quinta-feira, 17 de setembro de 2020

MEALHADA: O COMBOIO DE MERCADORIAS VAI APITAR DUAS VEZES

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)


As seis badaladas tinham batido há pouco no campanário da igreja da Mealhada, neste 16 de Setembro. A tarde decorria calma e serena. O Sol lá longe, ainda com uma temperatura elevada para um começo de Outono, como a ajeitar-se para se acomodar parecia gozar a modorra do tempo.

“Ti Manel”, aposentado, freguês, munícipe, e acima de tudo cidadão pagador, residente no Travasso, povoação paredes-meias com a capital do bom leitão, preparava-se para transpor a porta envidraçada da Escola Profissional Vasconcelos Lebre, na Mealhada. Com uma leira na zona mais fértil do lugar da freguesia da Vacariça, é daquele horto, herdado de seus pais, que “Ti Manel”, com esforço diário inscrito nas cruzes em bicos de papagaio, retira o seu complemento da reforma miserável. É dali que, apanhando desde os legumes, até às batatas, passando pela fruta, provém praticamente todo o sustento para si e para a sua “Maria”.

Tudo aconteceu há cerca de três meses quando em conversa com o seu vizinho “Anacleto” veio a saber que a denominada Linha da Concordância – um trajecto de pouco mais de três quilómetros – ia tomar-lhe o segundo amor da sua existência – o primeiro é a sua “Maria” -, o seu jardim do Éden. Num primeiro impacto, foi como se apanhasse um brutal murro no estômago. Não sei se vossemecê está a ver. É como se o mundo caísse em cima da nossa cabeça.

Como é possível que esta má notícia não transpirasse mais cedo por entre uma cavadela de enxada, uma sementeira e uma regadela? É certo que, talvez por a vista já lhe faltar, o homem não lê jornais, e muito menos essa coisa dos computadores… ai! Como é que chama? Isso. Isso mesmo: Internet. “Atão” agora é que ia navegar para essa coisa? Porra! Porra! Burro velho não aprende línguas. Em boa verdade, à noite, até vê um coisito do “Jornal da Noite”, da SIC – pelo menos até as pestanas lhe pesarem – mas não se lembra nunca do seu Travasso ser notícia na televisão. Também não se lembra da sua Junta de Freguesia ter promovido uma sessão de esclarecimento para debater o assunto. Por quê tanto secretismo, interrogava o agricultor numa noite de contar carneiros. “Atão” isto faz-se?

Antes de penetrar no antigo estabelecimento municipal de ensino, “Ti Manel” respirou fundo. Afinal, este era o seu baptismo de fogo. Era a primeira vez que ia assistir a uma Assembleia Municipal. Foi então que, sem se fazer anunciado, um “galaró”, erguendo a crista, cantou alto e forte nas redondezas.

Como se fosse pouco o símbolo do azar, um gato preto, esbaforido como se levasse fogo no rabo, passou ao seu lado. “Mau Maria”, isto tem tudo para correr mal. Fosca-se! Abrenúncio! Vade rectro, Satanás! Pensou “Ti Manel” em solilóquio com seus botões. Enfiou a “focinheira” por causa do vírus, entrou e foi absorvido pela luz artificial do interior da escola.


UM DEBATE (DES)INTERESSANTE COM O PÚBLICO


A sala onde ia haver o encontro era como um anfiteatro, muitas cadeiras inclinadas para a frente e, num plano superior, uma espécie de palco. Em cima deste pódio, cerca de uma dúzia de pessoas. Entre vereadores estava o presidente da Câmara, Rui Marqueiro, e a presidente da mesa da Assembleia Municipal, Daniela Salgado. Excepto esta senhora, certamente a ver as cotações da bolsa, todos estavam agarrados ao telemóvel.

