quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A LIMPEZA DOS TERRENOS

Resultado de imagem para mataas nacionais



A que é que a lei obriga?

Tem de se cortar as ervas, os arbustos e as árvores de forma a criar faixas de protecção em torno das habitações, aglomerados e estradas. Estas regras são apenas para meios rurais e florestais.

O ÚLTIMO DIA DA ANCIÃ.





Encerra hoje a Hortícola de Coimbra, na Rua Visconde da Luz. Fundada em 1878, e sempre a laborar na mesma família, esta popular loja vai deixar de alegrar os nossos olhos.
Quem quiser deixar uma lágrima presencial de despedida no reputado estabelecimento, ou, digo eu, dar um beijinho de agradecimento ao funcionário José Lopes Monteiro, pode ainda fazê-lo nos próximos noventa minutos.

UM COMENTÁRIO E UMA RESPOSTA DADA...




Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO RECEBIDO E UMA RESPOSTA DADA...":


O Sr. Luís Fernandes ainda não entendeu que o que diz o Dom Rafael o Castelão é a opinião generalizada dos conimbricenses. Comercialmente, a baixinha de Coimbra está morta. Acabou, morreu. Chega de protestar contra os centros comerciais. Já quando foi da abertura do Continente no Vale das Flores foi um ai jesus. Por exemplo, nem Coimbra nem nenhuma cidade do mundo precisa de uma rua cheia de sapatarias. Eu sei que cada uma delas tem uma história e se calhar todas mereciam ser considerada históricas, mas os tempos de há vinte ou trinta anos em que a baixinha era o centro comercial de Coimbra, como se fosse um mercado marroquino onde toda a gente se ia abastecer de tudo, já acabou e não volta. O futuro da baixa está na recuperação das casas para habitação e esse é um processo difícil que tem mais a ver com os proprietários do que com a câmara. E depois algumas lojas especializadas, modernas, com sangue fresco. A câmara pode ter algum papel na ajuda à recuperação dos prédios, talvez subsídios, sei lá. Mais do que isso, só se a própria Câmara comprasse a baixinha ;). O Mercado Municipal, sim, aí a câmara poderia ter outro papel, mas isso é outro assunto.


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NOTA DO EDITOR

Meu caro anónimo, entendo perfeitamente essa sua inclinação para a defesa de uma tese que lhe dá jeito -afinal o seu emprego depende do situacionismo, da continuidade de fazer floreados para inglês ver. Mas se, por um lado, compreendo a sua posição, por outro, já não aceito a sua desonestidade intelectual. E vou explicar melhor:

Comercialmente, a baixinha de Coimbra está morta. Acabou, morreu. Chega de protestar contra os centros comerciais. Já quando foi da abertura do Continente no Vale das Flores foi um ai jesus

Se você assume que a baixinha de Coimbra está morta, acabou, morreu, mais uma razão para o caro anónimo, que tanto dizia defender a causa pública como afirmou em algumas conversas entre nós, se envolver pessoalmente na sua regeneração. É para isso que é pago através do erário público. Esqueceu? Se é pouco e devia ganhar mais, isso é outro assunto.
Bem sei que lhe dava jeito que eu parasse de protestar. Se dava?!? Acontece que cada um tem a sua cruz, e, passando o exagero, eu serei a sua e a do seu grupo político. Vai ter de me gramar! Quando você estava na oposição, e, indignado, vinha queixar-se dos atropelos da Coligação por Coimbra, era tudo mais fácil. Não era? Pois era!
Interessante que só a partir de 2013, desde que você faz parte do poder, é que passou a defender o licenciamento de grandes superfícies. Por que será? Quem mudou de pensamento?


Por exemplo, nem Coimbra nem nenhuma cidade do mundo precisa de uma rua cheia de sapatarias.

Você podia ter sido mais criativo. Lendo praticamente tudo o que escrevo, sabe muito bem que nunca defendi essa prerrogativa. Há mais de duas décadas que, apercebendo-me de encerramentos contínuos, pugno por um comércio diversificado, e até por pequenos serviços que desapareceram da Baixa de Coimbra.

O futuro da Baixa está na recuperação das casas para habitação e esse é um processo difícil que tem mais a ver com os proprietários do que com a câmara.

Mais uma vez o caro anónimo mas conhecido, acomodando-se, não pensou muito. Está fraquito de grandes tiradas filosóficas.
É verdade que o futuro da Baixa está na recuperação das casas para habitação. Sendo muito importante, não é o único factor. Entre outros, é apenas um deles. É também verdade que este processo é da responsabilidade dos proprietários, mas, como sabe tão bem como eu, os senhorios estão descapitalizados e empobrecidos por sucessivas políticas governamentais e locais iníquas. O que está acontecer hoje com o centro histórico de Coimbra, apenas como exemplo, é o resultado de falta de justiça igual para proprietários e inquilinos, que já vem desde a Implantação da República. Os inquilinos sempre foram a parte endeusada e protegida e os senhorios os demónios a quem tudo é exigido. E a reforma morreu sempre na praia. A começar pelo Departamento de Habitação camarário, sempre houve duas formas de agir diferenciadas. Como há décadas a sua gestão está entregue aos comunistas, os senhorios, independentemente de terem ou não posses, foram sempre tratados como o “grande capital” -sendo justo, saliento que desde a entrada deste vereador Francisco Queirós a filosofia mudou muito para melhor. Mas há uma questão que é preciso trazer à colação: a autarquia não pode continuar a atribuir casas com rendas inferiores a 5 euros. Isto é um ultraje! Só o pode fazer porque não lhe custa nada.
Continuando a responder ao seu comentário, a Câmara Municipal, enquanto entidade política e órgão de influência, resolvendo caso a caso, pode fazer mais do que faz, mas para isso é preciso desenvolver políticas que desonerem os interessados em recuperarem prédios e esta maioria, tal como as anteriores, não tem vontade. Por isso mesmo, a baixa não sai da cepa torta!

