terça-feira, 29 de maio de 2018

COIMBRA: PORQUE É QUE OS PARTIDOS COM ASSENTO NO PODER CAMARÁRIO NÃO UTILIZAM TODAS AS FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO AO SEU DISPÔR?

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



Esta página tornou-se, volto a afirmar,
uma sucursal do "Somos Coimbra".
Já que ninguém passa pela página própria
do Facebook, passam as publicações deles
por aqui amiúde, diariamente!”

Há dias, e não foi a primeira vez, um membro da Página da Câmara Municipal de Coimbra (Não Oficial) fez o seguinte comentário: “Esta página tornou-se, volto a afirmar, uma sucursal do "Somos Coimbra". Já que ninguém passa pela página própria do Facebook, passam as publicações deles por aqui amiúde, diariamente!
A resposta dada foi assim: (…) tenho a certeza de que está a ser injusto. Nesta página cabem todas as ideologias, tendências e credos desde que cheguem cá. Que haja alguma força partidária que venha dizer que não demos à estampa uma qualquer sua publicação. Se o movimento Somos Coimbra é o mais dinâmico em termos de comunicação a culpa será dos administradores desta página? Tenha paciência, mas acho que essa sua acusação, por ser tremendamente injusta, não lhe fica bem!
Antes de prosseguir, a título de ressalva porque nem todos conhecem o sítio da Internet, esclareço que o mural foi criado, há cerca de três anos, por um cidadão de nome Gonçalo S. Gunty, que não conheço pessoalmente. Embora não habite na urbe, alegadamente apaixonado por Coimbra teve por objectivo criar um painel virtual independente onde coubessem publicações e comentários, em jeito de lamento ou elogio, sobre acções e omissões decorrentes na cidade e, por reflexo natural, que o órgão administrativo de superintendência municipal tomasse conhecimento e viesse replicar.
Certamente por verificar que eu serei porventura, o “cliente” que mais publica crónicas na página, convidou-me para moderador. Em que assentou o seu critério de escolha ainda estou para saber.
Esclarece-se ainda que este mural não oficial com assento digital detém 5992 membros.
Decidi pegar neste assunto porque, como escrevi em cima, embora a participação escrita de outros partidos ou movimentos não seja da responsabilidade dos administradores do site, de facto, pode gerar algum prurido nada melhor do que falar abertamente da matéria em causa.
E depois da constatação, isto é, de que os partidos locais com assento parlamentar, dos vereadores com e sem pelouros atribuídos, exceptuando o movimento Somos Coimbra, comunicam pouco com os eleitores, vamos a especulações:
Comecemos pelo Partido Socialista, que ganhou as últimas eleições em Outubro de 2017 para autarquia e, em 11 lugares, elegeu 5 vereadores. Que me lembre, considerando o anterior mandato também de liderança socialista, perante centenas, senão milhares de questões formuladas por conimbricenses, pequenos problemas que por vezes são enormes para quem os enfrenta, até agora, nunca o Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Coimbra se dignou vir dar nota. Por arrastamento, provavelmente os departamentos responsáveis pelo suprimento das queixas dos munícipes também nunca deram um “ai espera aí que já lá vou!” -por vezes, isoladamente, são alguns funcionários da edilidade que comentam ou escrevem que vão dar conhecimento superior.
Há tempos, um membro da página comentou um problema que visava indirectamente um vereador com pelouro no executivo. Como faz parte da lista dos meus denominados amigos no Facebook, entrei em contacto com ele, via email, e interroguei se não queria comentar. Não houve resposta.
Ao não interagir com os membros do site, nem que fosse através do oficial gabinete de comunicação, salvo melhor opinião, o executivo de maioria socialista está a desperdiçar uma oportunidade de ouro. Ao fechar-se na sua concha, parece mostrar medo dos comentários que possam advir. Consigo entender mas, se, enquanto lista proposta pelo partido, o grupo de poder foi candidato ao lugar e foi eleito, é óbvio, tem que demonstrar manter uma certa tolerância com quem discorda das suas soluções ou métodos governativos. O que cada recorrente particular está obrigado é a utilizar argumentos e não ofensas ao desbarato -e para isso, enquanto moderadores, cá estamos para expulsar quem não cumprir as regras de convivência social.
Passemos à CDU, Coligação Democrática Unitária composta pelo PCP e PEV. Que me lembre, nunca o vereador eleito com pelouros, Francisco Queirós, publicou ou simplesmente comentou qualquer assunto que lhe diga respeito, directa ou indirectamente. Tal como os restantes vereadores com pelouro, o mutismo é o seu discurso habitual.
Foquemos agora a coligação Mais Coimbra, composta pelos partidos PSD/CDS-PP/MPT/PPM. Dos seus três vereadores, sem pelouro, o único, no caso uma senhora, que vai publicando qualquer coisa é Madalena Abreu. Dos restantes dois eleitos pouco ou nada se sabe. Correndo o risco de estar a meter foice em seara alheia, mais uma vez defendo que estes edis não estão a aproveitar um instrumento que, em princípio, chega a seis mil pessoas (embora nem todos sejam votantes na cidade).
E agora, para terminar, para analisar, resta-nos o movimento Somos Coimbra. Na qualidade de eleitor independente e moderador, constato que, em comparação com os pares com assento no hemiciclo, este agrupamento político utiliza muito a página para passar a sua mensagem. Ainda bem que o faz, porque, enquanto contrapoder, ao realizar a sua acção noticiosa, por um lado, está a contribuir para a formação política dos conimbricenses, por outro, é um recurso que está a ser bem usado já que os jornais locais pouco escrevem sobre as propostas da oposição -saliento que este problema não é recente, de tão antigo já tem barbas brancas. A nossa comunicação social está mais receptiva ao poder que manda na Praça 8 de Maio do que os oponentes. Ora, está de ver, já o escrevi várias vezes, esta assimetria de poder gera um tremendo desequilíbrio e contribui para (de)formar cidadãos num pensamento único e, por vezes, num politicamente correcto. Portanto, não é de admirar que, parafraseando um amigo analista que também escreve muito, a cidade dos doutores não tenha a chamada “sociedade civil” ou “massa crítica”.
Quem procura ir ao fundo das coisas, facilmente verifica que, por cá, grassa a palmadinha nas costas no poder instituído ou no candidato que se prevê vir a ocupar a cadeira no futuro. Em público, raramente as pessoas dizem o que pensam seja lá sobre que assunto incidir mas, se for político, então o “camaleonismo” salta imediatamente e a máscara afivela-se com despudor. É uma espécie de jogo de espelhos entre o trafulha e a vítima, em que ambos estão à defesa. Um e outro sabem que dali não levam nada mas, pasme-se, continuam a alimentar o desafio para inglês ver. É um bocado triste, para não dizer asqueroso, mas é o que temos.
Não sei se, com esta longa história, trouxe um pouco mais de luz. Mais que certo não acrescentei nada, mas fica a intenção. Quem quiser noticiar qualquer assunto, seja particular, instituição, movimento ou partido, estamos sempre abertos para o fazer. Aliás, só assim se entende o objecto da Página da Câmara Municipal de Coimbra (Não Oficial).

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