Cerca das 18h30 deu-se início à Ordem de Trabalhos, com a abertura do Período destinado à Intervenção do Público. Numa atitude condescendente, justa e compreensível, em que o Regimento da Assembleia preconiza trinta minutos, a presidente da mesa permitiu que cerca de dezena e meia de munícipes, tomando a palavra, dissessem de sua justiça durante mais de uma hora. Todos foram contra a passagem da linha por terrenos do Travasso.

Com um ar mordaz, corrosivo e displicente, o presidente da edilidade, sempre absorvido pela atenção do telemóvel, parecendo não estar ali, nem ouvir o que era dito pelo público, ia respondendo a conta-gotas. Através das palavras, mostrou-se resignado e vencido pelo sistema político vigente. Por várias vezes repetiu: “o que quer que eu faça? Eu não posso fazer nada! Não querem a linha? Rejeitem-na! A linha é de interesse nacional. Se todos seguissem o vosso exemplo nunca haveria comboios em Portugal.”

Noutras interpelações, respondeu: “Se me perguntarem sobre se a Infraestuturas de Portugal (IP), vai cumprir? Se tenho a certeza? Honestamente não! Estou aqui porque acredito na boa-fé da IP. Acho que desta vez eles terão muita dificuldade em não cumprir”, enfatizou Marqueiro.

A uma munícipe do Travasso, que acusou o executivo de nada fazer na sua terra, Marqueiro respondeu: “E senhora, fez lá alguma coisa? Fez? Então estamos iguais!” - como se as suas responsabilidades institucionais fossem iguais à da cidadã.


FALA DEPUTADO


O primeiro deputado a intervir foi um eleito do PCP/PEV, para fazer um requerimento à mesa. Com base em que era preciso levar este assunto às pessoas, tratava-se de uma proposta para aprovação do adiamento da Assembleia Municipal para outra data posterior à da Pampilhosa e do Travasso, que irão ocorrer no próximo 18 de Setembro.

Alegadamente, e pelo que foi dito, esta sessão foi marcada a pedido de Marqueiro, por ter de se ausentar, sabendo da existência das duas assembleias de freguesia a ocorrer dois dias depois. Embora a explicação devesse obrigatoriamente ter sido dada pelo presidente da autarquia, numa troca de papéis que não se entendeu muito bem, foi a chefe do hemiciclo que, dando como certa a ausência do edil, tomou a sua defesa e esclareceu o deputado comunista. Relembra-se que a Assembleia Municipal é o órgão fiscalizador do executivo, e não o contrário.

Feita a votação do requerimento apresentado à mesa pelo deputado do PCP, foi chumbada pelos seus pares. De salientar que Claudemiro Semedo, presidente da Junta de Freguesia de Luso, votou a favor do adiamento.


E PROSSEGUE A MARATONA


A seguir falou a deputada eleita pelo Bloco de Esquerda. Numa prosa clara, eloquente e convicta, deu a entender e foi ao fundo da questão, afirmou que Rui Marqueiro era autoritário. Disse também que, ao não convidar outros vereadores para ir a Lisboa à reunião com a IP, o autarca centralizou o problema. Que o líder do executivo agia como se fosse o “dono disto tudo”.

Disse também que a presidente da mesa da Assembleia Municipal, à revelia do plenário, permitiu que, em 17 de Agosto, o ponto da Ordem de Trabalhos fosse retirado sem votação.

Em resposta, Daniela Salgado, presidente da mesa, explicou que, como a reunião tinha sido pedida por Marqueiro, logo, por direito, o requerente poderia anular os pontos que entendesse.

Pergunta-se assim com assim: com esta não-inscrição, que foi e deixou de ser, onde fica o princípio da confiança nos representantes e nas instituições?


E MAIS AINDA…


Uma deputada da Coligação Juntos pelo Concelho da Mealhada reiterou a falta de diálogo entre eleitos e eleitores. Mais: que esta obra não traz emprego, não traz empresas. Pelo contrário, traz destruição à zona fértil do Travasso.