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Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "UM COMENTÁRIO E UMA RESPOSTA DADA...":

Sr. Luís, começo por lhe dizer que não faz a mínima ideia de quem eu seja. É que nunca sequer conversei consigo, apesar de já ter visitado a sua loja. Não sou político, nem trabalho na câmara municipal, nem nada que se pareça. Ficou esclarecido de vez? Adiante. Note que até concordo consigo em muitas coisas. Mas não estou tão certo que os proprietários dos prédios da baixinha estejam tão depauperados que não possam recuperá-los ou, pelo menos, fazer ali obras que os tornem mais habitáveis. Digo que não estou certo, porque não os conheço a todos. É essa a opinião geral dos inquilinos seus vizinhos, seja moradores, seja comerciantes? Esclareça, por favor, se quiser. Até agora, apenas li apreciações gerais sobre os coitados dos proprietários. Uns sim, outros não, depende. Que a câmara tem aqui um papel importante, parece-me óbvio e nisso concordo consigo. O que não podem é os proprietários andarem eternamente a lamentar-se do Estado, ora pelo que faz, ora pelo que não faz. É preciso aumentar as rendas? Certo, mas então pergunte-se aos seus vizinhos inquilinos, muitos deles idosos (a maioria) o que acham.
A minha opinião é que a baixa só se recupera com habitação, levando para lá gente a morar, reabilitando aqueles prédios, dando-lhes condições decentes de habitabilidade. Não me pergunte como. Só espero que não se siga o exemplo de Lisboa, onde um T1 no centro já tem uma renda maior do que uma vivenda em Coimbra.
Agora quanto ao comércio, que é a sua batalha, não sabemos ambos que a baixinha nunca vai voltar aos tempos gloriosos de há trinta anos atrás? Claro que sabemos. O comércio vai ter de ser reduzido e seleccionado e muitos vão ficar pelo caminho. Mas também lhe digo que o seu estabelecimento é um dos que mereciam ficar.
Olhe, até lhe digo que já morei em miúdo na Rua da Moeda, naqueles tempos "gloriosos" em que o Mondego invadia todos os anos a baixinha. Se eu lhe dissesse o que gostava que fizessem à maior parte daqueles prédios que conheci bem por dentro, é que o senhor se zangava mesmo comigo...


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RESPOSTA DO EDITOR

Conforme a sua explicação, sem margem para dúvida, admito que me enganei. O senhor, por ventura, não será quem eu pensava.
Quanto às rendas, esclareço que falava das antigas, anteriores a 1990 -para novos contratos vigora o sistema de renda livre, isto é, a importância é estabelecida por comum acordo entre proprietários e inquilinos- em que o Governo de Passos Coelho prometeu que se mantinham com valores baixos e condicionados até 2017 e depois desta data seria a Segurança Social a financiar os mais vulneráveis de modo a não ser o proprietário a, por inteiro, subsidiar a pobreza do inquilino. Ora, o que fez este Governo da “geringonça”? Adiou a medida de aumento justo de rendas antigas anteriores a 1990 para... 2022. Sem dúvida que é preciso desenvolver o arrendamento na Baixa.
O resultado desta condescendência para os arrendatários -ou melhor, a continuidade de comprar votos à custa de terceiros- é, como escrevi em cima, entre outros, a Baixa de Coimbra continuar adiada no restauro do seu edificado. Pelo meu algum conhecimento de situações aflitivas de prédios a cair por falta de possibilidades do dono, o que acontece é que a Câmara Municipal, através da posse administrativa, não consegue dar resposta a tantas solicitações. Ainda ontem estive a falar com um inquilino de um prédio próximo da Praça do Comércio, com uma renda mixuruca, em que o telhado ruiu e a dona do edifício não tem posses para o fazer. A solução deste problema concreto está nas mãos do Departamento de Habitação da Câmara Municipal de Coimbra para se resolver a situação. Esta senhora, proprietária, ainda por cima com alguma idade avançada, será vítima ou verdugo do sistema abusivamente implantado?

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

EDITORIAL: UM PAÍS COMPRADO POR MIÚDOS

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)





Segundo o Diário de Notícias de ontem, “O prazo definido pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) para o reembolso dos manuais escolares do 2.º e 3.º ciclos dos alunos da cidade termina já na quarta-feira mas muitas famílias ainda não aproveitaram a oportunidade de reaver o dinheiro. DE acordo com os dados avançados ao DN pela autarquia, o último balanço, realizado a meio da semana passada, apontava para cerca de 3000 pedidos num universo de 10 a 11 mil alunos elegíveis, menos de um terço do total.
Em causa estão valores que, de acordo com as estimativas da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) para os cabazes de livros do presente ano lectivo, variam entre 97,2 euros (média do 2.º ciclo) e 162 (3.º ciclo). Ou seja: considerando que cerca de 7500 famílias não terão pedido o reembolso das despesas com os livros, terá ficado quase um milhão de euros (970 mil euros) por entregar.
Números que não impedem o vereador da Educação da autarquia, Ricardo Robles (Bloco de Esquerda), de fazer um balanço positivo da iniciativa, formalizada em dezembro, que se integra no acordo celebrado com o presidente da Câmara, Fernando Medina, para garantir o apoio do Bloco ao executivo municipal. “Estamos bastante agradados com estes resultados. Sabemos que nesta última semana surgirão ainda pedidos”, lembrou” (Ricardo Robles.
(…) Para o próximo ano letivo, com o Ministério da Educação a assumir a oferta dos manuais até ao 6.º ano de escolaridade, o compromisso do município é assegurar a gratuitidade dos livros em toda a escolaridade obrigatória” (até ao 12.º ano).

OU SEJA...

Para garantir o apoio do Bloco de Esquerda no executivo lisbonense, a Câmara Municipal de Lisboa, usando e abusando de verbas públicas, pagas por todos nós, à força toda, criando falsas necessidades, quer oferecer de bandeja o que não é necessário à maioria dos seus munícipes. E o mais grave deste acto triste, o que está por trás é a descarada caça ao voto. Isto é, em nome dos impostos de todos nós, sobretudo de quem produz, está-se a dar crédito eleitoral a uma força política.
Para melhor se compreender, vamos ver a definição de “necessidade” no dicionário de significados: “Necessidade é aquilo que é estritamente necessário, ou seja, que é indispensável, que é útil, que não se pode deixar de ter ou ser.”
Ora, para cumprir um programa ideológico perseguindo um igualitarismo bacoco, se obriga alguém a receber o que não precisa, o que acontece? Ou não levanta para não se chatear ou recebe mas, porque é dispensável, a seguir põe porta fora, como é o caso de, volta e meia, se encontrarem alimentos doados por instituições no caixote do lixo.

MAS, O QUE É ISTO?

Do ponto de vista filosófico, se o Estado, capturado por pessoas pouco zelosas com a coisa pública, está a ser cada vez mais uma entidade prestadora de serviços gratuitos, dando o peixe sem obrigar ao esforço da pesca, como é de calcular, está a transformar cidadãos em sujeitos dependentes que, no futuro, não moverão uma palha para alcançarem o que precisam.

MAS SERÁ QUE NINGUÉM PÕE COBRO NISTO?

