Segundo declarações do Conde Simão, postadas em
edital no jornal mundial de todas as gazetas, as ralações políticas entre este grande
senhor de montes e vales da margem esquerda do Mondego e o alcaide Manuel
Machado, governador da cidade fortificada, estão a dar água pela barba ao Rei
Dom Dinis e à sua venerada Rainha Santa Isabel, que este ano, em sinal de paz
e concórdia para o reino, mostra a mão aos portugueses -já que, em face de tão grande número de abusadores nacionais, mostrar mais está fora de hipótese.
As mensagens são claras e
concretas, e tudo indica que a tal pacificação podre entre os dois vassalos, que
permaneceu em banho-maria nos últimos três anos, deu num fedor imundo e, ao que
parece, a guerra civil vai estalar a todo o momento. O primeiro recado, escrito
nas nuvens do céu azul de Santa Clara, apareceu hoje de manhã, logo ao raiar da
aurora, e que assim que o Sol brilhou
desapareceu do éter. Citando de cabeça, dizia mais ou menos isto: “no Sábado, para a realização da 2.ª subida
mítica da Ladeira da Rainha Santa em bicicleta, pedimos licença à Câmara
Municipal de Coimbra. Por volta das 11h00 recebemos a comunicação do Gabinete
de Atendimento de que não foi autorizado pelo presidente, Manuel Machado.
Telefonei ao vereador do desporto, Carlos Cidade, e este autorizou.”
O segundo edital, agora posto em placa permanente,
a pedir a convocação e a mobilização geral para a guerra de todos os civis que
compõem o povo do reino santaclarense, surgiu assim: “Assalto à Freguesia de Santa Clara. Com a conivência da Câmara, S.
Martinho do Bispo está a atacar as fronteiras administrativas de Santa Clara
criadas em 25 de Novembro de 1854. Peço a todos os santaclarenses que defendam
as nossas fronteiras. Passaremos a todas as pessoas dos Alqueves atestados de
residência gratuitos e documentos comprovativos das fronteiras de Santa Clara.
Querem roubar-nos o IMI. Querem roubar-nos parte da freguesia. Esta Câmara está
a atacar Santa Clara. Temos de defender o nosso património.”
O terceiro édito, também publicado nas redes
portucalense e além-fronteiras, daria à estampa quase ao mesmo tempo, ou não
fosse o Conde Simão exímio na arte da escrita, assim: “Mais um ataque a Santa Clara. A Câmara de Machado diz que temos de
fazer todas as obras protocoladas até ao mês de Novembro, mas a Câmara é que
faz os projectos e a maioria são entregues em Dezembro. Como é que se entrega
uma obra pronta em Novembro, quando a câmara entrega os projectos em Dezembro.
Li há dias num jornal da cidade que não assinaram os protocolos com Santa Clara
por falta de entrega de documentos, mais uma mentira nojenta do município.
Santa Clara não tem culpa de esconderem a documentação enviada por esta
freguesia via email e via CTT. Fazem tudo para que pareça que as freguesias de
Santa Clara e Castelo Viegas negligenciam os trabalhos.”
Segundo uma fonte anónima pouco credenciada
para questões de Estado, perante o iminente rebentar da guerra entre o condado
de Santa Clara e vizinhos, Simão, mesmo colocando o seu aforismo de lado “para
o norte, carago”, está a estudar a possibilidade de mudar de concelho para sul.
Embora de cor política contrária, já estão a ser negociados acordos entre Santa
Clara e Condeixa.
Segundo um aio de Dom Dinis, o Rei está muito
preocupado com o eclodir do conflito bélico e provável separação da freguesia.
Ao mais alto nível da magistratura de influência local estão já ser encetados
contactos com o movimento Cidadãos por Coimbra para mais um possível referendo.
Perante tão inusitadas declarações do Conde
Simão, justificava-se ouvir a parte contrária referenciada. No entanto, não foi possível
ouvir o alcaide Machado, mas, em boa verdade nem é preciso. Facilmente se
adivinha o que diria o governador-geral do condado conimbricense. Se assim não
fosse, muito próximo andaria: “porra,
porra! Não há gaita que o contente! Tenho feito tudo para lhe agradar. Mandei arranjar
a zona envolvente do convento velho, concluí as obras do Centro de Congressos
São Francisco e, em sua honra –ou não me chamem “Manel das rotundas”-, mandei
edificar uma grande rotunda na avenida da Guarda Inglesa e que, por acaso, até
estou a pensar em lhe dar o baptismo de Conde Simão. Tal como já vinha
habituado do outro milénio, continuo a não ser entendido. Porra! É muita
injustiça para um homem só!”
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