Em resposta, Marqueiro afirmou: “olhe é o azar, o comboio passar lá!”


E AINDA…


Em resposta a outro deputado, o presidente da edilidade mealhadense explicou que a Declaração de Interesse Municipal, conforme a lei, baseia-se no facto da obra se desenrolar em terrenos da Rede Ecológica Nacional.

Continuou Marqueiro, por outro lado, a Declaração de Impacto Ambiental é desnecessária por parte da APA, Agência Portuguesa do Ambiente, por ser inferior a cinco quilómetros (Regime jurídico da Reserva Ecológica Nacional -CCDRC).


E FALOU A PRESIDENTE DE JUNTA DE FREGUESIA DA PAMPILHOSA


Falou a presidente da Junta de Freguesia de Pampilhosa: “as juntas de freguesia da Pampilhosa e da Vacariça apenas estiveram em três momentos com a IP.

O que ganha a nossa população com os adiamentos?

A marcação da nossa Assembleia de Freguesia foi feita antes da Assembleia Municipal. A Junta teve o cuidado de perguntar à Câmara a data da Assembleia Municipal e nada foi dito.

Este não é o tempo para adiar grandes obras!”


E A SEGUIR O PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE VACARIÇA


O presidente da Junta de Vacariça, em resumo, disse que estava magoado com o povo do Travasso, com o porquê das suas gentes não se ter colado à Junta. “Ninguém procurou saber o que se passava”.

“Reconheço o transtorno com o prejuízo que vão sofrer. Fiquei satisfeito em não ser demolida nenhuma casa.

Vamos fazer fé nas palavras daqueles senhores da IP”, enfatizou o edil.


E OUTRA DEPUTADA


“Este projecto é absolutamente fundamental para os tratados de Kyoto e de Paris. Os interesses dos cidadãos vão ser lesados, mas vão ser resolvidos em processos expropriativos.”


E FOI A VOTAÇÃO


Com a presidente da mesa da Assembleia a dar início à votação sobre a Linha da Concordância, em que irão passar cerca de sete comboios de cerca de 750 metros e a uma velocidade média de 180 quilómetros por hora, deu-se a votação:


8 votos contra, duas abstenções e 15 votos a favor.


Na mesa da Assembleia alguém suspirou fundo. Apesar de, aparentemente, estar em fim de vida autárquica, mesmo assim, ainda irá ver o comboio apitar duas vezes. Uma pelos lesados, que sem voz e sem representação política, vão constituir as fundações da nova linha. Outra pelo desempenho de alguns políticos locais que vão ficar na história pelos piores motivos.


PORRA! NÃO HAVIA “NEXEXIDADE”


Numa peça tão bem encenada, caiu mal a dramatização, ou melhor, a crispação travada entre Daniela Salgado, a presidente da Mesa da Assembleia Municipal, e Isabel Santiago, deputada da Coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”. No caso, a deputada é proprietária de um terreno afectado pelas obras da linha, no Travasso. Acontece que, pela legislação, uma lei que é iníqua, porque o legislador não pode prever tudo – e quando assim acontece deve prevalecer o bom-senso, aliás aflorado várias vezes pela chefe da Assembleia – a deputada, se estiver em causa uma votação, por incompatibilidade, não pode participar no sufrágio. Se estiver em causa defender os seus direitos de cidadã, como é o caso, também não pode por ser eleita. Salvo melhor opinião, claramente está em causa a sonegação de direitos constitucionais.

Ora, o que fez a deputada? Pediu a substituição e pretendeu intervir na qualidade de munícipe lesada. Com uma rispidez digna de nota, a mostrar que a dissensão entre as duas mulheres fortes já é a resvalar para a pessoalidade, a maestrina da Assembleia não esteve bem. Tanto falou em bom-senso ao longo de mais de quatro horas, mas, quando o deveria ter empregado, falhou. Que mal trazia à questão em análise se a deputada despejasse o que lhe ia na alma? Seria a sua intervenção capaz de virar o sentido de voto? Nem pensar! Em especulação, o que está em causa é o medo e a necessidade de achincalhar.