Em Novembro, último, o mesmo jornal, o DN, trazia um importante trabalho sobre as livrarias que, de Norte a a Sul, estavam a fechar devido à oferta dos manuais escolares, pelo Governo e pelas câmaras municipais.
Na altura, segundo o jornal, “20 milhões de euros (é) o custo da oferta dos manuais a todos os alunos dos 5.º e 6.º anos das escolas públicas, em 2018. Os manuais do 1.º ciclo custam 14 milhões”.
Continuando a citar o periódico, “500 mil alunos abrangidos (a) oferta no 1.º ciclo contempla 375 mil estudantes. Com o alargamento ao 2.º ciclo, o total de beneficiários deverá superar o meio milhão”.
Depois da revolta dos livreiros o Governo emendou a mão e passou a obrigar as câmaras municipais a pagar os livros contra a apresentação do recibo de compra. Se colmatou os efeitos de tragédia para a classe dos livreiros, por outro lado, ao não erradicar a causa na sua totalidade, como se adivinha, vai provocar graves danos à Economia Nacional. Como se imagina, para pagar tanta generosidade, alguém vai ficar a berrar numa carência desgraçada.
Mas, olhando para os números astronómicos gastos na distribuição gratuita de livros a todos os alunos independentemente do seu escalão económico, será que estamos a viver num país de recursos infinitos? Se calhar estamos e a maioria não sabe!
Vale a pena pensar nisto?

BOM DIA, PESSOAL...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO E UMA RESPOSTA DADA...







DOM RAFAEL O CASTELÃO deixou um novo comentário na sua mensagem "O PSD TEM MEDO DE DEFENDER O COMÉRCIO DA BAIXA?":


Mas defender o comércio de Coimbra especialmente da Baixa e muito particularmente da Baixinha, como? Ordenando por decreto que se encerrem os Centros Comerciais?Comercialmente a Baixa e a Baixinha estão mortas! Restam os restaurantes, cafés e lojas de produtos chineses e mais ultimamente as lojas para pequenos produtos de Turismo muito em especial ligados à cortiça, em tal número que algumas não se devem aguentar. Coimbra hoje vive essencialmente do Turismo e em resultado disso a hotelaria, hotéis e agora os pequenos hotéis (mais para dormidas) vão dando alguma vida à cidade. Mas é Turismo que vem apenas orientado para os monumentos em especial a Universidade. Coimbra continua e continuará a viver à sombra da Universidade e dos seus monumentos, daí não ser descabida a defesa das Republicas de Estudantes! Mas são bem-vindas as ideias realistas para dinamizar comercialmente Coimbra!


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NOTA DO EDITOR

Meu caro Dom Rafael o Castelão -seguido de uma vénia, como manda a tradição romanesca-, na crónica não aludi que era descabida a defesa das Repúblicas de Estudantes. Claro que é importante a sua preservação na história académica da cidade -mas com regras iguais, sobretudo respeitando direitos de propriedade, e sem exageros como já escrevi anteriormente. O que chamei a atenção foi o facto de, a meu ver, a lei ter sido lida transversalmente, e mal interpretada, pelo presidente da concelhia do PSD de Coimbra, Nuno Freitas. Como é que se entende que na mesma mensagem distribuída à comunicação social o digníssimo médico e político não tenha feito, no mesmo pacote, uma crítica referente às duas situações? Isto é, à preservação das repúblicas coimbrãs e às lojas comerciais históricas e de tradição? Como explica esta omissão?
Quanto “às ideias realistas para dinamizar comercialmente Coimbra” que aflora, meu caro Castelão -novamente com curvatura da espinha dorsal-, o diagnóstico está mais que feito, e há muitos e muitos anos. O que é preciso é a oposição fazer o papel que lhe cabe. Ou seja, procurar informar-se verdadeiramente do que se passa na Baixa e, a seguir, nas reuniões do Executivo e da Assembleia Municipal, chamar o assunto à colação. Já todos sabemos que Manuel Machado é um cabeça-dura, um insensível para as questões de regeneração da Baixa, mas, por muito difícil que seja abrir-lhe a mente, esta é a função da oposição através de retórica. No entanto, admito, os comerciantes, enquanto parte interessada também devem fazer alguma coisa. Na parte que me toca, escrevo no sentido de elencar os problemas e apresentando soluções. É pouco? Se calhar...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O PSD TEM MEDO DE DEFENDER O COMÉRCIO DA BAIXA?

(Imagem de arquivo)





Nuno Freitas, presidente da Concelhia de Coimbra do PSD, enviou hoje um comunicado ao jornal online Notícias de Coimbra com o seguinte teor:

Repúblicas de Coimbra poderão ser vendidas no mercado imobiliário a curto-prazo devido à omissão do Município de Coimbra que não procedeu à classificação dos imóveis das Repúblicas como Património Municipal até 31 de Dezembro de 2017, conforme estipulava a lei n.º 42/2017 (Regime de reconhecimento e protecção de estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local)”

PERGUNTAS A NUNO FREITAS:

-Saberá o senhor presidente da Concelhia de Coimbra do PSD que a promulgação da lei 42/2017, de 14 de Junho, para além de “entidades de interesse histórico e cultural ou social local”, teve por objecto, essencialmente, a salvaguarda de “Lojas com história», os estabelecimentos comerciais com especial valor histórico cuja preservação deva ser acautelada”?

-Em silogismo, ao não ser referido no comunicado a defesa de estabelecimentos antigos em Coimbra e por só falar nas “Repúblicas de Estudantes”, poderemos perceber que o digníssimo deputado à Assembleia Municipal de Coimbra não passou os olhos pelo diploma da Assembleia da República?

-Ou, pelo contrário, lendo transversalmente, preferiu debruçar-se somente nas cerca de duas dezenas de casas de acolhimento comunitário de estudantes citadinos porque estão mais ligadas ao seu passado de estudante?
Será este o facto que o levou a esquecer no comunicado o encerramento em série de casas comerciais na Baixa da cidade? 

-Porque será que temos uma oposição tão mal informada e tão pouco interessada em revitalizar a Baixa de Coimbra? Que mal fizeram os comerciantes para merecerem uma oposição e uma sorte assim?


-Será que os vereadores e deputados do PSD local tem medo de discutir a questão da Baixa, nas suas várias vertentes comercial, habitacional, económica, política e social?

NO APROVEITAR SE ACUMULA O GANHO...

“VIDEOVIGILÂNCIA ILEGAL NA BAIXA DE COIMBRA”

CÂMARA COIMBRA
(Foto do Notícias de Coimbra"




A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) confirmou, num segundo parecer, que o sistema de videovigilância da Baixa de Coimbra esteve a funcionar sem autorização do Governo entre 2013 e 2016.

