sexta-feira, 13 de julho de 2018

PRAZERES MAQUIAVÉLICOS

(Foto de Leonardo Braga Pinheiro)





Deliro de prazer quando o semanário Campeão das Províncias vem beber as notícias à minha mercearia e nunca cita a fonte. Cá o merceeiro, enquanto avia meio-quilo de açúcar amarelo a um freguês, no intervalo entre a balança António Pessoa e a tulha, com o corredor a mergulhar no fruto doce da cana, pára três segundos para reflectir. O encarregado do nobel estabelecimento popular sabe de onde vem a dor de cotovelo mas, jurando sobre a lápide do seu tetra-avô, não conta a ninguém.
O redactor das Vinagretas podia ser mais discreto e cuidadoso a copiar, como por exemplo não escrever que houve dois eventos na Praça 8 de Maio, um deles a Feira de Velharias. Convém recordar que o certame atribuído ao largo onde repousa D. Afonso Henriques, com enorme paciência perante certa mesquinhês que graça nesta cidade do conhecimento e culta, foi realizado no Terreiro da Erva.
Num semanário onde as virtudes são às resmas, onde não faltam as setas apontadas à concorrência pela falta de ética, não fica bem este “beber e não pagar”, ou pelo menos deixar a nota no grande Livro dos Fiados.
Por aqui, neste blogue que não reza para a história mas que carrega mais de vinte mil visitas por mês, em nome de alguns princípios que ainda nos restam, vamos continuar sempre a citar a fonte, como manda a sapatilha.
Bem-haja por a imprensa da cidade, no geral, nos ignorar completamente. Felizes daqueles que, pela sua irrelevância, ninguém lhes liga e, num gozo enorme, podem escrever o que lhes vai na alma.
No silêncio do obscuro, como nas grutas da Tailândia, tornamo-nos mais eremitas mas mais fortes. Como diria o outro: “quem não se sente não é filho de boa gente!


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