 



quinta-feira, 27 de agosto de 2020

UM AGRADECIMENTO E UM PEDIDO DE DESCULPA

 

(Imagem de Leonardo Braga Pinheiro)



Como muitos dos meus amigos sabem ontem comemorei a data inscrita no Cartão de Cidadão do meu nascimento. Sim, é verdade, a data do documento de identificação marca 26 de Agosto de 1956 – 64 anos, portanto -, porque, ao que parece fui registado pelos meus progenitores muito mais tarde – antigamente, era obrigatório registar os recém-nascidos no mês subsequente ao nascimento. Vai daí, para não pagarem coima, vi a minha inscrição no grande livro dos vivos no então desaparecido Registo Civil. Sabe-se lá a razão, em tempo útil, nunca me preocupei com esse pormenor, nem mesmo pela curiosidade. Com a minha mãe já com bastante idade e mentalmente algo esquecida, e depois do falecimento do meu pai, ainda tentei apelar à sua memória. Porém, debalde, já era tarde para conhecer a data e a hora do meu grito de Ipiranga.

De modo que, levando a coisa para o menos sério, ontem, sem o saber, poderia muito bem estar a fazer 69. É grave? Ora, ora! De modo algum! Mais que certo, os que fizeram ontem 69 tiveram o mesmo prazer que eu. Certo? Não. Errado!

Uma pessoa só deveria comemorar aniversário até aos 50 anos. Após os dois terços do livro, quando se aproxima o epílogo, quando começamos a sentir que temos mais passado que futuro – e mesmo este é incerto – cada ano que passa, e sentimos que cada vez mais o tempo, o nosso espaço de vida, se esgota sem podermos fazer nada, e é equivalente a uma valente bordoada nas costas, o tempo já não deveria contar.

Se vivêssemos numa sociedade quase perfeita – que, provavelmente, nunca será assim, pelo menos enquanto estivermos inseridos no actual sistema de sustentabilidade da Segurança Social e diferença entre activos e passivos–, tendo em conta que a longevidade, a médio prazo, prolonga-nos, cada vez mais, para o centenário, deveríamos trabalhar apenas metade da existência, até ao meio-século, e a outra metade seria gozada da forma que cada um entendesse. Claro que nem todos concordam, mas, a ser assim, permitia uma maior renovação da sociedade, o Carp diem, o gozar o teu dia em pleno, e oportunidade de emprego aos mais novos.

E comecei a a escrever esta crónica simplesmente com um objectivo: por um lado, agradecer a lembrança e a sensibilidade dos meus amigos e muitos conhecidos do Facebook, que me enviaram uma catrafada de mensagens – a propósito, conseguimos relembrar ainda o passado recente, em que não havia rede social? Será que nos damos conta da importância que o aniversário tomou? É bom? Ou é mau?

Por outro lado, venho pedir desculpa por este ano não oferecer, no mínimo, uma bebida – nos anos anteriores as prendas foram mais suculentas -, mas este maldito vírus está a trocar completamente as voltas a todos. Até tinha pensado numa iniciativa gira, mas a Direcção-Geral da Saúde desenganou-me logo: era preciso um plano de contingência. E eu, na minha proverbial inocência, disse que não havia tempo. E pronto! Não vos ofereci um garrafão de cinco litros de água de Luso, apanhada na fonte das onze bicas. 

Era ou não um grande prémio de amizade? Pois era! Mas o que hei-de fazer? Olhem, desculpem lá! Quem sabe para o ano não estejamos livres desta maldita praga e o prémio acumula?


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

DEZ ANOS DEPOIS. VALE MAIS TARDE QUE NUNCA…

 



Há pelo dez anos que neste blogue chamo a atenção para o estado deplorável de sujidade em que se encontram os candeeiros de iluminação pública, de rua, na Baixa.

