sexta-feira, 6 de julho de 2018

ECONOMIA: DESCULPE LÁ PERGUNTAR, MAS…?







O Governo, através da comunicação social, não pára de nos bombardear com notícias de que a economia nacional está muito melhor. Repare-se que não diz somente que “está melhor”, amplia para “muito melhor”.
Dividido numa procura incessante entre se o governo falará do mesmo país em que vivo e trabalho, Portugal, até já fui ao oftalmologista e adquiri novos óculos. Surpresa ou talvez não, continuo a assistir na Baixa de Coimbra a vários encerramentos de lojas comerciais por insolvência. Para um universo comercial relativo como é a cidade são demasiadas falências. Logo, por inerência, dei por mim a pensar que este terminar de um ciclo é transversal a todo o nacional. Ou seja, andam a tentar vender-me um país que não existe. Se me disserem que a economia - não a dívida Pública, que não há quem a agarre – está muito melhor que no período de intervenção da Troika, acredito. E sinto isso. Agora, por favor, não nos façam embandeirar em arco! Não há necessidade!
Hoje o Diário as Beiras (DB), num excelente trabalho, apresenta-nos os números que acabam com a ilusão de que (finalmente) estamos a viver num paraíso.
Começa logo no título esclarecedor: 

“Número de insolvências aumentam 3,1 por cento no distrito de Coimbra”.
E prossegue o DB, “O distrito de Coimbra registou um acumulado de 111 insolvências no primeiro semestre deste ano, mais 13 do que as verificadas em período homólogo de 2017. Este número representa um aumento de 3,1 por cento em comparação com o ano anterior, exatamente metade da média nacional (6,2 por cento).
Registaram-se 600 ações de insolvência em junho, mais 15,2 por cento que em igual período do ano passado. Este é o segundo mês do ano com maior número de insolvências – maio bate o recorde com 723 -, o que se deve ao aumento no número de processos concluídos.”

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO: E OS PRÉMIOS VÃO PARA…?







Segundo o Diário de Coimbra de ontem, os vencedores do Orçamento Participativo são: “O Concerto “Por este Rio Acima” no Terreiro da Erva (33.320 euros) e o projecto de criação de um parque infantil e intervenção em espaço verde “Jardim da Sereia… para brincar” (50.000 euros) – apresentados no âmbito do Coimbra Participa; uma Curta metragem no Centro Histórico de Coimbra (15.500 euros), um Festival de Fado (20.000 euros) e o 1.º Festival de Humor de Coimbra (20.000 euros) – apresentados no âmbito do Coimbra Jovem Participa – são os projectos vencedores da 1.ª edição do Orçamento Participativo, ontem distinguidos durante a sessão solene. Do total de 53 propostas apresentadas, 33 foram colocadas a votação pública, registando-se um total de 11.562 votos. O município investe 138 mil euros nos projectos vencedores.”

IMPRENSA DE COIMBRA: TEMOS CASAMENTO?

Foto de Diário de Coimbra.




É da psicologia social, havendo convivência entre duas pessoas por muito tempo, para além de desenvolver um sentimento mais profundo além da amizade singela, assiste-se a uma espécie de osmose, um transporte passivo das diferenças e aceitação comum. Isto é, num processo de integração, onde a desigualdade permanece mas sem conflito, passam ambos a pensar e a proceder da mesma maneira perante um caso igual.
E lembrei-me deste paradigma social para mostrar que os dois diários da cidade, Diário de Coimbra e Diário as Beiras, hoje com dois títulos de primeira página iguais sobre a Procissão da Rainha Santa -"Coimbra venera a sua Rainha"-, não tardará muito, digo eu, encetarão uma união de facto. As diferenças que os desunem são cada vez menores, portanto, atentemos aos próximos tempos, ou temos casamento ou junção de trapinhos.
Pode ser impressão minha, e escrevo isto sem qualquer fundamentação, mas, nos dias que aí virão, iremos ter surpresas na comunicação social em Coimbra.
Para quem se lembrar, o Diário de Coimbra, há uns anos, já levou para o seu hárem o Jornal de Coimbra, semanário do conceituado jornalista Jorge Castilho, e arrumou-o bem, tão bem que nunca mais ninguém lhe colocou a vista em cima.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

