alguns a doarem móveis, ofereceram ajuda de facto.

Hoje, dia 28, como quem diz, passados quatro dias, não fosse um comentário assim e dir-se-ia que o assunto morreu:


Boas tardes pessoas de bem. Acabei de falar com o Sr. Adriano e ele disse me que o vereador da CM da Mealhada já ligou com ele com vontade de agilizar o processo. Tenho duas pessoas que se oferecam para financeiramente pagar as burocracias associadas a estes processos.


Parece-me, embora sem confirmação, que o vereador indicado na pequena comunicação será, por ventura, Hugo Alves Silva, vereador sem pelouro, eleito pelo movimento Juntos pelo Concelho da Mealhada, que provavelmente levará, amanhã, o assunto a ser debatido em reunião de Câmara.

Neste tempo de miséria proporcionado pelo longo confinamento em consequência da Pandemia, salienta-se a falta de intervenção dos Serviços Sociais a tomarem conta deste grave problema. Passados cinco dias, não deveriam os referidos serviços estarem em cima do acontecimento e a verificar a verdade ou inverdade do que é aflorado pelo autor. Não devemos esquecer que, para além do casal, estão em causa três crianças de tenra idade. Será que este quadro pintado de cores negras e de angústia não tocará os seus corações?


sábado, 27 de fevereiro de 2021

MEALHADA: HOJE HOUVE ASSEMBLEIA VIA ZOOM

 

(Retirado da Web)




Entre as 10h00 e cerca das 14h00, realizou-se hoje uma sessão da Assembleia Municipal da Mealhada via Zoom.

Comecei a visionar já tinham decorrido duas horas, entrei, portanto, cerca do meio-dia. Nesta altura, o monitor mostrava 57 assistentes. Se deduzirmos os 26 envolvidos directamente, entre deputados, presidentes de juntas e presidente da Câmara Municipal, quer dizer que apenas 31 pessoas, munícipes ou outros, estiveram atentos. Convenhamos que, neste tempo de confinamento obrigatório, é um resultado muito aquém do desejado.

Sou um, entre muitos, que reivindica a transmissão das reuniões do Executivo e da Assembleia Municipal através da Internet. A minha esperança é que, com esta difusão, se derrubem as ilusórias paredes de vidro que separam os cidadãos dos seus membros eleitos, e aqueles ganhem confiança para intervir futuramente. Como se sabe, uma sessão de câmara tem o mesmo peso, pesado e tradicionalista, de uma audiência num tribunal.

Com tão poucos a assistirem, começo a ter dúvidas de que esta seja a solução para uma participação pública que todos desejamos. Tenho para mim que a maioria, em vez de se informar e verificar como funcionam as instituições, prefere andar de chapéu na mão e pedir o que precisam particularmente via telefone. É preciso, de uma vez por todas, que os cidadãos entendam que, com educação, devem “exigir” e não “rogar” aos seus representantes.

Quanto ao funcionamento da Assembleia Municipal conduzida por Daniela Esteves, durante as quatro horas de duração, foram votados e apreciados os oito pontos apresentados na Ordem de Trabalhos. No que vi, de forma global, pareceu-me uma sessão muito civilizada e com respeito por todos.

Quanto ao desempenho individual, no que vi, o Bloco de Esquerda e a CDU, através dos seus eleitos, são os que fazem mais interpelações ao líder do executivo, Rui Marqueiro.

Quanto ao presidente da Câmara Municipal também esteve bem. No entanto, ressalve-se que o verniz esteve mesmo para estalar quando Nuno Alegre, deputado do movimento Juntos pelo Concelho da Mealhada, economista de formação, questionou Marqueiro sobre várias cabimentações na Revisão Orçamental que lhe suscitavam dúvidas. Na resposta, Marqueiro ainda entrou de botas cardadas, mas, de repente, fez inversão de marcha e calçou chinelos de lã. Enfatizando, disse que não fossem acusá-lo de desrespeitar o senhor vogal Nuno Alegre, que, embora não pescassem no mesmo mar ideológico, aliás, até eram amigos. E a resposta do amigo, que disse que era amigo, deslizando como se fosse chão untado de manteiga, correu muito bem.

Parabéns a todos.


(só um pequeno à parte, um “rien de tout”: não faz sentido a convocatória para a Assembleia Municipal ser introduzido por “Dr.ª” Daniela de Melo Esteves. Refiro objectivamente o apêndice “Dr.ª”. Nos dias que correm não faz sentido, e a maioria de autarquias já perderam há muito o umbilical cordão que liga o nome. Não sei se concordam comigo, mas com a alusão, parece remeter-nos para o interior profundo)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

MEALHADA: A SENHORA DONA ESTAÇÃO

  





Ao longo das minhas mais de seis décadas de vida, apesar de ter passado ao seu lado tantas e tantas vezes, nunca me senti com curiosidade para a conhecer. É certo que, como se fosse uma bela mulher, nunca deixei de apreciar as suas linhas insinuantes e modernas pelo canto do olho. Porque já sou entradote, quem sabe por preconceito, por saber que ela conta mais anos do que eu, nunca me deu para a visitar.

Não sei bem explicar mas, se calhar, só se mete com ela quem precisa. Como nos museus públicos, entre nós e ela, acaba por ser muito mais visitada e estimada pelos que vêm de fora do que os nativos. Para quem cá mora, é apenas uma coisa icónica, algo que se utiliza pela necessidade, agora mais esquecida que outrora, por que já foi simbolo de grande desenvolvimento social, comercial e industrial.

Por ser uma relação egoísta, como nunca precisei dos seus serviços, nunca tinha entrado (nem saído) na Estação Ferroviária de Mealhada.

Aconteceu ontem, por acaso, por acidente, para ser mais preciso. Acompanhado da minha mulher, tive que colocar o automóvel numa oficina próxima onde a manutenção durou toda a manhã. Como estava um lindo dia de Sol, depois de darmos um passeio pela cidade a “queimar” tempo, inevitavelmente, surgiu o cansaço. Onde nos podemos sentar? Começámos por nos perguntar. Com os bancos dos jardins públicos com fitas intermitentes entre branco e vermelho a impedir a acomodação – o que, como tantas outras medidas para nos protegerem da pandemia, me parece um verdadeiro disparate -, em teoria não há grandes hipóteses para nos sentarmos. Foi então que me lembrei da Estação.

Com a calma necessária para avaliar tudo em redor, Propus-me varrer o que os meus olhos alcançassem. Com linhas modernas e com a cobertura em ferro a remeter-me o pensamento, em analogia, para a Gare do Oriente, do arquitecto Calatrava, em Lisboa, a Estação de Caminhos-de-ferro de Mealhada é um encanto para o meu olhar pesquisador. Muito limpa em toda a superfície circundante relativa ao piso das linhas de comboios é mesmo muito simples e agradável. Com equipamentos em bom estado de conservação no exterior e as casas-de-banho mais ou menos asseadas, limpas e com papel, comparando com outras que conheço, tomei-a num caso raro.

O tráfego de composições sem paragem é impressionante. Provavelmente poucos imaginam o movimento de composições que se cruzam a todo o momento.

Não fossem as escadas para a passagem inferior, que por baixo dos carris faz a ligação entre as duas margens, e todo o túnel estarem muito sujas e com lixo solto, e far-me-ia pensar estar numa gare em Paris.

Para terminar, só não entendo a razão dos Táxis permanecerem em frente ao edifício do município quando, a meu ver, deveriam ter uma praça no átrio da estância. Faz sentido? Se calhar faz, mas não estou a ver...