Em Setembro, último, mais uma vez levei o assunto à reunião do executivo. Em resposta à minha intervenção cidadã, Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, afirmou que a Câmara Municipal tinha contactado a EDP e que esta entidade, por promessa de um engenheiro (foi dito o nome, mas não recordo), se tinha comprometido no próximo Outubro (de 2019) em desempenhar o serviço que, aliás, é da sua competência, disse Machado.

Ontem, Quarta-feira, quase um ano depois, um pendurado numa escada e outro a lavar no chão, dois funcionários, presumivelmente, da EDP limpavam as luminárias da Rua da Louça.

Esperemos que a empreitada seja para continuar. Já não era sem tempo. Vale mais tarde que nunca. Afinal, dez anos nem é muito tempo, homessa!


domingo, 9 de agosto de 2020

QUANDO SE INICIA A REALIZAÇÃO DAS FEIRAS DE ADELOS, EM COIMBRA?

 



Depois de vários meses suspensas - nomeadamente desde Março, devido ao Coronavírus –, em Coimbra, as feiras de usados, velharias e antiguidades, nomeadamente a Feira sem Regras, em Santa Clara, e a Feira de Velharias, no Largo das Olarias, em frente a Loja do Cidadão, continuam interrompidas.

Passados seis meses, não se vislumbra uma palavra de tranquilidade destinadas aos vendedores. Lembramos que a Feira sem Regras funcionou no primeiro Sábado de cada mês em frente ao Convento de Santa Clara-a-velha e foi uma organização da Freguesia de Santa Clara (União de freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas. Já a Feira de Velharias, numa organização da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) – que embora o acontecimento estivesse a cargo de várias entidades, a autarquia, nos últimos anos, chamou a si a sua preparação.

Depois de Aveiro já ter em funcionamento a sua Feira de Velharias -que ocorre ao quarto Domingo – desde Junho, Coimbra, como sempre, é sempre a última quando toca a interesses de terceiros.

Porque ainda estou no ramo, sempre tive para mim que os vendedores de adelos, pessoa que se dedica à compra e venda de artigos usados, incluindo ferro-velho, foram sempre desconsiderados pelas autarquias -há cerca de vinte e cinco anos, durante muito tempo, integrei as várias feiras da zona centro.

Os presidentes de câmara sempre olharam para nós expositores como se olha para mão-de-obra escrava. Ou seja, sem gastar um cêntimo, estas pessoas durante um dia vinham (e vêm) alegrar e trazer vida às cidades. Assim uma espécie de actor cénico a trabalhar à borla. Sem disfarçar algum desprezo pelos vendedores, os autarcas olharam-nos sempre com desdém, como se fôssemos cidadãos de terceira. Então, neste procedimento desvalorizador,  Coimbra está em primeiro lugar, com Manuel Machado, o presidente da edilidade, a envolver-se em discussão directa, com vendedores, a menosprezar a sua prestação e contributo para alegrar a cidade dos estudantes.

Ora este silêncio atroador em volta da suspensão das feiras é, no mínimo, inadmissível. É depreciativo para um grupo que, sendo muito importante, faz parte dos amantes de velharias. Há muitas pessoas a depender das vendas de rua, já que são um complemento para as suas magras reformas.

O que espera a Junta de Freguesia de Santa Clara e a CMC para anunciar o início destas alegorias?

Se as Feiras do Norton de Matos e a dos 7 e 23 já funcionam, por que razão a das velharias e de artigos usados continuam suspensas?


terça-feira, 21 de julho de 2020

UMA IMAGEM POR ACASO...

