terça-feira, 3 de maio de 2011
UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)
Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "MORREU QEN GUI":
O Gui quando veio estudar para Coimbra ficou alojado na Rua Antero de Quental, onde conheceu a companheira dele, a Joana. Tive o privilégio de aprender alguns valores com ele. Ensinou-me a comer com os pauzinhos chineses; andou muita vez comigo ao colo; levou-me a passear ao Jardim da Sereia.
A minha falecida avó foi a mãe adoptiva do Gui durante vários anos, ambos tinham um carinho muito especial um pelo outro.
O Gui foi um grande Homem. Grande amigo. Até sempre.
Abraço eterno.
A minha falecida avó foi a mãe adoptiva do Gui durante vários anos, ambos tinham um carinho muito especial um pelo outro.
O Gui foi um grande Homem. Grande amigo. Até sempre.
Abraço eterno.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O SISMÓLOGO
A informação chegou-me em forma de apelo pelo dono do café Puri, aqui próximo, na Rua das Padeiras e um dos muitos correspondentes deste blogue. Dizia-me o senhor Jorge: “você tem de entrevistar o nosso grande sismólogo Francisco Machado!”.
É claro que, perante esta informação, fiquei em pulgas. Para quem não sabe, a Baixa é assim uma espécie de incubadora Pedro Nunes. Com uma diferença, este instituto faz nascer empresas como cogumelos. A Baixa, como ninho multiplicador de espécie, faz nascer talentos. Há ainda outra diferença, no Pedro Nunes tudo o que mexe tem direito à informação pública, aqui, no Centro Histórico, só graças a este fora de série, extraordinário, invulgar, singular, estranho blogue é que o mundo conhece esta grande multiplicidade de obreiros desconhecidos da grande plateia mundial. Só graças ao altruísmo e desligamento do jornalista desta página –que por acaso sou eu, obrigado- é que o Universo pode enxergar histórias como o “O dia do Armagedon”; “O Euleutério ensandeceu e ninguém sabe”; “O Furamundos”; “O Anjo Cinzento de Deus”; “O Onzeiro”; “Perdido entre a Carneirada; “Um amor para toda a vida”; “O Homem que papava livros”; “O velho café do Teatro Avenida”, e tantas outras que, por agora, não quero mais maçá-lo.
Como nada acontece por acaso, é de supor que este serviço será um desígnio do sobrenatural, assim um instrumento a utilizar por algo metafísico. Mesmo que não seja, e, antes pelo contrário, se for resultado não de coincidências mas meramente de uma decisão racional, tendo em conta que isto é uma “fábrica de escrita”, não acha que deveria ser subsidiada? Não pense que me estou a bater, nada disso, mas tendo em conta que a minha profissão de comerciante já foi, agora é mais de mendicante…não sei se me consigo fazer entender.
Como nada acontece por acaso, é de supor que este serviço será um desígnio do sobrenatural, assim um instrumento a utilizar por algo metafísico. Mesmo que não seja, e, antes pelo contrário, se for resultado não de coincidências mas meramente de uma decisão racional, tendo em conta que isto é uma “fábrica de escrita”, não acha que deveria ser subsidiada? Não pense que me estou a bater, nada disso, mas tendo em conta que a minha profissão de comerciante já foi, agora é mais de mendicante…não sei se me consigo fazer entender.
Assim sendo, seja pelo casco, seja pelo produtor do vinho, você, que é cliente deste jornaleco, considere-se um eleito. Para ler literatura desta, você só pode ser, aliás, você é especial… só pode ser… alma de Deus!
Bom, continuando, perante o alerta do nosso correspondente na Rua das Padeiras, como caçador de insólitos, competia-me ir à procura do grande sismólogo do Centro Histórico, Francisco Machado. Tal como Sherlock, enfiei a carapuça, ajustei as lunetas, e toca de ir para o interior da selva urbana. Como quem diz, para a barriga destes becos e ruelas em formato de interstícios, onde o Sol raramente lambe o chão, ficando apenas pelos preliminares dos telhados e beirais.
Afinal nem foi preciso correr mundos e fundos, ou melhor, calçadas e pracetas esconsas, para dar de caras com o nosso futuro entrevistado. Estava ele a segui as pisadas de um aranhão, que se preparava para fazer uma teia ali na ombreira da “Telha Amiga, na Rua Velha. Parece que não tem utentes velhinhos e a porta abre raramente.
-Bom dia, senhor Chico. Como vai? Então está a observar o aranhiço?