HOJE A RAINHA SANTA DÁ INÍCIO A UMA VISITA À BAIXA





Pelas 19h00, a Rainha Santa Isabel, padroeira da cidade, saiu da Igreja de Santa-Clara-a-nova em direcção à igreja de Santa Cruz onde ficará acomodada até ao próximo Domingo, em que regressará à sua casa de sempre.
Não se prevêem, nem por parte da Rainha nem por parte do seu séquito, grandes compras no comércio da Baixa. Ao que tudo indica, seguindo o hábito anterior, são três dias apenas para descansar e colocar a conversa em dia com o senhor Rei Afonso Henriques e seu filho, D. Sancho I. Não se sabe ao certo se a confabulação abordará somente a política local ou política nacional.
É mais que certo que virão à baila dois assuntos. O primeiro é a razão dos vendedores (des)ambulantes de etnia cigana terem sido hoje transferidos a toda a pressa para o Largo da Maracha com a explicação sumária de que “era preciso porque se vai inaugurar qualquer coisa”. Presume-se que tem a ver com a visita, ontem, à nova meia Avenida Central.
É natural que a Rainha Santa deixe no ar perguntas ao Executivo municipal liderado por Manuel Machado:

- Não chega já de andar com esta gente aos encontrões de um lado para outro? Para quando uma solução digna e definitiva numa situação que se arrasta há quarenta anos?

E outra ainda:

- Alguém se lembra que no Largo da Maracha está um comerciante de artigos desportivos que, fosse lá por que fosse, viu o seu espaço visual invadido por tendeiros? E mais ainda: que, sem aviso prévio, está obrigado a concorrer com outros vendedores a venderem à sua porta também calçado desportivo?

E outra ainda:

- Por que razão, este ano, a distribuição de colchas emprestadas aos particulares passou para a Casa da Cultura, na Rua Pedro Monteiro, mal servida de transportes públicos?

Ao que parece algumas velhinhas, residentes aqui na Baixa, descontentes com a transferência – nos anos anteriores a cedência era feita na Casa Aninhas, na Praça 8 de Maio, e depois no Mercado Municipal – fizeram chegar à padroeira o seu desagrado.
Desconhece-se se, por todos estes atropelos societários, a Rainha irá impor penalizações em jeito de penitências. A acontecerem, é muito provável que Machado, com um megafone na varanda da Câmara Municipal, seja obrigado a pedir perdão pelos desatinos dos últimos quatro anos, mais uns meses e uns dias a todos os munícipes que se sentirem lesados pelo seu reinado, que não deixa história na vida da cidade.

terça-feira, 3 de julho de 2018

BAIXA: CRÓNICA DA SEMANA PASSADA




INÍCIO DA HISTÓRIA


No antigo espaço desaparecido da “Tecla Divertida”, na Rua das Padeiras, abriu a semana passada uma nova loja de artigos eléctricos, desde lâmpadas diversas até fichas e tomadas, e de componentes para telemóveis.
Ao que parece, este novo investidor esteve associado na encerrada “Tecla Divertida”. Após separar a sociedade de artigos de festa, apostando em artigos diferentes, decidiu continuar a arriscar na baixa da cidade.
Com uma diversidade digna de nota, aconselho uma visita a esta nova loja.
Em nome de todos os que aqui labutam, se posso escrever assim, desejamos as maiores felicidades.


“AQUI HÁ GATO”


Na terça-feira da semana passada, na presença, elevada pela consideração, de muitos amigos do expositor, no Recordatório Rainha Santa Isabel, ao lado do Portugal dos Pequenitos, foi inaugurada, e estará presente até 30 de Julho, a exposição de fotografia de Mário Afonso.
Sobre o tema “Aqui há gato”, o visitante pode perder-se pelas imagens “falantes”, cheias de sensibilidade, do autor. Cerca de vinte fotografias de gatos, captadas pelo olhar artístico de Mário Afonso, nas mais variadas posições, mostram, ou parecem mostrar, que os felinos também têm sentimentos e, para quem tiver disponibilidade mental para recolher os momentos, transmitem uma linguagem de amor.