A imagem pode conter: sapatos e ar livre
A imagem pode conter: sapatos




Há muitos psicólogos sociais que afirmam que a riqueza de uma comunidade verifica-se nos excedentes, o vulgar lixo, que produz. Ou seja, se na hora da recolha os funcionários camarários, no geral, se deparam no contentor com bens ainda em razoável estado e reutilizáveis, significa que aquele grupo societário, economicamente, vive confortável e acima da média.
Ora, a imagem que captei hoje, em Barrô, quando a tarde caía calma e serena, medida pelo índice que apontei, significa que, felizmente, a aldeia não têm habitantes com grandes necessidades. Este variado tipo de calçado para todas as estações do ano e para várias cerimónias, esteve hoje exposto durante todo o dia e ninguém ligou peva. Salienta-se a boa-vontade de quem teve o bom-senso de não deitar directamente o calçado dentro do contentor. Fez o que devia. Se não serve a ninguém, isso é outro assunto. Quase apostava que se fosse repetido em Coimbra, o mais certo é desaparecer tudo rapidamente. O que, a ser verdade, vive-se melhor hoje na aldeia, sem privações, do que na grande cidade.

Apesar do que escrevi em cima, de que ainda bem que ninguém necessita, para nós mais velhos não deixa de dar que pensar. Há cerca de meio-século, encontrar um único par de alpercatas em estado razoável era ganhar uma lotaria. Ainda bem que estamos todos muito melhor!

CUIDADO COM O BICHO

(FOTO DA "VOZ DO CAMPO")




Obrigatoriedade na aplicação de medidas fitossanitárias em citrinos

Leia aqui, clicando em cima, a "Voz do Campo", sobre a praga que se abateu sobre os citrinos. Para evitar que este ano seja um ano totalmente de crise nos frutos, convém ler com atenção e executar as recomendações. Leia aqui tudo que precisa saber (clique em cima)

sábado, 11 de julho de 2020

EDITORIAL: A NOSSA IMPRENSA TRANSFORMADA EM ABUTRE

(Imagem do EXPRESSO)




Como é público, tendo por intenção a total legalização da prostituição, incluindo as casas-de-passe e fim da criminalização do lenocínio - “Quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício por outra pessoa de prostituição (…)” (artigo 169º do Código Penal) -, pela mentora da iniciativa, foi acusado um juiz de, para além de ser cliente do santuário de bem-estar físico e mental, recorrer a imagens de crianças, presumivelmente de processos em que era parte julgadora, em pleno acto de sexo oral praticado pelas profissionais do relaxamento. Leia aqui o Expresso.
Antes de prosseguir, porque foi por isto que me levou a escrever, começo por dizer que a cobertura jornalística, nomeadamente televisiva, é simplesmente tenebrosa. Expor publicamente a imagem do acusado sem ser julgado é no mínimo assustador e leva-nos a pensar para onde caminhamos? Afinal há ainda outras selvas por descobrir! Onde está a presunção de inocência? Em qualquer dos casos, inocentação ou culpabilidade, a sua vida, familiar, profissional, social, fica feita em fanicos.
Agora entremos na questão principal: a haver ilicitude, a haver mesmo, reside unicamente em provar que o meritíssimo utilizou imagens processuais sujeitas a sigilo profissional. Sim, porque frequentar um bordel ou casa de prostitutas não é crime. Nem sequer na moral dos costumes, porque já há muito que a sociedade portuguesa, apesar de conservadora, olha para a prostituição como o paradigma da hipocrisia e falta de coragem na resolução de toda a classe política, incluindo os partidos que nunca foram governo nem tenham hipótese de vir a ser.
Não interessa nada a minha opinião, mas há muito que defendo que, choque ou não os mais radicais, a prostituição deve ser tratada com outra dignidade, seja como profissão, com deveres e obrigações para os trabalhadores do sexo, seja com outro tratamento normativo. Por ser assim o tráfico de mulheres para esta vida (difícil) tem diminuído?
Uma coisa é certa: esta problemática não pode continuar.
Por último, duas palavras, uma para o desempenho da denunciante: mulher asquerosa. Puta reles! E outra para o agora acusado pelo ministério Público, muita força e coragem!