-Pois estou! Saberá o amigo que através da teia de um aranhão é possível prever um tremor de terra?
-Não, por acaso não sabia, senhor Francisco. Aliás, com toda a franqueza, sou ignorante de mais. Até irrito uma simples formiga. Mas conte-me como é que consegue prever?
-São muitos anos de experiência, meu amigo…
-Que idade tem o senhor?
-72 anos… nasci em 1939. … É só mesmo fazer as contas…
-O senhor nasceu cá em Coimbra?
-Sim, nasci em São Martinho do Bispo.
-E desde sempre, que se conhece, deu conta desse seu talento de prever sismos?
-Sim, desde sempre. Estudei em Lisboa, no Laranjeiro, numa cooperativa de ensino, e tive lá um bom professor, o José Ernesto, que é presidente da Câmara de Évora… conhece?
-Não, não conheço, senhor Chico. E então, diga-me, estudou até que ano?
-Até ao 10º…
-E o que fez ao longo da sua vida?
-Trabalhei sempre como pintor da construção civil. Estive em França na década de 1970…
-E como é que se apercebe que vai haver um tremor de terra? Quais são os sinais?
-Há muitas maneiras, mas a mais comum é quando sinto comichão nas partes baixas…
-E mais? Que outros sintomas conhece?
-Olhe, por exemplo, se a minha cabeça começar a latejar como um relógio… assim a fazer “tic… tac”… já sei que vai acontecer um sismo no estrangeiro…
-Isso quer dizer que o senhor previu antecipadamente o grande sismo do Japão?!
-Claro…claro que sim…
-E então não alertou as autoridades?
-Como é que eu ia fazer isso? Eu até previ o da Indonésia em 2007…
Este do Japão estava tudo previsto…
-Interessante…
-O ser humano dá sinal através do iodo da atmosfera. Os animais passam os sinais através das ondas sonoras…fazem uma algazarra que até arrepia; as aves também prevêem tempestades.
Quando vejo os humanos a enervarem-se muito, olho para Júpiter, faço uma relação com o “mapa-mundi” e sei logo qual é a placa no centro da terra que se vai mover e o país que vai sofrer o abalo…
-E vai haver proximamente algum sismo?
-Vai vai, já este mês…
-E onde? Em que país?
-No estrangeiro…ainda não sei bem. Tenho de fazer uns cálculos.
O inverno vai ser muito rigoroso em Portugal. Vai haver muita chuva. Lisboa e Porto vão ter chuvas torrenciais e ventos fortes.
Morre muita gente antes de se dar os tremores de terra…
-Ai é? Conte-me, como é que acontece?
-É assim, há seres humanos que não aguentam uma picada forte no coração, por isso dá-se a morte súbita. Quando se está para dar um sismo, um tremor de terra, um terramoto destrutivo ou um maremoto…
-Mas isso não é tudo a mesma coisa?
-Não senhor. Depende da picada no coração do ser humano…
-Sou mesmo ignorante, senhor Chico. E quem se pode aperceber dessas picadas?
-Muitos… até o médico, através das doenças, pode prever sismos, tremores de terra ou terramotos destrutivos…
-Ai sim? Como?
-Através das doenças crónicas, que é doente mental, do paciente cardíaco, do doente nervoso, o médico pode prever que se vai dar um sismo, um terramoto, um tremor de terra destrutivo, ou um maremoto…
-Interessante…
-A lua no Quarto-Crescente é a fase mais perigosa…dá origem a terramotos destrutivos…
As luas são lunares; as montanhas na Lua são lunares…
-Interessante…
-Pela caliça que cai das paredes também é possível saber se vai dar um sismo, um terramoto, um tremor de terra destrutivo, ou um maremoto, ou um tsunami…
-Muito obrigado, pela entrevista, senhor Francisco João Machado…
Já agora pode dizer-me se nos próximos dias iremos ter, por aqui, algum terramoto?
-Olhe, vou ver o rio Mondego. Se a água tiver manchas… é limpinho. Depois lhe digo…
(HISTÓRIA REAL E BASEADA NAS DECLARAÇÕES DO RETRATADO)
(HISTÓRIA REAL E BASEADA NAS DECLARAÇÕES DO RETRATADO)
MORREU QEN GUI
Fui surpreendido hoje de manhã pelo anúncio da morte de Qen Gui, nas páginas de necrologia do Diário de Coimbra.