UM HOMEM DECIDIU MORRER


Na última quinta-feira, por volta das 13h30, um homem de cerca de 35 anos, depois de ter acessado às torres do Arnado pelo rés-do-chão, entrou no elevador que dá acesso a diversos serviços judiciais ligados ao Ministério da Justiça, abriu uma das portas de emergência do 6.º andar e atirou-se no vazio.
No pouco que consegui saber, era um homem de olhar perdido, vazado, de rosto amargurado, cabelos desgrenhados e barba de muitos dias. Digo eu, extraindo palavras não proferidas, anunciava e cheirava a morte.
Os jornais diários da cidade, Diário de Coimbra e Diário as Beiras, não escreveram uma linha sobre a ocorrência. Porquê? Não era assunto?


SOFIA, MEU ESTUPOR

(Imagem da LUSA)


Em 2013, a 22 de Junho, a Universidade e a Rua da Sofia foram distinguidas pela UNESCO como Património da Humanidade. Seria de supor que por parte da Universidade de Coimbra e a Câmara Municipal, entidades promotoras na classificação, promovessem esta interessantíssima antiga rua dos Colégios e, por arrastamento, servisse de embrião para revitalizar toda a área protegida em redor. Deveria ser assim, não deveria? Pois deveria! Mas os interesses da Universidade estão acima do benefício da cidade e do bem comum. Daí perceber-se que, com grande alarde, numa reportagem patrocinada pela Universidade ao jornal PÚBLICO se escreva: “A estratégia global passa pela internacionalização da Universidade de Coimbra no sentido de afirmar o património e a cultura como ativos essenciais para o desenvolvimento sustentável”.
Pergunto eu, que sou assim para o “parvoide”: e para quando a estratégia global passa pela internacionalização da cidade?
Daí percebermos que “A Universidade de Coimbra viu crescer de forma extraordinária o número de visitantes (de 192 mil turistas em 2012 passou, em 2017, para mais do dobro, 501 mil) e o aumento das receitas com o turismo foi ainda mais impressionante, ajudando a resolver as contas da instituição: de cerca de 300 mil euros em 2012 subiu para os quatro milhões de euros no ano passado” -extraído do Diário de Coimbra, na sua edição especial de aniversário, em 22 de Junho de 2018.
Está tudo dito? Não, não está! Para entreter e abafar clamores de revolta o que fez há dias a Universidade? Teatro! Pois claro! Enquanto a Universidade cresce para o infinito e a Baixa se afunda para a chafurdice a nobel casa do saber dá-nos teatro!
E foi assim que, segundo a LUSA, “O espetáculo "Sofia, Meu Amor!" estreia em Coimbra, num percurso que convida a abrandar a marcha na Rua da Sofia para tornar visíveis "pequenos cacos de vida" de uma zona que por vezes parece "invisível" aos próprios habitantes da cidade.”


CARREGAR BATERIAS EM IPANEMA



O nosso mais famoso ardina, e único que resta de uma profissão em desaparecimento na cidade, o Vitor Manuel Lucas, depois de quase três meses no outro lado do Atlântico a carregar a bateria do amor, regressou há poucos dias de terras de Vera Cruz. Um pouco mais magro e macilento, o que se compreende já que é uma longa viagem desde o Brasil até Portugal e, inevitavelmente, leva à queima de muitas calorias, o Lucas, mesmo assim, muito mais rejuvenescido -afinal, digo eu, que pouco percebo do assunto, uma brasileira boa faz milagres-, está pronto para alegrar as nossas ruas com o pitoresco pregão: “Olha o Despertar! É p'ro menino e p'ra menina! Olha o Campeão, umas vezes diz bem, outras vezes não!”