UM COMENTÁRIO RECEBIDO SOBRE...

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)


José Manuel Silva deixou um novo comentário na sua mensagem "EDITORIAL:O SEGREDO DO PROCESSO 736/14.9BECBR":


Caro Luís Quintans, permita-me responder às três questões que coloca sobre esta minha intervenção, interpelando-me directamente, que eu nunca fujo a nenhuma questão e gosto muito do seu Blogue, ainda que nem sempre estejamos de acordo.

1 – Imagino que já terá assistido a algumas reuniões da Câmara, pelo que saberá como os pedidos de esclarecimentos ficam, eu diria que ‘sempre’, sem uma resposta cabal; ou são pura e simplesmente ignorados ou recebem como “resposta” um discurso redondo e perfeitamente lateral. Devo dizer que nesta questão concreta, talvez fosse corrigido o autor do processo, mas não receberíamos mais nenhuma informação, com o argumento do ‘segredo de Justiça’. Seria, portanto, perda de tempo. A grande notícia, como parece evidente, é a existência do processo, em si mesmo, que ninguém dava, mesmo sendo pública. Por isso entendemos divulgar a situação, porque quem a conhecia a ela nunca se referiu. Nem sequer tenciono gastar os poucos minutos a que temos direito antes da Ordem do Dia com este assunto (5 minutos, embora seja possível esticá-los um pouco mais, na medida em que todos o fazem uma vez ou outra). Neste momento só o Tribunal poderá avaliar os factos e tomar uma resolução; esperemos que seja rápido.
Quanto ao acesso a informação privilegiada, volto a repetir, para além daquela que consta da Ordem de Trabalhos e da informação que o Senhor Presidente entende dar (ou tem que dar por Lei), a nada mais temos acesso. Aliás, sugiro-lhe que leia a Lei 24/98, de 26 de maio, que define o Estatuto do Direito de Oposição, para verificar como são imensamente reduzidos os direitos da Oposição! Além de que, como sabe, na Câmara tudo depende da autorização do Senhor Presidente da Câmara... Por exemplo, continuo à espera do acesso aos estudos do aeroporto e... nada... mesmo tendo feito já queixa à CADA, Comissão de Acesso a Documentos Administrativos,! É fácil perceber que só temos acesso àquilo que nos querem mostrar. Aliás, qualquer pessoa pode pedir acesso a documentos administrativos da mesma forma que um vereador da oposição e recorrendo aos mesmos (pouco eficazes) mecanismos legais. Por isso, repito, não somos parte no processo, talvez excetuando o facto de, como vereador responsável da oposição, ter tido o cuidado de ler as GOP 2018, que, sendo públicas graças à nosso intervenção, todos podem ir ler. É que há lá referência a muitos mais processos a decorrer...

2 – Não, não estou a confundir as funções, por isso mesmo sugeri que investigasse quem tem essa função como profissão e a isso dedica todo o seu tempo, como é o caso dos jornalistas. Eu tenho que continuar a cumprir minimamente a minha profissão, de médico e professor. Da Câmara apenas recebo 76 euros brutos por presença em reunião (duas reuniões do executivo por mês + as presenças nas raras assembleias municipais), pelo que não posso, mesmo que o desejasse, dedicar todo o meu tempo à autarquia. Mas dedico muito tempo, com prejuízo da vida pessoal e profissional (não é uma queixa, porque a decisão de lutar por Coimbra foi uma decisão livre e ponderada, é um facto)! Por isso mesmo li as GOP 2018 e por isso ando tantas vezes por aí a ouvir as pessoas...
Não, não estou a esvaziar a questão, como já expliquei acima. Mas já estou a preparar a minha intervenção para a próxima sessão da Câmara, Não tem a ver com o IKEA, informo desde já, que problemas em Coimbra não faltam e as reuniões são só de 15 em 15 dias.


3 – Este ponto não me merece qualquer comentário. Todos têm direito a exprimir as suas opiniões, mesmo que nem sempre façam muito sentido.

Cumprimentos cordiais, JMS 


(COMENTÁRIO RECEBIDO ATRAVÉS DO FACEBOOK)

sábado, 24 de fevereiro de 2018

EDITORIAL: O SEGREDO DO PROCESSO 736/14.9BECBR

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)




Num pachorrento Sábado de final de Fevereiro, subitamente o bucólico remanchão foi quebrado por um grito estridente nas redes sociais de um munícipe: IKEA PROCESSA CÂMARA MUNICIPAL DE COIMBRA. Acontece que este berro não saiu de um qualquer cidadão desconhecido, pelo contrário. A exclamação escrita foi exarada por José Manuel Silva, vereador eleito para o Executivo camarário em representação do movimento Somos Coimbra. E aqui, exactamente pela diferença de estatuto, o bramido gera uma série de interrogações:

NO TOCANTE AO VEREADOR

1-José Manuel, enquanto vereador com assento parlamentar na Câmara, antes de fazer publicitar esta informação através do Facebook, não deveria ter discutido o caso em sede própria, confrontando o líder da maioria PS, Manuel Machado, e só depois, muito mais consubstanciado com dados, trazer à liça o assunto em epígrafe? Será que convence os conimbricenses com a frase "O movimento “Somos Coimbra” não é parte interveniente no processo, não tem acesso a qualquer informação privilegiada e desconhece quaisquer outros pormenores”? Contrariando o que se afirma, o movimento, com dois lugares no executivo, é parte interveniente no processo e, por inerência estatutária sobreposta por lei, deve ter acesso a informação privilegiada.

2-Ao não exercer o direito de contraditório, trazendo para a praça pública uma incompleta questão de governo local, será que não esvaziou completamente a sua argumentação para a próxima reunião camarária onde será debatida a questão?
Por outro lado ao arguir “Quem de direito que investigue, questione e informe, se entender pertinente” não estará a confundir as funções? Verdadeiramente, essa não é a sua missão enquanto edil da oposição?

3-Ao agir assim, de forma impensada e impulsiva, não teria esquecido o seu lugar de representação eleitoral e, confundindo, colocou-se no lugar de um qualquer jornalista em exercício?

NO QUE TOCA À RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE

1-Ao que parece, conforme pode ler-se no indicativo, o processo 736/14.9BECBR é de 2014. Ou seja, pelos vistos, citando o site Notícias de Coimbra, foi iniciado há três anos. Então interrogamos: como pode a maioria socialista, com responsabilidade directa em Manuel Machado, contratar uma firma de advogados de Lisboa e ocultar este facto à oposição e sobretudo aos conimbricenses?