Escrevo estas linhas não porque fosse amigo ou muito chegado ao antigo basquetebolista da Académica. Ao longo dos últimos 16 anos de existência deste meu negócio de velharias na Baixa, Gui visitou o meu estabelecimento três ou quatro vezes. Há pouco tempo, numa destas, creio, meti conversa com ele.
Conheci o “Senhor Gui” –como era amavelmente tratado em finais da década de 1960 e princípio de 70. Há coisas curiosas, nessa altura, eu era um adolescente de 13 ou 14 anos e trabalhava ao balcão de pastelaria da grande catedral da Praça da República e que foi o Café Mandarim. Pois, fosse lá por que fosse, a verdade é que nunca esqueci a fisionomia do Qen Gui. Poderia ser pelos traços chineses –salvo erro, era macaense-, mas estou convencido que seria pela extrema educação, pela pose assertiva, pela voz calma ao falar, que eu gravei na minha mente, para sempre, a feição deste antigo atleta da académica. Tenho ideia, embora não precisa na data, de ele se apresentar como basquetebolista no clube dos estudantes. É certo que o Mandarim, nessa época, era uma espécie de igreja onde todos os grandes nomes do desporto da academia e outros das letras e da política iam sempre para serem baptizados. Naquele antigo grande estabelecimento, fundado por Joaquim Antunes –e, salvo erro, por José Pais, dono da escola de instrução com o mesmo nome- era comum encontrar-se todos estes grandes vultos e que viriam a fazer parte da história.
Na maioria, eram pessoas simples, se bem que, em boa verdade, eram tratados com um redobrado respeito majestático por todos os funcionários deste antigo café. Lembro-me do primeiro conselho que me deu o chefe do balcão da pastelaria, o senhor Mendes: “toma bem atenção, António, sempre que vejas um cliente de capa e batina ou de gravata, trata-lo sempre por doutor. Ouviste bem? Não te esqueças, vale mais pecar por excesso do que por defeito!”
E eu assim fazia. Um dia, lembro-me, por se apresentar de gravata, apanhei um grande barrete e não me enterrei pelo chão abaixo por acaso: tratei o condutor do antigo Delegado de Saúde, Pais Ribeiro, por doutor. O problema é que o homem afinou “à brava”. Estava a ver que ainda me mandava uma chapada. É outro rosto que tenho gravado na minha mente. Este homem, hoje taxista, nem imagina que, hoje ao passar por mim, imediatamente, me vem à memória esse trecho, que me deixou completamente embarrancado.
Voltando ao “Senhor Gui”, como era tratado no antigo café que hoje deu lugar ao “Mc Donalds”, na Praça da República, creio que era assim reconhecido por não ser licenciado. Uma óptima pessoa, pelo menos assim o guardei na memória, que partiu precocemente do nosso meio. Embora a minha lembrança tenha pouquíssima importância, entendi partilhá-la.
À família enlutada um grande abraço de solidariedade nesta hora triste por que estão a passar. Este momento toca a todos. Os meus sentidos pêsames.
Textos relacionados:
3 IDEIAS DE JOSÉ DIAS
3 IDEIAS QUE APRESENTEI
- EUROPA
Propor ao Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (UC) que, no âmbito do Projecto de Investigação ALICE, dotado com 2,4 Mil euros, atribuído a Boaventura Sousa Santos, seja criado nas redes Sociais, nas várias línguas da UE, o domíniocidadaniactiva.eu, onde as principais experiências de Democracia Participativa, para já nos países envolvidos pelo estudo, estejam alocadas para fácil consulta.
2. PORTUGAL
Propor ao Centro de Estudos Sociais da UC que, a partir da dezena de Observatórios e Laboratórios Associados de vários saberes da UC já a laborar, densificando o trabalho em rede, se crie o primeiro Futurível Português, Observatório do Futuro Previsível que, emita regularmente Análises Prospectivas a 20 anos, as quais nos ajudem como Colectivos e Cidadãos a melhor nos prepararmos para o nosso futuro comum,
3. COIMBRA
Apelar ao Partido Socialista, ao Partido Comunista / CDU, ao Bloco de Esquerda para que, pelas suas Concelhias de Coimbra, após as Legislativas de 5 de Junho, iniciem a preparação comum das Autárquicas de Outubro de 13, não se precipitem em anúncios públicos prematuros, procurem chegar, na diversidade dos seus programas autónomos, a uma Coligação Alternativa, com Programa mínimo e Equipa de prestígio, capazes de convencer os Cidadãos Eleitores de que, valerá a pena derrotar quem tão mal nos governa há 11 anos.