TRANSFERÊNCIAS



Encerrou na semana passada a filial da Caixa Geral de Depósitos na Rua Ferreira Borges. Lembra-se que a sede deste banco público dista deste balcão agora encerrado cerca de uma centena de metros, no início da Rua da Sofia e com frente para a Praça 8 de Maio.
Do ponto de vista de racionalidade económica, e de uma gestão criteriosa, aquele prédio bancário agora encerrado não fazia sentido continuar aberto. Podemos adiantar que é mais uma perda para Baixa? E sobretudo pelo fecho de dois Multibancos, um na Rua Ferreira Borges e outro nas traseiras, na Praça do Comércio? Isto podemos, e com toda a razão, mas muito mais, a meu ver, não. Não é um desaparecimento igual a outras terras do interior desertificado. Aqui, em Coimbra, há alternativas. Com tudo o que estou a escrever não quer dizer que concorde na totalidade, é sempre mais uma casa fechada, porém, temos de medir as coisas com objectividade. Nas últimas décadas, todos nós, acostumamo-nos a ter todos os serviços junto à nossa porta. Mas os tempos mudaram e o melhor mesmo é começarmos a encarar a realidade.












MACHADO, O NOSSO BENFEITOR, NÃO GOSTA DE ASSOCIAÇÕES?

(Esta foto é de 2013, em período de campanha eleitoral, quando Machado, cheio de sorrisos, procurava ganhar os votos dos comerciantes da Baixa)




O Presidente da Direcção da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME) solicitou a Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, uma Audiência em 11 de Abril de 2018 para, sobretudo, falar do estado do comércio tradicional na Baixa de Coimbra.
O que fez Machado? Respondeu a marcar um encontro? Ora, ora! Quase nada! Ou seja, continua a entreter para ver se a CPPME desiste. Grande Machado! Assim é que é! No Antigo Regime, no tempo de Barbosa de Melo, é que se recebia quem solicitava audiência! Por isso, se calhar, é que perdeu a cadeira do poder! 
Vêm esses gajos lá de Lisboa a quererem meter uma lança em Coimbra? Por alma de quem? Se ao menos fossem da UGT! Às tantas, digo eu, estão ligados aos partidos da geringonça, que querem partir tudo até às eleições nacionais para o Parlamento! De Lisboa nem boa sardinha nem boa broa! Até por que nada justifica que se gaste gasóleo num período de contenção. E mais: o comércio de rua está de muito boa saúde! Homessa! Desde Janeiro, último, só encerraram 23 espaços comerciais na Baixa da cidade! Este número vale alguma coisa? Claro que não! Se fosse para aí uma centena, ainda vá que não vá! Agora receber estes gajos de Lisboa por apenas 23 encerramentos? Tenham dó! Esperem sentados!


TEXTO REMETIDO PELA CPPME PARA DIVULGAÇÃO


“Exmo Senhor

Dr. Manuel Machado

Presidente da Câmara Municipal de Coimbra


O Presidente da Direcção da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME) solicitou a V. Exª uma Audiência, em 11 de Abril de 2018, com o objectivo de:

i) Apresentar cumprimentos e desejar um bom  mandato a V. Exª e respectiva equipe;

ii) Dar a conhecer a actividade da Confederação e avaliar da possibilidade de trabalho em parceria, entre as nossas duas instituições, na defesas dos Micro, Pequenos e Médios o Empresários (MPME) do Concelho de Coimbra;

iii) Comunicar as conclusões da Reunião com os Comerciantes da Baixa de Coimbra, que a CPPME realizou no dia 10 de Abril de 2018.

No seguimento do envio da solicitação da reunião por e-mail (11Abr18), entramos em contacto telefónico com o Dr. Nuno Mateus, Chefe de Gabinete da Presidência, sempre na tentativa de que a audiência se realizasse o mais breve possível, dada a urgência das matérias em referência.

Entretanto, no dia 26 de Junho de 2018, recebemos na Confederação um telefonema de Brigida Mateus, a propor uma reunião com André Monteiro, do Gabinete de Apoio ao Empresário.

Como é do conhecimento do Senhor Presidente, Drº Manuel Machado, a CPPME está disponível para reunir com todos os departamentos do Município que tratem dos interesses dos MPME, assim como com os vereadores que detenham pelouros nesta área.