2-Tendo em conta que as eleições autárquicas foram em Outubro passado, e a fonte do movimento Somos Coimbra, eleito nessa altura, foi as “Grandes Opções do Plano CMC 2018”, como é que se consegue perceber o sigilo por parte da maioria socialista sobre a rubrica inscrita para com a nova oposição?

3-É certo que é mera especulação mas, com este segredo todo, legitimamente, poderemos ser levados a pensar que a maioria socialista eleita na edilidade tem culpas no cartório. É ou não verdade que esta tese pode ser considerada?

NO QUE ALUDE À ADMINISTRAÇÃO DO IKEA

1-Há cerca de um ano, o Notícias de Coimbra contactou a administração do IKEA e perguntou se estava nos seus planos abrirem uma nova grande superfície em Coimbra. Tanto quanto julgo recordar-me a resposta foi inconclusiva no sentido de descartarem a hipótese positiva. Ora, pergunta-se, como é possível a multinacional sueca nunca referir o processo contra a Câmara? No mínimo... estranho. Muito estranho!

2-Por outro lado, há cerca de uma semana, o Diário as Beiras noticiou e, a seguir, com base em declarações do IKEA, desnoticiou a sua própria informação de que a cadeia de mobiliário descartável poderia ir para a Figueira da Foz. Mais uma vez pergunta-se: como é que dos lados da Suécia nada foi dito sobre a demanda? No mínimo... estranho. Muito estranho!

3- É certo que, mais uma vez, é mera especulação mas, com este segredo todo, legitimamente, poderemos ser levados a pensar que a multinacional não estará assim tão segura do argumentário para exigir contrapartidas por incumprimento. Não é verdade?

NO QUE REPORTA À IMPRENSA

No comunicado assinado por José Manuel Silva, a determinado ponto, pode ler-se: “Porém, porque nos parece estranho que, sendo pública, a informação, supostamente, não seja objecto de notícia nem de comentário (nada surge em pesquisa no Google)”.
Sem retirar uma virgula ao que penso sobre esta sua actuação intempestiva no caso em análise, aqui, acabo dando-lhe razão. Dá para extrair três conclusões:

1-Em Coimbra não temos imprensa de investigação.

2-A cidade dos estudantes vive envolta numa nuvem de fast-food noticioso (fast-news), uma espécie de transmissão de informação para consumo rápido sobre o que o poder local mostra, sem tratamento de análise. Uma porca miséria de serviço noticioso, digo eu, que tanto gosto de ler jornais em papel.

3-As crises que o jornalismo atravessa, económica, tecnológica e de costumes, não explicam tudo.
Se é um dever de cidadania exigir transparência aos nossos eleitos, da mesma forma, é obrigação de qualquer leitor diário de jornais reclamar contra esta imprensa que serve mal e porcamente os eleitores.

VALE A PENA PENSAR NISTO?

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A ÚLTIMA LOJA MAIS ANTIGA DA BAIXA VAI ENCERRAR





No final da próxima semana, vai encerrar o estabelecimento comercial mais antigo, o último com mais de um século, da cidade e na Baixa: a Hortícola de Coimbra. A laborar na Rua visconde da Luz número 12 desde 1878, e sempre na mesma família, chegou ao fim um reinado no mundo das sementes com quase cento e cinquenta anos.
Sabendo por linhas anónimas que este vetusto espaço chegou até aos nossos dias sobretudo pela teimosia assente num profundo respeito pelos laços familiares, há muitos e muitos anos que esta loja não gerava riqueza para se manter em actividade. Mesmo assim o actual proprietário, remando contra ventos e marés de prejuízo, manteve a traineira sempre na faina. A causa de acontecer agora este desfecho anunciado reside na razão directa do seu único empregado, o José Lopes Monteiro, com 63 anos de idade, depois de 27 anos à frente do balcão da saudosa casa de sementes, legitimamente, entrar na reforma.
Por uma história comercial digna de registo, acompanhado com uma lágrima de saudade, uma grande salva de palmas para a Hortícola de Coimbra. A Baixa vai ficar mais pobre. Até sempre menina dos nossos olhos!




O HOMEM DA POMBA MORTA






Seriam cerca de 14h30. Dos lados da Câmara Municipal, em passo cadenciado, dei por mim a atravessar a Rua da Sofia em direcção aos fundos, para os lados do Tribunal. Foi quando no passeio, junto à Pastelaria Palmeira, me apercebi de uma pomba morta. Em segundos, dividi o meu pensamento entre desejar-lhe um eterno descanso no reino dos céus onde vão parar todas as aves símbolos da paz e da boa-vontade e pegar nela e sepultá-la num caixote de lixo próximo. Num calculismo notório, tentando desculpabilizar-me por não haver ecoponto nas proximidades, fiquei-me pelo primeiro pensamento e, abandonando a ave à sua continuada má-sorte, segui em frente. Fui tratar da minha vidinha e passado, mais ou menos, um quarto de hora estava novamente a cruzar-me com a finada ex-rainha dos beirais. Eis senão quando, então, vejo um homem todo aprumado, de fatinho e engravatado, curvar-se, pegar no passarinho e, olhando em volta em busca de um depósito, como não encontrou, levar na mão os restos do animal.
Não conheço este ilustre desconhecido, o que sei é que me deu uma lição de cidadania. Obrigado, homem da pomba morta!

O CARTUM É UMA ARMA...

Foto de Movimento HUMOR.



Na esquina que divide a Rua do Corvo e a Praça 8 de Maio onde normalmente é colocada informação sobre os que partem vencidos, como a fazer a separação entre a vida e a morte, os cartuns de Jorge Gomes, como se fossem uma espada a apontar e a desbravar o desleixo e o deixa-correr de Manuel Machado, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, marcam a agenda diária de quem percorre estes becos e praças milenares.
Bem-haja, José Gomes! Que a pena de bico afiado se mantenha sempre erecta a denunciar a amorfia desta maioria socialista, que, eleita não se sabe por quem, continua a assobiar para o lado sobre a continuada queda da Baixa.



quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

RELEMBRANDO...





