A história que trago para os senhores conta-se
de uma penada. Não traz nada de novo neste país cheio de passado honroso, de orgulho
e glória, mas povoado de certos filhos de mãe –não escrevo filhos de puta,
porque fui mal-educado mas bem formado pela vida.
O Paulo Simões, um ex-comerciante que, montado
num barquinho a cavalgar as ondas económicas vindas de longe, em Outubro último,
entrou à bruta no mar da insolvência. Com 49 anos e 37 a trabalhar viu ser-lhe atribuído
pela Segurança Social um subsídio de sobrevivência de 178,00 euros. Por este
escândalo, que deveria envergonhar todos os políticos sentados no Parlamento,
um grupo de comerciantes, seus colegas, na antevéspera do Natal, promoveram um
jantar de apoio para angariação de um pequeno fundo que permitisse a este
trabalhador poder passar melhor a quadra na companhia dos seus dois filhos
menores, já que a verba consignada, embora atribuída, chegaria neste Janeiro.
No mês que corre, neste ano de Nosso Senhor
Jesus Cristo para alguns, há dois dias o Paulo foi notificado pela Segurança
Social de que os dois meses, Novembro e Dezembro, tinham sido depositados na
sua conta bancária. Ontem o Paulo dirigiu-se à entidade bancária para resgatar
o dinheiro que mais do que por direito deveria ser dele e só peca por ser pouco.
A conta estava a zeros. A entidade bancária (que não refiro o nome por que me
provoca asco), pelo saldo devedor, tinha rapado o magro pecúlio que deveria
servir para o Simões comer e alimentar os seus filhos. … Não escrevo mais nada!
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