Coimbra 30 de Abril de 2001 / Cidadão José Dias
UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE...)
Marco deixou um novo comentário na sua mensagem "A NOVA SEDE DO PCP VISTA PELO "OLHO DE LINCE"":
Gritar eles gritam muito,não se percebe é o que dizem.
Obs: A mensagem no blusão do Paulo Eno é:«Ibiza fuckin island» e não «... fuck in ...»,traduzindo a frase é «Ibiza ilha fodida (ou do caralho). É, portanto, um elogio no calão inglês. Islândia em inglês é Iceland.
Desculpe lá a rectificação Luís. Mas ,de qualquer maneira eu apreciava qualquer outra mensagem com estas duas palavras: FUCK PCP.
Marco
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NOTA DO EDITOR:
Não tem que pedir desculpa pela rectificação, Marco. Aliás, até agradeço. Em boa verdade sou mesmo uma nódoa com a língua inglesa -e com as outras igualmente, mas isto fica entre nós, que é para não ficar malvisto. A causa deve ser o facto de, há muitos séculos atrás, na escola comercial Jaime Cortesão -agora Sidónio Pais-, nessa altura, se dar muito maior importância ao francês. Seja lá por isso ou não, a verdade que nem na companhia da Irina, a namorada do Ronaldo, vou à bola com a língua de sua majestade.
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Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "A NOVA SEDE DO PCP VISTA PELO "OLHO DE LINCE"":
Caro Marco, parece o novo Salazar a falar, melhor a escrever. Deve ser tiques de andar a ler o que Sócrates escreve.
É preciso saber viver em democracia, esse ódio ao PCP é doentio.
É preciso saber viver em democracia, esse ódio ao PCP é doentio.
Marco deixou um novo comentário na sua mensagem "A NOVA SEDE DO PCP VISTA PELO "OLHO DE LINCE"":
Amigo Jorge, democracia é isto; é podermos dizer o que sentimos e pensamos. Uns pensam e não dizem outros expressam o que pensam. E não é ódio, é só a minha opinião.
Marco
Amigo Jorge, democracia é isto; é podermos dizer o que sentimos e pensamos. Uns pensam e não dizem outros expressam o que pensam. E não é ódio, é só a minha opinião.
Marco
Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "A NOVA SEDE DO PCP VISTA PELO "OLHO DE LINCE"":
Notei uma falha nesta inauguração. Com tanta democracia, foram convidados os políticos da Praça 8 de Maio " COLIGAÇÃO POR COIMBRA" e foi esquecida a Junta de Freguesia de S. Bartolomeu.
Querem ver que o raio do convite não foi feito, porque tem na presidência um Independente, embora eleito nas listas do PS?
Isto da política é tramado. Será que foi feita a reorganização administrativa e S. Bartolomeu desapareceu do mapa da CDU!
Camaradas o Protocolo falhou.
Querem ver que o raio do convite não foi feito, porque tem na presidência um Independente, embora eleito nas listas do PS?
Isto da política é tramado. Será que foi feita a reorganização administrativa e S. Bartolomeu desapareceu do mapa da CDU!
Camaradas o Protocolo falhou.
Jorge Neves deixou um novo comentário na sua mensagem "A NOVA SEDE DO PCP VISTA PELO "OLHO DE LINCE"":
Concordo plenamente, deveriam ter convidado o executivo da junta e até mesmo a Assembleia da Junta de Freguesia.
Bem sei que a CDU deixou de ter representação na freguesia, mas muito por culpa própria e ai também por culpa minha porque foi a minha candidatura como independente no Bloco de Esquerda que fez com que a CDU deixasse de ter representação na Assembleia.
Mas penso que foi uma falha da organização e nada mais.
Quero louvar a vinda da Sede da CDU para a minha Freguesia de São Bartolomeu.
Bem sei que a CDU deixou de ter representação na freguesia, mas muito por culpa própria e ai também por culpa minha porque foi a minha candidatura como independente no Bloco de Esquerda que fez com que a CDU deixasse de ter representação na Assembleia.
Mas penso que foi uma falha da organização e nada mais.
Quero louvar a vinda da Sede da CDU para a minha Freguesia de São Bartolomeu.
UM CONVITE PARA VISITAR UM COLEGA
Visite aqui o meu camarada do lado, o "Beira do Rio". É o jornal da Universidade Federal do Pará. fica aqui mesmo a dois passos de nós... no Brasil. Tem temas diversos, e é de facto muito interessante. Fica a recomendação.
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