Caro Colega,

Relembramos a necessidade de comunicar a intenção de participação no encontro para o dia 26 de Fevereiro (segunda-feira), pelas 19h30, no Salão Brazil bem como no jantar, que se realizará no Restaurante Orpheu, na rua Sargento Mor, e que terá um custo de 7,5€ por participante.
Solicitamos uma resposta ate ao final do dia 23 de Fevereiro, sexta-feira.
Atenciosamente,

Carina Alves
(APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra)



Caro Colega,

A Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC), com o intuito de dar continuidade aos encontros de comerciantes para partilha de ideias e avaliação das actividades desenvolvidas pretende agendar um novo encontro para o dia 26 de Fevereiro (segunda-feira), pelas 19h30, no Salão Brazil.
Esta reunião terá a seguinte ordem de trabalhos:

· Avaliação da Campanha de Natal e seu impacto na actividade comercial;
· Relatório de actividades 2017;
· Sugestões para o Plano de Actividades de 2018;
· Outros assuntos de interesse dos comerciantes

A APBC ainda propõe continuar o encontro de comerciantes num jantar num restaurante da Baixa de Coimbra.
Solicitamos que caso estejam interessados em participar no encontro e no jantar nos informem até ao próximo dia 23 de Fevereiro de 2018, por telefone (239 842 164), telemóvel (914872418 Carina Alves), ou por email (apbcoimbra@gmail.com).

A V/colaboração é fundamental, atenciosamente,


A Direção da APBC”

CARTA ABERTA AO DIRECTOR DO DIÁRIO DE COIMBRA

(Imagem da Web)



Ex.mo Senhor director do Diário de Coimbra, eng.º Adriano Callé Lucas:
Para além de assinante há várias décadas, sou um leitor diário do jornal que V. Ex.ª dirige e superiormente administra. Sendo profundamente interessado nas questões de informação, locais e nacionais, liga-me ao seu/nosso jornal uma paixão que dificilmente conseguirei expressar por palavras. Talvez para cimentar esta relação de amor platónico, provavelmente, teria contribuído o facto de durante muitos anos ter privado de muito perto com o senhor seu pai, Adriano Lucas. A tempo inteiro, sou comerciante estabelecido na Baixa de Coimbra há várias décadas, a tempo parcial, sou blogger há vários anos, discorrendo em dissertações sobre o centro histórico da cidade, sobretudo e entre outros.
Para se entender que não me movem pendências partidárias, ressalvo que ajo na qualidade de cidadão independente de partidos ou movimentos que exercem o seu papel político na cidade.
Ainda que seja por esta via menos institucional, o que me levou a elaborar esta carta aberta foi, na observância de leitor atento, sentir uma enorme insatisfação sobre a forma como está a ser feita e noticiada a cobertura jornalística nas reuniões camarárias, nomeadamente sobre as propostas apresentadas pela oposição. Gostava que aceitasse o meu apontamento como um contributo para um jornalismo local melhor e não uma provocatória chamada de atenção lesiva para os interesses económicos do jornal. O que me move são princípios de cidadania, cuja causa não abdico de defender e no âmbito de pugnar por um serviço de informação noticioso de excelência, e não uma intenção deliberada de imiscuir-me nas escolhas editoriais já que, em sede própria, são da responsabilidade da redacção. Quero dizer que o meu propósito não é pressionar mas sim sensibilizar para o que está acontecer, levando ao seu conhecimento o que sente um leitor diário.
Embora a minha opinião sobre esta matéria já venha de longe, isto é, a falta de eco jornalístico concedido à oposição no hemiciclo, pressinto que semanalmente a iniquidade e a falta de transparência -ainda que por omissão- estão com tendência a agravar-se. Como deve calcular, com este hiato, perdemos todos. Perde a maioria eleita, porque o desconhecimento de intervenção entre vereadores, de perguntas e respostas, transmite ao munícipe uma postura ditatorial que gera sentimentos contraditórios entre raiva e displicência; perde a oposição, porque, como se estivesse a trabalhar numa hermética redoma de vidro, não consegue passar a mensagem ao público, quer sejam seus apoiantes ou outros; perde o cidadão comum, porque esta falta de ressonância contribui para um cada vez maior alheamento político de questões da sua cidade.
Para ser mais concreto, o que se passou esta semana fez-me saltar a tampa da (im)paciência. Como saberá, o vereador do movimento Somos Coimbra, José Manuel Silva, no período antes da Ordem do Dia da reunião da Câmara de 19/02/2018, numa longa explanação, apresentouAlgumas propostas concretas para a área de reabilitação urbana Coimbra-Baixa”. Ora, sobre este tema, no DC nem uma simples frase isolada. Tendo em conta o estado letárgico e de degradação acentuada desta zona velha, vai desculpar amigo director mas, enquanto profissional de comércio, não posso compreender este silêncio atrofiante do segundo mais antigo jornal da cidade.
Tentando ir ao encontro do que defendo, não queria terminar esta missiva sem lhe fazer uma sugestão: que no dia seguinte às reuniões camarárias, Executivo e Assembleia Municipal, em vez de unicamente dedicar a página 05 para assuntos tratados no dia anterior na reunião da autarquia, juntar também a página 04. Como sabe também, raramente é notícia no jornal a intervenção consagrada ao público. Como vê, haja vontade para disponibilizar mais uma página, assuntos não faltarão. Pela prossecução do espalhar da mensagem política, ganharemos todos, incluindo o DC, caro director.
Vale a pena pensar nisto?

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

ENCONTRO DE COMERCIANTES NO SALÃO BRAZIL





Caro Colega,


A Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC), com o intuito de dar continuidade aos encontros de comerciantes para partilha de ideias e avaliação das actividades desenvolvidas pretende agendar um novo encontro para o dia 26 de Fevereiro (segunda-feira), pelas 19h30, no Salão Brazil.
Esta reunião terá a seguinte ordem de trabalhos:

· Avaliação da Campanha de Natal e seu impacto na actividade comercial;
· Relatório de actividades 2017;
· Sugestões para o Plano de Actividades de 2018;
· Outros assuntos de interesse dos comerciantes

A APBC ainda propõe continuar o encontro de comerciantes num jantar num restaurante da Baixa de Coimbra.
Solicitamos que caso estejam interessados em participar no encontro e no jantar nos informem até ao próximo dia 23 de Fevereiro de 2018, por telefone (239 842 164), telemóvel (914872418 Carina Alves), ou por email (apbcoimbra@gmail.com).

A V/colaboração é fundamental, atenciosamente,


A Direção da APBC”

PARA MEDITAR... (SOBRE A RESPOSTA DO PRESIDENTE DA CMC)

(Foto do jornal Campeão das Províncias)



O vereador do movimento “Somos Coimbra” alertou, hoje, para “desqualificação funcional” da «Baixa» da cidade dizendo que ela se debate com “fenómenos de degradação física”.
Ao intervir em reunião da Câmara conimbricense, José Manuel Silva fez notar a existência de “processos de erosão social e económica” e aludiu a “novos desafios de reabilitação urbana e de reurbanização”.
A ambição expressa para Coimbra é incompatível com um Centro histórico frágil”, opinou o médico.
O líder do Município, Manuel Machado (PS), limitou-se a replicar que o plano estratégico adoptado é o subjacente às áreas de reabilitação urbana.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

EDITORIAL: FEIOS, PORCOS E MAUS






Hoje, com a globalização e pela agressiva manipulação
das necessidades pelas redes sociais, o consumidor,
ainda que fragmentado em massa abstrata, é a
máquina insaciável que, em busca de novidade
e de festa, num canibalismo sem precedentes,
tritura tudo à sua volta.”

