quinta-feira, 5 de abril de 2018

BAIXA: NOTÍCIAS DO NOSSO BAIRRO



No Terreiro da Erva, no antigo espaço da Cerâmica Antiga de Coimbra, Ldª, Viúva Alfredo de Oliveira, abriu a semana passada o restaurante Refeitro. Com uma simbiose perfeita entre as histórias da cerâmica e da boa cozinha conimbricense, enquanto se degustam os maravilhosos pitéus pantagruélicos, através de um vidro que separa a salas, podemos assistir à manufactura do barro, arte que desde sempre esteve ligada a Coimbra pela genialidade de Domingos Vandelli e Manuel da Costa Brioso. É uma iniciativa relevante, já que, infelizmente, hoje a faiança de Coimbra, outrora tão famosa no mundo inteiro, encontra-se em fase de desaparecimento.
O Refeitro, que serve também pratos vegetarianos, está aberto de Segunda a Sábado, das 12h30 às 15h00 e das 19h00 às 23h00. É resultado de uma parceria entre três sócios, um deles ligado à Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra.
Para este projecto inovador, em nome da Baixa, se posso escrever assim, desejamos o maior sucesso e ventura.


No antigo espaço do Saul Morgado, na Rua Adelino Veiga, abriu esta semana uma nova casa ligada à restauração, as Caves do Conde. Com garrafeira e prova de vinhos ao nível da rua e sala de restaurante no piso rebaixado, impera o bom gosto e o ambiente monástico, que convida à introspecção, com as suas arcadas de pedra é indescritível.
Para este novo negócio alimentar, em nome de todos quantos por aqui, pelo centro histórico, laboram, desejamos as maiores felicidades.



As obras no antigo Largo das Olarias, junto à Loja do Cidadão, depois de uma lentidão notória, parecem ter ganho alguma velocidade. Pelos vestígios arqueológicos que se avistam ao longo da futura Avenida Central, e tantas vezes incompreendidos pela sua contribuição para o atraso de tantas construções, dá para perceber que a história da cidade está ali representada em muros, muretes e fragmentos. Por muito que custe a todos nós, é um mal necessário.

(A Veludo Carmin, com duas lojas na Baixa, 
vai encerrar por estes dias a casa da Rua Eduardo Coelho.
Vai manter aberto o espaço na Rua Visconde da Luz)

Numa espécie de roleta russa, os estabelecimentos comerciais na Baixa de Coimbra continuam a claudicar. Em Janeiro encerraram 6. Em Março foram 7. Para este Abril e Maio estão anunciados mais alguns fechos de lojas. Aceitam-se apostas se a maioria socialista vai mover um dedo que seja para acudir a este extermínio anunciado do comércio tradicional. Há quem diga por aqui que se a arte de comprar e vender fosse considerada cultura e estivessem em causa subsídios de desempenho não atribuídos, Manuel Machado, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, já teria vindo colocar-se ao lado dos mercadores e pondo em prática políticas de revitalização. Assim, como cada comerciante para sobreviver e pagar as suas contas tem de dar o litro sem qualquer apoio, sem qualquer rede, como é óbvio, num país em que quem não mama não é sujeito de dignidade e de direito, de forma aviltante, que causa desonra, é esquecido e não merece qualquer respeito.

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