Porém, a Confederação considera que num primeiro momento necessita de falar com V. Exª, por isso lhe solicitou uma audiência!

Assim, certos da melhor compreensão e disponibilidade por parte de V. Exª, aguardamos proposta de dia e hora.

Com consideração e estima, somos com os melhores cumprimentos.

José António Saraiva Brinquete
Secretário-Geral da CPPME
Tlm - 91 982 71 69”

segunda-feira, 2 de julho de 2018

EDITORIAL: SUICIDA NÃO RECEBE SACRAMENTOS?





“Comportamento assim, ainda me lembro,
tinha a Igreja Católica Romana. Sempre que
uma pessoa colocava fim à vida não tinha direito
a exéquias realizadas por um padre e muito
menos oração de encomenda, igual para todos os
que partem desta vida”


Conforme escrevi aqui, na quarta-feira da semana passada, um homem de cerca de 35 anos decidiu acabar com a sua vida, pelo salto do 6.º andar, no edifício denominado Torres do Arnado, com lojas comerciais e de restauração no rés-do-chão e escritórios nos pisos superiores, muitos deles afectos a serviços consignados ao Ministério da Justiça.
Continuando a justificar-me, como no dia seguinte os jornais diários da cidade fizeram tábua rasa sobre o autocídio, decidi penetrar na área envolvente da ocorrência para saber e dar conta aos leitores do blogue o que se tinha passado. Estranhamente, ou talvez não, deu para me aperceber da dificuldade em obter qualquer coisinha sobre o acontecimento. Pelo que apreendi, tinha caído um manto de silêncio sobre o centro comercial. Se foi compulsivo, isto é, imposto de cima para baixo, pouco me interessa. O que sei é que a notícia de uma morte, seja provocada ou não, não pode ficar intencionalmente enterrada na obscuridade. E sobretudo se este apagamento visa favorecer alguém, entidade, pessoa, nem que seja por que não gosta do estigma -como é óbvio, não sei se foi por isto. O que posso escrever é que é desusado, muito inusitado, os jornais não publicarem uma linha sobre o assunto com o argumento de que “o jornal não noticia suicídios” -foi assim que um jornalista de um dos diários justificou, nas redes sociais, a nuvem de silêncio do matutino em que trabalha e é jornalista. Vou estar atento para o futuro. Sempre quero ver se para caso igual o mesmo método.
Para piorar e me aumentar a suspeita de que algo não vai bem na imprensa diária é que passados seis dias, continuamos sem saber a identidade do finado. Comportamento assim, ainda me lembro, tinha a Igreja Católica Romana. Sempre que uma pessoa colocava fim à vida não tinha direito a exéquias realizadas por um padre e muito menos oração de encomenda, igual para todos os que partem desta vida. A morte, enquanto episódio da esfera pessoal que finaliza um percurso individual e particular, que pela impossibilidade de mais julgamento, implica perdão pelos erros e omissões, é também, ao mesmo tempo, um facto que gera sempre consequências na esfera pública. Por isso mesmo, tendo o respeito como maxime, o derradeiro, sem discriminar pela condição social ou outra, deve ser acompanhado de uma obrigatória paridade.
Enquanto leitor diário, criei para mim próprio uma obrigação: proteger a imprensa da minha cidade quando merece ser defendida e denunciada quando me julgo ofendido no meu direito ou de alguém. Isto quer dizer o quê? Vindo da minha pessoa, pouco ou nada, mas não é por isto, pela minha condição de anónimo, que deixo de escrever o que me vai na alma. Porque é assim: se eu verificasse que, até agora, a postura da imprensa diária era assim para todos, podem crer, não plasmaria este segundo texto. Acontece que não é, nem nunca foi.
Os leitores da nossa imprensa têm o direito de exigir aos diários da cidade a identidade do cidadão que morreu nas torres do Arnado. Era sem-abrigo? Era filho de alguma família que, infelizmente, foi obrigada a fazer um corte relacional com o finado? Seja lá quem for, pelo direito à igualdade, mesmo na diferença estatutária, deve ser sujeito ao mesmo tratamento social.