A semana passada, mais propriamente na quarta-feira, o Diário as Beiras anunciava IKEA pode trocar Coimbra pela Figueira da Foz”, ou seja, que preterindo Coimbra, a administração da multinacional sueca poderia escolher a praia da claridade para se instalar. Embora dois dias depois, na sexta-feira, o jornal viesse desmentir a sua própria notícia -”IKEA não abre nem em Coimbra nem na Figueira”- a querela disparou nas redes sociais com acusações directas para a Câmara Municipal e para os comerciantes da Baixa de Coimbra.
Antes de prosseguir, gostaria de deixar uma ressalva: embora seja parte interessada -já que exerço uma actividade comercial na Baixa-, vou analisar esta questão com objectividade, independência, justiça, seriedade e, sem parecer fazer de advogado seja de quem for, tentar construir uma crónica que sirva para reflectir sobre um assunto que, a cada dia que passa, se torna mais urgente debater em profundidade.
Antes de explorar de per si as queixas que cada utilizador, em agremiação e individual, endereça ao grupo profissional do comércio e à entidade municipal, creio, vale a pena especular sobre o que escreveram e o que os motiva a despejarem, com elevado grau de azedume, toda a sua frustração e culparem por inteiro, por um lado, os comerciantes do estado calamitoso desta parte baixa da cidade, por outro, o município por incapacidade de conseguir fixar em Coimbra a marca da cadeia de móveis descartáveis.
Comecemos por ler os comentários:

O IKEA, farto de esperar, olha com interesse para a Figueira da Foz. Aqui instalam-se Cidadunzas e sonha-se com aeroportos internacionais

Mais uma vez, Coimbra a ser posta de lado pelos seus desgovernantes locais. Perante isto, só resta ao vetusto Presidente do Município de Coimbra e Presidente da Associação Nacional de Municípios, um caminho que é a demissão! Chega de atrofio e sufoco camarário e das desgraças do PSD, CDS, PS e CDU, em Coimbra!”

    Enquanto isso os que realmente querem comprar moveis no IKEA vão deixar o dinheiro a outras cidades. Enquanto acharmos que é preciso ajudar o comercio local, quando nem ele se ajuda a si próprio, Coimbra continuará na cepa torta com com níveis elevados de desemprego. Sim, porque não são as lojas do comercio da baixa que vão dar emprego a tanta gente. Eu vou continuar a ir a Matosinhos
    comprar no IKEA, já que por aqui não encontro nada do género”
Confesso que esta lengalenga do comercio tradicional já começa a cansar. Caramba, acordem! Ponham os olhos noutras cidades, e deixem de estar à mingua das ajudas destes e daqueles e a achar que todo o mundo está contra o comércio tradicional. E para que conste faço compras no comércio tradicional e vou ao mercado.”

Não podemos ter aqui nada, porque com o já se viu, dá cabo do comércio local. Enfim!”

Coimbra deve criar infraestruturas para atrair grandes clientes. Essas empresas vão criar riqueza postos de trabalho, baixar o desemprego. É urgente uma mudança de política que faça as empresas escolherem Coimbra”

A estreiteza de vistas dos comerciantes de Coimbra impressiona-me sempre e não tenho dúvidas que a par da Câmara são responsáveis pela decadência em que esta está cada vez mais a cair.

Enquanto o disco tocar assim dificilmente deixamos de ser uma aldeia em ponto grande!”

Os comerciantes de Coimbra (fechados no seu espírito empresarial da década de 60) lá terão de continuar a ver os consumidores a irem a Loures ou Matosinhos.”

É mesmo isso. Coimbra parou no tempo e os comerciantes também. Eu também vou continuar a ir a Matosinhos já que em Coimbra o que há neste campo é fraco ou não existe mesmo.”

O que mudou foi a sociedade, hoje a minha filha com poucos cliques compra coisas de qualquer parte do mundo em meia dúzia de segundos, a com a rede de transportes que Portugal hoje tem para a maior do País, em menos de duas horas colocamo-nos a partir de Coimbra em qualquer dos outros grande centros urbanos. Por isso não querer algo aqui porque vai prejudicar o comércio local é uma enorme falácia, eu e muita gente não deixa de comprar coisas no Ikea porque não há em Coimbra.
(…) Goste ao não goste, os comerciantes da baixa se nos querem lá, terão que nos tratar bem, ter variedade, qualidade e horários flexíveis por que se não vamos a outro lado, oferta é que não falta aqui em volta de Coimbra. (…) Pela idade que tem já devia saber que o problemas dos comerciantes não dizem nada aos clientes, eles querem é ser bem atendidos (…)”

O RESSENTIMENTO E A POLÍTICA PARTIDÁRIA

Não é preciso ser licenciado em sociologia para verificar que nestes comentários estão envenenados por dois factores: o político partidário, endereçado à Câmara Municipal, e o ressentimento, no concernente aos profissionais de comércio. Se o primeiro até se compreende relativamente bem, já que o homem, socialmente, é um bicho político e a ideologia misturada com partidarismo ofusca-lhe completamente o discernimento, já o segundo, o sentimento despeitado contra os profissionais de comércio, custa a entender. Mas, com esforço, até se chega a perceber. Claro que, para se alcançar, é preciso especular sobre o que está por trás deste comportamento:

Historicamente, com maior intensidade a partir das teorias marxistas no terceiro quartel do século XIX, o comerciante foi sempre visto pela comunidade, sobretudo pelo comprador, como um rentista (que vive de rendas), um explorador, um parasita social que se alimenta da mais-valia, excedente das receitas sobre as despesas. O respeito foi sempre “imposto” pela sua posição validada pelo sucesso capitalista que, pela oferta de emprego, concessão de empréstimos a juros, contribuição choruda para partidos em campanhas eleitorais, sempre estabeleceu uma certa subserviência quer do cidadão comum, quer do poder instituído pelo sistema.
Atente-se que, a atestar esta tese de venerar por obrigação em relação directa com o estatuto, estão os recentes desaparecimentos do nosso mundo de grandes empresários com Belmiro de Azevedo e Américo Amorim e outros que, nas exéquias, tiveram homenagem e quase honras de Estado. É verdade ou não que o leitmotiv, o motivo condutor, que une todos os empresários, grandes, médios, pequenos e pequeníssimos, é o mesmo? Sabemos que o lucro é o horizonte-comum que os liga. Ora, por conseguinte, porque razão são uns idolatrados, os grandes, e outros, os pequenos, são renegados? Será somente o sucesso a razão directa para a vassalagem? É óbvio que sim! Penso que fica também claro o desprezo para os “varridos”, aqueles que insolventes partiram sem nada, e o notório ressabiamento para com os resistentes, os que, num anonimato que veio para ficar, com enormes dificuldades se arrastam pelas vilas e cidades do presente.
Contrariando outros tempos, em que as lojas eram o motor de revitalização dos lugares habitados e o consumidor, o cliente, era o combustível que fazia funcionar a máquina, nos nossos dias e desde há cerca de duas décadas, inverteu-se o conceito. Hoje, com a globalização e pela agressiva manipulação das necessidades pelas redes sociais, o consumidor, ainda que fragmentado em massa abstrata, é a máquina insaciável que, em busca de novidade e de festa, num canibalismo sem precedentes, tritura tudo à sua volta. Sem consciência social, esta molhe humana está a marimbar-se para a desertificação do interior do país ou dos centros históricos das cidades -cuja essência de causa é a mesma- e busca apenas o seu interesse narcisista. Dêem-lhe festa de romaria, inovação e preços ao desbarato e tudo está conforme as escrituras da nova doutrina consumista. Quer por parte de instituições político-partidárias, quer por parte de desabafos que por vezes se ouvem, ninguém acredite em lamúrias derramadas em lágrimas de crocodilo sobre o esvaziamento da Baixa de Coimbra, assim do género: “ai que pena isto estar assim! Está tudo fechado!?! Quem viu esta zona e a vê agora! Gosto tanto da Baixa!
Aos olhos de muitos, talvez a maioria, que se esqueceram da sua origem humilde e da memória dos seus ancestrais que trabalharam no comércio, aqueles que por cá continuam, passando o exagero da frase, são “feios, porcos e maus”! 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

sábado, 10 de fevereiro de 2018

BAIXA: NA INDIGÊNCIA TAMBÉM SE DISCRIMINA





Foi há cerca de um ano que deixei de ver o Cadaxo. A Praça do Comércio era o seu pequeno mundo. Rodeado de pombos, a quem distribuía migalhas certamente trazidas da Cozinha Económica, sentado num banco de madeira ou nas escadas da Igreja de São Tiago, era ali o seu quartel-general. Apareceu por cá há volta de vinte anos. Como as andorinhas, de tempos-a-tempos, partia em busca de outro clima mais quente, ou para fazer uma desintoxicação ao álcool. Retornava sempre ao ponto de partida. Era um sem-abrigo. Um rosto nosso (des)conhecido que vagueava entre nós. Sempre com histórias mirabolantes para contar. Cada um com um percurso de vida impressionante. Numa sina previamente anunciada, quase sempre morrem sozinhos.
Desta vez o Joaquim Cadaxo não voltou. O que lhe teria acontecido? Teria morrido? Se foi assim, até na morte se cumpriu a tradição: ou seja, se em vida foi um pária, para não variar, na hora do último acto de corpo presente ter-se-á seguido um enterro no maior anonimato. Não é a primeira que escrevo sobre a profunda discriminação que os indigentes, os acantonados da vida sem família, deveriam merecer algum respeito por parte das autoridades. No mínimo, tinham obrigação de informar a comunidade do seu falecimento. E para isso, tal como os ditos “normalizados”, era fazer anunciar o seu desaparecimento na sua área de convivência. A falta de informação de pessoas próximas é redundante e marca toda a diferença no seu sepultamento. Havendo conhecimento do falecimento, qualquer amigo ou conhecido pode contactar uma agência funerária e accionar uma cerimónia fúnebre com dignidade para o finado. Sendo o morto pensionista, a Segurança Social suporta o custo de um funeral mínimo. Tanto quanto julgo saber, sempre que um destes desprezados da vida se vai e não aparece nenhum familiar ou outro, o hospital -quando eles se finalizam lá- com uma cerimónia simplíssima, encarrega-se das exéquias. Pode até parecer que o que estou a escrever não interessa nada. Pensarão alguns, afinal se em vida ninguém lhe ligou patavina, o que importa o acto formal na morte? De facto, até porque é muito mais cómodo, poderemos todos pensar assim. Acontece que, a meu ver, para estas pessoas que em vida foram abandonadas, deveria haver por parte das autoridades um reforço da dignidade no último acto inter-vivos. Se a Constituição da República Portuguesa (CRP) prescreve que são “Tarefas Fundamentais do Estado” “Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais” -Artigo 9º, alínea d) da CRP-, porque esquecem estas pessoas? Bem sabemos que, na sua curta existência terrena, é muito difícil orientar estes sujeitos, mas, ao menos na morte, atribuamos-lhe a perdida dignidade de pessoa humana.

CURIOSO, ATÉ NA MISÉRIA HÁ DESIGUALDADE

Numa crónica assinada por alguém que não recordo o nome, na semana passada, em todos os jornais locais, foi defendida a ideia peregrina de fazer perpetuar a memória do “Carlitos popó” no Largo das Ameias, na Baixa. Para quem não sabe, o “Carlitos” foi uma personagem típica, carismática, com deficiência, uma rosa brava num jardim humano formatizado por iguais, que durante mais de meio-século percorreu as pedras milenares da zona histórica. Era também presença assídua na Procissão da Rainha Santa.
Como ressalva, sempre considerei o “Carlitos” como pessoa em vida e, tal como realizo sempre com outros que conheça e que andem por aqui, faço sempre questão de estar presente no seu funeral. Instituo isto porque entendo que se, enquanto são vivos, lhe dou palmadinhas nas costas, na hora da sua derradeira partida devo ter a mesma prossecução comportamental. Mas, sublinho, nesta homenagem final, tudo acaba aqui.
Quero dizer o quê com este arrazoado? Que, com todo o respeito pelas iniciativas particulares de cada um, não me convidem a colaborar em exageros. E a cidade é peculiar em excessos a homenagear “cromos”. Relembro que o “Taxeira”, um figurão popular entre a academia nas décadas anteriores a 1980, está memoriado numa rua da cidade. Posso não ser unânime, mas ninguém me tira da cabeça que estamos no campo do absurdo.
Portanto, pelo exposto, está de ver, numa desigualdade gritante para uns vai tudo, para outros, mais anónimos e que não caíram nas boas graças de muitos, nem um funeral nobre têm direito.
Vale a pena pensar nisto?